Trabalho de Lit BRA I. - Análise Poemas Gregório de M. Guerra

December 20, 2018 | Author: kleris | Category: Sin, Love, Last Judgment, Salvation, Jesus
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Universidade Estadual do Maranhão – UEMA Centro de Educação, Ciências Exatas e Naturais - CECEN Curso de Letras Licenciatura – Habilitação: Português Atividade de Literatura Brasileira I – Professora: Iranilde Costa Nomes: Deyse Filgueiras Batista e Klerianne Silva Ribeiro 5º Período – Turma Vespertina Análise de Poemas Gregório de Matos Guerra 1. Buscando Buscando o Cristo Cristo Crucific Crucificado ado um Pecador Pecador com Verdadeiro Verdadeiro Arrependi Arrependimento mento A/ vós/ co/rren/do/ vou/, bra/ços/ sa/gra/dos, Ne/ssa/ cruz/ sa/cro/ssan/ta/ des/co/ber/tos, Que/, pa/ra/ re/ce/ber /-me, /-me, es/ta/is a/ber /tos, /tos, E/, por/ não/ cas/ti/gar /-me, /-me, es/tais/ cra/va/dos. A/ vós/, di/vi/nos/ o/lhos/, e/clip/sa/dos De/ tan/to/ san/gue e/ lá/gri/mas/ co/ber /tos, /tos, Po/is/, pa/ra/ per/do/ar /-me, /-me, es/tais/ des/per /tos, /tos, E/, por/ não/ con/de/nar /-me, /-me, es/tais/ fe/cha/dos. A/ vós/, pre/ga/dos/ pés/, por/ não/ dei/xar /-me, /-me, A/ vós/, san/gue/ ver/ti/do/, pa/ra un/gir /-me, /-me, A/ vós/, ca/be/ça/ bai/xa/, pra/ cha/mar /-me. /-me. A/ vós/, la/do/ pa/ten/te/, que/ro u/nir /-me, /-me, A/ vós/, cra/vos/ pre/cio/sos/, que/ro a/tar /-me, /-me, Pa/ra/ fi/car/ u/ni/do, a/ta/do e/ fir /me. /me. Constitui-se de 14 versos: 4 estrofes formadas por 2 quartetos e 2 tercetos, estr estrutu utura rando ndo um sonet soneto, o, be bem m cara caract cter erís ístitico co do Barr Barroc oco. o. As rima rimass são são do tipo tipo interpolado nos quartetos e, cruzadas nos tercetos: ABBA – ABBA – CDC – DCD; são ricas nos quartetos (encontro de classes de adjetivo e verbo) e pobres nos tercetos (encontro de classes de verbo e verbo). Pelo Pelo proc proces esso so de esca escans nsão ão,, pe perc rceb ebem emos os qu quee o po poem emaa po poss ssui ui mé métr tric icaa decassílaba, do tipo heróico. Ou seja, a tonicidade se aplica nas sílabas 6-10 em todos os versos, marcando o ritmo.

Quanto à linguagem poética, percebemos o uso de várias figuras de linguagem, como: •

Hipérbato e Anáfora  A vós correndo vou, braços sagrados E, por não castigar-me, estais cravados  A vós, divinos olhos, eclipsados E, por não condenar-me, estais fechados.  A vós, pregados pés, por não deixar-me,  A vós, sangue vertido, para ungir-me,  A vós, cabeça baixa, pra chamar-me.  A vós, lado patente, quero unir-me,  A vós, cravos preciosos, quero atar-me



Antítese Pois, para perdoar-me, estais despertos, E, por não condenar-me, estais fechados.



Metonímia (partes de Cristo e da cruz)  A vós correndo vou, braços sagrados  A vós, divinos olhos, eclipsados  A vós, pregados  pés, por não deixar-me  A vós, sangue vertido, para ungir-me,  A vós, cabeça baixa, pra chamar-me  A vós, lado patente, quero unir-me,  A vós, cravos preciosos, quero atar-me



Ambiguidade Nessa cruz sacrossanta descobertos, Que, para receber-me, estais abertos, (abertos para receber o pecador salvo, abertos pela posição na cruz)

Pois, para perdoar-me, estais despertos, E, por não condenar-me, estais fechados. (olhos fechados, mas que tudo veem)

 A vós, cabeça baixa, pra chamar-me.

(cabeça baixa para chamar e dar o perdão ou cabeça baixa por posição na cruz)

Este poema de Gregório de Matos faz parte de seu momento sacro, em que se acredita ser do final da sua vida, quando o temor por ter desafiado o poder divino o domina, por isso esse teor de arrependimento, constatando a fragilidade humana diante da morte. Basicamente trata o arrependimento do eu-lírico, em que o pecador, ao visualizar Cristo na cruz preso, em tamanho sofrimento físico para não castigá-lo, mas para perdoá-lo, sente o peso do remorso, querendo estar ao lado dEle como um verdadeiro arrependido. Acredita que deve sofrer junto a Ele, sacrificar-se pelas suas atitudes para poder sentir-se completo e perdoado, para elevar-se espiritualmente. Conforme a estética do Barroco, ele abusa de figuras de linguagem como artifícios de versificação, faz uso do estilo cultista e conceptista, através de jogos de palavras e raciocínios sutis. As contradições, próprias, talvez, de sua personalidade instável, são uma constante em seus poemas, oscilando entre o sagrado e o profano, o sublime e o grotesco, o amor e o pecado, a busca de Deus e os apelos terrenos. 2.

A N. Senhor Jesus Cristo com atos de arrependimento e suspiros de amor 

O/fen/di/-vos/, Meu/ De/us/, bem/ é/ ver/da/de, É/ ver/da/de/, meu/ De/us/, que/ hei/ de/lin/qui/do, De/lin/qui/do/ vos/ te/nho/, e/ o/fen/di/do, O/fen/di/do/ vos/ tem/ mi/nha/ mal/da/de. Mal/da/de/, que/ en/ca/mi/nha à/ vai/da/de, Vai/da/de/, que/ to/do/ me/ há/ ven/ci/do; Ven/ci/do/ que/ro/ ver /-me/, e/ a/rre/pen/di/do, A/rre/pen/di/do a/ tan/ta e/nor/mi/da/de. A/rre/pen/di/do/ es/tou/ de/ co/ra/ção, De/ co/ra/ção/ vos/ bus/co/, dai/-me os/ bra/ços, A/bra/ços/, que/ me/ ren/dem/ vo/ssa/ luz. Luz/, que/ cla/ro/ me/ mos/tra a/ sal/va/ção, A/ sal/va/ção/ per/ten/do em/ ta/is a/bra/ços, Mi/se/ri/cór/dia, A/mor /, Je/sus/, Je/sus.

Constitui-se de 14 versos: 4 estrofes formadas por 2 quartetos e 2 tercetos, assim como é formado um soneto. As rimas são do tipo interpolado nos quartetos e, misturadas nos tercetos: ABBA – ABBA – CDE – CDE; são pobres nos quartetos (encontro de classes de substantivo com substantivo e verbo com verbo) e nos tercetos (encontro de classes de substantivo com substantivo). Pelo processo de escansão, percebemos que o poema possui métrica mista, ora decassílaba, ora hendecassílaba e ora dodecassílaba. Quando se apresenta de forma dodecassílaba (versos 2 e 7), são alexandrinos, pelo ritmo marcado nas sílabas 6-12. A tonicidade se aplica nas sílabas 6-10, 6-11 e 6-12 em uma variação de versos, marcando um ritmo mesclado. Quanto à linguagem poética, percebemos o uso de várias figuras de linguagem, como: •

Metonímia (partes de Cristo) De coração vos busco, dai-me os braços,  Abraços, que me rendem vossa luz .



Hipérbato Ofendido vos tem minha maldade.  Arrependido estou de coração



Apóstrofe Ofendi-vos, Meu Deus, bem é verdade, É verdade, meu Deus, que hei delinqüido



Inversão Vencido quero ver-me De coração vos busco



Repetição e Anadiplose Ofendi-vos, Meu Deus, bem é verdade, É verdade, meu Deus, que hei delinqüido, Delinqüido vos tenho e ofendido, Ofendido vos tem minha maldade. Maldade, que encaminha à vaidade, Vaidade, que todo me há vencido; Vencido quero ver-me e arrependido,  Arrependido a tanta enormidade.  Arrependido estou de coração ,

De coração vos busco, dai-me os braços,

 Abraços, que me rendem vossa luz . Luz , que claro me mostra a salvação ,  A salvação pertendo em tais abraços,

Misericórdia, Amor, Jesus, Jesus . O título longo do poema, assim como no primeiro, é um recurso muito utilizado no Barroco para informar ao leitor o assunto do texto antes da leitura. Em “A N. Senhor  Jesus Cristo com atos de arrependimento e suspiros de amor” percebemos o uso do verbo no particípio, o que nos leva a acreditar que o arrependimento já tomou o pecador, expressados por atos e suspiros, não necessariamente de sentido espiritual. Seguindo uma mesma temática que visa explorar a sensação do eu-lírico de arrependimento, Gregório de Matos explora o recurso da invocação para explicitar a situação que o poema transcreve: trata-se de uma referência ao dia do juízo final, em que o poeta se coloca de forma que a sua apelação é a última possível. Assim, cria-se esse clima de confissão, onde os pecados são admitidos diante de Deus e Jesus para que, assim, o eu-lírico possa ser perdoado, pela divina compaixão que prega a religião católica, e passar do juízo final para o paraíso. Essa temática, logo, cria uma semelhança com a sociedade, como se as pessoas se encontrassem constantemente nessa situação: se arrependem dos pecados, pedem o perdão divino e voltam a cometer os mesmos atos novamente, gerando um círculo de atos, uma repetição de atitudes devido essa crença da Igreja Católica. Essa configuração temática pode ser percebida, inclusive, no uso das figuras de linguagem – no caso da anadiplose, por exemplo, essa noção de atos cíclicos é perceptível pela repetição de palavras, que permitem que o poema seja lido de cima para baixo ou o contrário, fornecendo à escrita de Gregório de Matos uma dinâmica circular (sempre vai existir o pecado e sempre vai existir a culpa).

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