Farmacoepidemiologia

July 27, 2018 | Author: rozateodosio_1798291 | Category: Epidemiology, Pharmacist, Pharmaceutical Drug, Wellness, Health Sciences
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Farmacoepidemiologia Celia Corrêa – FES









Unidade V - EPIDEMIOLOGIA E FARMÁCIA. FARMÁCIA. 5.1 - Introdução à farmacoepidemiologia: conceitos e aplicações 5.2 Os Estudos de Utilização de Medicamentos: objetivos, métodos, classificação e aplicações 5.3 Farmacovigilância: objetivos, objetivos, métodos e aplicações









Unidade V - EPIDEMIOLOGIA E FARMÁCIA. FARMÁCIA. 5.1 - Introdução à farmacoepidemiologia: conceitos e aplicações 5.2 Os Estudos de Utilização de Medicamentos: objetivos, métodos, classificação e aplicações 5.3 Farmacovigilância: objetivos, objetivos, métodos e aplicações

Farmacoepidemiologia Estudo do uso e do efeito dos medicamentos em grande número de pessoas. Strom BL, 1994







Ciência voltada para o benefício e o risco das drogas usadas em populações e para a análise dos resultados das terapias com essas drogas. Campo de estudo que constitui uma ponte entre a farmacologia, farmacolog ia, a terapêutica, a epidemiologia e a estatística. Aplicação de raciocínio e métodos epidemiológicos ao estudo dos efeitos, efeitos, tanto benéficos quando adversos, e do uso dos medicamentos na população Hartzema

Ciência que estuda o uso e os efeitos benéficos e adversos dos medicamentos em grandes populações a partir do método epidemiológico.

Detecta riscos associados ao uso generalizado de medicamentos e sua efetividade.

Emprega conceitos da farmacologia clínica e da epidemiologia e seu desenvolvimento está centrado no estudo da segurança dos fármacos na etapa de pós-comercialização e no âmbito dos estudos de utilização de medicamentos

...farmacologia clínica: estuda os efeitos dos medicamentos no organismo humano

Fontes de dados: Ensaios clínicos - estudos epidemiológicos

a) métodos para descoberta e avaliação dos efeitos adversos relacionados com as drogas, b) avaliação da razão risco/benefício da terapia com a droga, padrões de utilização da droga, custo e eficiência das drogas específicas, c) metodologia de vigilância “pós- marketing", e a relação entre farmacoepidemiologia e a formulação e interpretação das diretrizes reguladoras

Objetivos: •





Avaliar os riscos associados ao emprego generalizado de medicamentos e a vigilância de sua eficácia em condições normais de uso efetividade e uma junção de farmacologia clínica e da epidemiologia Estudar a segurança dos fármacos (reações adversas), sobretudo durante a etapa pós-comercialização (farmacovigilância) Estudo de utilização de medicamentos (EUM)

EUM – Estudos de utilização de medicamentos Estudos que se ocupam da comercialização, distribuição, prescrição e uso dos medicamentos em uma sociedade, consequências médicas, sociais e econômicas resultantes (OMS)

Trabalhos de investigação sobre os aspectos quantitativos e qualitativos dos determinantes do uso de medicamentos e de seus efeitos em pacientes específicos ou em uma população geral (DURG*)

EUM permitem a avaliação e posterior planejamento de estratégias de intervenção.

(*) Drug Utilization Research Group

Domínio da farmacoepidemiologia •

Aquisição de conhecimentos sobre a metodologia epidemiológica aplicada ao estudo do risco e do benefício associado ao uso do medicamento;





Entendimento de metodologias de planejamento, execução e avaliação de estudos de consumo de medicamentos, para caracterizar o padrão de consumo de medicamentos e consequentemente a promoção do uso racional do medicamento; Participação adequada no rastreio de efeitos adversos associados ao uso de medicamentos e a sua notificação ao Sistema Nacional de Farmacovigilância.



A avaliação de eficácia e segurança de outros medicamentos, como biológicos e fitoterápicos, quando feita por consultores ad hoc*, também tem sido encaminhada pela GEPEC, a pedido das áreas responsáveis pelo seu registro e segue critérios análogos aos adotados para os medicamentos novos sintéticos e semi-sintéticos.

GEPEC: Gerência de Medicamentos Novos, Pesquisa e Ensaios Clínicos

* Consultores escolhidos diretamente pela Anvisa ou indicados por sociedades médicas consultadas pela Agência com essa finalidade, são, em geral, especialistas, pesquisadores e/ou professores universitários de reconhecida competência, que não devem ter conflitos de interesse que potencialmente interfiram com sua avaliação do medicamento

Processo de avaliação do medicamento: •



1) Avaliação dos benefícios dos medicamentos, por exemplo, a avaliação quantitativa e qualitativa de sua eficácia. 2) Estudo do risco dos medicamentos, tanto em estudos controlados como em condições normais de cuidado.

3) Avaliação do impacto dos tratamentos na história natural das doenças na sociedade. •

Eficácia •





Eficácia ou atividade intrínseca é a capacidade do fármaco fazer seu efeito. Está relacionada ao efeito esperado do fármaco na terapêutica. É estudada através dos ensaios clínicos, onde são observados resultados do tratamento medicamentoso em condições controladas (circunstâncias ideais).

Eficácia X efetividade •



A eficácia representa a resposta a um tratamento obtida em condições ideais, geralmente vistas em ensaios clínicos, onde as variáveis são controladas para que os resultados sejam fidedignos.

A efetividade compreende a obtenção de resultados em condições de rotina, onde múltiplas interferências podem modificar a resposta esperada de um tratamento.

Exemplos de interferências: adesão ao tratamento, interações medicamentosas, doenças concomitantes, etc

Avaliação de um dossiê de registro A) análise farmacotécnica, B) análise de eficácia, C) análise de segurança.

Estudos controlados •



Ensaios clínicos que apresentam a seguinte estrutura: um grupo de pacientes apresenta as características (ou desfechos) de interesse e um outro grupo de pacientes não apresenta as características de interesse, sendo então pareado em geral pela idade, gênero, outros. Os dois grupos são questionados ou examinados para avaliar a possível exposição.

FARMACOEPIDEMIOLOGIA  x FARMACOLOGIA FARMACOLOGIA Estudo do uso e efeito dos fármacos.

FARMACOLOGIA CLINICA: Estudo do efeito dos medicamentos no indivíduo

FARMACOCINÉTICA: relação entre a dose do medicamento administrado e o nível sanguíneo obtido. FARMACODINÂMICA: relação entre o nível sanguíneo obtido e o efeito produzido pelo medicamento

FARMACOEPIDEMIOLOGIA: Engloba conhecimentos destes dois campos, estudando os efeitos gerados pela administração de um medicamento ou esquema terapêutico.

FARMACOEPIDEMIOLOGIA  X EPIDEMIOLOGIA EPIDEMIOLOGIA: Estudo da distribuição dos determinantes das doenças nas populações, analisando principalmente as variáveis ligadas à pessoa, lugar e tempo. EPIDEMIOLOGIA DESCRITIVA: ocorrência das doenças ou outros eventos relacionados a saúde da população. EPIDEMIOLOGIA ANALÍTICA: Estudo da associação entre as doenças e agravos a saúde e os hipotéticos fatores geradores destes, visando estabelecer uma relação causal através de estudos observacionais. EPIDEMIOLOGIA EXPERIMENTAL: Estudos nos quais a população é selecionada aleatoriamente e dividida em dois grupos, sendo um submetido ao fator em estudo e outro reservado para controle.  A FARMACOEPIDEMIOLOGIA utiliza-se dos três métodos conforme o objetivo da pesquisa.

Medicamento no Brasil •

















Registros pela ANVISA Gerência-Geral de Medicamentos (GGMED). Gerênciade Medicamentos Novos, Pesquisa e Ensaios Clínicos (GEPEC), Gerência de Medicamentos Similares (GEMES) Gerência de Medicamentos Genéricos (GEMEG) Gerência de Medicamentos Isentos, Fitoterápicos e Homeopáticos (GMEFH) Unidade de Produtos Biológicos e Hemoderivados (UPBIH) Unidade de Produtos Controlados (UPROC) Unidade de Farmacovigilância (UFARM).

ANVISA A Anvisa é responsável pelo registro de medicamentos, pela autorização de funcionamento dos laboratórios farmacêuticos e demais empresas da cadeia farmacêutica, e pela regulação de ensaios clínicos e de preços, por meio da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).

Divide com os estados e municípios a responsabilidade pela inspeção de fabricantes e pelo controle de qualidade dos medicamentos, realizando a vigilância pós-comercialização, as ações de farmacovigilância e a regulação da promoção de medicamentos.

ANVISA, 2012

EPIDEMIAS DE RAM COM GRAVES CONSEQÜÊNCIAS PARA  AS POPULAÇÕES EXPOSTAS  ANO 1880 1922 1923 1933 1938 1953

FÁRMACO Clorofórmio Arsenicais Cincofeno Amidopirina Elixir de Sulfanilamida Fenacetina

1954

Stalinon

1961 1970

Talidomida Isoproterenol aerosol em dose alta Clioquinol

1972

Dietilestilbestrol

1974 1982 1983

Practolol Benoxaprofeno Zomepirac Indometacina (liberação lenta)

1967

1983

REAÇÕES depressão cardíaca necrose hepática icterícia e toxicidade hepática agranulacitose morte dano renal e uremia elevação da pressão intracraniana sequelas neurológicas malformações congênitas, focomelia morte em asmáticos jovens neuropatia mielo-óptica sub-aguda adenocarcinoma de vagina em mulheres  jovens síndrome óculo-mucocutâneo reações hepáticas mortais reações anafilactóides mortais perfuração intestinal

Iatrogenia •

Doenças ou alterações patológicas causadas por efeitos adversos dos medicamentos (farmacologia)

Causas: - erro médico; - negligência, imprudência e imperícia dos profissionais de •

saúde em geral;

- uso inadequado de antibióticos e demais medicamentos por diagnóstico errado, por automedicação, por desinformação de como administrar a medicação, entre outros.

História •









No Brasil, a Farmacoepidemiologia começa a ser discutida nas décadas de 1970 e 1980. Torna-se conhecida nacionalmente a partir da década 90: Sociedade Brasileira de Vigilância de Medicamentos (SOBRAVIME) e dos Centros de Informação de Medicamentos 1998 Promulgação da Política Nacional de Medicamentos (PNM) 1999: criação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA)

2004 da Política Nacional de Assistência Farmacêutica (PNAF)

Brasil - história •





1970 e 1980: trabalhos relacionados -São Paulo 1985 e 1987: Divisão de Medicamentos da Saúde (DIMED) tentou implementar uma nova política sanitária para os medicamentos com prof. Laporte e prof. Tognoni Laporte e Tognoni : Escola de Saúde Pública (RJ)  – livro "Epidemiologia do medicamento", - tomada de consciência p/ uso inadequado de medicamentos e a necessidade de fiscalização, iniciando o direcionamento da farmacoepidemiologia.

1990 - Sociedade Brasileira de Vigilância de Medicamentos (SOBRAVIME) SP: congressos e publicações •



1990 Grupo de Prevenção ao Uso Indevido de Medicamentos (GPUIM): pesquisa e atividades de extensão voltadas para o uso racional de medicamentos



1990 - Centros de Informação de Medicamentos (CIMs): documentam o uso dos medicamentos por parte de profissionais da saúde e da população em geral, bem como as possíveis reações adversas.

Importantes para o desenvolvimento da farmacovigilância e para os estudos de utilização de medicamentos. A interação entre CIMs e centros de farmacovigilância foi discutida no IV Congresso da SOBRAVIME, em 1997, com a apresentação da experiência do CIM da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (CIMUFMS) que iniciou um Programa de Monitorização de Reações adversas em Menores de 12 anos.

Farmacovigilância •

“ avaliação dos efeitos de uso, agudo e crônico, dos

tratamentos farmacológicos no conjunto da população ou em subgrupos de pacientes expostos a tratamentos específicos” Tognoni, Laporte; 1989



Ciência e atividades relativas a identificação, avaliação, compreensão e prevenção de efeitos adversos ou qualquer problema possível relacionado com fármacos (OMS)

...farmacovigilância Elementos de observação: •plantas medicinais; •medicina tradicional e complementar; •produtos derivados de sangue; •produtos biológicos ; •produtos médico-farmacêuticos; •vacinas.

...farmacovigilância Dados relevantes: •desvios da qualidade de produtos farmacêuticos; •erros de administração de medicamento; •notificações de perda da eficácia; •uso de fármacos para indicações não aprovadas, que não possuem

base científica adequada; •notificação de casos de intoxicação aguda ou crônica por produtos

farmacêuticos; •avaliação de mortalidade; •abuso e uso errôneo de produtos; •interações, com efeitos adversos, de fármacos com substâncias

químicas, outros fármacos e alimentos.

...farmacovigilância Objetivos:

















a) identificar os efeitos indesejáveis desconhecidos; b) quantificar o risco destes efeitos associados ao uso de determinados fármacos; c) identificar fatores de risco e mecanismos subjacentes aos efeitos indesejáveis; d) informar e educar os profissionais sanitários, e) informar e subsidiar as autoridades sanitárias na regulamentação dos medicamentos.

Farmacovigilância •





Cogitada desde 1988 na Lei Orgânica de Saúde I Reunião para Elaboração de Estratégias para Implementação de Sistemas de Farmacovigilância na America Latina realizada em Buenos Aires - apoio da OPAS/OMS Em 14 de outubro de 1999, a Unidade de Farmacovigilância (Ufarm), da Gerência Geral de Medicamentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), autarquia vinculada ao Ministério da Saúde, iniciou as discussões para a instalação do Sistema Nacional de Farmacovigilância.

...farmacovigilância •

2000 - iniciou-se a notificação voluntária, disponibilizando-se,

na página eletrônica da Anvisa, formulários de notificação, que muito impulsionou o processo de captação de notificações pelo órgão. •

2001: criou-se o Centro Nacional de Monitorização de Medicamentos (CNMM), sediado na Unidade de

Farmacovigilância (Ufarm) da Anvisa Portaria MS/GM nº 696, de 7 de maio de 2001, publicado na Seção 1 no D.O.U nº 88-E, de 8 de maio de 2001.

Centro Nacional de Monitorização de Medicamentos

Encarregado de montar o fluxo nacional de notificações de suspeitas de reações adversas a medicamentos (RAM)

Capaz de identificar precocemente, uma nova reação adversa ou aumenta o conhecimento de uma reação adversa pouco descrita que tenha uma possível relação de causalidade com os medicamentos comercializados.

RAM:

"Qualquer efeito prejudicial ou indesejável que se apresente após a administração das doses normalmente empregadas no homem para a profilaxia, o diagnóstico e o tratamento de uma enfermidade." OMS •







Leve: não foi necessário nenhum antídoto, prolongação da terapia ou da internação Moderada: necessitou mudança na terapia ainda que não necessariamente a descontinuação da droga causal. Pode ter prolongado a internação ou ter necessitado tratamento Severa: risco potencial à vida, necessitou descontinuação da droga e tratamento específico da reação Letal: Contribuiu direta ou indiretamente para a morte do paciente

...farmacovigilância 2002 e 2003: •







implementação do modelo de farmacovigilância, formação de profissionais no trabalho e em cursos acadêmicos, construção de linguagem que propiciasse a troca de informações com as Vigilâncias Sanitárias - (VISAs) estaduais e municipais, acompanhamento avaliação das ações e atividades efetuadas.

Métodos de investigação em Farmacovigilância •

Comunicação em revista (relato de casos ou de série de casos)



Estatísticas vitais



Monitorização de acontecimentos ligados a prescrição



Vigilância intensiva intrahospitalar



Estudos caso controle



Estudos coorte



Ensaios clínicos



Conexão eletrônica de registros médicos

Programa Internacional de Monitoramento de Medicamentos Brasil : 62º país a fazer parte do PIMM - coordenado pelo Centro Colaborador Internacional para Monitorização de Medicamentos da OMS (Uppsalla, Suécia -The Uppsala Monitoring Centre - WHO).

Membro oficial do programa, sediado na Unidade de Farmacovigilância da Anvisa.

Notificação •

O processo de notificação voluntária, iniciado em 2000, conta hoje com quatro formas de captação de notificação por meio de formulários:

a) Formulário de notificação de suspeita de reação adversa a medicamentos, próprio para profissionais de saúde; b) Formulário de notificação de desvio da qualidade, próprio para profissionais de saúde; c) Comunicação de evento adverso, para usuário de medicamentos; d) Sistema eletrônico de notificação (Sineps), para hospitais sentinelas.

Hospitais sentinela •







É um projeto desenvolvido pela ANVISA objetivando ampliar e sistematizar a vigilância sobre produtos de saúde e assim promover melhores serviços e condições de trabalho. Áreas de atuação : Tecnovigilância, Farmacovigilância e Hemovigilância. Os HSs devem acompanhar o desempenho e eficácia de medicamentos, equipamentos, artigos de uso médico, sangue e seus derivados. Efeitos adversos, prejudiciais à saúde dos pacientes e/ou dos profissionais, serão notificados a ANVISA.

Tecnovigilância Detecção de eventos adversos relacionados a equipamentos, artigos de uso médico e até saneantes e materiais de limpeza.

Farmacovigilância

Hemovigilância obtenção de Identificação e avaliação Detecção, e análise dos dos efeitos adversos de dados efeitos indesejáveis de medicamentos em transfusão de sangue pacientes expostos a todo o seu tratamentos específicos. em processo.

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