Como Pensar e Agir Como Um Trader Ativo

July 9, 2017 | Author: André Luis FX | Category: Technical Analysis, Neuro Linguistic Programming, Learning, Thought, Market (Economics)
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Como Pensar e Agir Como Um Trader Ativo...

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Material integrante do Programa Tape Reading Automatizado Data desta edição: Junho de 2015 Edição: 3º Autor: André Hanna Farath

COPYRIGHT © 2015 Scalper Trader Cursos e Treinamentos TODOS OS DIREITOS RESERVADOS. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida, transcrita, arquivada eletronicamente ou transmitida por qualquer maneira ou por quaisquer meios, sejam eletrônicos, mecânicos, fotográficos, magnéticos ou similar, sem autorização prévia e por escrito do detentor dos direitos autorais, conforme a Lei 5.988, de 14 de dezembro de 1973, artigos 120 - 130. As ideias aqui apresentadas refletem a opinião do autor, não devendo, portanto, ser confundidas com recomendações de investimento. Cada leitor é responsável por sua suas próprias decisões de investimento.

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SUMÁRIO

Apresentação .............................................................................. 4 Como Pensar e Agir como um Trader Ativo Capítulo 1 – Introdução ................................................................... 8 Capítulo 2 - Natureza dos Mercados ................................................ 23 Capítulo 3 - Percepção e Processo de Pensamento ............................ 34 Capítulo 4- Acompanhar o Mercado com Objetividade ....................... 52 Capítulo 5- Interação com os Mercados e Perspectivas ...................... 59 Capítulo 6- Sincronizando a Mente com o Fluxo dos Mercados ............ 72 Capítulo 7- Sincronizando o Operacional com o Fluxo dos Mercados .... 97 Manual de Visualização ........................................................... 118 Primeiro Exercício ....................................................................... 136 Segundo Exercício ...................................................................... 138 Terceiro Exercício ....................................................................... 141

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APRESENTAÇÃO

Dentre todas as curiosidades que tínhamos durante nossa fase de aprendizado no trading, a que mais nos chamava a atenção era como e por que alguns traders tinham resultados consistentes e expressivos, enquanto outros pareciam não sair de uma espiral negativa e conviviam com resultados inconstantes ou ainda perdas excessivas. Com histórias diferentes, acabamos por frequentar as salas de negociação de uma corretora de valores que certamente foi o maior celeiro de traders autônomos do Brasil. Durante anos, pudemos acompanhar traders que já possuíam consistência de resultados e também os que tentavam se desenvolver. Alguns conseguiam atingir o tão sonhado nível de consistência de resultados enquanto outros não. Começamos perceber que a maior parte dos que se destacavam tinha, de alguma forma, convivido com traders veteranos. Percebemos também que a grande maioria dos que não conseguiam se desenvolver, ou não possuía tal harmonia com traders experientes ou já possuía uma forma de pensar muito definida quanto aos aspectos comportamentais e analíticos. Muitos dos que tinham dificuldade em se desenvolver já haviam feito cursos e tentado operar em outra corretora (sem esse viés de trade) ou de suas casas/escritórios. Entretanto, a percepção acima, isoladamente, estava longe de ser conclusiva e ainda faltava saber mais. Queríamos saber, se existia algo, concreto e mais específico que separava traders consistentes de não consistentes. Quando perguntávamos a todos sobre o que eles nos aconselhariam a fazer para se ter sucesso a resposta era quase que unânime: “corte suas perdas o mais rápido possível e tente deixar fluir enquanto estiver dando certo”. Esse axioma era dito por todos, tanto pelos experientes quanto pelos aspirantes, o que ainda não respondia nossa pergunta. Outra pergunta típica, que fazíamos era: “o que você olha para operar e o que motiva sua decisão”. Com essa pergunta percebemos algo interessante. Os traders consistentes tinham respostas consideradas por nós, naquela época, como vagas ou abstratas, como por exemplo; “vendi porque parou de subir”, “comprei porque parou de cair”, “vendi porque o mercado começou a vender”, comprei porque o mercado começou a comprar”. Por sua vez, as respostas de traders que não estavam conseguindo se desenvolver eram mais claras e objetivas, como por exemplo:

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“comprei porque rompeu uma resistência”, “comprei porque o IFR estava baixo”, “vendi porque o setup que utilizo mostrou venda” e etc... Apesar de interessante, confessamos não conseguíamos entender essa diferença de pensamento, na verdade o difícil era aplicar os conceitos, até então “vagos”, aprendidos com os veteranos. O tempo foi passando e aos poucos conseguíamos constatar alguns pontos interessantes: - Os melhores traders conheciam pouco ou quase nada de análise técnica. - Os melhores traders não possuíam um método rígido de entrada e saída, ou seja, são discricionários. - Os melhores traders também perdiam, mas encaravam esta perda de uma forma totalmente diferente dos demais. - Os melhores traders tinham pouca opinião sobre a direção dos preços e conseguiam olhar o mercado de uma forma totalmente objetiva adaptando-se a cada instante. - Os melhores eram extremamente ágeis na execução dos trades (entrada, saída e stop). - Os melhores não tinham medo de operar e não tinham dúvida da sua capacidade de ganhar dinheiro. Eram extremamente confiantes bastando apenas ter oportunidade. Bom, mesmo sabendo de tudo isso, a grande questão era: como fazer para operar sem depender de análise técnica, de forma discricionária (sem seguir trading system), sem ter opinião sobre alta ou baixa, encarar de forma saudável as perdas e ainda assim ser confiante? Como replicar tais habilidades e o comportamento de outro trader? Encontramos esta resposta através do conhecimento de programação neuro-linguistica (PNL). PNL é o estudo de como a linguagem,tanto a verbal como a não verbal, afeta nosso sistema nervoso. Nossa capacidade de fazer qualquer coisa na vida está baseada em nossa capacidade de dirigir nosso próprio sistema nervoso. Em resumo é a ciência de como dirigir seu cérebro de uma forma favorável para conseguir os resultados que deseja. O principal pressuposto da PNL é que se alguém consegue criar um resultado (ser consistente no trading, por exemplo) é possível replicá-lo.

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Sob a ótica da PNL, de uma forma bem simplista, para se copiar a forma de pensar de outra pessoa, você teria que copiar sua estrutura de crença (como filtramos e interpretamos a realidade), copiar sua sintaxe mental (ordenação da forma de pensar) e sua fisiologia. Apesar de os adeptos da PNL julgarem necessários os 3 passos citados acima, acreditamos que entender a estrutura de crenças de traders consistentes já garante um enorme avanço. Nosso propósito neste material não é ensinar sobre PNL ou ainda associar conhecimento de PNL ao sucesso como trader. Nosso objetivo é explicar que “modelamos” a forma de pensar dos traders de sucesso e com isso conseguimos os mesmos resultados. Assim sendo é possível que você faça o mesmo. OBJETIVOS Esse material foi originalmente desenvolvido como suporte para o Curso de Formação de Traders Ativos, cuja estratégia central girava em torno de análise de fluxo de ordens puramente aplicada à scalping. Apesar de o Programa Tape Reading Automatizado permitir uma gama maior de operações incluindo Trade Location, Front Running e Trades para Segurar, o material ainda é perfeitamente aplicável uma vez que trata de assuntos inerentes à forma como nós humanos percebemos o mundo, pensamos e agimos. O mercado vem se transformando ao longo do tempo e exigindo adaptação operacional para conseguirmos tirar proveito de todas as oportunidades que ele faz disponível. O Programa Tape Reading Automatizado surge em resposta ao nosso operacional frente a um ambiente desafiador exigindo maior eficiência de todos os traders. Frente ao dinamismo nós precisamos nos adaptar mais depressa, explorar oportunidades em mais de um ativo e eventualmente incorporar mais essências operacionais para conseguir diluir o risco e manter um número adequado de boas oportunidades. Apesar de toda essa mudança de dinâmica nos mercados, o principal objetivo deste material e do anexo chamado manual de visualização é fazer você pensar e agir como um trader pessoa física consistente. E a melhor forma de conseguir isso é através do entendimento e da mudança de algumas crenças. Neste processo, falaremos muito sobre a importância do controle ativo e consciente do Estado Mental e da Atitude como fatores determinantes para criar resultados consistentes. Falaremos também

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sobre a importância de “perceber” a informação proveniente do mercado de forma totalmente objetiva, ou seja, sem viés, conflito ou opiniões/expectativas. Esperamos que ao final deste material você tenha um entendimento claro sobre o mindset ideal para se relacionar com o mercado. Muito sucesso, atitude vencedora e ótima leitura! André Hanna e André Antunes

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COMO PENSAR E AGIR COMO UM TRADER ATIVO 1-INTRODUÇÃO

Antes de iniciarmos o texto, gostaríamos de fazer alguns esclarecimentos. O Programa Tape Reading foi elaborado para abordar os aspectos teóricos e práticos de operações de day trade, sob a ótica do trader autônomo. Por isso, sempre que mencionarmos à palavra trader, estaremos nos referindo especificamente às pessoas físicas que se engajam nesta atividade. É importante fazer esta separação, pois, algumas afirmações podem não se aplicar às demais categorias de traders (Traders Institucionais, Sales Trader, Brokers, etc.). Outra observação é sobre mencionarmos as palavras operação ou trade. Sempre que não houver segmentação estaremos nos referindo às operações de day trade, ou seja, operações realizadas dentro de um mesmo dia.

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ATRAÇÃO

Você já parou para pensar o que, efetivamente te atraiu nos mercados? Provavelmente você se enquadre em algum ou em vários dos itens abaixo: - Enriquecimento rápido - Euforia - Atração pelo desafio - Autopunição gerada pelas perdas (pode parecer incoerente, mas muitos buscam isso) Por mais que estes itens acima atraiam pessoas ao trading, há algo muito mais profundo e que alimenta a vontade dessas pessoas: Liberdade de expressão! Os mercados trabalham de uma maneira muito diferente do que quase tudo na vida. Há mais liberdade neste “mundo do trading” do que provavelmente qualquer outro negócio no mundo. Desde que você tenha recursos e acesso à negociação (plataformas ou home broker) você pode fazer o que quiser e quando quiser. Enquanto o mercado estiver aberto não existe começo, meio e fim formal.

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Você decide se entra no mercado e com quantos lotes, se permanece na posição e decide quando sair do mercado quer seja, no lucro ou no prejuízo. Esse grau máximo de liberdade não é encontrado em nenhum outro negócio. Nem mesmo os jogadores (de cassinos e coisas do gênero) possuem tal liberdade, pois nos jogos há começo, meio e fim. Há regras e essas regras limitam parte das decisões de atuação dos jogadores restando a estes escolher, quanto apostar e com que estratégia. Os jogadores ficam isentos da necessidade de “saírem do jogo”, ou seja, como existe um final formal para cada rodada, não há nada que ele possa fazer a não ser aceitar o ganho ou a perda. Já nos mercados, uma vez posicionado (comprado ou vendido) o trader tem, necessariamente, que tomar uma decisão para sair do jogo, pois, nada e nem ninguém irá tirá-lo. Repare que há uma enorme diferença. O jogador é necessariamente um perdedor ativo, pois ele perde, no máximo, exatamente o que sabia que poderia perder quando decidiu apostar. Para perder mais, o jogador tem que tomar uma nova decisão de apostar mais e consequentemente errar novamente. O trader por sua vez só será um perdedor ativo se conseguir ter discernimento, habilidade e atitude de sair da posição quando atingir o nível pré-determinado de perda ou quando ela não se mostrar mais promissora1. Concorda que há uma decisão a mais? Se por algum motivo, o trader não agir para cortar a perda esta poderá crescer de uma forma incontrolável gerando um prejuízo 2, 3 ou 10 vezes maior do que se planejava. Neste caso o trader está “passivo”, ou seja, não precisa fazer nada para perder mais e mais dinheiro se o mercado continuar andando contra sua posição. Ser passivo significa estar à espera de um evento externo para salvar sua pele. Além deste importante conceito de ativo e passivo (que inclusive será tratado mais adiante) queremos reforçar a ideia de que diferentemente de tudo, até de jogo, o trading querer atitude nas escolhas e aceitação dos resultados gerados pelas escolhas. O trader (que não pensa da forma correta) costuma sofrer interferências emocionais e ser mais frustrado que o jogador. De 1

Nós stopamos cada operação baseado sempre na descaracterização dos fatores que nos motivaram entrar no mercado. Dessa forma, cada uma das cinco essências por trás do Trade requer um stop diferente.

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forma resumida, o fato de o trader ter que decidir e agir para sair do mercado, por si só explica essa interferência emocional. Arrependimento, raiva, medo e indecisão são mais doloridos quando causados por decisões próprias do que por regras ou fatores externos. A liberdade sempre tem seu preço!

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Fases dos Traders

A grande maioria dos interessados por bolsa de valores acaba passando, de alguma forma, pelas fases que iremos descrever. O que varia de pessoa para pessoa é a duração e esforço emocional e financeiro dispendido em cada fase. Repare que aqui usamos a expressão “interessados em bolsa de valores” e não a palavra “trader”. Traders são considerados mais ativos, ou seja, que atuam com relativa frequência. Investidores, por sua vez possuem este rótulo por atuarem no mercado vislumbrando horizontes de tempo mais longos. Apesar de traders e investidores usualmente percorrerem este caminho nós iremos nos referir, especificamente nesta sessão, aos que se dedicam como traders. Primeira fase: Julgar que o caminho do sucesso se dá através de dicas. Essa foi exatamente minha primeira crença quando decidi, ainda bem novo, me dedicar ao mercado financeiro. Acreditava que relacionamento, contatos e acesso a relatórios relevantes proporcionavam vantagem na hora de atuar como trader. Assim como eu, todos que se encontram nesta fase, ainda que de forma “inconsciente” transferem a responsabilidade das decisões para terceiros. Essa transferência acaba blindando nossa mente dos danos de errar e perder dinheiro, uma vez que quem errou foi quem deu a dica e não nós mesmos. Esta fase não durou muito para mim e frequentemente também não dura para os outros. A decepção sobre a crença das dicas vem rapidamente, uma vez que é fácil perceber que além da dificuldade de se construir relacionamentos com as pessoas certas, as “dicas” que chegam geram mais prejuízos do que lucros.

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Com resultados inconstantes e, na maioria das vezes prejuízos, muitos já desistem nessa fase. Abaixo listei alguns outros motivos que explicam o porquê da ineficiência de depender de dicas/recomendações quando seu objetivo é ser trader. - Os analistas de mercado são os grandes fornecedores de informação. Os agentes autônomos de investimentos fazem a ponte entre a informação gerada pelos analistas e os clientes. Ambos costumam ser remunerados com comissões sobre a corretagem gerada nas operações. Ou seja, quanto mais ordens de compra/venda, mais corretagem e mais comissões. Você por outro lado, tem que ganhar dinheiro com estas recomendações e quantidade não significa qualidade. Este é um dos maiores conflitos de interesse na atividade. - Outro motivador é a falta de disciplina dos traders em cumprir as recomendações assim como são fornecidas. Com execuções aleatórias, fica praticamente impossível de atingir as estatísticas positivas de acerto que alguns analistas possuem. Isso ocorre, basicamente por dois motivos: Primeiro: não ter o menor domínio sobre as emoções sofrendo influência, principalmente de medo de operar e arrependimento pelos atos; E segundo: começar a ter opinião própria sobre o mercado e julgar em qual das recomendações entrar e em qual não entrar. Para finalizar, obviamente, algumas poucas pessoas enriqueceram e ainda enriquecem com dicas e recomendações. Elas conseguem tal façanha através de relacionamento com pessoas influentes, de fato. Na segunda fase estes mesmos traders mudam um pouco o foco. Eles param de perguntar o que fazer e começam a questionar como fazer. Percebem a possibilidade ou necessidade de seguirem as recomendações geradas por trading systems desenvolvidos por terceiros ou de fazerem suas próprias análises. Esta é a etapa da busca pelo conhecimento através de conversas com colegas, corretoras ou na própria internet. A recomendação não poderia ser diferente: “Se quer se tornar um bom trader faça um curso de análise técnica”. Quem já fez essa pesquisa deve ter reparado este diagnóstico. Com este intuito na mente, essa pessoa busca o curso mais adequado e

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após um final de semana de aulas parece ter tomado uma injeção de ânimo/confiança contando as horas para aplicar as novas técnicas. É muito comum esse trader começar a operar utilizando indicadores da análise técnica ou trading systems prontos, pois os sinais são gerados pelo sistema e não é necessária nenhuma interpretação. Um bom exemplo aqui é cruzamento de médias móveis, Hilo, Bandas de Bollinger etc. Após um tempo operando o resultado muitas vezes não é satisfatório e por quê? Podemos listar alguns bons motivos: - Dificuldade em seguir 100% dos sinais gerados, assim como ocorre nas recomendações de analistas citadas na 1º fase. Esse problema pode ocorrer por desconfiança temporária do sistema devido às perdas seguidas. É comum que esse trader tire o pé quando o sistema gera prejuízos nos trades individualmente. O medo de perder mais dinheiro cria uma necessidade pessoal de interferir no sistema, julgando de forma discricionária qual indicação vale à pena arriscar e qual não vale. Com essa perspectiva seletiva, não tem como escapar de também estar fora de operações ganhadoras, as quais muitas vezes pagariam os prejuízos anteriores ou ainda garantiriam lucro. - Outro ponto que é crucial é ineficiência do próprio trading system ou da utilização de indicadores de análise técnica. Para mim, pessoalmente esse é um dos principais pontos. Esses traders realmente acreditam que todos no mercado operam também utilizando indicadores, gráficos ou trading systems. Com essa cabeça de que se profissionais fazem eu também conseguirei fazer, eles procuram de forma quase que interminável a melhor combinação de indicadores que expliquem o que o mercado fez no passado recente. Veremos um exemplo: Um trader aprende que o sistema baseado em médias móveis mostra resultados positivos no backtesting (significa testar a eficiência da estratégia em períodos de tempo passados). Pressupondo que o trader não incorra no problema de julgamento descrito no tópico anterior, o que é de se esperar? Se o sistema der lucro, ok, mas e se der prejuízo? Quantos de vocês continuariam seguindo as recomendações se o sistema, por exemplo, gerasse 6 prejuízos seguidos? Alguns podem argumentar que a disciplina, neste caso, é justamente continuar seguindo as recomendações uma vez que o sistema possui um histórico positivo no backtesting. Mas aqui vai um questionamento para todos os leitores, quando devo reavaliar meu sistema, ou seja, quando sei que o resultado gerado no teste passado não deve mais ocorrer no futuro?

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Duvido que haja outra resposta a não ser quando o sistema mostra prejuízos frequentes. A questão é que você quase sempre vai reavaliar quando estiver perdendo dinheiro. Assim vai buscar outra combinação perfeita de indicadores ou ainda uma forma de filtrar algo no atual sistema (combinar mais indicadores técnicos, por exemplo) e que teria funcionado durante a fase que você estava perdendo dinheiro seguindo as recomendações do sistema antigo. Essa tentativa de equacionar o passado é uma das maiores armadilhas que o trader pode cair. É praticamente um círculo vicioso, onde a perda financeira gera um ímpeto de buscar conhecimento sobre mercado (combinando indicadores ou trocando de trading systems) afim conseguir controlar ao máximo todos os movimentos possíveis do mercado evitando dessa forma mais perdas futuras. Além de ser muito difícil de ser resolvida (para isso tem que efetivamente entender a natureza do mercado), essa situação começa a gerar sérios danos psicológicos nos traders, como falta de confiança, medo de executar ordens ou ainda medo de perder dinheiro. Os poucos que, ou por não terem desistido do mercado ou por terem buscado alternativas aos modelos muito mecânicos (indicadores de análise técnica ou trading systems) começam a atuar só olhando preço. Nos EUA esta modalidade é conhecida como price action. Basicamente, o traders procuram por suportes e resistências de preços, LTAs, LTBs. Essa forma de atuação também é uma grande mudança de perfil operacional, pois começam a analisar o mercado ou em outras palavras, atuar de forma mais discricionária. Começam a analisar rompimentos de preços, a analisar quais rompimentos possuem melhor potencial, quais propiciam projeções de preço e etc. Também consideram a possibilidade de atuar contra o mercado, o que é considerado uma heresia nos fóruns. Começam a enxergar a possibilidade de vender em resistências de preço e comprar em suportes, etc. Essa é de fato uma evolução em relação à fase anterior, pois, o trader desenvolve timing (preocupação com entrada e saída) e começa a perceber que não são os indicadores de análise técnica que causam os movimentos de preço. Nesta fase os resultados tendem a ser, muitas vezes, melhores e alguns começam a se destacar. Essa segunda fase é geralmente onde a grande maioria fica por muito tempo. Alguns desistem do mercado por não conseguirem resultados adequados e outros por perdas financeiras geradas, principalmente, por falta de disciplina.

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Para que traders garantam sucesso permanente faltam 2 ingredientes essenciais: - Entender profundamente a natureza do mercado e o que, efetivamente, causa os movimentos de preço; - Desenvolver uma mentalidade de trader que permita olhar o mercado de uma forma 100% objetiva interpretando a informação sem nenhum viés ou interferência, neutralizar as emoções e ainda aceitar o risco de operar, especialmente em situações adversas. Essa é justamente a essência da 3º fase. Percebemos que um trader esta chegando nesta fase quando os questionamentos e dúvidas são similares às descritas abaixo: - quem e porque opera entre as minhas indicações de entrada e saída; - Muitas vezes eu “sinto” que é para comprar/vender, mas não tenho indicações objetivas do sistema que utilizo (mesmo que seja price action); - O que de fato esta causando as oscilações nos preços; - Qual é a dinâmica de funcionamento deste mercado. São raríssimos os traders que chegam a essa fase e percebem, efetivamente, o que é o trading. Percebem que trading não tem nada a haver com ser bom analista, não tem nada a haver com prever preço e não tem nada a haver com análise técnica. Percebem que atitude e estado mental são os principais fatores que determinam o sucesso, uma vez que já aprenderam a enxergar e a ficar no fluxo do mercado. Infelizmente a maioria chega nesse estágio depois de meses ou anos e após acumularem muitas perdas financeiras. Raríssimos são os que pulam etapas e já entram no mercado com este pensamento.

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Por que é tão difícil ser Trader Autônomo?

São várias as dificuldades em se tornar um Trader Autônomo Independente e nós vamos discorrer sobre elas, mas a primeira e mais abrangente de todas é não ter alguém para se espelhar. Em qualquer atividade na qual nos engajamos, nós buscamos um molde. Como alguém aprende a jogar tênis? Provavelmente treinando

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a assistindo jogadores experientes jogarem. Como um médico aprende a operar um paciente? Provavelmente após várias cirurgias assistidas. Acreditem, em todas as atividades nós de uma forma ou de outra buscamos um molde. No trading não poderia ser diferente. Parem e reflitam sobre o assunto. Se você possuir todos os pré-requisitos e conseguir se tornar um trader corporativo2 certamente terá convívio com traders experientes. Mesmo que de forma inconsciente, esse convívio te molda para o trading, onde aprenderá as crenças dos sêniores, interpretará o mercado como os sêniores interpretam, pensará como eles pensam e agirá como eles agem. É nessa fase também que aprenderá que perder e errar são características inevitáveis do trading e como deverá se comportar diante de tais circunstâncias. A fora a questão mais abrangente da dificuldade em conviver com traders experientes, listaremos pontos mais específicos que tornam a atividade de trading muito desafiadora. - Errar e perder dinheiro figuram entre as maiores fontes de stress (e geradoras de medo) segundo pesquisa chamada “Fear Factor” - Fator de Medo - realizada por acadêmicos da Universidade de Cambridge e apresentada no livro Finanças Comportamentais de Aquiles Mosca. Entretanto, errar e perder dinheiro no trading são situações vivenciadas quase que a todo instante (especialmente se for um day trader). Se errar e perder dinheiro geram dor emocional ou stress, nossa mente, mesmo que de forma inconsciente, fará o possível para evitar tais sentimentos, alterando nossa percepção sobre a informação vinda do mercado ou ainda bloqueando nossa capacidade de atuação. Fomos criados assim, aprendemos que errar é feio e perder nos diminui. Essas são crenças quase que universais. Se operarmos com a perspectiva de evitarmos erro e perda, fatalmente cairemos em uma dessas grandes armadilhas: 1º - Só entrar no mercado quando tivermos certeza. Essa é uma armadilha muito perigosa, pois não importa o que você olhe, e quão bom analista você seja, uma hora sua operação vai dar errado e isso será explicado quando falarmos da natureza do mercado. Entretanto, como você se cercou de sinais e argumentos que o convenceram de que você esta certo na sua posição, dificilmente você fará alguma coisa para se proteger, pois estar 2

As classificações se encontram em artigo do site www.scalpertrader.com.br

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errado não faz parte das possibilidades. Essa armadilha, geralmente é a causadora das grandes perdas, pois, uma vez convencido da certeza de acertar uma operação, o trader não consegue aceitar uma realidade contrária. Assim, acionar o stop e sair da posição perdedora é quase que impossível, pois seria aceitar que errou, aceitar que todos os argumentos que o convenceram a entrar no mercado estavam errados. 2º Distância do sucesso Se operarmos com foco em evitar perda e erro, cada vez que acontecerem (e irão acontecer), nossa mente vai assimilar que estamos cada vez mais longe do nosso objetivo. Concordam que se o objetivo for estar certo e ganhar dinheiro, a cada erro e perda estaremos mais distantes do objetivo? Perceba que o foco desse trader não é nas oportunidades que o mercado gera e sim em como evitar errar e perder dinheiro. 3º Tentar amenizar o efeito negativo do erro e perda aprendendo o máximo sobre os mercados Talvez essa seja a pior das armadilhas e foi parcialmente abordada na segunda fase dos traders. Após a dor da perda é muito comum que traders criem um ímpeto de buscar conhecimento justamente para não sofrerem novamente. Buscar conhecimento é bom e saudável, mas reparem que o motivador da busca por conhecimento neste caso é evitar perdas e erros e não aumentar o leque de oportunidades. Com esse intuito nosso trader vai cada vez mais buscar ter certeza sobre o movimento futuro antes de entrar no mercado. Quanto mais certeza e convencimento sobre a direção do mercado, mas difícil de reconhecer que errou. Quanto mais difícil reconhecer o erro, mais difícil de agir e stopar para evitar grandes perdas. Percebe que não tem saída? É de fato um ciclo vicioso onde medo do erro e da perda só geram mais medo e desconfiança. - Não temos nenhum controle sobre o mercado, apenas sobre nós mesmos. Em muitas situações cotidianas, nossa capacidade de influenciar pessoas ou processos muitas vezes nos garante sucesso. Ou seja, na vida, opinião firme e poder de persuasão são fatores determinantes. Por exemplo, se você quiser ouvir alguma música, você pode ligar o rádio que ela tocará. Se não ligar o rádio a música não toca. Outro exemplo, dependendo do seu cargo e nível hierárquico você consegue controlar o rumo das atividades. Basta uma ordem para que projetos sejam alterados, pessoas reordenadas

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ou mesmo substituídas, alterações físicas em ambientes provocadas e etc. Em atividades cotidianas, muitas vezes temos condições de influenciar o ambiente ou ainda de alterar o rumo das coisas. Fomos criados e adquirimos crenças de relacionar tudo, com causa e efeito. Diferentemente de muitas coisas que acontecem em nossas vidas, no mercado, nós não temos o menor controle do que irá acontecer (considerando que você seja um Trader Autônomo e que não opere volumes exorbitantes). Não importa quem você é, quanto estudou e nem mesmo o quanto você queira que o mercado ande em certa direção, não há nada que você possa fazer para isso acontecer. Nada mesmo! No trading quanto mais esforço você colocar em dominar a situação, mais vai dar errado. Umas das maiores virtudes no trading talvez seja a flexibilidade, a capacidade de moldar-se ao ambiente e dançar ao ritmo da música que alguém escolheu e esse alguém não foi e nunca será você. A única alternativa que temos é nos controlar, ou seja, já que não podemos escolher a música devemos saber se vale a pena dançá-la ou não. - Aleatoriedade de resultados. No trading, independente do que faça, não há garantias de sucesso em cada operação. Mesmo que você tenha recursos financeiros, tempo e alguém para se espelhar, algumas operações, aliás, várias serão perdedoras. Faz parte e ninguém, nem os melhores conseguem evitar. A diferença é que os melhores traders percebem objetivamente que estão errados e agem rapidamente cortando a perda pela raiz enquanto ela é pequena. E mais, não sofrem por isso. A grande questão é como lidar com resultados incertos e ainda se manter confiante? Fique tranquilo que trataremos sobre isso mais para frente. - Dificuldade em cumprir regras. Conforme citado na Introdução, a atividade de trading, ainda mais de forma autônoma, é uma das atividades que mais permitem liberdade de expressão. A liberdade é quase que total, não há regras ou limites, além é claro do seu capital. Você pode operar ou não, decidir o que operar, quando entrar, quando sair, quando parar, etc. Em fim, você decide tudo. Assim, é muito fácil cair nas tentações e se auto sabotar, uma vez que ninguém esta te “cobrando”. Ter regras bem definidas e cumpri-las é um dos grandes passos a serem dados. Saber quando descumprir suas regras é uma virtude a ser adquirida com o tempo. - Assumir responsabilidade total sobre os atos. A fora aprender a re-significar os sentimentos causados pelos erros e perda de dinheiro, assumir responsabilidade sobre os atos talvez seja uma das

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tarefas mais difíceis. É muito raro ouvirmos das pessoas “eu errei”, o mais natural é ouvirmos “deu errado porque tal coisa aconteceu...”. No trading, ninguém é culpado por seus resultados a não ser você. Lembre-se nada acontece até que você decida entrar, e após isso ninguém te diz até quando permanecer na posição e nem quando sair dela. Mesmo que você não seja um trader discricionário e utilize um sistema mecânico3, a escolha deste sistema foi sua, portanto, você foi responsável tanto pelo ganho quanto pela perda gerados pelo sistema. Toda e qualquer decisão de entrada, manutenção e saída resulta de ações tomadas pela nossa interpretação das informações geradas pelo mercado. Não assumir a responsabilidade é uma forma indireta de não assumir o risco de estar errado e de perder dinheiro. Este tipo de comportamento é típico de quem deseja ganhar passivamente, ou seja, de quem espera que os outros ou mesmo o mercado faça o trabalho. - Empenho. Assim como tudo na vida, empenho é condição básica. Sem empenho ou dedicação é quase impossível ser bem sucedido em qualquer área. Agora pense de uma maneira mais objetiva, é possível um advogado também médico nas horas vagas? O exemplo pode parecer inoportuno, mas não é. A grande questão aqui é que apesar da facilidade de acesso aos instrumentos financeiros (aplicações em ações, futuros, poupança, CDB, fundos etc...) ser Trader é uma profissão. Não estamos dizendo que para aplicar na poupança tem que ser trader, mas se você quiser fazer day trade, por exemplo, o componente dedicação e empenho será fundamental. - Recursos financeiros suficientes. Não é necessário muito dinheiro para se tornar um trader autônomo, mas também deve se levar em conta que durante a fase de formação, que dura aproximadamente seis meses, você dificilmente conseguirá ganhar dinheiro para se sustentar. De forma bem generalista você deve possuir recursos para dois objetivos: 1º financiar sua conta de trading e 2º arcar com o custo de vida durante, no mínimo, 6 meses. O montante destinado para a segunda finalidade varia de pessoa para pessoa. Já a 1º não deveria variar muito de pessoa para pessoa, independentemente de quanto capital você tenha. Já que esta é a fase de aprender, o foco é operar o mínimo possível e também 3

Que indique compra e venda sem sua interferência.

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“gastar” o mínimo possível. Nesta conta devemos levar em consideração os custos com bolsa (emolumentos, registro etc.), corretagem e eventuais prejuízos. É muito complicado de precisar qual o capital mínimo para se colocar na conta trading. Se você tiver pouco dinheiro, a margem de folga fica comprometida e você provavelmente irá zerar a conta antes de desenvolver as habilidades necessárias. O montante necessário na conta trading também varia muito em função do perfil, sendo que traders mais ativos4 vão demandar mais capital que traders menos ativos. Aproveito este item para fazer uma observação interessante. Quando você tem os pré-requisitos e decide ser um trader do mundo corporativo, você garante pontos a favor: Você ganha salário para aprender, você aprende com quem sabe fazer. Já quando você decide ser um Trader Autônomo, além da dificuldade de conviver com traders consistentes, o tempo é contra você. Quanto mais tempo demorar em aprender, maior o seu custo de oportunidade de fazer outra coisa da vida. Note que decidir ser trader é similar a decidir empreender. Os riscos e custos são muito similares. - Acompanhar o mercado com 100% de objetividade. Objetividade significa não interpretar de forma distorcida as informações geradas pelo mercado, nem por fatores pessoais e nem por fatores técnicos. Neste exemplo, fatores pessoais podem ser: precisar do dinheiro, não poder perder, ter errado as operações anteriores, estar recuperando prejuízo ou ainda ser influenciado pela posição atual. Concorda que o mercado não tem o menor conhecimento sobre sua situação financeira, sobre o resultado das operações anteriores e muito menos sobre sua posição atual? Então por que essas questões influenciam nossa capacidade de perceber e interpretar a informação do mercado? Esse ponto será discutido mais adiante quando falarmos especificamente do processo de percepção. Já fatores técnicos podem ser definidos como ferramentas adequadas que permitam ao trader perceber o que, de fato está acontecendo no mercado, perceber o que os traders formadores de preço percebem e sob a mesma perspectiva. Ser objetivo é a base do alinhamento coletivo que tanto falamos. Para ser claro, o que queremos dizer é

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Que escolherem scalping, ou que escolherem trading como principal atividade.

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que análise técnica não é a ferramenta adequada para acompanhar o mercado, pois não garante a objetividade necessária. Costumo citar esse exemplo nos cursos e palestras que ministro: O que você vê no gráfico abaixo?

É muito provável que cada um de vocês tenha opiniões, observações ou conclusões heterogêneas sobre a mesma informação. E por quê? Única e exclusivamente por que você vê somente o que aprendeu a ver. Nós filtramos a realidade através das nossas crenças e cada um possui uma estrutura particular. A grande questão aqui é como aprender a filtrar a realidade de forma objetiva, como ela de fato é e consequentemente como os traders consistentes também o fazem. - Não entender a natureza do mercado. Esse é o ponto que certamente gera mais polêmica entre os alunos de cursos e palestras que ministramos. A maioria dos que procuram bolsa de valores acredita haver uma forma de descobrir como antecipar as oscilações do mercado. Alguns podem dizer que não, mas a grande maioria sonha em criar um indicador ou mesmo um robô e que seja praticamente perfeito, que acerte tanto e que erre tão pouco a tal ponto que os erros sejam quase que indolores financeiramente e emocionalmente. Sejam sinceros, quantos já não estiveram nessa situação? É comum encontrarmos afirmações nos livros, na internet ou em cursos, de que o mercado se comporta em padrões e estes padrões se repetem ou

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que o segredo é desenvolver um trading system (ou adotar algum) e testá-lo para comprovar sua eficiência. Quem já tentou sabe: Isso não funciona! E não funciona por um único motivo: Cada momento no mercado é único, ou seja, o que esta acontecendo agora é diferente de tudo o que já aconteceu um dia. É difícil de acreditar, mas é a mais pura verdade, no mercado tudo é novo, cada oscilação, cada alteração de bid/ask, cada tick e cada operação que fazemos. A solução para este dilema não é aprender o máximo possível sobre análise técnica, mas sim entender a dinâmica do mercado e aprender a ser levado pelo fluxo. São pontos de vista totalmente diferentes, pois, o primeiro parte da premissa de ter que adivinhar o futuro para operar e o segundo parte da premissa de que não é necessário saber para onde vai para operar, bastando apenas seguir para onde está indo. Poderia listar outros motivos que explicam a dificuldade em se tornar um Trader Autônomo consistente, porém, acredito que estas sejam as mais profundas e diretamente ligadas à forma de pensar da maioria das pessoas. Perceba que falta de recursos financeiros e falta de conhecimento sobre a natureza dos mercados são os únicos empecilhos que não são diretamente relacionados à nossa forma de pensar. Todos os demais são reflexo da forma como percebemos o mundo que por sua vez é reflexo da nossa criação ou de nossos relacionamentos. Se tiver uma forma de resumir tudo que disse até o momento seria: A maior parte de nós aprende a pensar (construiu crenças) de uma forma totalmente diferente da forma de pensar que é exigida pelas particularidades do comportamento do mercado. Se você quiser se tornar um Trader Consistente o melhor caminho é ter ciência disso, reconhecer e canalizar os esforços para mudar sua forma de pensar (crenças). Nos próximos capítulos falaremos sobre os seguintes assuntos com o intuito de fazer você pensar como um trader consistente: - Aprender sobre percepção e crenças para acompanhar o mercado de forma 100% objetiva permitindo estar sempre no fluxo; - Aprender a aceitar o risco de operar fazendo com que errar e perder dinheiro não seja fonte geradora de dor e stress;

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- Aprender sobre as possíveis formas de atuação (perspectivas individual e coletiva) e acreditar que a atuação discricionária5 é mais adequada à realidade do mercado.

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Ter discrição não impede utilização de estratégias automatizadas. Discrição inclui saber que tipo de automação usar em cada situação de mercado.

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– NATUREZA DOS MERCADOS

Uma das primeiras frases que eu ouvi de trader renomado, enquanto estava no processo de aprendizado era: “Você começará a ganhar quando perceber o que o mercado realmente é, e não o que você gostaria que ele fosse”. Confesso que nas primeiras vezes julguei tal conselho como abstrato e vago assim como os axiomas citados lá no início da apostila. Entretanto, depois de percorrido um longo caminho e olhando a situação de fora, não duvido que este seja um dos grandes conselhos a serem dados. Enquanto estava no início do processo de aprendizado eu realmente acreditava que os gráficos refletiam de maneira objetiva as informações de mercado e que o conhecimento sobre padrões, setups e técnicas operacionais eram determinantes para ganhos consistentes. Era comum gastar horas, olhando gráficos a fim de reconhecer padrões (candlesticks, formações gráficas como W, M, OCO etc..), buscando combinações de indicadores técnicos que melhor explicavam uma grande oscilação de preço passada ou ainda otimizando setups a fim de que o backtesting gerasse o melhor resultado possível dentro de um período pré-estabelecido. Eu achava que conhecendo sobre estes assuntos eu ganharia confiança e com confiança poderia operar e gerar ganhos frequentes. De fato, convivi neste círculo vicioso (atualmente eu classifico desta maneira) durante toda a fase em que fui Analista Técnico da Interfloat Corretora de Valores. Naquela época possuía um nível de acerto nas análises extremamente elevado e não duvidava de que este caminho estava correto. A primeira grande decepção veio quando decidi parar de fazer análises e efetivamente operar. No primeiro dia de operações percebi a dificuldade. Percebi que não conseguia aplicar os conceitos que até o dia anterior eram incontestáveis. Eu reconhecia os padrões, mas hesitava em entrar, ou quando entrava, não cumpria 100% do que havia planejado. Como já havia lido alguns livros sobre psicologia do trade eu reconheci que estava sendo influenciado por fatores psicológicos específicos, os quais já foram citados no início deste material. Era justamente o que estava escrito nos livros: a diferença entre analisar e operar é justamente o gap psicológico e isso ocorre porque quando você faz análise não há nada em jogo e, portanto, errar e perder dinheiro não geram dor/stress. Uma vez que entra dinheiro em jogo,

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o trader tende a ser influenciado por fatores emocionais que ora distorcem a informação gerada pelo mercado, ora atuam bloqueando a capacidade de atuação (entrar, sair e stopar). No português claro a melhor definição para este gap é “a diferença entre o que você percebe que é possível analisando as oscilações de preço e a capacidade de transformar essa percepção em ganho consistente”. Iremos aprofundar mais as diferenças entre analisar e operar quando falarmos de perspectivas. Existem duas soluções para esse gap psicológico: 1º Entendê-lo e tratá-lo; 2º Automatizar os critérios operacionais (setups, trading systems etc..) baseados em análise técnica. Escolheremos a primeira opção como solução definitiva e a partir do próximo capítulo aprofundaremos nos aspectos que viabilizarão alteração da sua forma de pensar. Expliquei tudo isso justamente com um propósito, que é provar que a segunda opção não é solução para atingir ganhos consistentes como trader. Se eu dissesse que tentei a automatizar os critérios operacionais baseados em análise técnica e que não obtive sucesso, ainda assim haveria a possibilidade de alguém julgar que apesar de minha falha, é uma saída possível. E eu concordo plenamente com tal julgamento, pois, o fato de eu não ter conseguido algo não significa que outra pessoa não o faça. Preferi a estratégia de explicar a natureza do mercado, explicar o nível mais profundo da composição e interação dos players que fazem o preço oscilar. Acredito que dessa forma consiga transmitir de uma forma neutra (sem opinião pessoal) o porquê a desta escolha.

2.1– PRINCÍPIO DA INCERTEZA

A frase que melhor reflete nossa interação com o mercado é: “tudo pode acontecer a qualquer momento”. Não há nada que ninguém possa fazer para alterar isso. Por mais que você se mate de estudar, ou desenvolva um método quase perfeito, com perdas mínimas, ainda assim não há garantias de antecipar todas as possíveis formas que o mercado se comportará. Pode parecer mais um dos axiomas vagos, mas não é e aqui é justamente onde começam as frustrações.

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Para provar que tudo pode acontecer a qualquer momento iremos dissecar o mercado em suas partes e como em qualquer mercado, as partes são compostas por traders6. Traders, individualmente agem como uma força sobre os preços, fazendo-os subir quando aceitam colocar ordens de compra cada vez mais altas ou cair quando aceitam colocar ordens de venda cada vez mais baixas. E por que traders aceitam pagar cada vez mais caro ou aceitam vender cada vez mais barato que o momento anterior? Na verdade não temos de saber exatamente todas as razões que motivamos traders agirem, porque em última instância, todas elas se resumem a um único propósito, que é ganhar dinheiro. Há apenas duas maneiras de ganhar dinheiro que são comprar para revender mais caro ou vender para recomprar mais barato. Se for verdadeiro que todos querem ganhar dinheiro, então só há uma razão para que qualquer trader aceite pagar mais caro que o preço vigente: porque acredita que pode vender tudo o que ele está comprando a um preço maior ainda, instantes após ou em algum momento no futuro. O mesmo ocorre com o trader que está disposto a vender algo a um preço menor que o vigente: porque acredita que ele poderá recomprar o que ele está vendendo em um preço mais baixo, posteriormente. Repare que todo movimento de preço ocorre em função do que os traders acreditam, naquele exato momento, sobre o futuro e sobre o que é caro ou barato. Aqui vale uma explicação adicional. Mesmo que um trader esteja vendendo só para zerar uma posição de compra, o que significa sair do mercado, ele só vende em determinado preço por acreditar que não deverá subir mais, naquele momento. Portanto, mesmo não estando mais exposto ele tomou uma decisão baseada na sua expectativa sobre o futuro, corroborando com a descrição acima. O mesmo exemplo serve para o trader recomprando para zerar uma venda. Voltando ao nosso raciocínio, há apenas três forças primárias que movem qualquer mercado: os traders que acreditam, por qualquer motivo, que o preço atual é barato e por isso compram, os traders que acreditam, também por qualquer motivo, que o preço atual esta elevado e por isso vendem e os traders que, no momento estão 6

Mesmo com a presença massiva de inúmeros robôs, são humanos que desenvolvem robôs e, portanto, no nível mais profundo podemos dizer que traders são o nível mais profundo dos mercados.

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esperando para atuar ou na compra ou na venda, caracterizando-se como força potencial. A movimentação dos preços ou a falta de movimentação é uma função do equilíbrio relativo ou desequilíbrio entre duas forças principais: traders que compram por acreditarem que o preço vai subir, e os traders que vendem por acreditarem que o preço vai cair. Se há equilíbrio entre os dois grupos, os preços vão estagnar, porque cada lado irá absorver a força do outro lado. Se existe um desequilíbrio, os preços irão mover-se na direção do lado com maior disposição em dispender lotes. Agora, faça essa pergunta para você mesmo: Qual o limite para a oscilação dos preços? Quanto é de fato o extremo do barato e quanto é o extremo do caro? Repare que se descermos ao menor nível da composição do mercado, o limite dos preços é o máximo ou o mínimo que cada trader, individualmente, esta disposto a comprar ou vender? O fato é que não há nada para frear a alta ou a queda de preço se pelo menos um trader com lote suficiente para mover o mercado, acreditar que os preços ainda estão baratos ou caros, respectivamente. Como há inúmeros traders atuantes no mercado, operando por razões diversas, com horizontes diversos e com acesso diferenciado à informação é fácil perceber que a todo instante estão presentes opiniões diferentes sobre o que é barato e caro e sob esta perspectiva, tudo é possível de acontecer. Só precisa um trader no mundo todo querer expressar sua opinião sobre o que é barato ou caro. Você pode dizer, ok, parece óbvio, mas qual a implicação disso nas minhas operações? Aqui esta a resposta: Nós também tomamos uma posição de compra ou de venda (independentemente do que nos motivou entrar) acreditando, que naquele momento, os preços estejam baratos ou caros respectivamente e uma vez dentro do mercado o resultado de nossa operação depende única e exclusivamente da atuação dos demais traders. Significa que o resultado da nossa operação depende da atuação, individual, de cada trader, cuja atuação é virtualmente ilimitada. Não há nada que você possa fazer para estar certo 100% do tempo, pois basta um trader, com lote relevante, atuar para negar o potencial de ganho do seu trade. Certa vez ouvi de um trader, que eu julgo um dos melhores traders autônomos de dólar futuro do Brasil, uma frase que eu lembro e uso

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até hoje: “Somos passageiros no mercado”. Essa frase carrega um enorme componente de verdade, pois quer dizer exatamente o que estávamos falando. Uma vez posicionados, estamos na mão da decisão de outras pessoas, estamos na mão de um clique, de uma ordem. Basta uma ordem de uma só pessoa, para seu trade dar certo ou errado e não temos controle sobre essa ordem. Esse é o princípio da incerteza e essa é uma das duras e frias realidades do mercado. Não há nada que você possa fazer para evitar, 100% das vezes estar errado ou perder, pois sempre estaremos na mão da decisão de alguém. Se você ainda não estiver convencido pense sobre isso: A atuação de cada trader não deixa de ser uma variável de mercado, pois tem o poder de influenciar o preço. Agora, é possível saber quantos traders estão olhando para tela ao mesmo tempo em que você olha? É possível saber quantos estão prestes a entrar no mercado? Saber quantos lotes eles estão dispostos a comprar ou vender? Saber quanto lotes já estão refletidos no preço atual? Saber o momento que eles mudarão as suas mentes e sairão de suas posições? Se o fizerem, por quanto tempo eles vão ficar fora do mercado? Saber quando e em que direção eles voltarão ao mercado? É uma dúvida interminável, mas que tem que ser considerada. Pois assim será possível acreditar em incerteza. Quem efetivamente acredita em incerteza não hesita nem um pouco em agir para cortar o prejuízo quando a operação se mostra perdedora. Quem acredita em incerteza aceita estar errado e não “casa com a posição”, pois reconhece que o resultado da operação é função de variáveis desconhecidas. Quem acredita em incerteza tem flexibilidade e consegue mudar facilmente de opinião, características essenciais para estar no fluxo do mercado. Para finalizar este princípio farei uma última comparação entre as duas formas de pensar: Quem desconhece ou duvida deste princípio acaba operando com a perspectiva de ter que saber o que vai acontecer no futuro, enquanto quem acredita em incerteza opera com a perspectiva de não criar expectativa sobre o futuro. Quando você precisa saber o que vai acontecer você busca uma relação de causa e efeito baseada no histórico de preços. Nada mais é do que definir uma série de variáveis que indiquem maior probabilidade de subir ou de cair. Muitos chamam isso de setup. Já que temos uma necessidade de achar o melhor setup cairemos na interminável tentativa de equacionar o passado, buscando a melhor forma de explicar o que aconteceu. Mesmo que encontremos um setup ótimo, ou seja, que tenha gerado um excelente resultado nos

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testes para aquele período, concordam que ao aplicarmos este setup no futuro incorreremos do mesmo problema? Estaremos sempre na mão de um clique, de uma ordem? Nunca conseguiremos encontrar o ótimo, o perfeito, pois o futuro não está escrito! Já quem opera aceitando o princípio da incerteza não tenta equacionar o passado e nem adivinhar o que vai ocorrer. É uma perspectiva que permite atuar de forma livre e adaptada è realidade do mercado. Permite aceitar errar e permite agir sem hesitar. Entender esse princípio é um grande passo apara sua evolução como trader, mas assim como sempre repetimos, ter ciência é muito, mas muito diferente de acreditar. Ter ciência é superficial enquanto acreditar envolve o nível mais profundo de nossas mentes. Para acreditar temos que incorporar essa crença em nossa estrutura de pensamento. Faremos isso mais adiante quando falarmos sobre crenças.

2.2 – PRINCÍPIO DA SINGULARIDADE DO MOMENTO

Tenho certeza de que a maioria não gostou do que leu até o momento. Falo isso porque é exatamente o contrário do que a maioria dos sites, livros, corretoras, chats fomentam. E por que é difícil de acreditar? Justamente por que é diferente de tudo que aprendemos na vida. Tudo tem uma relação de causa e efeito, tudo tem uma explicação, quase tudo tem um padrão, mas Infelizmente isso não é verdade no mercado. A segunda grande verdade sobre o comportamento do mercado é que cada momento é único, singular. Isso mesmo... O que acontece agora nunca aconteceu antes e nunca acontecerá no futuro. E esse é um dos grandes problemas da tentativa de encontrar padrões de comportamento ou julgar que o seu setup vai gerar os mesmos resultados no futuro, que apresentou no backtesting. Vamos às explicações: O mercado não mais é do que o produto de frequente e constante avaliação e intervenção nos preços por diversos players. Certamente a avaliação e atuação dos players são divergentes em grande parte do tempo o que justamente faz os preços oscilarem. Em um dado instante do tempo há players já comprados e/ou aumentando a posição, players já vendidos e/ou aumentando a posição e os potenciais players que estão esperando algo para entrarem no mercado.

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Agora gostaria que você saísse um pouco da sua perspectiva de pessoa física e se imaginasse como um trader corporativo de médio/grande porte. O que faria você, que esta atuando na compra, por exemplo, mudar sua atuação? (nesse exemplo mudar envolve intensificar a compra, parar de comprar, zerar a compra ou ainda inverter para vendido). Você pode dizer: muitas coisas me fariam mudar a atuação. De fato, há inúmeras variáveis a serem levadas em conta para operar, ainda mais quando você é um trader corporativo (price maker – que tem o potencial de influenciar o mercado devido ao tamanho dos lotes) e que carrega posições relevantes. Abaixo listei algumas variáveis frequentemente levadas em conta e que contribuem para qualquer decisão, seja ela de compra, venda, zeração ou mesmo ficar sem posição. - Avaliação pessoal do cenário/ativo (fundamentos); - Publicação de notícias/informações avaliação do cenário/ativo;

capazes

de

influenciar

a

- Intervenção de governo, órgãos ou empresas; - Informação privilegiada; - Obrigação/necessidade; - Atuação dos demais players. A ideia não é discorrer os itens um a um, mas sim deixar claro que todas essas variáveis, constantemente influenciam a tomada de decisão do trader corporativo. Voltando ao meu questionamento sobre o que te faria mudar de opinião caso fosse um trader corporativo, pense qual das variáveis acima é a mais dinâmica, ou seja, pode mudar com mais frequência? Bom, se você respondeu “atuação dos demais players” você acertou. Não quero dizer que ela é a mais ou menos importante, só estou afirmando que a nossa contraparte e os demais players também podem mudar de opinião a qualquer instante em função de todas as demais variáveis. Isso nos leva à uma conclusão: De que a atuação de um trader (por qualquer que seja o motivo) pode, por si só, motivar a atuação de outro trader. Um bom exemplo disso é um trader que esta carregando uma posição de compra a um preço médio desfavorável e já muito próximo de stopar, pois atingiu o limite pré-estabelecido de perda da instituição. Se o preço atingir em certo patamar ele stop toda a posição, entretanto se não o atingir ele não stopa. Caso o mercado atinja o nível de stop, o trader irá atuar vendendo uma grande quantidade de contratos de maneira rápida, muito

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provavelmente alimentando o processo de queda. Caso não atinja tal stop, o trader não stopará. Agora imagine que nesse mesmo contexto acima, outro trader que esta fora do mercado esteja esperando uma queda dos preços para comprar. Se o 1º trader do exemplo entrar stopando, muito provavelmente os preços irão ceder e podem atingir o patamar que interessa ao trader que estava fora e querendo comprar. Entretanto, se o primeiro trader não acionar o stop, provavelmente é porque o mercado parou de vender, e pelo menos naquele momento não deve cair até o nível de preço que o segundo trader teria interesse em comprar. Percebeu que basta um evento para ocorrer outro? Basta uma decisão de um trader com um lote relevante para gerar outras decisões relevantes de outros traders e alimentar os negócios. Outro bom exemplo seria um player com necessidade de comprar 3000 lotes de dólar. Não foi uma escolha dele, ele simplesmente tem que comprar 3000 lotes a fim de travar uma outra operação ou qualquer coisa do tipo. Quem já acompanhou o book de ofertas dólar deve ter reparado que a média de lotes em cada nível de preço é entre 50 e 200 lotes (no cenário atual). Assim faço outra pergunta: ele consegue comprar 3000 lotes de dólar se em cada nível de preço tem essa média de 50/ 200 lotes? Provavelmente sua resposta será: conseguirá comprar se aceitar pagar, os preços cada vez mais altos, que os vendedores estão dispostos a ofertar. Agora volte e reflita sobre o conceito aprendido no exemplo anterior. Se é verdade que cada trader considera a atuação dos demais traders para tomar decisão, ao perceber que existe alguém comprando 3000 lotes no mercado (obviamente ninguém sabe ao certo a quantidade de lotes, mas estima pela agressividade) outros traders podem aproveitar a oportunidade para vender rapidamente já que tem demanda no mercado, aproveitar para comprar junto com ele, esperar a compra toda terminar para aí sim tomar uma decisão (provavelmente vender) ou ainda cancelar ordens de venda ou alterálas para cima já que perceberam que há demanda no mercado. A melhor definição para isso seria “efeito cascata” ou mesmo “choques”, pois cada atuação gera uma nova rodada de avaliações por todos os players que potencialmente podem atuar alimentando o círculo. Quando disse no item 2.1 que a história não estava escrita estava querendo dizer exatamente isso. Tudo é novo, agora e sempre. Outra forma de entender o conceito de singularidade é explorar um exemplo sob a perspectiva do trader pessoa física. Digamos que o sinal preferido para operar de um determinado trader seja rompimento de suportes/resistências, mas poderia ser IFR, MACD,

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Bollinger, Formações como W, M, OCO ou qualquer outro sinal. No exemplo abaixo seguem duas situações no mesmo ativo, mas em dias distintos. Perceba que em ambos os casos houve a perda do suporte e a queda posterior foi similar em amplitude.

Repare que o ativo é o mesmo, o setup é o mesmo e se olhar no gráfico a queda é geometricamente e matematicamente a mesma. Em fim, podemos considerar que isso é um padrão, ou ainda que os movimentos sejam iguais? Por mais pareçam idênticos graficamente, na realidade não são. O entendimento desse conceito é essencial para você entender a realidade do mercado. Se de fato fossem idênticos concorda que cada trader que participou do evento um teria que estar presente no evento dois? Todos com as mesmas posições prévias, com os mesmos tamanhos, com as mesmas ordens presentes na tela e atuando da mesma forma e intensidade a cada evento novo. Concorda que beira o impossível? Independentemente de o resultado dessa operação em específico ter sido o mesmo, a forma de atuação entre os traders certamente foi diferente nas duas situações. Dificilmente quem stopou a compra no evento um é o mesmo trader que stopou no evento dois e mesmo que fosse, dificilmente os vendedores eram os mesmos ou estavam vendendo pelo mesmo motivo e ainda dificilmente as contrapartes eram as mesmas. É extremamente importante que você compreenda este fenômeno, pois gera implicações psicológicas de extrema relevância. Nossas

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mentes funcionam associando causa e efeito. Tudo é assim: que vai chover. Quando uma chorar e por ai vai. É assim nossas crenças básicas.

coisas e criando constantes relações de Quando o céu nubla, você logo associa criança cai, você logo associa que irá porque aprendemos assim. Essas são

O grande problema do mercado é que não dá para fazer associações porque sempre tudo é diferente. Se você olhar para o mercado com perspectiva de associação, ou seja, com cabeça de que encontrou um padrão de comportamento, você provavelmente irá ter dificuldades emocionais para operar. Pois quando você associa, automaticamente você cria expectativa sobre o futuro (no exemplo, expectativa de queda se perder suporte). Quando você cria expectativa e a operação da certo, reforça a sua associação, mas quando a operação dá errado gera frustração. É muito raro não ficar frustrado quando se espera algo que não ocorre, ou muitas vezes quando ocorre justamente o contrário do que você esperava. Lembre que estou falando de dinheiro. Errar uma aposta sem valor é uma coisa, errar uma previsão valendo dinheiro é outra. A solução para esse dilema será dada mais adiante, mas a ideia aqui é fazer você entender e acreditar que o mercado é imprevisível e novo, sempre! Se você realmente acreditar nisso, você aceitará que errar e perder dinheiro são impossíveis de serem evitados e aceitará o risco de operar.

2.3 DINÂMICA DE MERCADO

Neste último item sobre natureza do mercado falarei sobre o conceito de dinâmica de mercado. Confesso que nunca li nada sobre esse assunto em lugar nenhum e que só ouvi este termo do mesmo trader autônomo que dizia que éramos “passageiros” referindo-se à imprevisibilidade. Dinâmica de mercado nada mais é do que a forma com a qual os agentes operam cada mercado em determinado período de tempo. Entender a dinâmica é um dos passos para acompanhar o mercado alinhado pelas crenças coletivas. Diferentemente dos conceitos que tratamos até agora, dinâmica de mercado é mais voltada à habilidade técnica do que habilidade comportamental e emocional. Para facilitar o entendimento de dinâmica do mercado listarei em tópicos, todos os conceitos que devem ser levados em conta:

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- Quem opera, por que opera e como opera determinado ativo? - O que, de fato, move e o que tem potencial de mover os preços? - Qual a relação de causa e efeito atual (cenário econômico)? - Se é mercado de fluxo ou volatilidade (quantidade de lotes na tela); - Participação de day trade no volume total do dia; - Nível de aposta dos players (se estão apostados na compra/venda e quanto); - Grau de operabilidade (quantas oportunidades o mercado faz disponível); - Quantidade de players “parceiros” (grau de divergência de opinião); - Grau de elasticidade (o quanto retorna a cada inflexão de preço). Estes conceitos ajudam definir como o trader autônomo pode e deve interagir com o mercado. É fundamental responder estas questões antes e decidir operar para valer. Claro que algumas delas, só serão compreendidas na prática, ou seja, enquanto você opera como, por exemplo: - Como os players estão operando (se de maneira mais ou menos agressiva, em quais circunstâncias as ordens são enviadas, que tipo de ordem está sendo enviada e etc.), ou: - Quantidade de players parceiros (justamente quem gera o fluxo onde nos escoramos), ou ainda: - Grau de elasticidade (forma e intensidade como um ativo rejeita um preço novo). Outro ponto crucial que devemos considerar e que corrobora com a premissa de singularidade do momento é que todos os itens que compõem a dinâmica de mercado estão em constante processo de transformação. Entender a dinâmica é fundamental para que essa interação seja sob a ótica da perspectiva coletiva, sobre a qual falaremos mais adiante.

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3

PERCEPÇÃO E PROCESSO DE PENSAMENTO

Na sessão anterior falamos sobre o real comportamento do mercado (natureza) e a partir de agora iremos falar sobre percepção a fim, exclusivamente de fazer com que você consiga olhar o mercado de forma 100% objetiva. Olhar o mercado de forma objetiva significa perceber a informação gerada pelo mercado da forma como ela realmente é e não usando filtros, indicadores técnicos ou qualquer outra coisa que tenha o potencial de distorcê-la. Esse conceito é extremamente importante, pois, é um dos pré-requisitos essenciais para entender a perspectiva coletiva e sempre fluir com o mercado.

3.1

COMO FUNCIONA PERCEPÇÃO

NOSSA

MENTE



PROCESSO

DE

Neste capítulo serão abordados aparentemente abstratos ou fora de contexto da apostila, como processo de percepção humana, versão e verdade e crenças, mas que são cruciais para que você evolua como trader. Lembre-se, o maior desafio é ter total controle sobre seus atos e emoções, assim sendo, conhecer um pouco sobre a mente humana é um dos importantes dos passos para adquirir este controle. Como o foco desta apostila, não é torná-lo psicólogo ou expert no assunto, o tema será abordado superficialmente e talvez a melhor forma de explicar percepção seja exemplificando. Anote em um pedaço de papel o que esta desenhado na figura abaixo:

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O que você vê? Provavelmente muitas coisas. Pode ver o que considera ser um chapéu de perfil, uma peça de quebra-cabeça ou mesmo uma flecha apontando para baixo. Entretanto, é importante que escreva em algum lugar o que vê. Após ter escrito no papel repare e tente ver a palavra “fly"? Se você viu rapidamente a palavra fly, muito provavelmente sua estrutura de percepção esta adequada a esta realidade. Agora, se você não vê isso, por que será? Agora já vê? Se você demorou para perceber ou ainda não viu a palavra, provavelmente é porque sua estrutura de percepção atual te faz ler palavras escritas com tinta preta em papel branco. Repare que a palavra fly esta escrita em branco com bordas laterais pretas. Se você, de fato, nunca tinha visto este teste você terá que aprender a perceber ou mesmo reestruturar sua perspectiva para perceber o que esta sendo mostrado7. Outro bom exemplo de percepção seria avaliar como duas pessoas distintas, com histórias diferentes interpretam e reagem a um mesmo evento. Imagine que estas duas pessoas estão caminhando juntas pela calçada e ouvem um carro frear bruscamente, a pergunta é: qual será a interpretação e reação delas? Na verdade, depende de vários motivos, os quais não conseguiríamos explicar em detalhes, mas vamos analisar os extremos. Imagine que uma das pessoas tenha uma vasta experiência de vida e inclusive já tenha sido atropelada em um evento similar. Como é de se esperar que esta pessoa interprete e reaja ao barulho da freada? Provavelmente esta pessoa imediatamente fará associação ao seu incidente passado e entrará num estado mental com características de medo, preocupação e outros similares. Agora imagine que a outra pessoa seja um adolescente de 12 anos de idade e que nunca tenha tido nenhuma experiência negativa similar entre as pessoas do seu convívio. Como ele interpretará e reagirá ao barulho. Não podemos afirmar, mas é possível que este garoto entre num estado de êxtase ao ouvir o barulho do carro derrapando. Para ele, a informação pode ser legal, divertida ou mesmo desafiadora, pois terá assunto para contar a todos seus colegas. Repito mais uma vez que isso é apenas um exemplo e não uma afirmação, mas certamente é uma possibilidade concreta. Duas pessoas distintas podem e devem interpretar e reagir aos eventos externos de forma totalmente distinta, pois possuem crenças distintas (Falaremos mais sobre crenças nas próximas páginas). 7

Este trecho foi extraído do livro “Poder sem Limites” de Anthony Robbins.

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Os exemplos podem parecer simplistas, mas carregam um grande fundo conceitual, pois quer dizer que “nós vemos ou percebemos somente o que aprendemos a perceber”. Você pode até duvidar ou ser resistente em aceitar, mas muitas vezes nós não vemos o mundo como ele é nós vemos o mundo a partir da nossa interpretação individual, ou melhor, do que julgamos ser verdade. Agora gostaria que parasse um pouco para refletir: O que é verdade? Será que sempre vemos a verdade? E pior, será que existe verdade?

3.2 VERSÃO E VERDADE

Em certa ocasião fiz um curso chamado Olho de Tigre da empresa Gauss Consulting. Este curso objetivava transformação pessoal, justamente o que eu buscava quando decidi me tornar trader autônomo. Apesar de ter traçado toda minha carreira na área de mercado financeiro e de ter atuado como trader corporativo, as dificuldades de se tornar trader autônomo eram grandes e vi neste curso uma possibilidade de crescimento intelectual. Bom, o que quero passar para você é uma definição de versão e verdade, escrita pelo instrutor do curso, chamado Orlando Pavani. “Verdade é a mais pura manifestação dos fenômenos quanto à sua previsibilidade. Aquilo que é previsível e acaba acontecendo na realidade, transforma-se em conhecimento científico que conclui que aquela previsibilidade era verdadeira, portanto, transformando a previsibilidade em lei, diante da qual, não adianta discutirmos, pois ela esta acima de nossa vontade ou interpretação, nos cabendo apenas constatar, assumir e utilizar a lei para alguma aplicação inteligente. Já versão é a primeira verdade por nós assumida, sem qualquer questionamento catalisador uma vez que não cabe discutila, ou porque nos falta oportunidade experimental para testá-la na prática ou porque confiamos sobremaneira na fonte de onde é oriunda aquela versão ou ainda por absoluto acomodamento intelectual.” É muito pertinente diferenciar versão de verdade em se tratando de mercado financeiro, pois, muitos de nós assumimos versões pessoais como verdades absolutas. Toda e qualquer análise de mercado é uma versão pessoal, independentemente da experiência da pessoa que formule tal análise. Toda e qualquer estratégia operacional é uma versão pessoal. No

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mercado, verdade é o que esta na tela no presente. A melhor oferta de compra e a melhor oferta de venda são o maior reflexo da verdade. Você pode analisar, fazer contas, torcer, chorar, mas a verdade esta na tela. Dessa forma, quanto mais próxima da verdade for sua versão pessoal sobre as informações do mercado, maior será sua chance de estar em linha com o mercado.

3.3

CRENÇAS

“O homem é o que ele acredita”

Anton Tchecóv

Num primeiro contato, ao falarmos de crenças podem vir à cabeça assuntos como credos, doutrinas ou quaisquer aspectos religiosos. Na verdade tratarei crença no sentido mais básico da palavra, sendo um princípio orientador, máximas, fé ou paixão que podem proporcionar significado e direção em tudo que pensamos e fazemos na vida. Crenças são filtros pré-arranjados e organizados para nossas percepções do mundo. São como comandos para o nosso cérebro interpretar a informação recebida. As crenças atuam de forma a moldarem nossa forma de interpretação de todos os eventos do mundo, sendo que quando alguém acredita efetivamente em algo, para esta pessoa, isto se torna verdade, independentemente de ser apenas uma versão. Outra maneira de abordar o assunto é através da distinção entre memória e crença. Memórias são informações gravadas em nosso cérebro enquanto crenças são memórias energizadas devido às nossas experiências passadas (positiva ou negativamente) através de linguagem (palavras ou frases). Vamos pegar um exemplo: Uma pessoa que tenha tido diversos problemas conjugais durante toda a vida, com mais de um matrimônio desfeito pode dar um significado especial para a palavra “casamento” ou ainda para a palavra “fidelidade”. Se esta pessoa, de fato, tiver sido traída mais de uma vez, sua experiência de vida vai energizar negativamente as palavras “casamento” e “fidelidade”. Essa pessoa, muito provavelmente vai desenvolver uma crença de que casamento é ruim e que não existe fidelidade. É muito provável que esta pessoa tenha problemas em estabelecer novos relacionamentos

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futuros com este tipo de crença, pois, qualquer sinal de desconfiança sobre infidelidade irá reforçar sua crença com energia negativa. Apesar de muitos casamentos não darem certo e de existir infidelidade, não é verdade que todos os casamentos são ruins ou que não exista fidelidade. Uma crença é uma verdade para quem a possui, mas não necessariamente é uma verdade absoluta, científica ou justificável.

3.3.1 DE ONDE VÊM AS CRENÇAS

Certa vez li um artigo chamado “O mal de nossos pais” de Orlando Pavani que retratava exatamente a fonte primária de nossas crenças. O texto começava assim: “Quando nascemos iniciamos um processo de absorção de informações sem precedentes e que acaba formatando nossa percepção das coisas e consequentemente nosso comportamento, sem estimular um processo crítico que venha a catalisar e consolidar as informações absorvidas. Os primeiros emissores dessas informações foram nossos pais, depois, amigos e em seguida professores, dentre várias outras fontes de absorção em nossas vidas”. O que está escrito no texto acima é que aprendemos a pensar como os outros pensam e a se comportar como os outros se comportam. Assim, a experiência de vida de cada um irá energizar os conceitos ou as palavras e frases, definindo nossas crenças. De forma resumida, a crença é criada pela nossa interação com o ambiente (convívio) e energizada positiva ou negativamente pela nossa experiência de vida individual. É importante dizer que há diversos níveis de energia sobre uma crença, ou seja, há uma hierarquia. Há crenças mais energizadas, mais sólidas e crenças menos energizadas. O principal determinante do grau de intensidade de determinada crença é a quantidade de vezes ou ainda a quantidade de energia armazenada sobre ela. Quanto mais vezes vivenciarmos determinada situação, mais expressiva será a energia depositada sobre uma eventual crença. Ou ainda quanto mais intensa for a situação vivenciada, maior o potencial de validação de tais crenças. Por exemplo: você já deve ter ouvido de alguém que fazer day trade é perigoso. Esta pessoa pode nunca ter feito um day trade, mas ter aprendido com alguém que day trade é arriscado. Imagine que esta mesma pessoa, por qualquer motivo, decida fazer day trade, mas

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continue acreditando que é arriscado. Se ela errar a primeira operação, o que é de se esperar? É muito provável que ela valide sua crença de que operar é de fato arriscado. A cada operação perdedora haverá um depósito de energia sobre a palavra “operar no intra day é arriscado” podendo chegar ao ponto de que isso se transforme na mais pura verdade para ela. Com essa crença consolidada, as possibilidades de sucesso são irrisórias, pois, esta pessoa perceberá toda informação proveniente do mercado de forma coerente com a afirmação de que day trade é arriscado. Ela dará muito mais peso às informações que corroborarem com esta afirmação do que às oportunidades de lucro geradas pelo mercado.

3.3.2 IMPACTO DAS CRENÇAS EM NOSSAS VIDAS

No sentido mais amplo, nossas crenças moldam a maneira como vivemos nossas vidas. Como descrevi acima, não nascemos com nossas crenças. Elas são adquiridas e acumuladas refletindo o que nós aprendemos a acreditar. No livro “Trade in the Zone” de Mark Douglas faz quatro segmentações sobre como as crenças impactam nossas vidas:

1º Crenças gerenciam nossa percepção e interpretação sobre as informações provenientes do mundo.

A intensidade da crença pode e muitas vezes causa a alteração da percepção, ou seja, esta mesma pessoa muitas vezes não consegue mudar de opinião, mesmo que esteja diante de algo objetivo que contraponha a opinião gerada pela crença. Essa “cegueira” é causada ou pelo desconhecimento de outra versão sobre a informação, ou ainda, pela não aceitação sobre outras possibilidades. Nos cursos e palestras que ministro sobre trading costumo colocar um gráfico no projetor e perguntar aos presentes o que cada um vê. Agora te pergunto, quão homogêneas você acha que são as respostas? Se respondeu: não são homogêneas, você acertou! Mas por que não são respostas similares e objetivas, já que há concentração de pessoas interessadas no mesmo tema? Primeiramente pelo próprio nível desigual de conhecimento sobre o

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tema, assim como ocorre em qualquer área. E segundo e mais importante de todos, pelo processo de percepção de cada um. Cada um vê de um jeito particular, com uma perspectiva própria porque aprendeu assim. Uns aprenderam a interpretar o gráfico em cursos de análise técnica, outros aprenderam em um determinado livro, enquanto outros aprenderam por experiências próprias.

2º Crenças criam nossas expectativas.

Toda expectativa que criamos sobre qualquer evento futuro deriva de nossas crenças. Desde que não podemos projetar algo sobre o qual não sabemos, nós só podemos dizer que qualquer expectativa é o que já sabemos projetado para o futuro. Outro exemplo que costumo dar é relativo às relações de causa e efeito que nada mais são do que crenças. O exemplo que mais utilizo é o do tempo nublado. É uma crença comum que quando o céu nubla a chance de chover é grande. Por quê? Excluindo toda a questão científica por traz desse fenômeno, todos nós já vivenciamos centenas, talvez milhares de observações de causa e efeito como essa. Nublou, logo mais vai chover! Ainda na mesma linha busco fazer associação ao trading. Coloco um gráfico ou um cenário (com algumas variáveis) e questiono os alunos sobre o que vai acontecer. Como vimos na explicação anterior, as respostas são divergentes, pois as pessoas possuem crenças diferentes e por isso percebem a mesma informação de forma singular. Entretanto, a questão aqui é: o que embasa estas pessoas fazer projeções sobre o futuro? A resposta é: suas crenças. Se alguém aprendeu que ao romper uma resistência os preços irão subir, ao se deparar com um novo rompimento de resistência, automaticamente associará este evento à sua crença de que rompimento de resistência gera alta nos preços. Essa crença, ou relação de causa e efeito é justamente o que vai gerar a sua expectativa de alta para os preços. Agora preste muita atenção na continuidade do processo. Suponha que um trader (que por qualquer razão, não tenha as crenças corretas para ser consistente) decida comprar no rompimento dessa resistência citada acima e que os preços efetivamente subam. Como você acha que ele se sentirá? Certamente bem, não é mesmo! Concorda que ele tinha uma crença de que rompimento de resistência gera alta de preços e ao se deparar com essa informação

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(rompimento), percebeu uma oportunidade, instantaneamente criou uma expectativa de alta, agiu colocando uma ordem de compra e ao ver os preços subindo ele percebe a alta de preços como algo positivo e que preencheu sua expectativa? Logo ele se sente bem, confiante, poderoso etc. Agora imagine o mesmo trader, atuando na compra, na mesma situação de rompimento de resistência. Entretanto neste exemplo, os preços começam a cair tão logo ele tenha comprado. Como será este trader vai se sentir? Se ele não possuir os atributos mentais corretos, certamente ele vai sentir algo incômodo. O grau de incômodo dependerá do lote, de quanto e quão rápido o mercado vier contra sua posição de compra. Quanto mais rápido os preços caírem, mais frustração este trader sentirá. Você concorda? Aliás, você já sentiu isso? Não tenha vergonha em responder, pois todos que efetivamente operam já sentiram esta sensação ruim. A sensação de errar gera dor/stress, pois fomos criados assim, fomos criados com a crença de que errar é feio, errar e perder nos diminui. Gostaria que você pensasse mais um pouco e respondesse: de onde vem essa sensação ruim e amarga, de onde vem o medo e dor? Essa sensação ocorre quando nossas expectativas são frustradas. Toda vez que esperamos que algo ocorra, naturalmente esperamos estar certos e assim, se depararmos com algo contrário à nossa expectativa automaticamente experimentamos dor. Quanto maior o nível de expectativa, maior será a frustração caso o evento esperado não ocorra. Você pode resistir em dizer que isso não é uma verdade absoluta, mas apenas uma versão se adequando apenas a algumas circunstâncias. Pare e pense na sua vida quantas situações similares a essa ocorreram. Pense em quantas vezes depositou expectativa em uma determinada entrevista de emprego e em como se sentiu quando foi recusado. Em quantos relacionamentos mal resolvidos, depositou expectativa e acabou sentindo frustração. Um bom exemplo é torcer depositando demasiada expectativa em um jogo de futebol do seu time favorito. Como você se sente quando ele perde? Bom, a essa altura você entendeu efetivamente do que estou falando. Essas sensações (boas ou ruins) são geradas única e exclusivamente pelas nossas interpretações das informações vindas do mundo e das interpretações das informações geradas pelas nossas ações. As sensações não são intrínsecas ao mundo, nós que escolhemos como nos sentir. Concorda que se você não depositar expectativa sobre a sua entrevista de emprego, o fato de não conseguir o emprego não terá o potencial de gerar frustração? Se você não depositar expectativa na

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vitória do seu time, você não sentirá frustração caso ele seja derrotado? O mesmo ocorre no mercado, se você não depositar expectativa sobre a alta de preços, você não sentirá frustração se os preços cederem. Agora vem a grande questão: o que define o grau de expectativa que depositamos em certas ocasiões? O que define o quanto de expectativa depositamos é o grau de importância que atribuímos ao que se encontra em jogo. Vou exemplificar: Digamos que você aposte com seu amigo, quem acertará o fechamento da PETR4 no pregão de hoje. A aposta não vale nada e o seu amigo é de fato uma pessoa a qual você respeita e não há competitividade entre vocês. Como você se sentirá se perder a aposta? Talvez chateado, um pouco frustrado, etc. Agora imagine que você esteja operando seu dinheiro de verdade e que ainda não possua todos os atributos que o trading consistente exige (você não acredita em imprevisibilidade e nem em singularidade dentre os demais que ainda não falamos). Como você se sentirá se errar sua previsão e ainda perder dinheiro? Sentirá mais ou menos frustrado do que quando apostou, simbolicamente, com seu amigo? Garanto que quando há algo relevante em jogo (no caso dinheiro), tanto o grau de expectativa quanto o grau de frustração são maiores. Isso explica a diferença entre analisar o mercado e efetivamente operar. Ou ainda, explica a diferença entre operar um lote do mini e operar de verdade. Quanto menos dinheiro em jogo, menos preocupação e menor o grau de expectativa. Quanto menor a expectativa, maior é a objetividade em perceber o que o mercado esta mostrando e mais fácil de aceitar o resultado dos seus atos. Não há resistência interna em agir quando não há expectativa. Não há contra o que lutar. Votarei a falar sobre expectativa mais adiante. explicar a influência das crenças na formação Entender o processo de formação de expectativas você possa fazer os ajustes necessários e se consistente.

Até aqui busquei de expectativas. é crucial para que tornar um trader

3º Nossas ações são baseadas em nossas crenças

Não bastasse gerenciar a forma como percebemos o mundo e como criamos nossas expectativas, as crenças norteiam nossas ações. Com uma crença limitante fica praticamente impossível de agir. Já com

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crenças fortalecedoras ou favoráveis, a capacidade de agir se torna natural. Ouvi uma frase de um colega de trabalho, extremamente bem sucedido financeiramente e que me norteia até hoje: “Há pessoas que fazem e há pessoas que esperam acontecer”. Agora pense como é possível agir se você possuir crenças que te limitem? Como fazer day trade se você acredita que é arriscado ou que não é possível? Fica praticamente impossível porque a cada sinal (conjunto de fatores que você considera para entrar em uma operação) haverá uma luta interna gigantesca. Uma tentativa de encontrar algum motivo que negue o sinal, ou seja, uma desculpa para não entrar no mercado. Essa luta/tentativa de encontrar mais sinais e mais desculpas acaba por gerar uma confusão inibindo cada vez mais as operações. Concorda que esse tipo de crença altera sua percepção sobre o mercado fazendo você enxergar o que quer e não a verdade como é? Concorda que também te impede de agir, ora gerando resistência em entrar no mercado ora resistência a stopar para não assumir perdas?

4º Nossas crenças são responsáveis por como nos sentimos em relação aos resultados de nossas ações.

Um bom exemplo sobre a influência de crenças no comportamento humano e também na fisiologia é o efeito placebo. Um notável estudo sobre placebo (descrito no livro Poder sem Limites de Anthony Robbins) refere-se a um grupo de pacientes com úlceras supuradas. Estavam divididos em dois grupos e foi dito às pessoas de um dos grupos que receberiam uma nova droga que, certamente, produziria alívio. Às do segundo grupo foi dito que iriam receber uma droga experimental sobre cujos efeitos se sabia muito pouco. Setenta por cento das do primeiro grupo tiveram alívio significativo. Somente vinte e cinco por cento do segundo grupo tiveram resultado semelhante. Em ambos os casos, os pacientes receberam uma droga sem nenhuma propriedade medicinal. A única diferença foi o sistema de crença que adotaram. Ainda mais notáveis são os numerosos estudos em pessoas a quem foram dadas drogas de efeitos prejudiciais conhecidos, e que não experimentaram nenhum efeito ruim, quando lhes disseram que experimentariam um resultado positivo.

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Estudos conduzidos pelo Dr. Andrew Weil mostraram que as experiências de usuários de drogas correspondem quase exatamente ao que esperam. Descobriu-se que se podia induzir uma pessoa que recebera uma dose de anfetamina a sentir-se sedada ou a uma que recebera um barbitúrico sentir-se estimulada. “A magia das drogas reside dentro da mente do usuário, não nas drogas", concluiu Weil. Em todos esses exemplos, a única constante que afetou com mais força os resultados foi à crença, as mensagens consistentes e congruentes enviadas ao cérebro e sistema nervoso. Apesar de todo seu poder, não há magia confusa no processo. Crença não é mais que um estado, uma representação interna, que governa o comportamento. Pode ser uma crença fortalecedora numa possibilidade, crença de que seremos bem-sucedidos em alguma coisa, ou realizaremos algo mais. Pode ser uma crença enfraquecedora, a crença de que não seremos bem-sucedidos, que nossas limitações são claras, insuperáveis, esmagadoras. Se você acreditar em sucesso, ficará fortalecido para consegui-lo, criará possibilidades mentais para que isso possa ocorrer. Se acreditarem fracasso, sua crença tenderá a levá-lo para o caminho que faz provar o fracasso. Lembre-se: quer você diga que pode fazer alguma coisa ou diga que não pode, você está certo. Ambas as espécies de crença têm grande poder. Voltando a exemplos de mercado. Imagine que você tem a crença de que operar logo na abertura do mercado é arriscado. Imagine também que o conjunto de fatores que indiquem uma oportunidade esteja presente e você decida operar na abertura. Caso você perca dinheiro, como irá se sentir? Certamente frustrado e arrependido e por quê? Pois fez algo que era contrário às suas crenças. Agora imagine o mesmo exemplo, com o mesmo sinal gerado pelo conjunto de fatores que você define como oportunidade, mas que você não tenha atuado. Ter se livrado de uma perda vai te deixar feliz e confortável, e mais, validará sua crença de que operar na abertura é arriscado. Agora faço um questionamento: o evento não foi o mesmo? O mercado gerou um mesmo sinal? Mas por que você poderia ficar frustrado ou ficar feliz, dado que a situação é a mesma? A resposta é: pois você escolhe em que acreditar, o que esperar, como agir e ainda mais, como se sentir sobre o resultado de sua ação. Você e só você cria a sua experiência no mercado. Entender sobre esse processo e aceitar essa realidade é um grande passo para se tornar um trader consistente. A isso damos o nome de assumir a responsabilidade.

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Repare que até agora não me preocupei em falar o que é certo e o que é errado, qual crença é boa e qual é ruim e nem como lidar com expectativas. Estou apenas explicando o processo e a relevância das crenças, tanto na vida quanto para o trading. Em seguida falaremos sobre as crenças que julgo adequadas, pela experiência dos traders que modelei e que hoje norteiam minha forma de interagir com o mercado. Só depois discutiremos sobre como mudar suas crenças.

3.4

ESTADOS

A melhor explicação que encontrei para Estados foi no livro Poder sem Limites de Anthony Robbins. Segue entre aspas abaixo: “Você já passou pela experiência de estar em maré alta, de sentir que não poderia fazer nada errado, numa época quando tudo parece andar perfeitamente? Talvez, seja numa partida de tênis, quando acerta todas as bolas, ou numa reunião de negócios, onde você tem todas as respostas. Talvez, seja numa ocasião quando fica espantado ao se ver fazendo alguma coisa heróica ou dramática, que nunca pensou que pudesse fazer. Provavelmente, já passou também pela experiência oposta, num dia em que nada dá certo. Com certeza, você pode se lembrar de ocasiões em que confundiu as coisas que em geral faz com facilidade, quando todo passo está errado, cada porta trancada, quando tudo que tenta não dá certo. O que acontece? Você é a mesma pessoa. Deveria ter os mesmos recursos à sua disposição. Então, por que consegue resultados desanimadores uma hora e resultados fabulosos em outra. Por que é que mesmo os melhores atletas têm dias em que fazem tudo certo e, em seguida, dias em que não conseguem encestar uma bola, ou marcar um ponto? A diferença é o estado neurofisiológico em que estão. Há estados que habilitam e impulsionam - confiança, amor, força interior, alegria, êxtase, crença. Há os estados paralisantes – medo, ansiedade, frustração, confusão, depressão, tristeza - que nos deixam sem poder. Todos nós entramos e saímos de bons e maus estados.” Um estado pode ser definido como a soma de milhões de processos neurológicos acontecendo dentro de nossas mentes. Em outras palavras, a soma total de nossa experiência a qualquer tempo, em qualquer momento. “A maioria de nossos estados acontecem sem qualquer direcionamento consciente de nossa parte. Vemos alguma coisa e

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respondemos a ela entrando num estado. Pode ser um estado rico e útil, ou um empobrecedor e limitador, mas a maioria de nós não tem habilidades para controlá-lo ativamente”. Segundo Robbins, a diferença entre aqueles que falham em realizar suas metas na vida e aqueles que são bem sucedidos é a diferença entre aqueles que não conseguem se colocar num estado de apoio e aqueles que, com frequência, se colocam num estado que os ajuda em suas realizações. Agora: você sabe o que gera um estado? Existem dois componentes principais do estado: o primeiro é a nossa representação interna e o segundo é a condição e uso de nossa fisiologia. O que e como você imagina as coisas, assim como o que e como diz coisas para si mesmo sobre a situação do momento, criam o estado em que fica e, assim, as espécies de comportamento que produz. Representação Interna – é como nos comunicamos com nós mesmos. Recebemos a informação do mundo através dos cinco sentidos: gustação, olfato, visão, audição e cinestesia (tato), sendo que os três últimos são os mais utilizados. Esses receptores transmitem o estímulo ao cérebro que através de processos (e crenças) filtra-os em representação interna. Pense em representação interna, como sendo as imagens que você cria no “teatro da sua mente”8, as vozes que você ouve (diálogo interno) e as imaginações que você cria na sua cabeça, ao pensar sobre qualquer coisa. Lembre-se, o que representamos internamente nem sempre é a verdade, sendo muitas vezes apenas a nossa versão. Por exemplo, se por qualquer motivo desconfiarmos de alguém, fatalmente iremos representar internamente tal informação gerando pensamentos, imagens e diálogos internos condizentes e associativos à mentira. Fatalmente entraremos em um estado de desconfiança. Isso não significa, contudo, que a pessoa esteja mentindo. Fisiologia – Fatores como postura, bioquímica, energia nervosa, respiração e tensão muscular compõem a fisiologia. O melhor exemplo de influência da fisiologia em nossos estados é quando estamos doentes, com febre, por exemplo. Como você reage aos eventos e como vê o mundo, quando esta com febre? Certamente a sua percepção e reação será muito diferente de quando você se encontra vibrante, animado ou cheio de energia positiva. Representação interna e fisiologia trabalham juntas e tudo que afeta uma afetará a outra. Dessa forma, para mudar um estado, 8

Será detalhado no manual de visualização ao final deste material.

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necessariamente deverá ter havido uma mudança de representação interna e fisiologia. Reflita comigo: quase tudo o que queremos na vida é um estado. Amor é um estado, é um sentimento que comunicamos para nós mesmos e que sentimos dentro de nós, baseados em certos estímulos. Confiança, poder, ambos são estados criados por nós. Até mesmo o dinheiro. Na verdade nos interessamos pelo que ele representa e não pelas notas de papel. O dinheiro pode representar poder, segurança, tranquilidade, liberdade etc. Agora, você se lembra do tanto que falamos sobre consistência como trader? Pois bem, consistência é um estado mental! É o resultado da sua representação interna e fisiologia sobre a sua interpretação de errar, perder, acertar, ganhar e etc. A consistência não vem do mercado, não depende de ele ser bom ou ruim, de alta ou baixa, volátil ou não. Consistência está na sua mente, faz parte de você. É a sua interpretação das informações do mercado e do resultado de suas ações que te fazem consistente. Quando você é consistente você não espera que o mercado faça algo para você, algo que preencha a sua expectativa, você simplesmente aceita qualquer movimento que ele faça. Sem nenhuma restrição. Vou além, ser consistente é não só aceitar, sem resistência interna, os choques aleatórios e imprevisíveis dos preços, mas também interagir com o mercado (operando) e aceitar qualquer que seja o resultado das suas ações. No livro Trading in the Zone, Mark Douglas faz uma explicação muito boa sobre consistência. Ele afirma que o que separa os melhores traders dos demais não é como eles fazem ou quando fazem. O que, de fato, os separam é “como pensam sobre o que fazem e como estão pensando enquanto fazem”. Reflita sobre o exemplo: Tome dois traders, o primeiro que ainda não possui uma mentalidade de trader (sofre de algum ou mais problemas descritos no início da apostila) e o outro que já entende o que o trading realmente é (possui mentalidade de trader – entende a natureza do mercado, acredita em imprevisibilidade e singularidade do momento e aceita o risco de operar). Imagine que os dois estejam operando o mesmo mercado ao mesmo tempo e que decidam entrar na compra, por qualquer motivo. Neste exemplo, logo após a compra, ocorre o inesperado: entra uma boletada de venda relativamente grande e o mercado já vira vendedor abaixo do preço de stop, préestimado por ambos. Como ambos devem reagir? Será que da mesma forma? Pense bem, pois o evento é o mesmo. Ambos compraram e ambos estão olhando para um mercado vendedor abaixo do preço de stop deles.

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Dificilmente um trader, sem a mentalidade correta perceberá esse evento da mesma forma que um trader consistente. O mais comum será ouvir desse trader “o que eu poderia ter feito para evitar isso”; “só acontece comigo”; “o mercado é perigoso, é uma droga”; “eu sabia que isso ia acontecer comigo”. Com essa estrutura de pensamento (crenças) ele irá perceber essa informação de forma negativa, o que muito provavelmente o levará a um estado de indecisão e medo. Uma vez nesse estado, a cada informação que o mercado gerar (continuar caindo, por exemplo), ele interpretará a informação de uma forma totalmente viesada (não objetiva) e tenderá a ser cada vez mais influenciado a ver o “ele quiser ver e não o que esta acontecendo”. Mesmo que este trader stope a posição comprada a um preço abaixo do pré-estipulado (o que é muito raro) o natural seria parar de agir momentaneamente (operar), pois ele interpreta o mercado como “perigoso”. Já um trader consistente, no mesmo evento, vai agir sem hesitar quando o mercado mostrar que não era mais para estar comprado, mesmo com uma perda maior que o pré-estabelecido. Ele já aprendeu que não é possível controlar o mercado e justamente por acreditar em imprevisibilidade ele aceita a perda. Ele aceita, de forma inconsciente, que mesmo tendo comprado de forma objetiva (pela perspectiva de coletiva e não por setup individual), o imprevisível aconteceu. Essa forma de pensar e representar internamente habilita o trader de permanecer no seu estado mental consistente e confiante o que possibilita perceber o mercado de forma objetiva (sem viés e sem interferência de suas emoções). É como se tivesse olhando o mercado de fora. Ao contrário do outro trader, não há motivo para “tirar o pé”. O trader consistente continua percebendo e operando as oportunidades que o mercado gera.

3.4.1

ESTADOS E ASSOCIAÇÃO

Nossas mentes têm uma característica inerente e que leva-nos a associar e ligar qualquer coisa que existe no ambiente externo, que é semelhante em termos de qualidade, propriedades ou características para qualquer coisa que já existe em nosso ambiente mental. Esta tendência natural de nossas mentes em associar é uma função mental inconsciente e que ocorre de forma automática.

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Certamente você tem várias associações na sua mente, quer ver? A que você associa aquela “vinheta” sonora do plantão da rede globo? A algo ruim ou bom? Certamente a algo ruim, pois, todas as notícias desta fonte eram associadas a algo negativo. Nossa estrutura de pensamento instantaneamente associa a vinheta com as lembranças, memórias que possuímos armazenadas. Não precisa nem dizer que automaticamente nosso estado mental será alterado. Mesmo que estivermos assistindo a algo alegre e que mantivermos em um estado de alegria, ao ouvir a chamada do plantão, automaticamente ficaremos mais tensos e apreensivos. Em PNL – programação neolinguística esse processo de associação é chamado de “âncora”. Âncoras geralmente são estímulos visuais, sonoros ou sinestésicos (tato) ligados a um conjunto de estados. Pense em que estado você fica ao ouvir sua música preferida? Com certeza você entra num estado vibrante, alegre e associando a uma ou várias experiências boas. Agora pense em que estado você ficaria se visse alguém armado nas ruas? Com certeza sentiria medo, ou por já ter vivido alguma experiência similar ou por ter sido bombardeado de notícias sobre o assunto. Uma âncora é criada por um estímulo específico enquanto estamos no experimentando o auge do estado. No final do livro “Poder sem Limites” de Anthony Robbins há um roteiro de como criar âncoras de forma ativa e consciente. Se levarmos esses conceitos de associação e âncoras para nossas experiências com o mercado ficaremos surpresos. Se você possuir algumas horas de operação você entenderá bem o que estou falando. Já aconteceu de você associar determinada operação ou situação de mercado com qualquer outra operação (situação) que já tenha feito no passado? Deixe-me ser mais específico: você costuma dizer “hoje aconteceu exatamente o mesmo que aquele dia x”? Outra coisa, você costuma hesitar em operar por associar o risco da sua operação atual com o resultado das últimas operações? Ou seja, julgar o mercado mais arriscado, por ter perdido nas últimas três operações? E por último, você já sentiu alteração de estado quando o mercado começou a agitar de forma brusca? Muito provavelmente sim, justamente porque é assim que nossas mentes funcionam. Esta lembrado quando falamos sobre singularidade do momento em natureza do mercado no início do material? Bom, se você ainda não esta convencido disso eu aconselho voltar lá e ler novamente. Aceitar isso é primordial para avançarmos nos diagnósticos sobre tudo que vimos até agora.

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No mercado, cada momento é único e associar o agora com qualquer outra lembrança não faz o menor sentido. Se tudo é novo, como podemos associar com o passado? No exemplo acima, não faria o menor sentido hesitar ao ver uma oportunidade e entrar em um estado de medo (por associação) só porque os últimos trades deram errado. Concorda que o resultado do próximo trade não tem nada a haver com os resultados passados? O resultado do próximo trade é futuro, e a história não esta escrita! Lembra que o resultado de nossa operação esta na mão de outros traders, os quais você não têm controle? A confiança e medo no trade atual são estados que você cria em função da sua percepção do mercado. Não é o mercado que transmite isso, você os cria! Quer ver um exemplo? Se eu trocasse o cenário acima e tivesse dito que você ganhou as últimas três operações seguidas, como você se sentiria? Você teria mais ou menos apetite a entrar na próxima oportunidade? Aposto que teria mais apetite Enquanto no exemplo anterior você estava em um estado apreensivo ou até com medo por conta das perdas, no segundo cenário você tende a ficar confiante e sem medo. Mas concorda que o evento é o mesmo? A operação que você vai fazer agora é a mesma, independente de você ter ganhado ou perdido nas anteriores. Novamente, o mercado não gera confiança e medo, você os cria! Desenvolver e manter um estado mental que permita focar no momento e assim ficar sempre no fluxo do mercado requer controle consciente da associação. Você deve estar perguntando: mas por que saber tudo isso? Eu volto a dizer: trading é diferente de tudo. No trading você será testado a cada instante, será influenciado a toda hora por fatores externos e sofrerá as consequências das representações internas e consequentemente dos estados causados por ela. Saber controlar ativamente as representações e estados é uma arma poderosa para controlarmos nossa forma de encarar os desafios do trade. Ao final desta parte você já conheceu, de forma resumida, o processo de pensamento humano: Receber a informação, filtrar pelas crenças, gerar representação interna, gerar um estado mental, criar expectativa, gerar uma ação (ou ausência de ação) e gerar um novo estado mental consequência da interpretação do resultado desta ação. Chegou a hora de adaptarmos esse processo ao mercado de forma mais profunda. Discutiremos nos demais capítulos sobre os assuntos: 1º Como perceber a informação gerada pelo mercado da forma mais objetiva possível, mais próxima possível da verdade;

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2º Adquirir as mesmas crenças que traders consistentes possuem para representar internamente a informação de uma forma homogênea, de uma forma coletiva; 3º Neutralizar as expectativas para focar no presente e entrar em sincronia com o fluxo do mercado; 4º Manter o mesmo estado mental (confiante e despreocupado = consistente) que os traders consistentes mantêm; 5º Agir sem a menor influência de medo ou arrependimento; 6º Interpretar o resultado de suas atitudes de uma forma positiva, aceitando sem nenhuma resistência interna, os riscos e as consequências dos seus atos.

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ACOMPANHAR O MERCADO COM OBJETIVIDADE

Desde o começo do material você tem lido que olhar o mercado com objetividade é fundamental para perceber o fluxo do mercado e evoluir como trader. É justamente sobre esse assunto que trataremos neste capítulo. Antes de tudo vou fazer mais uma pergunta. Como você acompanha o mercado? Ou melhor, qual é o método de acompanhamento? A resposta é quase unânime: “por gráficos” ou “por análise técnica” e é justamente esse paradigma que quero quebrar. O gráfico ou a análise técnica pouco dizem sobre o que de fato esta ocorrendo nos preços. Não significa que não funcionam. Podem até funcionar, mas o que quero dizer é que você não esta vendo a verdade no mercado e sim uma versão. Tenho certeza de que para alguns, é quase como dizer que Deus não existe. Peço, contudo um voto de confiança para explicar.

4.1

PERCEPÇÃO E MERCADO

Olhe a figura abaixo e pense o que ela representa para você.

Escreva abaixo o que esta figura representa para você. Não se preocupe com certo e errado, apenas escreva o que julga relevante

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na imagem. Pense sobre o que ela significa, o que descreve e que tipo de oportunidade pode gerar etc. _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________

Reflita sobre como você chegou a essas conclusões, ou seja, como, quando, com quem e por que aprendeu isso que escreveu acima. _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________

No primeiro campo as respostas são quase unânimes: “representa que os preços vieram de um patamar até outro...”; “representa o que está acontecendo no mercado num determinado momento...”; “representa uma oportunidade de compra por ser um martelo (candle de alta)...”, dentre outros. Já, as respostas do segundo campo costumam ser: “todos os livros, cursos e sites que conheço descrevem os candles como fiéis representantes do que está acontecendo no mercado e ainda como geradores de oportunidades...”; todos traders que conheço utilizam candles/barras para acompanhar o mercado e para definir critérios de entrada/saída das operações...”; “todos os softwares de análise (vendors) compilam a informação desta forma...” etc. Agora vou descrever algo que vai ajudá-lo a entender o porquê de candles e barras do gráfico não refletirem a verdade, ou seja, o que de fato está acontecendo no mercado. Aquela figura acima, só mostra duas coisas. Primeira: a faixa de preços que foram negociados ao longo do período de cada barra/candle. E segundo: diz um pouco sobre a evolução dos preços a partir da abertura da barra até o seu fechamento. Agora olhe só o que os candles e barras do gráfico não mostram. Não mostram o quanto foi negociado a cada nível de preço. Não mostram, exatamente, em que momento os negócios estavam sendo

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realizados, ou seja, a evolução fiel dos preços 9. E não para por ai: Candles não mostram se a maior parte dos traders está comprando ou vendendo, não mostra se foi o comprador ou o vendedor quem gerou o negócio (agressão, justamente uma das variáveis mais importantes), não mostra o nível de agressividade dos players em fechar negócios, não mostra o tipo de operador e nem o prazo operacional (se um day trader girando ou se um operador de longo prazo montando uma posição grande), não mostra o nível de atividade dos negócios (se foram realizados negócios de 100 ações ou negócios de 50.000 lotes), não mostram as posições prévias que os players carregam na compra ou venda, não mostram se os players estão abrindo posição (iniciando uma aposta, o que carrega energia potencial) ou zerando posição (fechando uma aposta, o que não carrega energia potencial) e também não mostram o nível atual de intenção de oferta e demanda. Há ainda fatores psicológicos e potenciais, os quais não são percebidos por candles e barras. São eles: Não mostram o nível de convicção dos comprados e vendidos, nem a que preço vão zerar suas posições, não mostram nem se e nem como players vão reagir às mudanças nas demais variáveis, não mostram quantos players estão atuando e nem seus perfis de atuação. Depois dessa extensa lista de fatores que não vemos através de gráficos, você pode questionar. “De fato, não vejo estes fatores através dos gráficos, entretanto, eles não são possíveis de serem vistos...” Essa afirmação é meia verdade. De fato, algumas variáveis não podem e nunca serão conhecidas por nós, pois dependeria de adivinharmos o que demais traders estão fazendo ou ainda, o que irão fazer. Entretanto, outras variáveis são conhecidas e levadas em conta pela maior parte dos traders que efetivamente entendem da atividade. Não se preocupe em saber exatamente quais as variáveis relevantes nesse momento10, preocupe-se apenas em acreditar o fato de não conhecermos algumas variáveis não implica que elas não existam. Não é porque não temos acesso a essas variáveis que elas não são importantes. Dando continuidade ao tema de “percepção e mercado” apresentarei outra forma muito comum através da qual traders são instruídos a operar: Indicadores Técnicos ou Indicadores de Análise Técnica.

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Esta última informação pode ser obtida diminuindo o tempo gráfico. Elas são tratadas exclusivamente no Programa.

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É comum que traders utilizem uma forma de manipular a informação do mercado com intuito de tomar decisões, ou inda com intuito de torná-las mais precisas. Os indicadores mais comuns utilizados pela maior parte dos traders (maiores em número e menores em tamanho) são as médias móveis, MACD, TRIX, ADX, IFR, Bandas de Bollinger, Hilo Activator, etc. Independentemente de qual seja o indicador, a maior parte deles é baseada em preço de fechamento (seja fechamento de uma barra de 5 minutos ou mesmo fechamento de um candle diário). Cada indicador possui uma fórmula específica e gera uma informação derivada, justamente chamada de indicador. O que quero dizer aqui é que, assim como os candles ou barras, os indicadores estão longe de representar a realidade do mercado. São meras manipulações de preços ou fórmulas matemáticas que geram indicações, e só. Os indicadores não mostram nenhuma daquelas variáveis descritas acima, portanto, apesar de serem úteis como sinalizações de compra e venda, pouco dizem sobre o que de fato esta acontecendo nos mercados. A grande lição que devemos tirar desta parte é: Existem outras formas de acompanhar o mercado, que não são através de gráficos. Nem todo trader olha para o mercado da mesma forma que você foi instruído (até o presente momento) a olhar. Se você, até o momento julgava que candles ou indicadores representavam o mercado sugiro fortemente que reconsidere. Não estou sugerindo que você não se utilize candles ou indicadores, mas sim que acredite que eles não são o reflexo da realidade. Esse entendimento permitirá que você abra sua mente e assim desenvolva outras formas de interação com o mercado. Outro ponto extremante positivo da aceitação de que candles e indicadores técnicos não representam o mercado é ajudá-lo a sair do círculo vicioso (caso esteja nele) ou evitar que entre no círculo. Para relembrá-lo falamos de círculo vicioso no início do material no item “fases do trader”. Círculo vicioso era a tentativa de combinar indicadores ou encontrar as melhores relações de causa e efeito que explicasse preço, sem que essa relação fizesse sentido. Digamos que tenha aprendido que cruzamento de média é uma boa estratégia. Seu trabalho seria adaptar o melhor cruzamento de médias para cada ativo que decidisse operar. Para isso, usaria um sistema que realizasse uma otimização apontando qual combinação de médias geraria um melhor resultado no período de avaliação que você escolheu. Além disso, definiria todos os critérios gerenciais de risco como tamanho de lote, stop e etc.

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Digamos que o sistema apontou que as médias de 8 e 21 seriam as melhores calibragens para determinado ativo, no período que você definiu o teste. O próximo passo seria validar o relatório de avaliação contendo todas as informações relevantes, como ganho máximo por operação, perda máxima por operação, ganhos e perdas médios, sequência de operações ganhadoras e perdedoras, drawdown 11 e etc. Se as condições forem favoráveis, você decide que começará suas operações seguindo este trading system, pois ele é estatisticamente confiável. A questão é: o que ocorre se você ganhar dinheiro nos primeiros dois meses? Você irá reconsiderar qualquer variável do seu sistema ou irá mantê-lo? O mais lógico seria mantê-lo e continuar fazendo o que esta dando certo. E se, por outro lado, você perdesse dinheiro nos primeiros dois meses, o que faria? Continuaria seguindo as sinalizações, pois essas perdas são normais (em outras palavras, o drawdown já era conhecido) ou reconsideraria algumas variáveis do trading system? Qual é o certo? De toda forma, digamos que decida, por qualquer motivo reconsiderar algumas variáveis e assim decida voltar ao sistema de backtesting e re-otimizar as médias a ponto que a nova combinação gere um resultado positivo no mesmo período em que seu sistema (com a combinação de médias antiga) gerou o resultado negativo. Assim, o sistema poderia indicar que a melhor combinação para os últimos 2 meses teria sido 12 X 31 e não os 8 X 21 indicados na sua primeira otimização. Resumindo, esse é justamente o ciclo vicioso que tanto falamos. Pois você sempre tentará re-otimizar seu sistema quando estiver perdendo, buscando, justamente uma combinação que evitaria de ter perdido. O problema aqui não é fazer o backtesting e tentar re-otimizar sua estratégia, mas sim acreditar que o cruzamento de médias móveis (ou IFR, ADX, Hilo, Bandas de Bollinger etc.) é uma boa explicação para os preços. Essa falta de compreensão na causalidade é o maior problema. Repare que sempre que o trading system gerar perdas, vai ficar a dúvida: re-otimizo ou mantenho? E pior, sempre que você decidir re-otimizá-lo você buscará algo que “se você tivesse feito você teria ganho”, sempre no passado e sempre com a palavra “se”! Quando estudamos uma estratégia, nesse exemplo, cruzamento de médias, a primeira pergunta que você deve fazer a você mesmo é: “Será que as médias, efetivamente são a causa do preço?” Ou, “será

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Valor máximo acumulado em perdas.

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que existe uma relação de causa efeito, efetiva, entre médias (variável explicativa) e o preço (variável a ser explicada)?”. Se você fizer essa pergunta levando em conta todos os indicadores ou ainda as possíveis combinações entre os indicadores, você irá reparar que praticamente nenhum deles representa o mercado, pois não refletem aquelas variáveis sobre as quais falamos no início deste capítulo. Assim, se indicadores não representam o mercado, como podem ser uma variável explicativa coerente para explicar os preços? Mesmo que você acredite ser possível encontrar, ou que já possua algum indicador ou combinações, que não reflitam com exatidão o mercado, mas que geram ótimos resultados em várias condições de mercado (através de backtesting) reflita sobre o que falamos no capitulo de “natureza dos mercados”. Reflita sobre o princípio de singularidade e dinâmica de mercado. Sei que não é fácil de aceitar, mas é real. Aliás, eu afirmaria que a maior parte dos traders de mesa proprietária de bancos e fundos e dos traders ativos consistentes (com os quais tive convívio) opera sem tomar decisões baseadas em gráficos, indicadores ou trading systems mecânicos. A maioria destes traders são discricionários, ou seja, tomam decisão em função de parâmetros que podem ser modificados de uma operação para outra.

4.2

PERCEPÇÃO E FATORES EMOCIONAIS

Independentemente da forma através da qual você acompanha o mercado se por gráficos, indicadores ou pelo fluxo das ordens, os fatores emocionais possuem capacidade de alterar sua percepção. Alguns conceitos que serão apresentados já foram abordados de forma pulverizada nos capítulos anteriores, contudo, é pertinente que voltemos a pontuar algumas questões dentro desse módulo de “percepção”. De uma forma geral, o mercado é o produto da interação dos traders sobre o que cada um julga barato/caro naquele determinado momento de tempo. Ao mesmo em que traders operam suas crenças, o mercado gera informações sobre seu potencial de movimentar de uma forma, totalmente, neutra. Depende de cada trader receber e interpretar essas informações. Se, por qualquer razão você sente excesso de confiança ou medo, tenha certeza de uma coisa: O mercado não transmite essas sensações. Você as cria!

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As principais fontes de alteração de percepção são suas crenças sobre si mesmo e sobre o mercado além de seu Estado Atual. Concorda que se você acredita que para ser um bom day trader é necessário muito conhecimento de análise técnica, será muito difícil de perceber o mercado pelo fluxo das ordens (através do Book de Ofertas e Histórico de Negócios). Dependendo do grau da crença a percepção do mercado fica distorcida. Concorda também que se acredita que fazer day trade não é adequado para você, pois é difícil exige agilidade e etc, como será possível perceber as oportunidades que o mercado gera? Agora repare como você percebe o mercado quando está com medo. Será que da mesma forma, do que quando está despreocupado e sem expectativa? Dificilmente não é mesmo. Quando está com medo tende a não perceber a verdade de forma neutra, pois sua mente age de forma instintiva tentando evitar a dor. Ou seja, se está com medo e comprado, a cada tick que o mercado dá para baixo, contra a sua posição, faz a mente buscar reforços ou desculpas para evitar a sensação de medo e dor. É como se sua mente bloqueasse toda informação contrária à sua expectativa, que é justamente não errar. A cada tick contra, sua mente se ancora em uma explicação diferente, em algo que conforte sua posição, enquanto passa o amargo tempo na esperança de algo acontecer e fazer os preços voltarem. Esse processo, muitas vezes inconsciente, te faz parar de olhar o mercado como ele é (verdade) e te força a perceber o mercado como você gostaria que ele fosse (sua versão). Ao final deste capitulo é muito provável que sua curiosidade esteja concentrada nas respostas das seguintes perguntas: como perceber o mercado com objetividade? Além disso: como não incorrer em todos os problemas de percepção, de cunho emocional, descritos até agora? Para responder essas questões falarei sobre: - Pontos de vista e as diversas formas de interagir com o mercado; - Crenças adequadas ao trade e também sobre o Estado Favorável; - Como lidar com expectativas; - Processo de aceitar o risco do negócio.

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5

INTERAÇÃO COM OS MERCADOS E PERSPECTIVAS

No capítulo anterior tratei sobre as potenciais influências no processo de percepção que podem afetar a objetividade na leitura do mercado. Neste capítulo falarei sobre as diversas formas de ler e interagir com o mercado buscando propor a Análise de Fluxo de Ordens como a mais adequada ao trader ativo.

5.1

ALINHANDO O DISCURSO

Antes de iniciar gostaria de alinhar o discurso, ou seja, direcionar de forma precisa os conceitos e embasamentos ao grupo específico de traders ativos. Traders Ativos são todos e quaisquer indivíduos, que operam para si ou para terceiros, com relativa frequência em determinado período (mais especificamente dentro de um dia) e que não tenham limites operacionais suficientes para ser um price maker12. A fora o grupo de traders ativos, existem obviamente outros grupos de participantes do mercado, tais como: investidores (naturalmente visando horizontes mais longos), traders de mesa proprietária (operam para bancos e fundos), traders de mesa clientes (preparam operações para grandes clientes) e traders em geral (pessoas físicas que não se enquadram no grupo de traders ativos por não executarem ordens com frequência-geralmente day traders e swing traders). Se por qualquer motivo você leitor não se enquadrar no perfil de trader ativo, seja por falta de tempo para acompanhar o mercado ou por não “gostar” do perfil, tente passar pelas próximas páginas com a “mente aberta”, ou seja, permitindo-se ser um trader ativo durante a leitura. Há ainda outras colocações a serem feitas. Existe uma frase, a qual uso com frequência nos cursos e palestras que nos ajudará nesse alinhamento: “o mercado não opera da mesma forma e muito menos da forma que julgamos ser a mais correta para nós mesmos”. Significa que nem todos os players olham para o mercado da mesma forma por terem propósitos diferentes, crenças e opiniões 12

Player que têm potencial de movimentar o preço, ou seja, seu lote tem potencial de consumir a liquidez de vários níveis de preço.

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divergentes, por adotarem conceitos e estilos operacionais divergentes, por possuírem horizontes de aplicação divergentes e limites de exposição ao risco divergentes (diferentes tamanhos). É justamente essa heterogeneidade que motiva o mercado continuar negociando dia após dia, crise após crise. Outro ponto a ser extraído desta frase é de cunho emocional. Quando afirmo que “o mercado não opera da mesma forma que julgamos ser a mais correta para nós mesmos” procuro fazer as pessoas pensarem fora da zona de conforto. Pare um minuto para refletir sobre como você acompanha o mercado (gráficos, indicadores, book de ofertas, etc.) e reflita sobre o conjunto de fatores que te motivam operar (conjunto de sinais que geram um sinal de compra, venda e stop tanto no lucro quando no prejuízo). Por favor, anote brevemente no espaço abaixo: _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________

Agora gostaria que estimasse e anotasse quantos players olham para o mercado exatamente como você olha e utilizam o mesmo conjunto de fatores descritos acima. Para ajudá-lo na estimativa darei algumas dicas: Quantas ordens costumam surgir no mercado ao mesmo tempo em que você coloca uma ordem de compra/venda? Caso você agrida o comprador ou vendedor, quantas ordens costumam ser enviadas ao mercado no mesmo instante que a sua? Ao entrar no mercado, qual sua impressão mais evidente e frequente: “entrei certo” ou “podia ter entrado melhor”? _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________

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Você já tinha pensado sobre isso? Este tipo de questionamento te ajuda a perceber que o mercado é muito maior do que centenas de traders olhando para mesma tela, para o mesmo gráfico e esperando um mesmo conjunto de fatores para atuarem. Vejamos um exemplo: Imagine como o tesoureiro do maior banco privado do país toma sua decisão para entrar em determinado mercado. Será que da mesma forma que você descreveu acima? Esperando algum rompimento de preço, esperando sinalização nos indicadores técnicos, ou seja, esperando um setup ser acionado? Bem difícil de acreditar nisso não acha? Muito provavelmente o processo decisivo de um trader deste porte envolve os seguintes pontos: - Avaliação pessoal do cenário e do ativo (fundamentos); - Publicação de notícias/informações avaliação do cenário/ativo;

capazes

de

influenciar

a

- Intervenção de governo, órgãos ou empresas; - Informação privilegiada; - Obrigação/necessidade; - Atuação dos demais players. A questão aqui é que há players que são price makers, ou seja, possuem tamanho suficiente para movimentar os preços exclusivamente pela decisão de comprar ou vender e price taker, ou seja, players que não possuem lotes suficientes para consumir toda liquidez de um determinado nível e de alterar o rumo dos preços. Esta definição é muito importante, pois determina inclusive, a escolha do estilo/conceito operacional a ser usado como embasamento do processo decisório. Price makers, naturalmente devem ter opinião, análise e expectativa sobre a direção futura dos preços. Estes players geralmente são bem relacionados, possuem acesso à informação e contam com uma experiente e significativa área de economia e análise que os ajuda a identificar probabilidades na ótica macrofundamentada. Estes players se preocupam mais com o que vai acontecer do que com o que já aconteceu. Os price takers, por sua vez, não possuem o mesmo grau de relacionamento e muito menos acesso às áreas de economia e análise que os grandes players possuem. Essa “desvantagem” de acesso à informação naturalmente gera uma “desvantagem” na esfera analítica, ou seja, tornando qualquer opinião ou expectativa um pouco mais atrasada. Estes players são forçados, tanto pela

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desvantagem de informação quanto pela movimentação dos price maker no mercado, a embasarem suas análises mais em dados correntes sobre o próprio ativo do que em expectativa sobre o que vai acontecer baseado em cenários. O que quero dizer aqui é que o price maker tem condições de avaliar os fundamentos e criar uma expectativa sobre a direção dos preços, enquanto o price taker não possui, ou possui grande desvantagem. Traduzindo em português mais claro, o processo decisório do price taker é baseado em conceitos ou estilos operacionais que dependam de extrair informação do próprio mercado que está operando.

5.2

ESTILOS DE ATUAÇÃO OU CONCEITOS OPERACIONAIS

No mercado há pelo menos 15 estilos de atuação ou conceitos operacionais, onde praticamente todas as estratégias de todos os players se enquadram. Eles foram separados por conceito, ou seja, pela lógica de atuação. Não significa afirmar que dentro de cada estilo, haja apenas uma forma de atuação, pelo contrário, pois em vários estilos, as formas de atuação podem variar bastante e inclusive ser antagônicas. Nosso objetivo neste tema não é ensinar e muito menos provar a eficácia de cada um dos estilos, mas sim citá-los. O foco desse material é o estilo de “Análise do Fluxo das Ordens” por ser o conceito mais adequado ao trader ativo, conforme veremos adiante. Vamos aos conceitos: - Análise Fundamentalista (valor/cenários mentais) - Abordagem Intermercados - Hedger - Arbitrador sem risco - Travado - Trend Follower - Trade de Bandas (princípio de reversão à média) - Ciclos e Sazonalidade - Reconhecimento de Padrões

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- Estatístico & Indicadores Técnicos - Price Action - Seguidores de ordenações da natureza - Algoritmos – (todos os tipos) - Market Maker – raro no Brasil - Análise do Fluxo de Ordens

Cada um dos estilos ou conceitos operacionais listados acima requer crenças particulares. Isso que dizer que para o trader adotar o estilo de trend following, por exemplo, deve acreditar nas premissas básicas deste estilo, como a de que os preços se movem em tendência. Já o trader que adote o estilo de reconhecimento de padrões deve acreditar na premissa de que há certos padrões de comportamento no mercado. Segundo Van Tharp, reconhecido coach de traders, nós não operamos os mercados, mas sim as crenças que possuímos sobre ele. Pare para pensar sobre o que te motiva comprar ou vender? Certamente chegará à conclusão que se baseia em alguma crença pertencente à sua estrutura de pensamento. Este tema daria muito “pano para manga” por diversos motivos. Um deles é justamente qual é o melhor conceito. Depende em qual categoria de trader você se encaixa. Se for um trader institucional de mesa proprietária de um fundo ou banco, muito provavelmente a análise fundamentalista será o pilar principal se sua tomada de decisão. Obviamente há possibilidade de unir estilos, mas as crenças primárias deverão ser mais energizadas nas características exigidas pela abordagem de fundamentos. Já um trader pessoa física, por exemplo, dificilmente terá sucesso com abordagem fundamentalista, pois, não terá acesso aos mesmos recursos (contatos e projeções) que os institucionais possuem. Melhor ou pior é sempre relativo! Entretanto, há sim alguns conceitos ou estilos mais ou menos coerentes com a natureza inquestionável dos mercados, que são imprevisibilidade, singularidade do momento e dinâmica de atuação entre players variável. Há estilos de atuação que não corroboram com as premissas do próprio mercado. Os estilos de reconhecimento de padrões ou mesmo o de ordenações na natureza, por exemplo, implicam crenças de padronização, as quais são extremamente apostas às características de imprevisibilidade e singularidade do momento presentes no mercado.

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Neste momento acredito que esteja fazendo esta pergunta: “Mas, se há estilos com crenças não coerentes com a realidade do mercado, por que este estilo é válido?” De fato é uma ótima pergunta. Ficaria muito difícil de tentar impor ou provar conceitos sem dados concretos. No dia a dia, os mercados apresentam diversas oscilações e oferecem ilimitadas oportunidades. Quando você olha para os movimentos do mercado após o fato, parece fácil de fazer qualquer quantidade de dinheiro. Muitos caem na armadilha de olhar para trás e exercitar de forma imaginária, o que teria feito em determinada ocasião. Porém, muitos se esquecem da magnitude de discrição que deve ser aplicada em cada operação virtual para que o resultado desejado se encaixe na história. Não duvido que existam traders vencedores que adotam conceitos/estilos com premissas menos coerentes em relação à natureza do mercado, mas também não conheço nenhum. Durante minha experiência como trader e também como funcionário da maior corretora de valores especializada em traders pessoa física, nunca conheci um trader consistente que não adotasse, ou pelo menos considerasse a análise de fluxo de ordens como método13. Foram milhares de pessoas físicas que dedicaram algum tempo à atividade. Alguns simplesmente pararam por não verem perspectiva, outros acabaram perdendo tudo enquanto uma minoria obtém resultados consistentes até hoje. Essa minoria só existe e sempre vai existir porque olha o mercado sob uma ótica totalmente diferente dos demais. Nas próximas páginas você entenderá o que significa pensar diferente.

5.3

DEFININDO UMA OPORTUNIDADE

Pressuponho mais uma vez que você é um trader ativo e price taker, ou seja, que atue com lote que não impacte o mercado e que embasa suas análises, exclusivamente, em informações geradas pelo próprio mercado que opera. Mais uma vez tomo a liberdade de te perguntar: Para você, o que significa uma oportunidade de ganhar dinheiro? Não é para descrever novamente o seu setup, como já foi feito páginas atrás, mas sim para descrever o porquê de existir uma oportunidade. Quem gerou essa oportunidade, quem percebe e quem se aproveita dela? Quem perde com ela? Por que ela ocorre?

13

Ou pelo menos adotavam Fluxo de Ordens como parte integrante do processo.

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Pode parecer abstrato e difícil de responder, mas gostaria do seu esforço. Esses constantes autoquestionamentos são cruciais para que você comece a entender o que o mercado é e não o que você gostaria que ele fosse. Independentemente do que respondeu o importante é que tenha escrito algo.

5.3.1

PERSPECTIVA INDIVIDUAL

Sob a ótica da perspectiva individual, o trader, busca individualmente levar em conta as variáveis ou combinações de variáveis que compõem o conjunto de fatores que determinam uma oportunidade. Ou seja, sob essa ótica, cada trader possui isoladamente um método e uma calibragem do método para acompanhar e interagir com o mercado. Todos os 15 conceitos ou estilos operacionais permitem perspectiva individual, sendo que o grau de individualidade tanto no acompanhamento do mercado, quanto na forma de interagir costumam variar de trader para trader. Vamos ver alguns exemplos: Primeiro: Imagine que você utilize análise fundamentalista como conceito ou estilo operacional. Agora imagine que o seu processo decisório envolva basicamente comprar papéis de empresas que estejam negociando a um determinado desconto sobre o valor contábil das ações. Obs: não quero questionar esse método, mas apenas dar um exemplo. Quem define o desconto sobre o valor contábil é você! Por mais que faça um estudo do histórico de desconto sobre o valor contábil e otimize o desconto que melhor justificaria uma compra no passado, o processo de escolha é seu. Talvez só você no mundo esteja olhando para essa variável (Preço sobre valor patrimonial) e para essa magnitude de desconto (20%, por exemplo).

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Segundo: Imagine que você é um Trend Follower, ou seja, acredita nas crenças que a abordagem de “seguidor de tendência” requer. Imagine também que utilize cruzamento de médias como setup (conjunto de fatores que definem uma oportunidade). Quem define qual a melhor combinação de médias para indicar uma compra ou venda? Você! Independentemente de ter aprendido em um curso, em um chat ou de ter otimizado em um sistema, você é quem escolhe a melhor combinação de médias. Talvez só você no mundo esteja olhando e se balizando nessa combinação específica de médias. Terceiro: Imagine-se operando no conceito de reconhecimento de padrões. Nesse conceito, cabem análises de candlesticks, formações gráficas e algumas outras. Já parou para pensar quem escolhe o grau de inclinação máximo que um neckline de um Ombro Cabeça Ombro deve ter, por exemplo? São todas variáveis que você escolhe, através de aprendizado ou através da prática, mas que podem ser somente suas. Quarto: Este último exemplo reflete o extremo da perspectiva individual. Os traders que acreditam nas crenças exigidas pelo conceito de “ordenações da natureza” costumam ter as crenças mais singulares e individuais possíveis, pois o nível de subjetividade dos instrumentos utilizados neste estilo é muito alto. Quem utiliza este conceito costuma trabalhar com números de Fibonacci, ondas de Elliott, fractais e todos os seus derivados. Estes instrumentos permitem uma subjetividade extrema no acompanhamento e consequente análise do mercado, pois, cada trader vê o que quiser ver. Cada trader aplica o Fibonacci no tempo gráfico que quiser, encaixa o Fibonacci no trecho que quiser, ou seja, faz o que a ferramenta gráfica permitir. Novamente vai a frase: Talvez só você no mundo esteja vendo isso! Quando você olha para o mercado com crenças muito específicas a chance de confundir versão (sua análise) com verdade (informação que o mercado efetivamente esta gerando) aumenta muito. Por mais que você teste e valide estatisticamente o seu método ou setup, os mercados estão em constante processo de transformação o que pode tornar seu método, obsoleto. Lembre-se: cada negócio (tick), cada alteração de oferta de compra e venda, tudo é novo. Além de tudo ser novo, não há limite para o próximo movimento, pois, o limite para o mercado andar é o limite que apenas um trader estabelecer naquele momento. Singularidade e imprevisibilidade são características inevitáveis e intrínsecas à natureza dos mercados, mas são crenças muito difíceis de serem levadas em conta em praticamente todos os conceitos ou estilos operacionais, quando se olha da ótica de perspectiva individual.

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Se você opera sob ótica individual, mesmo que inconscientemente, a chance é grande de você ficar no seu mundo. É grande a chance de filtrar a informação do mercado com suas crenças específicas e de desconsiderar as variáveis que não podem ser vistas. Outro aspecto, é que mesmo de forma inconsciente, você acaba querendo estar certo em sua análise. Quando queremos algo, automaticamente criamos expectativa. Está lembrado das consequências psicológicas decorrentes das expectativas? Quando o resultado de nossa ação supera as expectativas sentimos uma sensação boa, entretanto, quando o resultado de nossas ações não atinge nossas expectativas costumamos sentir frustração, dor e etc. Quando as variáveis que definem uma oportunidade estiverem presentes, sua atenção tende a voltar 100% para o resultado de sua operação, tornando-o “cego” para perceber qualquer outra informação que o mercado pode eventualmente enviar, pois você só sabe ver o mercado pelo “seu” método. Isso tudo pode parecer controverso ou sem sentido num primeiro momento. Você deve se perguntar, como pode alguém operar sem um viés analítico, ou como pode alguém operar sem esperar estar certo, sem opinião? O ponto chave é: quando você é um trader ativo e price taker (seu lote não influencia o mercado), por melhor que seja o seu método ou sua análise é praticamente impossível prever ou antecipar todas as possíveis combinações que o mercado irá fazer, é praticamente impossível se adaptar às mudanças constantes de dinâmica de mercado e pior, é muito difícil de sentir o fluxo dos mercados14. Trader ativos consistentes preferem simplesmente se render ao fluxo dos mercados a analisar de forma rígida e individual. Se render ao fluxo dos mercados significa estar em paz com qualquer movimento que o mercado fizer, significa aceitar sem nenhuma resistência interna (dor, frustração, ansiedade etc.) os movimentos de preço feitos pelo mercado. Para sentir o fluxo dos mercados é necessário operar sob uma perspectiva diferente, sob influência de um conjunto de crenças, muitas vezes, diferentes das crenças que a maioria de nós possui. Meu papel nesta parte do material é fazê-lo parar para pensar que existem outras oportunidades de comprar e vender no mercado, as quais você ainda não percebe por potencialmente estar preso às relações de causa e efeito (crenças) que aprendeu ou desenvolveu. Está lembrado quando fizemos a seguinte pergunta no começo do

14

Os mercados, por mais erráticos que sejam, por muitas vezes possuem um fluxo.

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material: “quem opera entre os seus setups”? É a partir daqui que falaremos sobre essas possibilidades.

5.3.2

PERSPECTIVA COLETIVA - Objetividade

Os pontos que mais me chamavam a atenção enquanto eu ainda era analista (enquanto eu apenas analisava o mercado sob a perspectiva individual) era a capacidade de traders ativos atuantes conseguirem obter resultados consistentes, mesmo em condições de mercado adversas e muitas vezes, imprevisíveis sob a ótica da minha análise. Eu não conseguia achar explicação para a capacidade de eles ganharem dinheiro de forma consistente, sem nenhuma habilidade analítica. Talvez essa tenha sido a grande causa que me motivou a aprender o trading ativo. Quando comecei a modelar os traders de sucesso reparei que todos pensavam de forma muito similar. Essa percepção não se restringia à forma de pensar, mas também a forma de agir. Eu olhava o book de ofertas e reparava que era muito comum haver concentração de ordens da mesma corretora em determinados níveis de preço. Reparava que ao acontecer determinados eventos, uma série de ordens disputavam colocação em determinados níveis de preço, ou seja, vários traders pensavam e agiam quase que simultaneamente. O tempo foi passando e aos poucos fui largando as amarras que me prendiam ao viés analítico. Percebia que por melhor que fossem minhas análises, a maioria das vezes eu não estava em sintonia com o fluxo do mercado, mas sim “torcendo” para acontecer o movimento que eu esperava. Permiti cada vez mais olhar o mercado sem esperar nada dele, simplesmente aceitando o fluxo. Aceitar o fluxo dos mercados fazia com que a sensação de “torcida” ficasse cada vez menor. Cada vez mais parava de focar no futuro e focava no presente. Quer dizer que fui parando de me preocupar em prever o que ia acontecer e comecei a aceitar e reagir ao que estava acontecendo, no momento. Cada vez mais fui percebendo oportunidades que até então eram invisíveis, pelos gráficos ou pelas análises que eu utilizava e cada vez mais fui percebendo como outros traders operavam. Descrevi essa introdução acima, justamente, porque muitos leitores já possuem crenças estabelecidas sobre a forma de interação com o mercado. Se quiserem começar a sentir o fluxo dos mercados de forma sistemática o caminho será o mesmo. Para os leitores que não possuem crenças já estabelecidas, o caminho será menos custoso.

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Ok, mas o que é a perspectiva coletiva? Olhar o mercado pela perspectiva coletiva significa filtrar e perceber as mesmas informações de forma coletiva. Não significa necessariamente saber o que os demais traders (price makers) irão fazer, e nem porque eles estão operando, mas sim ler o mercado da mesma forma com que todos o fazem. Você deve estar perguntando: mas como isso é possível? Como é possível ler o mercado da mesma forma que outra pessoa? A resposta é: ter as mesmas crenças. Uma das principais formas de modelar ações de outras pessoas é modelar suas crenças. Nesse caso, qual a principal crença dos traders que operam sob a perspectiva coletiva? A crença dominante é o fato de não haver melhor forma de refletir o comportamento do mercado do que acompanhar o fluxo das ordens, ou seja, se “tomaram do vendedor” ou se “bateram no comprador” ponderados pelas variáveis de intensidade, agressividade e circunstância. Quando você acreditar sem a menor sombra de dúvidas nessa forma de olhar o mercado, você automaticamente focará no momento e passará a reagir ao invés de prever. Vou dar um exemplo: Imagine uma opção de Petrobrás com o seguinte retrato: 300.000 lotes na compra a 0,3 e 350.000 lotes na venda a 0,31. Agora imagine que um trader tenha clicado para “tomar” os 350.000 lotes a 0,31, ou seja, agrediu o vendedor por aceitar pagar 0,31. Concorda que este evento é inquestionável? Não tem como alterar essa leitura, pois, efetivamente alguém tomou 350.000 lotes a 0,31. Não estou afirmando que a sua reação de comprar ou vender é lógica, pois não é. Apensar de ter existido uma agressão de compra (fluxo) intensa, não sabemos em qual circunstância ocorreu, portanto, não podemos afirmar se é para comprar. A questão é: todos percebem e consequentemente levam em conta que alguém tomou 350.000 lotes a 0,31. Agora eu gostaria que você refletisse sobre como você perceberia essa informação em qualquer outro sistema analítico, que não seja a Análise de Fluxo de Ordens. Certamente difícil de responder. Concorda que é muito diferente de olhar o mercado através de cruzamento de médias? Quando podemos dizer que a média cruzou? Depende do tempo gráfico que você esta usando e pior, depende da combinação de médias que você esta usando. Qualquer conceito muito voltado à perspectiva individual torna-se questionável. Esse processo de olhar o mercado pelo conceito de Análise do Fluxo de Ordens será lento. Não é algo rápido, pois exige treino e adaptação visual. Contudo, permita-se fazer o exercício de tirar todos os gráficos e indicadores de sua tela e apenas ler o mercado através

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do book de ofertas e histórico de negócios15. Repare se estão “tomando” ou “batendo” e se de forma agressiva, intensa e em qual circunstância. Faça esse exercício por alguns dias e repare a diferença de perspectiva. Após alguns dias você irá perceber o fluxo das ordens pendendo para a compra ou venda. Vai perceber as inversões de fluxo, ou seja, quando param de bater e tomam de forma intensa e agressiva e irá perceber as circunstâncias em que as agressões ocorrem. Aos poucos irá perceber em quais níveis de preço valeria estar comprado, vendido ou fora do mercado. Faça o exercício e permita-se sentir o fluxo. De forma resumida, a diferença entre as perspectivas é muito sutil. Quando você olha o mercado através de algum método, setup ou qualquer combinação de variáveis rígidas, ou seja, sob perspectiva individual, você tende a querer que o mercado preencha suas expectativas pessoais. Como já vimos, expectativas são crenças projetadas e o que define a intensidade dessa crença é a quantidade de energia armazenada sobre ela. Se nossas expectativas não são atingidas sentimos dor, frustração, stress, medo etc. Esses estados mentais acima tem potencial de alterar nossa estrutura de percepção, o que nos fará olhar para o mercado de forma diferente, de forma a evitar o que não gostaríamos que ocorresse. Dessa forma, concorda que não estaremos sob condições adequadas de avaliar e muito menos de operar? Agora, quando olhamos para o mercado sem nenhum viés analítico, ou seja, apenas lendo o que está acontecendo, naturalmente não temos expectativa sobre a direção futura dos preços. Não esperamos nada do mercado, pois aceitamos qualquer movimento que ele faça. Com essa perspectiva coletiva, qualquer que seja a direção dos preços, não haverá frustração de expectativa, pois você não estará querendo nada. Se não há frustração não há porque haver dor, stress, medo etc. Muitos de vocês até agora poderiam achar que a maior habilidade de traders ativos (price takers) consistentes era a capacidade de prever a direção futura dos preços. Por incrível que pareça o trader ativo consistente opera com uma cabeça de não ter que saber o que vai acontecer. Os melhores traders preferem ficar no fluxo porque não tentam tirar nada do mercado, ou seja, preferem simplesmente aceitar o que o mercado tem para oferecer a cada momento. Isso porque suas crenças em imprevisibilidade e singularidade do momento são tão fortes e energizadas que inibem qualquer tentativa de previsão, mesmo que o método seja testado e 15

Mesmo que você esteja usando o Plugin Tape Reading, nós sugerimos que dê os primeiros passos através da leitura crua do Book e Times and Trades.

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pareça excelente. A única forma de interagir com os mercados, portanto, não seria analisando e formando opinião, mas sim reagindo a cada negócio, reagindo a cada alteração de oferta de compra ou venda e aceitando o fluxo do momento.

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SINCRONIZANDO A MENTE COM O FLUXO DOS MERCADOS

Sincronizar a mente com o fluxo dos mercados significa ler a consciência coletiva dos participantes do mercado através das mesmas crenças. É como se não houvesse separação entre a sua leitura de mercado e a leitura dos demais traders. Nada que o mercado faça tem o potencial de gerar algum tipo de sensação em você, porque você está, simplesmente, em conformidade com o fluxo. Aceitar o fluxo dos mercados é uma tarefa muito difícil, para a maior parte de nós, justamente por conta das nossas crenças. Em quase todas as atividades cotidianas, sentimos quase que obrigados a interferir no meio ambiente. Não que isso seja errado, pois é assim que a vida funciona, porém, quando se trata do mercado somos meros telespectadores. Vou dar alguns exemplos que ajudarão, de maneira análoga, a perceber as diferenças. Se fossemos preparados para aceitar o fluxo do mercado, ou seja, se tivéssemos as crenças de base que nos permitissem sentir o fluxo, muito provavelmente agiríamos dessas formas em tarefas cotidianas: - aceitaríamos críticas (desde que coerentes) com naturalidade e espontaneidade 100% das vezes; - seríamos bons ouvintes; - aceitaríamos novidades, mesmo que desagradáveis, sem restrições ou reclamações; - assumiríamos a culpa com maior frequência, quando fosse pertinente; - não tentaríamos mudar algo que não pode ser mudado. Essas são apenas algumas analogias entre cotidiano e trading, que busquei fazer. Volto a dizer, em nossas vidas, nós temos e devemos buscar controle em determinadas situações. Entretanto, quando se trata de interação com os mercados, esse tipo de estrutura de crenças não funciona, justamente, porque independentemente de quanta energia ou expectativa você deposite, você não mudará a história. As ordens vão continuar fluindo e consequentemente os preços continuarão oscilando, independente da sua vontade. Dessa forma, deve existir uma mudança de foco, do mundo externo para o mundo interno, sendo que a única coisa que você pode e deve controlar é exclusivamente você mesmo.

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Se pudesse resumir em uma frase o principal artifício para sincronizar a mente com o fluxo dos mercados seria: olhar para o mercado sem a menor preocupação. Não estar preocupado significa não precisar acertar, não ter medo de errar, não ter medo de perder dinheiro, não precisar provar nada a ninguém, não precisar ganhar dinheiro, não precisar recuperar prejuízo e etc. “Despreocupado” é um estado neurofisiológico que te permite ler, perceber e aceitar os movimentos de mercado de uma forma fiel à realidade, além de manter sua expectativa sobre a direção futura dos preços, absolutamente neutra. Ok, mas como manter um estado despreocupado e operar sem expectativa com toda essa imprevisibilidade do mercado? As soluções para os problemas mentais do trading ativo começam a partir daqui. Para manter um estado despreocupado e consequentemente as expectativas neutras, você terá que alterar sua estrutura primária de crenças sobre a natureza do mercado. Esse conjunto novo de crenças fará com que você opere totalmente alinhado com a realidade do mercado permitindo manter o estado despreocupado.

6.1 Estrutura primária de crenças:

Abaixo segue a lista com as seis crenças primárias que deverão ser incorporadas. Explicarei a importância de cada uma e posteriormente discutiremos como incorporá-las à sua estrutura de pensamento.

- Imprevisibilidade - Singularidade do momento - Você não precisa saber o que vai acontecer para ganhar dinheiro - Cada erro te deixa mais perto do acerto - Qualquer oportunidade nada mais é do que uma probabilidade - O foco é no jogo e não no dinheiro

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6.1.1 Imprevisibilidade

Esta lembrado do segundo capítulo quando falei de natureza de mercado? A crença em imprevisibilidade é importantíssima e essencial para seu desenvolvimento. De forma resumida, o mercado reflete a somatória de cada crença de cada trader individualmente, sendo que o limite para o barato e caro é o limite que, pelo menos um trader no mundo, julgar. Dessa forma, basta apenas um trader dar ou executar uma ordem para o mercado continuar “tickando” para cima ou para baixo. Não há limite para isso. Dessa forma, a energia potencial para o mercado continuar subindo ou caindo depende, no limite, apenas de um trader. Concorda que essa é uma variável totalmente incontrolável e imprevisível de nossa parte? Dessa forma, por mais que seu setup seja perfeito, por melhor analista que você seja e por melhor que você consiga ler o fluxo das ordens, uma vez que você entra na posição o resultado do seu trade não depende de você e sim da ação dos demais traders, sobre os quais você não tem o menor controle.

Quando você acreditar fielmente que tudo pode acontecer, não existirá mais aquela sensação ruim de operar com medo e tentando evitar perder, pois você estará preparado emocionalmente para “errar”, além disso, você estará preparado emocionalmente para aceitar que, por mais que sua compra ou venda pareça perfeita algo pode mudar e negar o potencial de ganho do seu trade. Basta um trader clicar para mudar o rumo da história.

6.1.2 Singularidade do momento

No começo do material falei sobre imprevisibilidade, singularidade do momento e dinâmica de mercado. Basicamente estes três conceitos fazem com que o mercado se comporte de uma forma totalmente diferente do comportamento das demais situações que costumamos encontrar em nossas vidas. Esse exemplo específico de singularidade do momento é o que mais diverge de praticamente tudo que estamos acostumados. Nós aprendemos a criar uma relação de causa e efeito para quase tudo na vida. Para nós tudo tem uma explicação, tudo é justificável. Dessa forma, quanto mais vezes e quanto mais intensas forem essas relações de

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causa e efeito, mais energizadas serão nossas crenças. Consequentemente mais energizadas serão nossas expectativas sobre tais crenças. Vou mais uma vez aplicar esses conceitos ao mercado. Imagine que um trader ainda não acredite nos conceitos da natureza de mercado (especialmente em imprevisibilidade e singularidade do momento). Agora gostaria que você pensasse sobre como este trader costuma definir uma oportunidade para operar, independentemente do estilo ou do conceito operacional que adote. Quero dizer: qual é o caminho mais lógico e que a maioria dos traders percorre antes de operar? Como buscam identificar o conjunto de fatores e variáveis que geram uma oportunidade? A resposta mais comum costuma ser: “A maioria busca padrões através dos gráficos”. Se você realmente prestou atenção na leitura e se permitiu aceitar uma opinião diferente, você já deve saber o que tem de errado com esse raciocínio comum descrito acima. O primeiro problema é de percepção e deriva do fato de o gráfico não refletir fielmente o que é o mercado. Dessa forma, o gráfico, por si só não é causa e nem fator que possa explicar os movimentos de preço. O segundo problema e tema desta parte do material deriva do fato de não haver “padrão” no mercado. Em várias situações e em vários momentos tendemos a acreditar que existe um comportamento repetitivo e que identificando esse comportamento teremos um setup e poderemos ter vantagem no mercado. Isso é meia verdade! É um pouco verdade, pois, há sim pequenos padrões de comportamento no mercado e que são identificáveis e aproveitáveis, contudo, esses padrões fatalmente irão desaparecer. Irão desaparecer porque a dinâmica do mercado muda e sempre será assim. Para te recordar listei novamente os itens que compõem a dinâmica de mercado: - Quem opera, por que opera e como opera? - O que, de fato, move e o que tem potencial de mover os preços? - Qual a relação de causa e efeito atual (cenário econômico)? - Se é mercado de fluxo ou volatilidade (quantidade de lotes na tela); - Participação de day trade no volume total do dia; - Nível de aposta dos players (se estão apostados na compra/venda e quanto);

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- Grau de operabilidade (quantas oportunidades o mercado faz disponível); - Quantidade de players “parceiros” (grau de divergência de opinião); - Grau de elasticidade (o quanto retorna a cada inflexão de preço). Todos estes conceitos são mutáveis e, portanto, cada negócio, cada alteração de oferta de compra e de venda são ocorrências únicas. É impossível replicar com exatidão uma situação no mercado, considerando todas as variáveis acima. Se você ainda não esta convencido vou apresentar outra forma de pensar. Atualmente há cerca de 500.000 cadastros de pessoas físicas na bolsa de valores. Não sabemos ao certo quantos cadastros institucionais, mas certamente esta na casa de milhares. Será que alguma vez na vida a posição (comprada ou vendida) de cada um desses players será exatamente a mesma? É impossível. A cada negócio, a posição de alguns desses players já não é mais a mesma fazendo com que a energia potencial do mercado se altere. Isso, por si só, já corrobora com o princípio da singularidade. Sei que é difícil de mudar de perspectiva de uma hora para outra, mas você terá que passar por isso. Singularidade do momento não é minha versão sobre o mercado, é uma verdade. Dessa forma os traders consistentes preferem se render ao fluxo dos mercados a tentar achar um padrão. Acreditar no novo em conjunto com a crença em imprevisibilidade te força naturalmente a focar no presente, ou seja, no fluxo do momento. Imprevisibilidade e singularidade também são crenças que te permitem neutralizar expectativas. Repare: Se sua crença em imprevisibilidade e singularidade do momento for mais energizada que sua crença na capacidade de previsão do seu método concorda que fica praticamente impossível de criar expectativa sobre se vai subir ou cair? Não estou sugerindo que você tenha que duvidar ou não acreditar no seu método, pelo contrário. Entretanto, estou afirmando que se você não considerar as variáveis desconhecidas e incontroláveis (atuação dos demais traders) você sempre ficará frustrado quando seu trade der errado. Uma frase que reflete e ajuda nesse dilema de confiar no método e ao mesmo tempo acreditar em imprevisibilidade e singularidade é: “esperar o melhor, mas preparado para o pior”. Ao mesmo tempo em que você confia no que faz, qualquer que seja o seu método (sugiro que seja análise de fluxo de ordens) você também acredita que as indicações são apenas probabilidades e que o resultado do seu trade

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não depende somente da sua avaliação, mas sim da interação de outros traders.

6.1.3 Não é necessário saber o que vai acontecer para ganhar dinheiro

Um dos erros emocionais mais comuns entre traders é a necessidade de acertar um trade isoladamente. Na maioria dos casos a carga emocional depositada em um único evento é muito grande, ou seja, se o trade for positivo a energia é igualmente positiva, por outro lado, se for perdedor a energia emocional depositada sobre a perda também tende a ser grande. Por este motivo, traders comuns são viciados em análise de mercado tendendo cada vez mais à perspectiva individual. Eles partem do pressuposto que só ganharão dinheiro no day trade se conseguirem adivinhar o que vai acontecer. Dessa forma tentam todos métodos, setups, calibragem possíveis a fim de encontrar a coisa mais próxima de uma fórmula mágica. Por outro lado traders ativos consistentes acreditam que não é necessário prever o futuro para ganhar dinheiro. Acreditam nisso porque confiam no método e na habilidade de ganhar dinheiro com esse método. Por mais que um ou outro trade dê errado é só continuar seguindo a estratégia que operações boas virão. A melhor analogia que encontrei até hoje e que utilizo nos cursos é comparar trading ativo à jogar moeda (cara ou coroa). Quando se joga moeda, não se tem expectativa sobre se sairá cara ou coroa, pois acreditamos indiscutivelmente em resultado incerto. Por mais que o resultado de cada jogada seja incerto, sabemos que se continuarmos jogando a moeda as chances de acertarmos aumentam. Quanto mais jogarmos, mais chances para acertarmos. Pense no seguinte exemplo: Imagine que você tenha que jogar moeda todos os dias e que ganhe, se acertar no acumulado das jogadas, pelo menos uma vez ao dia. Você pode parar de jogar a hora que quiser, não é necessário jogar todas as vezes que o jogo permitir. Quantas chances você gostaria de ter? Uma ou várias? Obviamente várias, não é mesmo? Isso porque, quanto mais jogadas mais chances de usar a probabilidade a seu favor e conseguir, no acumulado das jogadas acertar o lado que escolheu. Como aplicar isso ao trading ativo? Primeiramente você precisa acreditar em resultado incerto e para isso precisa adotar as crenças em imprevisibilidade e singularidade do momento. Dessa forma, você

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só precisará confiar no método operacional para tirar proveito da quantidade de eventos. Ok, até aqui tudo bem, mas como confiar sem sombra de dúvidas no método? Sem dúvidas esse é outro foco de problemas para a maior parte dos traders. Como já vimos, a maioria dos traders utilizam gráficos ou indicadores técnicos para tomar a decisão. Vimos também que estes instrumentos não refletem a realidade e, portanto, não são bons “explicadores” para o movimento de preço. Dessa forma, é de fato bem difícil de acreditar no método, até porque a dinâmica de interação entre os players muda constantemente, alterando consequentemente a forma de definir uma oportunidade de ganharmos dinheiro. Quando você adotar o fluxo de ordens como método perceberá que confiança é apenas uma questão de tempo. É uma questão de conseguir agir sobre o que você percebe no fluxo do momento. Não haverá mais dúvidas, pois você estará apto a ver a corrosão (agressão) das ordens nas filas da compra/venda e terá discrição quanto à intensidade, agressividade e circunstância desses negócios.

6.1.4 Cada erro te deixa mais perto do acerto

Esta crença é muito alinhada à anterior no sentido de exigir do trader, uma confiança inabalável no método. Desde que você consiga enxergar o fluxo do mercado, seu trabalho não será mais acertar. Será apenas seguir. Desta forma basta apenas executar as ordens a cada vez que a combinação dos fatores (sugiro que sejam os fatores estudados na análise do fluxo de ordens) estiver presente. Com este raciocínio, por mais que sua operação ora ou outra dê errado, não há porque hesitar em executar a próxima operação, já que o que define sua oportunidade não é a estatística, mas sim o fluxo. A cada operação errada estaremos mais próximos de acertar, pois, reduzimos a probabilidade de ocorrência do imprevisível aumentando o número de eventos com chances a nosso favor. O trader comum tende a fazer justamente o contrário, ou seja, vai ficando cada vez mais preocupado e assustado a cada perda. Com esse pensamento, cada operação perdedora contribui negativamente para solidificar sensações, estados e crenças. Não podemos nos esquecer de que a maior parte dos traders pessoas físicas tomam decisão em cima de variáveis que não representam adequadamente o mercado. Talvez esse seja um dos grandes motivos de pensarem dessa forma. Por exemplo, se você opera nos cruzamentos das

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médias 8 períodos com 21 períodos, você até pode confiar no método por um tempo, justamente enquanto essa calibragem estiver funcionando. Mas, se o mercado reduzir a frequência de oscilação, ou seja, passar a oscilar menos, por exemplo, concorda que a dinâmica de negociação pode mudar e sua estratégia parar de funcionar? Como acreditar que cada erro te deixa mais perto do acerto se o seu método fatalmente terá que ser reformulado, mais dia menos dia? A “desconfiança” surge do fato de você saber que em algum momento terá que haver um toque de discrição, seja reavaliando a estratégia, descartando-a ou simplesmente continuar executando. Confesso que eu demorei em assimilar o porquê de os melhores traders com quem convivi continuarem executando ordens mesmo que estivessem perdendo dinheiro no dia. Só aprendi a pensar assim e incorporei à minha estrutura de crenças quando definitivamente adotei o fluxo de ordens como método e quando tive experiências positivas simplesmente executando as ordens sem hesitar. Houve diversos dias em que tive operações seguidas perdedoras e continuar executando as ordens toda vez que uma oportunidade estava presente se mostrou a melhor saída. É nesses dias que você solidifica a crença na sua capacidade de ganhar dinheiro.

6.1.5 Qualquer oportunidade nada mais probabilidade

é do que uma

Independentemente de como você acompanhe o mercado de qual perspectiva adote e de qual seja o seu setup, tudo que você define como oportunidade nada mais é do que uma probabilidade. Mesmo que você só olhe o fluxo das ordens e que faça isso com maestria, ainda assim os sinais devem ser encarados como prováveis. Já discutimos sobre isso quando falamos de imprevisibilidade, pois por melhor que o seu sinal seja ou pareça, basta um trader para negar o potencial de ganho e mudar a história. Só um trader! Sendo assim a melhor maneira de encarar o trading não é depositar “esperança” em um trade, isoladamente, mas sim na sequência de trades. Há vários fatores desconhecidos e incontroláveis no mercado e justamente por isso, o foco deve ser cumprir o plano e não acertar uma jogada. Se você depositar energia em cada trade, as emoções tomarão conta de você e mesmo que não perca dinheiro, o stress irá tirá-lo do jogo. Sempre faça avaliações da sequência de operações, nunca de uma

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especificamente. Só após uma série de operações você será capaz de distinguir sorte de estratégia e também será capaz de distinguir os tipos de erros, sobre os quais falaremos mais adiante.

6.1.6 O foco é no jogo e não no dinheiro

“Dinheiro nunca foi uma grande motivação para mim, e sim uma espécie de placar. O que realmente estimula é jogar”. Donald Trump Há várias frases como esta não só na literatura corporativa, mas sim entre traders reconhecidos. Aliás, eu ouvi uma frase que marcou e carrego até hoje: “separe sua vida pessoal, do trade”. Mais uma vez tenho certeza de que o axioma “separe sua vida pessoal, do trade” soa vago, assim como eu julguei na primeira vez que ouvi. Só aprendi e inseri no meu sistema de crenças quando tive experiências positivas adotando esse raciocínio. Imagine como será sua vida se pensar dessa forma: Hoje ganhei cinco mil reais, vai dar para comprar tais coisas. Hoje perdi três mil reais, droga, vou economizar no final de semana! Qual a chance de dar certo? Adianto dessa forma você não conseguirá evoluir. Sua vida será em função dos ganhos e perdas e além do fator destrutivo, você será influenciado a fazer avaliações, operações e etc as quais não faria caso não estivesse emocionalmente influenciado. Imagine que esteja precisando de dinheiro, como sentiria se perdesse algumas operações seguidas? Outra forma que costumo abordar nos cursos é a linearidade dos resultados quando somos funcionários do mundo corporativo. Se você ganha dez mil reais por mês, por exemplo, ao final dos trinta dias você contará com aquele dinheiro. Muitos preferem fazer a conta por dia útil, ou seja, por mais que o salário seja pago no final do mês a cada dia útil o ganho provisionado seria de quinhentos reais. Agora pense nesta mesma pessoa, mas no cargo de trader e que foque no dinheiro. A cada dia, ou melhor, a cada operação positiva, mais perto de cumprir o objetivo que é ganhar dez mil reais no final do mês. Entretanto, a cada operação negativa mais longe de ganhar os dez mil reais no mês. Com essa mentalidade, você acha que esse trader vai aceitar stopar sem hesitar quando estiver perdendo ou quando o mercado mostrar que os parâmetros utilizados para definir a entrada não existirem mais? Você também acha que este trader irá operar sem hesitar mesmo que as duas ou três operações anteriores forem

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perdedoras? Muito provavelmente esta mentalidade de focar no dinheiro amarra o trader na necessidade de estar certo e na necessidade de ganhar. Essa amarra emocional de só fazer trade para frente prejudica e muito, pois como já vimos, não há nada que possamos fazer para evitar algumas operações perdedoras. O resultado de nosso trade esta nas mãos de outros traders. Enquanto traders comuns estão amarrados no dinheiro e consequentemente cometendo erros comuns de não stopar e hesitar em novas entradas, traders consistentes estão desprendidos do placar e focados somente nas oportunidades do mercado. Você precisa gostar do jogo, gostar do trade a tal ponto que o dinheiro seja apenas a consequência do trabalho bem feito.

6.2 Alinhando as expectativas

Lendo o fluxo das ordens você terá sinais que o motivarão a entrar e sair do mercado, contudo, esses sinais nada mais são do que probabilidades. Alguns trades darão certo enquanto outros darão errado, mas o resultado de cada trade não depende de você. Quando você acreditar fielmente nessas crenças estará automaticamente preparado para operar esperando o melhor, mas preparado para o pior e dessa forma nada tem o potencial de frustrar suas expectativas e te deixar num estado empobrecedor. Isso porque suas crenças já incorporam eventos novos, improváveis e os eventos que não dependem da sua vontade. Quando você entrar no mercado o fato de, eventualmente, os preços se moverem contra a sua posição, não o fará interpretar esse evento de forma negativa e nem hesitar em stopar e aceitar a perda, pois você sabe e acredita que isso, ora ou outra é inevitável. Dessa forma você irá operar com a perspectiva de não precisar saber o que vai acontecer. Quando você efetivamente adotar essas crenças como primárias, ou seja, energizadas e inquestionáveis você terá as expectativas totalmente alinhadas com a realidade do mercado, neutralizando todo o potencial prejudicial gerado por ele. Com essas crenças, você sempre estará certo. Não significa que ganhará dinheiro, mas estará certo, porque nenhum resultado será inesperado, por pior que ele seja. Dessa forma não haverá motivo para sair do estado “despreocupado” exigido no trading.

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Eu imagino que, a essa altura você esteja fazendo questionamentos deste tipo: “mas como adotar essas crenças?”?; “eu entendi as crenças, mas não consigo esquecer as minhas crenças anteriores, como faço?”? São dúvidas absolutamente comuns e justificáveis, já que o processo de mudança de crenças exige conhecimento sobre o processo, vontade de mudar e disciplina.

6.3 Como mudar a estrutura de crenças?

Como já vimos no capítulo sobre percepção, crenças são filtros préarranjados e organizados para nossas percepções do mundo. São como comandos para o nosso cérebro interpretar a informação recebida. As crenças atuam de forma a moldarem nossa forma de interpretação sobre todos os eventos do mundo, sendo que quando alguém acredita efetivamente em algo, para esta pessoa, isto se torna verdade (independentemente de ser apenas uma versão). Crenças são memórias energizadas devido às nossas experiências passadas (positiva ou negativamente) através de linguagem (palavras ou frases). Quanto mais energizada a crença maior o reflexo exercido sobre a nossa percepção do mundo. Muitas de nossas crenças nos influenciam de maneira totalmente inconsciente, pois não temos que pensar ativamente nelas para que façam efeito sobre nossa percepção e sobre nosso comportamento. Lembre-se de que seus atos são derivados de suas crenças. Agora pergunto a você: será que efetivamente conhece todas as suas crenças sobre si mesmo e sobre o mercado? Muito provavelmente, você já preencheu o material inicial do curso onde perguntamos, dentre outros, sobre suas crenças. Se você, por qualquer motivo, não tenha dado atenção que ele merece essa é a oportunidade de refazêlo ou, simplesmente melhorar o que já escreveu. Agora você já sabe o quanto suas crenças podem ajudá-lo ou atrapalhá-lo não só no trading, mas em todas as atividades da sua vida. Se for necessário imprima novamente o material e aprofunde o trabalho que já fez. É importante que mantenha todas as crenças que já tinha escrito e que se esforce para descobrir novas. Percorra por cada um dos grupos:

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- Primeiro reescreva suas crenças sobre você. Vá fundo, dessa vez não se restrinja ao trading, mas busque crenças sobre si em sua vida. Quando você fala de si mesmo para os outros, o que você diz? Quais são as histórias que você conta sobre você mesmo? Elas são realmente verdadeiras, ou você as aumenta ou diminui? Escreva. O que você vive dizendo para si mesmo que quer, mas acha que não é possível? Escreva. Você tem o hábito de presumir as coisas? Passe um dia percebendo quantas coisas você presume/deduz/acha que sejam assim ou assado. Escreva. Com um problema em mente, analise os desafios e limitações que está vivendo e pergunte-se: "Em que acredito para que isto esteja acontecendo assim?". Anote tudo. Quais são os seus apegos emocionais? Apegos emocionais são aqueles “botões” em nós que quando tocados por alguém detonam emoções indesejadas. Se você ainda está com raiva (ou magoado) porque alguém disse ou fez tal coisa, ai tem um apego emocional, um “botão” que desencadeia um curto circuito emocional. Escreva. Do que mais tem medo? Por quê? O que mais gostaria de evitar? O que você critica ou julga nos outros também pode revelar suas crenças que está vendo refletidas no mundo exterior. Reflita um pouco sobre isto tudo. Sem culpas, apenas querendo conhecer-se melhor. - Depois reescreva todas as suas crenças sobre o mercado. No material inicial dividimos as crenças sobre mercado em grupos, são eles: Crenças sobre direção do mercado e preço; Crenças sobre trading; Crenças sobre métodos, estratégias operacionais; Crenças sobre análise técnica (em específico); Crenças sobre gerenciamento de risco; Crenças sobre o segredo de fazer dinheiro no day trade; Crenças sobre como os melhores traders operam e no que acreditam. Se tiver dificuldades procure anotar logo depois de fazer uma operação. Anote quando ganhar e também anote quando perder. Anote o que acredita que esta funcionando. Recomendo que não faça esse trabalho em um único dia. Faça em um período de tempo. Dificilmente todas as suas crenças surgirão em um exercício. Será necessário viver algumas situações para que perceba

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quais são suas reais crenças. Só volte para essa leitura quando a lista estiver completa. Antes dar os instrumentos para você mudar suas crenças é importante que entenda como funciona o processo de mudança. Não dá para simplesmente “deletarmos” ou esquecermos uma crença, já que elas são memórias energizadas por palavras. Independentemente do que tente fazer é impossível apagar sua memória. Se o caminho não é esquecer uma crença, qual é então? A melhor forma de mudar uma crença é reduzir a energia depositada sobre ela. Mais uma vez você deve perguntar: “mas como reduzir a energia depositada sobre algo que eu acredito?”. A única forma de reduzir a energia depositada sobre um conceito ou memória é ter uma experiência criativa, ou seja, vivenciar algo novo, ou melhor, fora do limite da fronteira das suas crenças. Quando você vive algo que suas crenças não conhecem você passa um tipo de questionamento interno. É como se gerasse uma dúvida sobre o que é certo ou errado. Quanto maior a intensidade da experiência criativa em relação ao grau de energia da sua crença, mais fácil será reduzir a energia sobre essa crença existente e canalizar energia para outra crença. Quanto menor a energia sobre a crença limitante existente menor a interferência desta crença sobre sua percepção e sobre seu comportamento. Vamos ao exemplo mais comum e usado em diversas ocasiões para explicar este processo. Imagine uma criança que tenha sido mordida por um cachorro, ainda bem pequena. Essa criança criou uma crença de que cachorro é algo perigoso e deve ser evitado. Todas as vezes que esta criança encontrar outro cachorro ela automaticamente associará à dor sentida na mordida. A crença de que “cachorro” é perigoso será cada vez mais energizada a cada situação em que a criança confirma seu medo. Por exemplo, imagine que esta mesma criança veja um cachorro bravo na rua e que este cachorro, mesmo preso em coleira tente avançar. Como será que a criança reagirá? Certamente com medo e reforçando a sua crença já existente de que a palavra “cachorro”, ou melhor, tudo que se parece com cachorro é perigoso. Como será que essa criança perderá o seu medo? Será que ela terá algum interesse próprio em perder o medo, ou pelo contrário, fará o possível para evitar encontros futuros com estes animais, independentemente de seus tamanhos? Dificilmente esta criança terá motivação para gostar de cachorros ou dificilmente ela terá motivação em reduzir a energia armazenada na crença de que todos cachorros são perigosos e

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depositar energia na crença de que alguns cachorros são sim mais perigosos enquanto outros são completamente amigáveis. Para que haja mudança é necessário que aconteça algo novo, algo que ultrapasse a fronteira da crença de que todos cachorros são perigosos. Uma das possibilidades de vivenciar algo novo seria encontrar amigos na mesma idade brincando com seus cachorros e se divertindo, sem medo algum. Essa cena seria totalmente conflitante com sua crença de que todos os cachorros são perigosos. Esse conflito geraria certa dúvida na criança, pois ela estaria vivenciando algo que até então era invisível. Isso é a definição de uma experiência criativa. Obviamente não é só assim que a crença se transforma. Para que a criança perca o medo de cachorros ela teria que continuar vivenciando situações similares a essa a ponto de que a energia sobre a nova crença (de que há cachorros perigosos, mas também a cachorros amigáveis) sobreponha a energia armazenada na crença de que todos os cachorros são perigosos. Quanto mais essa criança vivenciar encontros com amigos que brinquem com cachorros ou mesmo vivenciar encontros amigáveis diretamente com cachorros, mais energia positiva é depositada sobre a nova crença e menos energia é retida na crença de que todos os cachorros são perigosos. Desta forma, esta criança poderá criar discernimento entre cachorros e eventualmente perder o medo de cachorros amigáveis. Basicamente o resumo do processo é: 1º Identificar a crença limitante. 2º Vivenciar uma experiência criativa (algo novo e fora dos limites de sua crença). Isso gerará dúvidas e questionamentos internos. 3º Vivenciar uma sequencia de experiências corroborem e ajudem a energizar a nova crença.

positivas

e

que

4º Atingir um nível onde não são mais necessárias experiências positivas, pois, existe energia armazenada suficiente sobre a nova crença. As palavras que definem sua nova crença já são o reflexo de quem você é, ou seja, a crença já faz parte de você. O exemplo da criança descrito acima se aplica a diversas situações. Muitos de nós temos crenças que nos limitam e acionam estados empobrecedores como medo, ansiedade, etc. Muitos já viveram algum processo de mudança de crença e arrisco dizer que a maioria, de forma passiva e inconsciente. Voltemos ao mesmo exemplo da criança com medo de cachorros. Pelo texto, a criança desejava interagir com cachorros ou passivamente se deparou com uma

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situação que a fez questionar? Ela não tinha interesse em brincar com cachorros, muito pelo contrário, o medo inibia qualquer possibilidade de interação. Entretanto, algo externo aconteceu (ver outras crianças se divertindo com cachorros) que a fez considerar outras possibilidades. A experiência criativa da criança não foi desejada, e ocorreu de forma totalmente passiva, ao sabor do destino. Esse ponto é crucial para que você entenda como “dar um laço” e “amarre” o processo de mudança efetiva. Você precisa ancorar-se em algo a fim de vivenciar uma experiência criativa e mais, precisa de uma âncora para manter-se vivendo experiências positivas que energizem definitivamente sua nova crença. Essa “âncora” deverá motivá-lo, de forma ativa e consciente a viver algo fora das limitações que suas crenças impõem para que você entre em questionamento. Essa mesma âncora deverá ajudá-lo a vencer o duelo mental entre a crença anterior (que você deseja alterar reduzindo sua energia) e a crença nova (a qual você deseja energizar). Sem essa âncora, o processo de vivenciar experiências positivas que contradizem sua crença anterior será muito desafiador e você poderá desistir, justamente pela indecisão gerada pelo duelo das crenças. Agora gostaria que refletisse sobre qual é a “ancora” mais genérica e utilizada pela maioria das pessoas, mesmo que de forma inconsciente? De todos os livros sobre o assunto que li, dos cursos sobre autoconhecimento que fiz e das minhas experiências e das experiências de pessoas próximas, não tenho dúvidas de que a melhor âncora que podemos ter é o desejo incondicional de nos transformarmos no que ainda não somos. Ou ainda de sermos o que nossas crenças não permitem que sejamos. No exemplo da criança, a priori, não existia esse desejo de interagir com os cachorros. Talvez, o desejo tenha surgido após a experiência criativa de ver amigos brincando com cachorros.

6.3.1 Âncora = Desejo de ser um trader consistente

Como trader, muito provavelmente você terá que passar pelo processo de mudança de crenças e dificilmente viverá uma experiência criativa de forma passiva, ou seja, sem querer ativamente. Quero dizer que precisará de uma motivação maior para experimentar algo novo e ainda manter-se motivado durante a fase de transição (quando a energia da crença limitante anterior é reduzida ao mesmo tempo em que a nova crença é energizada).

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Sugiro, como trader, que seu desejo ou sua motivação seja a consistência. Lembrando que consistência é um estado onde perder dinheiro, errar, deixar de ganhar não geram stress, portanto não alteram sua percepção sobre o mercado e nem afetam seu comportamento. Consistência esta dentro de você e não no mercado. Ser consistente implica estar satisfeito com qualquer movimento que o mercado faça e não esperar que o mercado faça o que sua expectativa queira. Aconselho inclusive que sua motivação inicial não seja dinheiro. Isso porque se o dinheiro for sua âncora, a cada erro e a cada perda incorrida no mercado fará com que você fique mais distante do seu objetivo favorecendo erros como o de não stopar, por exemplo. Guardem essa frase: “O dinheiro dificilmente trará consistência, mas a consistência deve te trazer dinheiro”. Dinheiro deve ser consequência e não motivação. Outro ponto que gostaria de discutir antes de voltar a falar de consistência é a necessidade de algumas pessoas de ver para crer, ou seja, de primeiro ver a prova para somente criar o desejo ou motivação. Por exemplo: já ouvi de muitas pessoas “mas porque eu devo fazer day trade?. Me prove que é melhor que investimento a longo prazo que eu faço.” Muito provavelmente a motivação destas pessoas é o dinheiro e não o jogo. Se você não gostar de olhar para tela do computador de forma sistemática, se não gostar da rapidez/agilidade que o intraday requer, muito provavelmente ser um trader ativo não é sua motivação e consequentemente você não fará dinheiro com isso16. Infelizmente não há como ensinar ninguém a ter desejo de ser alguma coisa. Talvez chegamos ao mais profundo aspecto da natureza humana e que diferencia as pessoas. Sinceramente não sei ao certo o que gera nossas motivações, talvez a família, os amigos, o meio em que vivemos talvez uma experiência criativa, um trauma, sei lá. Mas sei que essa motivação é que nos propicia atingir os nossos objetivos. Se você conseguir unir razões efetivamente contundentes para se tornar um trader, pode ter certeza de que seguido estas instruções você terá muita chance de obter sucesso. As razões pelas quais você decidiu ser trader devem ser maiores do que os obstáculos. Cada um tem uma razão, cada um tem um propósito e você terá que encontrar o seu. Vou fazer uma confissão a você. Eu nunca soube explicar com tanta clareza e profundidade o porquê de aspirantes a traders se desenvolverem extremamente mais rápido quando operam ao lado de 16

Atualmente, com o Plugin Tape Reading é possível usar as mesmas variáveis de Fluxo sem necessidade de ficar grudado na tela.

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outros traders já consistentes. Eu acreditava que a razão pela qual isso acontecia era a facilidade em replicar crenças, comportamento, atitudes e até o método dos que já eram consistentes. Entretanto, enquanto escrevia este material uma coisa ficou muito clara: Obviamente que replicar crenças, comportamento, atitudes e método contribuem no aprendizado, mas a principal razão pela qual traders aprendiam com a convivência era proveniente do fato de o desejo de ser consistente ser autoalimentado diariamente. Quando estamos em um meio onde só há traders consistentes, o desejo der ser um é maior que as dificuldades. Não há dúvida, não há conflitos, só vontade de se transformar no que você ainda não é.

6.3.2 Como adquirir crença em consistência?

Para ser um trader consistente é necessário trocar a sua estrutura de crenças, pelas seis crenças apresentadas anteriormente. Contudo, antes disso existe um ponto essencial: Você deverá acreditar que já é consistente mesmo que ainda não seja. Concorda que hoje você já possui crenças sobre si próprio e algumas podem ser conflitantes com o seu objetivo. Por exemplo, eventualmente você acredita hoje que não é consistente ou acredita que seus resultados são insatisfatórios, muito provavelmente você deverá “desenergizar” tais crenças limitantes sobre si e energizar a crença de que é consistente, mesmo que ainda não seja. Isso também é um processo e tem que ser feito de forma ativa e consciente. O processo será o mesmo, ou seja, ancorar-se no desejo de ser consistente, experimentar algo novo/criativo e manter-se vivendo experiências positivas que energizem a crença em consistência até que a palavra “consistência” seja uma definição de sua pessoa e o reflexo de suas atitudes. Há duas formas de atingir este nível e que aconselho que sejam seguidas em conjunto: 1º Afirmações positivas sobre o que significa ser consistente. 2º Visualizar-se consistente no “teatro da sua mente”17. Que consistência é um estado e que este estado propicia uma condição mental de enxergar, aceitar e interagir com o fluxo dos mercados no presente, você já sabe. Agora é necessário dar 17

Técnica abordada no final do material.

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significado mais tangível e mensurável à palavra consistência para que você consiga energizar a crença de que é consistente. Mark Douglas caracteriza consistências em sete sub crenças ou princípios, são eles: - Eu defino minhas oportunidades de forma 100% objetiva - Eu predefino o risco de cada trade - Eu aceito completamente o risco ou deixo passar a oportunidade - Eu atuo nas oportunidades sem hesitar - Eu aproveito quando o mercado faz dinheiro disponível - Eu monitoro continuamente a susceptibilidade em cometer erros - Eu entendo a importância destes princípios e nunca os violo Estes sete princípios refletem e dão significado mais tangível ao que é ser consistente. Escreva todos eles em lugar visível e faça afirmações constantes (diárias) sobre eles. No final deste material você aprenderá a técnica de visualização aplicada ao trader ativo. Esta técnica é muito utilizada por atletas em busca de desempenho. Por enquanto vamos focar nos exemplos: Digamos que você acredite que os gráficos refletem a realidade de forma 100% objetiva e que sinalizem pontos de compra, venda e stop. O que te fará, de forma passiva, a pensar diferente, a pensar fora da sua “caixinha”? Dificilmente você será levado, passivamente, ou seja, sem querer, a olhar o mercado pelo fluxo das ordens através do book de ofertas. É por isso que a maioria que tenta olhar o book de ofertas e histórico de negócios sente dificuldade em seguir adiante. Não há uma motivação, pois, é difícil ter experiência criativa olhando o fluxo sem a instrução adequada. Aliás, no início é muito mais fácil ter uma experiência negativa olhando o book de ofertas, pois é necessária muita dedicação para começar a enxergar o fluxo e os sinais. Neste exemplo, cada erro incorrido na tentativa de operar olhando o fluxo solidificará a crença de que o gráfico reflete objetivamente a realidade e gera sinais bons. Você só terá experiência criativa olhando o fluxo através do book de ofertas, se o fizer de forma ativa. Querer o olhar o mercado pelo fluxo das ordens é similar à criança que tinha medo de cachorros desejar interagir com os animais. Essa força interior, ativa e consciente favorece a vivência de uma experiência criativa, que no caso do cachorro foi ver amigos se divertindo com os animais e no

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caso do grafista, conseguir enxergar o mercado e realizar uma operação lucrativa. Essa experiência criativa abrirá a porta para que você siga olhando o mercado pelo prisma de fluxo de ordens e viva várias experiências positivas, ou seja, perceba que é possível enxergar o mercado e realizar mais operações lucrativas. Quanto mais você vivenciar estas experiências positivas, mais energia é depositada nessa nova crença e consequentemente menos energia é retida na crença anterior (sobre a objetividade do gráfico) a tal ponto que olhar o mercado pelo fluxo das ordens será natural. Você já terá vivenciado tantas experiências que saberá distinguir o quanto de ordens na compra/venda é muito ou pouco, quanto de intensidade de agressão na compra/venda é muito ou pouco e qual a circunstância da agressão é boa ou ruim para entrar no mercado. Não será necessário esforço para enxergar o fluxo, pois a crença em objetividade na leitura do fluxo das ordens já será parte integrante da sua estrutura de pensamento. Você efetivamente acreditará que o fluxo é justamente a raiz da movimentação de preços. Enquanto para outros o fluxo parecerá invisível, para você será absolutamente natural. Outro exemplo importante é predefinir o risco de cada trade. Fazendo isso, de forma indireta você estará acreditando que o resultado do seu trade é incerto, justamente pelas forças potencias que existem no mercado e que são imprevisíveis. Quanto mais você operar com a crença em risco pré-definido18, mais você irá acreditar que ela te ajuda. Você viverá várias situações em que ter um risco definido te salvará de perdas monstruosas. Com o tempo essa crença será energizada. Em fim, se você for guiado por tais princípios, após um longo período de operações, eles farão parte de você, ou seja, serão o mais puro reflexo de suas atitudes. Não se martirize no início, é um processo e serão necessários inúmeros trades para que você os incorpore como crenças energizadas.

6.3.3 Como incorporar as seis crenças primárias?

Você já sabe como funciona o processo de transformação de crenças, que se resume em querer mudar ativamente, viver uma experiência 18

Pré-definir o risco não significa ter um stop rígido em centavos ou pontos, mas sim ter um critério de sair da operação quando as variáveis que te motivaram entrar naquele trade não estiverem mais presentes.

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criativa que te faça pensar diferente e ter motivação para continuar vivendo experiências que solidifiquem a nova crença. Você também sabe que para que tudo isso se “amarre” é necessário um desejo em transformar-se no que você ainda não é. Esse desejo é que te mantém confiante e dedicado para enfrentar o desafio de transferir energia da crença limitante para a nova crença. Quando a crença limitante estiver sem energia, não terá mais o poder de alterar sua percepção e nem seu comportamento. Além da crença em consistência, você terá que alterar algumas de suas crenças que possam ser conflitantes com as seis crenças primárias. Você deverá pegar o material inicial (onde, dentre outros você identificou suas crenças) e confrontar cada crença com todos os princípios apresentados aqui. Vários, certamente serão conflitantes. Seu trabalho será tirar energia, de forma ativa e consciente, das crenças que sejam conflitantes, através da vivência de uma série de experiências positivas que energizem essa nova estrutura de crenças. Lembre-se que sua motivação é o desejo em se tornar um trader consistente. Isso o ajudará a vencer a disputa mental que o perturbará enquanto estiver sob influência das duas crenças conflitantes. Após viver experiências suficientes, esses conceitos provavelmente farão parte da sua estrutura de pensamento e serão o reflexo de como você percebe o mercado e também o reflexo das suas atitudes no mercado. Uma pergunta que costumo ouvir muito é: “quanto tempo é necessário para que eu consiga adquirir essas crenças?” A resposta é embasada em uma média entre o tempo que eu e os demais traders com quem tenho relacionamento, demandaram para incorporá-las. Acredito que seis meses de operação ou aproximadamente 3.000 day trades (1 day trade = 1 entrada + 1 saída). O número de day trades apresentado acima equivale a aproximadamente 24 day trades por dia útil, o que é uma média “viesada” para baixo do número de operações de um trader ativo em um mercado normal. Obviamente esse é um número médio, mas dificilmente será algo muito inferior a isso19.Tudo na vida tem um preço, mas quando você reúne razões suficientes que suportem o ideal de ser um trader consistente, o caminho a percorrer fica mais agradável e prazeroso. A partir de agora trataremos de forma resumida do processo de mudança de cada uma das seis crenças. Seria muito difícil e desafiador dar exemplo de todas as possíveis crenças conflitantes com cada uma das seis crenças. Vou generalizar e pegar exemplos mais comuns de conflito de crenças, mas tenha em mente que o 19

Após a utilização do Plugin Tape Reading a estimativa é que este tempo reduza, especialmente para algumas operações, como Trade Location e Trades para Segurar.

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processo para alterar as suas crenças particulares é o mesmo. Vamos lá! Como acreditar em Imprevisibilidade? Independentemente do que tenha anotado no material inicial, certamente existirá algo que contraponha o conceito de imprevisibilidade. Lembre-se que em nosso cotidiano somos “forçados” a fazer relações frequentes de causa e efeito. Isso não é ruim, pelo contrário é o que nos rege, entretanto, quando se trata de mercado essa crença em causa e efeito não se aplica. Para tudo na vida, buscamos uma explicação, algo que nos convença do ocorrido. Não somos acostumados a aceitar o imprevisível. Já no mercado, conforme vimos, o limite do barato e do caro é definido pelo mínimo ou máximo que alguém esteja disposto a negociar a cada instante. Só precisa de um clique para mudar a história. Você já sabe de tudo isso! O que falta é estruturar a mudança. Os comportamentos mais frequentes são de pessoas que tentam aplicar a relação de causa e efeito no mercado. Não importa sobre o que a relação de causa e efeito se aplica, ou seja, não importa qual dos 15 estilos operacionais você adote. O que importa é que a maioria de nós tenta “achar” alguma coisa do mercado. Tenta olhar para tela (gráficos ou variáveis de fluxo) e extrair argumentos que justifiquem a alta ou a baixa. “Achar” que vai subir ou que vai cair é criar expectativa. Está lembrado do que ocorre quando a expectativa não é atingida? Frustração, alteração de estado e consequentemente alteração na percepção. Esse é o ponto e esse é o conflito: Somos acostumados a “achar” e temos que nos acostumar a não “achar” e simplesmente aceitar. Independentemente de quais sejam as suas crenças limitadoras, para acreditar em imprevisibilidade você terá que viver situações que te mostrem fatores imprevisíveis. Por mais que os argumentos citados sejam pertinentes e convincentes, você terá que energizar sua memória com situações que corroborem com conceito de imprevisibilidade. Não fique procurando a imprevisibilidade, não olhe para tela querendo ver imprevisibilidade, apenas se permita ler o fluxo. Ela vai surgir. Quanto mais você opera mais você irá acreditar que tudo pode acontecer. Você perceberá que em alguns momentos, determinadas ordens ou negócios realizados foram totalmente contrários ao que o fluxo indicava. Você perceberá em vários momentos que não adiantaria ter olhado nada, ou seja, nenhuma média, nenhum gráfico, nenhum suporte, nenhum Fibonacci, nada explicaria o que aconteceu.

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Você perceberá que o exercício de olhar para traz e tentar identificar o que gerou certos movimentos de preço nem sempre funciona, pois perceberá que em vários momentos a história não estava escrita. Infelizmente só acreditamos vivendo e isso leva tempo. Após várias operações, sua crença em imprevisibilidade será tão energizada que inibirá qualquer tentativa de previsão de preços. Nesse ponto você estará 100% preparado para interagir com o mercado, no presente, sem se preocupar com o que ele irá fazer, mas sim entendendo o que ele está fazendo. Como acreditar em singularidade do momento? A linha de raciocínio deste tópico é muito similar ao anterior. No cotidiano, somos acostumados a buscar relações de causa e efeito a fim de explicar as coisas. Em muitas situações a história se repete. Não da mesma forma nem com a mesma intensidade, mas se repete o que nos permite continuar criando “padrões”. O conflito aqui é: somos acostumados a padronizar e no mercado a padronização não existe, pois cada negócio é diferente um do outro. Alguns movimentos parecem idênticos quando você olha pelo gráfico. Lembre-se de quantos martelos, engolfos, W, M, OCO e etc, do mesmo tamanho, você já viu. Provavelmente vários e aparentemente idênticos. Entretanto, se olhar através do fluxo de ordens vai perceber que nada é igual. Vai reparar que em cada situação há uma quantidade na compra e venda diferente do que tinha antes, cada situação possui um estilo ou circunstância de agressão e que cada situação gera resultados diferentes. Quanto mais você olhar para tela e quanto mais operar, mais vai perceber que o que viu agora nunca mais será visto. Vai perceber que, mesmo os certos “padrões” do fluxo no book, desaparecem do dia para noite. Não adiantaria te provar com palavras, você terá que viver estas experiências. Só o tempo te dirá. Como acreditar que não é necessário saber o que vai acontecer para ganhar dinheiro? E como acreditar que cada erro te deixa mais perto do acerto? Está lembrado do exemplo de jogar cara ou coroa? Quando se joga moeda, não existe questionamento quanto à probabilidade de 50% de sair cara e 50% de sair coroa. É inquestionável e por esse motivo a maior parte das pessoas já possuem as crenças acima listadas.

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Agora no mercado, as pessoas não são acostumadas com incerteza e por isso creditam muito esforço emocional em um determinado trade. Sugiro que nunca faça uma avaliação de forma isolada. Tente de forma proativa avaliar-se após uma sequência de operações. Você já aprendeu que por melhor que seja a sua análise sobre o fluxo de ordens e por mais perfeita que a oportunidade pareça, o resultado dos seus trades dependem de forças desconhecidas. O comportamento dos demais traders vai definir se você ganhará ou perderá naquela situação. Durante os 3.000 day trades propostos você perceberá isso. Dessa forma, começará a depositar energia na crença de que você não precisa conhecer o resultado de um trade em específico, mas sim depositar crédito na sua capacidade de seguir operando em toda vez que as variáveis que você define como oportunidade estiverem presentes. Quando você avalia a sequencia de operações e não apenas uma, a sua percepção de risco é diluída. É muito importante que entenda essa “diluição” do risco. Quando você dilui o risco, você convive melhor com a possibilidade de perder dinheiro em alguns trades porque tem convicção de que irá ganhar em outros. Você só não sabe em qual vai ganhar, mas não há dúvida de que é só seguir o jogo para uma hora ganhar. Obviamente que outra característica de traders consistentes é saber parar de operar. Há dias em que o risco das operações está maior que o retorno, ou dias em que você esta errando demais a avaliação, ou ainda em que você não está no melhor estado para operar. Continuar executando ordens nesses dias não é mérito, mas sim teimosia. Saber identificar esses aspectos e ter discrição para parar também é uma virtude que só se aprende com o tempo. Durante os 3.000 day trades sugiro que determine regras rígidas e objetivas para parar de operar, pois elimina um foco de dúvida e o medo do descontrole. Saiba, contudo, que a evolução de todo trader é ter regras para descumprir suas regras. Após 3.000 trades você saberá sobre o que estou falando. Volto a dizer a você que não adianta apenas ler o que esta escrito acima. Por mais que você compreenda e aceite as palavras, essas crenças só farão parte de sua estrutura quando você viver o que estou falando. É necessário que opere e que viva isso tudo para que energize essas novas crenças.

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Como acreditar que as oportunidades nada mais são do que probabilidades? Talvez essa seja a crença mais simples de energizar desde que você opere. Independentemente do que você considere uma oportunidade, você perceberá que não adianta evitar as perdas. Quanto mais operações fizer mais irá perceber que o resultado do seu trade está na mão dos outros. Quanto mais operações fizer mais vai perceber que não tem controle sobre os outros. Quanto mais operações fizer mais vai perceber que o exercício de olhar para o passado e se perguntar: “o que eu poderia ter feito para ter acertado?” será substituído pelo seguinte exercício mental: “como estou me preparando para reagir rapidamente aos movimentos incontroláveis do mercado?”.

Conclusão do capítulo de como alinhar a mente ao fluxo

Imagino que ao final deste capítulo ao mesmo tempo em que você esta animado com a nova perspectiva, ainda há dúvidas sobre o processo de mudança efetiva. Fique tranquilo, pois seu trabalho não será desejar trocar crença por crença de forma ativa. Não serão necessárias várias âncoras. Você deverá ancorar-se, exclusivamente, no desejo incondicional de ser um trader consistente. Lembrando que consistência como trader é um estado onde perder, errar, deixar de ganhar não são fontes de stress. Para ser um trader com estado de consistência é necessário trocar a sua estrutura de crenças, pela estrutura de crenças apresentada. Dessa forma, você não tem que desejar incondicionalmente ver o book de ofertas e histórico de negócios ou desejar acreditar em imprevisibilidade, singularidade do momento e nas demais crenças apresentadas. O seu desejo incondicional tem que ser “eu quero ser um trader consistente”. Esse desejo fará com que você se permita, ativamente, criar experiências positivas levando em conta as crenças apresentadas. Só com esse desejo em mente você será capaz de ultrapassar o duelo mental que sua cabeça irá tramar entre as crenças pré-existentes e as crenças apresentadas no capítulo. Todas as crenças, em conjunto com o método de análise do fluxo de ordens, te farão cada vez mais focar no presente ao invés de focar no futuro. Focando no presente, no “agora”, automaticamente o instinto

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de prever o que vai acontecer vai se reduzindo, o que também ajuda a manter suas expectativas sobre a direção dos preços, de forma totalmente e fiel ao que esta acontecendo neste momento. Essa é a mudança de perspectiva que te permitirá fluir junto ao fluxo dos mercados.

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SINCRONIZANDO O OPERACIONAL COM O FLUXO DO MERCADO

Sincronizar o seu operacional com o fluxo dos mercados não se restringe a apenas ler a consciência coletiva dos participantes através das mesmas crenças, implica interagir com o mercado colocando compras e vendas com total harmonia. Total harmonia significa não ser influenciado por errar, perder dinheiro, deixar de ganhar, arrependimento e etc. A grande diferença entre sincronizar a mente com o fluxo e sincronizar mente e operacional com o fluxo é que quando entram suas ordens de compra e venda existe um componente a mais: o registro inquestionável do resultado de suas ações. Se estivermos apenas acompanhando os mercados, é mais fácil adotarmos as crenças ensinadas no capítulo anterior. É mais fácil, principalmente porque não há nada em jogo e quando não há nada em jogo não há expectativa e consequentemente não há frustração. Por outro lado, quando operamos de verdade há dinheiro em jogo. Por mais que você siga todas as instruções do capítulo anterior e inicie o processo de transformação de crenças, ainda poderá ser influenciado pelo resultado de suas ações. Deixe-me ser mais específico. O que quero dizer é que por mais que você deseje ser consistente, canalize ativamente a energia para as crenças em singularidade do momento, imprevisibilidade e nas demais descritas, ainda assim talvez você sofra influência das consequências causadas por errar, perder dinheiro, deixar de ganhar, hesitar e etc. Por mais que entenda e acredite que não conseguirá evitar estar errado e perder dinheiro em algumas operações, ainda pode haver uma restrição interna a essas situações, consequentemente alterando sua percepção sobre o fluxo do mercado. Esse pode ser um novo conflito entre as crenças exigidas no trading e crenças ocultas em sua estrutura de pensamento. Errar e perder, principalmente perder dinheiro estão entre as maiores fontes de stress segundo pesquisa denominada “Fear Factor” (Fator de Medo) realizada por acadêmicos da Universidade de Cambridge. Para que não haja esse conflito entre as realidades do trading e o significado que você deposita no erro e na perda é necessário que você entenda um último conceito. Esse talvez seja o conceito mais importante e pouco compreendido por muitos.

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7.1

ACEITAR O RISCO DE OPERAR

A vitória chega quando se perde o medo da derrota! Junior “Cigano” dos Santos

Aceitar o risco é o segredo para tudo. Tudo na vida tem um preço, porém, a diferença entre os que conseguem alcançar sucesso (independentemente do que sucesso signifique para você) e os demais é a capacidade de algumas pessoas aceitarem e ultrapassarem esse “preço”. Ao longo deste material fiz algumas comparações entre trading e atividades esportivas por conta das similaridades em termos de crenças. Quando o assunto é aceitar o risco a semelhança entre as atividades continua fazendo sentido. Pegue o exemplo de um tenista. Aceitar o risco para um tenista significa aceitar sem nenhum desconforto emocional que ele poderá perder uma jogada, um set, ou mesmo uma partida. Aceitar e sentir-se confortável com a realidade da perda permite ao tenista perder uma jogada e ainda assim voltar o foco para a partida, não para o placar. Aceitar o risco de perder implica em jogar esperando o melhor, mas preparado para o pior. É uma perspectiva totalmente diferente de jogar focando em evitar a perda. Apesar de sutil, a diferença de perspectiva é extremamente importante. Quando se joga com foco em evitar o erro, cria-se expectativa de não errar. E você já sabe o que ocorre quando uma expectativa não é atingida: frustração. É por esse motivo que quanto mais se tenta evitar o erro, mais dói quando o erro acontece. Além disso, quando o foco é evitar o erro e não fazer o que tem que ser feito, a impressão é que a mente tende focar justamente na origem do medo, reforçando ainda mais a sensação quando o erro ocorre. Outro esporte que exige preparo mental é a luta. Todos os seres humanos evitam a dor física de forma consciente e ou mesmo inconsciente. No caso do lutador, aceitar o risco significa aceitar sem se abalar emocionalmente que ora ou outra irá levar um soco, perder um round ou até mesmo perder a luta. O fato de perder não o diminui. Claro que o lutador deve fazer o máximo para ganhar, mas existe uma grande diferença de perspectiva entre focar em fazer o que tem que ser feito e focar em evitar tomar soco. Com essa perspectiva de “fazer o que tem que ser feito” o lutador consegue

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tomar um ou outro soco e mesmo assim continuar focado na luta, focado no momento e esperando para fazer o que tem que ser feito. Agora farei uma comparação ao trading. Imagine um lutador com medo de apanhar, ou mesmo um tenista com medo de errar a batida. Parece absurdo não? Mas é justamente isso que você faz quando tem medo de operar. Quando você opera com perspectiva de não errar é a mesma coisa de um tenista jogando com foco em evitar errar ou de um lutador com medo de apanhar. Você até pode dizer que há uma diferença entre esporte e trading. O tenista que perde uma jogada e o lutador que toma um soco, não pagam por isso. Já o trader arca financeiramente com todas suas “perdas”. De fato, essa é uma verdade. Justamente esse é o ponto que queria chegar. Aceitar o risco no trading significa aceitar as consequências dos seus trades sem medo ou desconforto emocional. A possibilidade de errar e perder dinheiro, deixar de ganhar dinheiro e etc não deve alterar sua percepção sobre o mercado e nem afetar seu estado despreocupado. Desta forma você sempre estará focado no presente e fará o que tiver que ser feito sem hesitar. Perceba que aceitar o risco é uma etapa a mais em relação a tudo que foi escrito nesse material. Não adianta nada acreditar que o mercado é imprevisível, por exemplo, e ter medo da imprevisibilidade. Você sabe como aceitar o risco? Para responder esta pergunta listei as melhores práticas que o ajudarão neste processo de aceitar o risco do trading. Você irá reparar que assim como o processo de transformação de crenças limitantes, aceitar o risco de operar é um processo progressivo. Não acontece do dia para noite. Justamente por esse motivo é que reforçamos a importância de começar operando pequeno. Não adianta ler esse material, fazer qualquer curso do mundo e acreditar que do dia para noite você finalmente aprendeu e que pode operar com lotes significativos. O que se aprende do dia para noite é que existe um trilho, ou seja, melhores práticas que devem ser seguidas. Só o tempo e sua persistência permitirão crescer progressivamente. Não esqueça que além da “mentalidade de trader” é necessário desenvolver agilidade operacional para executar ordens. Tudo isso só é possível com muito treino.

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7.2

COMO ACEITAR O RISCO DE OPERAR

Antes de detalhar as melhores práticas sobre como aceitar o risco gostaria de pontuar alguns detalhes. O primeiro deles é que risco é subjetivo, ou seja, entre não existe uma medida para mensurar o quanto é risco. Obviamente existem medidas de volatilidade, como desvio padrão, VAR e etc, que acabam refletindo o risco. Mas o que quero dizer aqui é que a percepção de quão arriscado é ou não operar, varia de trader para trader. São inúmeras as possibilidades de exemplificar os graus de subjetividade de risco. Imagine um trader que por qualquer motivo, já esteja comprado. Agora imagine que ocorra um volume grande de fluxo de ordens na compra desse ativo, fazendo-o subir rapidamente. Independentemente do que tenha motivado o fluxo esse trader recebe emocionalmente o fluxo de compras como arriscado ou como bom? Obviamente como bom, pois estará ganhando dinheiro. Agora, imagine o mesmo exemplo, só que o trader estava carregando uma posição na venda. Como provavelmente esse trader perceberá o fluxo de compras? De forma diferente, não? Outra forma de exemplificar a subjetividade de risco entre traders é justamente o tamanho financeiro de cada um. Um trader com escassez de recursos tenderá a dar um maior peso a movimentos menores de mercado contrários à sua posição, se comparado a um trader com abundância de recursos. Por fim, outro exemplo que demonstra a subjetividade do risco é o fato de alguns players possuírem outros objetivos, que não fazer dinheiro no day trade. Por exemplo: minha ideia de risco é: o máximo que o mercado pode andar contra minha posição, considerando o meu maior lote liberado para operar, num intervalo de um dia. Meu horizonte é um dia, meu lote máximo é conhecido e controlado e a oscilação máxima diária estabelecida pela bolsa. Obviamente, que eu não opero meu lote máximo a todo instante e nem espero o preço correr para os limites de alta ou baixa, pois stopo, instantaneamente, quando percebo que as variáveis que motivaram minha entrada não existem mais. Apesar de tudo isso, minha ideia de risco, no limite, é essa. Em contrapartida, um trader de mesa proprietária de qualquer instituição que necessite travar uma posição no mercado tem uma ideia de risco totalmente diferenciada. A magnitude do lote é diferente, o horizonte é diferente e o propósito da operação é diferente. Obviamente a ideia de risco para esse trader será totalmente diferente da minha.

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Os motivos acima são apenas exemplos que ajudam entender o porquê de risco ser subjetivo. Julguei interessante discutir o conceito de subjetividade de risco para provar que nem todo mundo olha para tela do computador compartilhando as mesmas sensações. O fato de você, eventualmente, sentir medo não implica acreditar que todos os traders estão sentindo medo. Mesmo que você se compare à classe de traders ativos, pessoa física, cada um terá uma ideia de risco diferenciada, principalmente em função de suas experiências individuais. Lembre-se o mercado não gera medo, stress, confiança etc são apenas upticks, downticks, alterações de oferta e de demanda em cada nível de preço, mas sem energia positiva ou negativa. Nós recebemos e interpretamos a informação gerada pelo mercado e através de nossas crenças e entramos em tais estados. O mercado é neutro por definição. Abaixo segue um roteiro que facilitará o processo de aceitar o risco de operar. Por mais que estejam numerados, não há uma ordem no processo. São melhores práticas que devem ser realizadas em paralelo à sua fase de aprendizado.

1º Assumir total responsabilidade sobre suas ações

Aceitar o risco e assumir a responsabilidade estão diretamente relacionados. Assumir a responsabilidade significa reconhecer e aceitar, de forma inquestionável, o resultado e as consequências de suas ações. Em muitas tarefas cotidianas, frequentemente, dependemos de coisas que fogem do nosso controle. Por este motivo, costumamos transferir parte da responsabilidade para o que foge do nosso alcance. Quando se trata de trading, nada foge do seu alcance. Tudo é 100% consequência das suas ações. Se ganhar dinheiro em um trade o mérito é seu, por outro lado se perder, igualmente a responsabilidade é sua. Se hesitar em entrar na operação, se hesitar em stopar, tudo é de sua responsabilidade. Dessa forma, não há saída a não ser trazer para si, total responsabilidade sobre a consequência dos seus atos. Assumir total responsabilidade é fundamental para que você consiga perceber que no fundo, a grande mudança é interna e não externa. Ou seja, é você terá que se adequar ao mercado e não esperar que o mercado se adeque ao que você quer.

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Entender esse conceito e assumir efetivamente a responsabilidade contribui, inclusive, para que você não se transforme em adversário do mercado ou acredite que o mercado te deva alguma coisa. Ter uma relação de adversário com o mercado implica claramente que você não entende o que ele é. Lembre-se, o mercado vai continuar fluindo para cima ou para baixo e você não terá controle sobre isso. Por melhor que seja sua análise, inclusive se olhar o fluxo de ordens, ora ou outra suas operações vão dar errado, pela própria natureza de incerteza dos mercados. Contudo, se você se sente ameaçado pelo mercado você claramente esta sem sincronia com ele e se perdeu a sincronia, claramente perdeu a objetividade. Se quiser, de fato, se tornar um trader consistente terá que assumir total responsabilidade sobre a consequência de suas decisões. Assim, conseguirá canalizar os esforços para olhar para si e corrigir erros ou desvios de atitude que estão afetando seu resultado.

2º Aceitar a realidade do mercado

Aceitar a realidade do mercado é o primeiro passo para aceitar o risco de operar. Os conceitos de imprevisibilidade, singularidade do momento e dinâmica, são pouco compreendidos pela maioria dos traders, o que certamente contribui para a falta de consistência de suas operações. Traders medianos acham que aceitam o risco, mas no subconsciente não aceitam. Operam prevendo e não reagindo. Operam com perspectiva de mercado fazer algo para eles ou de o mercado preencher suas expectativas. Só operam quando estão convencidos de estarem certos. Dessa forma, é natural incorrer em problemas como hesitar em entrar na operação, hesitar em stopar no prejuízo, hesitar em realizar lucro na posição. Traders consistentes, por sua vez, aceitam o risco de operar porque aceitam a realidade do mercado. Sabem que o resultado é incerto, não possuem expectativa sobre a direção, apenas estão abertos e despreocupados (disponíveis) para fazer o que o mercado mostrar que tem que ser feito, naquele exato momento. Traders consistentes não hesitam em stopar, pois acreditam que tudo pode acontecer. Traders consistentes operam sem medo, pois aceitam verdadeiramente o risco de darem um passo para trás antes de voltarem a andar para frente.

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3º Preparar-se financeiramente

Certamente um dos grandes pontos que impedem de traders se tornarem consistentes é o despreparo financeiro. Considero “despreparo” não só a insuficiência de recursos para a atividade, mas também a falta de compreensão sobre a realidade do trading. A primeira grande verdade e que poucos assumem é que a atividade do trader ativo requer as mesmas exigências de um empreendedor do mundo corporativo. Imagine que você decida abrir um negócio. Existe um investimento inicial, para comprar equipamentos, reformar etc. Existirá também um gasto fixo mensal, ou seja, salários, aluguel, energia, etc. Existirá um custo variável mensal, ou seja, despesas incorridas quando há vendas, como compra de insumos por exemplo. Obviamente existirá o faturamento da empresa, mas que depende de vários fatores. Alguns fatores dependem do esforço do dono, direta ou indiretamente, enquanto outros fatores dependem de externalidades, como por exemplo, interferências governamentais, obras, evolução da economia etc. O dono deste negócio só estará no lucro quando o faturamento cobrir os custos fixos e variáveis mensais, além de todo o investimento inicial. Concorda que, dependendo do negócio, pode demorar alguns meses ou anos para isso acontecer? Concorda também que o dono do negócio, muito provavelmente esta ciente dos valores aproximados de quanto irá investir e de quanto terá de custo fixo mensal? Este conhecimento aproximado de investimento e custo fixo implica aceitação em pagar essas contas sem dor emocional. Ou seja, um empresário não tenta evitar comprar uma máquina, reformar, pagar conta de luz, aluguel, salários etc, pois reconhece que isso é inevitável. Obviamente este exemplo é simplista, mas aborda exatamente o que precisa ser entendido. Ao contrário do que ocorre no exemplo acima, a maioria que tenta se tornar um trader pensa diferente. A maioria acredita que fará salário no mercado. É comum ouvirmos perguntas do tipo: “quanto dá para ganhar por mês?”, quanto tempo vai demorar para que eu faça um salário no mercado?”. As perguntas não são erradas, mas grande parte das vezes carregam um componente de falta de compreensão. A maioria dessas pessoas, não assume ou não acredita que o risco de um trader é similar ao risco de um empreendedor. Um trader, assim como um empreendedor, não tem salário fixo. Ambos incorrem em custos fixos e variáveis. Ambos dependem de variáveis controláveis e incontroláveis. Dessa forma, a atividade de trader pessoa física, não é comparada à nenhuma atividade do mundo corporativo. Os riscos dos empreendedores são diferentes dos riscos dos funcionários.

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Meu foco é fazê-lo aceitar o risco de operar como trader ativo. Dessa forma proponho uma forma de pensar e planejar seu aprendizado como um empreendedor. Organizei uma estrutura de investimento, custos e faturamento que deverá contribuir no processo de aceitar o risco do negócio. Vamos lá: Primeiro de tudo, o investimento. Na conta investimento você deverá computar todos os custos de treinamento (livros, cursos, etc.) e custos maquinário (computador, telas, etc.). Até aqui nada de novo. Agora é hora de pensar nos custos fixos mensais. Alguns custos serão previsíveis outros não. Aconselho projetar os custos que não são previsíveis e aqui começamos com alguns conceitos interessantes. - internet; - plataforma operacional; - plano de corretagem, caso opte por pacotes; - custos bolsa (emolumentos, taxas de registro etc); - perdas pré-definidas. Sugiro que projete os custos de bolsa, as perdas assim como as despesas de corretagem em um período. Mesmo não sendo custo fixo previsível, pois não saberá o quanto irá operar, o fato é que você terá que aceitar o custo e as perdas inerentes a aproximadamente 3.000 day trades, em seis meses, como proposto anteriormente. Estes custos de bolsa mais corretagem, além das perdas não seriam fixos, mas é importante colocá-los na conta porque você terá uma dimensão de quanto custará operar os 3.000 day trades. De todos os custos listados acima, as perdas pré-definidas são os custos menos previsíveis. Pressupondo que você executará 3.000 day trades é possível calcular com relativa precisão quanto arcará com os custos bolsa, corretagem, etc. Perdas certamente ocorrerão, mas não sabemos ao certo quanto. Logicamente, devemos considerar mais perdas no início, pois, há muito que aprender. Como preciso passar uma previsão para que estime seu custo com perdas proponho que se baseie na frequência de oscilação dos preços do ativo que decidir operar. Dada frequência atual da maioria dos mercados estimamos que tanto a meta diária de ganho quanto o stop diário de um trader devem ser o valor financeiro proporcional ao seu lote, de 10 e 15 vezes a frequência de oscilação que mais ocorre no mercado. Ou seja, projete sua perda máxima no dia como se

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stopasse de 10 a 15 operações. Considere a magnitude de seu stop, a frequência de oscilação que mais se repete, na média, no mercado. Esse conceito ficará mais claro e tangível quando ler o material sobre regras e gerenciamento de risco. Custos variáveis no trading. O mais correto seria considerar as perdas e os custos bolsa + corretagem como custos variáveis, uma vez que todos derivam da quantidade de operações realizadas. O fato é que quero que aceite o risco de iniciar o negócio. Tratei custos bolsa, corretagem e perdas como fixos, para forçá-lo a operar. Lembre-se que só aprenderá operar e só conseguirá mudar crenças se operar. A última conta que falta é o ganho. Obviamente quanto maior, melhor. É seu ganho que compensará todas as outras contas de custos citadas. Entretanto, por conta de todas as dificuldades e de tudo que terá que desenvolver, seu ganho será progressivo. No começo, talvez seu ganho não seja suficiente para arcar com todas as despesas, mas você só terá uma noção se valerá a pena ou não, se passar pela fase de aprendizado. Não coloque muita expectativa sobre os resultados nos primeiros meses. Aliás, a relação de custo/ganho tende a ser muita onerosa para quem opera lotes pequenos, por isso não tome como base seu resultado líquido durante a fase de aprendizado. Foque em aprender o jogo. Com esses conceitos acredito que fica mais fácil acreditar que trading é similar a qualquer negócio. Há muita incerteza envolvida e se operar com a perspectiva de evitar custos cairá em um sério problema. Alguns custos são inerentes à atividade. É impossível operar sem pagar corretagem e taxas bolsa. Também é impossível operar sem arcar com eventuais perdas. É quase como querer expirar sem antes ter inspirado ar. Se focar em economizar reduzirá a possibilidade de ganhar. O foco é fazer o que tem que ser feito e não evitar pagar custos. Quando aceitar os custos envolvidos, você não mais sofrerá em arcar com os custos inerentes, pois entenderá a harmonia e coexistência entre ganhos e perdas. Da mesma forma estará apto a aceitar o risco da sequência de trades e não será influenciado pelos resultados individuais de cada trade. Lembre-se que traders consistentes encaram risco de forma diferente dos demais por usarem a probabilidade a favor e diluírem o risco na sequência de trades. Diluir o risco em uma sequência elimina o desconforto emocional do ganha/perde de cada trade individual.

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4º Confiar no método

Confiar na capacidade de gerar resultados, sem sombra de dúvidas é essencial para que aceite o risco. Se você não confiar no seu método, dificilmente aceitará o risco de operar, pois não confiará na sua capacidade de ganhar. Essa é uma fonte de dúvidas que assombra muita gente. Muitos traders novatos acabam tendo sucesso temporário no mercado, pois, muitas vezes não conhecem o que estão fazendo. Se executarem um método qualquer é bem capaz de produzirem resultados positivos por um tempo. Entretanto, você já aprendeu que o mercado é dinâmico e que os padrões se modificam. Dessa forma, quando a dinâmica mudar o trader novato, começará a ter dificuldades em produzir ganhos suficientes para cobrir as perdas. Dependendo do grau de expectativa e preparo emocional deste trader os problemas começam a surgir. Antes não havia medo, pois o método funcionava. Agora o método não funciona. O que fazer? Se esse trader perder a confiança no método ele não mais conseguirá segui-lo. Perceba que há dois problemas. Primeiro: despreparo do trader sobre a realidade do mercado. Segundo: falta de consistência do método. Para que confie sem sobra de dúvidas no método operacional sugiro fortemente que considere a análise de fluxo de ordens. Não precisa esquecer tudo o que você faz até hoje, porém, considere estudar o fluxo. O ideal, principalmente no início, seria excluir o que você olha (gráficos, indicadores, suportes e resistências e etc.) e só olhar o fluxo através do book de ofertas e histórico de negócios. Aconselho excluir tudo, pois será mais fácil perceber o mercado através de uma nova perspectiva e que não conflite com o que você já sabe. Permita-se ser levado pela agressão na compra/venda e só por isso. Permita-se olhar para tela sem a expectativa de encontrar direção, somente seja levado pelo fluxo das ordens. Certamente é um processo lento. Estimo um mês de acompanhamento até que construa sensibilidade e perceba o fluxo de agressão. Nos próximos meses você começará a construir discernimento nas demais variáveis. Começará a perceber quem é quem. Começará a perceber quanto de lote é muito e quanto é pouco. Perceberá a intensidade, agressividade e circunstância dos negócios. Em fim, perceberá que não há nada mais objetivo e lógico, que o fluxo. Quando chegar nesse nível de percepção, não mais duvidará da capacidade de ganhar dinheiro. Isso por que a questão não será mais

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prever e sim ser deixado levar pela correnteza das ordens. Você perceberá que não haverá mais ansiedade, pois, não será necessário prever para onde o mercado vai. Sua capacidade de ganhar não será proporcional à sua capacidade preditiva, mas sim ao nível de oportunidades que o mercado fizer disponível.

5º Desenvolver agilidade operacional20

Agilidade dá dinheiro quando você é um trader ativo. Agilidade significa rapidez e segurança na execução de ordens de entrada no mercado, saída e stop. Sua capacidade de capturar as oportunidades que o mercado faz disponível é diretamente proporcional à sua agilidade na execução. O mercado esta cada vez mais “automático” o que tende a diminuir, consequentemente, o tempo entre um negócio e outro. Com menos tempo entre os negócios, o tempo de reação manual também é menor. Por incrível que pareça uma das fontes de stress e medo de alguns trades é a falta confiança em executar agilmente. Concorda que se você não confiar na sua agilidade, você pode sentir medo de um movimento brusco contrário à sua posição? Esse medo não o ajudará em nada e pior, só irá atrapalhar. O fato de ter medo não vai impedir o mercado de fazer tal movimento brusco e quando ele ocorrer, além de você não estar preparado para agir e zerar, você irá sofrer alteração de estado ou até bloqueio em agir. Dessa forma é necessário que você desenvolva agilidade. Construa sua tela operacional de forma a reduzir ao máximo o tempo de execução. Elimine todas as “burocracias” para envio de ordens. Em seguida, treine. Infelizmente ainda não há simuladores bons a ponto de reproduzir a realidade, de forma fiel. Entretanto, alguns simuladores podem te ajudar a tirar o “bloqueio” de enviar ordens rápidas. Os simuladores podem tirar seu “bloqueio” de enviar ordens consecutivas ou de agredir o comprador ou vendedor. Em fim, acreditamos que o uso de um simulador pode ser interessante somente para desenvolver agilidade operacional, antes ou durante sua fase de aprendizado com operações reais. A confiança 20

Certamente é mais importante no Scalping do que nas demais essências, mas sempre é bom confiar na sua capacidade de execução, especialmente em épocas em que a volatilidade aumenta.

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gerada pela agilidade contribui para o processo de aceitação do risco de operar.

6º Distinguir os erros

O conceito de distinção entre os tipos de erros é fundamental. Se você não distingue as fontes de erros, pode incorrer em dificuldade de tomar ações corretivas. As fontes de erros do trader ativo são as seguintes: - Erros de execução Erros de execução ocorrem, principalmente, na fase inicial. Eles envolvem falta de agilidade e destreza nas execuções bem como erro simples de trocar compra por venda e vice versa. Estes erros tendem a diminuir drasticamente com o tempo. Obviamente todo ser humano é susceptível a errar, mesmo com experiência, mas os erros de execução tendem a ser bem raros com o prazo. - Erros de avaliação Erros de avaliação ocorrem pelo fato de você julgar algo de forma errada. Operar de forma discricionária requer muito mais subjetividade do que operar de forma mecânica. Apesar de não ter destinado um espaço nesse material para falar sobre ser discricionário, o conceito foi utilizado em várias partes. Em vários momentos critiquei a padronização que as pessoas buscam no mercado. O oposto de padronização é ter discrição. Dessa forma os erros de avaliação são muito comuns no começo. Será natural julgar de forma errônea alguns sinais gerados pelo mercado. Por exemplo, é possível que o mercado agrida um lote grande na compra e você acredite que é para comprar enquanto era para vender, pois apesar da agressão ser grande e de compra, havia muita venda no book ou a circunstância não favorecia compra nesses níveis, ou ainda porque havia absorção. Assim, como os erros de execução, erros de julgamento tendem a reduzir drasticamente ao longo dos seis meses de treino. Nunca conseguirá eliminá-los por completo, mas certamente conseguirá atingir um nível onde se sinta confortável com tomar decisão de forma discricionária. Aliás, uma das sugestões para conseguir operar com discrição é começar com discrição controlada. Ou seja, não fique totalmente livre para operar, será muita liberdade para pouca experiência. Escolha

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certos “padrões” operacionais do fluxo de ordens e opere de forma mais mecânica no início. Só com o tempo vá acrescentando discrição até o ponto em que consiga ser livre para fazer o que o mercado mostrar que tem que ser feito. - Erros de comportamento Erros de comportamento ocorrem pela interferência do emocional nas tomadas de decisão. Grande parte do conteúdo deste material é sobre interferência de crenças e estados neurofisiológicos no trading. Dessa maneira, você aprendeu que a forma como pensa interfere no seu estado e consequentemente interfere em suas ações, que interfere na forma como pensa, fechando o ciclo. Portanto, os erros de comportamento mais comuns são: hesitar em entrar na operação quando as variáveis que considera como oportunidades estiverem presentes; hesitar em sair da operação quando as variáveis mostrarem reduzida probabilidade de ganho e hesitar em stopar a operação quando o que motivou sua entrada não estiver mais presente ou quando o risco de uma operação não fizer mais sentido financeiramente. Além desses erros há outros, como: entrar em operações por impulso, sair de operações por impulso, medo de perder oportunidade, etc. Assim como os erros de execução e julgamento, os erros de comportamento tendem a se reduzir não com o tempo, mas com seu empenho em aprender o jogo. Quanto maior for o seu desejo em ser consistente, maior será sua persistência. Quanto maior sua persistência, maior sua tolerância com os seus erros e maior seu discernimento em utilizá-los como motivação para melhorar. - Erros inerentes à atividade de trader Como o próprio nome diz, estes erros são inerentes à atividade de trading. Não há como evitá-los. Essa fonte de erro é característica da própria definição da natureza do mercado. Por conta do componente de imprevisibilidade, há erros que não tem como evitar. Por mais destreza que você atinja na execução, por mais destreza que atinja na avaliação e por mais que adquira todas as crenças e atitudes corretas, nada vai te isentar do imprevisível. Existirão momentos em que por mais objetiva que seja sua análise, um clique de um trader irá mudar a história e negar o potencial de ganho do seu trade. Com essa fonte de erro, você terá que conviver para o resto da vida. Essas quatro fontes de erros devem ser trabalhadas. Se você tratar todas suas perdas, simplesmente como “erros”, a palavra erro vai continuar energizada negativamente. Dificilmente você conseguirá

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mudar o efeito negativo de crenças pré-existentes sobre o significado do erro e transformá-lo em ímpeto para melhorar. Classificar e organizar o erro te ajuda aceitar o risco de operar, pois clareia o diagnóstico.

7º Re-significar os erros e as perdas

Erros e perdas estarão presentes com frequência na vida de um trader ativo. Conforme já vimos neste material, nós quem optamos por qual significado daremos à tudo que nos é apresentado pelo mundo. Vimos também que nossas crenças são determinantes para o sentido que daremos aos fatos. Por exemplo, se você possuir crenças energizadas com experiências negativas sobre erros, muito provavelmente dará um significado negativo toda vez que cometer um erro. Por outro lado, se tiver crenças fortalecedoras sobre erros, provavelmente não dará o mesmo efeito negativo sobre a ocorrência deles. Minha sugestão neste tópico é direcionar seu foco para dar um novo significado aos erros. Logicamente é muito importante que já tenha o conceito de distinção de erros bem fundamentado. Cada fonte de erro (execução, avaliação, comportamento e erros inerentes à atividade) deve ser tradada de forma específica. É muito comum que a maior parte dos traders não dê atenção a tais distinções. Dessa forma, a tentativa de adequar a mentalidade já existente, ao mercado muitas vezes leva à experiências frustrantes. Você já deve ter percebido o que significa “a mentalidade de trader”. Traders ativos devem pensar diferente, o que implica dar novo sentido a fatos que até então eram percebidos de outra forma pela maioria das pessoas. Os erros de execução, avaliação e comportamento devem ser encarados como o custo de aprendizado do negócio e como seus professores. Repare que essas são crenças, as quais devem ser incorporadas à sua estrutura de pensamento da mesma forma como as seis crenças primárias apresentadas no capítulo 6. Lembre-se de que você só conseguirá energizar essas crenças, quando experimentar algo positivo adotando tal forma de pensar. Com essa forma de pensar, você não se sentirá inferiorizado a cada vez que errar e, além disso, usará este erro para ajustar suas ações. Pensar desta forma é a única maneira de ficar no jogo, principalmente porque estas três fontes de erro são mais comuns

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dentro da fase de aprendizado (aproximadamente seis meses ou 3.000 day trades). É muito importante ressaltar que sugiro que comece a operar bem pequeno. Você não vai e nem deve lutar internamente contra cometer esses erros citados, pois eles, fatalmente irão ocorrer. Operar pequeno auxilia aceitar o risco de operar, pois, há pouca “ficha” em jogo. Comece com o mínimo de lotes possível, independentemente de quanto patrimônio você possua. Só acrescente lotes quando adquirir consistência de resultados21. Acredite, muitos saem do jogo nessa fase, pois desrespeitam essa simples recomendação. Agora vamos falar do significado dos erros inerentes à atividade de trading. É muito comum que haja dúvida entre erros de avaliação e erros inerentes à atividade de trader. Diferenciar erro de julgamento de erros gerados pelo fator imprevisibilidade requer critérios. Para sanar, ou ao menos minimizar esta possível dúvida temos que aprofundar os conceitos sobre o que definimos como uma oportunidade de ganhar dinheiro. Por exemplo: Imagine um investidor e que utilize o conceito de abordagem fundamentalista. Obviamente o prazo de investimento é longo até pela exigência deste perfil operacional. A crença básica desse investidor é que existam ativos subavaliados pelo mercado e que a oportunidade de ganhar dinheiro está justamente na capacidade de identificá-los antes dos demais players. Neste caso, o que difere erro de avaliação de erro inerente é qualitativo e não quantitativo. Um exemplo de erro de avaliação seria julgar erroneamente uma projeção de receita de tal empresa. Já um erro inerente poderia ser a ocorrência de um fato novo que tenha se tornado público após a decisão de investimento e que negue o potencial de ganho previamente estimado. O correto seria exemplificarmos cada um dos conceitos e estilos operacionais e diferenciar os erros de avaliação de erros inerentes, porém, seria um exercício extremante longo e pouco produtivo já que o objetivo deste material é abordar o mercado da ótica do trader ativo. Desta forma focarei apenas nos aspectos diretamente relacionados ao erro na atividade de day trader como prazo operacional e usando fluxo de ordens como conceito de atuação. Nesse universo, o erro de avaliação é todo e qualquer erro de julgamento cometido na leitura do fluxo de ordens levando em conta 21

Sugerimos que só aumente o lote quando fizer, pelo menos 50% da sua meta diária em 7 pregões numa amostragem de 10 pregões.

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as informações que estão disponíveis no mercado. Já os erros inerentes são aqueles causados por todas as variáveis que existem, mas não podemos observar. Estão lembrados quando falamos sobre variáveis que o gráfico não mostra? Falamos de variáveis como oferta e demanda, volume de agressão, etc, as quais são observadas quando se olha o book de ofertas, entretanto, falamos também, de nível de convicção de comprados e vendidos, a que preço vão iniciar ou zerar posições e etc, que refletem, justamente, o componente de imprevisibilidade e novidade do mercado. Essas diversas variáveis que não podem ser vistas fazem com que seja impossível evitar alguns erros. Acredite, a história não está escrita. Ela vai se escrevendo a cada tick e a cada alteração de oferta e demanda, tornando nossa interação com o mercado, algo sempre novo e inexplorado. Não se preocupe se ainda não conseguiu distinguir erro de avaliação de erro inerente de forma muito objetiva. É necessário que você aprenda ler o fluxo e desenvolva certa habilidade e sensibilidade sobre as variáveis observadas. Isso leva tempo. Uma forma de facilitar tal entendimento seria quantificar um pouco mais a questão do erro. Essa não é a melhor forma de ajudá-lo a distinguir os erros, mas certamente contribui para sua evolução. Cada ativo possui uma frequência de oscilação em centavos ou pontos e é possível identificar os movimentos mais frequentes ou comuns. Identificar e se adaptar à magnitude de oscilação de cada ativo é fundamental para ser um trader ativo bem sucedido. Essas faixas de oscilação definem o quanto esperar de ganho, o quanto esperar de stop e o quanto esperar de balanço em cada operação 22. Repare que disse esperar e não efetivamente buscar. Digo esperar, pois, você deve estar completamente livre para aceitar qualquer novidade do mercado e qualquer coisa diferente do que o histórico vem apresentando. Agora que você já tem uma ideia do que seria um erro inerente ao dia a dia do trader ativo vamos dar um novo significado a ele. É muito comum essa fonte de erro, assim como as demais já descritas, sejam energizadas com carga negativa. Ciente disso, você deverá conscientemente pensar diferente sobre os erros inerentes. Ao invés de se culpar por cometê-los dê os seguintes significados: - Stop é custo de achar uma oportunidade de ganhar. - Stop protege patrimônio

22

Especialmente nas operações de scalping ou momentum trading.

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Concorda comigo que se você conseguir dar os significados acima aos seus stops ocasionados por perdas inerentes, você não teria mais porque sofrer com tais perdas. A questão chave e que você deve estar se perguntando é “como dar tais significados?”. Novamente te digo que a única forma de mudar de crença é experimentar algo positivo adotando essa forma de pensar. Só operando é que você perceberá que é impossível realizar 100% de operações ganhadoras, pois, existe um fator de imprevisibilidade sempre presente. Só operando é que perceberá que seus stops são a única forma de prevenir grandes perdas. Você vai olhar para trás e lembrar, “nossa se não tivesse stopado aquela compra/venda eu teria perdido muito visto que o mercado continuou caindo/subindo”. Aprender a conviver com a perda inerente é parte do seu processo de aprendizado.

8º Exercícios de Visualização

A técnica de visualização é uma excelente maneira de treinar ou preparar a mente para tarefas que exigem desempenho. Há um roteiro ao final deste material com todas as dicas de como realizar a visualização.

Conclusão do capítulo de aceitar o risco de operar

A maioria dos traders opera sem antes buscar preparar suas mentes para o trading. Buscam trading systems ou setups prontos e acreditam que replicar tais métodos com sistemática e disciplina seja o segredo do sucesso. Pegue um exemplo de um trader normal que ainda não aceite o risco de operar. Imagine que ele tenha comprado um ativo a R$ 10,00, por quaisquer motivos que ele defina como uma oportunidade, e que tenha pré-definido o stop a R$ 9,90. Se, de fato, esse trader não aceitar o risco, ele deverá hesitar em stopar a operação quando o preço atingir os R$ 9,90. Esse trader só decidiu comprar, pois estava convencido de que ia subir. Stopar não fazia parte dos planos, porque achava que não precisaria. Esse trader criou expectativa de alta em sua mente.

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O que acontece quando o mercado não preenche a expectativa de alta deste trader? O trader vai sofrer, vai sentir dor, stress ou até medo. Esta alteração no estado irá criar uma situação insuportável e interminável de esperança. O trader irá dar peso a cada leve respiro que o mercado der a favor de sua compra. Entretanto, imagine que o ativo continue caindo. Durante a queda a situação descrita acima, só piora e o trader tenta ao máximo bloquear a informação que esta vendo no mercado. Ele simplesmente não acredita na queda, mas ela é real e gera cada vez mais dor. Quanto mais cai, mais dor ele sente e mais cego e esperançoso fica. Você já se viu nessa situação? Como sair disso? Certamente não é aprendendo a adivinhar a direção dos mercados e nem tentando desenvolver o melhor trading system do mundo. Aprender a operar é bom e saudável, mas não é solução para o problema acima. Independentemente dos critérios que você define como oportunidade, o que vai te fazer consistente é manter o estado despreocupado enquanto opera com dinheiro de verdade. Despreocupado é não sentir medo de errar ou perder dinheiro e nem ser imprudente. Despreocupado é o meio do caminho entre medo e imprudência. Se estiver despreocupado você não hesitará em agir para stopar a posição a R$ 9,90, não se arrependerá se logo após stopar a compra a R$ 9,90 os preços voltarem a subir e você não hesitará em entrar novamente no mercado se houver uma oportunidade concreta logo em seguida. Isso porque você aceita sem nenhuma culpa ou resistência interna, essas situações inevitáveis. A reposta para o problema acima é: aceitar o risco de operar, aceitar errar e aceitar perder dinheiro! Quer saber a verdade? você só aprenderá a aceitar o risco verdadeiramente, quando perder. É duro, é triste, é frio, mas é real. Quando ouvi isso fiz o máximo para evitar, mas adivinhe: não consegui e senti exatamente o que tinha ouvido. É na perda que buscamos o ímpeto de ganhar. É na perda que buscamos nos desenvolver. Canalizar conscientemente essa energia, essa raiva gerada pela sensação da perda é o segredo. A perda é o combustível do ganho. Guarde isso! O último conceito que gostaria de apresentar dentro desta conclusão é que aceitar o risco é um processo. Não é algo do dia para noite! Independente da sua situação financeira, independente de quanto

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você aceita colocar em jogo, o ideal é iniciar pequeno (com o mínimo possível) e só aumentar no sucesso e de forma progressiva. Vou exemplificar: Sugiro que você comece a operar com 1 lote do mini índice, mini dólar ou até 500 ações/opções. Para isso terá que aceitar o risco de operar 1 lote do mini (ou 500 ações/opções). Com esse tamanho você provavelmente fará resultados diários entre R$ 50,00 e R$ 120,00. Se você for fazer scalping23, suas perdas diárias, fatalmente girarão nos mesmos R$ 50,00 ou R$ 120,00, uma vez que o scalping requer um gerenciamento de risco, praticamente, de 1 para 1. O momento exato de alterar de 1 para 2 lotes é quando você criar uma confiança inabalável na capacidade de recuperar as perdas normais do processo de operar de 1 lote. Quando você não tiver mais dúvidas da sua capacidade de ganhar e de recuperar das perdas geradas por 1 lote, você está pronto para aumentar para 2 lotes. Você vai perceber que atingir 50% da meta em 7 pregões numa amostra de 10 pregões é um bom termômetro, mas a confiança inabalável na capacidade de ganhar e recuperar as perdas é que vai determinar a mudança definitiva de patamar de lote. Esse é o processo!

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Procurei ao longo deste material descrever como um trader ativo estrutura sua forma de pensar. Se você já possui alguma experiência operando, deve ter percebido o quão determinante é o fator emocional. Se, por outro lado, ainda não possui experiência como trader aproveite estes ensinamentos para começar a operar já pensando da forma mais adequada à realidade do mercado. É muito importante ressaltar mais uma vez que essa forma de pensar que apresentei se aplica ao trader ativo. Obviamente alguns dos conceitos apresentados são verdades de mercado e, portanto, aplicam-se aos demais perfis operacionais.

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Incluindo Trades baseados em Microestrutura, Ineficiência para Scalping, Trade Location e Front Running. Nos Trades para Segurar, aconselho estabelecer um stop diário de no máximo 70% da meta diária.

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Para finalizar este material eu gostaria de deixar uma mensagem extraída do Livro Trading in The Zone de Mark Douglas. O texto abaixo resume bem o processo de mudança de perspectiva. “Quando você aceitar completamente as realidades psicológicas do mercado, você aceitará correspondentemente os riscos do trading. Quando você aceitar os riscos do trading, você eliminará o potencial de interpretar a informação do mercado de forma dolorosa. Quando você parar de definir e interpretar as informações de mercado de forma dolorosa não haverá nada para a sua mente para evitar, nada para se proteger. Quando não existir nada para se proteger, você terá acesso a tudo o que você sabe sobre a natureza do movimento do mercado. Nada vai ficar bloqueado, o que significa que você vai perceber todas as possibilidades que aprendeu e a sua mente estará aberta para um verdadeiro intercâmbio de energia. Você naturalmente vai começar a descobrir outras possibilidades de trades que antes não podia perceber. Para sua mente estar aberta a esta troca de energia, você não pode estar em um estado de saber ou acreditar que já sabe o que vai acontecer com o futuro dos preços. Quando você estiver em paz com não precisar adivinhar o futuro dos preços, você pode interagir com o mercado a partir de uma perspectiva em que estará disponível para permitir que o mercado lhe diga o que é provável de acontecer a seguir. Nesse ponto, você vai estar no melhor estado de espírito para entrar espontaneamente no fluxo das ordens e fluir com o mercado.”

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Página deixada em branco

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MANUAL DE VISUALIAÇÃO APLICADO AO TRADING

Apresentação

Uma "ciência" pode ser definida como um sistema testado e comprovado de conhecimento que pode ser usado para produzir resultados previsíveis e precisos. A ciência da navegação, por exemplo, nos permite calcular exatamente onde estamos em qualquer lugar na terra ou no espaço e prever com precisão a chegada a qualquer destino. A ciência da química torna possível que novos compostos e produtos melhorem a nossa saúde, nutrição, etc. Com um único osso, a ciência da arqueologia consegue reconstruir a vida de um animal que morreu milhões e milhões de anos atrás. Assim, uma ciência pode ser pensada como um sistema de informação de modo seguro e fiel, que pode ser usado para melhorar a vida como um todo. Psicocibernética é a primeira ciência do desenvolvimento humano. É um sistema de conhecimento que vai permitir realização de alterações significativas na forma como você pensa, como você se sente e como age e reage a tudo na vida. Psicocibernética não tem nada a ver com ilusão ou esperança. Ela é baseada no conhecimento científico de como o cérebro humano e o sistema nervoso trabalham em conjunto para produzir atitude, pensamento e comportamento. Os princípios aplicados foram testados e comprovados em inúmeras experiências em laboratórios e instituições de pesquisa ao redor do mundo. Sua prática foi provada com sucesso por milhões de pessoas que usaram para mudar as suas vidas nos últimos trinta anos. Psicocibernética funciona em um nível fundamental e as mudanças produzem efeitos em todas as áreas da vida. Quanto mais você aprender para dominar a técnica, mais você pode esperar: - Estabelecer objetivos claros e alcançá-los de maneira previsível. - Construir ou reforçar uma autoimagem forte e positiva, coerente com seu objetivo. - Parar de ver seus erros como falhas e aprender a usá-los como feedback positivo. - Aprender a relaxar e ficar relaxado. - Aprender a lidar com a raiva e usá-la de forma criativa.

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Psicocibernética não vai produzir essas mudanças do dia para noite. Será necessário um tempo para aprender as novas maneiras de pensar e de agir, de forma que elas se tornem automáticas em sua vida. De toda forma você vai começar a experimentar resultados positivos quase que imediatamente.

Definição

A palavra cibernética vem de uma palavra grega, que significa timoneiro, ou seja, alguém que guia ou regula qualquer coisa. A ciência da cibernética, por sua vez, estuda sistemas automáticos de orientação, como aqueles que permitem que um míssil guiado encontre seu alvo, que um computador resolva problemas complexos, ou que robôs realizem sequências complicadas de tarefas automaticamente. Nosso subconsciente é na verdade um servomecanismo de “atingir meta” e a Psicocibernética é a ciência que estuda o sistema de orientação da mente humana. Este servomecanismo tem acesso a tudo o que você já viu, fez, provou, cheirou, sentiu ou aprendeu. Tudo é registrado em nosso cérebro. Se você fornecer um objetivo a esse servomecanismo, ele automaticamente produzirá os meios para alcançar a meta. Assim, seres humanos são naturalmente “cibernéticos” possuindo uma função de “atingir meta”. Essa é a forma como fomos criados. Este servomecanismo que permite amarrar os sapatos, andar ou até mesmo dirigir enquanto outras tarefas são realizadas. Além disso, este servomecanismo é completamente impessoal e respeita fielmente sua “programação”. Ou seja, se você se der objetivos positivos e de sucesso ele se transforma em um mecanismo orientado a alcançar sucesso. Se você, por outro lado der metas de fracasso, ele automaticamente funcionará como um mecanismo de falha e produzirá falha. A escolha é sempre sua. Você é quem escolhe o que seu subconsciente irá buscar. Suas palavras, pensamentos e atos constroem esse mecanismo orientador e a grande sacada é geri-lo de forma consciente.

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A Importância de erros

Todos os sistemas automáticos de orientação objetivos através da constante correção dos erros.

alcançam

seus

O exemplo do míssil é o mais pertinente, pois reflete de forma análoga como usar os erros de forma construtiva. Um míssil possui sensores que detectam quando ele está fora de curso. Só com essa informação é que o sistema de orientação faz ajustes necessários e, eventualmente, corrige a rota com ações. Isto é feito diversas vezes em sua jornada. O míssil guiado depende desse feedback negativo para guiá-lo ao seu destino. Sem esse feedback negativo, um míssil guiado não saberia para onde estava indo e nunca chegaria ao seu destino. O mesmo é verdadeiro para o servomecanismo do ser humano. Muitas pessoas interpretam os erros como um fracasso e sofrem sentimentos de frustração e desânimo quando, na verdade, os erros são exatamente as informações que o nosso servomecanismo precisa fazer as correções necessárias e levar para os nossos objetivos. Quando se trata de mercado, o erro vem energizado com mais carga negativa por vir acompanhado de perdas financeiras, o que só piora a situação. Você já aprendeu que a única forma de tirar essa carga negativa do erro é aceitar o risco de operar e de sofrer as perdas inevitáveis do trading. Seu servomecanismo não tem opinião sobre erros. Ele simplesmente utiliza as informações para guiá-lo ao seu objetivo. O que chamamos de "erros", na verdade, deveriam ser lições valiosas para o sucesso. Uma parte importante da Psicocibernética é aprender a re-significar os erros e remover o sentimentos negativos que eles causam. Este é apenas um dos benefícios da aplicação desta técnica no trading.

Autoimagem

O objetivo ou destino de um míssil é um conjunto de coordenadas programadas em seu computador. No caso da mente humana, as metas que programam nosso servomecanismo são imagens mentais, fotos mentais, vozes e sentimentos que criamos com o uso da imaginação.

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A imagem mental mais importante e que nós usamos para programar nosso servomecanismo é a nossa autoimagem. Nossa autoimagem é o nosso modelo mental ou imagem mental de nós mesmos. Nós não costumamos prestar atenção nisso conscientemente, mas ela está lá. Esta autoimagem é o nosso conceito de "o tipo de pessoa que eu sou." Ela é construída de nossas crenças sobre nós mesmos, de crenças que foram inconscientemente formadas a partir de nossas experiências passadas, de nossos triunfos e fracassos, de sucessos e decepções, e também por nossas observações da maneira como outras pessoas reagiram a nós, especialmente na infância. Uma vez que uma ideia ou uma crença sobre nós mesmos torna-se parte desta autoimagem, nós a aceitamos como sendo verdadeira. Nós não pensamos e nem questionamos nossa autoimagem. Nossa autoimagem determina nosso pensamento, os nossos sentimentos, as nossas ações, além de controlar a quantidade de sucesso, emoção, alegria e satisfação que temos. Autoimagem explica por que o pensamento positivo é tão pouco confiável e por que força de vontade é tão ineficaz e difícil de manter. Por mais força de vontade e pensamento positivo que você tenha, sua autoimagem necessariamente, deve estar alinhada ao seu objetivo. Se não houver esse alinhamento, sempre prevalecerá como meta, o que você, no fundo, julga sobre si mesmo. Nossa autoimagem está constantemente programando nosso mecanismo criativo. Se a sua autoimagem “mostra” que você é um fracasso, o seu servomecanismo vai encontrar uma maneira de entregar esse resultado para você. Se a sua autoimagem “diz” que você é uma vítima das circunstâncias, isso também será refletido em sua vida. Se, pelo por outro lado, a sua autoimagem é que você é capaz e bem sucedido, seu mecanismo criativo produzirá tais resultados. O objetivo da ciência da Psicocibernética é justamente ajudá-lo a mudar ou criar uma autoimagem forte, produtiva e capaz, condizente com suas capacidades.

Imaginação - A Chave da Mudança

Você construiu a sua autoimagem atual através de imagens mentais e sentimentos que já experimentou, em conexão com os acontecimentos de sua vida (especialmente na infância). Agora você

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vai usar a mesma ferramenta para construir o tipo de autoimagem que expressa o melhor de você. Você vai usar a imaginação para criar imagens e sentimentos de sucesso, satisfação, realização e força, e com estas novas imagens positivas que você vai reprogramar o seu servomecanismo para que ela comece a produzir resultados de acordo com o sua nova autoimagem. Obviamente este processo vai levar um tempo. Este tipo de mudança requer prática e repetição para ser efetivo.

Histórico

Antes de apresentar os exercícios de aplicação ao trading é necessário que você entenda de onde vêm os conceitos, pois facilitará o entendimento e aumentará a eficácia da técnica. Dr. Maxwell Maltz, nascido em 1899 consagrou-se como um dos mais respeitados cirurgiões plásticos de seu tempo. Além de cirurgião, Maltz era psicólogo e professor de Cirurgia Plástica da Universidade de Nicarágua e Universidade de El Salvador. Foi este médico quem apresentou a Psicocibernética ao mundo quando lançou o livro Psycho Cybernetics, em 1960. Seu livro é frequentemente considerado um dos melhores livros de autoajuda já escritos. Ainda hoje, suas descobertas no campo da psicologia continuam influenciando milhares de pessoas em todo o mundo. Psicocibernética ainda está na vanguarda da tecnologia de desenvolvimento de pessoal e é considerada, por muitos especialistas, como umas das únicas formas de alterar personalidade. Como cirurgião plástico, Dr. Maltz operou milhares de pessoas. A cirurgia plástica que costumava realizar nas pessoas (geralmente facial) gerava não só uma mudança na aparência, mas em muitos casos, gerava também uma mudança surpreendente em suas personalidades. Esta mudança drástica de personalidade ocorria quase que imediatamente após seus rostos serem “alterados”. Dr. Maltz percebeu que quando mudava a face de uma pessoa, frequentemente, alterava-se também seu comportamento. Entretanto, enquanto alguns pacientes apresentavam mudanças significativas de comportamento e atitude em menos de um mês após a cirurgia, outros pacientes, estranhamente, não apresentavam nenhuma alteração de personalidade mesmo sofrendo mudanças drásticas na aparência. Dr. Maltz precisava descobrir o porquê de algumas pessoas mudarem o comportamento para melhor e outros

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simplesmente continuarem agindo como antes da interferência cirúrgica. Ficou claro para Dr. Maltz que as mudanças na aparência não eram a chave para explicar as mudanças na personalidade. Existia "algo mais", que algumas vezes era influenciado pela cirurgia facial, enquanto outras vezes não era influenciado. Quando este "algo mais" era influenciado ou reconstruído a pessoa mudava, por outro lado, quando esse “algo mais” não era influenciado ou reconstruído, as pessoas continuavam as mesmas, embora suas características físicas estivessem diferentes. Era como se a personalidade tivesse uma "cara". Esta “cara da personalidade" parecia ser a verdadeira chave para mudanças. Mesmo após a cirurgia, se as pessoas continuassem, se vendo internamente, com cicatrizes, feias ou inferiorizadas não ocorria nenhuma mudança de comportamento. Por outro lado, se esta "cara de personalidade" pudesse ser reconstruída, a pessoa mudava o comportamento. Uma vez que ele começou a explorar esta área, encontrou mais e mais fenômenos que confirmavam o fato de que a "autoimagem” (imagem mental do indivíduo sobre si mesmo) era a verdadeira chave para explicar personalidade e comportamento. Você deve estar querendo saber qual a ligação de alterações de comportamento causadas por cirurgia plástica com seu sucesso como trader. Uma vez que a autoimagem que você tem de si mesmo determina para qual lado você será atraído, a sua autoimagem também determinará se você será ou não bem sucedido como trader. Em outras palavras, se você tem uma imagem clara de si mesmo como já sendo um trader bem sucedido, você tem todas as possibilidades de tornar-se e manter-se bem sucedido. Se sua autoimagem, como trader estiver minimamente abalada, independentemente do motivo, nem o melhor setup, nem o melhor trading system do mundo irá te dar o sucesso. O sucesso começa dentro da sua mente. Você terá que aprender a ver a imagem clara, em sua mente, do que significa o sucesso como trader. Por esse motivo que a técnica é chamada de visualização. Só assim seu servomecanismo estará programado para entregar-lhe sucesso.

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Imagens mentais

Vários homens e mulheres bem sucedidos usam "imagens mentais" e “ensaio mental", para alcançar o sucesso. Segundo livros relacionados ao assunto, Napoleão Bonaparte, por exemplo, praticou batalhas mentais por muitos anos, antes mesmo de estar em um campo de batalha. Ele vividamente se enxergava como comandante elaborando mapas, cálculos etc. Conrad Hilton, o famoso proprietário da cadeia hoteleira Hilton viu-se possuindo e gerindo hotéis, em sua imaginação, muitos anos antes de ter comprado seu primeiro hotel. Ele dizia que se imaginava sendo um homem de sucesso no ramo hoteleiro, muito antes de se tornar. Da mesma forma como foi apresentado acima, eu diria que o mesmo é verdade para o trading. Se você não puder ver-se claramente, em sua imaginação, como um trader bem sucedido não há nenhuma maneira de se tornar um. Tenha certeza de que os melhores traders só conseguiram ultrapassar a fase de aprendizado e depois manterem-se operando, pois tinham uma imagem clara de sucesso em suas mentes. Muitos se viam bem sucedidos, mesmo ainda não sendo na prática. Existe um mecanismo automático dentro de todos nós e que Dr. Maltz chama de servomecanismo. É como se fosse uma máquina de “atingir meta”, que nos dirige para um alvo. Todos nós somos assim e temos potencial de utilizá-lo para atingir as metas que queremos alcançar. Este servomecanismo funciona como um míssil teleguiado e dessa forma necessita de programação adequada para atingir seu alvo. A programação deriva justamente das imagens mentais que temos sobre nós mesmos. Se continuamente dermos ao servomecanismo, imagens nítidas e vivas das metas que queremos alcançar, nosso subconsciente automaticamente vai fazer as coisas necessárias para nos ajudar alcançar nossos objetivos. Por outro lado, se nós continuamente pensarmos e imaginarmos as coisas que não queremos que aconteça, o nosso servomecanismo vai levar essas imagens ruins como sendo nosso objetivo, e automaticamente tentará fazer essas imagens tornarem-se reais. Percebeu como nosso servomecanismo funciona de forma automática e inconsciente? Ele simplesmente considera as imagens mentais que temos e tenta torná-las realidade. Para ele, não importa se as imagens são boas ou não, também não importa se as imagens são

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sobre o que queremos ou se são sobre o que queremos evitar. Ele simplesmente reage às imagens mentais que nós temos. Por exemplo, imagine que fará um discurso na frente de um grande número de pessoas. Se continuamente imaginar claramente, em sua mente, que o discurso será positivo e que o público te receberá bem, muito provavelmente estará criando caminho para que o discurso saia do jeito que quer. Mas, por outro lado, se imaginar preocupação, se imaginar que errará palavras ou se imaginar ser ridicularizado, muito provavelmente você criará isso. Qualquer erro que cometa ou qualquer sinal de alguém na plateia que minimamente te faça sentirse inferior irá causar sérias alterações em sua confiança. Esse abalo de confiança, que era justamente o que você estava tentando evitar, no fundo é o que você consegue. Você consegue o que imagina mentalmente. Esse exemplo fica bem claro no trading. Se você puder se imaginar operando, claramente, de forma bem sucedida seu servomecanismo estará programado para entregar-lhe sucesso. Todos os desafios, stops, perdas serão encarados automaticamente da forma correta, ou seja, como feedback positivo. Com esse pensamento, e fazendo o que tem que ser feito, você fatalmente fará operações positivas que cobrirão eventuais perdas e gerarão lucro. Por outro lado, se continuamente imaginar o que você quer evitar (ou seja: evitar stops, evitar perder dinheiro, evitar errar a operação, ou evitar sofrer movimentos bruscos de mercado) o seu servomecanismo estará programado para entregar-lhe estas imagens ruins. Independentemente da técnica operacional que utilize, você fatalmente sofrerá stops, perda de dinheiro, erros de operação e ocasionalmente sofrerá movimentos bruscos de mercado. Uma hora ou outra você, fatalmente, vai ter o que imaginou (por mais que tenha imaginado algo que quisesse evitar) e essa sensação é que machuca. É dessa forma que os mecanismos de sucesso e de fracasso trabalham dentro de nós. Falaremos mais sobre isso nas próximas páginas. Um ponto extremamente importante é que seu objetivo e consequentemente sua imagem mental estejam dentro de suas capacidades. Por exemplo: digamos que queria ganhar um campeonato de tênis, mas que nunca tenha jogado tênis. Nada no mundo, nem o melhor treinador e nem a maior imaginação clara de sucesso em sua mente, farão com que tenha habilidade de jogar tênis em um curto espaço de tempo. Será necessário treino físico, além de mental, para que consiga ser bem sucedido. O mais adequado é começar a jogar estabelecendo metas físicas e mentais, progressivas.

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O mesmo se aplica ao trading ativo. Para operar day trade de forma ativa, você precisa desenvolver habilidades operacionais (agilidade), habilidades analíticas, habilidades comportamentais e habilidades gerenciais. Todas demandam treino. Dessa forma, por mais que se imagine claramente operando milhares de lotes por dia ou ganhando milhares de reais por dia, a sua imaginação tem de estar, minimamente, dentro de suas capacidades atuais. Você pode se imaginar de qualquer maneira que quiser. Você é quem controla seus pensamentos. Contudo, muitas pessoas não estão dispostas a exercer esse controle permitindo que suas imaginações sobre falhas passadas destruam seus potenciais. Todos nós carregamos arquivos mentais, e enquanto algumas pessoas guardam momentos e ocasiões positivas, outras pessoas arquivam apenas seus momentos de fracasso e frustração. Entretanto, é fácil assumir controle sobre sua imaginação. Tudo que você tem que saber e acreditar é que o seu cérebro tem dificuldade em distinguir entre as experiências reais e imaginárias, desde que elas sejam claramente e suficientemente imaginadas. Se nos imaginarmos vivendo situações específicas de forma clara, nítida e viva, teremos a mesma percepção mental de já termos desempenhado tais aditividades em sua forma real. Neste material você aprenderá exercícios mentais específicos que contribuirão para seu desenvolvimento como trader. Estes exercícios mentais simularão diversas situações reais, e se imaginados suficientemente e de forma clara, criarão o mesmo impacto de uma situação real. Eles irão ajudá-lo a estar pronto para as diversas situações que você, fatalmente enfrentará enquanto estiver operando.

O mecanismo de sucesso e o mecanismo de fracasso

Já discutimos anteriormente que o servomecanismo é justamente o mecanismo de “atingir meta” que temos dentro de nós e que nos guia até nossos objetivos. Entretanto, você também sabe que o servomecanismo pode ser um mecanismo de sucesso ou um mecanismo de fracasso dependendo, exclusivamente, do que você “mentaliza”.

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Quando está funcionando como um mecanismo de sucesso, ele está nos ajudando a alcançar as metas que queremos. Como você já sabe, usamos a nossa imaginação criativa para retratar de forma clara e viva essas metas e nosso mecanismo de sucesso nos ajuda a atingir tais objetivos. Por outro lado, se imaginarmos as coisas que estamos tentando evitar, os problemas que estamos tendo e as preocupações, certamente iremos receber mais dessas emoções negativas. Como disse há pouco, o nosso servomecanismo é completamente imparcial e usa as imagens que mentalizamos trabalhando arduamente para torná-las realidade. A boa notícia é que você não só pode como deve escolher seus objetivos. Você pode usar o seu mecanismo de sucesso em conjunto com a sua imaginação criativa para definir e atingir seus objetivos. Dr. Maltz enumera os princípios básicos sob os quais o seu mecanismo de sucesso funciona: 1) O seu mecanismo interno de sucesso deve ter um objetivo ou "alvo". Este objetivo ou meta deve ser pensado como se você já tivesse alcançado. 2) Foque em ter um objetivo claro, nítido e vivo em mente. Não se preocupe e nem desanime com o processo pelo qual esse mecanismo irá entregar o sucesso. Se você mantiver o foco no objetivo, seu mecanismo encontrará uma forma de entregar-lhe o resultado. 3) Não tenha medo de cometer erros ou de falhar ocasionalmente. Lembre-se de que todos os servomecanismos (humanos ou não) alcançam um objetivo por corrigirem sistematicamente os erros via feedback negativo. 4) O aprendizado de qualquer habilidade é realizado por tentativa e erro. Corrija mentalmente os erros até que atinja seu objetivo. Depois disso, a aprendizagem futura é realizada por esquecer os erros passados, lembrando apenas do benefício positivo de pensar dessa forma. Você deve aprender a confiar na capacidade de seu mecanismo criativo fazer o trabalho. Não fique preocupado ou ansioso, nem questione de forma consciente se ele vai funcionar ou não. Foque no

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objetivo e não no processo 24. Essa confiança é necessária porque o seu mecanismo criativo trabalha no plano do subconsciente.

Perdoe-se

Um dos maiores problemas que vejo entre traders é que a maior parte deles se recusa a perdoar-se após cometer erros. Isso causa um sério problema, pois quanto mais se martirizar pelo erro, mais imagens negativas virão à mente. Esta é a pior coisa que se pode fazer depois de cometer um erro. Quando você cometer um erro no trading, você precisa se perdoar por fazer esse erro. O perdão é um conceito chave na Psicocibernética. Você aprendeu que se imaginar continuamente, com detalhes vivos, esta imagem será o seu alvo, quer queria ou não. É por isso que ao cometer um erro, você deve esquecê-lo e perdoarse completamente. Se, não fizer isso e ficar revivendo o erro ele certamente irá se repetir. Isso acontece porque o nosso subconsciente tenta representar em nossa vida as imagens claras que criamos. Se você olhar para trás, eu tenho certeza que pode lembrar-se de momentos em que cometeu erros e não se perdoou. Lembre-se de quanto arrependimento, remorso, dúvida e culpa acompanham tais lembranças. Se você já opera nos mercados deve ter vivido algo similar e sabe o quão fatal essa situação pode ser. O que geralmente causa uma sequência de perdas? Sua estratégia ou seu descontrole? Obviamente sua estratégia pode causar uma sequência de operações perdedoras, mas o descontrole é sem dúvidas a maior causa das sequências de operações perdedoras. Outro ponto crítico em fases de perda é confundir suas operações perdedoras com suas próprias identidades. Muitos traders associam os seus trades negativos à suas autoimagens causando um sério problema de confiança. Saiba de uma vez por todas que erros não te definem como pessoa. O que te define como pessoa é como você recebe, interpreta e reage ao erro.

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Neste caso a palavra “processo” foi usada para descrever a forma como seu servomecanismo irá trabalhar. Não confunda com o processo de operar e achar bons trades, onde seu foco deve estar.

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Além do mais, você aprendeu que existem quatro tipos de erros. Os erros de execução, avaliação e comportamento são erros típicos de iniciantes. Não existe um trader no mundo que tenha se tornado bem sucedido e que não tenha enfrentado todos esses erros e aprendido com eles. Já o erro intrínseco à atividade deriva da imprevisibilidade sobre a atuação dos demais players nos mercados. Tudo pode acontecer e consequentemente sua operação pode dar errado. A convivência com esse tipo de erro é eterna. Perdoe-se por errar. Só olhe para trás para saber o que errou e como pode melhorar.

Exemplos de aplicação da Técnica de Visualização

Quando pesquisamos sobre as técnicas de visualização e prática mental percebemos que sua aplicação é mais difundida entre atletas profissionais. São diversos exemplos de situações onde atletas sistematicamente aplicam visualização. Alguns livros citam diversos jogadores famosos que aplicam diariamente a visualização. Tenistas, ginastas, boxeadores, jogadores de basquete, vôlei, futebol, golfe, dardo, etc afirmaram aplicar tais técnicas. Preste atenção às entrevistas de atletas com desempenho excepcional. Perceba quão preparados mentalmente eles são. Repare em uma partida de golfe, por exemplo, como um profissional se comporta antes de dar a tacada na bola. Repare, aparentemente, como eles visualizam a tacada, antes mesmo de o fazerem. Ao contrário da abundância de livros e matérias sobre aplicação das Técnicas de Visualização ao esporte, há escassez de material sobre sua aplicação ao trading. De toda forma, devido à similaridade de esporte e trading, nós decidimos adequar os exercícios que atletas praticavam à nossa atividade. O resultado é surpreendente e você conhecerá quais os principais exercícios que a atividade de trading ativo exige. Antes disso, darei alguns exemplos do resultado da aplicação de tais técnicas. - Fase de aprendizado Como você deve saber, nós aprendemos operar buscando nos espelhar em outros traders de sucesso. A convivência diária na sala de negociações facilitava o processo de aprendizado, não pelo fato deles cantarem a bola onde estão comprando ou vendendo (o que chamamos de trade), mas sim pelo fato de contribuírem no póstrade, ou seja, depois de zerarmos a posição. Quando estamos

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começando como traders, sentimos necessidade de saber à hora exata de comprar ou vender. Sentimos necessidade de algo objetivo e tangível que nos motive entrar nos mercados. Na verdade, você já sabe que o que queremos é algo mecânico ou que decida por nós. Por outro lado, você também já aprendeu que o mercado possui uma característica de singularidade tornando essa “mecanização” impraticável. O mercado exige discrição mesmo se você tenha um sistema mecânico, pois a dinâmica irá mudar e será necessário reavaliar sua estratégia. Bom, de toda forma, queria dizer que nossas primeiras operações foram baseadas em pequenos padrões observados no pós trade dos veteranos. Eu, particularmente, foquei no padrão de inversão de fluxo (primeira batida ou tomada significativa após uma sequência de altas ou baixas, respectivamente). Esse “padrão” era e ainda é o mais lógico e que mais funciona25. Assim, comecei a mentalizar e visualizar operações com esse padrão. Primeiro, eu tinha uma imagem clara da minha tela operacional, reconhecia as cores da tela, os players, a atualização do histórico de preço. Também exercitava mentalmente a sensibilidade do mouse, do teclado e o ambiente em que eu operava. Considerava inclusive, as pessoas que estavam ao lado e suas vozes. Tudo para ser o mais fiel possível ao meu real ambiente de trabalho. Depois disso deixava a imaginação rolar, imaginava diversas formas e tipos de inversão de fluxo. Cada uma tinha uma intensidade, cada uma delas tinha um player responsável pela agressão e cada uma tinha um resultado. Umas davam certo, outras davam muito certo e geravam lucro considerável enquanto outras davam errado. Eu tinha (e ainda tenho) tudo isso claro, nítido em minha mente. De tanto exercitar, esse padrão em específico, eu me preparava para cenários diversos, os quais nunca tinha visto. Eu treinava minha reação a fatores, imprevisíveis, treinava agilidade, treinava ímpeto. Quanto mais eu fazia isso, mais confiante eu me sentia. Quanto mais confiante eu me sentia, mais eu aplicava enquanto estava operando de verdade. A sensação que se tem usando visualização é de confiança, pois, ao invés de evitar o imprevisível você treina para enfrentá-lo. Ao invés de esperar coisas novas acontecerem, você as treina antes. É como se você já tivesse preparado de tanto treinar em sua mente.

- Aumento de volatilidade devido à crise Outra circunstância em que a técnica da visualização contribuiu de forma efetiva foi uma crise que gerou volatilidade exagerada nos 25

Em mercados cuja dinâmica favorece este tipo de operação, como Dólar, por exemplo.

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mercados, principalmente no dólar futuro, no final de 2011. Devido às incertezas relativas à Europa, os mercados entraram em crise e a volatilidade foi às alturas. Se já presenciou as cotações em época de volatilidade deve ter percebido o quão rápido você tem que ser para reagir tanto na entrada, quanto nas saídas e stops das operações. Recordo, claramente do primeiro dia de crise, quando as cotações passaram a trabalhar em uma frequência de oscilação bem maior, de uma hora para outra. Após o fechamento desse dia, apliquei a visualização para me preparar para um mercado mais rápido. Obviamente o efeito não é imediato, mas certamente é melhor do que nada. Durante a visualização eu começava imaginando as cenas vividas o dia, depois imaginava situações rápidas diferentes. Via claramente um player tentando comprar e rapidamente agredindo o preço de venda acima e assim sucessivamente. Imaginava claramente comprando junto com a primeira boletada significativa de compra que viesse ao mercado. Imaginava o preço rapidamente subindo até dar a primeira parada e que me motivasse sair da operação. Via claramente o meu financeiro mostrando o lucro da operação. Perceba a importância desse exercício. Ao invés de tentar evitar e esquecer o dia de incremento de volatilidade, eu me preparava para cenários similares que poderiam vir nos próximos dias. De fato, o mercado permaneceu volátil por três ou quatro meses. - Intervenções via Swaps Cambiais Alguns meses do ano de 2012 foram marcados pelas frequentes intervenções do Banco Central no câmbio e os principais instrumentos utilizados foram os leilões de swap cambial tradicional e reverso. Quando a cotação do dólar atingia um patamar que o Banco Central julgava inadequado ele ofertava contratos de swap cambial tradicional. Na prática esse contrato é de balcão, ou seja, não interfere diretamente nas cotações por oferta e demanda. Através desse swap o Banco Central assume uma posição vendida em dólar para uma data futura específica, enquanto suas contrapartes (dealers: bancos autorizados a operarem) sobram compradas em dólar e recebendo uma taxa de juros. Até agora, não há interferência direta no preço do dólar, uma que o contrato de swap é só um acordo para compromisso futuro. Entretanto, os dealers não querem correr esse risco de exposição comprada em dólar e assim, instantaneamente ao anúncio do swap, eles vendem dólares no mercado futuro, equivalentes à sua exposição comprada para se travarem. O hedge (proteção) dos dealers é o mecanismo de transmissão do efeito do swap para o mercado. O swap reverso funciona da mesma forma, porém, ao inverso.

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Quem já acompanhou um anúncio de swap sabe quão rápido as cotações mudam de preço e quão arriscado pode ser estar com ordens penduradas na posição contrária. Expliquei tudo isso para contextualizar como utilizamos visualização nessa época de surpresas e cotações extremamente rápidas. Quando percebemos que os swaps ficaram frequentes começamos a nos preparar para eles. Imaginávamos o momento exato da primeira boletada grande que vinha para o mercado e treinávamos agredir a favor dessa boletada. Fizemos isso diversas vezes mentalmente. Em várias situações de swap e swap reverso, conseguimos pegar o movimento. Nas que não conseguíamos pegar, pelo menos, não fomos pegos pelo forte movimento do mercado, pois estávamos preparados para as mais diversas situações. Poderia listar uma série de outras circunstâncias em que utilizamos a técnica de visualização, mas a lista ficaria extensa e pouco produtiva. Vamos focar no que interessa.

Como usar Visualização para melhorar seu operacional

Ao fazer estes exercícios pela primeira vez, você pode sentir-se um pouco estranho. Você pode desconfiar que não vai funcionar ou que são exercícios ridículos. Não deixe que isso o impeça. Antes de julgar peço que tente fazer. Técnicas de visualização têm sido usadas por milhões de pessoas de sucesso em todo o mundo. A verdadeira chave é que eles se veem como sucessos muito antes de realmente se tornam sucessos. Outro ponto-chave é que eles, diariamente, continuam se vendo como um sucesso. Todos traders bem sucedidos que conheço de alguma forma aplicam visualização. Muitos deles nem sabem que aplicam, mas suas estruturas de pensamento funcionam levando em conta tais princípios. Os melhores traders com quem convivo mentalizam enquanto não estão operando. Nas horas vagas procuram imaginar suas operações futuras, imaginar como vão reagir às novidades e imprevisibilidades do mercado. Para que você também passe a utilizar esta técnica temos que dar mais detalhes de como é feita a visualização. Para visualizar você precisa, conscientemente, ver imagens através do “olho de sua mente” ou “teatro da mente” (termo usado pelo Dr. Maltz). “Olho da mente” é um termo chave no uso de técnicas de visualização. Se

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ainda não entendeu o que significa ver através do olho da mente lembre-se de quando alguém lhe conta uma história. Você não apenas ouve as palavras, como também vê as imagens em sua mente, usando a sua imaginação. Quando éramos crianças usávamos nossa imaginação em uma base diária. Imaginávamos coisas, muitas vezes irreais e tínhamos a nítida sensação de que elas eram reais. Mas, agora como adultos, a maioria de nós perdeu as habilidades de imaginar e já não consegue ver imagens claras e nítidas através do “olho ou teatro da mente”. Lembre-se de que nossa mente não consegue diferenciar uma experiência imaginada de uma experiência real desde que as imagens sejam visualizadas de forma clara, nítida e viva. Então você terá de reforçar a sua imaginação, de modo que você pode ver a imagens mentais de forma muito clara em sua mente. Dada essa dificuldade de a maior parte das pessoas conseguirem visualizar imagens claras, Dr. Maltz sugeriu que imaginasse sua mente como um teatro. Daí a expressão “teatro da mente”. A tela, o projetor, os bancos, todos têm familiaridade e consequentemente conseguem praticar a visualização. Dr. Maltz sugere que você escolha uma cadeira confortável "no teatro da sua mente." A ideia é que você assista pequenos trechos de você mesmo, do jeito que você quiser. Você verá através dos exercícios que a visualização te ajudará a melhorar, consideravelmente, coisas como não hesitar em entrar na operação quando for pertinente, não hesitar em stopar quando a operação for descaracterizada, ou porque o mercado voltou um limite de pontos/centavos contra ou porque as variáveis que você determinou como oportunidade não estão mais presentes. Além da aplicação em situações específicas como as descritas acima, você deve usar a visualização para mudar ou reforçar a sua autoimagem. Você criou as imagens mentais sobre si mesmo baseado em todas suas experiências passadas (ligadas ao trading ou não) fracassos, humilhações, sucessos e vitórias. Se, por exemplo, você já teve experiências ruins operando day trade, pode ter perdido a confiança para abrir a boleta e clicar quando uma oportunidade estiver presente, muito provavelmente a sua autoimagem é de uma pessoa que não consegue clicar quando tem que clicar. Isso pode ocorrer mesmo que você não pense, de forma consciente, que isso esta acontecendo. Dessa forma se você usar as técnicas de visualização, diariamente, será capaz de mudar ou reforçar a sua autoimagem para o tipo de pessoa que você quer ser. Não importa como outros veem você, o que é mais importante é como você se vê. Você é o único que pode controlar isso.

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Segundo Dr. Maltz, as técnicas de visualização são muito mais efetivas do que a utilização de força de vontade para qualquer tipo de mudança. Por exemplo, se você disser para si mesmo: "Eu vou abrir a boleta e clicar na próxima vez que as variáveis que definem uma oportunidade estiverem presentes”, o que você acha que irá acontecer? Segundo Maltz, a sua afirmação tem que corroborar com sua autoimagem. Se sua autoimagem confrontar com sua afirmação, não há chance de dar certo, pois a sensação será de constante frustração. É por isso você precisa mudar a imagem que tem de si mesmo usando sua imaginação. Força de vontade não irá funcionar. Sua autoimagem sempre será dominante. Abaixo seguem algumas regras você recordar quando utilizar as técnicas de visualização para melhorar sua autoimagem: 1) Você deve estar em um estado de relaxamento enquanto “assiste” ao teatro de sua mente. Principalmente no início, o relaxamento é essencial para ter sucesso. Escolha um local confortável e sem barulho qualquer coisa que possa causar distrações. 2) Você deve prestar muita atenção aos detalhes de suas imagens mentais. Lembre-se de que o subconsciente de nossa mente não consegue diferenciar uma experiência imaginada de uma experiência real se os detalhes são claros, nítidos e vivos. Você deve se concentrar intensamente sobre os detalhes ao seu redor. 3) Você deve agir como se já fosse o tipo de pessoa que você quer ser. A verdadeira chave para mudar a sua autoimagem é, continuamente, pensar sobre si mesmo como já sendo o tipo de pessoa que você quer ser. Por exemplo: você deve comportar-se como um trader, seguro, disciplinado e consistente, mesmo ainda não sendo. Suas palavras, ações e atitudes devem refletir essas características. 4) Você deve visualizar, pelo menos, uma vez por dia e de preferência no mesmo horário. Alguns experimentos científicos apontam que leva aproximadamente 21 dias para que haja mudança de um hábito ou de um processo de pensamento. Você formou seus maus hábitos em um dia por isso é impossível esperar que eles mudem em um dia.

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Técnica de relaxamento – Corpo calmo, mente calma!

É muito benéfico estar física e mentalmente relaxado antes de fazer os exercícios de visualização. Não tente visualizar enquanto o mercado estiver aberto, ou mesmo enquanto faz outra atividade. Você deve estar em cadeira confortável ou deitado em uma cama. Não deve haver distrações, portanto, desligue TV, rádio e se possível as luzes. Cada pessoa deve ter sua própria técnica de relaxamento. Uns preferem, reduzir a respiração, outros preferem imaginar todos os membros do corpo pesados e etc. Procure alguns métodos (pode ser no google) e tente o que mais se aplica ao seu corpo. Apenas lembrese de que é importante estar extremamente relaxado antes dos exercícios.

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Primeiro exercício - definição de metas

Estabelecer metas é essencial para medir sua evolução como trader. Além do que, como você aprendeu no material anterior, nós todos necessitamos nos ancorar em algo tangível, mensurável e que tenha significado. Se você não tiver metas diárias, semanais ou mensais vai ser muito difícil, tanto medir, quanto visualizar o seu sucesso. Este exercício serve, justamente, para que você se visualize alcançando seu objetivo diário. Ou seja, para que você se acostume a ganhar, o que também contribui para reforçar sua autoimagem de trader consistente. Não significa, contudo, que você vai alcançar esse objetivo todos os dias, mas sem ter esse objetivo claro e nítido em sua mente será bem mais difícil. A primeira coisa de tudo é usar qualquer técnica para entrar em um estado de relaxamento. Você pode escolher qualquer técnica, desde que se sinta relaxado. 1) Vá para o teatro em sua mente e acomode-se de forma bem confortável. Preste atenção a todos os detalhes que vê. A tela grande ou pequena? Como seu braço se acomoda na cadeira, como se sente? Detalhes, detalhes, detalhes. Faça ser real. Neste ponto, você está tentando fortalecer sua imaginação e ver as imagens em sua mente de forma muito clara. Se você ainda não puder ver as imagens claramente, não se preocupe, ficará mais fácil com o tempo. 2) Este exercício servirá para você visualizar o atingimento da meta diária. Como já foi dito, seu objetivo deve ser dentro de suas habilidades. Se você ainda nunca operou ou possui pouca experiência visualize-se atingindo o objetivo proposto entre R$ 100,00 e R$ 120,0026. Por outro lado, se já opera e já possui um objetivo diário mais elevado utilize tal objetivo, como meta, durante o exercício de visualização. 3) A primeira coisa que você deve visualizar são os dias em que já atingiu sua meta diária. Traga as lembranças de um dia em específico e sinta os sentimentos positivos causados pelo seu resultado positivo. Tente reproduzir esses dias, ou pelo menos o final dos dias em sua mente. Lembre-se de se atentar aos detalhes. Lembre-se da cor da sua tela com o resultado positivo, da sensação, da sensibilidade do teclado e do mouse.

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Objetivo diário médio traçado pela Scalper Trader para operações com um lote de mini-contrato, ou com lotes reduzidos de ações ou opções.

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4) Se você ainda não opera, consequentemente, não terá lembranças para resgatar. De toda forma poderá praticar visualização usando a imaginação. Lembre-se, sua mente não diferencia experiência imaginada de experiência real se houver detalhes suficientes. 5) A próxima cena a passar claramente em sua mente deverá ser o atingimento da meta diária no final da sessão. Visualize claramente, o número vivo em sua plataforma operacional. Se sua meta for R$ 120,00, então veja esse número exatamente no local onde ele é mostrado em sua plataforma. É muito importante que você utilize mentalmente a mesma tela operacional que utiliza para operar de verdade. Imagine-se anotando o seu resultado em sua planilha de controle, seja em Excel ou em papel. Sinta você digitando o resultado que produziu, ouça o barulho do teclado enquanto digita. Torne a cena tão real, que quando você finaliza a notação você se vê, claramente, desligando seu computador e despedindo-se das pessoas que operam ou seu lado. Se você opera em casa, visualize o que costuma fazer após parar de operar e desligar o PC. 6) Depois disso repita a mesma coisa para os demais dias da semana. Tente repetir rapidamente algumas operações de day trade bem sucedidas, mas foque no resultado positivo do final do dia. Repita esse exercício para os cinco dias da semana. 7) Este exercício fixação de metas é extremamente importante. Primeiro, porque te ajudará a ter uma imagem clara e nítida do que você se propõe a ganhar por dia. Essa imagem será a programação do seu servomecanismo, que trabalhará no seu subconsciente para que você atinja tal meta. Isso não significa que você não precisará agir para fazer essa meta. Não é o servomecanismo que opera. Mas, você estará “programado” para fazer o que tem que ser feito, mesmo diante das dificuldades e surpresas do trading. Com uma meta clara, você não hesita em stopar, não hesita em entrar numa operação mesmo após uma sequência de perdas e etc. Outra grande vantagem desde tipo de exercício é que manter imagens claras e nítidas de dias e operações bem sucedidas, contribuem para mudar ou reforçar sua autoimagem de trader consistente.

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Segundo exercício – clicar para entrar na operação

A razão pela qual a maior parte das pessoas hesita em clicar para entrar em uma operação é que no exato momento em que uma oportunidade esta presente, elas estão com medo. E mais, esse medo não é do mercado, mas sim delas mesmas. Este tipo de medo deriva do fato de elas não terem confiança em fazer o que tem que ser feito sem hesitar. Medo congela e nos faz perder diversas oportunidades. Uma das piores coisas que podem acontecer com um trader é perder uma oportunidade por ter hesitado. Varias dessas oportunidades perdidas gerariam lucro, mas você estava fora do mercado, só assistindo. Esse remorso de perder uma oportunidade é péssimo, pois traz imagens ruins à mente e aciona justamente o que não queremos. Nós queremos imagens positivas e não negativas. Por continuamente pensar em si mesmo como uma pessoa que não consegue clicar para entrar na operação, você estará reforçando essa ideia em seu subconsciente. Dessa forma proponho um exercício para te ajudar a ter ímpeto de clicar quando uma oportunidade estiver presente no mercado. Você precisa vencer o medo de clicar. No material anterior apresentei uma lista de ações que ajudam a perder o medo de operar. Mas, nenhum deles é tão efetivo quanto à visualização. Esse exercício é fundamental para que o clique se torne automático. 1) Primeiro de tudo, nunca realize tais exercícios com o mercado aberto ou após hesitar em entrar numa operação. Atinja ou mantenha um estado de relaxamento do exercício anterior. 2) Este exercício é para você visualizar-se clicando, sem hesitação, quando uma oportunidade estiver presente. 3) Vá ao teatro de sua mente e resgate situações onde clicou sem hesitar. Não importa o que você define como oportunidade e nem o instrumento pelo qual toma decisão, se fluxo de ordens ou qualquer vertente gráfica, ou ainda uma combinação de ambos. Visualize cenas sobre o tipo de perfil que quer se tornar. Como este material é aplicado à operações curtas eu darei exemplos de visualização pertinentes, no entanto, você pode adotar ao estilo que quiser. 4) Visualize claramente sua oportunidade. Se vai comprar porque inverteu o fluxo, imagine o mercado cedendo com agressões leves no comprador e de repente vê alguém dando uma boletada de compra

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significativa na fila da venda. Veja claramente os lotes da fila de venda sendo agredidos, saindo do book e caindo no histórico de preços. Veja quem está agredindo. Lembre-se das imagens e de sua boleta de compra aberta na tela, com o preço preenchido. Sinta a pressão do clique o mouse no seu dedo e do momento exato em que você clica para comprar. Veja a sua plataforma mostrando a sua posição e sinta como é estar no mercado. Faça esse exercício com inúmeras variações na compra na venda, com cenas lentas, rápidas. Agrida, posicione a ordem, enfim, faça tudo o que sua imaginação deixar. Só chamo a atenção para um ponto: Os detalhes que toda hora eu repito, não são para que só entre no mercado quando todos estiverem presentes. Isso seria padronizar demais ou restringir demais os fatores que definem uma oportunidade. Não confunda, detalhes com filtros ou regras rígidas. Os detalhes são exclusivamente para que sua visualização tenha poder de confundir sua mente a ponto de achar que é real. Você já aprendeu uma característica fundamental do mercado é sua capacidade de mudar e fazer coisas inimagináveis, portanto, não padronize demais. Você não deve fazer visualização para prever ou antecipar a direção dos preços. Visualize para estar preparado! 5) Se você ainda não opera ou tem pouca experiência com esse tipo de operação baseada em leitura de fluxo de ordens, utilize os vídeos da área do aluno para imaginar as operações. Nos vídeos há diversas operações motivadas por todos os fatores que definimos como oportunidade. 6) Após ter entrado na operação visualize-se saindo do trade. Veja sua ordem de saída na fila do book esperando ser agredida pelo mercado. Veja sua ordem cada vez mais perto de ser executada até que suma do book. Sinta a sensação boa de ter realizado um trade para frente. 7) É importante que você realize estes exercícios diariamente. Não adianta nada fazê-los um ou dois dias e achar que tudo irá mudar. Pensando assim você estará jogando a responsabilidade do insucesso para a técnica. Esta prática mental vai reprogramar e reforçar a sua autoimagem de trader consistente. Após semanas de prática mental e real você vai se sentir mais confiante. Nota importante: A tentativa de fazer estes exercícios logo após um trade perdedor ou após uma sequência de trades perdedores só vai piorar. Se tiver um

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dia ruim, dê um tempo antes de fazer os exercícios. Se você esperar um tempo para acalmar (um dia, uma hora ou o que for), você vai estar em uma posição muito melhor para relaxar e depois realmente obter algum benefício com estes exercícios.

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Terceiro exercício – Clicar para stopar ou proteger lucro

Você leu em várias partes deste material que por melhor trader que você seja, e que por mais que leia fluxo de ordens com maestria, fatalmente, existirão operações perdedoras. Não há o que fazer para evitá-las. Nem mesmo os melhores traders do mundo, nem os melhores robôs, nem ninguém opera sem enfrentar operações perdedoras. A diferença entre o melhor trader e o pior, muitas vezes não está no método empregado, mas sim na capacidade de reconhecer o erro, limitá-lo e continuar confiante. O melhor trader do mundo possui sim operações que dão errado, mas são capazes de reconhecer e agir para limitar a perda. E mais, não sofrem com isso e muito menos deixam de executar as próximas entradas, pois entendem profundamente que perdas são inevitáveis. O grande problema é que a maioria dos traders não aprende isso rápido. Muitos só enxergam a realidade quando já perderam bastante. Essa relutância em enxergar a realidade e fazer o que tem que ser feito causa prejuízos financeiros expressivos, além de sedimentar comportamento e hábito negativo na autoimagem. Uns ficam gananciosos e não se contentam a ganhar somente o que o mercado proporciona naquele momento, enquanto outros ficam com medo de perder mais dinheiro. Ambos os comportamentos são péssimos. A ganância faz você esperar ao máximo para ter o maior lucro possível, o que de certa forma é positivo. O problema é que quando o mercado vira contra a sua posição, você se agarra na posição e não stopa. Depois disso você já sabe o que acontece, não é? Já o medo de operar, causa bloqueio. Com medo você ficará extremante seletivo para entrar no mercado esperando um conjunto de variáveis, quase perfeito ou quase infalível, para clicar. Você vai depositar tanta expectativa no sucesso deste trade, que se ele der errado, você não aceitará que será necessário stopar. Você só entrou no mercado, após estar plenamente convencido de que estaria certo. Errar não fazia parte dos planos. Você também já deve saber o que acontece quando você pensa assim. Quando o mercado vier contra a sua posição (e você sabe que vem) a perda será gigantesca. Este exercício te ajudará a limitar o risco, se proteger de grandes perdas e garantir lucro. Se você já opera será uma ótima oportunidade de mudar os maus hábitos. Se ainda não opera será excelente que aprenda as melhores práticas desde o início.

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1) Procure entrar em relaxamento físico e mental. 2) Neste exercício de visualização queremos, primeiramente, praticar mentalmente as ordens de saída para proteger lucro. É muito importante ter uma postura defensiva enquanto opera e este exercício te ajudará criar este hábito. 3) Assim como nos exercícios anteriores, visualize algumas operações em que fez o que tinha que ser feito e limitou o prejuízo. Pegue operações em que stopou no preço ou operações em que estava no lucro, mas zerou logo após ter percebido algo que indicasse que era para sair. Lembre-se do sucesso que teve em agir dessa forma e reviva os sentimentos. Reforce a ideia de que estava agindo para seu próprio bem e que fez o que tinha que ser feito, sem hesitar. 4) Se você ainda não opera ou já opera, mas possui pouca experiência com esse tipo de operação busque situações similares nos vídeos da área do aluno. Busque situações onde as operações foram zeradas ou no preço ou assim que alguma coisa motivou sair antes do alvo. Use também a sua imaginação para criar mais situações onde seria necessário zerar no preço ou a qualquer momento antes de atingir o alvo. Sinta o clique do mouse, veja a sua ordem ser executada. Torne o mais real possível. 5) A próxima etapa é imaginar-se entrando no mercado logo que o conjunto de variáveis que você define como oportunidade estiver presente. Usei várias vezes o exemplo da inversão de fluxo, portanto, continuarei com ele. Imagine que o fluxo de venda tenha se invertido para compra e que você tenha clicado para comprar (agredindo a venda) quando a fila de venda estivesse ficando bem escassa. Uma vez dentro da operação (comprado), você esperaria que entrassem mais ordens de compra. Dei esse exemplo somente para facilitar, mas sugiro que você faça visualização com suas próprias operações passadas. Será muito mais efeito usar operações em que você, realmente, stopou. 6) A próxima coisa você deve imaginar é o mercado não se comportando como esperava, ou seja, não entraram mais ordens de compra. 7) Você aprendeu no curso, que estar preparado para stopar é essencial. Agilidade é fator decisivo para traders ativos. Portanto, visualize-se abrindo uma boleta de saída (neste caso de venda). Veja a cor da boleta, veja a quantidade de lotes e o preço que esta nela. Quando o mercado se mover contra a sua posição e você sentir que é para stopar, clique. Veja claramente sua ordem indo ao mercado e

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sendo executada. Se você já opera, resgate claramente situações em que tenha stopado. Lembre-se de todos os detalhes. Esse tipo de exercício ajuda e muito a não hesitar quando o mercado vier contra sua posição. Treinar stops mentalmente ajuda muito ter ímpeto na hora que precisar. Visualizar stops é estar preparado para o pior. Esse tipo de exercício contribui de forma muito efetiva na construção da autoimagem de um trader consistente e confiante. Lembre-se, a confiança, não vem da sua capacidade de prever os movimentos de preço, mas sim da sua certeza de como reagirá com o imprevisível.

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Faça seus próprios exercícios de visualização

Estes três exercícios anteriores, são apenas alguns exemplos de aplicação da visualização. De toda forma, acredito que os três refletem grande parte das dificuldades de traders ativos. Obviamente, você não só pode como deve expandir os exercícios a outras situações. Você aprendeu como a técnica funciona e pode aplicá-la ao que quiser27. Você só precisa ter ciência do mau hábito que precisa mudar ou do comportamento que queira melhorar. O material que você preencheu antes do curso deve estar repleto de ideias para você trabalhar. Mais uma vez aproveito para dizer que você só terá dúvidas, quando operar. Só terá o que corrigir, quando operar, portanto, não hesite em treinar. Mas treine com lotes pequenos e só aumente o lote no sucesso. Aqui estão algumas dicas ao fazer seus próprios exercícios de visualização: 1) Você deve estar relaxado ao fazer exercícios. Se estiver tenso ou estressado, simplesmente não funcionará. 2) Use o máximo de detalhes possível. Use sempre seus sentidos para ajudar a visualizar. Você pode ver, sentir, cheirar e ouvir todas as coisas em sua visualização. No começo será mais difícil, mas com prática você consegue. 3) Tente repetir os exercícios diariamente e de preferência no mesmo horário. 4) Não existe uma regra sobre o tempo correto da visualização. Muito tempo será cansativo e você logo desanimará, enquanto pouco tempo não gerará resultados. Segundo nossas próprias experiências, o ideal é disponibilizar de 10 a 15 minutos por dia. Tente ser bem regrado, pelo menos no primeiro mês. Após este período você sentirá o benefício e o exercício se tornará prazeroso. 5) Sempre que for visualizar dê preferência para relembrar algo que já te aconteceu, porque isso tornará o processo mais real. 6) Não se culpe por seus erros. Em vez disso, você deve perdoar-se completamente e seguir em frente.

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Inclusive na sua vida fora do mercado.

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À medida que for evoluindo como trader, você pode e deve substituir e/ou acrescentar exercícios à lista. Além dos três exercícios propostos você pode visualizar situações como: - visualização de ganhos maiores que o normal. Visualize-se enxergando uma oportunidade de ganhar mais que a frequência de mercado. - Visualize-se esquecendo por completo da operação, após zerá-la com lucro ou com perda. Este exercício pode ser ótimo para quem tem dificuldades em se livrar do que já passou. Tudo o que precisa fazer é resgatar situações em que tenha se beneficiado de stopar e logo em seguida enxergar uma nova oportunidade de entrar no mercado. - Visualize o imprevisível. Use esta técnica para se preparar para movimentos bruscos de mercado. Quanto mais você se preparar, mais adaptado à realidade estará. - Visualize-se fazendo outros tipos de trades. Por exemplo, digamos que tenha se interessado por Trade Location, mas que ainda não tenha experiência. Crie situações baseadas no que você viu nas aulas e crie situações baseados no que você vê no mercado no dia a dia. Isso te ajudará a evoluir mais rapidamente nas operações, especialmente se você se preparar para os mais imprevisíveis desdobramentos do mercado. - Se você possuir outro perfil operacional, adeque os exercícios ao seu perfil.

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Mensagem

Tudo o que você leu neste material foi efetivamente aplicado por nós e realmente acreditamos em tudo o que está escrito. Este material reflete, diretamente como pensamos e como agimos como traders. Foi necessário muito trabalho para chegarmos nesse ponto, mas chegamos. Nós sempre tivemos um objetivo muito claro em mente e uma âncora que nos mantinha e nos mantêm operando. Com este material você também será capaz de chegar lá. Não importa o quão longe pareça e nem o quão difícil seja, se nós conseguimos você também consegue. Junte razões para operar, tenha uma boa âncora e siga este trilho. Você chega lá. Grande abraço e atitude vencedora! André Hanna e André Antunes

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