Resumo Além do Princípio do Prazer

December 20, 2018 | Author: Marcio Alves Venancio | Category: Sigmund Freud, Experiment, Psicologia e ciência cognitiva, Behavioural Sciences, Philosophical Science
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FICHAMENTO: ALÉM DO PRINCÍPIO DO PRAZER  Márcio Alves Venâncio O princípio do prazer visa uma redução da tensão, com evitação de desprazer e  produção de prazer. Partiu-se da descrição ‘econômica’ do aparelho psíquico para a ‘metapsicológica’. O princípio de realidade não abandona a intenção de fundamentalmente obter prazer; adia a satisfação, abandona uma série de possibilidades de obtê-la, tolerando temporariamente o desprazer como uma etapa no longo e indireto caminho para o prazer. Alguns instintos são barrados pelo processo de repressão e mesmo quando conseguem vencer essa barreira, o que deveria ser uma satisfação é sentido pelo ego como desprazer. Torna-se importante diferenciar os seguintes termos: ‘ansiedade’ – estado de espera e  preparação para o perigo, ainda que seja desconhecido; desconhecido; ‘medo’ – exige um objeto definido  para que aconteça; ‘susto’ – ocorre quando alguém entrou em situação de perigo sem estar   preparado. Assim, a ansiedade não pode produzir neurose traumática, pois protege o sujeito contra o susto (neuroses de susto).  Nas neuroses de guerra, o paciente é levado de volta à situação de seu trauma. Na  brincadeira  fort-da, na qual a criança provocava o desaparecimento e o retorno do carretel, observou-se que era mais frequente o primeiro ato (a partida) do que o episódio na íntegra – a criança só repetia experiência desagradável na brincadeira porque a repetição trazia consigo uma produção de prazer de outro tipo, uma produção mais direta. Em algumas brincadeiras de crianças elas transferem a experiência desagradável desagradável para um de seus companheiros, vingandose num substituto. Em representações artísticas, efetuadas pelos adultos, penosas experiências são sentidas como prazerosas. Esses fatos motivaram Freud a buscar tendências que stivesses além do princípio de prazer – mais primitivas do que ele e dele independentes. independentes.  Na prática clínica, em vez de recordar o conteúdo da repressão, ele repetia o material reprimido como se fosse uma experiência contemporânea, contemporânea, sendo atuadas (acted out) na esfera da transferência, da relação do paciente com o médico – compulsão à repetição: rememora experiências que não incluem possibilidade alguma de prazer e que nunca, mesmo há longo tempo, trouxeram satisfação. Outras situações também remetem à repetição: o homem que é sempre vítima de traição, aquele que é sempre abandonado ou histórias de amor que têm sempre o mesmo desfecho. A compulsão à repetição ultrapassa o princípio do prazer e se faz presente também nas brincadeiras infantis e nas neuroses de guerra.

O sistema Pcpt.-Cs coloca-se na fronteira entre o mundo exterior e o interior. Alusão a um hipotético organismo primitivo, com a superfície voltada para o mundo externo diferenciada, servindo de órgão para o recebimento de estímulos. Esse córtex sensitivo também recebe excitações desde o interior. Exterior – quantidades de excitações possuem efeito reduzido, acha-se resguardado. Interior – os estímulos internos estendem-se para o sistema diretamente, produzindo prazer-desprazer (nos processos patológicos pode ocorrer a  projeção, como meio de defesa desses estímulos). ‘Traumáticas’: quaisquer excitações provindas de fora que sejam suficientemente  poderosas para atravessar o escudo protetor. Existência, no aparelho mental, de energia livre (pressiona no sentido da descarga) e energia vinculada. Importância do elemento de susto ele é causado pela falta de preparação para a ansiedade, inclusive a falta de hipercatexia dos sistemas que seriam os primeiros a receber o estímulo. Devido à sua baixa catexia, esses sistemas não se encontram em boa posição para vincular as quantidades afluentes de excitação. Processo psíquico primário – encontrado no inconsciente (catexia livremente móvel);  processo secundário – vida de vigília normal (catexia vinculada ou tônica). Instinto seria um impulso, inerente à vida orgânica, a restaurar um estado anterior de coisas, impulso que foi abandonado sob a pressão de forças perturbadoras externas – todos os instintos tendem à restauração de um estado anterior de coisas (repetição); tudo o que vive deve morrer por razões internas, tornar-se mais uma vez inorgânico. Instintos sexuais (de vida) X Instintos do ego (de morte): dois tipos de processos estão constantemente em ação na substância viva, operando em direções contrárias, uma construtiva ou assimilatória, e a outra destrutiva ou dissimilatória. Instintos do ego X Instintos sexuais; porém, como o ego é reservatório da libido, desfez-se a oposição. Instintos do ego X Instintos sexuais; mas os instintos do ego se mostram ligados a componentes libidinais, contrariando essa oposição. Masoquismo – instinto componente complementar ao sadismo (um sadismo que se voltou para o próprio ego do sujeito); o masoquismo seria um retorno a uma fase anterior da história do instinto, uma regressão (existência de masoquismo primário). ‘Princípio do Nirvana’ – esforço para reduzir, manter constante ou remover a tensão interna devida aos instintos; razão para acreditar na existência dos instintos de morte. O aparelho mental procura substituir o processo primário pelo processo secundário, e converter sua energia catéxica livremente móvel numa catexia principalmente quiescente (tônica), sob o domínio do princípio do prazer.

A consciência comunica sentimentos internos que não são apenas de prazer e desprazer, mas também de uma tensão peculiar que pode ser agradável ou desagradável. Os instintos de vida têm muito mais contato com nossa percepção interna, surgindo como rompedores da paz e constantemente produzindo tensões cujo alívio é sentido como  prazer, já os instintos de morte parecem efetuar seu trabalho discretamente. O princípio de prazer parece, na realidade, servir aos instintos de morte. FREUD, Sigmund. Além do princípio de prazer (1920). Obras psicológicas completas de Sigmund Freud: edição standard brasileira. Vol. XVIII. Rio de Janeiro: Imago, 1996.

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