Resenha 19

June 5, 2019 | Author: Mayara Nascimento Cunha | Category: Nationalism, Nation, State (Polity), Liberalism, Bourgeoisie
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Univerisidade de Brasília Departamento de História História Contemporânea I Prof. Dr. Wolfgang Döpcke Mayara Nascimento Cunha - 10/0051961 RESENHA CRÍTICA TEXTO 19 : HOB HOBSBAWN BAWN,, Eric ric J. “  Band Bandeir eiras as desfr desfral aldad dadas: as: Nações Nações e Janeiro: Paz e Terra, Terra, 1992. 1992. Páginas Páginas  Nacionalismo” .In: “ A Era dos Impérios”.Rio de Janeiro: 203-232. O texto a ser analisado a seguir trata-se do capítulo dezesseis do livro “ A Era

dos Impérios ” nomeado por  “Bandeiras desfraldadas: Nações e Nacionalismos”. A obra em sua totalidade, faz uma análise dos eventos históricos que ocorram entre 1857 e 1920, 1920, períod período o consid considera erado do pelo pelo autor autor como como dominad dominado o pelas pelas grande grandess potênc potências ias imperiais. Este livro é o terceiro ter ceiro da trilogia acerca acer ca do longo século XIX (1789-1914) e todas todas as suas suas implic implicaçõe ações, s, escrita escrita por Eric Eric J. Hobsba Hobsbawm, wm, histor historiad iador or britân britânico ico renomado, nascido em 1917.   Nes Neste te capí capítu tulo lo,, Hobs Hobsba bawm wm vai vai ser ser prop propor or a anal analis isar ar as muta mutaçõ ções es do naci nacion onal alis ismo mo,, do meio meio do sécu século lo XIX XIX até até seu seu fim. fim. Como Como o naci nacion onal alis ismo mo,, desvinculando-se do do liberalismo, adquiriu a característica de movimento de direita da elite letrada e gradualmente, de acordo com as necessidades estatais e de certa forma induzida por acontecimentos inerentes deste século estudado, como o processo de democratização, as unificações da Alemanha e da Itália, passa a ter apelo emocional sobre as massas. O “princípio das nacionalidades” é abandonado em detrimento do nacionalismo, entretanto esse foi o período onde até as nações consideradas menos relevantes tiveram a oportunidade de defender sua existência.Outro ponto relevante da discussão do texto é o impacto sócio-administrativo que o nacionalismo teve nos Estados. A estrutura deste capítulo é dividida em três blocos, cuja proposição é analisar  os processos processos e os agentes envolvidos. envolvidos. O primeiro primeiro bloco discute discute sobre ascensão ascensão do nacionalismo como força política foi um subproduto que decorreu dos processos de democratizaçã democratização, o, tal com foi também a da política de massas, massas, como surgiam surgiam tipos tipos específicos, como o nacionalismo estatal . O segundo bloco discorre a acerca do desenvolv desenvolvimento imento desse nacionalismo nacionalismo como movimento, movimento, de como acontecimento acontecimentoss históricos como unificações, bem como processos menos grandiosos como migrações

o influenciaram. Por fim, o terceiro bloco, trata do poder de mobilização do nacionalismo tinha, através do sentimento de unidade que despertava nas massas.  No primeiro bloco, o autor vai destacar que os processos democratizantes tiveram como conseqüência a ascensão de uma política de massas e também de um nacionalismo. O nacionalismo, anteriormente verificado como um fenômeno dos movimentos liberais, via-se agora como um fenômeno da direita, que surgiu no seio dos Estados-nação já consolidados, que encontrou na democratização, em especial as eleições uma forma de mobilizar as pessoas que se identificavam-se emocionalmente com a nação. Quando esta mobilização era feita pelos Estados dava-se o nome de  patriotismo. O nacionalismo, mais convincente que o princípio das nacionalidades,   passou a caracterizar qualquer movimento que tivesse por identificação a causa nacional, fato que se tornou cada vez mais importante e ganhou apelo político. Os  partidos de massas tais como o os movimentos de classe operária deram-se conta que do efeito mobilizador que tinha a identificação nacional e passaram a adotar a postura movimentos de questões nacionais. O nacionalismo durante o século XIX veio a sofrer quatro mutações, o  primeiro é o seu surgimento e do patriotismo a partir do ponto de vista ideológico  pelo lado direito da política. O segundo, desvinculado do liberalismo dos movimentos nacionais, atribuindo o dever da autodeterminação nacional aos Estados soberanos, tendo a nação ou não viabilidade política, econômica e cultural, a terceira mutação, atribui também ao Estado, plenamente independente, a autodeterminação nacional. E  por fim, surgiu a tendência que perdura até os dias de hoje, de basear o nacionalismo em termos étnicos, especificamente em termos de linguagem Durante essa época - década de 1870- os movimentos nacionalistas cresce drasticamente na Europa, desde Estados-nações formados assistiam a mobilização  política de suas populações regionais até o surgimento do movimentos nacionalistas de povos considerados não-históricos, tais como estonianos e macedônios, que ninguém jamais sequer teria imaginado. O autor ressalta que muitos destes movimentos inicialmente não eram apoiados pelo povo.

A linguagem foi um fenômeno do fim do século XIX não significando que ela não tenha sido relevante anteriormente, entretanto, devido ao apelo popular do movimento, isto é, em sua maior parte iletrados, o campo lingüístico não representava

um campo de batalha ideológico. O então nacionalismo lingüístico foi produto daqueles que eram alfabetizados e na verdade era um artefato que deveria ser  compilado e corrigido, processo que os Estados-nação já haviam passado e este era o momento das autoridades

das nações menores executarem esse processo. Essas

linguagens escritas ligam de forma mais íntima, mas não estavam necessariamente ligadas aos territórios e instituições. A assimilação de um território a uma nação exclusiva, gerou problemas em áreas de migração em massa, imperando a necessidade de um novo conceito para casos como a diáspora judaica, ligado a uma comunidade que se identificasse com um nacionalidade que mantivessem uma sociedade real, gozando uma autonomia cultural.O que parece ter sido fundamental a ascensão do nacionalismo foi o declínio das comunidades, pois, agora elas não mais abrangiam a eventualidade da vida humana, o nacionalismo serviu como um substituto, criando uma comunidade imaginária. O Estado se ligou a esse conceito de nação e, não só o fazia , como era necessário fazê-lo, pois, se mostrou um meio direto alcance dos cidadãos, requerendo o compromisso de todos através do patriotismo, tornado sua religião cívica. O que tornou indispensável a educação das massas, por mais básica que fosse, tanto para desenvolvimento econômico quanto para controlar as massas, ensinando-as desde cedo a serem bons cidadãos. Esse nacionalismo estatal, de um lado que recrutava as  pessoas, até permitindo que tivessem participação política, era alienante por outro.  No segundo bloco o autor vai tratar da questão da xenofobia que foi gerada   pelo nacionalismo. Em contextos multiculturais, mesmo assimilando oficialmente membros de uma nação dominante, estes ainda se recusariam a fazê-lo, pois, nunca eram plenamente reconhecidos, caso bastante comum nas colônias, onde era fatal que se acontecesse um conflito pois, a educação forneceu uma linguagem específica na qual as reivindicações poderiam ser feitas. No caso europeu, os migrantes eram mal vistas pela classe média e, especialmente para a burguesia, representavam os  problemas causados pelo proletariado urbano.Essa xenofobia foi politicamente mais eficaz do que a suscitada pelas massas, essas por sua vez conseguiam pressionar  mercado de trabalho tornando os menos acessíveis aos estrangeiros.Essa animosidade gerada contra os migrantes contribuiu para o surgimento de outro nacionalismo, eles se apoiavam nos seus conterrâneos, uma forma de reação defensiva e conservadora a xenofobia, denominada neotradicionalismo.Esse movimento se mostrava bastante óbvio na Igreja Católica em seu apoio as causas bascas e flamengas, entretanto para

decepção dos tradicionalistas nacionalistas não poderiam contar com este mesmo apoio do campesinato. O autor considera o nacionalismo um fenômeno burguês das classes médias, e  para os estratos mais baixos dessa classe, a sua carreira e língua estava associadas. A educação e a burocracia se mostraram elementos cruciais, a primeira no sentido do desenvolvimento e a segunda por decidir o  status oficial, atribuído a esta última a ruína dos Habsburgos, pela luta de qual língua seria a oficial, cujo  status somente o   poder político poderia modificar. Carregava também o status social, pois, aqueles cuja língua materna não fosse a oficial, seriam excluídos dos círculos mais importantes. O anti-semitismo foi um movimento que ganhou força nesse período, associado com o nacionalismo de direita. Nos maiores Estados, representavam uma reação ao deslocamento que dos movimentos liberais, que até a Grande Depressão era bem vindo, mas com a crise o nacionalismo ganhou forças. Era uma espécie de ressentimentos coletivos, devido a prosperidade que os judeus representavam em meio a tudo isso. O patriotismo representava uma proteção a identidade coletiva dessa inferioridade social. Por fim no último bloco, o autor diferencia o nacionalismo como ideologia, que somente se importava com o a exclusão do estrangeiro e a grandeza da nação, dos movimentos nacionalistas, que receberam apoio das massas, por combinarem o elemento nacionalista a algum outro mais antigo tal como a religião, diferencia também dos governos, que ele chama de agitadores de bandeiras, que usavam o nacionalismo como forma de aliciar e submeter seus cidadãos, baseados não na glória mas em um sentimento de unidade, em um “nós”, coletivizando o Estado, cujo o  potencial de mobilização foi assistido na Primeira Grande Guerra. Essa discussão sobre o nacionalismo, aponta agora um papel mais relevante  para o mesmo. Nas discussões anteriores sobre o nacionalismo, observou-se que sua   participação nos acontecimentos históricos anteriores foi coadjuvante, nesse momento, adquire um papel mais central nas questões políticas e administrativas.Se torna a força de unificação dos Estados-nações, no sentido político, onde a nação, é a sociedade nacional e o papel do Estado, é um sistema legal- administrativo e a organização que a garante, adotando as características de Estado como é conhecido atualmente. Hobsbawm afirma de modo veemente de que o papel do nacionalismo não foi de criar Estados e, foi originalmente um movimento burguês, com conotação popular,

entretanto não se pode deixar de analisar esse fato perspectiva capitalista, sob uma nova forma de cooperação, onde burgueses e proletários se unem, deixando suas diferenças internas, compartilhando um ideal comum e enxergando o concorrente não mais a outra classe, como na eterna luta de classes descrita por Marx, mas sim nas outra nação. No que concerne a importância lingüística na questão do nacionalismo, o argumento parece frágil, diante do contexto da atual, em que as limitações que a língua opõe só se sobressaem em setores, mais técnicos e cruciais, onde a falta de comunicação e rigor pode colocar em risco a vida humana ou trazer grandes prejuízos. O autor descreve de forma ideal, os dois lados do nacionalismo, tanto de forma  positiva diante de uma perspectiva de união mas também de uma forma discriminante, e assinala de forma muito correta, a ameaça que é a manipulação de uma turba, diante de interesses particulares ou até mesmo públicos, como foi a política imperialista e  posteriormente da Primeira Guerra.

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