Fichamento comentado - História in A ideologia Alemã

March 19, 2019 | Author: Everton Conceição Santos | Category: Communism, Karl Marx, State (Polity), Sociology, Family
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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECÔNCAVO DA BAHIA Colegiado de Ciências Sociais Disciplina: Sociologia III Docente: Gabriele Grossi Discente: Everton Conceição Santos MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. A. A Ideologia em geral e em particular a ideologia alemã: 1. história. In: MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. A ideologia alemã. São Paulo: Martins Fontes, 2007. p. 7-34. Fichamento comentado  Nessa parte Marx fala do desenvolvimento desenvolvimento das condições históricas que aqui nada mais consiste do que a produção dos meios de subsistência, ou seja, tudo que é produzido na vida material, assim ele começa a citar os fatos históricos: “O primeiro fato histórico é, portanto, a produção dos meios que permitem satisfazer essas necessidades, a produção da própria vida material; e isso mesmo constitui um fato histórico, uma condição fundamental de toda a história que se deve, ainda hoje como há milhares de anos, preencher dia a dia, hora a hora, simplesmente para manter os homens com vida. (...) A primeira coisa a fazer, em qualquer concepção histórica, é portanto observar esse fato fundamental com todo o seu significado e em toda a sua extenção, e dar-lhe o lugar a que tem direito.(...) dar a história uma base materialista,(...)primeiramente histórias da sociedade burguesa, do comércio e da indústria.” (P. 21-22.) 21-22.)

Vale aqui ressaltar que a Alemanha não possuía historiadores portanto a base dos seus registros eram feitos com base na matéria, uma vez que as necessidades primarias geradas a  partir do primeiro fato estivessem satisfeitas entraria em cena o segundo fato histórico, que é explicito no seguinte trecho: “O segundo ponto a examinar é que uma vez satisfeita a  primeira necessidade, a ação de satisfazê-la e o instrumento já adquirido com essa satisfação levam a novas necessidades  –  e essa  produção de novas necessidades é o primeiro ato histórico.” (P. 22.)

Mais a diante é exposto um trecho que remete a Engels sobre sua obra A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado, fala sobre essa instituição que é também o  primeiro mecanismo de controle imposto ao ser humano em determinados contextos,  principalmente o capitalista, ou seja, o terceiro ponto o fato histórico que consiste na

reprodução humana, consequência da renovação diária de sua própria vida, instituição família, casal, filhos. “A terceira relação, que intervém no desenvolvimento histórico, é que os homens, que renovam a cada dia sua própria vida,  passam a criar outros homens, a se reproduzir. É a relação entre homem e mulher, pais e filhos, é a família.”(...) o “conceito de família” (...)Produz a vida, tanto a sua própria vida pelo trabalho, quanto a dos outros pela procriação, nos aparece portanto, a partir de agora, como uma dupla relação: por um lado coo uma relação natural,  por outro como relação social (P. 23.)

Mais adiante há uma conclusão desse argumento contido no texto, que consiste no fato de que existe uma dependência material condicionada pelas necessidades e pelos meios de reprodução, ou seja, a história depende da condição material. “(...) um modo de produção ou um estágio industrial determinados estão constantemente ligados a um modo de cooperação ou a um estádio social determinados, e que esse modo de cooperação é, ele próprio, uma “força produtiva”; de cooperação ou a um estádio; (...). Manifesta-se portando, de inicio uma dependência material dos homens entre si, condicionada pelas necessidades e pelo modo de  produção. (P. 23-24)

A partir disso temos uma dependência que se apresenta uma determinada história, ou seja, desatrela a construção histórica da religião e da política, onde a consciência é norteada  pela natureza, assim temos a consciência da natureza, força fundamental e estranha, essencialmente animal que condiciona as relações, uma espécie de religião da natureza. “(...). A consciência é, portanto, de inicio, um produto social e o será enquanto existirem homens. Assim, a consciência é, antes de mais nada, apenas a consciência do meio sensível mais próximo e de uma interdependência limitada com outras pessoas e outras coisas situadas fora do indivíduo que toma consciência;(...) (P. 25)

Surge então a consciência da necessidade, o começo da consciência de fato, a sociedade, ligada pela língua que já é a própria consequência que agrega os seres dessa espécie. “(...) porque a natureza ainda quase não foi modificada pela história. Por outro lado a consciência da necessidade de entrar em relação com os indivíduos que o cercam marca, para o homem, o começo da consciência do fato de que, afinal, ele vive em sociedade. Este começo é tão animal quanto a própria vida social nesta fase; é uma simples consciência gregária “(P. 25)

Mais uma vez ressaltando sobre a divisão social do trabalho expondo que a primeira delas, se não ela da sua forma mais primitiva, é a divisão do trabalho no ato sexual,

ressaltando agora a divisão do trabalho de forma mais evidente onde a principal delas consiste entre o trabalho intelectual e o material. “(...). A divisão do trabalho só se torna efetivamente divisão do trabalho a partir do momento em que se opera uma divisão entre o trabalho material e o trabalho intelectual (...). A partir desse momento, a consciência está em condições de se emancipar do mundo e de  passar à formação da teoria “pura”, teologia, filosofia, moral etc.” (P. 26)

A partir desse ponto o texto começa a expor os argumentos críticos com relação a divisão do trabalho, que a partir desse várias citações no texto ficam bastante explicitas. “(...) a força produtiva, o estado social e a consciência –   podem e devem entrar em conflito entre si, pois, pela divisão do trabalho, torna-se possível, ou melhor, acontece efetivamente que a atividade intelectual e a atividade material –  o gozo e o trabalho, a  produção e o consumo  –  acabam sendo destinados a indivíduos diferentes; então, a possibilidade de esses elementos não entrarem em conflito reside unicamente no fato de se abolir novamente a divisão do trabalho.(...) (P. 27)

Aqui temos a propriedade privada e a divisão do trabalho enquanto pontos conflitantes expostos no textos, assumindo a preposição que esse conflito é de fato o propulsor dos acontecimentos, ou seja o motor da história, e a divisão do trabalho que já tem todas essas contribuições, o que desagua exatamente na divisão natural do trabalho, na família e na desagregação da sociedade em grupos de famílias isolados e divergentes com relação aos outros, que por consequência divide desigualmente também, na distribuição repartida e desigual dos produtos bem como de sua qualidade e quantidade. “Encerra portanto a propriedade, cuja primeira forma, o seu germe, reside na família onde a mulher e os filhos são escravos do homem. A escravidão, certamente ainda muito rudimentar e latente na família, é a primeira propriedade, que aliás já corresponde  perfeitamente aqui à definição dos economistas modernos segundo a qual ela é a livre disposição da força de trabalho de outem. Assim a divisão do trabalho e propriedade privada são expressões idênticas  –  na primeira se enuncia, em relação à atividade, aquilo que na segunda é enunciado em relação ao produto dessa atividade.” (P.27-28)

Como um conseguinte desta reflexão Marx começa a sugerir de forma crítica o que ele observa como sendo o conseguinte histórico da humanidade: “Enfim, a divisão do trabalho nos oferece imediatamente o  primeiro exemplo do seguinte fato: enquanto os homens  permanecerem na sociedade natural, portanto, enquanto há cisão entre o interesse particular e o interesse comum, enquanto portanto também a atividade não é dividida voluntariamente , mas sim naturalmente, a  própria ação do homem se transforma para ele em força estranha que a ele opõe e o subjuga, em vez de ser por ele dominada.”(P. 28)

É a partir desta reflexão que começa a sugestão de sociedade comunista, na qual segundo ele o homem tem uma esfera de atividade exclusiva, com a opção de poder se aperfeiçoar no ramo que quiser e achar mais agradável. Mais adiante vem a “fixação da atividade social” que consiste em, através do apego ao material, uma alienação que temos de forma irresistível e que deve ser de alguma maneira modificada, por se tratar de um dos momentos capitais do desenvolvimento histórico. Surge então o estado como um conseguinte de agrupamento humano em torno de um ideal. “É justamente essa contradição entre o interesse particular e o interesse do coletivo que leva o interesse coletivo a tomar a qualidade de  Estado, uma forma independente, separada dos interesses reais do individuo e do conjunto e a fazer ao mesmo tempo as vezes de comunidade ilusória, mas sempre tendo por base concreta os laços existentes em cada agrupamento familiar e tribal, tais como laços de sangue, língua, divisão do trabalho em uma larga escala, e outros interesses; e entre esses interesses encontramos particularmente, como trataremos adiante os interesses de classes já condicionadas pela divisão do trabalho que se diferenciam em todo” (P. 29)

 Nesse sentido é colocado enquanto consequência desses esquemas ou formas ilusórias como diz Marx, que desagua na luta das classes geradas por essa lógica, assim ele já sugere qual deve ser o papel do proletariado, que é a maioria, e deve exercer politicamente um papel em busca da atenção à seus interesses. “(...) o proletariado, segue-se portanto que essa classe deve conquistar primeiro o poder político para apresentar por sua vez seu interesse próprio como sendo o interesse geral (...). Por outro lado, o combate  prático desses interesses particulares, que constantemente se chocam realmente com os interesses coletivos e ilusoriamente coletivos torna necessária a intervenção  prática e o refreamento por  meio do interesses “universal” ilusório por forma do Estado.

Logo para que se elimine esta “alienação” enquanto uma condição histórica Marx sugere que se faz necessária uma revolução de forma prática sob duas condições, é necessário que se faça da humanidade uma verdadeira privação da propriedade, que esta passe a sentir a contradição com o mundo de riqueza e de cultura que já existe, provocando um grande desenvolvimento da força produtiva, que por outro lado deve ser uma condição  sine qua non  para modificar a ordem, em que exista uma espécie de concorrência universal com o desenvolvimento faz forças produtivas a fim da emancipação do individuo da propriedade  privada em detrimento do bem comum, de uma igualdade de condições para todos.

“(...). O comunismo só é empiricamente possível como o ato “subido” e simultâneo dos povos dominantes, o que supõe, por sua vez, o desenvolvimento universal da força produtiva e os intercâmbios mundiais estreitamente ligados a este desenvolvimento. (...) o comercio que nada mais representa a não ser a troca dos produtos de indivíduos e de nações diferentes, domine o mundo inteiro pela relação de oferta e da procura (...) (P. 32)

Mais a diante Marx começa a concluir com o que para ele seria o comunismo. “Para nós o comunismo não é nem um estado a ser criado, nem um ideal pelo qual a realidade deverá ser guiar. Chamamos de comunismo o movimento real que supera o estado atual de coisas. As condições desse movimento resultam das premissas atualmente existentes.” (P. 32)

Aqui a exposição das condição para existência do proletariado com relação a seu curso na história. “O proletariado só pode existir, portanto, em termos de história universal, assim como o comunismo, que é a sua consequência, só pode se apresentar enquanto existência “histórica univer sal”, existência histórica universal dos indivíduos, em outras  palavras, existencia dos indivíduos diretamente ligada a história universal” (P. 33)

Mais a diante ele conceitua o que vem a ser sociedade civil: “(...). A sociedade civil compreende o conjunto das relações materiais dos indivíduos dentro de um estágio determinado de desenvolvimento das forças produtivas. Compreende o conjunto da vida comercial e industrial de um estágio e ultrapassa, por isso mesmo, o Estado e a nação, embora deva, por outro lado, afirmar-se no exterior como nacionalidade e organizar-se no interior domo o Estado”(P. 33)

 No final Marx conclui dizendo que a sociedade civil é uma organização social que se constitui enquanto o resultado da ordem burguesa, porém também é resultante intrínseco da  produção e do comercio, que em qualquer época é base para o estado e também do restante da superestrutura idealista, que nada mais é que a mesma organização só que em outros termos.

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