Roberto Cadeira - Pequeno estudo sobre a compreensão e ... um bom jogo de tarot[1]

March 23, 2019 | Author: Cleonice Gomes dos Santos | Category: Tarot, Love, Felicidade e autoajuda, Life, Free Will
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PEQUENO ESTUDO SOBRE A COMPREENSÃO PREENSÃO E A APRESENT APRESENTAÇÃO AÇÃO DE UM BOM BOM JOGO JOGO DE TAROT TAROT (PROFISSIONAL)

ROBERTO CALDEIRA

CAPA E DIAGRAMAÇÃO: ANDRES Z. FATORETTO

Nota Inicial  Esse trabalho é fruto de várias dúvidas le-  vantadas por alunos em aula, que por uma li-  mitação de tempo, geralmente ficam sem respos-  ta completa, pois, no trajeto das aulas, minha  principal preocupação é o ensino do jogo e a fi-  losofia do Tarot, ficando os meandros do aten-  dimento profissional num segundo plano. Por isso resolvi escrever esse estudo. Aqui, qualquer aficcionado da antiga arte poderá  recolher informações úteis para sanar dúvidas  comuns aos que atendem profissionalmente, bem  como, terá exemplos práticos de ocorrências de  consultório e posturas dos consulentes. Espero que esses escritos lhe possam ser de va-  lia, e que o seu jogo se enriqueça, sendo ele bené-  fico aos que dele se valerem. Não considero esse estudo um livro, portan-  to, espero que os amigos que dele venham a se  utilizar, entendam à falta de rigor literário e  lisura estilística; ambicionei apenas executar  uma mera redação técnica sem grandes preten-  sões de estilo, mas com conteúdo apurado, para  que os que aqui vierem a se servir, possam ter uma  orientação segura e prática sobre técnicas bási-  cas para o bom atendimento dos usuários do  Tarot. O Autor 

Dedico esta obra ao empenho dos meus    amados alunos em divulgar, abrilhantar e    acrescentar aspectos maravilhosos à este siste-  ma de melhoria de vida que é o Tarô. Ofereço   também esse trabalho a aqueles que se foram, mas que mesmo assim, continuam a levar a    mensagem do “Caminho do Louco” mundo afo-  ra. O meu respeito a todos. ‘ E, de uma forma muito especial, gostaria   que esse livro seja uma homenagem a Rubens    Lacerda, o meu querido Binho, exemplo vivo de   quem vive a verdadeira jornada do Tarot, tan-  to no deleite como na angústia do crescimento   e evolução; o meu carinho nessas linhas.

Este livro foi escrito em prol da evolução    dos Homens.

O Tarot é uma arte! 

A arte é uma série de objetos que   provocam emoções poéticas. (Le Corbusier) 

Sobre de

o que devemos pensarmos em

saber antes    jogar 

Creio estar me dirigindo a tarólogos, por-  tanto, não perderei precioso tempo discorrendo   sobre o que vem a ser o Tarot. Aproveitarei estas   linhas para pôr em andamento um projeto que   a muito instigava-me: o de preparar um breve e   singelo estudo sobre a postura e comportamento   de um tarologista. Operar um instrumento de informação    como o Tarot, implica não raramente, no tra-  tamento de problemas de outrens, o que, consequentemente, nos faz sabedores de diversos   aspectos delicados e privados das vidas de nos-  sos consulentes; obrigando-nos a uma preocu-  pação redobrada com nossa conduta e atitudes   durante o nosso trabalho. Para que esta operação seja o melhor suce-  dida, precisamos do nosso mais valoroso alia-  do, que embora muitos não saibam, não é o    Tarot, pois como já o disse anteriormente, o nos-  so baralho é um instrumento, o qual não deve-  mos confundir com o executante do jogo que so-  mos nós. Saliento isso para que extinga-se essa   deificação do baralho, que em alguns chega ao   absurdo do tratamento dos arcanos como fos-  sem esses pessoas vivas. O sucesso infalível da nos-  sa atividade provém de inúmeros fatores, mas    nenhum mais importante que o nosso grande    aliado: o amor!  Um tarólogo é feito antes de tudo de um    amor pela humanidade que deve beirar o   01

irrestrito. Amar aos seres e suas evoluções é o nos-  so único código de honra. Esse é o norte que nos   orienta e modela as nossas posturas. Quando uma sessão de cartas é efetuada, somente uma atmosfera amorosa dará um tom   sublime às suas palavras; sem que nos esqueça-  mos que o principal provedor desse amor fantás-  tico é o tarólogo que preside a atividade. Agora que já sabemos qual é o nosso funda-  mental parceiro nos caminhos misteriosos dos    arcanos, podemos entender porque muitos que    exercem essa função não são bem sucedidos, ou   podem até ter um brilhantismo, que inevitavel-  mente será passageiro. Devemos entender que o   ato da postulancia das cartas, mais que um    auxílio, é a prova derradeira que o nosso    consulente é o único senhor do seu próprio livre-  arbítrio; e que somente ele tem o poder para pro-  mover a sua felicidade, através do manuseio    consciente do seu destino. Nós os tarologistas precisamos ser os primei-  ros a negar a imutabilidade dos destinos, pois, se sabemos que nenhum desígnio está definido   até que aconteça, não podemos ter a levianda-  de de afirmarmos que advinhamos o futuro, ou   pior, que tudo já está escrito e “que o quê tiver  que acontecer acontecerá”. Para um melhor  embasamento do que digo, colocarei apenas um   exemplo que defina amplamente essa idéia: por-  que você não atravessa uma avenida extrema-  mente movimentada sem olhar para os lados?  Não dizem muitos que ninguém morre de véspe-  ra? Será que quando você estiver na u.t.i com    inúmeras fraturas e escoriações, isso se você já    não estiver no mundo dos mortos, sairá da sua   boca a afirmação de que o atropelamento acon-  teceu porque foi Deus quem quiz. 02

Atente bom amigo a este fato: porque Deus   nos daria livre-arbítrio se tudo o que fosse ocor-  rer já estivesse definido por Ele? Se fossemos ape-  nas parte de um plano secreto que nunca pode-  remos entender, em verdade não possuímos von-  tade própria. Então, se tudo é a vontade do des-  tino, não existe suicídio ( já que tudo está pre-  visto previamente); o que você acha disso? Pare-  ce-lhe lógico isso?  Para que possamos nos definir como verda-  deiros tarólogos, haveremos de não somente com-  preender, mas também incorporar em nossas vi-  das a noção de que o futuro é reação de nossa   ação presente, e que a vontade que vem da alma   é seu maior veículo. Não se iluda a prever o futuro, dedique-se a   mostrar aos semelhantes que a felicidade lhes    pertence, bastando para tal, que a procura seja   consciente, corajosa e ativa. Não se prenda ao    hábito infrutífero de dizer o que irá acontecer, fale sim do que pode vir a ser se nós o quisermos. Outro ponto a ser posto em questão é se o que   fazemos é profissão, missão ou dom. Com certeza   profissão o é, tanto que nós __ou alguns de nós__ provam este fato sustendo-se por esta atividade;  missão somente será se a adotarmos como meta   de vida por opção própria; e finalmente, se for  um Dom, todos os seres humanos o possuem in-  distintamente. Qualquer indivíduo pode manu-  sear um baralho de Tarot maravilhosamente    bem, sem que precise possuir características espe-  ciais. Um engano freqüente entre nossos parceiros   de profissão é a crença infundada de que pela   simples razão de trabalharmos com um jogo de   informação, somos seres “escolhidos” ou ilumi-  nados; que somos agraciados com uma evolu   03

ção acima dos outros “normais”; que somos os    herdeiros de antigas Pitonisas e Feiticeiros. Ser um tarólogo significa incentivar, apoi-  ar e solidarizar-se com quem quer que nos pro-  cure. Não se perca na vã vaidade de achar que o   Tarô é um oráculo; lembre-se de que oráculos    são veículos de comunicação dos deuses antigos   ( e são sempre pessoas os instrumentos de vaticí-  nios). Aproveitando o assunto, quero dirigir-me a   aqueles que dizem estar jogando por intermédio   de espíritos. Uma simples visita a um terreiro de   Umbanda ou a um centro Kardeccista, mostrar-  lhes-ás que entidades desencarnadas não se uti-  lizam desses artifícios. Aos que propalam possuir  um “cigano” ou coisa tal, é importante saberem   que o povo cigano jamais jogou Tarot, e sim o    baralho cigano composto de 36, 43 ou 52 car-  tas. Inclusive, aos que acreditam serem os ciga-  nos os criadores do Tarot, saibam que quando   as primeiras tribos chegam a Europa por volta   de 1292, já haviam registros da existência de    baralhos do tipo Visconti-Sforza e Medieval. Livrem-se das superstições e confiem mais em   suas intuições, isso só há de contribuir na    melhoria do seu jogo e nos resultados alcança-  dos pelo consulente. Muitos perguntam-me sobre qual é o melhor  baralho para uso; costumo dizer que um verda-  deiro tarólogo joga com qualquer tipo de carta. É como fazer curso numa auto-escola: você    aprende a conduzir automóveis, e não um tipo   específico de carro. Escolha o Tarot de sua pre-  dileção (em constituição, todos os baralhos são   identicos), ele é tão bom quanto outro qualquer. Costuma haver muita dúvida entre os pro-  fissionais sobre assuntos ligados a preparação    04

do jogo. Alguns acham que não se pode comer  carne, consumir bebidas alcoólicas e fazer sexo   antes de uma sessão. Creio que a carne não traz   nenhuma qualidade de impecílio no desempe-  nho do operador de Tarot, pois, fosse assim, quando você utiliza qualquer utensílio domés-  tico, este o impregnaria com a mesma energia   que compõe as forças “malignas” da carne, se    levarmos em conta que garfos, facas, colheres, pratos e panelas são usados indistintamente    para o preparo de toda espécie de alimentos. Quanto as bebidas, com exceção dos    degustadores, nenhuma atividade profissional    deve ser precedida pela ingestão de alcoólicos, porque, certamente ela diminuirá e afetará re-  flexos e raciocínio. Por último o sexo: se uma boa   transa não o deixar desanimado para o traba-  lho em seguida... faça bom proveito; caso con-  trário: faça depois! A escolha é somente sua. Outros desejam saber se deve-se fazer uma    oração , concentração ou ritual antes do jogo. Novamente uma questão de cunho pessoal. A  crença do executante não deve interferir na in-  formação dada aos que nos procuram, não    obstante, deve-se negar a própria fé. Aconselho   que solitariamente, antes do princípio dos tra-  balhos, você desenvolva seus rituais particula-  res, embora não sejam fundamentais ao bom    andamento do jogo. lembrem-se que até ateus      jogam o Tarot ( e muitos maravilhosamente    bem). Alguns hão de preocuparem-se com energi-  as nefandas provindas dos que recebem consul-  tas; citam casos de outros tarologistas que pas-  saram mal durante uma entrevista com pessoas   ditas negativas; e o mesmo dizem de indivíduos   assolados com magia negra, maldições e “tra   05

balhos”. Tranqüilizem-se, uma das funções do    baralho é converter a energia do cliente em algo   benéfico a ele mesmo. Nunca devemos despender  da nossa própria força, devemos utilizar sóbria   e corretamente as energias advindas de quem se   vale de nossos préstimos, sempre a seu benefício, e assim com todos os que passarem por nós du-  rante o dia. Se fossemos usar de nossas energias, após cinco atendimentos como estaríamos?  Por último, vou dirigir-me aos inseguros que   sempre perguntam: e como vou saber se eu acer-  tei? Amigos, nós nunca acertamos ou erramos, damos simples informações, que cabe ao ouvinte   transformar ou não em realidade. Se você pre-  ver que ele (o ouvinte), comprará um carro em   seis meses, caso seu cliente não possua o dinhei-  ro necessário como ele adquirirá o bem? Você não   acha que o seu consultante deve ganhar primei-  ramente os reais precisos para que sua previsão   venha a concretizar-se; portanto, não é o pró-  prio que há de decidir se comprará ou não o re-  ferido veículo? Nunca afirme que vai, e sim que   pode acontecer conforme o seu arbítrio e esforço   mandarem. Assim age um correto tarondólogo;  ele dá opções e escolhas incitando os que o ou-  vem a posicionar-se da melhor forma. Com isso outros dirão: e se o meu cliente dis-  ser que o quê eu falei estava errado? Pense comi-  go: para que serve um jogador de Tarot que só   diz o quê os consulentes já sabem? Não seria a   nossa função apontar vertentes da vida das pes-  soas que elas não estejam vendo? O bom de suas   existências elas já conhecem, que tal mostrar-  mos o que não anda bem? E não podemos nos    esquecer daqueles que vêm para a sua sessão de   Tarot com um script já formulado, caso não fa-  lemos o que eles tanto anseiam, dizem que so-  06

mos incompetentes. Você é consciente do traba-  lho que faz, as opiniões dos seus consultadores    não podem interferir no seu desenvolvimento en-  quanto usuário do Tarot; em verdade, quem en-  tende de Tarologia: você ou ele? Não tome esta   última colocação como uma forma prepotente    de apropriarmos-nos do conhecimento    tarolístico, use a certeza da sua capacidade    para um melhor embasamento dos seus présti-  mos em relação às prioridades daqueles que ser-  vem-se dos nossos serviços. Um tarólogo é em essência um servidor hu-  milde e dedicado, tendo em mente que uma fe-  roz luta é travada contra as forças da apatia e   mediocridade humanas e, que como servos, tornamo-nos guerreiros imbatíveis da felicida-  de. Embora isso pareça mera poesia chula, ser  um entendido em Tarot é propagar incansavel-  mente o lirismo da abençoada vida. Mais que    tudo, viver, torna-se ao sábio a sublime poesia. De posse dessas idéias, estamos preparados    para o sagrado trabalho do jogo de cartas; se    você possuir a mente limpa, o coração amoroso   e o espírito puro, acredito que o seu Tarot será   inquestionavelmente infalível, belo e certeiro nos   seus intentos.

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Sobre o que devemos fazer para    começar um jogo.

Para que possamos explorar largamente este  tópico, usarei de um exemplo que à primeira vis-  ta parecerá inapropriado, mas à medida em que  aprofundarmo-nos nele, tornar-se-á clara mi-  nha intenção. O que nos diz qual é o excelente jogador de  futebol? Logicamente a sua perícia durante as  partidas que disputa, sua técnica apurada e a  sua constância em marcar gols, nos darão a cla-  ra noção de que este indivíduo é um craque. Mas  o que ele faz para ser um ídolo futebolístico?  É esta a analogia que tento criar; seguir os  passos de um garoto que um dia quer sagrar-se  um grande atleta e, com os mesmos elementos, mostrar o caminho de um grandioso tarólogo. Vamos então por tópicos:  a) Um jovem precisa treinar arduamente até  adquirir a habilidade necessária a um exímio  futebolista; igualmente, o tarologista pratica até  atingir a mestria. O grande e fatal erro da mai-  oria dos que jogam Tarot é a sua prepotência  em achar-se isento da necessidade da prática  de jogo. Sem essa intimidade, o tarólogo depen-  derá sempre de cartas com significados pré-for-  mados, transformando o seu jogo num amonto-  ado de pressuposições. A maior habilidade do   jogador de Tarot é a sua intuição exercitada e  aguçada; cartas não possuem significado pré-  vio; fujam dos estilos que delimitam as informa-  ções de uma carta numa minúscula síntese de  08

uma página de livro... para isso: somente o cons-  tante jogar!  b) Um aspirante a profissional da bola precisa  cultivar um físico sadio e esguio, sem nunca per-  der de vista a força e resistência fundamentais  numa partida. O profissional da tarologia tam-  bém carece de um exercitar paulatino dos seus  estados mentais e emocionais, para que o  consulente possa contar com um interlocutor  equilibrado, sensato e coerente nas suas atribui-  ções. Para tanto, jamais podemos esquecer que, quando numa sessão de Tarot, o jogo é efetuado  como num espelho, onde o que dizemos ao nosso  ouvinte, estamos a falar a nós mesmos. É nossa  obrigação estarmos em dia com nossas pendên-  cias existenciais para que a coerência __para não  citar a verdade__ permeiem nosso amado tra-  balho. c) Um futebolista nato tem na bola a sua com-  panheira de trabalho e diversão, tanto nos bons  quanto nos maus momentos. Creio não ser preci-  so dizer qual o melhor amigo de um tarólogo. Quando você estiver com problemas, que tal em-  punhar o seu baralho e jogar para si mesmo? O  tarologista que diz não conseguir ler para si  mesmo é um enganador, pois temos em nós mes-  mos nossas melhores cobaias; e só jogaremos a  outros após termos testado conosco. Isso faz um  tarólogo respeitável: aplicar nos seus clientes  apenas o que ele mesmo testou, ou seja, seu pró-  prio jogo. d) Os jogadores costumam zelar primorosamente  pêlos seus equipamentos e indumentárias espor-  tivas. O bom tarólogo se mede pela forma de  transporte e estado do seu Tarot. Caso você pre-  sencie um jogo sendo efetuado em qualquer lu-  gar, sem uma toalha específica para esse fim e  09

por uma pessoa sem o necessário asseio e postura  física, estarás visualizando qualquer coisa, me-  nos um correto manuseio do Tarot. e) Já em campo, minutos antes do início da par-  tida, é costumeiro ver-se todo um time a fazer  embaixadas, chutes e passes para a melhoria da  sua intimidade e entrosamento com a bola. Nos  instantes que antecedem o princípio da sessão  de cartas, o embaralhar das lâminas é funda-  mental para uma perfeita simbiose com o  consulente, tanto como a mesa de jogo arruma-  da prévia e caprichosamente fará com que seu  cliente sinta-se mais confortável em suas mãos. Lembre-se: nunca prepare a mesa às vistas do  usuário; esse é o seu momento de concentração  pessoal... acaso já viste um jogador profissional  vestir-se em frente à sua torcida?  f)Para encerrar esta analogia pergunto-lhes:  Você já viu algum craque da magnitude de um  Pelé ou Maradona, dizer publicamente que en-  tende tudo de bola? Da mesma maneira, você  nunca verá um grande tarólogo afirmar que  conhece tudo de Tarot. A discrição faz o bom pro-  fissional. Com esses conceitos à mão, passa agora a  ser possível o principiar do jogo em si, com a certe-  za de que tanto os preparativos pessoais quanto  os técnicos preenchem as mais rigorosas regras  de profissionalismo e competência. Só há um fis-  cal apto a verificar tudo isso; e ele é o seu maior  e mais exigente crítico: você! 

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Sobre o que devemos ter em men-  te durante o jogo.

Inicio essa parte do estudo dando um aviso   que fará do seu jogo um sucesso no intento per-  seguido, ou pelo contrário, desgraçará qualquer  tentativa no uso do Tarot. Ao principiar uma    sessão de Tarot, certifique-se que sua mente está   livre de pressupostos ou impressões que possam    tornar o jogo tendencioso e parcial. Nunca te-  nha opiniões sobre o consulente, essas opiniões    direcionarão a sua intuição, transformando o   que seriam informações em conselhos dirigidos   pelos seus conceitos morais. A ética do Tarot consiste em apenas inter-  pretar as cartas; sem qualquer espécie de julga-  mento do que deva ser certo ou errado; o único   que pode assim o decidir é o consulente, pois, se   a responsabilidade de suas vidas pertence-lhes, nada mais justo que a palavra final também    lhes pertença. Durante a condução do jogo é imperioso que   em primeiro ato sejam apontados os pontos ge-  néricos da fase atual daquele que nos procura;  tendo em seguida a especificação dos focos prin-  cipais de problemas, suas origens e porquês; dan-  do ao assistido, uma noção ampla de como vai   o andamento de sua vida, quais os aspectos que   merecem maior atenção e onde ele vem errando   na administração da mesma. Após essa etapa, deve-se iniciar uma parte    dedicada à solução dos pontos conflituosos, que   11

terão sempre, por parte do jogador, uma solu-  ção ou sugestão a ser apresentada para que o    procurante possa reposicionar-se, mudando sua   vida e, por conseguinte, atingindo estágios mais   elevados de felicidade. Posto isto, entraremos automaticamente no   processo de incentivo e fortalecimento do    consulente, para que o mesmo sinta-se apto a    promover as alterações necessárias e consiga    __por seu mérito__ a tão desejada felicidade. Nunca devemos nos esquecer que apoiar não sig-  nifica dar elogios baratos e fúteis; essa é a parte   do jogo em que transformamos uma pessoa der-  rotada em grande e vigoroso vencedor, apenas   salientando o quanto e como ele deve externar  suas admiráveis qualidades. É nisto que consiste a força do Tarot, trans-  formar o medo em fé, o caos em ordem, a dúvi-  da em coragem e a ilusão em vida plena e ver-  dadeira. Isso ocorrendo, ficar-lhe-á claro a mudan-  ça no consulente; suas feições, gestos e fala esta-  rão carregados de força ( mesmo que inseguro), levando-o a uma sensação de solucionamento   dos seus mais terríveis problemas... estará feito    então o seu trabalho! 

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Do que devemos estar preparados    durante o jogo    Numa seção de cartas, será comum que im-  previstos, desatenções ou a inexperiência preju-  diquem sobremaneira seu desempenho, fazendo  com que o seu trabalho deixe a dever, frustran-  do-o, e o que vem a ser pior, malogrando as es-  peranças de quem o procurou. Portanto, passe-  mos à limpo algumas ocorrências comuns junto  com pequenos e valiosos conselhos para uma atu-  ação primorosa e eficiente. Serão colocados tópicos sequenciados pelo  grau de coloquialidade. Os mais comuns virão  antes, seguidos dos raros, mas não desprezíveis  casos, que podem destruir a carreira de um  tarólogo com facilidade. Vamos a eles:  1) Antes de tudo, Tarot é inteligência, portanto, a observação inicial precede o bom jogo. Não vá  dizer a um paraplégico que você vê no Tarot que  ele deve praticar cooper. Isso é o que chamaría-  mos completa e total falta de atenção, o que não  é difícil de acontecer. Observe a entrada do seu consulente; verifi-  que as suas maneiras, gestos; veja como ele se  comporta inicialmente; com isso você já estará  lendo Tarot e arregimentando informações que  enriquecerão o seu jogo. 2) Não tenha medo de perguntar, você não é  obrigado a advinhar tudo. Preocupe-se em pas-  sar informações úteis, diretas e claras, e o que  13

trouxer-lhe dúvidas, peça ao assistido que lhe  esclareça. Dou-lhe um exemplo: você vai falar  sobre a família do consultante: pergunte-lhe  quantos e quem são os integrantes da mesma. Não é mais fácil e evita erros? Seja humilde... per-  gunte. 3) nunca entre em assuntos polêmicos do tipo:  adultério, morte, prêmios de loterias, pessoas que  fazem macumbas, traições, corrupções, maledi-  cências e outros tantos assuntos que  correspondam à polêmicas que não possam ser  comprovadas totalmente. Caso lhe seja pedido  que responda a uma dessas questões, recuse-se  imediatamente, diga que não fala sobre isso e  não dê maiores explicações: você é quem coman-  da o jogo. 4) Não receite remédios, terapias ou tratamen-  tos pertinentes à áreas especializadas. Caso você  detecte algum problema, encaminhe-o ao espe-  cialista em questão para que o diagnóstico cor-  reto lhe seja dado. 5) Exima-se de opiniões e posturas religiosas. Os  que nos procuram esperam informações provin-  das do Tarot, não conselhos carolas de profissi-  onais que se iludem achando que o seu credo é o  mais acertado da face da terra. 6) Não seja juiz de pendengas pessoais: nunca  dê a razão a este ou aquele, independente ao  motivo exposto... as partes sempre hão de encon-  trar uma melhor solução sem que o tarólogo se  exponha ao perigo de ser chamado de parcial. 14

Lembre-se de que algum dia essas pessoas farão  as pazes, e você será considerado um elemento  inconveniente no processo de reaproximação. 7) Precavenha-se para não cair na vaidade idi-  ota de dar nomes ao léu. Sempre é melhor que o  consulente faça suas associações, e o mais im-  portante, ache por si mesmo as pessoas que estão  envolvidas nos seus processos de vida. 8) Não paquere ou faça galanteios a nenhum  cliente; você está só com a pessoa no consultório, e uma palavra mal entendida pode acarretar  acusações e, que por mais inocente que sejas, ja-  mais sua reputação se recomporá, pois entre o  embate de palavras, sempre a do consulente pre-  valecerá. 9) O máximo de pessoas presentes numa sala de  consultas de Tarot não pode ou deve ultrapas-  sar duas. De três acima a consulta tornar-se-á  uma festa adolescente, com todos opinando e  interferindo em seu trabalho. 10) O respeito pelo seu trabalho vem da forma e  posicionamento da sua vida; todos estarão a  observar a maneira que se veste, anda, fala, sorri  e acima de tudo: a coerência entre seu trabalho  e comportamento. Uma vida cheia de picos e que-  das denota um tarólogo que não segue seus pró-  prios conselhos, portanto, um péssimo profissio-  nal!  15

Do que devemos estar preparados    no transcorrer do jogo. No caminhar de qualquer jogo de Tarot, são  prováveis uma série de ocorrências que podem  pegar desprevenido o oficiante do trabalho. Para  isso reservamos essa parte desse escrito: para que  fique claro aos que me lêem, que uma sessão de  Tarot implica num montante de responsabili-  dades e cuidados, que somente o excelente pro-  fissional estará imune a erros grosseiros, o que  resguardará a integridade do seu consulente... que diga-se, é a sua maior prioridade. Novamente, dividiremos em pequenos tópi-  cos para uma melhor absorção dos temas. a) Se o seu consultante reclamar que está tonto, enjoado, descontrolado ou extremamente ner-  voso; pare o jogo e com a desculpa de pegar um  copo d’água, saia da sala por alguns momen-  tos. O consultante está muito nervoso, dê-lhe al-  gum tempo para se acostumar à situação e reto-  me a atividade. b) Caso as reclamações sejam de dores físicas  incontroláveis, encerre o jogo e entre em conta-  to com algum familiar da pessoa para que ele  venha buscá-la. Somente em urgência extrema é  que a iniciativa de socorro deve ser sua. c) Ainda no mesmo tema, se seu interlocutor dis-  ser que esta mal por causa de energias “hostis”  ou “negativas”, ignore o que ele diz. Havendo  16

insistência, faça prevalecer sua autoridade de  especialista na área. Geralmente, essas demons-  trações desnecessárias de poderes extrasensoriais  são uma forma de se auto-afirmar em cima do  seu trabalho. d) Se em meio ao jogo seu cliente afirmar de pró-  pria boca que vai suicidar-se, chame imediata-  mente uma testemunha e faça-o repetir a sua  afirmativa novamente, pois, se caso venha a se  concretizar o prometido, mesmo que o falecido  deixe uma carta dizendo que você o incentivou  a tal ato, o depoimento da testemunha o isen-  tará da suspeita. e) A salvo os tópicos passados, nunca interrom-  pa o seu jogo; e não permita que outros o façam. O atendimento a um ser humano deve ser visto  de forma sagrada. Uma vez iniciado o seu tra-  balho, é dever seu levá-lo até o final. f) Muitas vezes os que nos procuram sentem-se  momentaneamente atraídos por nós: IGNORE!  Isso passará. g) Se, ao contrário, foi você quem se empolgou  com os encantos do consultante: ESQUEÇA! Ali, naquela hora, você é isento e imparcial, assexuado e distante. Sendo incontido o desejo, ligue num outro dia e marque um encontro; ses-  sões tarológicas não condizem com flertes ou  afins. h) Se a consulente começar a exibir-se de ma-  neira lasciva ou provocante: ignore e não olhe, nunca reprima, trazendo um clima pesado para  17

a consulta. i) A sedução sendo verbal, com narrativas sexu-  ais exageradas, devem ser tratadas com frieza e  descaso; isso fará com que o sedutor recolha-se  ao seu lugar.   j) Se alguma de suas colocações ofender o ou-  vinte, peça desculpas simples e encerre o assun-  to; caso ele não aceite e quiser continuar a con-  tenda, devolva-lhe o dinheiro e peça que se reti-  re, avisando-o que tão logo se acalme poderá  marcar outra consulta. l) Havendo protestos do cliente, dizendo que você  nada acerta, peça-lhe que tenha calma e preste  atenção ao jogo; não cessando, interrompa, de-  volva-lhe o dinheiro e diga-lhe para procurar  outro profissional. m) Havendo recusa do pagamento do jogo com  a alegação de que seu trabalho foi incompleto  ou inexato, não dê continuidade à conversa, peça que o indivíduo retire-se e não mais retorne. n) Se os protestos girarem em cima do valor da  consulta, não dê explicações... cada qual deve  saber o preço do seu trabalho e, os demais, o  quanto podem pagar pelos serviços a que se be-  neficiam. o) Jamais volte atrás no dito; é de coragem que  são feitos os bons tarólogos. Se suas palavras fo-  rem postas em dúvida, posicione-se inflexivel-  mente e não se perca em falatórios.

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Após o jogo:  Sinta-se feliz e realizado... você deu o me-  lhor de si, procurando sempre oferecer informa-  ções e saídas aos problemas daquele que o pro-  curou. Isso é a vida de um grande tarólogo: ser-  vir bem e amorosamente. A tarologia é uma arte antiga e venerável  pelo seu cunho de estímulo ao bom viver, res-  saltando sempre o poder do livre-arbítrio como  fator decisivo para o encontro do caminho da  felicidade. Cumprida sua missão, vá você atrás da sua  felicidade, e torne-se exemplo de que a filosofia  do Tarot é mais que jogar cartas, é viver bem e  cada dia melhor. Espero que estas mínimas sugestões possam  auxiliá-lo nas suas atividades e, sobremanei-  ra, empurrá-lo na procura de novas maneiras  e técnicas de apoio ao ser humano. Deixo o meu carinho e incentivo a você que  escolheu um dos meios mais maravilhosos de  vida... o Tarot!  Com todo o meu respeito e carinho,

Roberto Caldeira 

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Escrever um manual exige objetividade, clareza e direcionamento. Esse pequeno estudo aglutina maravilhosamente esses requisitos; ampliando a todo interessado na ciência tarológica, um universo amplo e profundo, sobre o que vem a ser o Tarot.

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