Manual 3544_ Saúde Da Pessoa Idosa_ Prevenção de Problemas_Carlos Aguiar

December 19, 2019 | Author: Anonymous | Category: Nicotina, Doença de Alzheimer, Diabetes Mellitus, Alimentos, Exercício Físico
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Escola Profissional Dr. Francisco Fernandes Curso de Educação e Formação de Adultos Portaria nº 80/2008, alterada pela Portaria 74/2011 de 30 de Junho Projeto cofinanciado pelo Fundo Social Europeu Agente em Geriatria – Nível 2

UFCD 3544 – Saúde da Pessoa Idosa – Prevenção de Problemas (25 horas)

Formador: Carlos Aguiar

Funchal, Julho de 2014

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Escola Profissional Dr. Francisco Fernandes Curso de Educação e Formação de Adultos Portaria nº 80/2008, alterada pela Portaria 74/2011 de 30 de Junho Projeto cofinanciado pelo Fundo Social Europeu Agente em Geriatria – Nível 2 ÍNDICE NOTA INTRODUTÓRIA 1.

PROMOÇÃO DA SAÚDE ........................................................................................................ 3 1.1. Conceito de saúde ..................................................................................................................... 3 1.2. Exercício físico ......................................................................................................................... 5 1.3. Hábitos tóxicos ......................................................................................................................... 9 1.4. Higiene corporal ..................................................................................................................... 11 1.5. Alimentação e nutrição ........................................................................................................... 17 1.6. Adaptação domiciliária e prevenção de acidentes .................................................................. 21 1.7. Vacinas.................................................................................................................................... 24 1.8. Doenças crónico degenerativas: aspetos preventivos ............................................................. 25 1.9. Controlo da medicação ........................................................................................................... 27

2.

MÉTODOS E TÉCNICAS APLICADOS AO DOENTE EM ESTADO TERMINAL ............................................................................................................................... 31 2.1. Abordagem compreensiva e multidimensional/Cuidados paliativos e cuidados terminais ...................................................................................................................................... 32 2.2. Critérios de inclusão ............................................................................................................. 33 2.3. Degradação funcional – métodos de avaliação e prevenção ................................................ 34

3.

CUIDADOS EM FASE TERMINAL ..................................................................................... 42 3.1. A Higiene................................................................................................................................ 42 3.2. O conforto e apoio .................................................................................................................. 45 3.3. Actuação após a morte ............................................................................................................ 46 BIBLIOGRAFIA ....................................................................................................................... 50

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Objetivos •

Reconhecer a importância dos fatores que contribuem para a promoção da saúde.



Identificar o estado do doente terminal em domicílio, aplicando os métodos e as técnicas de avaliação e prevenção.



Prestar cuidados, sob orientação, ao idoso em fase terminal.

1. PROMOÇÃO DA SAÚDE

A Promoção da Saúde tem por objetivos evitar a emergência e o estabelecimento de estilos de vida que aumentem o risco de doença. Ao prevenir padrões de vida social, económica ou cultural que se sabe estarem ligados a um elevado risco de doença, promove-se a saúde e o bem-estar e diminui-se a probabilidade de ocorrência de doença no futuro.

1.1. CONCEITO DE SAÚDE

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), em 1946, o conceito saúde era definido como um “estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença”. O "bem-estar social" da definição veio de uma preocupação com a devastação causada pela guerra, assim como de um otimismo em relação à paz mundial. A OMS, criada após o final da Segunda Guerra Mundial, foi

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Saúde atualmente Muitos autores criticam a definição anterior por considerarem ser difícil atingir o completo bem-estar físico, mental e social. A definição atual, segundo a OMS, considera que a saúde é “a medida em que um indivíduo ou grupo é capaz, por um lado, de realizar aspirações e satisfazer necessidades e, por outro, de lidar com o meio ambiente. A saúde é, portanto, vista como um recurso para a vida diária, não o objetivo dela; abrange os recursos sociais e pessoais, bem como as capacidades físicas, é um conceito positivo.”

Saúde não é o contrário de doença, saúde é um conceito subjetivo e que vai de encontro às necessidades e expectativas de cada um. Relaciona-se sempre com outro conceito: Qualidade de Vida.

Determinantes da Saúde

Constituição da República Portuguesa (CRP) Artigo 64.º Saúde 1. Todos têm direito à proteção da saúde e o dever de a defender e promover. 2. O direito à proteção da saúde é realizado: a) Através de um serviço nacional de saúde universal, geral e tendencialmente gratuito; 3. Para assegurar o direito à proteção da Saúde, incumbe prioritariamente ao Estado: a) Garantir o acesso de todos os Cidadãos, independentemente da sua condição económica, aos cuidados da medicina preventiva, curativa e de reabilitação.

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O rápido crescimento das doenças crónicas associadas à inatividade física vem sendo registado tanto nos países desenvolvidos como nos países em desenvolvimento. Estima-se que a inatividade física seja responsável por aproximadamente 2 milhões de mortes no mundo. A idade avançada não é razão suficiente para deixar de fazer exercício físico e nem deve ser um impedimento para começar a praticá-lo. A prática regular de exercício físico torna-se mais importante com o avançar da idade. O exercício pode ajudar a pessoa idosa a manter-se ativa e a viver mais tempo de forma independente. Também pode fazer com que os idosos mais frágeis se fortaleçam e estejam mais em forma. A pessoa idosa poderá se considerar demasiado velha para começar, ter demasiadas dores e incómodos ou ter medo de contrair lesões, mas o exercício físico pode ajudar a superar, e até reduzir, estes obstáculos. A atividade física não é, obrigatoriamente, um programa estruturado de exercícios que o idoso tenha que seguir. Pode consistir em atividades simples como caminhar, subir e descer escadas em vez de utilizar o elevador e sempre que possível, andar a pé em vez de automóvel. O idoso, também não necessita de fazer um exercício demasiado vigoroso, a chave principal é realizar os exercícios físicos de forma moderada e regular. Quanto mais exercício a pessoa idosa praticar, maiores serão os benefícios.

Exercício, porquê? O exercício físico melhora a saúde e os aspeto geral da pessoa. Pode ajudar a manter algumas das funções do corpo que se reduzem com a idade. Fortalece o coração – em cada batimento bombeia ao organismo mais sangue rico em oxigénio; Melhora a circulação – os músculos da perna, por exemplo, comprimem as veias e, assim, favorece o regresso do sangue ao coração; Reduz a tensão arterial; 5

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Iniciar os exercícios físicos O exercício físico moderado pode ser realizado sem antes consultar um médico, mas as razões pelas quais a pessoa idosa deve primeiro falar com o seu médico incluem – ter uma doença ou tomar medicamentos com receita ou ter fator de risco de aterosclerose (devem submeter-se a uma prova de esforço). As lesões constituem um dos principais motivos pelos quais os idosos deixam de treinar, e, por essa razão, é aconselhado realizar sempre aquecimento muscular antes de iniciar a atividade física. Caso, o idoso sinta dor, o exercício deve ser interrompido de imediato. A pessoa idosa deve escolher os exercícios que mais gosta e que certamente irá praticar com maior regularidade. Os diferentes tipos de atividade exercitam os músculos

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MODERADO OU INTENSO? Exercício aeróbico moderado

Exercício aeróbico vigoroso

Andar de bicicleta;

Subir uma encosta de bicicleta;

Pedalar em bicicleta estática;

Subir escadas ou encostas;

Dançar;

Cavar;

Jardinagem – cortar a relva e passar o ancinho;

Esquiar em descida;

Golfe, sem carrinho;

Excursionismo;

Passar uma esfregona ou esfregar o chão;

Jogging;

Remar;

Retirar a neve com uma pá;

Nadar;

Nadar várias distâncias;

Ténis (pares);

Ténis (individual).

Andar rapidamente em plano.

Exercício físico para pessoas idosas com uma perturbação Um idoso que sofra de uma perturbação deve consultar o seu médico, antes de iniciar o exercício. Quando se inicia um programa de exercícios, o idoso que tiver uma perturbação necessita de supervisão e instrução. Artrite – começar com alongamentos e exercícios de fortalecimento. Podem acrescentar, gradualmente, exercícios aeróbicos. Devem consultar sempre um médico

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1.3. HÁBITOS TÓXICOS

O álcool é uma das poucas drogas psicotrópicas que tem o seu consumo permitido e incentivado pela sociedade. A mortalidade e a limitação da condição funcional associada ao consumo de bebidas alcoólicas superam aquelas associadas ao tabagismo. Calcula-se que, mundialmente, o álcool esteja relacionado com 6,2 % de mortes prematuras e perdas de anos de vida com independência dos países em desenvolvimento. Nas últimas décadas, o consumo de álcool tem aumentando em todo o mundo, sendo que a maior parte deste aumento acontece em países em desenvolvimento. 9

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O tabagismo é, hoje, amplamente reconhecido como uma doença crónica gerada pela dependência da nicotina, estando inserido na Classificação Internacional de Doenças da OMS. Trata-se do mais importante fator de risco isolado de doenças graves e fatais, atribuindo-se ao consumo de tabaco: 45% das mortes por doença coronária; 85% das mortes por doença pulmonar obstrutiva crónica; 25% das mortes por doença cerebrovascular; 30% das mortes por cancro. Cerca de 90% dos casos de cancro do pulmão ocorrem em fumadores e a mortalidade por este tipo de cancro entre fumantes é cerca de 15 vezes maior do que entre os não fumadores. 90% dos fumadores começam este hábito tóxico antes dos 19 anos, sendo que 15 anos é a idade média de iniciação. Cem mil jovens começam a fumar no mundo a cada dia e 80% deles vivem em países em desenvolvimento.

Segundo um estudo liderado pelo Professor de Neuropsicologia Luís Maia da Universidade da Beira Interior, o consumo crónico de estupefacientes, mesmo das chamadas drogas leves, pode provocar alterações permanentes de personalidade e deterioração das funções cognitivas.

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1.4. HIGIENE CORPORAL

A higiene pessoal, cuidado básico para a saúde e bem-estar do ser humano, é uma atividade incorporada na rotina diária desde a infância e difere entre culturas e épocas. Entende-se por higiene pessoal - higiene corporal e íntima, oral, do couro cabeludo e unhas. Quando os cuidadores se deparam com alguma oposição do idoso ao banho, o primeiro passo deve ser tentar descobrir o porquê. Ele poderá ter receio de sofrer uma queda, estar apresentando algum tipo de dor ou estar muito cansado ou, ainda, não achar necessário o banho diário, pois não fez isso a vida toda. 

As pessoas idosas realmente necessitam de banho diário?

A frequência do banho depende das necessidades apresentadas pelas pessoas idosas. Em algumas ocasiões, pode ser dado apenas, por exemplo, duas vezes por semana. É o caso dos idosos com sério risco para pele muito seca, muito enfraquecidos ou que, por problemas de saúde, cansam-se facilmente.

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Dirigir-se ao idoso utilizando o seu nome preferido, demonstrando respeito e reforçando sua identidade pessoal;



Nunca utilizar apelidos sem autorização ou termos demasiadamente afetuosos (“minha querida”, “meu coração”, “minha linda”, “meu fofo”) ou ainda diminutivos que podem parecer infantis (“lindinha”, “queridinho”, “mãozinha”, “boquinha”);



Conversar com a pessoa idosa antes do banho, explicando o que será feito e como;



Preparar o ambiente do banho, separando os materiais necessários, fechando as portas e janelas e aquecendo o ambiente;



Permitir que o idoso escolha os artigos a serem utilizados no banho, assim como as roupas que vestirá depois;



Ajudá-lo na medida das suas necessidades;



Tranquilizá-lo e confortá-lo com contato físico gentil e delicado, principalmente se ele apresentar défices sensoriais;



Respeitar a sua intimidade e privacidade (fechar a porta, correr a cortina, etc.);



Evitar interrupções durante a execução do banho (atender telefones ou outras pessoas, sair do local do banho deixando a pessoa idosa sozinha);



Cuidado com as unhas das mãos e dos pés. O cuidado com as unhas deve ser realizado, preferencialmente, após o banho, pois elas estarão mais hidratadas e amolecidas. Caso sejam muito espessas, endurecidas e quebradiças, colocálas, durante cerca de 10 minutos, imersas em uma solução de água morna com sabão neutro. Este processo facilitará o corte, que deve ser em linha reta (para que não encravem) e não muito rente à pele (evitando lesões, que podem originar processos inflamatórios ou infeciosos). Após o corte, limálas e passar por água. Por fim, secar cuidadosamente as regiões interdigitais. As cutículas não devem ser retiradas, para evitar ferimentos e infeções;

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Os pés merecem atenção especial, pois são os responsáveis pela sustentação do corpo, postura e marcha, fundamentais para a maior independência da pessoa idosa. Inicialmente, devem ser cuidadosamente inspecionados (temperatura, estado da pele, sensibilidade, circulação, presença de deformidades – joanetes, calosidades etc. – micoses interdigitais e onicomicoses). Algumas precauções simples são recomendadas. Secá-los cuidadosamente, sem esfregar, especialmente as regiões interdigitais, para evitar a contaminação por fungos; exercitá-los, para prevenir contratura e atrofias musculares e estimular a circulação realizando movimentos de rotação e extensão; auxiliar na colocação de meias limpas e folgadas (sem furos ou remendadas com costuras duras), para mantê-los aquecidos, proporcionando sensação de conforto; ajudar na colocação de sapatos, verificando a sua adaptação aos pés (para evitar lesões). Pessoas idosas com diabetes requerem cuidado especial com os pés. Nesses casos, o encaminhamento para um especialista pode ser necessário.

 Produtos para o cuidado com a pele utilizados no banho Muitos são os produtos disponíveis. A escolha depende da necessidade, da adequação e da preferência da pessoa idosa. 

Sabão – Serve para a limpeza da pele. Pode ser comum ou antialérgico;



Óleo de banho – Geralmente é colocado na água do banho para deixar a pele mais macia e prevenir que seque. Seu uso, no entanto, pode deixar o local do banho escorregadio, aumentando o risco de quedas;



Cremes e loções – Deixam a pele mais macia e previnem que esta fique seca. Os cuidadores devem estimular as pessoas idosas a autoaplicarem essas substâncias, auxiliando-as apenas nas regiões do corpo que elas têm dificuldade para alcançar;



Talco – Os idosos, geralmente, têm o hábito de utilizá-lo para refrescar a pele e prevenir a fricção entre duas superfícies que ficam em contato (entre

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Desodorizante – É aplicado na região axilar após o banho, para prevenir o odor corporal. O seu uso deve ser evitado em peles irritadas ou lesadas e recomendam-se os desodorizantes sem perfume.



Tipos de banho 

Banho de chuveiro – As pessoas idosas podem tomar banho de chuveiro em pé ou sentadas, dependendo da sua condição física. No entanto, algumas medidas de segurança devem ser consideradas pelo cuidador. Colocar sempre um tapete antiderrapante antes de a pessoa idosa entrar no recinto; ter a certeza de que o piso do banheiro está seco, para impedir quedas; não aplicar óleo de banho na pele da pessoa durante o banho, para evitar que o piso fique escorregadio; certificar-se de que a temperatura da água do banho está apropriada, usando e proceder aos ajustes necessários antes de iniciar o banho; se a pessoa idosa for capaz de se tomar banho sozinha, ficar próximo enquanto ela o faz; evitar correntes de ar, fechando a porta; a instalação de barras de apoio no interior aumenta a segurança da pessoa idosa durante o banho;



Banho de leito – É adequado para os idosos que não são capazes de se tomar banho sozinhos e não podem ou têm muita dificuldade em se dirigir à casa de banho. Idosos inconscientes, incapacitados (física ou mentalmente) ou muito enfraquecidos são potenciais candidatos a esse tipo de banho. O banho de leito pode ser constrangedor para a pessoa, pois aumenta o seu sentimento de dependência, diminui a sua autonomia e existe pouca privacidade. Garantir a privacidade do idoso, executar o procedimento rápida e eficientemente e conversar com ele enquanto procede ao banho pode minimizar esses sentimentos;

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Banho parcial – É dado na cama ou na casa de banho. A face, mãos, axilas, pescoço, nádegas e genitália são, normalmente, as áreas higienizadas. A higiene oral pode ser feita nesse momento.

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Uma alimentação adequada mantém sempre os mesmos fundamentos básicos, mas em cada fase da vida, existem alguns cuidados específicos. Assim, quando falamos de alimentação para pessoas idosas, devemos considerar as alterações que ocorrem nos seus organismos, bem como as mudanças do estilo de vida. Com o avançar da idade, o corpo muda. Há diminuição da massa magra (músculos e ossos) e aumento da massa gordurosa localizada (os braços e as pernas tornam-se mais finos e a cintura engrossa ou a barriga fica mais proeminente). Já as alterações na visão, no paladar, no olfato, na audição e no tato podem levar à perda de apetite, fazendo com que a pessoa idosa coma menos. Também a ausência total ou parcial de dentes dificultam a deglutição e mastigação, fazendo com que o idoso tenha de mudar os seus hábitos alimentares. Alterações da estrutura e função, do estômago e do intestino, também podem diminuir a digestão e a consequente absorção dos nutrientes.  Hábitos alimentares Adquirimos os nossos hábitos alimentares na infância e temos a tendência de os manter ao longo da vida e por essa razão é complicado modifica-los. Ao lado dos hábitos, existem as crenças e os tabus, muitas vezes baseados em informações incorretas que podem levar a prejuízos nutricionais. Com a reforma, o dinheiro disponível diminui e uma grande parte é utilizada para comprar medicamentos, considerados mais importantes na manutenção da saúde. Consequentemente, os idosos começam a adquirir alimentos mais baratos e de preparo mais fácil em vez de outros mais caros.  Funções dos alimentos Os alimentos fornecem ao corpo todas as substâncias necessárias para o seu bom funcionamento. Essas substâncias, chamadas nutrientes (água, hidratos de carbono, proteínas, gorduras, vitaminas, minerais e fibras), são indispensáveis à vida humana.

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Os alimentos energéticos têm a função de fornecer energia (combustível) para que possamos andar, falar, respirar, etc. Possuem grandes quantidades de hidratos de carbono e gorduras e, quando a energia que fornecem não é consumida, acumula-se na forma de gordura corporal. Assim, estes alimentos não devem ser consumidos em excesso, pois podem conduzir à obesidade ou a outros problemas de saúde, como a aterosclerose. Os alimentos ricos em hidratos de carbono são os cereais e derivados – arroz, milho, farinhas, pão, entre outros; feculentos e derivados – batata, batata-doce, inhame, entre outros; açúcares e doces. Os alimentos ricos em gorduras são de origem vegetal – óleos vegetais, azeite, margarina, amendoim, nozes, abacate, entre outros.

Os alimentos reguladores têm várias funções no organismo, como aumentar a resistência às infeções; proteger a pele, a visão e os dentes; contribuir para o bom funcionamento intestinal e facilitar a digestão e o aproveitamento dos alimentos. Estes alimentos são ricos em vitaminas, minerais e fibras – frutas (laranja, abacaxi, melancia, morangos, frutas secas, entre outros); hortaliças – verduras (agrião, alface, couve, espinafres, entre outros) e legumes (pepino, pimentão, beringela, cenoura, entre outros); cereais integrais e derivados (arroz integral, aveia, gérmen de trigo, entre outros). Algumas vitaminas podem ser destruídas com a cozedura das verduras e dos legumes, portanto estes alimentos devem ser consumidos de preferência crus. Os alimentos construtores são os que têm a função de “construção” do corpo, isto é, de fabricar mais matéria viva para o organismo.

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A água é o principal componente do organismo. Está em todos os líquidos e células do corpo humano, transporta os nutrientes e lubrifica as articulações. É encontrada na forma pura, em preparações líquidas (sumos e chás) e na maioria dos alimentos. Apesar de ser um nutriente de grande importância na alimentação dos idosos, eles costumam ingeri-la em pouca quantidade, alegando que não sentem sede ou que esquecem de beber. Recomenda-se o consumo de seis a oito copos de água ou líquidos por dia.

A alimentação saudável é equilibrada do ponto de vista nutricional e é importante para o bem-estar, para a prevenção e controle de determinadas doenças. Deve fornecer energia (calorias) e nutrientes em quantidade suficiente para o bom funcionamento do organismo, o que varia de pessoa para pessoa, de acordo com o sexo, a idade, o peso, a altura, a atividade física ou a presença de doenças.

Com o objetivo de auxiliar a orientação nutricional da pessoa idosa, o Grupo de Estudos de Nutrição na Terceira Idade, formado por nutricionistas, elaborou um guia alimentar. A pirâmide foi escolhida como forma de orientação para uma alimentação saudável, porque a sua estrutura dá a conotação exata de equilíbrio e proporcionalidade.  Grupo 1 – Alimentos energéticos: feculentos (batata, mandioca, inhame, batatadoce), cereais (arroz e trigo) e derivados (farinha de trigo, pão e massa). É o grupo que representa a maior parcela de contribuição da alimentação;  Grupo 2 – Alimentos reguladores: hortaliças (verduras e legumes), de três a cinco porções; 

Grupo 3 – Alimentos reguladores com vitaminas específicas: frutas (pelo menos uma delas rica em vitamina C);

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Pirâmide alimentar

 Cuidados com a refeição da pessoa idosa  É importante que a pessoa idosa possa ter companhia nas refeições. Sentar confortavelmente à mesa em companhia de outras pessoas, sejam elas da

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Oferecer ao idoso alimentos que sejam de fácil digestão e provoquem saciedade;



Deixar o prato com aparência agradável (bonito, aromático e apetitoso);



Tentar variar a alimentação diariamente, para não causar monotonia;



Não substituir alimentos na forma sólida por sopas e purés se o idoso não tiver problemas para mastigar;



Se a pessoa idosa apresentar problemas nos dentes ou não os tiver, não deixe de incluir carnes, legumes, verduras e frutas na alimentação;



Servir pouca quantidade de alimentos em cada refeição, para facilitar a digestão;



Evitar o uso exagerado de sal, tentando substituí-lo por ervas aromáticas;



Dar preferência aos óleos vegetais no preparo e cozedura dos alimentos;



Procurar comprar os alimentos da estação, principalmente frutas e verduras, pois têm melhor qualidade e menor custo;



Tentar manter a regularidade no horário das refeições;



Preferencialmente, não substituir o jantar por lanche, prática muito comum entre os idosos.

1.6. ADAPTAÇÃO DOMICILIÁRIA E PREVENÇÃO DE ACIDENTES

 Quedas As quedas são uns dos principais problemas com os idosos. A dificuldade em prevenir as quedas em pessoas com características especiais tanto pela sua debilidade física como mental aumenta a problemática. É necessário, assim, um maior esforço para diminuir a incidência das quedas tanto no domicílio como a nível institucional. Uma baixa incidência de quedas é indicativo de cuidados de saúde de qualidade. 

Fatores de risco

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Causas  Alterações da visão;  Alterações da audição;  Alterações nas articulações;  Alterações na tensão arterial;  Efeito de medicamentos;  Ambiente desconhecido;  Pavimento e calçado;  Mobiliário e escadas.



Prevenção  Prática de exercício;  Vigilância da medicação para evitar erros e possíveis excessos;  Sapatos bem ajustados e antiderrapantes;  Evitar o uso de chinelos;  Não usar camisas de noite nem robes compridos;  Cobertores e colchas não devem ser compridos;

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Circular sempre no passeio e colocar-se sempre no lado direito;



Caso não haja passeio, circular do lado esquerdo, de frente para os veículos;



Quando caminhar em grupo andar em fila;



Atravessar sempre num local seguro: passadeiras, junto a sinais luminosos;



Evitar atravessar junto a obstáculos como carros e caixotes do lixo;



Entrar e sair de viaturas sempre pelo lado direito;



Ao caminhar à noite usar colete refletor.

 Incêndios Cuidados a ter para prevenção de acidentes: 

Ter atenção aos equipamentos de grande consumo, tais como máquinas de lavar grande consumo, tais como máquinas de lavar roupa ou aquecedores;



Não sobrecarregar as tomadas, pois pode provocar sobreaquecimento ou curto-circuito;



Não colocar os aquecedores junto aos móveis e não os utilizar para secar roupa;

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Nunca deixar os equipamentos de queima em funcionamento quando tiver de se ausentar.

1.7. VACINAS

A vacinação dos idosos é uma medida preventiva importante e que não deve ser descurada, uma vez que são um grupo particular da população no qual as doenças infeciosas causam elevadas taxas de morbilidade e mortalidade. À medida que o indivíduo envelhece, o organismo sofre alterações que o fragilizam e o tornam menos capaz de se adaptar às agressões do meio ambiente. O sistema imunitário perde alguma eficácia, e o idoso fica mais suscetível às doenças infeciosas. Existe ainda o facto de alguns idosos poderem ter uma patologia crónica e que com uma simples infeção respiratória pode agravar ou descompensar. Ao contrário do que acontece com a criança, não existe um calendário de vacinação obrigatório para o idoso e a medicina preventiva é muitas vezes negligenciada. Existem vacinas recomendadas para o idoso tais como – antigripal, antipneumónica e antitetânica e antidiftérica. A gripe é uma infeção comum que surge habitualmente durante os meses frios do ano, mas é sobretudo nos idosos que se pode tornar uma infeção grave. A vacinação contra a gripe pode reduzir significativamente a incidência da gripe nos idosos e diminuir o número de hospitalizações por descompensação de doentes crónicos, nomeadamente os cardíacos. Assim, recomenda-se a vacinação de todos os indivíduos com mais de 65 anos de idade e todos os doentes crónicos (diabéticos, nefropatias graves, insuficiência cardíaca), independentemente da idade, devendo ser administrada no início do Outono (Setembro/Outubro), uma vez que as epidemias ocorrem normalmente entre Novembro e Abril.

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Fatores que influenciam a Doença de Alzheimer 

Único fator de risco bem conhecido e universalmente aceite;

Idade



Aceita-se que a doença de Alzheimer seja uma doença idade - dependente, ou seja, à medida que a idade avança, maior é a probabilidade da sua ocorrência.



Mulheres mais afetadas do que os homens. A expectativa de vida das mulheres é pelo menos 5 anos maior que a dos homens, apesar de essa correlação ainda necessitar de ser estatisticamente ajustada e melhor esclarecida.

Sexo

Escolaridade 

O nível de educação parece ser uma proteção para a doença de Alzheimer – quanto maior o número de anos de estudo formal menor será o risco.

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Perturbações da memória dos factos recentes, afetando sobretudo a memória episódica;



Falta da palavra adequada;



Perturbações da atenção;



Diminuição da memória em relação ao trabalho;



Desinteresse, apatia, irritabilidade, etc. O tratamento ao doente com Alzheimer é plurimodal, recorrendo a estratégias

medicamentosas e não medicamentosas. Deve ser elaborado um plano de cuidados específicos para cada doente, alterado regularmente no decurso da evolução.

 Doença de Parkinson É uma doença degenerativa, crónica e progressiva, que acomete em geral pessoas idosas. Ocorre devido à perda de neurónios do Sistema Nervoso Central, sendo que os neurónios sintetizam o neurotransmissor – dopamina, cuja diminuição provoca sintomas principalmente a nível motor. Os sinais e sintomas são:  Tremor em repouso;  Rigidez;  Bradicinesia – Hipocinesia;  Postura fletida;  Perda dos reflexos posturais.  As atividades a desenvolver com o doente com Parkinson são: 

Ensinar o cliente a colocar os pés no chão com os calcanhares primeiro ao andar e aumentar o tamanho da passada;



Ensinar o cliente a balançar os braços ao andar para melhorar o equilíbrio;



Facilitar a comunicação não-verbal se for o caso;

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Orientar aspiração de vias aéreas quando necessário (posições de conforto e drenagem);



Orientar o uso de utensílios especialmente concebidos para facilitar o seu manejo (nutrição);



Estimular o auto cuidado de modo gradual (higienização que for possível), e hidratação da pele;



Estimular a independência e quando necessário, oferecer dispositivos auxiliares;



Para ajudar o cliente com tremores graves pedir para se sentar numa cadeira e usar os braços para manter-se estável;



Implementar diariamente um programa de exercícios para aumentar a força muscular;



Banhos mornos e massagens frequentes conduz ao relaxamento dos músculos e alivia as cãibras.

1.9. CONTROLO DA MEDICAÇÃO



Erros de medicação

Os idosos que tomam em média 3 a 4 vezes ao dia comprimidos diferentes e em horários diferentes têm grande possibilidade de errar a medicação.

 •



Erro na dose;



Erro no horário;



Troca de medicação.

Forma de apresentação dos medicamentos Sólida: comprimidos, cápsulas, drágeas e pastilhas.

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Líquida: medicamentos usados em gotas, suspensões, soluções, xaropes e aerossóis. A contagem exata do número de gotas e a visualização correta dos mililitros

(mL)

nos

medidores

(conta-gotas,

colheres,

copinhos)

são

fundamentais.



Medidas importantes  Colocar os medicamentos numa caixa com tampa;  Usar caixas diferentes para medicação oral, inalatória e produtos de tratamento;  Nunca tentar administrar medicamentos por via oral a alguém que esteja a dormir ou inconsciente;  Os três certos – Medicamento certo; Hora e dia certo; Dose certa;  Administrar os medicamentos pelo método correto;  Se os medicamentos forem receitados por médicos diferentes, questionar o médico ou o farmacêutico se é seguro tomar os medicamentos em simultâneo;  Leia atentamente a bula do medicamento, prestando atenção aos itens relativos à dose, contraindicações, reações adversas, precauções, interações com outros medicamentos e conservação.  Falar com o enfermeiro/médico/farmacêutico se ocorrerem alterações no idoso após

início

de

nova

medicação



prurido,

náusea,

vómito,

palpitação/taquicardia, edemas (inchaço) etc.;  Se o idoso está confuso ou tem tendência a automedicar-se – deixar os medicamentos fora do alcance do idoso!  Mantenha o medicamento na embalagem original e em local fresco e seco, mesmo após sua abertura (para verificar prazo de validade, lote e não misturar com outros comprimidos).  Nunca administrar medição cujo prazo de validade esteja ultrapassado; Nem aquela alterada na cor ou forma normal. 28

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Administração de medicamentos por via oral

Como administrar? 

Lavar as mãos antes de mexer no medicamento;



A maioria dos medicamentos orais deve ser imediatamente engolida;



As pastilhas são chupadas ou mastigadas e não engolidas;



As cápsulas ou comprimidos devem ser ingeridos com um copo de água;



Sugerir que beba um pouco de água antes de tomar o comprimido – Lubrifica a boca e ajuda a engolir;



Evitar dar leite com os comprimidos, exceto se há indicação contrária;



Não dar medicamentos quando o cliente está deitado;



Se não há indicação para dar medicamento em jejum, este deve ser sempre dado com o estômago com comida;



Verificar se o medicamento foi engolido.

Dificuldades na deglutição 

Oferecer um pouco de água antes (para lubrificar a boca e garganta);



Colocar os comprimidos na parte de trás da língua da pessoa e dar mais água;



Misturar os comprimidos com puré de maçã, compota, gelado – Algo suficientemente substancial para empurrar o comprimido;

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Alguns comprimidos podem ser triturados de depois misturados com a comida – Verificar essa possibilidade com o farmacêutico;



Questionar sobre a existência do medicamento em forma líquida;



Se o medicamento líquido tem mau sabor juntar com um sumo.

Ao acompanhar o idoso em uma consulta médica em que for dada uma receita, certifique-se de que percebe os seguintes aspetos: •

Qual o nome do medicamento e por que será usado?



Qual o nome da doença que esse medicamento trata?



Quantas vezes por dia o medicamento deve ser tomado?



Quando e como tomar (horário, antes ou após as refeições, usar com água ou leite)?



Por quanto tempo o medicamento deve ser utilizado (até a próxima consulta, por 15 dias)?



Quanto tempo o medicamento demora para fazer efeito?



Se houver esquecimento da tomada do medicamento, o que deve ser feito?



Quais os efeitos indesejados que podem aparecer? Caso apareçam, o que deve ser feito?



Durante o tratamento, pode-se ingerir álcool? E usar outros tipos de medicamentos?



O medicamento pode interferir nas atividades do dia a dia, como tomar banho sozinho, dirigir, assistir à televisão, cozinhar, sair de casa sozinho?

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2. MÉTODOS E TÉCNICAS APLICADOS AO DOENTE EM ESTADO TERMINAL Antigamente, não havia muito a pensar sobre a morte e o processo de morrer. Muitas pessoas morriam rapidamente depois de contraírem uma infeção ou lesão. Outras morriam como consequência de um cancro ou coronariopatia, visto que não existia nenhum tratamento eficaz. Todavia, atualmente, numerosas pessoas sofrem de uma ou mais perturbações crónicas, por vezes graves, com as quais vivem muitos anos antes de morrerem. Mais de três quartos das mortes, nos países desenvolvidos, devem-se a doenças crónicas, como cardiopatias, cancro, acidente vascular cerebral, doença pulmonar obstrutiva crónica e demência. Nos dias de hoje, vive-se muito mais tempo desde que se declarou uma doença crónica. Apesar de todos os progressos da Medicina na segunda metade do século XX, a longevidade crescente e o aumento das doenças crónicas conduziram a um aumento significativo do número de doentes que não se curam. O modelo da medicina curativa, 31

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Alívio da dor e de outros sintomas incómodos;



Intervenção, sempre que possível, nas decisões relativas aos cuidados;



Ter a certeza que os seus desejos previamente expressos serão cumpridos e respeitados;



Sentido de conclusão e alívio de qualquer carga sobre a família e amigos.

2.1. ABORDAGEM COMPREENSIVA E MULTIDIMENSIONAL/CUIDADOS PALIATIVOS E CUIDADOS TERMINAIS

Segundo a OMS em conceito definido em 1990 e atualizado em 2002, "Cuidados Paliativos consistem na assistência promovida por uma equipa multidisciplinar, que objetiva a melhoria da qualidade de vida do paciente e seus familiares, diante de uma doença que ameace a vida, por meio da prevenção e alívio do sofrimento, da

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2.2. CRITÉRIOS DE INCLUSÃO  Quem são os destinatários? - Não têm perspetiva de tratamento curativo; - Doentes em que a doença progride rapidamente e sem perspetiva de cura

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Cancro



Sida



Doenças neurológicas degenerativas com evolução rápida

 Quando e quanto tempo duram os cuidados paliativos e o doente pode beneficiar deles? São direcionados para a fase final da vida, mas não só à fase agónica, por isso os doentes podem ser tratados durantes dias, semanas ou mesmo meses. Como já referido atualmente defende-se que os mesmos deverão iniciar-se no início de uma doença crónica, pois asseguraria que os problemas da qualidade de vida serão tidos em conta.

2.3. DEGRADAÇÃO PREVENÇÃO

FUNCIONAL



MÉTODOS

DE

AVALIAÇÃO

E

A maioria das pessoas com uma doença fatal querem saber quanto tempo lhes resta para viver. Os familiares, normalmente, desejam estar presentes nos últimos momentos e podem necessitar de se organizar para isso. Mas prever o momento exato da morte é impossível. Apesar das dificuldades associadas à previsão da ocorrência da morte, alguns sintomas indicam que está a aproximar-se ou é iminente.~

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SINAIS DE UMA MORTE PRÓXIMA É habitual que as pessoas passem mais tempo a Modificações ao nível da atenção

dormir. Quanto estão acordadas, podem estar menos atentos ou interativas. A confusão ou desorientação são frequentes.

Reduzido interesse por comidas e bebidas

Ausência de urina

Os indivíduos próximos da morte rejeitam grande parte da comida, embora possam aceitar ou pedir líquidos. Quando a pessoa deixa de urinar, a morte, de modo geral, chega em poucos dias ou semanas. As mãos e os pés ficam frios e azulados. Estas

Alterações da pele

modificações são sintomas de que a morte chegará, provavelmente, dentro de horas ou dias. A respiração pode tornar-se rápida e superficial. Pode ouvir-se um estertor quando a pessoa respira. Este ruído é causado pela acumulação de secreções,

Modificações da respiração

como a saliva, que o doente não consegue deglutir e pela relaxação da musculatura da garganta. O moribundo não se apercebe deste ruído, mas pode angustiar os familiares.

 Quando se pergunta a pessoas com doenças crónicas potencialmente letais os objetivos que têm, conclui-se que, frequentemente, estes são simples e podem compreender os seguintes:  Alívio da dor e de outros sintomas incómodos;  Intervenção, sempre que possível, nas decisões relativas aos cuidados; 

Ter a certeza que os seus desejos previamente expressos serão cumpridos e respeitados;



Sentido de conclusão e alívio de qualquer carga sobre a família e amigos. 35

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 Reduzir o sofrimento  Dor A dor é um sintoma frequente em indivíduos com uma doença crónica letal. Tanto a doença e alguns tratamentos como também algumas circunstâncias próprias da agonia (imobilidade, obstipação ou úlceras por pressão) podem causar a dor. A dor é tolerada de forma diferente, mas reduz necessariamente a qualidade de vida e da morte. Dado que um doente com patologia crónica potencialmente letal costuma apresentar diferentes tipos de dor, o tratamento que comporta várias abordagens é, em geral, o mais eficaz. Os analgésicos são um elemento importante do tratamento. No entanto, a eficácia do tratamento farmacológico, muitas vezes, melhora com massagens e aplicação de calor. É importante que os pacientes com dor intensa informem os profissionais encarregados quando o controlo da dor é deficiente ou quando se apresentem efeitos secundários. Também devem, quando possível, comunicar as suas preferências sobre os tratamentos farmacológicos e não farmacológicos. A companhia, o estímulo emotivo e o aconselhamento espiritual são alguns dos fatores que reduzem a ansiedade, a ira, a depressão, o medo, a insónia e a solidão que agravam a dor.  Dificuldade respiratória e tosse Considera-se dificuldade respiratória qualquer sensação desagradável de respiração incómoda. Muitas complicações podem causar dificuldade respiratória e tosse – infeções, propagação do cancro, acumulação de líquidos nos pulmões, derrame de líquido em redor do coração ou no abdómen ou embolia pulmonar. Alguns tratamentos também podem contribuir para esta dificuldade na fase terminal. Tratar a dificuldade respiratória e a tosse comporta o tratamento das causas subjacentes. Assim, qualquer tratamento que estimule o problema, como a 36

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 Paz e resolução

O prognóstico de morte faz com que a pessoa se interrogue sobre questões essenciais como – O que fiz na vida? A minha vida teve sentido? O que acontecerá depois da morte? – Algumas pessoas encontram a resposta a estas perguntas nas tradições espirituais e nas crenças religiosas. Outras orientam-nas para a sua família ou

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 Em termos de decisões médicas no fim de vida temos formas ativas de pôr fim e formas de morte assistida. Eutanásia Formas ativas de pôr fim à vida

Suicídio assistido Homicídio  Intervenção passiva: abstenção ou suspensão

do

tratamento

de

suporte de vida: - A pedido do doente Formas de morte assistida - Sem pedido do doente/família  Intervenção ativa: administração do tratamento que encurta o tempo de vida:

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3. CUIDADOS EM FASE TERMINAL

3.1. A HIGIENE  Objetivo do Banho  Proporcionar higiene e conforto;  Estimular a circulação, a respiração da pele e o exercício;  Manter a integridade da pele;  Fazer observação física da pessoa;  Favorecer / estimular a independência da pessoa.

ATENÇÃO! Algumas pessoas idosas, doentes ou com incapacidades podem, às vezes recusar tomar banho. 

Pode ser que a pessoa tenha dificuldade para mover-se e tenha medo da água ou de cair, pode ainda estar deprimida, sentir dores, tonturas ou mesmo sentir-se envergonhada de ficar exposta à outra pessoa, especialmente se o cuidador for do sexo oposto.



É preciso que o cuidador tenha muita sensibilidade para lidar com essas questões.

Respeite os costumes da pessoa cuidada e lembre que confiança conquista-se com carinho, tempo e respeito.

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Tipos do Banho  Banho de chuveiro  Banho de banheira (emersão)  Banho na cama Banho no chuveiro O banho de chuveiro pode ser feito com a pessoa sentada numa cadeira de plástico com apoio lateral colocada sobre tapete antiderrapante, ou em cadeiras próprias para banhos, disponíveis no comércio.

Cuidados Básicos  Verificar indicações e precauções específicas em relação ao movimento e posicionamento;  Verificar entubações e localização dos cateteres e sondas (soros, algálias);  Avaliar a necessidade do banho.  Ter sempre à mão:

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descartável

(se

necessário)  Saco de sujos  Saco para a roupa suja  Tesoura  Avental

de

plástico

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3.2. O CONFORTO E APOIO A comunicação é um dos pilares em cuidados paliativos, funcionando como estratégia terapêutica de intervenção no sofrimento e controlo de sintomas associados á doença avançada e terminal. Os objetivos de uma boa comunicação assentam no reduzir a incerteza, melhorar os relacionamentos e indicar ao doente/família uma direção. De acordo com o autor a mensagem primordial que um doente pretende ouvir num momento de incerteza é: “independentemente do que venha a acontecer, nós nunca o abandonaremos.” Comunicar em cuidados paliativos é pois importante e difícil, implicando a utilização e desenvolvimento de perícias básicas, nomeadamente: ouvir, observar e tomar consciência dos nossos próprios sentimentos. Para uma comunicação eficaz o National Institute for Clinical Excellence (2004) defende a existência de uma relação de proximidade entre uma boa comunicação e a prestação de apoio emocional, a comunicação eficaz permite aos doentes uma tomada de decisão devidamente informada e consciente, permitindo uma melhor qualidade de vida e uma melhor experiência no que diz respeito à perceção dos cuidados recebidos. Deste modo a comunicação eficaz é fundamental para uma melhor prestação de cuidados paliativos. A necessidade de melhorar a comunicação de cuidados paliativos dos doentes/famílias e equipas prestadores de cuidados paliativos de acordo com National Institute for Clinical Excellence (2004) os doentes/famílias valorizam a comunicação face a face com os profissionais de saúde que são capazes de se envolver emocionalmente com os doentes, de ouvir, de perceberem/entenderem o tipo de informação que os doentes querem saber e de fornecer a mesma com clareza e simpatia. No entanto, existem insatisfações por parte de todos os intervenientes que reconhecem as suas dificuldades e limitações de competências, sendo que as principais queixas de insatisfação apresentadas pelos doentes/famílias relativamente aos profissionais de saúde são: desvalorização das opiniões do doente/família, informação

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pobre, insensibilidade na transmissão da mesma e dificuldade do profissional se aperceber da perspetiva do doente/família. Alguns autores referem que a falta de formação pelos profissionais é um dos motivos que levam os profissionais a falharem neste pilar fundamental em cuidados paliativos. 3.3. ATUAÇÃO APÓS A MORTE

 Sinais de que a morte se aproxima  A respiração altera-se (superficial, mais rápida ou mais lenta)  O doente poderá ter momentos em que não respira  O doente pode ter dificuldade em engolir  A pulsação torna-se irregular  O nível de consciência diminui  A urina produzida é muito escura e em pequena quantidade e, por vezes, nenhuma  O corpo vai ficando progressivamente mais frio e arroxeado Como tratar a pessoa nos últimos momentos de vida… - Continuar a tocar-lhe e tranquiliza-lo - Falar calmamente e com tranquilidade - Proporcionar conforto mante-o seco, com os lábios hidratados - Elevar a cabeceira da cama se a respiração for difícil ou levantar o tronco com almofadas

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 O MOMENTO DA MORTE Importante saber: No momento da morte as funções corporais irão cessar, isto é, não haverá respiração nem pulsação; os olhos ficam fixos numa direção (podem estar abertos ou fechados); a boca pode ficar ligeiramente aberta e ainda pode haver controlo da bexiga ou dos intestinos.  CUIDAR DO CORPO POST MORTEM Material necessário - Compressas - Esponja - Bacia - Ligaduras - Água - Sabão - Toalhas - Fralda - 2 Lençóis brancos - Adesivo -Luvas Procedimento 1. Realizar higiene ao corpo 47

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2. Colocar fralda descartável 3. Encerrar boca com ligadura 4. Colocar algodão ou compressas nos ouvidos e nariz 5. Fechar olhos com adesivo 6. Amarrar pés e mãos com ligadura 7. Colocar um lençol como em “envelope” 8. Identificar a pessoa

 As fases do luto e o acompanhamento e apoio à família

Quando morre um ente querido, é natural que o cuidador e as pessoas próximas do doente passem por várias fases de luto, sendo que não é fundamental entender que cada pessoal vivencia o luto de uma maneira diferente, não devendo ser criticada pela forma como reage. A perda de alguém significativo para a pessoa pode levar ao esgotamento, sendo um momento complicado e duro de se viver, por vezes, a pessoa numa fase inicial fica em estado de choque e sentimentos de culpa surgem, a maioria das vezes sem qualquer razão. Para o cuidador, a morte da pessoa cuidada é um momento de grande perda, pois, ao contrário do que muitas vezes pensamos, o principal dependente é o cuidador em relação à pessoa doente. O tempo vivido naquela situação faz com que o cuidador tenha esquecido o que é ser por si só, sem ser como pessoa que cuida de outro. Talvez seja um dos principais fatores que levam a uma saudade tremenda por parte de quem cuidou.

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ASPESTOS AFETADOS PELO PROCESSO DE LUTO - Aperto no peito e palpitações - Perda de energia e fraqueza - Falta de ar - Nervosismo Fisicamente

-Crises de choro - Perda de apetite ou tendência para comer mais - Maior consumo de álcool e drogas

- Falta de concentração - Confusão Mentalmente

- Pensamentos constantes sobre a pessoa falecida - Pesadelos e sonhos de perda - Raiva, frustração e choque

Emocionalmente

- Negação, culpa, solidão e isolamento - Saudade - Culpar a vida e não entender o sentido

Espiritualmente

da vida - Querer morrer - Culpar ou perder a crença espiritual - Perda de interesse pelas atividades das outras pessoas

Socialmente

- Medo de estar só - Precipitar-se em novas relações - Não se sentir à vontade com amizades anteriores 49

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