EM2D-A01-182-Sociologia-1

August 29, 2017 | Author: neiklyson20094828 | Category: Karl Marx, Sociology, Émile Durkheim, Max Weber, Capitalism
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Ensino Médio Sociologia 1

Ensino Médio Sociologia 1

Índice Geral

5

Atividades ........................................................................................................................................................ 7 Teoria...............................................................................................................................................................33 Tarefas.............................................................................................................................................................55

6

Sociologia 182

7

Módulo 1. A ciência da sociedade • As ciências sociais • O que é a sociologia? • O contexto histórico no qual surgiu a sociologia

Exercícios de Aplicação 1. É(são) objeto(s) de estudo da sociologia: a) toda e qualquer organização social, inclusive as sociedades humanas e animais. b) os sindicatos, as igrejas, os partidos e as universidades. c) a sociedade moderna, em suas múltiplas características e aspectos. d) as sociedades do passado, desde a pré-história até a idade moderna. Resposta: C A sociologia é uma ciência que estuda a sociedade, mais especificamente a pós-industrial.

2. A sociologia, como campo de saber científico, surge em decorrência das mudanças econômicas, políticas e sociais em curso, desde o século XVI, as quais estabeleceram as bases da modernidade capitalista. Assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, três acontecimentos de ordem econômica, política e cultural do contexto histórico em que surgiu a sociologia. a) Revolução Industrial, antropocentrismo e Revolução Francesa. b) Revolução Francesa, industrialismo e Reforma protestante. c) Renascimento, Reforma protestante e Revolução Francesa. d) Revolução Francesa, antropocentrismo e Revolução Industrial. e) Revolução Industrial, Revolução Francesa e Iluminismo. Resposta: E A sociologia surgiu na passagem da Idade Moderna para a Idade Contemporânea, justamente a partir da necessidade de se entender a sociedade que se desenvolveu após os eventos citados na letra E.

Exercício Extra 3. (UFU-MG/PAIES) Com relação ao nascimento da sociologia, marque para as alternativas abaixo (V) verdadeira, (F) falsa ou (SO) sem opção. (( ) A sociologia nasceu e se desenvolveu no contexto ensejado pelas revoluções burguesas, fundamentalmente a inglesa e a francesa. (( ) O desenvolvimento da sociologia como ciência teve um grande impulso com a Revolução Industrial, que colocou o espaço urbano como um cenário de novos “problemas”. Roteiro de estudos Leia com atenção

Sociologia 1 – Capítulo 1, itens 1 e 2

Tarefa proposta

Questões 1, 4, 5, 6

EM2D-09-12

Tarefa suplementar

Reforço

Questões 2, 3, 7

Aprofundamento

Questão 8

(( ) A sociologia nasceu como ciência conservadora, de reorganização da ordem social, assumindo esta perspectiva, fundamentalmente, com Auguste Comte e Émile Durkheim. (( ) O desenvolvimento da sociologia confundiu-se com o desenvolvimento da sociedade burguesa industrial, configurando um conjunto de relações sociais fundadas no coletivismo.

8

Módulo 2. A sociedade para Auguste Comte • Comte: um primeiro olhar sobre a sociedade • O que é o positivismo? • A visão positivista sobre a sociedade

Exercícios de Aplicação 1. Em relação ao que Auguste Comte, um dos clássicos da sociologia, disse acerca desta nova ciência, marque para as afirmativas abaixo (V) verdadeira, (F) falsa ou (SO) sem opção. (( ) A sociologia deve ser uma espécie de “física social”, por se apoiar no conhecimento positivo dos fenômenos da vida em sociedade. (( ) O progresso da sociedade supõe a reta observação das leis da vida social, possíveis de serem conhecidas a partir da observação empírica. (( ) O estágio especulativo do conhecimento humano corresponde ao ponto mais alto da razão, sendo, portanto, o mais apropriado à sociologia. (( ) A sociologia deve buscar nos procedimentos próprios ao estágio teológico do conhecimento humano sua referência teórica de fundo. Resposta: V, V, F, F A proposição de número três é falsa, pois, para Comte, o estágio racional-científico do conhecimento é o mais apropriado à sociologia, o que também anula a proposição de número quatro.

2. A primeira corrente teórica sistematizada de pensamento sociológico foi o positivismo que teve como um de seus representantes o pensador francês Auguste Comte. Ele identificou na sociedade dois movimentos vitais: o estático e o dinâmico. Sobre esses movimentos, é correto afirmar que: a) o movimento dinâmico é responsável pela conservação dos elementos permanentes de toda organização social. b) as instituições que mantêm o equilíbrio e garantem a harmonia da sociedade seriam responsáveis por seu movimento dinâmico. c) o princípio dinâmico do progresso deve estar subordinado ao princípio estático da ordem. d) o movimento estático representa a passagem para formas mais complexas de organização econômica da sociedade. e) os movimentos revolucionários devem ser mantidos, pois não comprometem a ordem estabelecida e o progresso. Resposta: C Para o positivismo de Comte, a ordem e o progresso correspondem a movimentos que são vitais para o bom funcionamento das sociedades humanas.

Exercício Extra 3. Marque a opção em que todos os fatores históricos foram determinantes para o surgimento da sociologia. a) As invasões bárbaras, o mercantilismo, a queda do Império Romano e a formação dos estados nacionais. b) A queda do poder absolutista, a descoberta do Novo Mundo, as invasões bárbaras e o sistema monetário internacional.

c) A globalização, o mercantilismo, a queda do Império Romano e a Reforma protestante. d) O teocentrismo, o iluminismo, o racionalismo e a queda do sistema feudal. e) A queda do sistema feudal, as Revoluções Industrial e Francesa e a ascensão da burguesia ao poder econômico e político.

Roteiro de estudos Leia com atenção

Sociologia 1 – Capítulo 1, item 3

Tarefa proposta

Questões 9, 13, 14, 15

Tarefa suplementar

Reforço

Questões 10, 11, 12

Aprofundamento

Questão 16

Sociologia 182

9

Módulo 3. A sociedade para Émile Durkheim (I) • O que são fatos sociais? –– Generalidade –– Coercitividade –– Exterioridade – consciência coletiva • A solidariedade mecânica • A solidariedade orgânica

Exercícios de Aplicação 1. (UFPA/PSS) Para o sociólogo francês Émile Durkheim (1858-1917), os fatos sociais são: a) leis e fenômenos psíquicos transmitidos para os indivíduos na forma de códigos secretos. b) comportamentos e condutas sociais criados diretamente pelos indivíduos. c) normas sociais dispensáveis à conduta dos indivíduos. d) ações individuais que orientam as condutas coletivas, voltadas para a organização da sociedade. e) regras e normas coletivas que orientam a vida dos indivíduos em sociedade e controlam as ações individuais. Resposta: E A descrição correta sobre o que são fatos sociais para Durkheim é a apresentada na letra E.

Exercício Extra 3. (UFU-PAIES) Assinale as afirmativas verdadeiras (V) e as falsas (F) que correspondem às formulações teóricas de Émile Durkheim sobre a divisão social do trabalho. (( ) Para Durkheim, a concentração da população nas cidades, a expansão da produção e da concorrência econômica, a expansão das comunicações, enfim, o desenvolvimento da divisão social do trabalho acarretou a diminuição da solidariedade orgânica. (( ) A condensação da sociedade, ao multiplicar as relações intersociais, leva ao progresso da divisão do trabalho que, quanto mais acentuada, mais reduz a solidariedade mecânica e aumenta a solidariedade orgânica e os processos de individualização.

2. (UFAL-PSS) Nem tudo o que uma pessoa faz é um fato social. Para Émile Durkheim (1858-1917), um fato social tem de atender a três características: generalidade, exterioridade e coercitividade. Isto é, o que as pessoas sentem, pensam, ou fazem independe de suas vontades individuais, é um comportamento estabelecido pela e para a sociedade. Considerando o texto acima, tratam-se de fatos sociais: a) as crenças e as práticas da vida religiosa. b) as diferenças de personalidade entre pessoas. c) as proibições que pais estabelecem, para seus filhos, de frequentarem boates. d) os estudos feitos com a finalidade de aumentar conhecimentos e habilidades. e) as regras estabelecidas por crianças que formam um time de futebol na escola. Resposta: A As crenças e práticas da vida religiosa correspondem a fatos sociais uma vez que, no meio social, se enquadram nos quesitos de generalidade, de exterioridade e de coercitividade. (( ) Segundo Durkheim, os indivíduos na sociedade moderna só existem porque participam de uma divisão social do trabalho altamente diferenciada por funções especializadas, na qual a consciência coletiva reduz-se em face da consciência individual. (( ) Na sociedade moderna, os indivíduos tornam-se solidários na medida em que cumprem uma tarefa ou uma função especializada, que guarda interdependência com outras tarefas ou funções, decorrendo, disso, a integração e a unidade do corpo social.

Roteiro de estudos Leia com atenção

Sociologia 1 – Capítulo 2, item 1

Tarefa proposta

Questões 17, 19, 22, 23

EM2D-09-12

Tarefa suplementar

Reforço

Questões 18, 20, 21

Aprofundamento

Questão 24

10

Módulo 4. A sociedade para Émile Durkheim (II) • O que são instituições sociais? • A visão de Durkheim sobre o Estado e a escola • A questão da anomia

Exercícios de Aplicação 1. (UEM-PR) Considerando o que afirmam as teorias sociológicas sobre as instituições sociais, assinale o que for correto. 01. Elas tratam somente das instituições, portanto não consideram nem reconhecem as responsabilidades pessoais dos indivíduos que interagem na sociedade. 02. Compreendem que organizações sociais, como a família e a tribo, expressam exclusivamente a vontade do líder da nação ou de um grupo social específico. 04. Entendem que as instituições que vigoram na sociedade são interdependentes, porém uma alteração em uma instituição jamais provoca modificações nas demais. 08. Algumas delas consideram que as instituições sociais são expressões dos valores morais vigentes em uma determinada sociedade. 16. Não definem as religiões afro-brasileiras como instituições sociais, pois elas não estão relacionadas à necessidade física alguma do ser humano. Some os números dos itens corretos. Resposta: 08 A proposição 08, nesse caso, é a única correta por expressar exatamente a teoria sociológica de Durkheim sobre as instituições sociais, ainda que o nome do sociólogo não apareça no exercício. Contudo, há outros sociólogos, seguidores ou não de Durkheim, que possuem a mesma visão sobre tais instituições.

2. (UFU-MG) Em sua obra Da divisão do trabalho social, Émile Durkheim explicita a noção de um “estado de anomia” que seria vivenciado pela sociedade, em sua totalidade ou parcialmente, em determinadas circunstâncias. Considere os exemplos abaixo e assinale a única alternativa que não é relacionada por Durkheim a uma situação anômica. a) As falências, na sociedade industrial, como efeito dos desajustes das funções da economia. b) O conflito entre o capital e o trabalho, como resultado da inexistência ou inoperância das leis e regulamentos. c) A exagerada especialização da pesquisa científica, levando à atomização e consequente ruptura da solidariedade. d) A ação das forças policiais, na sociedade moderna, visando combater a ação dos criminosos. Resposta: D O fato de as forças policiais combaterem a ação dos criminosos não corresponde a uma anomia, mas exatamente o contrário, pois, ao combater aqueles que não seguem a lei, a polícia ajuda a manter a ordem social.

Sociologia 182

11

Exercício Extra 3. (UEL-PR) Émile Durkheim, analisando a organização da sociedade e o papel dos indivíduos em relação à criminalidade e ao direito, afirmava que (...) supondo que a pena possa realmente servir para proteger-nos no futuro, estimamos que deva ser, antes de tudo, uma expiação do passado. O que o prova são as precauções minuciosas que tomamos para proporcioná-la tão exatamente quanto possível à gravidade do crime; elas seriam inexplicáveis se acreditássemos que o culpado deve sofrer porque fez o mal e na mesma medida(...) (...) Podemos dizer, pois, que a pena consiste em uma reação passional de intensidade graduada. Mas de onde emana esta reação? Do indivíduo ou da sociedade? DURKHEIM, E. Da divisão social do trabalho. São Paulo: Abril Cultural, 1978. p. 45. Coleção “Os pensadores”.

De acordo com os seus conhecimentos sobre Durkheim e em resposta ao questionamento formulado pelo autor, é correto afirmar que a reação que resulta em uma pena emana: a) da sociedade, pois, quem sofre os atentados e ameaças são os seus membros e não a própria sociedade. b) do indivíduo, pois a pena, uma vez pronunciada, passa a ser uma punição individual e deixa de ter relação com a sociedade. c) da sociedade, pois quando um atentado é dirigido a um indivíduo, não deve ser considerado como um atentado à própria sociedade. d) do indivíduo, pois quem sofre atentados e ameaças são os membros da sociedade e não a própria sociedade. e) da sociedade, pois, quando um atentado é dirigido a um indivíduo, este deve ser considerado como um atentado à própria sociedade.

Roteiro de estudos Leia com atenção

Sociologia 1 – Capítulo 2, item 1

Tarefa proposta

Questões 25, 26, 28, 30

EM2D-09-12

Tarefa suplementar

Reforço

Questões 27, 29, 31

Aprofundamento

Questão 32

12

Módulo 5. A sociedade para Max Weber • A sociologia compreensiva • O que é ação social? • Os diferentes tipos de ação social • A estratificação social • A visão de Weber sobre o Estado – a burocratização • O tipo ideal – A ética protestante e o espírito do capitalismo

Exercícios de Aplicação 1. Sobre o conceito de ação social em Weber, marque para as afirmativas abaixo (V) verdadeira, (F) falsa ou (SO) sem opção. (( ) A ação social é aquela na qual o indivíduo se orienta pela ação dos outros. (( ) Toda e qualquer ação individual implica uma relação social. (( ) Uma relação significativa entre ações individuais estabelece uma relação social. (( ) A ação social está fundada na coletividade, estabelecendo uma relação social.

2. Segundo Max Weber, a respeito da sociologia, como ciência, é correto afirmar que: a) pretende compreender, interpretando o sentido da ação social. b) não pretende interpretar o sentido da ação social, mas apenas compreender seus efeitos morais. c) o fundamento básico se encontra na sociedade e em suas instituições. d) consagrou, com sua autoridade, maneiras de agir e de pensar a realidade. e) possui, antes, uma função moral.

Resposta: V, F, V, F As proposições 1 e 3, que são corretas, servem como parâmetro para tornar falsas as proposições 2 e 4. Uma ação social só ocorre quando o indivíduo se orienta pela ação de outro(s) indivíduo(s). Uma relação social, por sua vez, só ocorre quando há significado entre as ações individuais.

Resposta: A Weber é um dos fundadores da sociologia compreensiva, corrente sociológica alemã que se distinguiu do funcionalismo positivista da escola francesa de Durkheim.

Exercício Extra 3. Em sua teoria sociológica, Max Weber concebe quatro tipos puros de ação social: ação racional com relação a fins determinados; ação racional com relação a valores; ação afetiva e ação tradicional. Em relação a esses conceitos, assinale as afirmativas verdadeiras (V) e as falsas (F). (( ) A ação racional com relação a fins determinados é própria dos agentes que operam nas instituições modernas, por meio de normas legais, configurando uma ação social destituída de valores, de afetos e de tradição, como se vê nas empresas capitalistas. (( ) As ações racionais com relação a fins ou a valores e as ações afetivas e tradicionais são tipos ideais e conceituais

de ação social, sendo sempre uma delas a que orienta a conduta dos agentes em sociedades modernas ou tradicionais. (( ) A ação afetiva e a ação racional com relação a valores distinguem-se pela elaboração consciente que se dá na segunda, na medida em que os agentes orientam-se por convicções religiosas, políticas, morais ou estéticas, sem se guiar pelos efeitos daí advindos. (( ) A ação racional com relação a fins determinados ocorre quando os agentes consideram não apenas o fim a ser alcançado, mas também os meios e as consequências daí advindas, o que pode implicar na consideração dos valores em jogo.

Roteiro de estudos Leia com atenção

Sociologia 1 – Capítulo 2, item 2

Tarefa proposta

Questões 33, 35, 38, 39

Tarefa suplementar

Reforço

Questões 34, 36, 37

Aprofundamento

Questão 40

Sociologia 182

13

Módulo 6. A sociedade para Karl Marx (I) • O que é materialismo histórico? • As relações sociais de produção • Os diferentes modos de produção • A luta de classes sociais • A superação do capitalismo – a ditadura do proletariado – o comunismo

Exercícios de Aplicação 1. (UEM-PR) Em termos sociológicos, assinale o que for correto sobre o conceito de classes sociais. 01. Sua utilização visa explicar as formas pelas quais as desigualdades se estruturam e se reproduzem nas sociedades. 02. De acordo com Karl Marx, as relações entre as classes sociais transformam-se ao longo da história conforme a dinâmica dos modos de produção. 04. As classes sociais, para Marx, definem-se, sobretudo, pelas relações de cooperação que se desenvolvem entre os diversos grupos contidos no sistema produtivo. 08. A formação de uma classe social, como os proletários, só se realiza na sua relação com a classe opositora, no caso do exemplo, a burguesia. 16. A afirmação “a história da humanidade é a história das lutas de classes” expressa a idéia de que as transformações sociais estão profundamente associadas às contradições existentes entre as classes. Some os números dos itens corretos. Resposta: 27 (01 + 02 + 08 + 16) A proposição de número quatro está errada, pois, para Marx, as classes sociais são marcadas pela luta entre elas, já que são constituídas por interesses antagônicos.

2. (UFU-MG/PAIES) Sobre o modo de produção capitalista na concepção de Karl Marx, assinale as afirmativas verdadeiras (V) e as falsas (F). (( ) Karl Marx argumenta que o modo de produção capitalista foi constituído por forças produtivas e relações sociais de produção primitivas, estabelecidas até mesmo entre as hordas e tribos, o que tornou possível a acumulação de capital, por via do imperialismo. (( ) Em Karl Marx, podemos entender que o conceito de forças produtivas refere-se aos modos, aos instrumentos e às habilidades acumuladas pelos homens, que possibilitam o controle das condições naturais, visando à produção econômica e social. (( ) Em Karl Marx, podemos entender que o conceito de relações sociais de produção refere-se às diferentes formas de organização da produção, de posse e propriedade dos meios de produção, em suas formas contratuais e legalizadas do mercado formal. (( ) Por meio das noções de forças produtivas e de relações sociais de produção, Karl Marx quis demonstrar fenômenos que não se interligam, de tal forma que os conflitos sociais têm outras fontes, por exemplo, a autonomia agressiva da burocracia do Estado. Resposta: F, V, F, F A primeira proposição é falsa, pois o modo de produção capitalista foi alicerçado nas relações sociais criadas a partir do surgimento da burguesia, na passagem da Idade Média para a Idade Moderna (acumulação primitiva de capital). Ao longo da história, nem todas as relações sociais de produção estiveram legalizadas em contratos do mercado formal; essa análise cabe às relações capitalistas, o que anula a terceira proposição. Já a quarta proposição é falsa, pois as noções de forças produtivas e relações sociais de produção se interligam, sendo que aí residem os conflitos sociais.

EM2D-09-12

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Exercício Extra 3. Segundo Karl Marx, “o modo de produção da vida material condiciona o desenvolvimento da vida social, política e intelectual em geral”. Essa tese resume a sua teoria da história, também denominada de: a) socialismo científico. b) materialismo histórico. c) racionalismo cartesiano. d) fenomenologia do espírito. e) individualismo metodológico.

Roteiro de estudos Leia com atenção

Sociologia 1 – Capítulo 2, item 3

Tarefa proposta

Questões 43, 44, 45, 46

Tarefa suplementar

Reforço

Questões 41, 42, 47

Aprofundamento

Questão 48

Sociologia 182

15

Módulo 7. A sociedade para Karl Marx (II) • A visão de Marx sobre infraestrutura e superestrutura • O papel do Estado • A ideologia • A alienação

Exercícios de Aplicação 1. (UFAL/PSS) Karl Marx e F. Engels forneceram grande contribuição para a sociologia. Analise e identifique as ideias propostas por esses pensadores. (( ) O modo pelo qual os homens produzem seus meios de vida depende, acima de tudo, da própria natureza dos meios de vida já existentes e que tratam de reproduzir. (( ) O verdadeiro homem revolucionário é aquele que se submete à ordem econômica visando ao estabelecimento de relações harmoniosas e do progresso material. (( ) A organização social e o Estado brotam constantemente do processo de vida de determinados indivíduos; mas destes indivíduos tal como realmente são, isto é, tal como atuam e produzem materialmente. (( ) As relações que fazem de uma determinada classe a classe dominante são também aquelas que conferem o papel dominante à suas ideias. (( ) É a consciência dos homens e suas ideias que determinam as condições de produção e a forma como o Estado deve agir sobre a sociedade. Resposta: V, F, V, V, F A segunda proposição é falsa, pois apresenta uma visão invertida do papel do homem para Marx. A proposição quatro também é falsa, pois, para Marx, são as relações sociais de produção, ou seja, a vida material, que condiciona a consciência humana e o Estado, e não o contrário.

2. Tendo em vista as análises de Karl Marx e Friedrich Engels sobre o conceito de ideologia, é possível afirmar: a) O conjunto de ideias da classe dominante é, em todas as épocas, o dominante. E quando uma nova classe passa a dominar, ela apresenta o seu interesse como o interesse de todos os membros da sociedade. b) Um dos aparelhos ideológicos que reproduzem valores etnocêntricos das classes sociais dominadas é a educação. E quando a educação formal visa à educação política, há possibilidades de desenvolvimento que não se restrinjam ao crescimento econômico. c) A ideologia é determinante do modo de ser, pensar e agir de uma sociedade e possibilita a extinção das particularidades culturais por meio da relativização e da coligação, entre si, dos membros da classe política para se constituírem em grupo homogêneo e solidário. d) A ideologia é uma noção universalmente desejada, pois propõe a neutralidade nas análises do processo de acumulação capitalista em escala global, e é um meio de escolher democraticamente as pessoas encarregadas de tomar decisões. e) Das legitimações básicas do domínio, a liderança para o bem-estar para todos é aquela em que há autoridade pelo dom da graça. Essa liderança consiste na ideia de que a menor intervenção do poder público permite que as forças do livre mercado proporcionem o desenvolvimento e a intensificação das contradições sociais. Resposta: A A visão de Marx e Engels sobre a ideologia é extremamente negativa, pois, dentro da luta de classes, trata-se de um conjunto de idéias da classe dominante, cuja finalidade é mascarar a realidade e colaborar na dominação social.

EM2D-09-12

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Exercício Extra 3. As mudanças trazidas pela Revolução Industrial provocaram novas reflexões sobre a sociedade e seu comportamento. Karl Marx, um dos pensadores marcantes do século XIX, nas suas reflexões: a) reconhecia a falta de justiça social, devido aos exageros do sistema capitalista que incentivava a exploração das classes desfavorecidas. b) admitia o grande valor da tecnologia produzida pelo capital, necessária para acabar com o liberalismo econômico.

c) defendia a necessidade de ampliar a intervenção do Estado na gestão da economia, a fim de pôr fim aos sistemas parlamentares europeus. d) propunha a luta da sociedade para negar as mudanças sociais, admitindo a volta aos princípios do mercantilismo. e) restringia, às classes sociais urbanas, os planos de crescimento da sociedade européia e de uma melhor qualidade de vida.

Roteiro de estudos Leia com atenção

Sociologia 1 – Capítulo 2, item 4

Tarefa proposta

Questões 49, 50, 52, 54

Tarefa suplementar

Reforço

Questões 51, 53, 55

Aprofundamento

Questão 56

Sociologia 182

17

Módulo 8. O que é o trabalho humano? • O que é o trabalho humano? • Gorz: trabalho autônomo (consciente) e trabalho heterônimo (alienado) • O trabalho na Antiguidade Clássica • O trabalho no feudalismo • O trabalho na origem do capitalismo

Exercícios de Aplicação 1. O trabalho realizado pelos seres humanos está relacionado: a) à plena conservação da natureza. b) apenas à sobrevivência do homem, não havendo relação alguma entre essa sobrevivência e a existência das sociedades. c) ao fato de o homem não conseguir intervir sobre a natureza. d) à sobrevivência de todas as espécies animais e vegetais da Terra. e) à produção de cultura.

2. Para Karl Marx, a palavra alienação: a) contém o significado apenas jurídico. b) representa a plena tomada de consciência do trabalhador da sua situação de exclusão dentro da fábrica. c) representa a separação do trabalhador dos meios de produção, que se tornam propriedade privada dos empresários capitalistas. d) significa a realização pessoal do trabalhador como alguém importante no processo produtivo. e) pode conter vários significados, mas o principal é a consciência de classe.

Resposta: E Ao contrário da ação de outros animais, o trabalho humano é capaz de alterar a natureza, produzindo aquilo que chamamos de cultura.

Resposta: C A resposta contida na letra C corresponde à visão de Marx sobre o trabalho alienado.

Exercício Extra 3. Um vendedor de roupas que cria cachorros realiza, respectivamente: a) trabalhos heterônimo e autônomo. b) trabalhos autônomo e heterônimo. c) trabalhos assalariado e servil. d) trabalhos assalariado e de criação. e) trabalho e não-trabalho. Roteiro de estudos Leia com atenção

Sociologia 1 – Capítulo 3, item 1

Tarefa proposta

Questões 57, 58, 59, 60

EM2D-09-12

Tarefa suplementar

Reforço

Questões 61, 62, 63

Aprofundamento

Questão 64

18

Módulo 9. As diferentes visões sobre o trabalho humano • A visão do liberalismo sobre o trabalho • A visão do socialismo sobre o trabalho • Taylorismo • Fordismo • Toyotismo

Exercícios de Aplicação 1. Sobre as concepções liberais e socialistas acerca do trabalho, assinale a alternativa correta. a) Para os teóricos do liberalismo clássico, o trabalho era uma coisa depreciativa, pois o ócio seria a grande riqueza da humanidade. b) De acordo com os anarquistas, os operários das fábricas devem manter-se unidos e respeitar as leis impostas pelo Estado, uma vez que isso garante suas condições de vida. c) Marx afirmava ser necessário o trabalho humano, daí a relevância das fábricas e do sistema capitalista. d) Adam Smith e outros liberais afirmavam ser o trabalho a forma menos importante de produção de riqueza, pois esta advém da terra, ou seja, da agricultura. e) Segundo o socialismo científico de Marx, o trabalho no capitalismo aliena o trabalhador, ao separá-lo dos meios de produção. Resposta: E A visão de Marx sobre o trabalho humano na sociedade capitalista é bastante negativa, enquanto os liberais viam-no de maneira positiva.

2. (UEM-PR) Considerando que a produção e a circulação de bens e de serviços são o resultado da combinação de trabalho, matéria-prima e instrumentos de produção, assinale o que for correto. 01. Para Karl Marx, no capitalismo, os trabalhadores encontram-se alienados pelo fato de não se apropriarem dos resultados do seu trabalho nem controlarem o processo produtivo. 02. Na produção capitalista contemporânea, a ciência e a tecnologia tornaram-se forças produtivas e agentes de acumulação do capital. 04. As atividades relacionadas às artes e à atividade intelectual não podem ser consideradas trabalho, pois não produzem riqueza material. 08. No modo de produção asiático, os escravos e os camponeses entregavam a sua produção ao Estado, porém o excedente da produção era dividido igualmente por toda a população. 16. A partir das mudanças ocorridas em seu processo de produção, o sistema feudal entrou em declínio, assim, os países europeus predominantemente agrários lentamente se transformaram em urbano-industriais. Some os números dos itens corretos. Resposta: 19 (01 + 02 + 16) As artes e a atividade intelectual são fruto do trabalho humano, o que anula a proposição de número quatro. No modo de produção asiático, os camponeses entregavam a sua produção ao Estado, que não dividia o excedente de maneira igual para a população; isso anula a proposição de número oito.

Sociologia 182

19

Exercício Extra 3. (ENEM) (...) Um operário desenrola o arame, o outro o endireita, um terceiro corta, um quarto o afia nas pontas para a colocação da cabeça do alfinete; para fazer a cabeça do alfinete requerem-se 3 ou 4 operações diferentes, (...) SMITH, Adam. A riqueza das nações. Investigação sobre a sua natureza e suas causas. São Paulo: Nova Cultura, v. I, 1985. Vou me aposentar amanhã e sabe o que vou fazer? Andar até o fim desta linha de montagem e descobrir o que estou fazendo há 30 anos!



Jornal do Brasil, 19 de fevereiro de 1997.

A respeito do texto e do quadrinho são feitas as seguintes afirmações: I. Ambos retratam a intensa divisão do trabalho, à qual são submetidos os operários. II. O texto refere-se à produção informatizada, e o quadrinho, à produção artesanal. III. Ambos contêm a idéia de que o produto da atividade industrial não depende do conhecimento de todo o processo por parte do operário. Dentre essas afirmações, apenas: a) I está correta. b) II está correta. c) III está correta. d) I e II estão corretas. e) I e III estão corretas.

Roteiro de estudos Leia com atenção

Sociologia 1 – Capítulo 3, item 2

Tarefa proposta

Questões 65, 66, 67, 68

EM2D-09-12

Tarefa suplementar

Reforço

Questões 69, 70, 71

Aprofundamento

Questão 72

20

Módulo 10. Trabalho e tecnologia • O que é técnica? • O que é tecnologia? • O capitalismo e os avanços tecnológicos • Tecnologia versus exclusão social: um desafio

Exercícios de Aplicação 1. (ENEM)

A situação abordada na tira torna explícita a contradição entre a(as): a) relações pessoais e o avanço tecnológico. b) inteligência empresarial e a ignorância dos cidadãos. c) inclusão digital e a modernização das empresas. d) economia neoliberal e a reduzida atuação do Estado. e) revolução informática e a exclusão digital. Resposta: A A charge ironiza as relações humanas em confronto com o excesso de avanço tecnológico.

2. O desenvolvimento tecnológico é capaz de acabar com a necessidade do trabalho? Resposta: Não, pois sem trabalho o ser humano é incapaz de satisfazer as suas necessidades básicas de sobrevivência.

Sociologia 182

21

Exercício Extra 3. (ENEM)

Álcool, crescimento e pobreza O lavrador de Ribeirão Preto recebe em média R$ 2,50 por tonelada de cana cortada. Nos anos 80, esse trabalhador cortava cinco toneladas de cana por dia. A mecanização da colheita o obrigou a ser mais produtivo. O corta-cana derruba agora oito toneladas por dia. O trabalhador deve cortar a cana rente ao chão, encurvado. Usa roupas mal-ajambradas, quentes, que lhe cobrem o corpo, para que não seja lanhado pelas folhas da planta. O excesso de trabalho causa a birola: tontura, desmaio, câimbra, convulsão. A fim de aguentar dores e cansaço, esse trabalhador toma drogas e soluções de glicose, quando não farinha mesmo. Tem aumentado o número de mortes por exaustão nos canaviais. O setor da cana produz hoje uns 3,5% do PIB. Exporta US$ 8 bilhões. Gera toda a energia elétrica que consome e ainda vende excedentes. A indústria de São Paulo contrata cientistas e engenheiros para desenvolver máquinas e equipamentos mais eficientes para as usinas de álcool. As pesquisas, privada e pública, na área agrícola (cana, laranja, eucalipto etc.) desenvolvem a bioquímica e a genética no país. Folha de S. Paulo, 11/3/2007. Adaptado.



Folha de S. Paulo, 25/3/2007.

Confrontando-se as informações do texto com as da charge acima, conclui-se que: a) a charge contradiz o texto ao mostrar que o Brasil possui tecnologia avançada no setor agrícola. b) a charge e o texto abordam, a respeito da cana-de-açúcar brasileira, duas realidades distintas e sem relação entre si. c) o texto e a charge consideram a agricultura brasileira avançada, do ponto de vista tecnológico. d) a charge mostra o cotidiano do trabalhador, e o texto defende o fim da mecanização da produção da cana-de-açúcar no setor sucroalcooleiro. e) o texto mostra disparidades na agricultura brasileira, na qual convivem alta tecnologia e condições precárias de trabalho, que a charge ironiza.

Roteiro de estudos Leia com atenção

Sociologia 1 – Capítulo 3, item 3

Tarefa proposta

Questões 73, 76, 78, 79

EM2D-09-12

Tarefa suplementar

Reforço

Questões 74, 75, 77

Aprofundamento

Questão 80

22

Módulo 11. O que é o capitalismo? • O que é o capitalismo? • A acumulação primitiva de capital – capitalismo mercantil (ou comercial) • A Revolução Industrial – consolidação do capitalismo (capitalismo industrial) • O que é mais-valia? • O capitalismo financeiro (segunda metade do século XIX) • A crise do socialismo real no fim do século XX: o capitalismo como única alternativa • Neoliberalismo e globalização

Exercícios de Aplicação 1. Leia o trecho a seguir. Em essência, o capitalismo é um sistema de mercantilização universal; e de produção de mais-valia. Mercantiliza as relações, as pessoas e as coisas. Ao mesmo tempo, mercantiliza a força de trabalho, a energia humana que produz valor. IANNI, Octavio. Dialética e capitalismo – ensaio sobre o pensamento de Marx. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 1988, p. 18.

Considerando a citação acima, segundo a qual a produção social capitalista é produção de valor, marque para as alternativas abaixo (V) verdadeira, (F) falsa ou (SO) sem opção. (( ) A forma mercadoria, no capitalismo, é determinante e predominante. (( ) A mais-valia é a finalidade direta e o móvel determinante da produção capitalista. (( ) O capital produz, essencialmente, capital e isto na exata medida em que extrai mais-valia. (( ) O valor-de-uso dos bens e serviços é a finalidade da produção capitalista. Resposta: V, V, V, F O valor-de-troca dos bens e serviços é a finalidade da produção capitalista, o que anula a quarta proposição.

2. (ENEM) Depois de estudar as migrações, no Brasil, você lê o seguinte texto: O Brasil, por suas características de crescimento econômico, e apesar da crise e do retrocesso das últimas décadas, é classificado como um país moderno. Tal conceito pode ser, na verdade, questionado se levarmos em conta os indicadores sociais: o grande número de desempregados, o índice de analfabetismo, o déficit de moradia, o sucateamento da saúde, enfim, a avalanche de brasileiros envolvidos e tragados num processo de repetidas migrações (...) Adaptado de VALIN. Migrações: da perda de terra à exclusão social. São Paulo. Atuali, 1996, p. 50.

Analisando os indicadores citados no texto, você pode afirmar que: a) o grande número de desempregados no Brasil está exclusivamente ligado ao grande aumento da população. b) existe uma exclusão social que é resultado da grande concorrência existente entre a mão-de-obra qualificada. c) o déficit da moradia está intimamente ligado à falta de espaços nas cidades grandes. d) os trabalhadores brasileiros não qualificados engrossam as fileiras dos excluídos. e) por conta do crescimento econômico do país, os trabalhadores pertencem à categoria de mão-de-obra qualificada. Resposta: D Na fase atual do capitalismo, quanto menos o trabalhador for qualificado, menos chance ele tem de se colocar no mercado de trabalho, aumentando, assim, a exclusão social.

Sociologia 182

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Exercício Extra 3. Assinale verdadeiro (V) ou falso (F) para as afirmativas que se referem às práticas capitalistas como definidoras das relações sociais. (( ) No capitalismo, todos os produtos são considerados mercadoria. (( ) A relação capital-trabalho é essencialmente uma relação de exploração. (( ) É típico do capitalismo as empresas favorecerem os trabalhadores. (( ) Faz parte da lógica do capital a luta de classes. (( ) Não faz parte da lógica do capitalismo a acumulação de capital pelo empresário.

Roteiro de estudos Leia com atenção

Sociologia 1 – Capítulo 4, item 1

Tarefa proposta

Questões 81, 82, 85, 87

EM2D-09-12

Tarefa suplementar

Reforço

Questões 83, 84, 86

Aprofundamento

Questão 88

24

Módulo 12. A sociologia do desenvolvimento • O que é sociologia do desenvolvimento? • A teoria evolucionista • A teoria dualista • A teoria do imperialismo • A teoria da dependência • As visões atuais sobre globalização e desenvolvimento

Exercícios de Aplicação 1. Leia o trecho a seguir. O sistema burguês tornou-se demasiado estreito para conter as riquezas criadas em seu seio. De que maneira consegue a burguesia vencer essas crises? De um lado, pela destruição violenta de grande quantidade de forças produtivas; de outro, pela conquista de novos mercados e pela exploração mais intensa dos antigos. A que leva isso? Ao preparo de crises mais extensas e mais destruidoras e à diminuição dos meios de evitá-las. MARX, Karl & ENGELS, Friedrich. “Manifesto do partido comunista”. In: Obras escolhidas. São Paulo: Alfa-Omega, s/d, p. 26.

Considerando a análise presente na obra Manifesto do partido comunista, da qual foi extraído o trecho acima, marque para as alternativas abaixo (V) verdadeira, (F) falsa ou (SO) sem opção. (( ) As possibilidades de expansão da produção e do consumo capitalistas são infinitas e imunes a crises. (( ) As crises de superprodução são um fenômeno intrínseco ao modo capitalista de produção. (( ) A globalização, entendida como intensificação e ampliação de um sistema mundial produtor de mercadoria, é algo específico às últimas décadas do século XX e ao início do século atual. (( ) A burguesia pode, mediante uma boa administração, superar as contradições que estão na origem das crises econômicas de superprodução. Resposta: F, V, F, F Proposição 1: falsa. O capitalismo, como a própria história mostra, é suscetível a crises. Proposição 3: falsa. A origem do princípio de globalização remonta ao início da Idade Moderna, a partir da expansão marítimo-comercial europeia. Proposição 4: falsa. Segundo Marx, a burguesia não pode superar as crises de superprodução, pois elas são inerentes ao sistema capitalista.

2. Em relação à crise do emprego no Brasil, é correto afirmar que: a) o fenômeno do desemprego não se deve à oferta de vagas, mas ao reduzido número de pessoas que estão à procura de trabalho. b) o desemprego poderá ser reduzido com a implementação de uma política econômica capaz de retomar o crescimento econômico e diminuir as condições de precariedade que atingem os trabalhadores, com uma política efetiva de geração de emprego e renda. c) o desemprego e a precarização das condições de trabalho atingem uma pequena parcela da sociedade brasileira, responsável pelo crescimento econômico do país. d) o movimento sindical deve implementar e executar programas de desregulamentação que concorram para o desenvolvimento e para a geração de empregos. e) a ordem econômica mundial vigente tem apresentado no Brasil elementos para implementar uma política de distribuição de renda e geração de emprego, baseada na dolarização da moeda, não havendo interesse em aumentar a produção e incorporar novas tecnologias. Resposta: B Uma solução possível para a superação da crise do desemprego no Brasil é apresentada na alternativa B.

Sociologia 182

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Exercício Extra 3. (ENEM) Um dos maiores problemas da atualidade é o aumento desenfreado do desemprego. O texto abaixo destaca esta situação. O desemprego é hoje um fenômeno que atinge e preocupa o mundo todo. (...) A onda de desemprego recente não é conjuntural, ou seja, provocada por crises localizadas e temporárias. Está associada a mudanças estruturais na economia, daí o nome de desemprego estrutural. O desemprego manifesta-se hoje na maioria das economias, incluindo a dos países ricos. A OIT estima em 1 bilhão – um terço da força de trabalho mundial – o número de desempregados em todo o mundo em 1998. Desse total, 150 milhões encontram-se abertamente desempregados e entre 750 e 900 milhões estão subempregados. [CD-ROM] Almanaque Abril, 1999. São Paulo: Ed. Abril.

Pode-se compreender o desemprego estrutural em termos da internacionalização da economia associada: a) a uma economia desaquecida que provoca ondas gigantescas de desemprego, gerando revoltas e crises institucionais. b) ao setor de serviços que se expande provocando ondas de desemprego no setor industrial, atraindo essa mão-de--obra para este novo setor. c) ao setor industrial que passa a produzir menos, buscando enxugar custos, provocando, com isso, demissões em larga escala. d) a novas formas de gerenciamento de produção e novas tecnologias que são inseridas no processo produtivo, eliminando empregos que não voltam. e) ao emprego informal que cresce, já que uma parcela da população não tem condições de regularizar o seu comércio.

Roteiro de estudos Leia com atenção

Sociologia 1 – Capítulo 4, item 2

Tarefa proposta

Questões 89, 91, 94, 95

EM2D-09-12

Tarefa suplementar

Reforço

Questões 90, 92, 93

Aprofundamento

Questão 96

26

Módulo 13. Estado e sociedade • O que é o Estado? • A visão contratualista do Estado • A visão marxista do Estado • O welfare state • O Estado mínimo

Exercícios de Aplicação 1. O Estado moderno iniciado com o absolutismo, na medida em que impulsionou o domínio da razão, da ciência e da técnica, foi essencial para o desenvolvimento da sociedade capitalista, pois: a) possibilitou a substituição do domínio teológico por uma relação de não-dominação. b) não favoreceu o entendimento das religiões do mundo feudal. c) estabeleceu o fundamento necessário para justificar o processo de acumulação capitalista. d) impediu que as classes sociais utilizassem o fundamento científico em defesa de seus interesses. e) foi o único modo encontrado pelo Estado de não incorporar uma administração racional.

2. Não é fundamento do Estado nacional democrático: a) a divisão dos três poderes. b) o parlamentarismo. c) a soberania popular. d) o direito à insurreição. e) o absolutismo. Resposta: E O Estado nacional democrático substituiu o Antigo Regime (absolutismo).

Resposta: C O Estado moderno foi assentado nos interesses da burguesia, ou seja, no processo de acumulação capitalista.

Exercício Extra 3. A concepção segundo a qual “Todo governo tem poderes limitados e somente existe pelo consentimento dos governados” é própria da teoria política:

a) absolutista. b) comunista. c) socialista.

Roteiro de estudos Leia com atenção

Sociologia 1 – Capítulo 5, item 1

Tarefa proposta

Questões 97, 98, 101, 103

Tarefa suplementar

Reforço

Questões 99, 100, 102

Aprofundamento

Questão 104

d) liberal. e) anarquista.

Sociologia 182

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Módulo 14. A democracia e a cidadania na sociedade contemporânea • O que é democracia? – A democracia escravista e a democracia moderna • O que é cidadania? • Democracia e cidadania versus desigualdade socioeconômica

Exercícios de Aplicação 1. As leis da sociedade moderna se fundamentam em valores e princípios que se opõem ao modo de produção anterior e têm como base a(s) concepção(ões) (de): a) teológicas, mitológicas e transcendentais. b) igualdade, liberdade e fraternidade. c) dogmáticas, mitológicas e transcendentais. d) idealista, como a única forma de expressão do saber. e) metafísica, como única forma de conhecer o real. Resposta: B As concepções de liberdade, igualdade e fraternidade, desenvolvidas a partir da segunda metade do século XVIII com o Iluminismo, fundamentam as leis da sociedade moderna.

2. (UFAL/PSS) A palavra cidadania assumiu vários significados através da história. Na Grécia Antiga, a palavra designava o direito de os homens livres decidirem os destinos da cidade. Atualmente, esse direito foi estendido a todos os homens e mulheres e, ainda mais, tornou-se uma condição para a democracia. Analise as afirmações abaixo sobre o conceito de cidadania. (( ) No Brasil, a cidadania é, ainda, um projeto jurídico e uma luta política, porque os direitos sociais e políticos não foram garantidos na Constituição promulgada em l988. A lei apresenta-se ainda omissa em relação aos direitos humanos, das crianças e das mulheres. (( ) Cidadão é aquele que tem consciência de seus direitos e deveres e participa de todas as questões colocadas pela sociedade. É um indivíduo que se orienta segundo valores universais e, consequentemente, defende os direitos humanos, sociais e políticos para todos. (( ) Nos países democráticos, pelo seu caráter liberal, o Estado não é responsável por realizar políticas públicas de direitos humanos e sociais. Essas ações ficam a cargo da iniciativa privada e dos movimentos sociais. (( ) Em países pobres e emergentes, a política de promoção da igualdade tem se mostrado muito frágil. Os recursos para saúde, educação, moradia, emprego, meio ambiente saudável não são suficientes para eliminar as desigualdades. Nesses países, portanto, é importante a atuação das ONGs (Organizações Não Governamentais). (( ) O movimento pela cidadania no Brasil desenvolveuse durante os anos de 1980, com os processos de abertura política e reivindicações de direitos humanos. Um dos principais articuladores dessa luta foi o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho. Resposta: F, V, F, V, V A Constituição brasileira de 1988, conhecida como “Constituição Cidadã”, prevê direitos sociais e políticos, o que anula a primeira proposição. É responsabilidade do Estado, em maior ou menor grau, garantir os direitos humanos e sociais; isso anula a terceira proposição.

EM2D-09-12

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Exercício Extra 3. (UEM-PR) Historicamente, a cidadania foi concedida a restritos grupos de elites – homens ricos de Atenas e barões ingleses do século XIII – e posteriormente estendida a uma grande porção dos residentes de um país. VIEIRA, Liszt. Os argonautas da cidadania. A sociedade civil na globalização. Rio de Janeiro: Record, 2001, pp. 34-35.

Assinale a(s) alternativa(s) correta(s) sobre o tema tratado pelo autor. 01. O estabelecimento dos deveres e dos direitos da cidadania moderna esteve intimamente vinculado ao processo de construção e de consolidação dos Estados nacionais. 02. A cidadania é um conceito que está associado estritamente à Idade Moderna, já que a democracia só passou a ser implementada a partir desse período. 04. Considerando o processo histórico dos últimos 200 anos, podemos afirmar que a incorporação de novos grupos ao estatuto da cidadania foi realizada não apenas por concessões, mas também pelas lutas sociais que reivindicaram novos direitos. 08. Nos diferentes períodos históricos, os direitos de cidadania constituíram-se, invariavelmente, como privilégio exclusivo das elites econômicas. 16. A Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada pela Organização das Nações Unidas, representou um marco importante no processo de consolidação da cidadania no século XX. Some os números dos itens corretos.

Roteiro de estudos Leia com atenção

Sociologia 1 – Capítulo 5, item 2

Tarefa proposta

Questões 105, 108, 109, 111

Tarefa suplementar

Reforço

Questões 106, 107, 110

Aprofundamento

Questão 112

Sociologia 182

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Módulo 15. O Estado na era da globalização • O que é globalização? • O Estado e a globalização

Exercícios de Aplicação 1. (ENEM) Um dos fenômenos mais discutidos e polêmicos da atualidade é a globalização, a qual impacta de forma negativa: a) na mão-de-obra desqualificada, desacelerando o fluxo migratório. b) nos países subdesenvolvidos, aumentando o crescimento populacional. c) no desenvolvimento econômico dos países industrializados desenvolvidos. d) nos países subdesenvolvidos, provocando o fenômeno da exclusão social. e) na mão-de-obra qualificada, proporcionando o crescimento de ofertas de emprego e fazendo os salários caírem vertiginosamente.

2. A dinâmica dominante do final do século XX e início do século XXI é a da globalização. Ela constitui a principal característica do núcleo histórico que o mundo contemporâneo experimentou desde a queda do Muro de Berlim (1989) e a desagregação da União Soviética (1991). O poder da globalização como política e como ideologia é tão marcante a ponto de questionar a tríade sobre a qual se apoiaram os regimes liberais e democráticos com o advento das revoluções burguesas do final do século XVIII, assim constituída: a) democracia, soberania e cidadania. b) igualitarismo, Estado-Nação e democracia. c) Estado-Nação, igualitarismo e laissez-faire. d) Estado-Nação, território e soberania. e) cidadania, igualitarismo e soberania.

Resposta: D Numa perspectiva negativa, a globalização é vista como uma das principais causadoras do aumento da exclusão social, ao intensificar o desemprego estrutural.

Resposta: D O Estado moderno foi assentado nos princípios de Estado-Nação, território e soberania.

Exercício Extra 3. (ENEM) Você está fazendo uma pesquisa sobre a globalização e lê a seguinte passagem, em um livro: A sociedade global As pessoas se alimentam, se vestem, moram, se comunicam, se divertem, por meio de bens e serviços mundiais, utilizando mercadorias produzidas pelo capitalismo mundial, globalizado. Suponhamos que você vá com seus amigos comer Big Mac e tomar Coca Cola no McDonald’s. Em seguida, assiste a um filme de Steven Spielberg e volta para casa num ônibus da marca Mercedes. Ao chegar em casa, liga seu aparelho de TV Philips para ver o videoclipe de Michael Jackson e, em seguida, deve ouvir um CD do grupo Simply Red, gravado pela BMG Ariola Discos em seu equipamento AIWA. Veja quantas empresas transnacionais estiveram presentes neste seu curto programa de algumas horas.

Com base no texto e em seus conhecimentos de geografia e história, marque a resposta correta. a) O capitalismo globalizado está eliminando as particularidades culturais dos povos da terra. b) A cultura, transmitida por empresas transnacionais, tornou-se um fenômeno criador das novas nações. c) A globalização do capitalismo neutralizou o surgimento de movimentos nacionalistas de forte cunho cultural e divisionista. d) O capitalismo globalizado atinge apenas a Europa e a América do Norte. e) Empresas transnacionais pertencem a países de uma mesma cultura.

PRAXEDES et alli. O Mercosul. São Paulo: Ed. Ática, 1997. Adaptado.

Roteiro de estudos Leia com atenção

Sociologia 1 – Capítulo 5, item 3

Tarefa proposta

Questões 113, 114, 118, 119

EM2D-09-12

Tarefa suplementar

Reforço

Questões 115, 116, 117

Aprofundamento

Questão 120

30

Anotações

Atividades: Resoluções

31

Sociologia 182 Módulo 1 3.

V, V, V, F A quarta proposição é falsa, uma vez que a sociedade burguesa industrial não se assentou em relações sociais fundadas no coletivismo.

Módulo 2 3.

E O nascimento da sociologia ocorreu na passagem da modernidade para a contemporaneidade, ou seja, ocorreu em um momento de consolidação do capitalismo, em detrimento do que ainda restava de feudalismo.

Módulo 3 3.

F, V, V, V A primeira proposição é falsa, já que, para Durkheim, a divisão social do trabalho é vista como um fator de aumento da solidariedade orgânica.

Módulo 4 3.

E Em sua teoria sociológica, Durkheim não se guia por preocupações com um indivíduo, mas, sim com a coletividade, com o social.

Módulo 5 3.

F, F, V, V Proposição 1: falsa. Uma ação racional com relação a fins não é destituída de valores. Proposição 2: falsa. Em geral, as ações racionais orientam a conduta dos agentes em sociedades modernas, mas essa conduta também pode ser orientada pelas ações emocionais e tradicionais.

Módulo 6 3.

B As teorias filosóficas, históricas e sociológicas de Marx são denominadas de materialismo histórico.

Módulo 9 3.

E O texto e o quadrinho se referem à divisão do trabalho no ambiente fabril; o texto não está necessariamente relacionado à produção informatizada, enquanto o quadrinho não se refere à produção artesanal. Isso anula a segunda proposição.

Módulo 10 3.

E As disparidades entre alta tecnologia e condições precárias de trabalho, como as que existem no corte da cana, são demonstrativos de que os avanços tecnológicos nem sempre são aproveitados por todos os seres humanos. Além disso, muitas vezes esses avanços tiram o trabalho de muitos indivíduos, o que agrava o problema da exclusão social.

Módulo 11 3.

V, V, F, V, F No capitalismo, nem sempre as empresas favorecem os trabalhadores, o que torna falsa a afirmação feita na proposição de número três. A acumulação de capital pelo empresário é dos fundamentos básicos do capitalismo, tornando falsa a quinta proposição.

Módulo 12 3.

D A alternativa D apresenta uma relação correta entre as atuais formas de gerenciamento da produção, associadas a novas tecnologias, e a questão do desemprego estrutural.

Módulo 13 3.

D A concepção de governo descrita no enunciado corresponde à teoria liberal.

Módulo 14 3.

Módulo 7

A Marx ressaltava as condições sociais e a exploração que existia no mundo capitalista, criando a luta de classes.

21 (01 + 04 + 16) Proposição 02: falsa. O princípio de cidadania remonta à Grécia Antiga. Proposição 08: Do ponto de vista legal, os direitos de cidadania nem sempre foram um privilégio exclusivo das elites econômicas, a exemplo das sociedades democráticas modernas.

Módulo 8

Módulo 15

3.

3.

A De acordo com a teoria do filósofo André Gorz, enquanto vendedor de roupas o indivíduo está praticando um trabalho alienado, mas, ao criar cachorros, realiza um trabalho autônomo, independente.

3.

A De acordo com o texto, o capitalismo globalizado busca a homogeneização cultural, o que implica na eliminação das especificidades culturais de cada povo.

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Índice: Sociologia 182 Capítulo 1. O surgimento da sociologia 1. As ciências sociais.........................................................................................................................................35 2. O contexto histórico do surgimento da sociologia..............................................................................................35 3. O positivismo de Auguste Comte......................................................................................................................37 Capítulo 2. Os clássicos da sociologia 1. A sociologia de Émile Durkheim.......................................................................................................................38 2. A sociologia de Weber.....................................................................................................................................39 3. A sociologia de Karl Marx................................................................................................................................ 41 4. Materialismo histórico: a infraestrutura e a superestrutura.................................................................................43 Capítulo 3. Trabalho e sociedade 1. Conceito e evolução do trabalho......................................................................................................................44 2. Trabalho: da crítica marxista à sociedade informática........................................................................................45 3. Desenvolvimento tecnológico e relações de trabalho na sociedade contemporânea................................................46 Capítulo 4. Capitalismo e sociedade 1. O capitalismo e sua expansão..........................................................................................................................48 2. Sociologia e desenvolvimento: do evolucionismo à globalização..........................................................................49 Capítulo 5. A ciência política 1. A questão do Estado.......................................................................................................................................52 2. Democracia e cidadania..................................................................................................................................52 3. Estado e globalização.....................................................................................................................................53

EM2D-09-11

Índice: Sociologia 182

Sociologia 182

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Capítulo 1. O surgimento da sociologia

O

s seres humanos e os demais animais têm em comum características como movimentar-se, comer, beber, dormir, trabalhar, entre outras. Porém, certas habilidades só são possíveis entre as pessoas, devido ao fato de o homem ser um ente cultural. Isso significa que os seres humanos são capazes de criar uma série de coisas e idéias que vão além da natureza. Dessa forma, o homem superou sua condição natural, por meio do acúmulo de conhecimento e da vida em sociedade, o que será o nosso objeto de estudo a partir de agora.

1. As ciências sociais

EM2D-09-11

As ciências sociais buscam entender como o homem é capaz de produzir o conhecimento que se manifesta em costumes, convenções, hábitos, instituições e instrumentos, o que chamamos de cultura, ou seja, tudo aquilo que não é natural, mas sim produzido pelo homem. Consequentemente, as ciências sociais procuram também compreender como se estabelecem as relações entre os homens, ou seja, como se formam as relações sociais. O desenvolvimento das relações sociais ao longo da história e a ampliação do grau de complexidade de suas expressões acabaram por favorecer, no campo das ciências, uma crescente especialização. Devido a isso, podemos apresentar divisões que tentam abarcar aspectos específicos dessa movimentação das sociedades humanas. • Direito: esta ciência não somente estuda o fato jurídico — representado pelas leis e por quem as define e estabelece punição para os que as transgridem — mas também possui um caráter normativo, ou seja, estabelece valores e regras de conduta. • Economia: partindo do princípio da escassez, esta ciência pressupõe que os bens materiais são finitos e daí a sua produção e circulação se constituírem em uma economia de mercado, caracterizada por um constante conflito entre oferta e procura. A ciência econômica busca entender esse processo. • Antropologia: surgida no final do século XIX, tem como objeto de estudo fundamental a cultura. Mais que isso, busca estudar as culturas diferentes da cultura euro-péia, pois os primeiros estudos antropológicos se realizaram na África, quando se procurou entender a cultura dos povos daquele continente para esclarecer seus modelos de organização social. • Ciência política: trata-se de uma ciência social recente, que teve seu princípio nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha. Tem como objetivo estudar o conceito de poder e suas implicações nas sociedades democráticas. Realiza pesquisas eleitorais, estuda grupos e partidos políticos e analisa o Estado e as diversas formas de governo, além das diferentes ideologias políticas, como o liberalismo e o socialismo. • Sociologia: esta ciência nasceu na França, no século XIX. Procura entender como a esfera social se manifesta e conserva seus valores. Além de possuir um caráter científico, também procura intervir no processo social de maneira a solucionar os diversos problemas que afetam as sociedades contemporâneas. As ciências sociais tendem a se relacionar de maneira interdisciplinar, pois a realidade social se manifesta

de forma complexa. Exemplos dessa complexa interdisciplinaridade são a história econômica (que estuda o processo histórico de uma sociedade qualquer a partir de uma perspectiva econômica ou como as pessoas produzem e distribuem os bens econômicos) e a sociologia política (que se ocupa em esclarecer as formações de Estados e de regimes e partidos políticos de qualquer sociedade).

2. O contexto histórico do surgimento da sociologia

Na Idade Antiga, já existia na filosofia grega uma preocupação com a sociedade através de obras como A República, de Platão, e Política, de Aristóteles. Na primeira obra, encontra-se o projeto de como a cidade-Estado deve ser organizada para se evitarem as crises políticas e sociais, estipulando-se até o número máximo de habitantes. Já na segunda, Aristóteles acreditava que as crises eram inevitáveis para as cidades, e também afirmava não haver maneira de escapar das mudanças institucionais para preservar estes pequenos Estados. Nos tempos medievais, obras como A cidade de Deus, de Santo Agostinho, trabalhavam com temas sociais a partir da visão cristã dominante na época. Segundo esse teólogo, os homens só poderiam se redimir diante de Deus a partir da construção de comunidades que reproduzissem o seu reino, tendo como fundamento o princípio de que cada grupo social deve ter uma função para que haja o bem-estar de todos. Com o advento do Iluminismo, no século XVIII, a sociedade passa a ser cada vez mais abordada como uma problemática maior para os adeptos da “filosofia das luzes”. Dentre os vários pensadores sociais dessa escola, destacamos Rousseau. Seu pensamento sociológico reside em duas premissas: a da bondade inerente aos homens e a da legitimidade do poder político. Para esse pensador, os homens nascem bons, mas a sociedade os corrompe; daí a necessidade de um método educativo que respeitasse a espontaneidade. Quanto à questão do poder, Rousseau defendia que a soberania pertence exclusivamente ao povo, que não pode cedê-la ou renunciar a ela. Em meio ao Iluminismo, a Europa viu acontecer muitas e importantes mudanças no cenário político, econômico e social, como as revoluções Francesa e Industrial. Esses acontecimentos proporcionaram a criação de um cenário de instabilidade e contradição, com: • a ascensão política da burguesia; • o investimento em tecnologia; • a consolidação do processo de industrialização;

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• o aumento da produção; • o aparecimento do proletariado e de sua consciência de classe; • o surgimento de um grande número de desempregados; • o êxodo rural e o consequente processo de urbanização; • a miséria e as injustiças sociais. É neste contexto que surge a necessidade de se interpretar e compreender os problemas da sociedade urbanoindustrial, além de se explicar essa nova ordem social, política e econômica. É assim que, no século XIX, surge a sociologia, dotada de arcabouço teórico, com um método específico e um objeto de estudo definido. A sociologia é uma ciência que estuda os fenômenos sociais, procurando refletir sobre eles e tentando explicá-los por meio de certos conceitos, técnicas e métodos. Seu campo de estudo é toda a organização da sociedade e tudo o que acontece com os seus integrantes.

O que acontece quando um ser humano não é criado no convívio social? Existem vários casos nos quais isso ocorreu, sendo um deles o que ficou conhecido como o Menino de Aveyron. Em 1799, um garoto com aproximadamente 12 anos foi encontrado perto da floresta de Aveyron, no sul da França. Andava de quatro e não falava uma palavra. Chamado de Victor pelas pessoas que o encontraram, acredita-se que ele tenha sido abandonado pelos pais e cresceu sozinho na floresta. Levado para Paris, ele ficou sob os cuidados do médico Jean-Marc-Gaspar Itard, que, durante cinco anos, dedicou-se a ensiná-lo a falar, a ler e a se comportar como um ser humano. Contudo, os esforços do Dr. Itard foram praticamente em vão, pois pouco progresso foi conseguido. Victor morreu em 1828. Em 1969, o diretor François Truffaut lançou o filme O menino selvagem (título original: L’enfant sauvage), no qual retratou o caso do Menino de Aveyron.

Atividade Sugerida Leia atentamente o texto para, em seguida, levantar questões que você entende como relevantes para a compreensão das sociedades humanas. A importância da sociologia Agimos num meio social que influencia profundamente nossa maneira de sentir e ser em relação a nós mesmos e ao mundo que nos cerca, como nós vemos e percebemos os acontecimentos, como agimos e pensamos, e onde e a que distância podemos ir na vida. Às vezes, a limitação é óbvia, até mesmo opressiva e enfraquecedora; muito frequentemente é sutil e até mesmo despercebida. Entretanto, ela está constantemente moldando nossos pensamentos, sentimentos e ações. Examine a situação de um aluno de faculdade. Há grandes valores culturais e crenças que enfatizam a importância da educação e, desse modo, forçam os alunos a perceber e acreditar que eles devem ir à faculdade. Para alguns, há pressões e expectativas dos pais, tornando as pressões para ir à escola ainda maiores. Há limitações da própria escola – presença, fichas de leitura, provas – definindo o que se pode fazer. Há pressões de classe social – quanto dinheiro se tem para gastar –, que determinam se um aluno deve também trabalhar enquanto vai à escola. E, se o trabalho é necessário, há limitações do próprio local de trabalho, bem como os problemas de horário e conciliação entre escola e trabalho. A própria esposa e os filhos da pessoa podem limitá-la a um horário apertado. Existem as restrições de economia e mercado de trabalho que afetam as decisões dos alunos sobre seus principais objetivos de carreira acadêmica e de vida. As políticas

governamentais que afetam os fundos públicos para os alunos (empréstimos, doações, bolsas de estudos para pesquisas) e para a faculdade ou universidade como um todo. Essas restrições governamentais e econômicas são, por sua vez, amarradas à política econômica mundial como balanças da autoridade geopolítica e do comércio econômico. Há um ponto que está claro: todos nós vivemos numa teia complexa de causas que dita muito do que vemos, sentimos e fazemos. Nenhum de nós é totalmente livre; na verdade, podemos escolher nosso caminho na vida cotidiana, mas nossas opções são sempre limitadas. Isso reforça a idéia sociológica de que o homem é produto e produtor de sua cultura. Ele constrói o seu meio e é por este construído. A sociologia examina essas limitações e, como tal, é uma área muito ampla, pois estuda todos os símbolos culturais que os seres humanos criam e usam para interagir e organizar a sociedade; ela explora todas as estruturas sociais que ditam a vida social, examina todos os processos sociais, tais como desvio, crime, divergência, conflitos, migrações e movimentos sociais, que fluem através da ordem estabelecida socialmente; e busca entender as transformações que esses processos provocam na cultura e estrutura social. TURNER, J. H. Sociologia: conceitos e aplicações. São Paulo: Makron Books, 2000.

Sociologia 182 3. O positivismo de Auguste Comte

Nascido em Montpellier, França, Auguste Comte foi o criador da filosofia positivista, por meio da qual buscou realizar um projeto de física social, ou, como ele mesmo chamou, um projeto de sociologia. Sua “teoria positiva” partia do princípio de que os homens deveriam aceitar a ordem existente, não devendo contestá-la. Ao ser humano caberia “revelar” o mundo, não existindo a possibilidade de “mudá-lo”. Sendo assim, o objetivo da sociologia seria o de definir “o que a sociedade é”, e não o de dizer “o que ela deveria ser”. O positivismo está alicerçado na prática da coleta de dados sobre determinada sociedade, cuja análise deve ser feita a partir da constatação e confirmação desses dados. Esse sistema filosófico é composto: • pelo pragmatismo, isto é, o valor prático considerado como critério da verdade; • pelo empirismo, ou seja, pelo conhecimento adquirido através da experiência. AFP / ROGER_VIOLLET

Figura 1.1. Auguste Comte (1798-1857)

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Não basta, portanto, a apresentação de idéias vagas, sem consistência, e, principalmente, sem fundamentação. A sociologia é vista então como uma ciência do entendimento, pois, para se entender o espírito humano, é necessário observar sua atividade e sua obra na sociedade através dos tempos. O modo de pensar e a atividade do espírito são solidários com o contexto social, estando vinculados a uma determinada época de cada pensador. A sociologia seria uma tentativa de compreender o ser humano em grupo; concentra-se em nossa vida social. Não enfoca a personalidade do indivíduo como a causa do comportamento, mas examina a interação social, os padrões sociais e a socialização em processo (origem e desenvolvimento das sociedades). Comte pretendia separar definitivamente toda e qualquer influência proveniente da filosofia, da economia ou da política, enfocando somente o aspecto social para objeto de estudo. O positivismo visava à aplicação da metodologia das ciências naturais na confecção das ciências sociais. Acreditava, também, na constante evolução do homem, e pensava que a sociologia deveria solucionar a questão social decorrente da Revolução Industrial. A sociologia de Comte se fundamenta em três princípios: 1) Prioridade do todo sobre as partes; 2) Progresso dos conhecimentos como característica da humanidade; 3) Homem igual em qualquer lugar e qualquer momento histórico. Disso resulta a classificação das sociedades, a partir da interpretação da Lei dos Três Estados. Segundo Comte, a humanidade passa por três estágios de evolução social: • O teológico, momento no qual os homens explicam os fenômenos diversos através dos deuses; • O metafísico, através de idéias gerais, como o pecado original, por exemplo, se estabelecem os valores sociais; • O positivo ou científico, no qual as explicações devem decorrer do método científico, que seria o momento das sociedades industriais. O pensamento comtiano causou grande influência na sociologia de Émile Durkheim, que, juntamente com Max Weber e Karl Marx, formam os chamados “clássicos do pensamento sociológico”.

Atividade Sugerida O positivismo teve grande repercussão no Brasil durante o século XIX. Faça uma pesquisa sobre o desenvolvimento da filosofia positivista no Brasil dessa época, procurando enfocar sua influência sobre a política, especialmente na Proclamação da República, em 1889.

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Capítulo 2. Os clássicos da sociologia

Chamamos de autores “clássicos” aqueles cujas obras fundamentam a área do conhecimento que eles se propõem a estudar. Além da fundamentação da ciência, essas obras são importantes e reconhecidas por sua originalidade, o que as mantém vivas ao longo do tempo. Na Sociologia, os clássicos remetem a três autores do século XIX, época de consolidação da sociologia enquanto ciência: Durkheim, Weber e Marx.

1. A sociologia de Émile Durkheim

Podemos afirmar que a sociologia de Comte mais se assemelhou a uma proposta de conduta social do que propriamente a uma ciência social. É por isso que muitos sociólogos afirmam que a sociologia enquanto ciência nasceu com outro francês: Émile Durkheim. Durkheim nasceu em 15 de abril de 1858, na cidade de Épinal, na região francesa da Alsácia-Lorena. Formouse na Escola Normal Superior de Paris em 1882. Lecionou filosofia nos liceus de Sens, Saint-Quentin e Troyes entre 1882 e 1885. Em 1887, aos 29 anos de idade, tornou-se responsável pela cátedra de sociologia na Universidade de Bordéus, onde começou a escrever algumas de suas obras. Em 1902, de volta a Paris, foi nomeado assistente na cadeira de Ciência da Educação, e, em 1910, transformou-a em cadeira de Sociologia. Entre as principais obras desse importante sociólogo estão: As regras do método sociológico, Da divisão do trabalho social, O suicídio e As formas elementares da vida religiosa. Após toda uma vida de exclusiva dedicação ao ensino e pesquisa da ciência da sociedade, tendo passado este empenho para seus familiares, como seu sobrinho Marcel Mauss, importante Figura 2.1. Émile antropólogo, Durkheim Durkheim (1858-1917) faleceu em 15 de novembro de 1917. A sociologia de Durkheim tem como objeto de estudo os fatos sociais, por meio dos quais é possível apreender o que é uma sociedade. Essa preocupação tem origem no positivismo, pensamento social atuante na França do século XIX, que procurou estudar a sociedade da mesma forma como ocorre nas ciências naturais.

Segundo Durkheim, o fato social é tudo aquilo que pode ser considerado como coisa, ou seja, tudo o que existe nas sociedades humanas e que pode ser tratado da maneira como a Física estuda os corpos e seus movimentos. Nas palavras do próprio autor, o fato social “é toda aquela maneira de fazer, fixada ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior”. A partir dessa concepção, podemos afirmar que fato social é todo aquele acontecimento que possui três características fundamentais: • Generalidade – Todo fato social deve ocorrer em qualquer sociedade humana, como, por exemplo, a divisão do trabalho, o matrimônio e as leis. • Coercitividade – É a qualidade de imposição que todo fato social deve exercer sobre os indivíduos. A capacidade de coerção de um fato social deve-se ao fato de este fenômeno existir antes de nós chegarmos ao mundo. Por exemplo, as regras e normas diversas existem e, se não as acatamos, somos passíveis das respectivas punições; • Exterioridade – Essa característica tem origem em outro conceito também importante na sociologia de Durkheim, que é o de consciência coletiva. Derivada da coercitividade, a exterioridade significa que o fato social é externo ao indivíduo, ou seja, está além da sua consciência particular ou individual. Outra preocupação de Durkheim foi com a questão da neutralidade e objetividade da sociologia. Segundo esse pensador social, é recomendável ao pesquisador social manter uma atitude de distanciamento do objeto de estudo, como ocorre nas ciências naturais. Isto é possível através de uma rígida separação entre o objeto a ser estudado e o sujeito que o estuda, além do que, cabe ao sujeito tratar o respectivo objeto como coisa. O sociólogo francês também buscou elaborar uma classificação das sociedades, cujo critério era baseado na solidariedade humana, dividida em dois tipos: a solidariedade mecânica e a solidariedade orgânica. A primeira é fundamentada nos laços de parentesco, religião e tradições em geral. É típica das sociedades pré-capitalistas. A segunda já é mais comum entre as sociedades modernas ou capitalistas, e está calcada na divisão do trabalho, pois Durkheim afirmava que esta divisão é básica em qualquer sociedade, porém, nas sociedades capitalistas, ela praticamente é a mais importante para a manutenção da coesão social.

Atividade Sugerida Leia com atenção o que Durkheim escreveu em seu livro As regras do método sociológico, em 1895: Desde já é impossível para um sociólogo possuir o conhecimento enciclopédico de sua ciência, mas é preciso que cada estudioso se dedique a uma ordem especial de problemas, se ele não quiser se contentar com visões muito gerais e muito

vagas, que podiam ter sua utilidade quando a Sociologia tentava apenas explorar o seu domínio e tomar consciência de si própria, porém às quais ele não pode mais se ater. Isso não significa, no entanto, que não haja mais lugar para uma ciência sintética, que se esforce para congregar todas as conclusões gerais que se depreendem dessas ciências

Sociologia 182 particulares. Por mais diferentes que sejam uns dos outros, os diversos tipos de fatos sociais não são, portanto, senão espécies de um mesmo gênero; deve-se, pois, pesquisar o que proporciona a unidade do gênero, o que caracteriza o fato social in abstracto e se não existem leis bem gerais de que as diversas leis estabelecidas pelas ciências especiais são formas particulares. Este é o objeto da Sociologia Geral, da mesma maneira que a Biologia Geral tem por objeto distinguir as propriedades e as leis mais gerais da vida. Esta é a parte filosófica da ciência. Mas, como o valor de uma síntese depende do valor das análises de que resulta,

O bom funcionamento da sociedade Durkheim também manifestou uma grande preocupação com o bom funcionamento das sociedades humanas, o que nos levou a classificá-lo como um funcionalista. Para avançarmos um pouco mais nessa questão, precisaremos tomar contato com o conceito de instituição social. Por instituição social, podemos tomar uma determinada regra ou um valor que sejam reconhecidos, aceitos e confirmados pela sociedade, pois sua importância advém do fato de serem estratégicos para manter a organização social e satisfazer as necessidades dos indivíduos. Assim, em qualquer sociedade, há várias instituições desse tipo, como a família, a escola, o governo, a religião; todas elas são mecanismos de proteção e manutenção da sociedade.

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desenvolver este trabalho de análise constitui a tarefa mais urgente da Sociologia. DURKHEIM, Émile. As regras do método sociológico. 10. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1982.

Perceba a preocupação desse sociólogo com a fundamentação da sociologia enquanto ciência. No século XIX, essa era uma prática comum entre os cientistas das mais variadas áreas do conhecimento. À medida que isso ocorria, ficava cada vez mais evidente a separação entre a filosofia e a ciência. Faça uma discussão em grupo, procurando debater as diferenças e as semelhanças entre a filosofia e a sociologia.

Uma sociedade sem regras claras, sem valores delimitados e sem limites é uma sociedade em estado de anomia, o que pode levar os indivíduos que a compõem a um profundo desespero. Em sua obra O suicídio, de 1897, Durkheim procurou demonstrar a relação entre a anomia e o alto número de suicídios ocorridos na Europa no século XIX.

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Para Durkheim, (...) a religião é uma das fontes na qual se criam regras de comportamento, normas e garantias de harmonia entre os homens. Ou seja, é também através dela que as sociedades se organizam, se estruturam e formam uma imagem de si mesmas. Quantas vezes, por exemplo, ouvimos dizer que quem é religioso é também sério, honesto, cumpridor de seus deveres e obrigações? Ou seja, seguidor de regras de comportamentos que a própria sociedade cultiva. OLIVEIRA, L.F. ; COSTA, R.C.R. Sociologia para jovens do século XXI. Rio de Janeiro: Imperial Novo

Por essa época, as instituições sociais europeias se encontravam enfraquecidas, pois havia muitos valores tradicionais sendo rompidos, sobretudo por conta da industrialização e todas as vantagens e desvantagens que ela trouxe em seu bojo. Figura 2.2. A família é uma das principais instituições sociais. É nela que tomamos contato com as primeiras lições sobre a vida em sociedade.

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Durkheim teve um apreço especial em relação às instituições sociais, exatamente por entender a importância delas para o bom funcionamento de qualquer sociedade. Isso nos remete a outra preocupação desse sociólogo, qual seja, a questão de saber o que é um fato social normal e um não-normal, ou, mais precisamente, a anomia. Para Durkheim, a sociedade é semelhante a um organismo que apresenta estados normais e estados patológicos. Aqueles se caracterizam por representar um consenso entre os indivíduos, enquanto estes significam a ruptura desse consenso. Em uma sociedade em que as instituições estejam corrompidas, a anomia operará largamente, isto é, ocorrerá uma patologia social que provocará a desestruturação social.

Atividade Sugerida

Forme um grupo para debater sobre as principais instituições sociais aqui apresentadas, procurando definir se em nossa sociedade elas possuem um caráter mais conservador ou mais progressista. Aproveitamos para sugerir que o grupo assista ao filme Casamento grego (My Big Fat Greek Wedding. EUA, 2002. Direção: Joel Zwick), pois se trata de uma comédia romântica que aborda a questão da importância da família.

2. A sociologia de Weber

De acordo com a perspectiva funcionalista de Durkheim, um fenômeno social só serve se funcionar para a integração e a manutenção de uma sociedade.

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Na Alemanha, talvez por sua tardia revolução industrial, a diversidade era aceita como elemento importante para se estudar sociologia. Wilhelm Dilthey (1833-1911), filósofo e historiador alemão, enfatizava a diferença entre entender e compreender. Entender é estabelecer uma única razão sobre determinado fenômeno, como ocorre na Física. Compreender é ter empatia ou experimentar tal evento, pois cada ação humana é particular, possui o seu significado característico. Os cientistas sociais alemães tinham claro que era necessário compreender as ações sociais. O mais importante deles foi Max Weber. Nascido em 21 de abril de 1864, na cidade de Erfurt, Alemanha, Max Weber foi o primogênito de oito filhos. Teve uma forte criação protestante por parte de sua mãe. O pai foi jurista e político. Mudou-se para Berlim, com a família, em 1869. Entrou na Faculdade de Direito de Heidelberg em 1882, mas, no ano de 1883, interrompeu os estudos para prestar um ano de serviço militar em Estrasburgo, retomando a atividade estudantil no ano seguinte. FormouFigura 2.3. Maximillian Karl se em 1888. Em 1891, esEmil Weber (1864-1920) creveu sua tese História das Instituições Agrárias. Por motivos de saúde, licenciou-se do magistério em Heidelberg, de 1898 a 1899. Viajou para os Estados Unidos no ano de 1905, experiência que marcaria sua formação intelectual. Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), ocupou o posto de capitão do exército alemão, encarregado de administrar nove hospitais. Mudou-se para Viena em 1918 e, no ano posterior, foi um dos redatores da Constituição da República de Weimar e assessor da delegação alemã, durante as negociações de paz em Versalhes. Weber faleceu em 1920. Dentre seus livros, destacam-se: A ética protestante e o espírito do capitalismo, Economia e sociedade e Ciência e política: duas vocações. Max Weber acreditava que o conhecimento vinha da experiência, mas era inevitavelmente fragmentado e só poderia abordar um dos aspectos daquilo que chamamos de realidade. Assim, Weber raciocinava que as ciências humanas, no caso específico a sociologia, não poderiam ser estudadas ou ser comprovadas como a física, a química ou mesmo a matemática. Essas ciências conseguem demonstrar uma relação de causa e efeito, quando estudam os seus respectivos objetos de estudo. O verbo mais correto para o ofício do sociólogo não é entender, ou estabelecer uma relação de causa e efeito, e sim compreender.

A análise da realidade social de Weber pressupõe, além de uma visão histórica, a utilização do conceito de ação social: este é o objeto de estudo da sociologia weberiana. Toda ação social: • consiste na conduta humana dotada de sentido, de uma justificativa elaborada de forma subjetiva; • é um comportamento consentido e planejado, portanto; é uma ação intencional; • tem o seu sentido relacionado com os outros, ou seja, nela os seres humanos ajustam-se de situação para situação; trata-se de atuar tendo os outros em mente; • ocorre quando todos se comportam de acordo com o que se faça, como, por exemplo, usar roupas adequadas a cada situação social. Sendo assim, a ação social para Weber é a conduta humana, pública ou não. Essa conduta, por sua vez, pode ser dividida da seguinte maneira: • ação tradicional – aquela que existe e não é contestada, como o poder de um pai sobre o filho, por exemplo; • ação afetiva (ou emocional) – trata-se de todas aquelas que sejam motivadas pela emoção, e não pela razão; • ação racional – pensar, planejar, antecipadamente, o comportamento de acordo com os outros. Ela pode ocorrer com relação a valores ou com relação a fins. Para Weber, na sociedade capitalista moderna o que predomina é o racional com relação a fins. Essa mentalidade cria um tipo de autoridade e dominação na sociedade: a dominação racional legal, que tem como meta o planejamento voltado para os objetivos. A questão da racionalização presente no mundo contemporâneo, segundo Weber, também está presente na esfera do Estado, cuja burocratização expressa esse alto grau de ação racional. Ao contrário de Durkheim, cuja idea era de que a sociedade submete os indivíduos, Weber não via contradição entre indivíduos e sociedade, pois somente o sentido ou significado de um fato social poderia ser conhecido ou compreendido. Uma pessoa entrega um papel para outra e isso é um fato social, mas o papel pode ser desde um bilhete até uma nota promissória. É o seu significado que irá estabelecer uma relação social, que é quando uma ação de um indivíduo é correspondida por outro. Assim, para o pai da Sociologia Compreensiva, a realidade social não é única e também não é possível de se estabelecer uma sociologia que contenha as leis gerais da sociedade humana, como era o caso de Durkheim e dos positivistas em geral. Devemos ter uma perspectiva histórica das sociedades a serem analisadas. Isso significa que cada sociedade é particular, mesmo que haja afinidades, como a economia de mercado, no caso das sociedades capitalistas, e, para compreender essas sociedades, devemos compreender aquilo que é valioso para seus integrantes, sua cultura. E, mesmo assim, o sociólogo sempre deve se preocupar em aprimorar seu objeto de estudo, pois a objetividade plena nas ciências sociais é impossível.

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As desigualdades sociais: Weber e a estratificação social Segundo Weber, a sociedade se assenta sobre três dimensões distintas: a econômica, a social e a política. (...) A dimensão econômica estratifica a sociedade através dos critérios pautados na riqueza, na posse a na renda. (...) A dimensão social funda uma maneira de estratificação baseada no status. O seu elemento definidor é a honra e o prestígio que as pessoas e/ou grupos desfrutam, ou não desfrutam, a posição que ocupam na sua profissão, em seu estilo de vida etc. A dimensão política funda um modo de estratificação baseado no poder. Quanto mais poder os indivíduos e/ou grupos ostentarem, melhor eles se posicionarão na escala de reconhecimento no interior dessas relações de poder e de dominação. A abordagem multidimensional de Max Weber parte do pressuposto de que os indivíduos podem se situar na escala de estratificação de modo diferente nessas três dimensões. REZENDE, M. J. de. “As desigualdades sociais”. In TOMAZI, N. D. Iniciação à Sociologia. 2. ed. São Paulo: Atual, 2000.

Atividade Sugerida

Leia o que Weber escreveu sobre a ação social: “Nem todo tipo de contato entre pessoas tem caráter social, senão apenas um comportamento que, quanto ao sentido, se orienta pelo comportamento de outra pessoa. Um choque entre dois ciclistas, por exemplo, é um simples acontecimento do mesmo caráter de um fenômeno natural. Ao contrário, já constituiriam ‘ações sociais’ as tentativas de desvio de ambos e o xingamento ou a pancadaria ou a discussão pacífica após o choque”.

WEBER, Max. Economia e Sociedade. Volume 1. Brasília: Editora UNB, 1991.

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Com base em Weber, estabeleça algumas ações sociais que você pratica no seu dia-a-dia.

3. A sociologia de Karl Marx

As teorias de Marx, sobre as sociedades humanas, fundamentaram aquilo que chamamos de socialismo científico e serviram de base para movimentos sociopolíticos e revolucionários, como os ocorridos na Rússia, em 1917, na China, em 1949 e em Cuba, em 1959. Em outras palavras, Marx foi um crítico ferrenho da sociedade capitalista e um defensor do socialismo e do comunismo. AFP ARCHIVES

Enquanto método de investigação para podermos estudar uma sociedade, Weber recomenda o conceito de tipo ideal, um conceito-limite puramente ideal estabelecido pelo sociólogo, por meio do qual ele pode medir a realidade, através de comparações, com vistas a esclarecer o conteúdo empírico de seu objeto em estudo. O caso mais famoso de uso do conceito de tipo ideal foi o do capitalismo, no qual Weber estabeleceu que os países de religião protestante seriam mais adiantados que os católicos porque os primeiros valorizaram o trabalho e a parcimônia, elementos imprescindíveis no capitalismo, e os segundos preferiram o ócio e o desapego material. Nesse livro, Weber procura mostrar que sem a Reforma Protestante, em especial o Calvinismo, não seria possível acontecer o avanço do capitalismo da maneira como aconteceu, já que tal Reforma foi um dos alicerces para a criação e formação da sociedade industrial e capitalista, quando foi inserida a idea de que não é pecado trabalhar e ganhar dinheiro (poupar, negociar, cobrar juros), anteriormente abominada pelo catolicismo tradicional.

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Figura 2.4. Karl Heinrich Marx (1818-1883) Karl Marx nasceu na Alemanha, em 1818. Formou-se em Direito e doutorou-se em Filosofia, apesar de nunca ter exercido o magistério. Trabalhou como jornalista e exilou-se na França até se fixar, definitivamente, em Londres, onde faleceu em 1883. Dentre suas obras destacamse: O manifesto do partido comunista e A ideologia alemã – escritas em parceria com Friedrich Engels –, O dezoito de brumário de Luís Bonaparte, A miséria da Filosofia, Contribuição à crítica da economia política e O Capital. Seu pensamento foi fruto de três grandes teorias: a filosofia alemã (especificamente de Hegel), o socialismo francês e a economia política inglesa. A filosofia alemã contribuiu com a dialética, daí a razão de o materialismo histórico de Marx, também conhecido como materialismo dialético. A dialética é uma lógica de entendimento que tem como fundamento a contradição, encadeada em tese, antítese e síntese. Para Marx, a dialética é um instrumento de entendimento do processo social, que, por sua vez, movimenta a história da humanidade, por meio de uma constante luta de classes sociais. Como afirmou Marx: “a luta de classes sociais é o motor da História”. Dessa forma, Marx entendia que a vida humana é marcada por uma relação entre as pessoas e as coisas, ou relações de produção. Destas se estabeleceram as classes

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sociais que, basicamente, sempre se definiram em classe dominante, ou proprietária, dos meios de produção, e a classe dominada, ou não-proprietária, dos meios de produção. Os meios de produção são fundamentalmente terras, máquinas e ferramentas em geral. Daí sua Sociologia ser conhecida também como materialismo histórico. A luta de classes sociais se manifesta a partir dos conflitos entre dominados e dominantes, sempre levando em conta o caráter histórico desse processo. Disso tem-se o chamado modo de produção. Desde o surgimento da propriedade privada, temos tido vários modos de produção, como o primitivo, o asiático, o escravista, o feudal e o capitalista. Marx via nesse processo histórico dos modos de produção um sentido evolutivo e, no caso do capitalismo, a classe dominada (os operários) seria capaz de, por meio de uma união internacional do proletariado, destituir o poder econômico e político da burguesia, estabelecendo a ditadura do proletariado, que seria responsável pela posse dos meios de produção.

Nesse período de domínio da ditadura do proletariado, haveria o modo de produção socialista ou socialismo. Sem deixar muito claro como seria a passagem do socialismo para o comunismo, Marx acreditava, como escreveu no seu livro A ideologia alemã, que o socialismo seria um sistema intermediário entre o capitalismo e o comunismo, sistema este que seria responsável pelo desaparecimento das classes sociais e, consequentemente, do Estado. Assim, poderíamos resumir a sociologia de Marx como uma visão da sociedade através da luta de classes sociais, devido aos seus interesses antagônicos, sendo o capitalismo mais uma manifestação histórica dessa luta. Os problemas decorrentes desse sistema socioeconômico só poderiam ser solucionados por meio de uma forma radical: a eliminação do modo de produção capitalista ou assalariado, a partir de uma revolução proletária internacional contra a burguesia, ou seja, Marx condenava qualquer proposta que pudesse dar sobrevida ao capitalismo.

Atividade Sugerida I – Burgueses e proletários A história da sociedade se confunde até hoje com a história das lutas de classe. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, senhor e servo, mestre de corporação e companheiro, em outros termos, opressores e oprimidos em permanente conflito entre si, não cessam de se guerrearem em luta aberta ou camuflada, luta que, historicamente, sempre terminou em uma reestruturação revolucionária da sociedade inteira ou no aniquilamento das classes em choque. Já nos primórdios da história, pudemos constatar, por toda parte, a existência de uma nítida divisão da sociedade em classes, obedecendo a uma gradativa variação nas condições de vida. Na antiga Roma, encontramos patrícios, cavaleiros, plebeus, escravos. Na Idade Média, senhores, vassalos, mestres companheiros, servos. E, dentro de cada uma dessas classes, constatamos ainda a existência de subdivisões sociais. A sociedade burguesa de nossos dias, que emergiu dos escombros do feudalismo, não eliminou os conflitos de classes. O que fez foi apenas substituir as antigas formas de luta por outras novas, com novas classes sociais e novos meios de opressão. O que, porém, caracteriza a nossa sociedade burguesa é a simplificação dos antagonismos sociais. A sociedade toda vai se reduzindo paulatinamente a apenas dois grandes campos opostos, a duas grandes classes antagônicas: a burguesia e o proletariado. Dos servos da Idade Média provieram os burgueses privilegiados das cidades antigas. E, destes primeiros, burgueses descenderam, por sua vez, os primeiros elementos da atual burguesia. Com a descoberta da América e a circunavegação da África, abriram-se para a burguesia, em ascensão, novas possibilidades. A Índia e a China, com vastos mercados, a América em processo de colonização, o ativo comércio das

colônias, a evolução fantástica dos mecanismos de troca e o aumento das mercadorias, em geral, são os fatores que determinaram o desenvolvimento, jamais antes verificado, do comércio, da navegação, da indústria, acarretando consequentemente a aceleração do processo revolucionário no bojo da já combalida sociedade feudal. O feudalismo, com sua produção industrial circunscrita a grupos monopólicos fechados, já não podia atender à crescente demanda dos novos mercados. A produção manufatureira ocupou seu lugar. E os mestres das corporações foram substituídos pela pequena burguesia industrial e a divisão do trabalho, no interior das mesmas fábricas. Os mercados, porém, continuavam expandindo-se e a demanda aumentando sem parar. O próprio processo manufatureiro já estava obsoleto. Foi então que surgiram o vapor e a máquina, revolucionando todo o sistema de produção industrial. Entramos, assim, na era da indústria moderna que vem suplantar com seu gigantismo a manufatura, substituindo a classe média industrial pelos capitães da indústria, que são senhores de verdadeiros exércitos industriais, constituindo o que chamamos de burguesia moderna. MARX, K. ; ENGELS, F. O manifesto do partido comunista. 6. ed. Global Editora, 1986.

Leia atentamente o trecho do Manifesto do partido comunista que reproduzimos a seguir. Agora, vamos ampliar um pouco mais os seus conhecimentos sobre os modos de produção. Partindo do texto e dos seus conhecimentos de História, faça uma pesquisa sobre as principais características dos modos de produção asiático, escravista, feudal e capitalista, procurando enfatizar a luta de classes existente no núcleo de cada um deles.

Sociologia 182 4. Materialismo histórico: a infraestrutura e a superestrutura

Segundo Marx, é necessária a existência do homem para que este possa pensar, ou seja, primeiro o homem tem que produzir suas condições materiais e concretas de vida, pelo trabalho, que são os bens necessários à sua existência e à sua sobrevivência. A esse processo Marx deu o nome de infraestrutura. Existe uma base econômica na sociedade que está relacionada às formas de produção de bens necessários para a sobrevivência. A própria sociedade cria necessidades sempre superiores em quantidade e sem qualidade e são essas necessidades crescentes que incentivam o desenvolvimento constante das forças produtivas. Assim, o trabalho para o homem é ontológico, quer dizer, é indissociável da existência humana – não é uma opção. É por isso que o modo de produção consiste nas forças produtivas e nas relações sociais de produção que, juntas, criam a existência numa determinada sociedade. A desigualdade de propriedade cria contradições que provocam um processo revolucionário. As forças produtivas e as relações sociais determinadas por elas modificam-se a cada momento, por isso são determinadas historicamente e esse movimento ocorre à medida que vão aumentando as necessidades. É materialismo porque o homem está produzindo sua existência de forma concreta, trabalhando e produzindo as coisas da vida e, assim, a cada mudança nessa maneira de produção faz com que mude a maneira de se viver também. Para Marx, não são os pensamentos que determinam a vida; é a vida que determina os pensamentos. Esta é a base do materialismo histórico em contraposição ao idealismo hegeliano. Não são as relações sociais que determinam a vida, mas é a vida que determina as relações sociais. Vivemos de acordo com a nossa época e produzimos os bens necessários para esse modo de viver, a cada época. Entretanto, vejamos como, segundo Marx, a realidade aparece invertida e tomada de ideologia. Tendo o poder nas mãos, a burguesia faz o discurso filosófico que convence os trabalhadores de que a proposta de modernidade seria o melhor para o futuro. O Estado burguês de direito político, ou, nas palavras de Marx, a superestrutura, institui as ideias de igualdade e liberdade, conseguindo, com isso, a dominação através de sua ideologia. A burguesia tem poder econômico e consegue tomar o poder político para conven-

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cer a todos que esse é o melhor caminho; essa classe social dominante faz uso de um discurso que consiste na afirmação de que todos têm direitos iguais, desde que aceitem a relação de exploração. A superestrutura serve para reafirmar a ideologia de que esse modo de vida é o correto, a fim de manter o sistema. Para tanto, a Filosofia empresta sua contribuição para a formação do Estado burguês. O poder vem de cima para baixo, dizendo que existe uma lei e esta tem de ser respeitada. A sociedade é composta de classes opostas. Existem os opressores e os oprimidos, ou seja, aqueles que detêm o poder e os outros que têm que segui-los. Existe um conflito constante de interesses opostos. A dominação, portanto, é mascarada, mas está presente. Existe e sempre existiu a luta constante entre interesses opostos. O Estado, as leis e as normas existem para reproduzir o sistema burguês e com isso promover a alienação da consciência das classes. A Revolução Industrial acelerou o processo de alienação do trabalhador, dos meios de produção e dos produtos de seu trabalho. Marx acreditava que, pelo fato de o homem ter perdido sua liberdade em função do trabalho, houve uma desvalorização do mundo humano, crescente em razão direta da valorização do mundo das coisas, porque o objeto que o trabalho produz, o seu produto, contrapõe-se-lhe como um ser estranho, como um poder independente do produtor. Ideologia – Expressão criada no começo do século XIX pelo francês Destutt de Tracy com o significado de ciência que tem por objeto o estudo das ideias. Mais tarde, Karl Marx e Friedrich Engels deram a ela o sentido de consciência social de uma classe dominante, ou conjunto de ideias falsas e enganadoras destinadas a mascarar a realidade social aos olhos das classes dominadas, encobrindo as relações de dominação e exploração a que estão submetidas essas classes. Nessa acepção, ideologia teria o mesmo significado de “falsa consciência”. Atualmente, o termo é empregado com o sentido de conjunto de ideias dominantes em uma sociedade, ou como “visão de mundo” de uma classe social, de uma sociedade ou de uma época. OLIVEIRA, P. S. de. Introdução à Sociologia. 25. ed. São Paulo: Ática, 2004.

Atividade Sugerida A partir da visão de sociedade capitalista desenvolvida por Marx, faça uma pesquisa sobre a visão que os teóricos do liberalismo político-econômico têm a respeito dessa mesma sociedade, procurando estabelecer as divergências que existem entre essas duas correntes de pensamento social.

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Capítulo 3. Trabalho e sociedade

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trabalho humano é um dos principais meios de relações sociais, já que por meio dele é que transformamos a natureza para, assim, nos tornarmos seres produtores de cultura, o que também nos diferencia dos outros animais. Para a Sociologia, o estudo do trabalho e suas implicações são de fundamental relevância para a compreensão das sociedades.

1. Conceito e evolução do trabalho

O trabalho está constantemente presente em nossas vidas e na realidade que nos cerca. A Física entende que trabalho é todo movimento concretizado. Assim, as máquinas trabalham, os animais trabalham e, obviamente, os seres humanos trabalham. A diferença entre o trabalho humano e os outros trabalhos é que o do homem não só possibilita a satisfação das suas necessidades, através da exploração da natureza, mas também a modifica. Pode-se dizer que o trabalho é fundamental para que ocorra a chamada cultura humana, ou seja, tudo aquilo que é feito pelo homem através da relação entre o seu trabalho e a natureza.

Durante a Antiguidade Clássica (Grécia e Roma), os homens livres, principalmente os proprietários de terras, vangloriavam-se de possuir escravos e de manter o ócio, ou seja, não trabalhar. Ser escravo é ser propriedade de outro homem. O labor (trabalho) era considerado indigno de seres libertos. Daí, poderíamos deduzir que no mundo clássico ser considerado humano era ser livre, até do trabalho e, para isso, ser proprietário de escravos.

A palavra “alienação” tem um conteúdo jurídico que designa a transferência ou venda de um bem ou direito. Mas, desde a publicação da obra de Rousseau (1712-1778), passa a predominar para o termo a ideia de privação, falta ou exclusão. Filósofos alemães, como Hegel e Feuerbach, também fazem uso da palavra, emprestando-lhe um sentido de desumanização e injustiça que será absorvido por Marx. Este faz do conceito uma peça chave de sua teoria para a compreensão da exploração econômica exercida sobre o trabalhador no capitalismo. A indústria, a propriedade privada e o assalariamento alienavam ou separavam o operário dos “meios de produção” – ferramentas, matéria-prima, terra e máquina – e do fruto de seu trabalho, que se tornaram propriedade privada do empresário capitalista. COSTA, C. Sociologia: introdução à ciência da sociedade. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2005

Figura 3.1. Andre Gorz (1923-2007) Segundo o filósofo austro-francês André Gorz, autor do livro Adeus ao proletariado, há dois tipos de trabalhos realizados pelo homem: o autônomo e o heterônimo. Suponhamos que um operário de uma empresa metalúrgica produza autopeças para carros durante os dias da semana e cultive hortaliças nos fins de semana. A atividade de fim de semana é o trabalho autônomo ou consciente, enquanto fabricar as peças de automóveis em troca de salário mensal é o trabalho heterônimo ou alienado. Conforme se organiza o trabalho heterônimo, pode-se saber como os homens constroem sua vida econômica, política e social. Vejamos a trajetória histórica desse tipo de trabalho.

Na Idade Média, o trabalho passou a ser considerado como um castigo de Deus, ou a função da maioria dos camponeses. O vínculo do trabalhador com o senhor feudal era intermediado pela terra, pois o nobre necessitava do trabalho do servo e este, de terra livre dos invasores bárbaros. Segundo Santo Agostinho, em seu livro Cidade de Deus, a vida terrena deveria se espelhar no reino de Deus para poder sobreviver frente à ameaça dos bárbaros pagãos. Ao clero, cabia a função de manter a comunicação entre os homens e Deus; aos nobres, fazer a guerra contra os inimigos do reino e, por fim, aos servos, trabalhar! Com o advento do capitalismo, o trabalho começou a deixar de ser negativo entre a classe dominante, no caso, a burguesia. Transformou-se no principal valor econômico e o ócio perdeu a importância para o negócio, ou seja, a “negação do ócio”. A burguesia se constituiu como um grupo social ligado ao trabalho mercantil, isto é, ao comércio. Paulatinamente, os mais variados trabalhadores passaram a receber um salário mensal para, em troca, produzirem bens econômicos. Começava, dessa maneira, o papel do trabalho no capitalismo.

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Atividade Sugerida Leia com atenção o texto a seguir. No Brasil, fatos históricos dão mostras de como se difundiu o preconceito contra a imagem de um povo que não gostava de trabalhar, a começar pelos índios, vistos como preguiçosos e incapazes para o trabalho disciplinado. Com a necessidade de braços para a lavoura, apresentou-se a alternativa do trabalho escravo, já que o homem livre e pobre recusava deixar-se explorar, pois a abundância de terras e de recursos naturais permitia-lhe levar uma vida modesta, sem a necessidade de trabalhar para os senhores das fazendas de cana-de-açúcar e de café. Para os senhores fazendeiros, essa gente não passava de uma “corja de inúteis”; assim eles justificaram sua substituição pelos escravos e, mais tarde, pelo imigrantes. Ao entrar no século XX, o Brasil conta com uma ainda incipiente classe operária. A partir da década de 20, o operariado cresce, luta, organiza-se e conquista alguns direitos inerentes à economia capitalista. De 1930 em diante, o Estado interfere de forma mais decisiva nas relações trabalhistas com o objetivo de controlar as entidades sindicais. Variam as concepções ideológicas sobre o trabalhador brasileiro: ora ele é considerado preguiçoso, ora habilidoso e diligente, quando treinado, igualando-se a seus pares dos países mais adiantados. Figura 3.2. O casal Arnolfini, de Jan van Eyck (1434). Este quadro, da época renascentista, retrata uma típica família burguesa da época, que encontrava cada vez mais espaço social por meio de sua ascensão econômica proveniente do trabalho mercantil.

2. Trabalho: da crítica marxista à sociedade informática

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O capitalismo transformou o trabalho em valor positivo dentro das sociedades europeias, nas quais ele se instalava, a partir da Baixa Idade Média. Contudo, sabemos que o capitalismo de hoje não é o mesmo da época de sua formação, devido às mudanças ocorridas na esfera da satisfação das necessidades humanas, ou seja, na forma de produzir e distribuir os bens e serviços. Dessa maneira, o trabalho também sofreu modificações desde então. Basicamente, podemos afirmar que o debate acerca do trabalho no capitalismo desembocou em duas posições antagônicas: uma otimista, por ver o trabalho como o único meio honesto de satisfação econômica e de ascensão social, e outra pessimista, por afirmar que o assalariado sempre é explorado e marginalizado das benesses que ele produz. Referimo-nos, respectivamente, ao liberalismo e ao socialismo. Essas duas concepções sobre o trabalho no capitalismo são decorrentes da primeira fase da Revolução Industrial, na qual predominou o capitalismo concorrencial. Cada uma delas apresentou o seu ponto de vista sobre como resolver as mazelas sociais decorrentes da industrialização. A doutrina liberal ou liberalismo econômico fundamenta-se basicamente na livre concorrência do mercado dian-

CARMO, Paulo Sérgio do. A ideologia do trabalho. 7. ed. São Paulo: Moderna, 1995. Coleção Polêmica.

Com base no texto e nos seus conhecimentos de história, procure elencar os fatores que provocaram uma visão tão negativa em relação ao trabalho braçal no Brasil. te do intervencionismo do Estado. Seu grande e pioneiro teórico foi Adam Smith (1723-1790), defensor do trabalho enquanto principal riqueza de um país, no lugar de metais preciosos ou agricultura como afirmavam, respectivamente, os mercantilistas e os fisiocratas. Entre os socialistas, podemos destacar três correntes significativas: os socialistas utópicos, os socialistas anarquistas e os socialistas marxistas. Os primeiros acreditavam que seria possível haver uma maior igualdade a partir da concessão de parte dos lucros do empresariado para a melhoria de vida dos trabalhadores, enquanto os anarquistas combatiam qualquer forma de poder, fosse ele do Estado, do patrão ou da Igreja. Porém, o mais famoso e reverenciado foi o socialismo de Karl Marx. Sua visão do socialismo se fundamentava numa crítica do trabalho no capitalismo, pois o trabalhador (ou especificamente, o operário), segundo Marx, ficava alienado do processo produtivo, ou, em outras palavras, o produtor não se via no seu produto. O capitalismo oligopolista, decorrente da segunda fase da Revolução Industrial, deu origem a maior divisão do trabalho industrial. O taylorismo e o fordismo foram duas novas formas de organizar o trabalho no sentido de aumentar sua produtividade. A primeira forma foi criação do engenheiro norte-americano Frederick W. Taylor (1856-1915) que através do estudo das tarefas dos trabalhadores de sua

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empresa estabeleceu os movimentos e o tempo médio para cada atividade, de maneira que um homem de porte físico mediano pudesse realizá-lo. Wikimedia

samento” entre o operário e a empresa. Trata-se de uma forma de trabalho marcada por uma valorização da alta qualificação profissional e grande individualidade por parte dos trabalhadores.

Atividade Sugerida

Figura 3.3. Frederick Winslow Taylor (1856-1915)

Aqui, indicaremos dois filmes que você e seus/ suas colegas de sala de aula poderão se reunir para assistir, visando ampliar a discussão sobre relações de trabalho no capitalismo. O primeiro é Tempos modernos (título original: Modern Times. EUA, 1936. Direção: Charles Chaplin), que retrata, de maneira bem humorada, o trabalho em uma linha de produção, assim como a Grande Depressão vivida pelos Estados Unidos, após a Crise de 1929. O segundo é um documentário intitulado Roger e eu (título original: Roger and me. EUA, 1989. Direção: Michael Moore). Trata-se também de uma crítica bemhumorada ao fechamento, pela General Motors, de onze fábricas na cidade de Flint (estado de Michigan), que deixou 30.000 pessoas sem trabalho. O documentário tem como pano de fundo as novas relações de trabalho assentadas no neoliberalismo que começava a avançar em fins da década de 1980. AFP

Já a segunda foi elaborada por Henry Ford (1863-1947) que criou a produção em série pelas linhas de montagem (ou linhas de produção), gerando maior produtividade do trabalho, pois fazia do operário um simples par de braços. Hartsook / Library of Congress Prints and Photographs Division Washington, USA

Figura 3.5. Cena de Tempos Modernos

3. Desenvolvimento tecnológico e relações de trabalho na sociedade contemporânea

Figura 3.4. Henry Ford (1863-1947) Com a terceira fase da Revolução Industrial, o avanço da robótica e, principalmente, da informática estabeleceu novos parâmetros de produção que, além de buscar uma maior produtividade, preocupou-se com a qualidade e rapidez. O toyotismo é a maior expressão dessa concepção de produção industrial, que procura obter um verdadeiro “ca-

O homem sempre buscou e glorificou a tecnologia. Mesmo quando não a buscamos, não a dispensamos, mas nos últimos tempos temos observado que o desenvolvimento tecnológico tem causado uma preocupação no que tange ao futuro do trabalho no século XXI. Daí, indagarmos: o avanço da tecnologia é benéfico? A tecnologia é capaz de acabar com o trabalho humano? Para respondermos à essas questões, é preciso entender o que é tecnologia e como ela se processa no cotidiano. A origem da tecnologia está na palavra técnica, que em grego significa “da melhor maneira”, ou seja, tudo aquilo que pode ser feito de uma maneira mais eficaz é a técnica.

Sociologia 182 Por exemplo: para preparar a terra para o cultivo, o agricultor pode utilizar a enxada, mas o arado puxado pelo trator é uma técnica melhor. O sistema capitalista fez a técnica transformar-se em tecnologia, um ramo do conhecimento em que a busca de resultados é identificada como um constante aumento da produtividade do trabalho. Atualmente, o desenvolvimento tecnológico não se limita ao aperfeiçoamento dos produtos, mas à procura pela incrementação do processo de produção deles. Dessa maneira, na junção da tecnologia com a ciência, temos uma revolução técnico-científica, simbolizada nas atuais tecnologias de comunicação e de informação (satélites e computadores de última geração, por exemplo).

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Ricardo Azoury / Keydisc Brasil

te aconteceu, mas não houve ruína; ao contrário, gerou novas profissões como mecânicos, funileiros, eletricistas, tapeceiros, atividades relacionadas com a indústria automobilística. É possível percebermos que: novas tecnologias geram novas profissões, que geram novas relações de trabalho. Contudo, um velho impasse social histórico mantido também pelo capitalismo continua sendo o alto índice de pobreza e miséria social, esparramados pelas várias partes do mundo. A robotização e a consequente qualificação constante do trabalho fazem aumentar o desemprego, o que, por sua vez, faz aumentar a exclusão social. Por outro lado, a globalização da economia ajuda a agravar essa situação, fazendo aumentar o desemprego estrutural. Quaisquer que sejam os pontos de vista sobre a relação entre capital-trabalho-tecnologia, eles não podem se ausentar em relação a esse problema.

Atividade Sugerida Em grupo, faça a leitura atenta do texto apresentado a seguir, acompanhada de uma discussão sobre as possíveis vantagens e desvantagens do avanço da tecnologia.

Figura 3.6. Uma linha de montagem de automóveis robotizada, na qual os braços mecânicos substituem os humanos. Assim, podemos observar que o avanço tecnológico é uma constante na vida humana dentro da lógica das sociedades industriais, pois, ao mesmo tempo em que cessa atividades existentes, cria novas necessidades e novos serviços. Só para ilustrar, quando o automóvel começou a substituir os cavalos como meio de transporte, afirmava-se que isto seria negativo para a economia, porque os criadores de cavalo, os ferreiros, os coureiros e todas as outras atividades afins desapareceriam, o que traria a ruína econômica para a sociedade. Isso realmen-

Poucas coisas despertam, hoje, uma dose tão elevada de fetichismo quanto a tecnologia. Assim como as gerações passadas atribuíram todos os bens e males aos espíritos, ao destino e à vontade divina, hoje somos levados a nos extasiar diante da marcha triunfante da Tecnologia – assim, com maiúscula, como Deus e o Estado. Na versão otimista, a ciência e a técnica nos libertarão do esforço, dos trabalhos desagradáveis e rotineiros. Na versão pessimista, que é a imagem da primeira devolvida pelo espelho, a tecnologia nos trouxe e nos trará desde a alienação do trabalho até o esgotamento dos recursos e a destruição universal. Em um e outro caso, o lugar dos motores da História é ocupado pela história dos motores. Mariano F. Erguita. In. SILVA, Tomaz T. da (org.). Trabalho, educação e prática social. Porto Alegre: Artes Médicas.

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Capítulo 4. Capitalismo e sociedade

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onforme já vimos, a Sociologia é uma ciência social que tem a sua origem intrinsecamente relacionada com a consolidação do capitalismo industrial. Neste capítulo, trataremos desse sistema econômico que existe há mais de 500 anos, procurando definir sua essência e como ele se mantém.

1. O capitalismo e sua expansão

Contudo, esse sistema econômico possui a característica de se transformar para poder se manter. Iniciou-se a partir da Revolução Comercial, com a disseminação das manufaturas, o que possibilitou a ocorrência de acumulação primitiva de capital. Pode-se dizer que capital é tudo aquilo que gera renda para o seu detentor. O capital pode ser manifestado na forma de dinheiro, na forma de máquinas, equipamentos e imóveis e também na forma de mercadorias decorrentes da produção. Daí, tal sistema econômico ser definido como capitalismo, já que o capital passou a ter primazia sobre a terra, que era fundamental no feudalismo. A acumulação primitiva de capital é a etapa básica para que uma sociedade possa ingressar no sistema capitalista. Corresponde ao processo social de geração de riquezas que serão direcionadas para a poupança, em vez de serem gastas em consumo improdutivo. Assim, a acumulação de capital possibilita que uma classe social, no caso, a burguesia, detenha esse fator estratégico para produzir os bens econômicos, sejam eles de consumo (por exemplo: comida e roupa) ou de produção ou capital (por exemplo: aço e eletricidade). Com a Revolução Industrial, o capitalismo adentrou outra fase, ou melhor, atingiu a sua plenitude e passou por uma etapa competitiva (ou do capitalismo competitivo). Nesse período, o sistema econômico capitalista assumiu completamente suas características: generalização da mercadoria, trabalho assalariado e exploração da mais-valia. Mais-valia é um conceito de Karl Marx que se refere ao trabalho suplementar que advém do trabalho social dos operários e se concentra na mão dos capitalistas por meio do lucro comercial ou industrial, do juro ou da renda da terra. Veja nos quadrinhos a seguir Figura 4.1. Na visão marxista do lucro, a mais-valia foi a peça fundamental um exemplo “bem humorado” de que consolidou os interesses burgueses a partir da Revolução Industrial extração de mais-valia: O capitalismo fundamentalmente se qualifica por possuir as seguintes características: • obtenção de lucro • generalização da mercadoria • trabalho assalariado • exploração da mais-valia • administração racional-burocrática

Reprodução

Sociologia 182 Na próxima fase, ocorrida no final do século XIX, o capitalismo adentra a fase oligopolista. Nesse momento, o sistema econômico foi mantido por poucas empresas de cada ramo de produção (oligopólios) ou mesmo por uma única empresa em alguns ramos. Este caráter restritivo em relação aos capitalistas, qual seja, a superação da livre concorrência da etapa competitiva provém da segunda Revolução Industrial, cujas novas tecnologias, aço, eletricidade, petróleo, motor de explosão e linha de montagem, eram limitadas somente para os grandes detentores de capital. Começaram a surgir as empresas de capital aberto, que são as organizações privadas com fins lucrativos, nas quais o comando administrativo passou a ser exercido por administradores profissionais, que deveriam obter grandes lucros, que, por sua vez, satisfizessem as exigências dos acionistas, os possuidores de parcelas do capital da empresa em forma de ações. Atualmente, o capitalismo é aceito por muitos como a única forma de economia capaz de satisfazer as necessidades humanas de consumo, principalmente após a crise do socialismo real e o consequente desmantelamento da União Soviética, em 1991. Contudo, a adoção de medidas neoliberais combinadas com a globalização da economia não tem sido capaz de dar conta da pobreza e da miséria à que está submetida grande parcela da humanidade. Do ponto de vista socioeconômico, os países continuam divididos entre atrasados (ou subdesenvolvidos) e avançados (ou desenvolvidos). Os primeiros podem ser caracterizados por serem dependentes economicamente e não solucionarem as suas mazelas sociais, enquanto os segundos são detentores das grandes empresas (multinacionais) e superaram parte de seus problemas sociais. De qualquer maneira, o aumento da violência nos centros urbanos, muitas vezes associado ao tráfico de drogas ou a outras atividades ilícitas, tem demonstrado e reforçado o problema da exclusão social gerada por aquilo que chamamos de capitalismo selvagem.

Atividade Sugerida Assista, em grupo, ao documentário Ilha das flores (Brasil, 1989. Direção: Jorge Furtado). Em seguida, estabeleça um debate sobre a questão da exclusão social, relacionando-a ou não ao desenvolvimento do capitalismo.

2. Sociologia e desenvolvimento: do evolucionismo à globalização

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O capitalismo está situado, geograficamente, em Estados nacionais, os quais, mediante suas respectivas culturas, particularizam este sistema, mas mantêm as características comuns, como obtenção de lucro, acumulação de capital, crescente produtividade do trabalho e inovações tecnológicas. Entretanto, é fácil constatar que não existe homogeneidade entre os países capitalistas. Logo, é uma preocupação da sociologia buscar a explicação para a diferença entre os países capitalistas avançados e os atrasados, a partir do reconhecimento de razões humanas e não de causas naturais como justificativa para a ocorrência de tal diferença.

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É assim que surge a sociologia do desenvolvimento, um ramo da sociologia que busca compreender, por exemplo, o porquê da diferença entre países como o Brasil e os Estados Unidos, já que ambos possuem capital, propriedades dos bens de produção, trabalhadores, parque industrial, além de instituições políticas, como sistema de leis, governo central e tribunais civis. Partindo deste exemplo, os cientistas sociais dividem-se conforme suas idéias básicas para entender tal fenômeno. Um primeiro grupo destaca-se por considerar que o atraso de uma nação se dá por motivos endógenos. Por outro lado, uma segunda tese afirma que o motivo do não-desenvolvimento dos países periféricos reside na manutenção da exploração feita pelos países centrais. O evolucionismo é uma teoria acerca do desenvolvimento que faz parte do primeiro grupo. Um grande adepto desta teoria é o ex-professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, William Wilber Rostow. No seu livro clássico Estágios de desenvolvimento econômico, ele afirma que uma sociedade deveria passar por cinco estágios de desenvolvimento para poder atingir o patamar de país desenvolvido: o primeiro é o de sociedade tradicional, marcada pela situação de baixa produção, pelo pouco aproveitamento dos recursos naturais e pela utilização de uma tecnologia pré-padrão mecânica; deste estágio inicial, a sociedade passaria pelas pre-condições de arranque rumo ao desenvolvimento ou take-off, nas quais as premissas da racionalidade estariam presentes; a terceira etapa compreende a sociedade em desenvolvimento, na qual as características da sociedade tradicional seriam superadas. A quarta fase é marcada pela maturação da sociedade, momento correspondente ao domínio das forças econômicas de expansão em um sistema social. Finalmente, o último estágio é a sociedade de produção em massa, caracterizada pelo uso de tecnologia científica e altos investimentos na produção industrial. Ainda quanto às teorias do desenvolvimento, cujo argumento é o de que a razão do atraso de um país ocorre em virtude de fatores endógenos, destacamos a teoria dualista. Esta teoria baseia-se na existência de dois setores dentro de um país: um setor moderno, industrial, que utiliza alta tecnologia e mantém semelhança com os países desenvolvidos, e outro setor tradicional, essencialmente agrário e de baixa produtividade. Os dualistas acreditam que, apesar dessa dualidade, é possível às nações subdesenvolvidas superarem este atraso econômico. O segundo grupo de teorias de desenvolvimento fundamenta-se no argumento de que a razão do atraso de países como o Brasil é a exploração feita pelos países avançados. Duas teorias destacam-se neste grupo: a “teoria do imperialismo” e a “teoria da dependência”. A teoria imperialista baseia-se na tese de que os países desenvolvidos crescem graças às transferências das riquezas produzidas nas nações não-desenvolvidas; daí também o motivo de os países desenvolvidos ficarem mais prósperos. A teoria da dependência também parte do princípio de que o atraso econômico das sociedades subdesenvolvidas é devido às trocas desiguais entre estas sociedades. Porém, ao contrário da teoria do imperialismo (que, acredita que para superar o atraso, se faz necessária a existência e a atuação de uma burguesia nacional), a teoria da dependência acredita que essa burguesia nacional prefere associar-se ao alto capital estrangeiro a contrariar esses grandes interesses internacionais.

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Atualmente, a globalização tem sido o paradigma de desenvolvimento, ou seja, a economia é marcada pelo desmembramento da produção, por meio da terceirização ou produção em locais diferentes e pelo uso de alta tecnologia, especificamente a utilização da informática no sistema financeiro e na troca de informações. Esse paradigma é considerado mais uma forma de exploração

por parte dos países desenvolvidos em relação aos países subdesenvolvidos. Também existe a opinião de que a globalização corresponde a um novo patamar de desenvolvimento, que concede aos países atrasados a possibilidade de superarem sua condição de subdesenvolvimento, pois passa a existir uma maior interação econômica entre todas as nações.

Atividade Sugerida Forme um grupo para, a partir da leitura do texto a seguir, de Luiz Carlos Bresser Pereira, discutir a questão do desenvolvimento socioeconômico brasileiro, tomando como referência, também, os seus conhecimentos de história sobre o assunto. As teorias sobre o subdesenvolvimento Para que possamos entender por que o Brasil é um país subdesenvolvido, devemos situar a economia brasileira nos quadros da história e da dependência. É claro que poderíamos querer dar explicações mais imediatas. Poderíamos dizer que o Brasil é subdesenvolvido porque seus trabalhadores não dispõem de uma quantidade suficiente de meios de produção (de máquinas principalmente) para trabalhar. Ou, então, que não dispõem da necessária soma de conhecimentos técnicos necessários a uma alta produtividade. Ou porque a população brasileira não só é excessiva em relação à disponibilidade de meios de produção, mas também cresce a taxas excessivamente elevadas. Falta de capital e falta de tecnologia, entretanto, são causas óbvias que, afinal, nada explicam. O crescimento da população a taxas muito mais elevadas do que ocorre ou ocorreu nos países hoje desenvolvidos é sem dúvida um obstáculo ao desenvolvimento, no entanto não pode ser considerado uma causa do subdesenvolvimento. O que é preciso saber é por que não temos quantidade suficiente de capital e de tecnologia por trabalhador e por que a população brasileira cresce a taxas que dificultam o processo de desenvolvimento. Há algumas “teorias” para explicar o nosso subdesenvolvimento, já muito desmoralizadas, mas que devem ser lembradas. São explicações tolas, produto de um arraigado complexo de inferioridade colonial e da necessidade de as classes dominantes justificarem o status quo, a situação estabelecida. Por isso, acabam sempre ressurgindo sob os mais variados disfarces. Refiro-me às explicações climáticas (o Brasil é um país tropical...), às explicações raciais (o Brasil é um país mestiço...), às explicações culturais (o Brasil é um país latino e não anglo-saxão ou japonês...), às explicações geográficas (o Brasil não tem petróleo ou não tem ferro perto de carvão...). Descartadas essas explicações ridículas e aquelas explicações óbvias, que nada informam (falta de capital e de tecnologia), existe ainda uma explicação conservadora, a chamada “teoria da modernização”. O Brasil teria uma economia subdesenvolvida porque tradicional, pré-capitalista, feudal e semi-feudal. Porque sua população não pensa em termos capitalistas, não se preocupa com produtividade, com mecanização de lucros, com investimentos produtivos.

A sociedade brasileira seria dual: um setor tradicional, précapitalista, e um setor moderno, capitalista. O peso do setor tradicional, entretanto, seria tão grande que impediria o desenvolvimento do capitalismo neste país. Essa teoria, muito em moda entre as mentalidades conservadoras, substitui as antigas explicações culturais hoje desmoralizadas. Seu caráter ideológico é evidente. O Brasil seria subdesenvolvido por falta de capitalismo, quando nós sabemos muito bem que capitalismo é algo que não faltou jamais neste país. O modelo seriam os países capitalistas adiantados, modernos. Como nossa economia deveria ser igual à deles, falta-lhe capitalismo, é dual, tradicional. Os defensores dessa explicação acabam propondo como solução para os problemas do nosso subdesenvolvimento um amplo trabalho de “educação”, através do qual se modernizariam as populações tradicionais, que assim seriam convencidas a trabalhar com mais afinco, a poupar, a saber que “tempo é dinheiro”, e que é possível “fazer-se por si mesmo”, desde que se trabalhe. A ideologia do capitalismo – individualista, baseada no lucro e na hipótese da mobilidade social é, assim, transplantada para o Brasil da maneira mais elementar. No extremo oposto, existe a “teoria do imperialismo”. Se, para a teoria da modernização, o problema do Brasil é falta de capitalismo, para a teoria do imperialismo o Brasil seria subdesenvolvido, porque foi permanentemente explorado pelos países capitalistas imperialistas. A totalidade ou grande parte do excedente econômico (ou seja, da produção que excede o consumo necessário dos trabalhadores) que o Brasil produz ou produziu foi sempre e sistematicamente transferida para a metrópole: primeiro para Portugal, depois para a Inglaterra e, finalmente, para os Estados Unidos. Por isso seríamos subdesenvolvidos. Embora essa explicação esteja mais próxima da realidade, ela também é inaceitável. Sem dúvida, o Brasil foi sempre explorado pelas potências metropolitanas. Mas, se excluirmos Portugal, que era ele próprio uma metrópole subdesenvolvida, veremos que, quando os países hoje desenvolvidos, Inglaterra, França e Estados Unidos, em fins do século XVIII ou começo do século XIX, realizavam sua Revolução Industrial e completavam a Revolução Capitalista, o Brasil já estava muito atrasado. Sua renda por habitante era muito inferior à daqueles países. Sua tecnologia, muito menos desenvolvida. Depois, a economia brasileira entrou em contato com aqueles países, desenvolveu-se e, ao mesmo tempo, foi explorada. E o atraso, se não se aprofundou, manteve-se no mesmo nível, enquanto outros países, como a Alemanha, o Japão e a Rússia, desenvolviam-se.

Sociologia 182 Na verdade, só é possível compreender o subdesenvolvimento brasileiro no plano da história. Em vez da teoria da modernização ou da teoria do imperialismo, o que necessitamos é de uma “teoria histórica do subdesenvolvimento”. Esta teoria deverá partir da distinção entre o capital mercantil e o capital industrial, e procurar compreender por que no Brasil, como aliás em toda a América Latina, o capital mercantil permaneceu tão longamente dominante, dificultando a emergência do capital industrial. Por outro lado, o capital industrial, ao penetrar tardiamente na economia capitalista mercantil brasileira (aliás, marcada por fortes traços pré-capitalistas), irá encontrar não só fortes obstáculos da parte das estruturas mercantis e précapitalistas, mas também se revelará incapaz de absorver a força de trabalho abundante que o capital mercantil gerou

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durante quatro séculos. O capital industrial insuficiente e a tecnologia poupadora de mão-de-obra empregada penetrarão, então, como uma cunha na sociedade capitalista mercantil formando uma sociedade dualista e subdesenvolvida. Na verdade, o capital industrial penetra no Brasil em duas grandes ondas. Na primeira, gerada aqui mesmo, tem suas primeiras manifestações no final do século passado e seu grande desenvolvimento a partir dos anos 1930. É o capital local e competitivo. Na segunda, marcada por forte componente de capital estatal e de capital multinacional, ocorrerá nos anos 1950. É o capital monopolista. Em ambos os casos, a economia será marcada por uma heterogeneidade estrutural que definirá a própria condição do subdesenvolvimento. PEREIRA, Luiz Carlos Bresser. Economia brasileira: uma introdução crítica. São Paulo: Editora 34, 1998.

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Capítulo 5. A ciência política

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Estado é uma instituição tão antiga quanto a família. Desde os grandes impérios da Antiguidade até as atuais sociedades industriais e pós-industriais, a presença do Estado é notável. E é, sem dúvida, um dos principais objetos de estudo das ciências sociais, especialmente a sociologia e a ciência política.

1. A questão do Estado

A palavra “Estado” contém vários significados. O Estado pode ser sinônimo de governo, de Estado-Nação ou país, de regime político e de sistema econômico. Contudo, afirmamos que o Estado é um conceito que deve ser compreendido a partir de uma perspectiva histórica. O Estado pode ser definido como um poder político centralizado e exercido sobre um povo localizado em um território delimitado. Temos então o chamado Estado moderno, surgido na Europa renascentista, sob forma de monarquias absolutistas, em que as propriedades do reino eram do rei, ou seja, não existia o espaço público. Sem falar na ausência da sociedade civil — no lugar do cidadão havia o súdito ou o que se submetia. A ascensão e os valores da burguesia deram-lhe condições para ocupar o lugar da nobreza e dos reis. A burguesia afirmava que seus interesses eram os mesmos das classes populares, principalmente do campesinato. Baseada nesse argumento, a nova classe dominante tomou o poder do Estado e, com a limitação do poder real pelo fortalecimento do parlamento ou pela criação de repúblicas, juntamente com a divisão dos três poderes (legislativo, executivo e do judiciário) e o estabelecimento da soberania popular e do direito à insurreição ao governo, constituiu-se o Estado nacional. Esse Estado possui um poder político-administrativo exercido sobre uma população nacional em um contexto geográfico delimitado, mas agora é parte da respectiva sociedade, e não algo distinto dela. A dualidade entre o Estado e a sociedade civil é o diferencial entre os estados absolutistas e os estados nacionais. Diante desse fato, os estudiosos de política procuram esclarecer como se dá a relação entre essas duas entidades. Existem duas matrizes fundamentais: a contratualista e a marxista. A primeira argumenta a necessidade de um poder maior, que mantenha ordem dentro de uma sociedade, por meio do estabelecimento de um contrato social entre seus membros para instituir o Estado. Seus principais adeptos são Thomas Hobbes, John Locke e Jean-Jacques Rousseau. A matriz marxista tem como princípio a luta de classes sociais refletida no Estado, de tal maneira que este poder é exercido pela classe dominante, no caso a burguesia. Além do próprio Marx e de Engels, seus seguidores Lênin, Gramsci e Poulantzas compartilhavam da mesma ideia. No século XX, o Estado teve um papel crescente no aspecto econômico dos países. Até a Crise de 1929, era responsável somente pela manutenção da estabilidade monetária e tinha o equilíbrio fiscal como regra. Depois da grande crise, foi necessária a intervenção econômica do Estado para que se mantivesse a demanda agregada do mercado, realizando obras públicas, fazendo grandes investimentos

e produzindo insumos (ações e petróleo, por exemplo), a exemplo do que ocorreu nos Estados Unidos com o New Deal do presidente Franklin Delano Roosevelt. Com o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a economia capitalista conheceu um período de prosperidade, marcado pela atuação do Welfare State (ou Estado de Bem-Estar Social). Esse ciclo esgotou-se no início da década de 1970, e desde então se apregoa a necessidade de uma reforma do Estado. Essa proposta foi sugerida pelos neoliberais, que querem o mercado no lugar do Estado, mas é rechaçada pelos vários adeptos do keynesianismo. Uma alternativa conhecida como Terceira Via afirma que é possível uma reforma do Estado, cedendo funções e serviços para o mercado e o terceiro setor, mas sem abrir mão do poder de legislar e tributar e do uso exclusivo da violência (poder de polícia).

Atividade Sugerida Tomando como base o texto a seguir e com os conhecimentos adquiridos até aqui, faça uma pesquisa sobre as visões de Durkheim, Weber e Marx a respeito do papel do Estado na sociedade. O objetivo é avançar no conhecimento sobre esse assunto. Mãos à obra e bom trabalho! O Estado moderno – o Estado unitário dotado de poder próprio independente de quaisquer outros poderes (voltaremos a falar sobre isso) – começa a nascer na segunda metade do século XV na França, Inglaterra e Espanha; posteriormente alastra-se por outros países europeus, entre os quais, muito mais tarde, a Itália. Como sempre acontece, só quando se formam os Estados no sentido moderno da palavra é que nasce também uma reflexão sobre o Estado. Desde o começo de 1500 temos Nicolau Maquiavel, que é o primeiro a refletir sobre o Esta do. No Príncipe de Maquiavel encontramos esta afirmação: “Todos os Estados, todas as dominações que tiveram e têm o império sobre os homens foram e são repúblicas ou principados”. Também aqui o Estado consiste na dominação (poder) e o que está sendo frisado é a dominação sobre os homens. O que interessa é esse grifo do elemento da dominação, e de uma dominação exercida mais sobre os homens do que sobre o território. GRUPPI, Luciano. Tudo começou com Maquiavel. Porto Alegre: L&PM, 1983.

2. Democracia e cidadania

A democracia é hoje um regime político consagrado por vários povos do planeta, sendo comumente associada ao conceito de cidadania.

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A democracia surgiu na Atenas antiga, no século V a.C., e significa “governo do povo”. Após uma série de conflitos entre os atenienses, devido às reivindicações das crescentes camadas médias que colidiam com interesses dos eupátridas, foi estabelecida a democracia como forma de decidir as questões políticas. Participavam na Eclésia (assembleia) somente aqueles que eram cidadãos. E cidadãos eram todos os homens livres e nativos de Atenas, o que correspondia a 10% da população da cidade. Escravos, mulheres, estrangeiros e crianças estavam impedidos de participar da tomada de decisões. A participação dos cidadãos era direta, mas o direito de votar era para poucos. Com a ascensão da burguesia, a democracia foi recuperada como conceito político para o uso cotidiano. Na Inglaterra, John Locke elabora o liberalismo político que compreende a defesa dos direitos civis dos indivíduos e a criação de um poder que limite a ação do governante, que é localizado na instituição do Parlamento. Na França do século XVIII, filósofos iluministas, como Montesquieu e Rousseau, estabelecem, respectivamente, os conceitos de divisão dos poderes e da Constituição e do direito do povo de se sublevar contra o governante que não respeitar a lei maior. Todas essas contribuições são reconhecidas como pertencentes ao arcabouço do pensamento liberal, mas foram incorporadas pela democracia moderna, reinventada pelos EUA, que, ao se tornarem independentes da Inglaterra, adotaram, na sua primeira e única Constituição, os ideais e princípios de Montesquieu e Rousseau. Porém, a cidadania, os direitos ficaram restringidos aos negros, uma das razões da ocorrência da Guerra de Secessão (1860-1865). O povo afro-americano só conseguiu conquistar seus direitos nos anos 60 do século passado, à custa de toda uma grande mobilização dos membros desta significativa parcela da sociedade norteamericana. Democracia e cidadania no Brasil foram conceitos dissociados durante os mais de cem anos de regime republicano. A democracia sempre foi o argumento de nossas elites para cooptar o nosso povo, em nome da lei e da ordem. Contudo, a cidadania, que é o conjunto de direitos e deveres dos cidadãos e é fundamental para o regime democrático, de certa maneira, ficou dividida em direitos para os ricos e deveres para os pobres. Porém é um erro muito maior rejeitar a democracia por causa da deturpação sofrida em nosso país, pois é ela que permite uma maior transparência das ações do governo e a possibilidade de reivindicar os interesses populares. Por isso, a desigualdade social, o seu maior inimigo, deve ser combatida para que a democracia se torne mais forte e enraizada na sociedade brasileira. Caso contrário, viveremos cada vez mais um problema que hoje é latente no Brasil e em outras partes do mundo: as instituições, como o Estado, que deveriam garantir e reforçar a cidadania e a democracia, muitas vezes se ausentam de suas funções, restando para os excluídos apenas a possibilidade de viver à margem da sociedade, muitas vezes na criminalidade.

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Atividade Sugerida O documentário Notícias de uma guerra particular (Brasil, 1999. Direção: João Moreira Salles e Kátia Lund) aborda, entre outras coisas, como a ausência do Estado em suas funções acaba por permitir poderes paralelos, a exemplo do tráfico de drogas que tomou conta das favelas do Rio de Janeiro, fazendo crescer a criminalidade e a violência. Assista-o com seus/suas colegas de sala e estabeleça uma discussão sobre essa temática.

3. Estado e globalização

O termo globalização tem sido utilizado intensamente desde meados da década de 1980, em vários meios de comunicação. Muitas palavras são relacionadas com globalização, como, por exemplo, administração, arte, comércio, cultura, educação, política, tecnologia. Quando a globalização é relacionada com o Estado, a questão fundamental é se ela está destruindo o Estado nacional. Para respondermos a tal pergunta, faz-se necessário retomar o que é a globalização. Se partirmos do princípio de que a globalização é a redução das distâncias entre os países e até mesmo entre os continentes, de maneira a ocorrer uma unicidade da geografia mundial, podemos concluir que isto é um processo que existe há pelo menos quinhentos anos. Com a expansão marítimo-comercial europeia iniciada no século XV, navegando pelos oceanos embarcações portuguesas, espanholas, holandesas, francesas e inglesas, não só estabeleceram relações comerciais com povos ameríndios, africanos e asiáticos, mas também iniciou-se um sistema de dominação política sobre essas etnias, além de sobrepujar suas culturas com a imposição da chamada civilização europeia. O fluxo de mercadorias entre as metrópoles e suas colônias pode ser considerado a primeira onda globalizante e permaneceu até o século XIX. Com a Segunda Revolução Industrial, os países europeus necessitaram expandir suas economias por meio da mobilização de investimentos, caracterizando o segundo estágio da globalização. Ressalte-se que o fluxo de mercadorias ainda se mantém. Estes capitais podem ser classificados em dois tipos: diretos e indiretos. Os primeiros são aqueles que as empresas transnacionais realizam em função do crescimento de seus lucros, possibilitando investimentos na construção de ferrovias, portos e fábricas nos países que não os possuem. Os investimentos indiretos são aqueles que circulam nos mercados de ações, além dos empréstimos concedidos por bancos de investimentos. A atual etapa da globalização está intimamente relacionada com o advento da Terceira Revolução Industrial. Suas tecnologias de comunicação e informação possibilitam o incremento dos fluxos de mercadorias e de investimentos como nunca visto anteriormente. Aviões a jato, computadores pessoais, satélites espaciais, fibras óticas, aparelhos de fax, telefonia celular, TV a cabo são exemplos dessa vasta revolução tecno-científica que encurtou mais ainda as distâncias, aproximando os mercados.

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Definitivamente, a globalização contemporânea é real porque a tecnologia possibilita a circulação, principalmente de capitais financeiros, em um simples toque digital. Contudo, considerando a globalização no âmbito econômico, é equivocado acreditar que o mercado é preponderante ao Estado. Pelo contrário, é o Estado que cria as condições para o desenvolvimento ou estancamento econômico, criando as regras (leis) e as sanções para o provável descumprimento delas. Historicamente isto está comprovado desde o fim da Idade Média, marcado pela ascensão da burguesia, que bus-

cou a ampliação dos mercados e, para isso, aliou-se aos reis que haviam centralizado o poder político com a formação das monarquias absolutistas e consequentemente as companhias de comércio. Ainda hoje são os Estados que possibilitam a continuação da globalização, seja pela desregulamentação dos mercados financeiros durante os anos 1980, seja pela criação de blocos econômicos regionais, como União Europeia, Nafta e Mercosul, para melhor se posicionarem na economia-mundo.

Atividade Sugerida Produza uma redação cuja temática aborde o seu ponto de vista sobre os aspectos positivos e/ou negativos de questões como “capitalismo”, “Estado e relações de poder” e “globalização” nas sociedades humanas. Mas atenção: procure guiar suas ideias e conclusões por tudo o que você estudou até aqui em Sociologia.

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Capítulo 1 1. Qual a relação possível entre conhecimento e natureza? 2. Como podem ser definidas as ciências sociais? 3. Defina o que é a sociologia. 4. A sociologia: a) foi resultado do aperfeiçoamento da filosofia política de Hobbes, Locke e Rousseau. b) surgiu a partir de um conjunto de mudanças sociais que provocou a consolidação da sociedade capitalista (as revoluções burguesas, o surgimento das universidades, o desenvolvimento das ciências naturais, a emergência das lutas operárias e da filantropia e do socialismo utópico). c) foi criada a partir dos estudos de Aristóteles, de Platão e dos sofistas. d) surgiu pela aplicação da teoria da evolução de Darwin, gerando o darwinismo social. 5. A sociologia, uma ciência da sociedade moderna, surgiu no século XIX, tendo como um de seus propósitos: a) explicar as mudanças que se apresentaram no processo de urbanização e de integração da população inglesa à nova sociedade. b) possibilitar o desenvolvimento da indústria moderna e a divulgação dos dilemas de sobrevivência dos grupos sociais do século XIX. c) resolver os problemas decorrentes do processo de industrialização, proporcionando trabalho a toda sociedade operária. d) responder às questões sociais e intelectuais advindas das revoluções políticas, econômicas e sociais da sociedade moderna no interior do capitalismo. e) expressar a luta do movimento operário religioso pelo bem-estar desta classe, em função do surgimento do Estado Moderno. 6. A diferenciação básica entre sociedade humana e sociedade animal (abelhas, formigas) poderia ser identificada como: a) ação dos indivíduos definida pelo padrão genético. b) instinto condicionante das ações individuais. c) reunião em coletividade visando à sobrevivência. d) ação dos indivíduos condicionada por regras socialmente construídas. e) vivência em coletividade condicionada por regras naturais. 7. A Sociologia constitui em certa medida uma resposta intelectual às novas situações colocadas pela revolução industrial. Boa parte de seus temas de análise e de reflexão foi retirada das novas situações, como a situação da classe trabalhadora, o surgimento da cidade industrial, as transformações tecnológicas, a organização do trabalho na fábrica etc. EM2D-09-14

MARTINS, Carlos B. O que é sociologia. São Paulo: Brasiliense, 1982. Coleção Primeiros Passos.

Do texto, depreende-se que: a) a sociologia surge para resolver os problemas advindos com as grandes revoluções ocorridas no século XVIII e manter o status quo da classe dominante. b) os temas tratados pela sociologia voltam-se para a solução de conflitos de classe e visam à transformação do status quo da classe dominante no capitalismo. c) a sociedade industrial coloca questões como a organização do trabalho, as inovações tecnológicas e o conflito de classes, objetos de estudo da sociologia funcionalista. d) o pensamento sociológico volta-se, de maneira divergente, para a análise do social como problema fruto da situação vivida no contexto do século XVIII. e) as consequências sociais decorrentes das grandes revoluções ocorridas no século XVIII no mundo europeu são analisadas unilateralmente pela sociologia. 8. (UFAL/PSS) O papel [social] oferece o padrão segundo o qual o indivíduo deve agir na situação. (...) Os papéis [sociais] trazem em seu bojo tanto as ações como as emoções e atitudes a elas relacionadas. Peter Berger. Perspectivas sociológicas. São Paulo: Vozes, 1980. p. 109.

A partir da leitura do texto, analise as afirmações abaixo. (( ) O papel social determina expectativas sociais de comportamento que permitem que a sociedade se reproduza cotidianamente. (( ) Papéis sociais são amarras e controles impostos pela sociedade para reprimir nossos pensamentos e nossa identidade. (( ) Ao longo de nossa vida, passamos por diferentes tipos de papel social: filho, pai, trabalhador, cidadão, entre outros. (( ) Assumimos papéis sociais pela primeira vez quando nos tornamos adultos e aceitamos nossas responsabilidades perante a comunidade. (( ) Sociedades liberais, baseadas na defesa do individualismo, são aquelas em que os papéis sociais não existem. 9. Quanto à teoria sociológica de Comte, podemos afirmar que: a) os homens diferem de acordo com suas etnias. b) não há um progresso contínuo da Humanidade. c) o todo e as partes não se diferenciam. d) as sociedades passam por uma evolução de três estágios. e) as sociedades evoluem através da luta de classes sociais. 10. A sociologia pode ser definida como uma ciência que estuda: a) apenas as relações econômicas de um grupo social. b) a maneira pela qual a esfera social se manifesta e conserva seus valores. c) somente a cultura de um povo. d) os valores e regras de conduta dos povos primitivos. e) unicamente a produção e a circulação de bens econômicos.

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11. Quais são os teóricos considerados “clássicos” da Sociologia? 12. O que é positivismo? 13. (UFPB/PSS) Sistematizada no século XIX por Augusto Comte, a filosofia positivista influenciou a metodologia dos historiadores. Dentre as principais ideias positivistas assimiladas pela historiografia, pode-se destacar o(a): a) subjetividade científica. b) materialismo dialético. c) relativismo absoluto. d) neutralidade científica. e) evolucionismo biológico. 14. (UFU-MG/PAIES) O surgimento da Sociologia ocorre em um contexto de profundas transformações na ordem social, política, econômica e intelectual. Marque (V) ou (F) para as afirmativas que apresentam as condições históricas que estimularam o surgimento da Sociologia. (( ) As ideias de Galileu acerca da posição do planeta Terra no universo contestaram os dogmas da Igreja sobre o mundo e abriu caminho para as explicações científicas da natureza e da vida social. (( ) As explicações científicas para os fenômenos da natureza dadas pelas ciências naturais provocaram uma revolução na mentalidade dos homens, que não aceitaram mais as explicações religiosas para seus sofrimentos e problemas. (( ) Com o desenvolvimento do comércio e da indústria, os conflitos e as greves aumentaram, a pobreza e as carências sociais cresceram e demandaram soluções racionais. (( ) O fim do feudalismo e, portanto, de suas instituições demonstrou que as instituições podem ser mudadas, porque são o resultado da ação coletiva dos homens e podem ser estudadas pela Sociologia. (( ) O nascimento do Estado-Nação como conhecemos hoje, separado da Igreja, produziu mudanças dos grupos sociais que detêm o poder e estimulou os estudos sobre a organização política da sociedade. 15. (UEM-PR) “Todos nós sabemos da existência de um certo tipo de ‘organização social’ entre animais não humanos, não apenas entre mamíferos superiores, tais como os macacos, por exemplo, mas também insetos: formigas, cupins e abelhas, notadamente. (...) Quando comparamos as ‘sociedades’ animais não humanas, particularmente a sociedade daqueles insetos, o fazemos porque constatamos que o comportamento de tais animais

apresenta certas padronizações parecidas com algumas padronizações verificadas entre os seres humanos”

VILA NOVA, Sebastião. Introdução à Sociologia. São Paulo: Atlas, 1985, p. 29.

Considerando o que diz o texto acima, assinale o que for correto. 01) Segundo o autor, não há diferença essencial alguma entre o estudo das sociedades humanas feito pela sociologia e o das sociedades de insetos feito pela entomologia. 02) De acordo com o texto, homens e animais são padronizados devido ao peso da herança genética em todos os tipos de sociedades. 04) Podemos concluir do texto que são os fatores do meio ambiente que levam à padronização dos comportamentos dos animais e dos seres humanos. 08) Segundo o autor, se não fosse a descoberta das leis de padronização das sociedades de animais, os sociólogos não teriam se interessado pelas leis de padronização existentes nas sociedades humanas. 16) Podemos deduzir do texto que tanto os pesquisadores dos animais quanto os sociólogos se preocupam com as ações regulares produzidas pela vida em sociedade. Some os números dos itens corretos. 16. (UFAL/PSS) Ao processo de socialização, que consiste no aprendizado, corresponde a internalização dos objetos culturais. Assim, por meio da socialização, as normas e os valores em que estas se baseiam, além de fazerem parte do sistema cultural, passam a fazer parte do sistema de personalidade. A. Guilherme Galliano. Introdução à sociologia. São Paulo: Harbra, 1981. p.193.

A partir da leitura do texto, analise as afirmações abaixo. (( ) A socialização revela ao mundo exterior os traços pessoais mais íntimos dos indivíduos. (( ) A vida social exige que o indivíduo use máscaras sociais. Por isso, apenas em família, ele pode ser verdadeiro e original. (( ) A personalidade e a visão de mundo estão intimamente ligadas aos papéis sociais que o indivíduo exerce e que são determinados pelos sistemas sociais e culturais dos quais faz parte. (( ) Características sociais como gênero, raça e posição de classes influenciam a formação da identidade do indivíduo, isto é, o modo como ele vê o mundo e como o mundo o vê. (( ) A socialização do indivíduo começa na infância e continua por toda a vida.

Capítulo 2 17. (UEMA/PASES) “O sistema de sinais de que me sirvo para expressar sentimentos, o sistema de moeda que utilizo em transações comerciais, e que funcionam independentes de mim.” Isso caracteriza o que Emile Durkheim denominou de: a) tipo ideal. b) fato social.

c) função social. d) normais sociais. e) processos sociais. 18. O que é fato social?

Sociologia 182 19. Qual destes exemplos abaixo pode ser considerado um fato social, de acordo com Durkheim? a) Uma inspiração artística b) Um distúrbio psicológico c) Uma visão de qualquer coisa d) Uma regra escolar e) Uma relação amorosa 20. Por que, para Durkheim, a neutralidade e a objetividade são fundamentais para que se possa fazer sociologia? 21. O que é consciência coletiva segundo Durkheim? 22. Como exemplos de solidariedade mecânica, podemos destacar: a) a divisão do trabalho. d) a religião. b) a moda masculina. e) violência. c) a genética. 23. (UFU-MG/PAIES) Para Émile Durkheim, a solidariedade mecânica diz respeito a um tipo de coesão social. De acordo com esse aspecto da teoria sociológica do autor, marque para as afirmativas abaixo (V) verdadeira, (F) falsa ou (SO) sem opção. (( ) A solidariedade mecânica é característica das sociedades com complexa divisão social do trabalho. (( ) A solidariedade mecânica desenvolve uma intensa consciência individual. (( ) A solidariedade mecânica expressa uma coesão fundamentada na semelhança entre os componentes da sociedade. (( ) A solidariedade mecânica vincula o indivíduo diretamente à sociedade, sem intermediários. 24. (UFU-MG/PAIES) Considere a seguinte citação. A sociologia constitui em certa medida uma resposta intelectual às novas situações colocadas pela revolução industrial. Boa parte de seus temas de análise e de reflexão foi retirada das novas situações, como, por exemplo, a situação da classe trabalhadora, o surgimento da cidade industrial, as transformações tecnológicas, a organização do trabalho na fábrica etc. MARTINS, C. B. O que é sociologia? 28. d. São Paulo: Brasiliense, 1991, p. 16.

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Com relação às considerações de Émile Durkheim sobre o problema da solidariedade nas sociedades modernas e primitivas, marque para as alternativas abaixo (V) verdadeira, (F) falsa ou (SO) sem opção. (( ) O tipo de solidariedade preponderante nas sociedades industriais modernas é a mecânica. (( ) O tipo de solidariedade preponderante nas sociedades primitivas é a orgânica. (( ) Cabe à divisão social do trabalho a função de proporcionar coesão e laços de solidariedade às sociedades industriais modernas. (( ) A consciência comum ou coletiva é a responsável por garantir coesão às sociedades primitivas.

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25. (UFAL/PSS) Analise as afirmações a seguir sobre as instituições sociais. (( ) São importantes porque estabelecem padrões e regras de comportamento que dão continuidade ao grupo social. (( ) Determinam papéis sociais inter-relacionados, com responsabilidades e status diferentes, como, por exemplo, os papéis de professor e aluno. (( ) Deveriam ser abolidas porque impedem que o indivíduo fique livre dos grupos sociais e viva de acordo com suas próprias regras. (( ) São responsáveis pelas nossas ações rotineiras e, com isso, permitem a previsibilidade das ações dos indivíduos e grupos. (( ) Dizem respeito apenas às sociedades tradicionais, pois, na sociedade moderna, foram abolidas por não terem nenhuma função social. 26. (UFU-MG/PAIES) Para Durkheim, as instituições sociais estão interligadas e qualquer alteração em uma delas afeta toda a sociedade. Isso significa que, se algo não funcionar em algum setor dessa sociedade, toda ela sentirá o efeito. A partir deste raciocínio, marque, quanto aos conceitos de coesão e anomia, para as alternativas abaixo (V) verdadeira, (F) falsa ou (SO) sem opção. (( ) Estabelecendo-se a solidariedade e, por conseguinte, a coesão social, os problemas considerados como patologia social não conduzem a um estado anômico. (( ) A metáfora do organismo, utilizada por Durkheim, refere-se à interdependência e à necessidade de manutenção da coesão social, relacionada à divisão do trabalho e a um sistema de direitos e deveres. (( ) Durkheim estava preocupado com os fatores psicológicos que, para ele, eram responsáveis pelo estado de anomia. (( ) A ordem e a coesão social levam à anomia, vista como a grande inimiga da sociedade. 27. Cerca de 5.000 anos depois de alcançar a Europa o Homo sapiens [...] protagonizou uma revolução criativa e desenvolveu conceitos de família, religião e convivência social. Mais uma vez a humanidade sofreu com os rigores do clima e com a escassez de comida, mas a adaptação às dificuldades resultou num salto à frente. O europeu primitivo, também chamado de homem de Cro-Magnon, passou a enterrar seus mortos com rituais e com objetos que usavam em vida. Pela primeira vez essas sociedades sentiram a necessidade de estabelecer regras – era preciso definir quem pertencia à família e com quem se compartilhavam os alimentos, quais objetos eram de uso coletivo e quais eram privados. VIEIRA, Vanessa; LIMA, Roberta de Abreu. “Como nossa espécie quase desapareceu”. In: Veja, ed. 2059, São Paulo: Abril Cultural, ano 41, no 18, 7 de maio, 2008, p.151.

A partir dessa informação, pode-se definir instituições sociais como sendo um: a) conjunto de pessoas ligadas entre si por vínculos permanentes formando uma entidade abstrata. b) agrupamento de pessoas que seguem os mesmos estímulos; é espontâneo, amorfo e o contato social é variado.

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c) conjunto de regras e procedimentos reconhecido e sancionado pela sociedade. d) conjunto ordenado de partes encadeadas que formam um todo; é o aspecto estático da organização social. e) conjunto de comportamentos típicos de um grupo social que reproduz um estilo de vida próprio de cada sociedade. 28. (UEL-PR) A despeito de se viver na era dos direitos, são significativos os homicídios no mundo inteiro, as condições subumanas a que são submetidas centenas de milhões de pessoas [...]. No Brasil, aí estão assassínios praticados por graúdos mandantes que se servem de pistoleiros profissionais, trabalho escravo, tráfico de mulheres, menores para prostituição, a deplorável guerra do tráfico de drogas e as chacinas em grandes cidades brasileiras, em pleno século XXI [...]. Pelo número de concepções, leis, tratados, etc., está-se na era dos direitos. No plano da efetivação dos direitos, para utilizar a expressão de Lipovetsky [...], não se estaria na era do vazio [de direitos]? [Situações sociais desse tipo são analisadas por alguns sociólogos a partir da consideração de que nos encontramos em] uma condição social em que as normas reguladoras do comportamento perderam a sua validade, [onde] a eficácia das normas está em perigo. Folha de São Paulo, São Paulo, 30 ago. 2004. p. A 3.

Assinale a alternativa que indica o conceito utilizado por Emile Durkheim (1858-1917) para definir uma “condição social” do tipo descrito no texto. a) Anomia d) Consciência coletiva b) Fato social e) Conflito social c) Coerção social 29. (UFAL/PSS) A educação, enquanto instituição social, tem um papel fundamental para Durkheim porque: (( ) significa a oportunidade de resolver a luta de classes ao permitir a ascensão social das classes inferiores. (( ) forma a consciência coletiva no indivíduo, introduzindo-o no mundo social, com suas regras, valores e hierarquias. (( ) reforça o egoísmo ao destacar os talentos particulares e favorecer o individualismo. (( ) representa o processo de socialização da criança nos padrões de comportamento, valores, papéis, pensamentos do mundo adulto. (( ) estimula a crítica ao estado e às instituições sociais, como, por exemplo, a família. 30. (UFU-MG) A teoria educacional de Émile Durkheim é tributária do seu modo de conceber a socialização dos indivíduos, ou seja, o processo de transformação dos indivíduos em seres sociais. Como tal, a educação participa da mesma natureza e exibe as mesmas características gerais dos demais fatos sociais. Assinale a única afirmação, entre as que são apresentadas a seguir, que não está de acordo com as ideias de Durkheim a respeito do processo de educação e socialização dos indivíduos. a) Apresenta objetivos e métodos que variam de sociedade para sociedade e de época para época.

b) Enfatiza o ensino dos modos homogêneos de pensar e de se comportar, assim como aqueles que, embora diferenciados, revelam-se funcionais para o contexto. c) Prioriza a transmissão dos modos de pensar, de ser e de sentir das gerações mais velhas para as mais jovens. d) Valoriza a livre expressão dos modos de ser, pensar e sentir dos imaturos, na busca de um consenso com as gerações mais velhas. 31. Defina o que são instituições sociais. 32. A desintegração das sociedades modernas foi uma das preocupações do sociológico francês Emile Durkheim em uma das suas obras clássicas O suicídio na qual o autor demonstra que o ato de suicidar-se também possui causas sociais, assumindo diferentes características. Com base no exposto acima, relacione a coluna B de acordo com os diferentes tipos de suicídio identificados na coluna A. COLUNA A (1) Egoísta (2) Altruísta (3) Anômico

COLUNA B (( ) Quando os indivíduos se identificam tanto com a coletividade que são capazes de tirar sua própria vida. (( ) Quando há um estado de desregramento social no qual as normas estão ausentes ou perderam sentido. (( ) Quando os indivíduos não estão integrados às instituições ou às redes sociais que regulam suas ações e lhes imprimem a disciplina e a ordem. Assinale a opção que apresenta a seqüência correta. a) 2, 3 e 1 d) 3, 1 e 2 b) 1, 2 e 3 e) 2, 1 e 3 c) 3, 2 e 1 33. (UFU-MG/PAIES) Com relação à teoria sociológica de Max Weber acerca da ação social, marque para as alternativas abaixo (V) verdadeira, (F) falsa ou (SO) sem opção. (( ) A ação social é aquela à qual o indivíduo atribui um sentido. (( ) A ação social de tipo racional orienta-se pela tradição. (( ) A ação social dispensa qualquer motivação por parte do indivíduo. (( ) A ação social afetiva funda-se na racionalidade de um determinado padrão legal. 34. Quais são os tipos de ação social, segundo Weber? 35. (UFU-MG/PAIES) Sobre a formulação de Max Weber acerca da ética protestante e sua relação com o espírito do capitalismo, marque para as alternativas abaixo (V) verdadeira, (F) falsa ou (SO) sem opção. (( ) A valorização do cumprimento do dever nas profissões mundanas contribuiu para uma nova cultura, favorável ao surgimento do capitalismo. (( ) A ética do trabalho entre os calvinistas incluía uma disposição para executá-lo como vocação, ou seja, como se fosse um fim em si mesmo.

Sociologia 182 (( ) A organização capitalista racional do trabalho fundamentou-se em um comportamento metódico, que decorreu da ética calvinista. (( ) O comportamento tradicionalista diante do mundo proporcionou o impulso aquisitivo que favoreceu o surgimento do capitalismo. 36. Qual é a relação existente entre protestantismo e capitalismo, segundo Weber? 37. (UFU-MG/PAIES) Sobre o conceito de relação social na teoria sociológica de Max Weber, marque para as alternativas abaixo (V) verdadeira, (F) falsa ou (SO) sem opção. (( ) Só podemos denominar relação social o comportamento de agentes que se orientam reciprocamente em relação ao sentido do que fazem, não fazem ou toleram. (( ) O sentido da relação social não é imutável, podendo variar de acordo com interesses e ser orientado de maneira racional. (( ) A relação social refere-se à ação reciprocamente referida sempre com um mesmo sentido para os agentes nela envolvidos. (( ) Para que haja relação social, deve existir um mínimo de reciprocidade em relação a ações e sentidos para os agentes envolvidos. 38. Assinale a alternativa que corresponde ao conceito de “dominação legítima”, formulado pelo sociólogo alemão Max Weber. a) Capacidade de impor a própria vontade dentro de uma relação social. b) Capacidade de liderar numa determinada situação social. c) Probabilidade de impor a sua vontade numa determinada situação social. d) Probabilidade de operar por meio de atos ou uso da violência. e) Probabilidade de encontrar obediência a um determinado mandato. 39. (UFPA/PSS) A análise sociológica que explica as desigualdades sociais, em termos de diferenças de escalas de renda e de prestígio entre os indivíduos, inscreve-se no campo de estudo do/da(s): a) estratificação social. d) organização social. b) mobilidade social. e) normas e valores. c) grupo social. 40. (UFU-MG/PAIES) Considere as seguintes colocações de Max Weber a respeito do papel da religião nos Estados Unidos do início do século XX. A admissão à congregação é considerada como uma garantia absoluta de qualidades morais, especialmente as qualidades exigidas em questões de comércio. O batismo garante à pessoa os depósitos de toda a região e o crédito ilimitado sem qualquer concorrência. EM2D-09-14

WEBER, M. Ensaios de sociologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1982, p. 350.

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A respeito das investigações de Max Weber sobre a influência das éticas das religiões mundiais no comportamento econômico de determinados setores das sociedades, marque para as alternativas abaixo (V) verdadeira, (F) falsa ou (SO) sem opção. (( ) A ética católica revelou-se fundamental para a consolidação do espírito do capitalismo moderno, na medida em que glorificou o trabalho como sinal de salvação espiritual. (( ) A doutrina da predestinação − elemento central tanto no confucionismo (China) como no hinduísmo (Índia) − obstruiu a racionalização e o metodismo cotidianos, essenciais à ética moderna do trabalho. (( ) Coube ao calvinismo consolidar a noção, segundo a qual o trabalho mundano é uma vocação a ser exercida de maneira sistemática e disciplinada, objetivando a glória divina. (( ) A ética protestante mostrou-se uma aliada imprescindível para o desenvolvimento do espírito capitalista moderno ao glorificar a usura e a confissão como meios para a salvação espiritual. 41. “A história das sociedades tem sido, até hoje, a história da luta de classes”. Esta frase expressa uma das teses fundamentais de: a) Durkheim. c) Weber. b) Hegel. d) Marx. 42. (UFAL/PSS) Analise as afirmações abaixo, levando em consideração as teorias de diferenciação social. (( ) Para Marx, a divisão de classes separa a sociedade entre proprietários dos meios de produção e aqueles que vendem a força de trabalho. (( ) Estamentos são camadas sociais definidas pela posição econômica do indivíduo na sociedade. Como exemplo, pode-se citar: clero, nobres e proletários. (( ) Para Marx, a organização política é o que determina a divisão de classes de uma sociedade, definindo capitalistas e proletários. (( ) Castas são camadas sociais definidas pela tradição e caracterizadas pela hereditariedade e hierarquia rígida (sem mobilidade). Como exemplo, pode-se citar o sistema de castas indiano. (( ) A divisão em classes sociais produz mais oportunidades de mobilidade social do que a sociedade estamental. 43. (UEMA/PASES) Ao longo da história, a sociedade humana desenvolveu formas de transformação da natureza para a satisfação de suas necessidades, modificando-a e a si própria por meio do trabalho, instituindo diferentes modos de produção. Sobre esses modos de produção, assinale V para verdadeiro e F para falso. Em seguida, marque a sequência correta. (( ) No sistema primitivo, os meios de produção e os frutos do trabalho são de propriedade privada. (( ) No escravismo, os meios de produção e os escravos são de propriedade do senhor. (( ) No feudalismo, as relações de produção baseiam-se na propriedade coletiva dos meios de produção.

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(( ) No capitalismo, as relações de produção baseiam-se na propriedade privada dos meios de produção pela burguesia e no trabalho assalariado. a) F, F, F, V b) F, V, F, V c) F, F, V, V d) V, V, F, V e) F, V, V, V 44. (UEG-GO/SAS) Karl Marx foi um pensador que exerceu grande influência sobre a filosofia e a sociologia. A sua teoria das classes sociais pode ser pensada tanto do ponto de vista filosófico quanto do ponto de vista sociológico. Sobre esse assunto, é correto afirmar: a) Marx pensa o proletariado como classe social constituída pelo conjunto dos trabalhadores assalariados produtivos que só possuem sua força de trabalho para vender em troca de um salário. Porém, por causa da influência da filosofia hegeliana, ele não vê o proletariado apenas “empiricamente” como “classe mais sofredora”, mas também como potencialidade, vir-a-ser, carregando em si a possibilidade e a tendência de engendrar o comunismo. b) Marx julga que o proletariado é composto pelos trabalhadores assalariados, que possuem um “espírito de rebanho” (Nietzsche) e que, por isso, será libertado pelo socialismo filosófico, tal como propunham os socialistas utópicos. c) Marx considera que o proletariado é uma classe social revolucionária por ser explorada pela classe capitalista e somente quando houvesse a universalização do ensino, ela passaria, segundo a linguagem hegeliana, de “classe em si” a “classe para si”. d) As classes sociais são o sujeito histórico das mudanças sociais, havendo revezamento das elites no poder, de acordo com a teoria das elites de Mosca e Pareto, sendo a realização da razão na história, tal como pensava Hegel. Assim, conforme a filosofia da história de Hegel, a razão é determinante no desenvolvimento histórico e das classes sociais.

b) O tráfico de pessoas tem gerado debates no meio acadêmico, nos vários níveis de governo e em diversas organizações não-governamentais. Esse modo de aliciamento de pessoas é explicado, entre outras razões, pela escassez de mão-de-obra qualificada para trabalhar nas áreas fronteiriças do norte do Brasil. c) Apesar dos avanços tecnológicos de setores como os de informação e saúde, nota-se que há distribuição desigual do que é produzido no capitalismo, e isso fortalece a expansão de valores da ideologia burguesa. d) Mesmo com o combate nos meios de comunicação e com o que determina a legislação específica, o trabalho infantil é utilizado pelo terceiro setor na oferta de serviços, como o turismo e o agronegócio. e) As mudanças ocorridas ao longo da expansão do capitalismo não eliminaram as diferenças entre as classes sociais, e o destino daquilo que é produzido pelo trabalhador continua a ser controlado pelo proprietário dos meios de produção.

45. Podemos considerar como características básicas da sociedade capitalista: a) o trabalho servil, a manufatura e o direito consuetudinário. b) o trabalho escravo, a condição de cidadania e a democracia. c) o trabalho assalariado, a propriedade privada dos meios de produção e a mais-valia. d) o trabalho coletivo, a socialização dos meios de produção e os cercamentos. e) o trabalho livre, a justiça social, o Estado socialista e a democracia civil.

47. (UEM-PR) Sobre as relações produtivas desenvolvidas por diferentes grupos sociais ao longo da história, assinale o que for correto. 01) Nas sociedades tribais, o trabalho humano está relacionado apenas à satisfação das necessidades básicas do homem, como, por exemplo, garantir a alimentação e o abrigo. Por isso, nesses casos, os processos de trabalho não geram relações propriamente sociais. 02) Segundo muitos autores, para alcançar a sua subsistência, nem todos os grupos humanos viveram de atividades produtivas, como ocorreu historicamente nas sociedades de pescadores, de coletores e de caçadores. 04) Alguns antropólogos afirmam que grupos indígenas, como os ianomâmis, podem ser considerados “sociedades de abundância”, pois dedicam poucas horas diárias às atividades produtivas, mas, apesar disso, têm suas necessidades materiais satisfeitas. Tais necessidades não são crescentes, como ocorre nas sociedades capitalistas. 08) Na sociedade feudal, a terra era o principal meio de produção, porém os direitos sobre ela pertenciam aos senhores. Os camponeses e os servos nunca podiam decidir o que produzir, para quem e quando trocar o fruto do seu trabalho. 16) O modo de produção escravista colonial que ocorreu no Brasil tinha as seguintes características principais: economia voltada para o mercado externo e baseada no latifúndio, troca de matérias-primas por produtos manufaturados da metrópole e fraco controle da colônia sobre a comercialização. Some os números dos itens corretos.

46. (UFPA/PSS) As condições de trabalho no sistema capitalista variam ao longo de sua expansão e consolidação; mas há recorrências nas relações sociais próprias desse modo de produção. A esse respeito, é correto afirmar: a) O trabalho escravo que hoje existe no sul do estado do Pará é uma prática que surgiu no período da colonização da Amazônia, quando africanos foram trazidos para essa região, desde o início do século XVII.

48. Sobre a concepção de sociedade segundo os pensadores clássicos da sociologia, assinale as afirmativas (V) verdadeiras e (F) as falsas. (( ) Émile Durkheim concebeu a sociedade moderna como resultado de mudanças na divisão social do trabalho, que se deu pela diferenciação das funções sociais da burocracia dos regimes teocráticos de dominação carismática da Europa Ocidental no século XIX.

Sociologia 182 (( ) Karl Marx concebeu a sociedade capitalista como resultado de transformações econômicas profundas que abrangiam todo o mundo e, por isso, foi capaz de prever a economia globalizada, em que os mercados se tornam exclusivamente internacionalizados. (( ) Em Max Weber, a sociedade moderna resulta de processos racionais de orientação da conduta social, instalados a partir das sociedades europeias ocidentais do século XIX, tendo como uma de suas mais fortes expressões a burocracia moderna. (( ) Na concepção de sociedade de Max Weber, há uma separação teórica das esferas da vida social como, por exemplo, a econômica e a religiosa, que guardam certa autonomia de funcionamento, mas guardam, também, conexão de sentidos entre elas. 49. A sociologia é uma ciência que analisa os fenômenos sociais com base em diferentes teorias que, consequentemente, diferem quanto ao seu objeto de estudo. Leia as proposições abaixo e marque a opção que relaciona, respectivamente, o objeto da sociologia de acordo com a visão dos clássicos. I. O objeto da sociologia é representado pelos fatos sociais considerados como “coisas”, passíveis de serem observadas. II. O objeto da sociologia é a ação social, vista como ação individual dotada de sentido. III. O objeto da sociologia é representado pelas estruturas econômicas, políticas e sociais da sociedade em cada momento histórico. a) Emile Durkheim, Max Weber e Karl Marx. b) Max Weber, Emile Durkheim e Karl Marx. c) Emile Durkheim, Karl Marx e Max Weber. d) Karl Marx, Emile Durkheim e Max Weber. e) Max Weber, Karl Marx e Emile Durkheim. 50. Sobre o pensamento sociológico clássico, é correto afirmar: a) Para Marx, o modo de produção e reprodução da vida material é composto pelas relações de produção (relações de propriedade) e pelas forças produtivas (ferramentas, maquinaria, tecnologia), as quais condicionam a superestrutura jurídica, política e ideológica. b) Segundo Weber, o capitalismo gerou o protestantismo e a religião é o “ópio do povo”. c) Para Durkheim, o objeto de estudo da sociologia é a ação social, definida por ele como a ação à qual o indivíduo atribui um sentido individualista. d) Os clássicos da sociologia (Marx, Durkheim e Weber) realizaram, cada um à sua maneira, uma crítica ao capitalismo e propuseram o corporativismo (Weber), o burocratismo (Durkheim) e o comunismo (Marx) para substituí-lo.

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51. (ENEM) A Revolução Industrial ocorrida no final do século XVIII transformou as relações do homem com o trabalho. As máquinas mudaram as formas de trabalhar, e as fábricas concentraram-se em regiões próximas às matérias-primas e grandes portos, originando vastas concentrações humanas. Muitos dos operários vinham da área rural e cumpriam jornadas de trabalho de 12 a 14 horas, na maioria das vezes em condições adversas. A legislação trabalhista surgiu muito

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lentamente ao longo do século XIX e a diminuição da jornada de trabalho para oito horas diárias concretizou-se no início do século XX. Pode-se afirmar que as conquistas no início deste século, decorrentes da legislação trabalhista, estão relacionadas com: a) a expansão do capitalismo e a consolidação dos regimes monárquicos constitucionais. b) a expressiva diminuição da oferta de mão-de-obra, devido à demanda por trabalhadores especializados. c) a capacidade de mobilização dos trabalhadores em defesa dos seus interesses. d) o crescimento do Estado ao mesmo tempo em que se diminuía a representação operária nos parlamentos. e) a vitória dos partidos comunistas nas eleições das principais capitais européias. 52. Com relação à concepção de Karl Marx sobre o Estado moderno, marque para as alternativas abaixo (V) verdadeira, (F) falsa ou (SO) sem opção. (( ) O Estado moderno não apresenta nenhuma correspondência com as relações sociais de produção capitalista, sendo, antes, o ordenamento jurídico, que independe delas. (( ) Para as classes trabalhadoras e suas lutas não faz diferença se o Estado moderno se organiza em termos democráticos ou ditatoriais. (( ) O Estado moderno, que corresponde à organização da dominação de classes, é a expressão da divisão da sociedade capitalista em classes sociais. (( ) Em sentido amplo, todo Estado capitalista é uma ditadura da burguesia sobre as demais classes e tem como função manter os antagonismos nos limites da ordem vigente. 53. Qual corrente da teoria política atribui ao Estado a função e o papel de aparelho ideológico e repressivo a serviço das classes econômicas dominantes? a) Idealista d) Positivista b) Liberal e) Marxista c) Comunitarista 54. O Maranhão vive a expectativa da implantação de um grande pólo siderúrgico. De um lado, o discurso afirma que os maranhenses terão um momento de desenvolvimento com a geração de emprego e renda. Do outro, o discurso versa sobre o impacto ambiental para a população. Ambos os discursos são ideológicos, embora diferentes, pois há vários sentidos para a palavra ideologia que, segundo Karl Marx, adquiriu um sentido negativo, como instrumento de dominação, que tem como função: a) produzir uma divergência entre as classes. b) enfatizar diferenças, como as de classe, e fornecer aos membros da sociedade um sentimento de identidade nacional. c) desenvolver a consciência crítica na relação dos homens entre si e suas condições de existência. d) dar aos membros da sociedade dividida em classes um sentido de desigualdade entre todos. e) dar aos membros da sociedade dividida em classes uma explicação racional para as diferenças sociais, políticas e econômicas.

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55. (UFU-MG/PAIES) Sobre a produção social, conforme a teoria de Karl Marx, considere a citação apresentada e, em seguida, marque para as alternativas abaixo (V) verdadeira, (F) falsa ou (SO) sem opção. (...) a grande indústria criou o mercado mundial, para o qual a descoberta da América preparou o terreno. O mercado mundial deu um imenso desenvolvimento ao comércio, à navegação, às comunicações por terra. Esse desenvolvimento, por sua vez, reagiu sobre a extensão da indústria; e na proporção em que a indústria, o comércio, a navegação, as ferrovias se estendiam, a burguesia também se desenvolvia, aumentava seus capitais e colocava em plano secundário todas as classes legadas pela Idade Média. MARX, K. O manifesto comunista. São Paulo: Brasiliense. 1986. p 68.

(( ) A produção social está alicerçada no controle do trabalho pela classe burguesa, de forma a assegurar a produção e reprodução do valor. (( ) A produção social fundamenta-se no desenvolvimento de um mercado mundial, no qual trabalho e capital estabelecem uma relação de complementaridade não conflituosa. (( ) A produção social assenta-se na organização e no controle da indústria, do comércio e das comunicações pela classe burguesa, de forma a orientar a produção do valor. (( ) A produção social baseia-se nas relações entre oferta e demanda no mercado mundial, pois é este que determina a produção social. 56. (UEM-PR) Ao discorrer sobre ideologia, Marilena Chauí afirma que: (...) a coerência ideológica não é obtida malgrado as lacunas, mas, pelo contrário, graças a elas. Porque jamais poderá

dizer tudo até o fim, a ideologia é aquele discurso no qual os termos ausentes garantem a suposta veracidade daquilo que está explicitamente afirmado. CHAUI, Marilena. O que é ideologia. São Paulo: Brasiliense, 1981, p. 04.

Considerando o texto acima e o conceito de ideologia para Karl Marx, assinale o que for correto. 01) Na maioria das sociedades capitalistas, as desigualdades são ocultadas pelos princípios ideológicos que afirmam a importância dos seguintes elementos: o progresso, o “vencer na vida”, o individualismo, a mínima presença do Estado na economia e a soberania popular por meio da representação. 02) Ideologia corresponde às ideias que predominam em uma determinada sociedade, portanto expressa a realidade tal qual ela é na sua objetividade. 04) Uma pessoa pode elaborar uma ideologia, construir uma “questão” individual sem interferências anteriores e influências comunitárias para a sua sustentação. Assim, com base em sua própria ideologia, ela poderá refletir e agir em sua sociedade. 08) Na sociedade brasileira, a ideologia da democracia racial afirma que índios, negros e brancos vivem em harmonia, com igualdade de condições. Essa formulação omite as desigualdades étnicas existentes no país. 16) Ideologia consiste em ideias que predominam na sociedade e que, por isso, são internalizadas por todos os indivíduos. Portanto, não existem possibilidades de se romper com seus pressupostos. Some os números dos itens corretos.

Capítulo 3 57. Qual é a relação existente entre o trabalho e a cultura humana? 58. Descreva o trabalho humano na Antiguidade Clássica. 59. Descreva o trabalho humano na Idade Média. 60. Descreva o trabalho humano a partir da Idade Moderna. 61. Em relação ao trabalho, o que diferencia o capitalismo do escravismo e do feudalismo? 62. Para a sociologia, “trabalho” é todo movimento: a) não realizado. d) consolidado. b) artístico. e) social. c) negociado. 63. Segundo Gorz, qual é a diferença entre o trabalho autônomo e o trabalho heterônimo? 64. É correto afirmar que não existe distinção entre o trabalho escravo e o trabalho servil? 65. Qual é a posição do liberalismo quanto ao trabalho?

66. O que é alienação do trabalho? 67. O que é fordismo? 68. O que é toyotismo? 69. Quanto ao taylorismo, podemos afirmar que está relacionado com: a) organização. d) honra. b) incoerência. e) artesanato. c) incompetência. 70. Quanto ao toyotismo, podemos afirmar que está relacionado com: a) desperdício. d) inferioridade. b) qualidade. e) religiosidade. c) preguiça. 71. Quanto ao fordismo, podemos associá-lo corretamente com: a) artesanato. b) irracionalidade. c) desapego ao lucro. d) linha de montagem. e) diminuição da produção.

Sociologia 182 72. (ENEM)

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Desiguais na fisionomia, na cor e na raça, o que lhes assegura identidade peculiar, são iguais enquanto frente de trabalho. Num dos cantos, as chaminés das indústrias se alçam verticalmente. No mais, em todo o quatro, rostos colados, um ao lado do outro, em pirâmide que tende a ser prolongar infinitamente, como mercadoria se acumula, pelo quadro afora. (Tarsila do Amaral, Operários.)

Nádia Gotlib. Tarsila do Amaral, a modernista.

O texto aponta, no quadro de Tarsila do Amaral, um tema que também se encontra nos versos transcritos em: a) Pensem nas meninas d) Não sou nada. Cegas inexatas Nunca serei nada. Pensem nas mulheres Não posso querer ser nada. Rotas alteradas. À parte isso, tenho em mim todos os Vinícius de Moraes sonhos do mundo. b) Somos muitos severinos Fernando Pessoa iguais em tudo e na sina: e) Os inocentes do Leblon a de abrandar estas pedras Não viram o navio entrar (...) suando-se muito em cima. Os inocentes, definitivamente inocentes tudo João Cabral de Melo Neto ignoravam, c) O funcionário público mas a areia é quente, e há um óleo suave não cabe no poema que eles passam pelas costas, e aquecem. com seu salário de fome Carlos Drummond de Andrade sua vida fechada em arquivos. Ferreira Gullar 73. Quanto ao caráter do desenvolvimento tecnológico, podemos afirmar que é: a) indiferente em aspectos sociais e econômicos. b) não aumenta a produtividade do trabalho. c) avança e transforma o trabalho e a sociedade. d) limitado, devido ao receio de a tecnologia voltar-se contra a espécie humana. e) limitado, devido à resistência religiosa. 74. Quais são as consequências das tecnologias da Terceira Revolução Industrial na esfera do trabalho? 75. É correto afirmarmos que o desenvolvimento tecnológico buscado pelo homem só ocorreu a partir da Revolução Industrial? 76. Assinale a alternativa que não expressa um avanço tecnológico alcançado pelo homem pré-histórico. a) O domínio do fogo d) A construção de utensílios de pedra b) O domínio da agricultura e) A fundição de metais c) O trabalho individualizado 77. Qual é o significado da palavra “tecnologia”? 78. Com o advento do capitalismo, qual relação se estabeleceu entre esse modo de produção e a técnica? 79. “Atualmente, o desenvolvimento tecnológico não se limita ao aperfeiçoamento dos produtos, mas, também, procura incrementar o processo de produção dos mesmos. Desta maneira, na junção da tecnologia com a ciência, temos uma revolução técnico-científica”. Assinale a alternativa que não contenha, atualmente, um setor em que a tecnologia seja combinada com a ciência. a) Comunicação d) Artesanato b) Informação e) Siderurgia c) Produção automobilística EM2D-09-14

80. Descreva a relação possível existente entre avanço tecnológico e aumento do desemprego estrutural.

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Capítulo 4 81. Do ponto de vista evolutivo, quais são as três fases clássicas pelas quais passou o capitalismo em seu desenvolvimento? 82. (ENEM) Leia o texto I de Josué de Castro, publicado em 1947. O Brasil, como país subdesenvolvido e em fase de acelerado processo de industrialização, não conseguiu ainda se libertar da fome. Os baixos índices de produtividade agrícola se constituíram em fatores de base no condicionamento de um abastecimento alimentar insuficiente e inadequado às necessidades alimentares do nosso povo. Adaptado de Josué de Castro. Geografia da fome.

Leia o texto II sobre a fome no Brasil, publicado em 2001. Uma das evidências contidas no mapa da fome consiste na constatação de que o problema alimentar no Brasil não reside na disponibilidade e produção interna de grãos e dos produtos tradicionalmente consumidos no País, mas antes no descompasso entre o poder aquisitivo de ampla parcela da população e o custo de aquisição de uma quantidade de alimentos compatível com as necessidades do trabalhador e de sua família. http://www.mct.gov.br

Comparando os textos I e II, podemos concluir que a persistência da fome no Brasil resulta principalmente: a) da renda insuficiente dos trabalhadores. b) de uma rede de transporte insuficiente. c) da carência de terras produtivas. d) do processo de industrialização. e) da pequena produção de grãos. 83. O que é acumulação primitiva de capital?

87. Os mecanismos de exclusão social são múltiplos e seus modos de manifestação diversos. As formas de exclusão relacionam-se entre si e podem agregar-se ou contradizerem-se. I. Atualmente no Brasil, os jovens, as mulheres, os migrantes e os idosos que estão em ocupação de trabalho precário são segmentos sociais considerados excluídos. II. As formas de trabalho escravo refletem a negação dos direitos civis e políticos e constituem formas de exclusão social. III. Os processos de inovação tecnológica e de improdutividade no mundo do trabalho, nas últimas décadas no Brasil, têm contribuído para diminuir a exclusão social. IV. A divisão sexual do trabalho é uma das bases sobre as quais se dá a organização socioeconômica da produção e, ao mesmo tempo, representa uma das formas de exclusão social. V. A exclusão social somente ocorre quando um grupo social não se identifica como excluído e está plenamente integrado no mercado de trabalho e na vida social. Estão corretas somente as afirmações: a) II, III e V. b) I, II e III. c) III, IV e V. d) I, II e IV. e) II, IV e V. 88. (ENEM) Em muitos jornais, encontramos charges, quadrinhos, ilustrações, inspirados nos fatos noticiados. Veja um exemplo: MIGUEL

84. Mais-valia está relacionada à(ao): a) fonte. b) violência. c) guerra. d) trabalho. e) crise.

O problema enfrentado pelo migrante e o sentido da expressão “sustança” expressos nos quadrinhos, podem ser, respectivamente, relacionados a: a) rejeição / alimentos básicos. b) discriminação / força de trabalho. c) falta de compreensão / matérias-primas. d) preconceito / vestuário. e) legitimidade / sobrevivência.

85. Por que, na atualidade, o capitalismo é aceito por muitos teóricos como a única forma de organização econômica possível? 86. (ENEM) PIRATAS DO TIETÊ LAERTE

Folha de S. Paulo. 06 de outubro de 1992.

Jornal do Commercio, 22/8/93

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O texto que se refere a uma situação semelhante à que inspirou a charge é: a) Descansem o meu leito solitário Na floresta dos homens esquecida, À sombra de uma cruz, e escrevam nela – Foi poeta – sonhou – e amou na vida.

AZEVEDO, Álvares de. Poesias escolhidas. Rio de Janeiro/Brasília: José Aguilar/INL,1971

b) Essa cova em que estás Com palmos medida, é a conta menor que tiraste em vida. É de bom tamanho, Nem largo nem fundo, É a parte que te cabe deste latifúndio.

MELO NETO, João Cabral de. Morte e vida severina e outros poemas em voz alta. Rio de Janeiro: Sabiá, 1967

c) Medir é a medida mede A terra, medo do homem, a lavra; lavra duro campo, muito cerco, vária várzea.

A relação que se estabelece entre a situação (I) e a interpretação (II) e a razão para essa relação aparece em: a) II explica I – Nos níveis de escolaridade mais baixos, há dificuldade de acesso ao mercado de trabalho. b) I reforça II – Os avanços tecnológicos da Terceira Revolução Industrial garantem somente o acesso ao trabalho para aqueles de formação em nível superior. c) I desmente II – O mundo globalizado promoveu o desemprego especialmente para pessoas entre 10 e 15 anos de estudo. d) II justifica I – O desemprego estrutural causa a exclusão de trabalhadores com escolaridade de nível médio incompleto. e) II complementa I – O longo período de baixo crescimento econômico acirrou a competição, e pessoas de maior escolaridade passam a aceitar funções que não correspondem à sua formação. 91. Basicamente, como se dividem os cientistas sociais que estudam a sociologia do desenvolvimento? 92. Qual é a visão positiva que existe atualmente entre os intelectuais acerca da globalização relacionada ao desenvolvimento econômico?

d) Vou contar para vocês um caso que sucedeu na Paraíba do Norte com um homem que se chamava Pedro João Boa-Morte, lavrador de Chapadinha: talvez tenha morte boa porque vida ele não tinha.

GULLAR, Ferreira. Toda poesia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1983

e) Trago-te flores, – restos arrancados Da terra que nos viu passar E ora mortos nos deixa e separados.

ASSIS, Machado de. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguillar, 1986

89. O que é a sociologia do desenvolvimento? 90. (ENEM) Leia os textos abaixo: I – O trabalhador Paulo Henrique de Jesus está há quatro meses desempregado. Com o Ensino Médio completo, ou seja, 11 anos de estudo, ele perdeu a vaga que preenchia há oito anos de encarregado numa transportadora de valores, ganhando R$800,00. Desde então, e com 50 currículos já distribuídos, só encontra oferta para ganhar R$300,00, um salário mínimo. Ele aceitou trabalhar por esse valor, sem carteira assinada, como garçom numa casa de festas para fazer frente às despesas. O Globo, 20/7/2005.

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II – Uma interpretação sobre o acesso ao mercado de trabalho: “Atualmente, a baixa qualificação da mão-de-obra é um dos responsáveis pelo desemprego no Brasil”.

93. (ENEM) Quino. Mafalda

CHAMIE, Mário. Sábado na hora da escutas. São Paulo: Summums, 1978

O humor presente na tirinha decorre principalmente do fato de a personagem Mafalda: a) atribuir, no primeiro quadrinho, poder ilimitado ao dedo indicador. b) considerar seu dedo indicador tão importante quanto o dos patrões. c) atribuir, no primeiro e no último quadrinhos, um mesmo sentido ao vocábulo “indicador”. d) usar corretamente a expressão “indicador de desemprego”, mesmo sendo criança. e) atribuir, no último quadrinho, fama exagerada ao dedo indicador dos patrões. 94. O desemprego causado pelas inovações tecnológicas incorporadas à produção vem crescendo no Brasil e nos demais países capitalistas. Essa situação vem provocando mudanças no mercado de trabalho e exigindo soluções alternativas. Assinale (V) ou (F) para as afirmativas que mostram as mudanças no mercado de trabalho e as alternativas propostas. (( ) A incorporação da tecnologia à produção demanda, cada vez mais, trabalhadores desqualificados. (( ) O contrato temporário tem sido uma das alternativas adotadas. (( ) A qualificação profissional é um requisito cada vez mais exigido. (( ) O mercado de trabalho vem demandando trabalhadores polivalentes e constantemente atualizados. (( ) A redução da jornada de trabalho semanal para 35 horas representa uma das soluções alternativas.

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95. Para muitos intelectuais, a globalização é um fenômeno que acentua as disparidades econômicas entre países ricos e países pobres. Comente essa visão. 96. (UFAL/PSS) Enquanto resposta intelectual à “crise social” de seu tempo, os primeiros sociólogos irão revalorizar determinadas instituições que, segundo eles, desempenham papéis fundamentais na integração e na coesão da vida social. A jovem ciência assumia como tarefa intelectual repensar o problema da ordem social, enfatizando a importância de instituições como a autoridade, a família, a hierarquia social, destacando a sua importância teórica para o estudo da sociedade. Carlos Benedito Martins. O que é sociologia? São Paulo: Brasiliense, 1994. p. 30.

Com base no texto que discute o início do pensamento sociológico, no século XIX, analise as afirmações abaixo. (( ) Karl Marx e Friedrich Engels são os autores que defendem a posição descrita no texto. (( ) Os sociólogos preocupados com a ordem social centravam-se no estudo dialético dos conflitos. (( ) A crise social citada no texto é a quebra da Bolsa de Nova York e a depressão econômica que se seguiu. (( ) Os primeiros sociólogos baseavam-se numa perspectiva de análise positivista. (( ) A integração social desejada pelo positivismo viria pela combinação entre progresso e ordem.

Capítulo 5 97. Dê um conceito geral de Estado. 98. Qual é a origem do Estado moderno? 99. Como se dá a relação histórica entre Estado e mercado? 100. Como o Estado enfrentou a crise de 1929? 101. Como ocorre a relação entre sociedade e Estado para a corrente de pensamento contratualista? 102. O que é a “terceira via?” 103. Como se dá a relação entre sociedade e Estado para a corrente de pensamento marxista? 104. (UEM-PR) Sobre a formação do Estado moderno e as transformações que ele sofreu ao longo da história, assinale o que for correto. 01) A centralização das estruturas jurídicas e da cobrança de impostos, a monopolização da legitimidade do uso da violência e a criação de uma burocracia específica para administrar os serviços públicos foram fundamentais para a constituição do Estado moderno. 02) Os Estados absolutistas europeus contribuíram para a desagregação das relações políticas feudais. Por isso, seu advento é constitutivo do longo processo que resultou no surgimento dos Estados modernos. 04) O princípio da soberania popular foi substantivamente transformado, em fins do século XIX e ao longo do século XX, no resultado das lutas sociais empreendidas a favor da ampliação dos direitos políticos. 08) A construção do Estado-nação esteve intimamente associada à idéia de um poder territorializado. 16) Embora estejam associados, os conceitos de Estado e de nação não coincidem, já que existem nações sem Estado – como é o caso dos palestinos – e Estados que abrangem várias nações – como o Reino Unido. Some os números dos itens corretos. 105. (ENEM) Você está estudando o abolicionismo no Brasil e ficou perplexo ao ler o seguinte documento:

Texto 1 Discurso do deputado baiano Jerônimo Sodré Pereira – Brasil 1879 No dia 5 de março de 1879, o deputado baiano Jerônimo Sodré Pereira, discursando na Câmara, afirmou que era preciso que o poder público olhasse para a condição de um milhão de brasileiros, que jazem ainda no cativeiro. Nessa altura do discurso foi aparteado por um deputado que disse: “Brasileiros, não”. Em seguida, você tomou conhecimento da existência do Projeto Axé (Bahia), nos seguintes termos: Texto 2 Projeto Axé, Lição de cidadania – 1998 – Brasil Na língua africana, Iorubá, axé significa força mágica. Em Salvador, Bahia, o Projeto Axé conseguiu fazer, em apenas três anos, o que sucessivos governos não foram capazes: a um custo dez vezes inferior ao de projetos governamentais, ajuda meninos e meninas de rua a construírem projetos de vida, transformando-os de pivetes em cidadãos. A receita do Axé é simples: competência pedagógica, administração eficiente, respeito pelo menino, incentivo, formação e bons salários para os educadores. Criado em 1991 pelo advogado e pedagogo italiano Cesare de Florio La Rocca, o Axé atende hoje a mais de duas mil crianças e adolescentes. A cultura afro, forte presença na Bahia, dá o tom do Projeto Erê (entidade criança do candomblé), a parte cultural do Axé. Os meninos participam da banda mirim do Olodum, do Ilé Ayê e de outros blocos, jogam capoeira e têm um grupo de teatro. Todas as atividades são remuneradas. Além da bolsa semanal, as crianças têm alimentação, uniforme e vale-transporte. Com a leitura dos dois textos, você descobriu que a cidadania: a) jamais foi negada aos cativos e seus descendentes. b) foi obtida pelos ex-escravos tão logo a abolição foi decretada. c) não era incompatível com a escravidão. d) ainda hoje continua incompleta para milhões de brasileiros. e) consiste no direito de eleger deputados.

Sociologia 182 106. Compare a democracia ateniense com a democracia atual. 107. Assinale o nome do país responsável pela recriação da democracia. a) Rússia d) Japão b) Brasil e) Estados Unidos c) China 108. Relacione democracia e cidadania. 109. A eleição é uma das instituições características dos regimes modernos. É praticada, com graus de eficácia e de sinceridade variáveis, quase em toda parte, no mundo contemporâneo. BOUDON, R. e BOURRICAUD, F. Dicionário de sociologia. São Paulo: Ática, 1993, p. 191.

Tomando como referência o texto acima, julgue a veracidade (V) ou a falsidade (F) das afirmativas abaixo, referentes ao significado da palavra “eleição”. (( ) Procedimentos dos indivíduos para influir nos processos de formação das decisões políticas. (( ) Mecanismo mais adequado para a tomada de decisão coletiva. (( ) Forma de garantir, no sistema ocidental do tipo liberal-democrático, a escolha dos governantes, a expressão do consenso e do dissenso, a representação dos interesses e a mobilização das massas. (( ) Prática nas sociedades políticas contemporâneas que inviabiliza a configuração dos interesses, das opiniões e da divisão entre maioria e minoria. (( ) Instituição que impede a manifestação da vontade popular. 110. De acordo com Aristóteles, em A política (livro VI, cap. IV): Se é verdade, como muitos imaginam, que a liberdade e a igualdade constituem essencialmente a democracia, elas, no entanto, só podem aí encontrar-se em toda a sua pureza, enquanto gozarem os cidadãos da mais perfeita igualdade política. Pode-se, então, apontar como outras características da democracia: a) sistema representativo, maximização da liberdade individual e tolerância. b) divisão de poderes, trabalhismo e patrimonialismo. c) divisão de poderes, igualitarismo e planificação da economia. d) divisão de poderes, propriedade privada e patrimonialismo. e) sistema representativo, divisão de poderes e estado de direito. 111. Qual a razão de se defender a plenitude da democracia e da cidadania no Brasil? EM2D-09-14

112. Julgue a veracidade (V) ou a falsidade (F) das afirmativas abaixo referentes ao “golpe de estado”. (( ) Método de sucessão governamental pelo uso da força.

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(( ) Interrupção violenta do poder político institucionalizado. (( ) Ato realizado, na maioria dos casos, por um grupo militar ou pelas forças armadas como um todo. (( ) Mudança de governo na democracia, sem violação da constituição legal do Estado. (( ) Forma de imposição do governante ao povo. 113. Dê uma definição de globalização. 114. (ENEM) Um certo carro esporte é desenhado na Califórnia, financiado por Tóquio, o protótipo criado em Worthing (Inglaterra) e a montagem é feita nos EUA e México, com componentes eletrônicos inventados em Nova Jérsei (EUA), fabricados no Japão. (…). Já a indústria de confecção norteamericana, quando inscreve em seus produtos ‘made in USA’, esquece-se de mencionar que eles foram produzidos no México, no Caribe ou nas Filipinas.

Renato Ortiz, Mundialização e cultura.

O texto ilustra como, em certos países, produz-se tanto um carro esporte caro e sofisticado, quanto roupas que nem sequer levam uma etiqueta identificando o país produtor. De fato, tais roupas costumam ser feitas em fábricas – chamadas “maquiladoras” – situadas em zonas-francas, onde os trabalhadores nem sempre têm direitos trabalhistas garantidos. A produção nessas condições indicaria um processo de globalização que: a) fortalece os Estados nacionais e diminui as disparidades econômicas entre eles pela aproximação entre um centro rico e uma periferia pobre. b) garante a soberania dos Estados nacionais por meio da identificação da origem de produção dos bens e mercadorias. c) fortalece igualmente os Estados nacionais por meio da circulação de bens e capitais e do intercâmbio de tecnologia. d) compensa as disparidades econômicas pela socialização de novas tecnologias e pela circulação globalizada da mãode-obra. e) reafirma as diferenças entre um centro rico e uma periferia pobre, tanto dentro como fora das fronteiras dos Estados nacionais. 115. A globalização caracteriza-se por conter: a) tecnologia precária. b) terceirização. c) agricultura como principal setor econômico. d) valorização da religião. e) ausência de grandes investimentos. 116. (ENEM) Você está fazendo uma pesquisa sobre a globalização e lê a seguinte passagem, em um livro: A sociedade global As pessoas se alimentam, se vestem, moram, se comunicam, se divertem, por meio de bens e serviços mundiais, utilizando mercadorias produzidas pelo capitalismo mundial, globalizado. Suponhamos que você vá com seus amigos comer

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Big Mac e tomar Coca-Cola no Mc Donald’s. Em seguida, assiste a um filme de Steven Spielberg e volta para casa num ônibus de marca Mercedes. Ao chegar em casa, liga seu aparelho de TV Philips para ver o videoclipe de Michael Jackson e, em seguida, deve ouvir um CD do grupo Simply Red, gravado pela BMG Ariola Discos em seu equipamento AIWA. Veja quantas empresas transnacionais estiveram presentes nesse seu curto programa de algumas horas.

Adaptado de PRAXEDES et alli. O Mercosul. São Paulo: Ática, 1997.

c) Tecnologias informacionais, competições e monopólios públicos. d) Competição, colaboração entre Estados imperiais e tecnologias informacionais. e) Competição global, isolamento dos mercados regionais e fundo público. 120. (ENEM)

A leitura do texto ajuda você a compreender que: I. a globalização é um processo ideal para garantir o acesso a bens e serviços para toda a população. II. a globalização é um fenômeno econômico e, ao mesmo tempo, cultural. III. a globalização favorece a manutenção da diversidade de costumes. IV. filmes, programas de TV e música são mercadorias como quaisquer outras. V. as sedes das empresas transnacionais mencionadas são os EUA, a Europa Ocidental e o Japão. Destas afirmativas estão corretas: a) I, II e IV, apenas. b) II, IV e V, apenas. c) II, III e IV, apenas. d) I, III e IV, apenas. e) III, IV e V, apenas. 117. Podemos afirmar que a globalização teve início a partir: a) da expansão marítimo-comercial. b) da expansão muçulmana. c) da Primeira Guerra Mundial. d) da Segunda Guerra. e) da Crise de 1929. 118. Qual é a relação existente entre a Terceira Revolução Industrial e o atual estágio da globalização? 119. A globalização é um processo antigo que teve início com o desenvolvimento capitalista e sua expansão ultramarina. Dentre as proposições a seguir, assinale a alternativa que expressa esse processo nas suas configurações atuais. a) Homogeneização dos mercados, tecnologias informacionais e estatização. b) Exportação de mercadorias, competição global e economia planificada.

As tiras ironizam uma célebre fábula e a conduta dos governantes. Tendo como referência o estado atual dos países periféricos, pode-se afirmar que, nessas histórias, está contida a seguinte ideia: a) crítica à precária situação dos trabalhadores ativos e aposentados. b) necessidade de atualização crítica de clássicos da literatura. c) menosprezo governamental com relação a questões ecologicamente corretas. d) exigência da inserção adequada da mulher no mercado de trabalho. e) aprofundamento do problema social do desemprego e do subemprego.

Respostas

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Sociologia 182 Capítulo 1 1. A relação possível é que, graças ao acúmulo de conhecimento, o homem pode superar a sua condição natural inicial. 2. As ciências sociais buscam entender como o homem é capaz de produzir a gama de conhecimentos que se manifestam por meio de costumes, convenções, hábitos, instituições e instrumentos.

8.

V, F, V, F, F

12. Pensamento social do século XIX, criado por Augusto Comte, que procurou estudar os fenômenos sociais com o mesmo método das ciências naturais. 13. D

4.

16. F, F, V, V, V

5.

D

6.

D

7.

D

10. B

D

11. Karl Marx, Émile Durkheim e Max Weber.

3. A sociologia é uma ciência que procura entender como a esfera social se manifesta e conserva seus valores. Além de possuir caráter científico, também procura intervir no processo social de maneira a solucionar os diversos problemas que afetam as sociedades contemporâneas. B

9.

14. V, V, V, V, V 15. 16

Capítulo 2 17. B

32. A

18. Segundo Durkheim, é todo acontecimento social que possui generalidade, coercitividade e exterioridade, sendo, portanto, o objeto de estudo da sociologia.

34. Tradicional, afetiva e racional.

19. D

36. O protestantismo contribuía para o desenvolvimento do capitalismo, pregando a valorização do trabalho e da parcimônia, qualidades apreciadas nas sociedades industriais.

20. Porque só assim é possível realizar uma ciência social.

33. V, F, F, F

35. V, V, V, F

21. É aquela consciência exterior e comum a todos os indivíduos de uma sociedade.

37. V, V, F, V

44. A

51. C

22. D

25. V, V, F, V, F

28. A

38. E

45. C

52. F, F, V, V

23. F, F, V, V

26. V, V, F, F

29. F, V, F, V, F

39. A

46. E

53. E

24. F, F, V, V

27. C

30. D

40. F, F, V, F

47. 20 (04 + 16)

54. E

41. D

48. F, F, F, V

55. V, F, V, F

42. V, F, F, V, V

49. A

56. 09 (01 + 08)

43. B

50. A

31. Por instituição social podemos tomar uma determinada regra ou valor que sejam reconhecidos, aceitos e confirmados pela sociedade, pois sua importância advém do fato de serem estratégicos para manter a organização social e satisfazer as necessidades dos indivíduos.

Capítulo 3 57. A relação existente é que o trabalho do homem transforma a natureza e cria cultura; o trabalho dos animais sempre é o mesmo e não modifica o meio ambiente.

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58. Na Grécia e Roma antigas, predominou o trabalho braçal escravo, pois aos homens livres com posses eram reservados o ócio e a intelectualidade. O trabalho, portanto, era considerado indigno de seres libertos.

59. Na Idade Média, o trabalho braçal passou a ser considerado como um castigo de Deus, ficando relegado aos servos e camponeses. Ao clero cabia a função de manter a comunicação entre os homens e Deus, enquanto aos nobres cabia a função de fazer a guerra contra os inimigos. 60. Na passagem da Idade Média para a Idade Moderna, o trabalho começou a deixar de ser negativo, especialmente

70

para uma nova classe social: a burguesia. Transformou-se no principal valor econômico, e o ócio perdeu a importância para o negócio. A burguesia se constituiu num grupo social ligado ao trabalho mercantil, isto é, ao comércio. Paulatinamente, os mais variados trabalhadores passaram a receber um salário mensal para, em troca, produzirem bens econômicos. Começava, dessa maneira, o papel do trabalho no capitalismo.

68. O toyotismo procura estabelecer uma boa relação entre o operário e a empresa. Trata-se de uma forma de trabalho marcada pela valorização da alta qualificação profissional e pela grande individualidade por parte dos trabalhadores. 69. A

71. D

61. Enquanto no capitalismo, o trabalho é visto como uma coisa positiva, um seja, um negócio, no escravismo, em geral, o trabalho é depreciado e, por isso, acaba sendo relegado ao escravo, restando ao seu proprietário o ócio. Já no feudalismo, o trabalho era considerado um castigo divino.

70. B

72. B

62. E

75. Não. O homem sempre buscou e glorificou a tecnologia. Mesmo quando não a buscamos, não a dispensamos, assim pode-se afirmar que o desenvolvimento tecnológico aumentou bruscamente a partir da Revolução Industrial.

63. O primeiro é considerado consciente, enquanto o segundo é entendido como alienado. 64. Não. Enquanto o escravo é considerado propriedade privada de outro homem, o vínculo do servo com o senhor feudal era intermediado pela posse da terra, pois o nobre, proprietário dessa fonte de riqueza, necessitava do trabalho do servo e este, despossuído de terras, necessitava delas para sua sobrevivência. Em razão disso, o servo morava e produzia nas terras do nobre (senhor feudal), entregando-lhe parte de sua produção e do seu trabalho, para, em troca, receber proteção militar. O servo, ao contrário do escravo, não era visto como mercadoria. 65. É positiva, pois o trabalho permite a prosperidade econômica e até a ascensão social. 66. É a maneira como Marx designa a desvinculação entre o trabalhador e sua criação. 67. Inspirado na racionalização do trabalho proposta por Taylor, o fordismo desenvolveu a produção em série por meio da linha de montagem (ou linha de produção), gerando maior produtividade do trabalho, fazendo do operário um simples par de braços.

73. C

74. Os sindicatos perderam significativo poder de reivindicações perante as empresas, assim como o trabalhador em geral ficou mais qualificado e também mais individualista.

76. C 77. A origem da tecnologia está na palavra “técnica”, que em grego significa “da melhor maneira”, ou seja, tudo aquilo que pode ser feito de maneira mais eficaz é técnica. 78. O sistema capitalista fez a técnica transformar-se em tecnologia, um ramo do conhecimento em que a busca de resultados é identificada como o constante aumento da produtividade do trabalho. 79. D 80. A robotização e a consequente qualificação constante do trabalho fazem aumentar o desemprego, o que, por sua vez, faz aumentar a exclusão social. Por outro lado, a globalização da economia ajuda a agravar essa situação, fazendo aumentar o desemprego estrutural. Trata-se de um velho impasse social histórico, mantido também pelo capitalismo, ou seja, os altos índices da pobreza e da miséria social, esparramadas pelas várias partes do mundo.

Capítulo 4 81. 1. Capitalismo comercial (aproximadamente a partir do século XV até o século XVIII); 2. Capitalismo industrial (a partir da segunda metade do século XVIII, com a Revolução Industrial); 3. Capitalismo financeiro (a partir da segunda metade do século XIX). Contudo, uma fase não substituiu a outra, pois o capitalismo é resultante da combinação dessas três formas, à medida que elas foram aparecendo.

85. Atualmente, o capitalismo é aceito por muitos como a única forma de economia capaz de satisfazer as necessidades humanas de consumo, principalmente após a crise do socialismo real e o consequente desmantelamento da União Soviética, em 1991.

82. A

89. Trata-se de um ramo da sociologia que busca entender as razões de existirem países avançados e países atrasados em termos econômicos. Como exemplo, podemos pensar na diferença econômica entre países como o Brasil e os Estados Unidos, já que ambos possuem capital, propriedade dos bens de produção, trabalhadores, parque industrial, além de instituições políticas, como sistema de leis, governo central e tribunais civis.

83. É o processo anterior ao capitalismo, cuja riqueza adquirida passou a ser investida na produção, em vez de ser consumida. 84. D

86. B

87. D

88. B

Respostas 90. E 91. Os cientistas sociais desse ramo de estudo se dividem basicamente em dois grupos: um que considera que o atraso econômico de uma nação se dá por motivos endógenos, sendo eles os evolucionistas e os dualistas; outro grupo afirma que o motivo do não-desenvolvimento dos países periféricos reside na manutenção da exploração feita pelos países centrais, sendo eles os adeptos da “teoria do imperialismo” e os adeptos da “teoria da dependência”. 92. Para muitos intelectuais, a globalização corresponde a um novo patamar de desenvolvimento, que concede aos países atrasados a possibilidade de superarem sua condição

71

de subdesenvolvimento, pois passa a existir maior interação econômica entre todas as nações. 93. C

94. F, V, V, V, V

95. Atualmente, a globalização tem sido o paradigma de desenvolvimento, ou seja, a economia é marcada pelo desmembramento da produção, por meio da terceirização ou produção em locais diferentes e pelo uso de alta tecnologia, especificamente a utilização da informática no sistema financeiro e na troca de informações. Para muitos, este paradigma é considerado mais uma forma de exploração por parte dos países desenvolvidos em relação aos países subdesenvolvidos. 96. F, F, F, V, V

Capítulo 5 97. O Estado pode ser definido como um poder político centralizado e exercido sobre um povo localizado em um território delimitado.

106. A primeira possui participação direta e cidadania restrita, enquanto a segunda é composta pela participação indireta ou representativa e cidadania mais ampla.

98. Sua origem está na Europa renascentista, ou seja, na passagem da Idade Média para a Idade Moderna, quando ocorreu a consolidação das monarquias nacionais, o que originou o absolutismo, ou seja, a primeira forma de Estado moderno.

107. E

99. O Estado é que determina os limites e as condições do mercado, criando as regras (leis) e as sanções para o provável descumprimento delas.

109. V, V, V, F, F

100. Foi necessária a intervenção econômica do Estado, para que fosse mantida a demanda agregada do mercado, realizando obras públicas, fazendo grandes investimentos e produzindo insumos (ações e petróleo, por exemplo). 101. Os contratualistas argumentam a necessidade de um poder maior que mantenha ordem dentro de uma sociedade, por meio do estabelecimento de um contrato social entre seus membros para instituir o Estado. Seus principais adeptos são Thomas Hobbes, John Locke e Jean-Jacques Rousseau. 102. É a alternativa que afirma ser possível uma reforma do Estado, cedendo funções e serviços para o mercado e o terceiro setor, mas sem abrir mão do poder de legislar, tributar e do uso exclusivo da violência (poder de polícia).

108. Para que a democracia possa ser estabelecida, é necessário que haja um conjunto de regras que delimitem os direitos e deveres dos cidadãos. 110. E

111. Historicamente, a democracia e a cidadania no Brasil têm sido conceitos dissociados durante os mais de cem anos de regime republicano. A democracia sempre foi o argumento de nossas elites para cooptar o nosso povo, em nome da lei e da ordem. Assim, a cidadania, que é o conjunto de direitos e deveres dos cidadãos, é fundamental para o regime democrático; de certa maneira, encontra-se dividida em direitos para os ricos e deveres para os pobres. 112. V, V, V, F, V 113. É a redução das distâncias entre os países e até mesmo entre os continentes, de maneira a ocorrer unicidade da geografia mundial. 114. E

116. B

115. B

117. A

EM2D-09-14

103. Os marxistas têm como princípio a luta de classes sociais refletida no Estado, de tal maneira que este poder é exercido pela classe dominante, no caso, a burguesia. Além do próprio Marx e Engels, seus seguidores, Lenin, Gramsci e Poulantzas, compartilhavam da mesma idéia.

118. A relação é que, com as tecnologias da Terceira Revolução Industrial, aviões a jato, computadores pessoais, satélites espaciais, fibras óticas, aparelhos de fax, telefonia celular, TV a cabo, reduziram-se mais ainda as distâncias entre os mercados.

104. 31 (01 + 02 + 04 + 08 + 16)

119. D

105. D

120. A

72

Anotações

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