Gestão financeira e instrumentos

June 11, 2018 | Author: gazoile | Category: Working Capital, Risk, Economics, Balance Sheet, Investing
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Módulo: Gestão financeira e instrumentos – 25h

Ficha Técnica Designação do módulo: Gestão financeira e instrumentos Autoria: Ana Flávia Martins Objetivos gerais Pretende-se com este curso proporcionar aos formandos conhecimentos na área da gestão financeira em geral e dos instrumentos financeiros em particular de forma a: ·

Assegurar uma abordagem integrada dos aspetos fulcrais da gestão financeira;

·

Capacitar na leitura e interpretação dos documentos contabilísticos e financeiros

fundamentais; ·

Capacitar na conceção e utilização de um conjunto de indicadores económicos e

financeiros. Objetivos específicos ·

Identificar a gestão financeira de uma empresa, o seu âmbito de atuação e

reconhecer a importância de cada uma das atividades desenvolvidas por esta área funcional. ·

Reconhecer os mapas financeiros mais relevantes produzidos pela contabilidade e

saber interpretá-los de forma a retirar deles a informação pertinente para o processo de tomada de decisões; ·

Interpretar o diagnóstico financeiro de uma empresa e reconhecer a sua

importância

desde

as

grandes

decisões

estratégicas

até

às

decisões

mais

técnicas/operacionais do dia-a-dia da empresa; ·

Calcular, interpretar e aplicar os rácios/indicadores mais relevantes para a gestão

da empresa e em todas as suas áreas funcionais; Destinatários Colaboradores diretamente envolvidos no projeto formação ação. Vantagens e formas de utilização O Manual encontra-se organizado em capítulos cada um deles correspondendo ao módulo que corporiza o conteúdo programático desta sensibilização. O Manual de Apoio é uma ferramenta ao dispor do formando que visa auxiliar e condensar os conteúdos de forma prática e útil.

Índice A. Introdução 4 1 – Âmbito da Gestão Financeira

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2 – Interpretação de Mapas Financeiros

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3 – Fundamentos do Diagnóstico Financeiro 4 – Sistemas de Controlo de Gestão 5 – Cálculo e Interpretação de Indicadores

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A. Introdução A gestão financeira de uma empresa consiste num determinado conjunto de decisões financeiras que vão desde as grandes decisões estratégicas de política financeira e de escolha de investimentos até às decisões mais técnicas/operacionais como as que estão relacionadas com os prazos de pagamentos ou com a gestão de tesouraria. Mas, qualquer que seja o tipo ou abrangência da decisão a tomar, a abordagem financeira deverá ser sempre a mesma: melhorar a rendibilidade da empresa e simultaneamente controlar o risco financeiro da forma mais rigorosa possível. Para que tal seja possível é necessário que nas empresas exista o know-how adequado, nomeadamente ao nível da conceção, construção e interpretação de instrumentos de análise e controlo financeiro. Contudo, é frequente a existência de carências nas PME’s ao nível de conhecimentos / knowhow ao nível financeiro que permitisse e execução de atividades de planeamento financeiro e de tesouraria, de avaliação de investimentos e de avaliação de rendibilidade e risco através de análises económicas e financeiras às contas das empresas. A consequência mais óbvia desta situação é a insuficiência de fundamentos para o processo de tomada de decisão. É esta a principal razão para a conceção e execução deste curso de que este manual é um dos instrumentos de apoio.

1 – Âmbito da Gestão Financeira “A Gestão Financeira abrange o conjunto de técnicas cujos objetivos principais consistem na obtenção regular e oportuna dos recursos financeiros necessários ao funcionamento e desenvolvimento da empresa, ao menor custo possível e sem alienação da sua independência e, também, no estudo e controlo da rendibilidade de todas as aplicações a que são afetos esses recursos.” (“Princípios de Gestão Financeira”, H.C. Menezes)

À função financeira cabem as análises, decisões e atuações relacionados com os meios financeiros necessários à atividade da empresa. Desta forma, a função financeira integra todas as tarefas ligadas à obtenção, utilização e controlo de recursos financeiros. Por outras palavras, a função financeira integra: - Gestão de Tesouraria: a determinação das necessidades de recursos financeiros (incluindo o planeamento das necessidades de tesouraria, a inventariação dos recursos disponíveis, a previsão dos recursos libertos, o cálculo das necessidades de financiamento externo); - Estudo e escolha das Fontes de Financiamento: a obtenção de financiamento da forma mais vantajosa (tendo em conta os custos do financiamento, os prazos, os períodos de carência, a periodicidade dos pagamentos e outras condições contratuais, as condições fiscais, a estrutura financeira da empresa); - Estudos das Aplicações Financeiras: a aplicação criteriosa dos recursos financeiros, incluindo os excedentes de tesouraria (de forma a obter uma estrutura financeira equilibrada e adequados níveis de eficiência e de rendibilidade); - Análise Financeira: a análise da rendibilidade e do risco financeiro, incluindo a recolha de informações e o seu estudo de forma a obter respostas seguras sobre a situação financeira da empresa; - A análise da viabilidade económica e financeira dos investimentos de forma a avaliar o seu potencial de retorno financeiro.

2 – Interpretação de Mapas Financeiros Independentemente dos objetivos que levam a que se faça a análise financeira de uma empresa, todos os analistas utilizam um conjunto de técnicas que se baseiam em 2 tipos de material:



material de carácter extra contabilístico ou qualitativo (obtido pela consulta e

análise de documentação relacionada com a empresa);



material de natureza contabilística (informação contabilística: obtida pela consulta e

análise dos mapas contabilísticos – são mapas que sintetizam um importante conjunto de informações) – é considerado o núcleo do diagnóstico de uma empresa, assim é fundamental conhecer os principais elementos contabilísticos, de onde se pode extrair a informação: Alguns destes mapas fornecem dados e informação sobre o património da empresa, outros sobre a forma como se formaram os resultados, outros sobre os fluxos financeiros ao longo de um determinado período de tempo. Além da informação retirada diretamente destes mapas, é através dos elementos neles contidos que o analista financeiro calcula os seus indicadores e retira as conclusões necessárias para a tomada de decisões de cariz económico e financeiro. São esses mapas:

 o Balanço  a Demonstração de Resultados  o Anexo ao Balanço e à Demonstração de Resultados  a Demonstração de Fluxos de Caixa  entre outros secundários.

Balanço – é uma demonstração financeira, referida a uma determinada data, dos ativos, passivos e capital próprio da empresa, devidamente valorados.

O Balanço é um dos mais importantes mapas financeiros para qualquer analista financeiro. Este constitui um quadro de representação do património da empresa (ou seja, representa o conjunto de valores utilizados pela empresa ou unidade económica no exercício da sua atividade) num determinado momento (por exemplo, no final de determinado semestre ou de determinado ano). Como o património é um conjunto de valores heterogéneo, existe a necessidade de os agrupar em conjuntos homogéneos (tais como equipamentos, dívidas de terceiros, dívidas a terceiros, disponibilidades em caixa, depósitos bancários, mercadorias,…).

• Evidencia os ativos correntes e os passivos correntes da entidade, bem como a sua variação face ao ano anterior, permitindo uma primeira análise da situação de liquidez da entidade; • Por outro lado evidencia os ativos não correntes, comparativamente ao ano anterior, permitindo a visualização dos investimentos ou desinvestimentos efetuados; • Por fim, apresenta-nos o capital próprio e o passivo não corrente, permitindo a análise da evolução do património dos detentores do capital e das dívidas que excedem um ano. As rubricas do modelo de balanço correspondem ao conteúdo mínimo obrigatório de informação financeira a ser apresentado. Em função da composição dos ativos, passivos e capitais próprios de cada entidade e atendendo aos critérios de materialidade e agregação, uma entidade poderá excecionalmente acrescentar outras rubricas que sejam relevantes. Sempre que, em simultâneo para todas as datas de relato do balanço, não existam quantias a apresentar, as correspondentes linhas deverão ser removidas da demonstração a relatar. O balanço SNC deve apresentar ativos correntes e não correntes e passivos correntes e não correntes como classificações separadas na face do balanço.

A NCFR 1 requer a divulgação das quantias que se espera sejam recuperadas ou liquidadas num prazo superior a 12 meses para cada linha de item de ativo e de passivo que combine quantias que se espera sejam recuperadas ou liquidadas: a) até doze meses após a data do balanço; b) após doze meses contados a partir da data do balanço.

Um ativo é classificado como ativo corrente quando: a)

se espera que seja realizado, ou se pretende que seja vendido ou consumido, no decurso

normal do ciclo operacional da entidade; b)

seja detido principalmente para negociação;

c)

se espera que seja realizado num período até doze meses após a data do balanço; ou

d)

é caixa ou equivalente de caixa, a menos que lhe seja limitada a troca ou uso para liquidar

um passivo durante, pelo menos, doze meses após a data do balanço. Os demais ativos devem ser classificados como ativos não correntes.

Um passivo é classificado como passivo corrente quando: a)

se espera que seja liquidado durante o ciclo operacional normal da entidade;

b)

é detido principalmente para negociação;

c)

deva ser liquidado num período até doze meses após a data de balanço;

d)

a entidade não tenha um direito incondicional de diferir a liquidação do passivo durante,

pelo menos, doze meses após a data do balanço.

Todos os outros passivos devem ser classificados como passivos não correntes.

O Capital Próprio é representativo do património da empresa e podemos dividi-lo em: • Capital Inicial - corresponde ao capital social com que a empresa se constitui, é revelador do conjunto de bens, direitos e obrigações que os sócios colocam inicialmente à disposição da empresa; • Capitais Adquiridos - poderão decorrer de duas naturezas: a)

b)

novas entradas de sócios, entradas de prestações suplementares; resultados retidos, fruto do desenvolvimento da atividade da empresa.

As componentes do Balanço são: 

Ativo: O Ativo diz respeito aos bens e direitos possuídos pela empresa.

- Ativo Corrente: o Ativo Corrente diz respeito a todos os bens e direitos que não têm carácter permanente ou duradouro na empresa e que são utilizados para transformar, para vender ou para utilizar na compra de outros bens, ou seja, que fazem parte do ciclo de exploração. Estão incluídos neste tipo de ativos as disponibilidades (numerário e outras disponibilidade em caixa, depósitos à ordem e a prazo e ainda diversas outras aplicações de tesouraria), os créditos sobre terceiros (nomeadamente dívidas a receber de clientes e de outros devedores), as existências ou inventários (que inclui mercadorias para venda, matérias-primas e produtos acabados).

- Ativo Não Corrente: O Ativo Não Corrente (ou Fixo) corresponde ao conjunto de bens duráveis e de natureza diversa, detidos pela empresa como instrumentos de apoio à sua atividade e nunca para vendidos ou transformados. Este tipo de ativos pode ainda ser dividido em Ativo Fixo Tangível (tais como terrenos, edifícios, material de transporte, máquinas, equipamentos de escritório e mobiliário), Ativo Fixo Intangível (tais como trespasses e outros direitos de utilização, patentes, etc.). - Ativos Financeiros Não Correntes: que integra as participações da empresa no capital de outras empresas com carácter de longa duração.



Passivo: O Passivo diz respeito às dívidas da empresa a terceiros sendo, por isso, também designado por Capital Alheio.

- O Passivo é organizado da seguinte forma: Dívidas de Médio e Longo Prazo: dizem respeito a dívidas contraídas pela empresa e com prazo superior a um ano. Dívidas de Curto Prazo: são dívidas com exigibilidade inferior a um ano e estão geralmente associadas à exploração da empresa. Integra este grupo um conjunto extremamente variado de dívidas como sejam, por exemplo, as dívidas a fornecedores, as dívidas ao Estado, as dívidas bancárias cuja maturidade seja inferior a um ano, as dívidas de curto prazo aos sócios, entre numerosas outras.



Capital Próprio: Como visto antes, os Capital Próprio corresponde à riqueza ou valor

(contabilístico) da empresa e pode ser obtido pela diferença entre o Ativo (aquilo que a empresa tem) e o Passivo (aquilo que a empresa deve). Tal como acontece com o Ativo e com o Passivo, também o Capital Próprio é composto por diversas rubricas, nomeadamente: - Capital Social: diz respeito à entrada inicial dos sócios e eventuais posteriores reforços, quer através de novas entradas efetuadas pelos sócios, quer pela transformação de outras rubricas do capital próprio em capital social. - Prestações Suplementares: em termos financeiros é uma rúbrica muito semelhante ao capital social e corresponde a entradas de capital dos sócios mas que ainda não foram objeto de escrituração notarial. - Resultados de Períodos Anteriores: em termos contabilísticos esta rúbrica corresponde às Reservas e aos Resultados Transitados, as quais representam resultados de períodos anteriores que não foram distribuídos pelos sócios. - Resultados do Ano: tecnicamente designados por Resultados Líquidos, esta rubrica corresponde à variação de riqueza da empresa durante um período determinado (geralmente um ano), a qual é apurada através de um outro mapa financeiro – a Demonstração de Resultados.

A demonstração dos resultados é uma importante demonstração financeira, uma vez que evidencia a performance da entidade no período compreendido nas demonstrações financeiras, normalmente um exercício.

Sempre que tal seja considerado relevante para melhor compreensão do desempenho financeiro da entidade, as NCRF permite ainda a apresentação de itens adicionais, títulos e subtotais. A NCRF requer a apresentação da demonstração dos resultados por naturezas, permitindo a apresentação de uma demonstração dos resultados por funções. Nesta demonstração financeira classificamos os elementos da demonstração dos resultados atendendo à natureza dos Rendimentos e dos Gastos que a compõem. Dispostas de forma vertical, as suas diferentes componentes são: Resultado antes de depreciações, gastos de financiamento e impostos 

Vendas e serviços prestados - são o primeiro elemento deste mapa, sendo

evidenciados de forma agregada entre si. É uma rubrica que apresenta sempre valor positivo. 

Subsídios à exploração - evidencia os subsídios relacionados com a produção na

medida em que estão relacionados com a produção do período de relato. Esta rúbrica, se existir é sempre adicionada à anterior pois apresentará valor positivo. 

Ganhos / perdas imputados de subsidiárias, associadas e empreendimentos conjuntos

– referente apenas a contas não consolidadas. Em presença de um ganho teremos que adicionar o valor, se em presença de uma perda teremos de subtrair o seu valor.



Variação nos inventários da produção – esta rubrica pode apresentar valor positivo ou

negativo em função do incremento ou redução do valor dos inventários relativamente ao ano n1. Se o valor for positivo é adicionado, se for negativo, tem de ser subtraído.



Trabalhos para a própria entidade – apresenta os montantes de gastos que foram

capitalizados em ativos não correntes. É uma rubrica sempre adicionada aos valores anteriores pois, se existir, terá sempre valor positivo.



Custo das mercadorias vendidas e das matérias consumidas – o valor evidenciado

nesta linha é sempre subtraído aos anteriores. Esta rúbrica agrega os gastos que, no decorrer da atividade do período a entidade de relato teve relativamente à: • utilização de matérias primas, subsidiárias e de consumo para a sua vertente produtiva de bens e/ou serviços; • saída de mercadorias vendidas na sua vertente comercial. 

Fornecimentos e serviços externos – evidenciando os gastos incorridos com o

consumo de bens e serviços destinados à atividade operacional não integrantes da rubrica anterior. Esta linha é sempre a subtrair às anteriores. 

Gastos com o pessoal – à semelhança das linhas anteriores, também os valores aqui

evidenciados são sempre a subtrair às linhas anteriores. Estão aqui relatados os valores referentes aos gastos com remunerações e outros encargos incorridos com os recursos humanos da entidade de relato. 

Imparidade de inventários (perdas/reversões) – esta linha evidencia as variações

ocorridas no período de relato relativamente aos ajustamentos a efetuar em inventários. Assim, o valor desta rubrica sempre que evidencie uma necessidade de reforço ou de constituição de um ajustamento será subtraída às anteriores, quando representar a necessidade de redução ou anulação de um ajustamento anteriormente realizado, na medida em que estamos na presença de uma reversão, terá de ser adicionada às anteriores. 

Imparidade de dívidas a receber (perdas/reversões) – esta linha tem idêntico

tratamento relativamente ao anterior, mas no que concerne às dividas a receber. 

Provisões (aumentos/redução) – de idêntico tratamento das duas anteriores mas no

referente às provisões. 

Imparidade de investimentos não depreciáveis / amortizáveis – de idêntico tratamento

das três anteriores. 

Aumentos / reduções de justo valor – esta rubrica recebe os efeitos da aplicação do

Justo Valor na mensuração subsequente das Propriedades de investimento, Ativos Biológicos e Produtos Agrícolas. Se estes ajustamentos forem positivos o valor desta rubrica é adicionado às anteriores rubricas, se pelo contrário for negativo, terá que ser subtraído às anteriores. 

Outros rendimentos e ganhos – todos os rendimentos e ganhos que não sejam juros

ou similares e que não sejam incluídos nas rubricas anteriores deverão integrar esta rúbrica, sendo adicionados às anteriores linhas. De salientar que os valores destes rendimentos e ganhos deverão ser de valor imaterialmente relevante de forma a poderem ser agregados.



Outros custos e perdas – esta linha subtraída às anteriores agrega todos os gastos de

valor imaterialmente relevante que não estejam referenciados nas linhas anteriores e que não sejam: • Gastos/reversões de depreciação e de amortização; • Imparidade de ativos depreciáveis / amortizáveis; • Juros e gastos similares; • Imposto sobre o rendimento do período. As rubricas constantes no mapa não correspondem à designação das contas integrantes do sistema de contas, resultado da agregação de diferentes contas. Tal facto corporiza alteração do relato com base nos registos efetuados para uma divulgação atendendo às necessidades de compreensão do utente da informação financeira.

DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS

GASTOS GASTOS

RENDIMENTOS RENDIMENTOS

RESULTADO RESULTADO LÍQUIDO LÍQUIDO

RESULT. LÍQUIDO = RENDIMENTOS – GASTOS

Representação Esquemática da Demonstração de Resultados

3 – Fundamentos do Diagnóstico Financeiro A análise ou diagnóstico financeiro da empresa (que na verdade contempla uma vertente financeira e uma vertente económica) constitui uma importante função dos departamentos

financeiros e que muitas vezes não é executada ou não o é devidamente, levando a consequências potencialmente muito graves para a empresa.

As duas questões fundamentais a que uma análise financeira de uma organização deve dar resposta podem resumir-se em:

 Até que ponto a empresa dispõe dos meios financeiros adequados às suas necessidades operacionais, ou qual a sua capacidade de os vir a obter por forma a garantir a sua sobrevivência e independência?

 Qual a capacidade da empresa para gerar valor de forma a garantir a sua permanência e crescimento e a remuneração adequada de todos quantos nela participam, sejam eles investidores, trabalhadores ou outros? A primeira questão diz respeito ao estudo do equilíbrio financeiro de longo prazo (estrutura financeira / solvabilidade) e de curto prazo (liquidez). A segunda está relacionada com o grau de eficiência económica da empresa, nomeadamente ao nível da rentabilidade e da produtividade. Para responder às questões identificadas antes, o gestor financeiro dispõe de numerosos instrumentos e metodologias, sendo o estudo e utilização destes instrumentos e metodologias o objetivo central das sessões que se seguem.

4 – Sistemas de Controlo de Gestão

“O controlo de gestão é um conjunto de instrumentos que motivem os responsáveis descentralizados a atingirem os objetivos estratégicos da empresa, privilegiando a ação e a tomada de decisão em tempo útil e favorecendo a delegação de autoridade e responsabilização.” (“O Controlo de Gestão”,Jordan,H.; Neves,J.C.; Rodrigues,J.A.)

Responder às necessidades da empresa em cada momento do seu ciclo de vida constitui o objetivo principal da implementação de um sistema de controlo de gestão. O sistema de controlo ideal pressupõe um diagnóstico das necessidades das empresas e dos instrumentos necessários para dar resposta a essas mesmas necessidades. Num processo de criação de um sistema de controlo de gestão, a primeira ideia a reter é que este terá forçosamente que evoluir em função da situação económica e das modificações da estrutura da organização. No fundo, o desenvolvimento de um sistema destes tem como meta a realização dos objetivos estratégicos da empresa, privilegiando a ação e a tomada de decisão em tempo útil.

Para se revelar eficaz, um sistema de controlo de gestão deve obedecer a oito mandamentos fundamentais:  Como os objetivos da empresa se revestem de diversas naturezas, os instrumentos de

controlo de gestão não se referem apenas à dimensão "rendibilidade".  A descentralização das decisões e a delegação da autoridade constituem condições de

exercício do controlo da gestão.  O controlo de gestão organiza a convergência de interesses entre cada divisão ou sector e a

empresa no seu todo.  Os instrumentos de controlo de gestão são concebidos com vista à ação e não apenas à

documentação ou demais burocracia.  O horizonte do controlo de gestão é sobretudo o futuro e não apenas o passado.  O controlo de gestão atua muito mais sobre os homens do que sobre os números.  O sistema de sanções e recompensas é parte integrante do controlo de gestão.  Os atores de primeira linha no controlo de gestão são muito mais os responsáveis

operacionais do que os controladores de gestão.

O processo de controlo de gestão compreende dois passos iniciais, dois intermédios e um passo final.

Nos passos iniciais, compete aos gestores fixar os objetivos quantificados até ao final do respetivo período. Esses objetivos devem ser fixados mensalmente ou trimestralmente. Os planos de ação constituem os instrumentos dos gestores para atingir os objetivos. Para elaborarem os planos de ação, os gestores têm de escolher os seguintes meios:  materiais  humanos  financeiros  comerciais.

A eficiência do processo de controlo de gestão é diretamente proporcional ao número de passos intermédios. Os passos intermédios - mensais ou trimestrais - preveem o acompanhamento de resultados e a tomada de decisões corretivas. Nesta etapa deve-se analisar os resultados parciais e compará-los com as previsões, de forma a conseguir-se chegar às alterações necessárias dos planos de ação iniciais, tendo como meta atingir os objetivos inicialmente especificados. Finalmente, o último passo consiste em avaliar os desempenhos do período em cada sector.

A fase inicial de desenvolvimento do processo, também conhecida por fase zero, caracteriza-se pela quase total ausência de instrumentos de controlo de gestão. Tendo em conta o atraso que quase sempre se verifica na disponibilidade dos balanços e das demonstrações de resultados anuais, estes documentos não podem constituir uma ferramenta de gestão. Nesta fase são efetuadas, no entanto, análises pontuais do custo ou da margem gerada por um determinado produto ou atividade. Estas análises não são efetuadas ciclicamente e nem sempre incidem sobre todos os produtos ou atividades.

5 – Cálculo e Interpretação de Indicadores Em que consiste a análise da situação económica e financeira de uma empresa?

Como é sabido, a empresa é uma organização que tem em vista determinados objetivos económicos, sociais, políticos, entre outros. De um ponto de vista meramente económico, o objetivo principal de uma empresa é a obtenção da máxima rendibilidade, pelo que tem de se estruturar da forma mais adequada, de modo a conseguir tirar o máximo rendimento dos seus recursos materiais e humanos. Analisar a rendibilidade da empresa e os fatores que a condicionam é fazer aquilo que se chama análise económica. Por outro lado, para a empresa dispor dos necessários recursos materiais e humanos, precisa de meios financeiros (próprios ou alheios, a curto, médio e longo prazos). Quando se examina até que ponto os meios financeiros utilizados pela empresa são adequados para manter o seu desenvolvimento estável e permitir-lhe fazer face aos seus compromissos à medida que se vão vencendo, diz-se que estamos a fazer análise financeira.

Podemos começar por avaliar a capacidade da empresa solver os seus compromissos a médio e longo pra, isto é, a capacidade de pagar as dívidas, através do rácio de SOLVABILIDADE. Solvabilidade é a capacidade que a empresa tem de fazer face aos seus compromissos. Traduz a posição de independência da empresa face aos credores.

Para que uma empresa tenha solvabilidade é preciso que seja capaz de fazer face aos seus compromissos. Em princípio, a empresa será capaz de solver os seus compromissos desde que o seu capital próprio seja igual ou superior ao seu passivo.

Solvabilid ade 

Ativo _ Total _ Líquido Passivo _ Total

Se o valor do rácio for:



Superior a 1: o capital próprio da empresa é superior ao passivo, isto é, o valor do seu património é suficiente para cobrir as suas dívidas.



Inferior a 1: a empresa fica impossibilitada de satisfazer as suas obrigações com os meios próprios de que dispõe (capital próprio).

Análise Financeira (ou de Risco)

A análise de risco é outra das vertentes da análise financeira. Por risco entende-se a capacidade da empresa fazer face aos seus compromissos para com terceiros (é o mesmo que dizer, ter capacidade para pagar atempadamente as suas dívidas). No caso de considerarmos a análise de risco no longo prazo, os indicadores de risco utilizados são a AUTONOMIA FINANCEIRA (AF) (comparativo com o rácio de solvabilidade). O indicador de solidez financeira é calculado comparando o valor dos capitais próprios da empresa (CP) com o valor líquido dos ativos (AL). Quanto maior este indicador, maior é a solidez financeira da empresa e, portanto, maior é a capacidade da empresa em honrar os seus compromissos de longo prazo. Algebricamente: AF 

CP AL

Se estivermos a considerar a análise do risco no curto prazo, ou seja, a analisar a capacidade da empresa em assegurar os pagamentos a terceiros no curto prazo, os indicadores utilizados são os indicadores de liquidez.

Os indicadores de LIQUIDEZ são calculados comparando os ativos passíveis de serem transformados em meios de pagamento no curto prazo (p.e. os depósitos e as mercadorias, ou seja, os Ativos Circulantes (AC)) com os passivos com prazo de exigibilidade semelhante (Pcp). Quanto maior este indicador, maior a capacidade da empresa em honrar os seus compromissos de curto prazo. Algebricamente: Líq 

Ac Pcp

Listagem de indicadores úteis Apresenta-se abaixo uma listagem de indicadores úteis, os quais poderão fazer parte de um eventual sistema de controlo de gestão que venha a ser construído e implementado na empresa.

IndicadoresFinanceiros Financeiros Indicadores Indicadores Financeiros

Liquidez Geral

Grau de Autonomia Financeira

Grau de Auton. Financ. Ajust.

Grau de cobertura Imobilizados

Fundo de Maneio

Fórm. Cálculo

Líq 

AF 

AF 

Interpretação

Ac Pcp

Mede a capacidade da empresa em fazer face aos seus compromissos de curto prazo. Se este indicador for superior a 1, tal significa que a empresa dispõe de activos com liquidez de curto prazo suficientes para pagar todas as dívidas exigíveis no curto prazo.

CP AL

Mede a capacidade da empresa em fazer face aos seus compromissos de longo prazo. Um valor muito baixo deste indicador, significa que a empresa está muito endividada, correndo riscos de insolvabilidade.

CP  Supr AL

CP GC  IL

FM = Ac - Pcp

Indicador muito semelhante ao grau de autonomia financeira mas que agora considera como capitais estáveis equiparáveis a capitais próprios os suprimentos de sócios. Apenas deverá ser utilizado no caso dos suprimentos terem características de estabilidade. Indicador que mede a parte dos investimentos em capital fixo financiados com capitais próprios. Um indicador inferior a 1 significa que a empresa teve necessidade de recorrer ao exterior para financiar investimentos.

Indicador semelhante ao de liquidez mas que em lugar de medir a capacidade da empresa em honrar os seus compromissos de curto prazo em termos relativos, o faz em termos absolutos.

Liq = liquidez; Ac = Activo Corrente; Pcp = Passivo de curto prazo; AF = Autonomia Financeira; CP = Capital Próprio; Al = Activo Líquido; Supr = Suprimentos; GC = Grau de Cobertura; IL = Imobilizado Líquido; FM = Fundo de Maneio.

Indicadores de Análise Económica (ou de Rendibilidade)

Uma das variáveis analisadas na Análise Económica é a rendibilidade. A rendibilidade representa a taxa de retorno de determinada grandeza: por exemplo, a rendibilidade de uma máquina pode ser entendida como a comparação entre o ganho líquido proporcionado pela máquina comparado com o valor dessa mesma máquina. No caso de uma empresa, a sua rendibilidade pode ser entendida como os ganhos proporcionados por essa mesma empresa comparados com o seu próprio valor. Tendo em conta que os ganhos proporcionados pela empresa são os seus resultados líquidos (RL) e que o seu valor corresponde ao valor dos seus capitais próprios (CP), temos que a rendibilidade da empresa (comummente designada por rendibilidade dos capitais próprios ou RCP), temos que:

RCP 

RL CP

Além da rendibilidade dos capitais próprios são ainda utilizados outros indicadores de rendibilidade como sejam a rendibilidade das vendas e a rendibilidade do ativo. No caso da rendibilidade das vendas, esta é calculada através da divisão dos resultados líquidos pelo valor das vendas; quanto à rendibilidade do ativo, esta é calculada através da divisão dos resultados líquidos pelo valor líquido dos ativos (por vezes, para efeitos de tomada de decisões quanto a financiamentos, a rendibilidade do ativo é calculada considerando não os resultados líquidos mas antes os resultados líquidos acrescidos dos custos financeiros de financiamento).

IndicadoresEconómicos Económicos Indicadores

Indicadores Económicos Rentab. Capitais Próprios

Rentabilidade do Ativo Total Grau de Endividadmento

Produtiv. trabalhadores

Margem Bruta de Vendas

Rendibilidade das Vendas

Fórm. Cálculo

Interpretação

RLE RCP  CP

Mede a taxa de retorno dos capitais investidos, considerando como capitais investidos o valor contabilístico da empresa.

RAT 

RLE x100 AL

AT GE  CP Pt 

VAB N .Trab

VN  CVMMC MB  CMVMC

RV 

RLE x100 Vendas

Mede a capacidade da empresa remunerar o investimento em ativos. Mede a dependência da empresa em relação a terceiros. Representa o inverso do Grau de Autonomia Financeira. Mede o montante de riqueza criado anualmente por cada trabalhador da empresa. Mede o acréscimo de valor proporcionado pela empresa sobre o custos das matérias e mercadorias adquiridas. Mede o acréscimo de valor proporcionado pela empresa sobre as vendas efetuadas.

RL = Resultados Líquidos; CP = Capital Próprio; Supr = Suprimentos; CFin = Custos Financeiros; AL = Ativo Líquido; VAB = Valor Acrescentado Líquido; VN = Volume de Negócios; CMVMC = Custo das Mercadorias Vendidas e das Matérias Consumidas;

Indicadoresde deFuncionamento Funcionamento Indicadores Indicadores Financeiros

Fórm. Cálculo

Interpretação

Rotação dos Ativos

VolNeg Ra  AL

Indicador de eficiência na utilização dos ativos utilizados pela empresa na sua atividade. Quanto maior o valor deste indicador maior a eficiência da gestão da empresa.

Rotação dos Stocks

CMV Rs  Stocks

Indicador de eficiência na gestão de stocks. Um valor elevado deste indicador significa que a empresa é eficiente em termos de gestão de stocks/existências.

Tempo Médio de Inventários

Stocks TMI  t CMV

Indicador semelhante ao anterior mas que transforma uma rotação em tempo de permanência dos stocks em armazém.

Prazos médios de pagamentos

Fornec PMP  t Compras

Indicador que mede o tempo médio que a empresa demora a efetuar os pagamentos a fornecedores. As compras incluem compras de matérias e mercadorias e FSE e o respetivo IVA.

Prazos médios de recebimentos

Clientes PMR  t VolNeg

Indicador que mede o tempo médio que a empresa demora a receber dos seus clientes. O Volume de Negócios deve incluir o respetivo IVA.

O t indica a unidade de tempo: se t=52, dará o tempo em semanas; se t=365, dará o tempo em dias. VolNeg = Volume de Negócios; AL = Ativo Líquido; CMV = Custo das Mercadorias Vendidas e das Matérias Consumidas;

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