Relatório de qualificação gabi

August 8, 2018 | Author: ViníciusDomingos | Category: Emily Brontë, Anne Brontë, Charlotte Brontë, Realism (Arts), Philosophical Science
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Relatório de qualificação gabi...

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Universidade de São Paulo Faculdade de Filosofa, Letras e Ciências Humanas Departamento de Teoria Teoria Literária e Literatura Comparad Comparada a

“á “á para o Diac!o"# $ O morro dos ventos uivantes  en%uanto o&ra dial'tica

in(cius Domin)os de *liveira

São Paulo $ +-.

in(cius Domin)os de *liveira

“á “á para o Diac!o"# $ O morro dos ventos uivantes  en%uanto o&ra dial'tica

/elat0rio de %ualifca1ão apresentado pro)rama de p0s2)radua1ão Depa Depart rtam amen entto de Teo eori ria a Liter iterár ária ia Literatura Comparada da Universidade São Paulo

ao do e de

*rientador3 4arcelo Pen Parreira

São Paulo 2 +-.

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“á “á para o Diac!o"# $ O morro dos ventos uivantes  en%uanto o&ra dial'tica

/elat0rio de %ualifca1ão apresentado pro)rama de p0s2)radua1ão Depa Depart rtam amen entto de Teo eori ria a Liter iterár ária ia Literatura Comparada da Universidade São Paulo

ao do e de

*rientador3 4arcelo Pen Parreira

São Paulo 2 +-.

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Índice 5tividades reali6adas 2 p7 8 5presenta1ão 2 p7 9 :uest;es de pu&lica1ão 2 p7 < Percurso Percurso &io)ráfco e conte=to !ist0rico 2 p7 > Painel cr(tico 2 p7 - 5 cr(tica materialista 2 p7 -8 ?strutura de tens;es e o&ra dial'tica 2 p7 -9  Tens;es  Tens;es do realismo realismo em O morro dos ventos uivantes  2 p7 [email protected] /ealismo 2 p7 -> A0tico 2 p7 [email protected] * %ue di6em os cr(ticos 2 p7 8+ B(veis do pro&lema 2 p7 8< Fantasma)oria 2 p7 [email protected] Pitoresco Pitoresco e su&lime 2 p7 98

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Atividades realizadas Durante o primeiro semestre de min!a pes%uisa, cursei a disciplina do proessor 4arcelo Pen acerca de Henr Eames, 4ac!ado de 5ssis e o realismo7 Da disciplina pude aproveitar esclarecimentos a respeito do realismo, mas, acima disso, f6 uso das pes%uisas so&re a orma )0tico para a prepara1ão do tra&al!o fnal so&re The turn of the screw7 Bo se)undo semestre, cursei a disciplina do proessor Lui6 /enato 4artins, da ?C5, so&re Eac%ues2Louis David7 5proveitei muito as contri&ui1;es ri)orosas do proessor ao meu proeto e, para o seminário %ue serviu como avalia1ão fnal, estudei mais a undo as %uest;es de não2 confa&ilidade no discurso de LocGood, sua flia1ão com o /omantismo, e pude aproveitar as aulas de análise de %uadros para, num e=erc(cio de caráter mais livre e inormal, tentar criar pontes de compara1ão entre a pintura in)lesa e O morro dos ventos uivantes 7 5ca&ei usuruindo desse estudo mais do %ue eu mesmo ima)inava, pois os resultados oram do maior interesse e serão e=postos a%ui7 Cursei tam&'m a disciplina do proessor Homero 5ndrade so&re teorias do realismo, cua prepara1ão para o ensaio fnal tam&'m me oi muito Itil, no intuito de esclarecer min!as acep1;es de realismo e entender as rela1;es entre esse pro&lema e meu o&eto de estudo7 Durante toda min!a traet0ria de pes%uisa, ineli6mente, ainda não tive uma orienta1ão presente e constante %ue me permitisse recortar mel!or meus o&etos e a&orda)ens e aprimorar min!as análises, de orma %ue, at' a%ui, todo o meu tra&al!o se deu de orma mais ou menos solitária7 4eu primeiro orientador oi ausente de todas as ormas poss(veis, de modo %ue me vi na o&ri)a1ão de pedir por uma su&stitui1ão7 ?ssa ausência teve eeitos mais drásticos do %ue eu ima)inava %ue teria, mas a)ora á estou no camin!o de compensar o atraso7 4eu se)undo orientador se mostrou muito mais entusiasmado para com min!as ideias e

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 á demonstrou ter uma propensão muito maior de eetivamente me orientar, por'm, ineli6mente, para mim, ele, em seu primeiro semestre como meu orientador eetivo, teve %ue ir viaar ao e=terior por seis meses para reali6ar pes%uisa de p0s2doutorado, o %ue aca&ou adiando meus planos de iniciar o mestrado com um orientador Jpara valerJ7 * te=to a se)uir ' resultado de uma pes%uisa mais ou menos solitária, como á disse, mas não a1o disso culpa de seus eventuais deeitos e pro&lemas7 Bo entanto, veo uma certa necessidade de, pelo menos, dei=ar tudo isso claro7 5l'm das atividades descritas acima, co2or)ani6ei, participei de e apresentei alas em dois eventos na Letras2USP7 Um deles no se)undo semestre do ano passado3 o Seminário discente anual reali6ado pelo meu pro)rama de p0s7 * se)undo, neste semestre3 um evento independente c!amado 5larme de Kncêndio, %ue mo&ili6ou intelectuais de diversas áreas do pensamento, em especial proessores de Literatura, para pensar a contemporaneidade cultural, pol(tica e social no rasil e no mundo7

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Apresentação O morro dos ventos uivantes   M->[email protected] ' uma o&ra e=tremamente

di(cil de se analisar7 Sua estrutura narrativa ' comple=a, suas ima)ens são su)estivas, muitas de suas passa)ens são eni)máticas, e a difculdade de sua orma, %ue mescla prounda ori)inalidade e arroado tra&al!o interte=tual, pode ser e%uiparada O dos romances europeus do in(cio e meados do s'culo 7 Q um romance idiossincrático por e=celência, ora dos padr;es de seu tempo, e um dos primeiros desafos do cr(tico %ue se aventura a estudá2lo ' ustamente compreender as matri6es e as especifcidades de tal idiossincrasia7 Se, no entanto, o vi's da cr(tica or materialista, como ' o caso a%ui, tudo se complica ainda mais, pois al'm do contato com o material tradicional de cr(tica literária, %ue au=ilia o processo de análise te=tual, a62se necessário o con!ecimento proundo da mat'ria !ist0rica %ue deu vida a essa orma di(cil7 5 !istorio)rafa da Kn)laterra e da ?uropa modernas, mesmo %uando nos concentramos nos momentos !ist0ricos mais pertinentes ao romance, ' monumental, assim como a &i&lio)rafa a respeito tanto do romance in)lês em )eral %uanto dos muitos temas e assuntos espec(fcos presentes na o&ra7 *u sea, são dois passos %ue, para serem &em dados, e=i)em não s0 acuidade anal(tica e sa)acidade cr(tica como tam&'m o escrut(nio de um )i)antesco material &i&lio)ráfco ao %ual nem sempre tivemos acesso total7 :uando se trata de pes%uisa acadêmica, um desafo ainda maior sur)e3 colocar todos os poss(veis resultados dessa investi)a1ão no papel7 Se ela&orar e or)ani6ar mentalmente toda essa análise á dá tra&al!o, delineá2la ret0rica e te=tualmente ' ainda mais la&orioso7 Como come1arR Como encontrar um &om ponto de partida e, a partir dele, desenrolar, em te=to escrito, de orma or)nica e or)ani6ada, nossa lin!a de racioc(nioR :uais %uest;es, dentre as muitas %ue sur)iram durante o processo interpretativo, servem mel!or para dar o pontap' inicial O

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ree=ãoR 5 partir de e=periências pr'vias, pudemos perce&er %ue se a6 necessária, lo)o no in(cio, a &reve e=plica1ão de %uatro pro&lemas, dentre os muitos levantados por e a&ordados em nossa pes%uisa, pois isso permite, posteriormente, maior uide6 de e=posi1ão e análise7 * %ue aremos neste cap(tulo de apresenta1ão, então, '3 -N discorrer &revemente a respeito de al)umas %uest;es de pu&lica1ão, enati6ando, por'm, certas peculiaridades do processo +N um pe%ueno percurso &io)ráfco cuo o&etivo ' pensar a vida da autora em rela1ão com seu entorno social, e não omentar uma cr(tica de cun!o &io)rafsta %ue, no m(nimo desde o fm do s'culo K, não e6 avan1ar em %uase nada o de&ate a respeito da o&ra 8N delinear panoramicamente o painel cr(tico acerca do romance, principalmente no mundo an)lo2sa=ão M%ue ' onde mais se escreveu so&re eleN, para termos uma no1ão do %ue de interessante nos dei=ou a ortuna cr(tica dessa o&ra, e de onde podemos partir .N fnalmente esclarecer mel!or nosso pr0prio c!ão te0rico2cr(tico e esta&elecer nossos pr0prios crit'rios de análise e conceitos a serem utili6ados7 Somente a partir da(, nossa análise poderá se desenrolar de orma mais uida e ininterrupta7

Questões de publicação Wuthering Heights Mt(tulo do romance em in)lêsN oi pu&licado num

s0 volume em de6em&ro de ->[email protected] Trata2se do primeiro e Inico romance de ?mil rontV, %ue á !avia pu&licado, em ->..>J7 Kn3  A produção social da escrita7 São Paulo3 ?ditora UB?SP, +-87 Pá)inaR 5 %uestão da ideolo)ia &ur)uesa e da orma do romance será e=tensamente discutida nos cap(tulos a se)uir7 8

passou %uase a totalidade de seus 8 anos, vivendo uma vida reclusa e caseira.>, a morte come1ou a alcan1á2los um por um7 Primeiro Primeiro oi PatricG, o %uarto em orde ordem m de nasc nascim imen ento to e Inic Inico o !ome !omem m dent dentrre os fl!o fl!os7 s7 Sue Sueit ito o de aspi as pira ra1; 1;es es romn omnti tica cas, s, era era vici viciad ado o em 0pio 0pio e &e&i &e&ia a muit muito7 o7 Pinta intava va,, desen!ava e escrevia poemas, assim como suas irmãs7 ?mil, a %uinta, morreu no mesmo ano, poucos meses depois, por conta de uma doen1a respirat0ria da mesma nature6a da tu&erculose Mdoen1a %ue levou muitos O morte durante todo o s'culo K, inclusive poetas e artistas romnticosN7 romnticosN7 5nne, a ca1ula, morreu em ->.] C!arlotte, a terceira, em ->99 e a morte do reverendo PatricG, em ->tica materialista em torno do romance e de como nossa pr0pria cr>tica pretende se)uir seus passos e avan1ar em rela1ão a ela7

A cr>tica .aterialista  Tenta2se esta&elecer o v(nculo entre a realidade aparentemente a2 !ist0rica f)urada na narrativa de O morro dos ventos uivantes e os pormenores s0cio2!ist0ricos in)leses propriamente ditos desde o in(cio do s'culo 7 C7 P7 San)er, autor de “T!e structure o Wuthering Heights#

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M-]+.># M-]>8N, e em al)umas das entrevistas compiladas em ,olitics and letters  M-]@]N7 13 DAN3ER,

.>, como descreve /amond Zilliams +97 De acordo com o autor, por mais %ue se sai&a %ue ' por volta de ->.> %ue sur)e um realismo &ur)uês caracter(stico na fc1ão, “o %ue o &ur)uês lia não era fc1ão &ur)uesa#, “a &ur)uesia [lia\ fc1ão predominantemente aristocrática#, al)o %ue, no plano da vida social, correspondia a um “entrela1amento comple=o e central para a cultura in)lesa dessa 'poca entre MsucintamenteN os aspectos aristocráticos e &ur)ueses dos sistemas de vida e valor#MBotaRN7 ?ssa fc1ão aristocrática ', no entanto, residual, se)undo Zilliams, pois a partir da d'cada de . do s'culo K come1a a ser menos escrita, por mais %ue sea ainda muito lida pelo pI&lico &ur)uês+.>#7 Kn3  A produção social da escrita7 São Paulo3 ?ditora UB?SP, +-87 18

aos tipos de fc1ão aristocrática, acreditamos %ue tal )ênero possa ser um deles, tendo em vista estas coloca1;es de David Punter3 “Aot!ic attends to a set o pro&lems concernin) relations &eteen &our)eoisie and aristocrac M777N all t!e di`erent Ginds o fction [t!at\ ere popular in t!e later ei)!teent! centur MN plaed upon t!e remarGa&l clear ur)e o t!e middle class to read a&out aristocrats M777N [)ot!ic novels\ ere ritten or middle2class audiences MN t!e all deal primaril in ima)es o t!e aristocrac#[email protected] /amond Zilliams coloca O morro dos ventos uivantes   como um dos diversos romances %ue, de al)uma orma, emer)iram Mele ala em Jormas emer)entesJN no campo da produ1ão literária por conta desse entrela1amento entre JresidualJ Maristocrático, e %ue a%ui entendemos como )0tico, no campo da fc1ãoN e JdominanteJ M&ur)uês, e %ue a%ui entendemos como realistaN, sem, no entanto, corresponder a nen!um desses tipos de produ1ão7 4as ' necessário esclarecer, primeiro, o %ue, nesta pes%uisa, entendemos como realismo e como )0tico7 Somente ap0s esses dois momentos preliminares, discorreremos acerca de como esses dois elementos entram em tensão no romance de ?mil rontV7

Realis.o “* de&ate atual, ou mel!or, a ausência de de&ate, so&re o realismo ', em essência, um tipo de luta de &o=e com um oponente ima)inário, onde os )olpes nunca acertam por%ue o rin)ue ' amplo demais, não !á cordas#  Kan Zatt+> :uando se utili6a, em cr(tica literária, o termo “realismo#, ' necessário, antes de %ual%uer coisa, sa&er se a o&ra estudada possui, 26 *

au)e da produ1ão de fc1ão )0tica ocorre no fnal do s'culo KKK7 ?m meados do s'culo K, %uando ?mil pu&lica seu romance, o )ênero á está em decadência7 27 8NTER, # 4Docial relations o/ 0ot!ic :ction6 7n* AERD,#, 1 5
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