BARTH-F.-O-guru-o-iniciador-e-outras-variações-antropológicas.pdf

February 10, 2018 | Author: matiasiu | Category: Anthropology, Ethnic Groups, Sociology, Science, Ethnography
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.•.

\

FREDRIK ColeçãokjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA O yp o g 1 'a p b o s D ir e ç ã o : An to n io

I. Processos

BARTH

[organização: Tomke Lask

1

C a r lo s d e So u za Lim a

e escolhas: estudos de sociologia política E lisa P e r e ir a Re is

o

2. O guru, o iniciador e outras variações antropológicas F r td r ik Ba r th [ o r g a n iza r ã o :

To m k, La sk

PONMLKJIHGFEDCBA 1

guru)

e o u tr a s

in ic ia d o r

O

va r ia ç õ e s

a n tr o p o ló g ic a s

3. Criatividade social, subjetividade coletiva

A !~f.,RIK

A liderança

do grupo

munidade

doméstico

e a região

maneiras tinções

políticos

são expressas

sobretudo

o culto aos ancestrais.

yaos tornando-se

de parente, tos

através

aceitáveis

As condições vem um duplo mos culturais do-se

a compra

ritual

completa.

uxorilocal;

aspecto:

em primeiro

que permitem

evidentes

também

ao padrão

dos grupos

adulsão envol-

agrícola

-

doméstico

em função

te e sul da área pathan! ilustra

formas

e condições

domésticos

44

de contratos

depende

hierárquico

clienteltsticos,

A aceitação

análoga

ida, os Pathan

de posição

tempo,

o efeito

transferiram, versificados

e grupos

ao sofrerem

nativo,

que mostra criadores

de identidade,

muito

específica:

_

e

entre os líderes

para administrá-Io

outra

bastante

diferen-

mas é mais

ou pequenos

"A identidade

con-

pathan e sua

assumindo

a de árabes

dependeu

de uma cir-

das unidades

acumulado ofereceram

fur abandonassem

passaram

políticas

de oportunida-

das aldeias fur, inversa-

frouxas,

incen-

seus vizi-

foi bem-sucedida

também porém

e as

seus campos

a acompanhar

Nos casos em que a mudança

de vista econômico,

por Eles

e aumentá-Io

de vida, passando

Baggara.

di-

apresentado

O capital

domésticos

e mudassem

a unir-se

do

a uma ou

formalmente

centrali-

zadas, dos Baggara. Esses processos

nor-

os nômades.

tivos para que grupos

ponto

das quais o tamatrabalhando

ao ocorrido

localmente

Fur, do Sudão.

a ausência

e aldeias nhos

produti-

que se

do grupo

oportunidades

estão

das comunidades

seja o de Darfur,

representado ao qual se dá a

Com o

de gado. Esse processo

econômica

se transferi-

territórios.

aos conjuntos

os membros

e mudam

geralmente

aí novos

uma perda

kohistanis.

Talvez o caso mais marcante

nômades

receptor baluchis.

foi uma reclassificação

de tribos

Haaland",

no grupo

e conquistaram

com sua incorporação

dos Baluchi

dos líderes políticos

do norte,

em seu sistema

dentro

dos Pathan e

e centralizado

da ambição e do oportunismo

Em contrapart

e territorial

compensação

com indivíduos,

N. do E. Ver, no presente volume, o capítulo manutenção", P: 69-93. 8

no sistema

a perda de posição

de capital na economia

sem que ocorra o COntráinteiros

genealógico

entre

através das fronteiras

baluchis,

ocasiona

segmentar

mente

e influência.

pode ocorrer

que envolva grupos

pessoas

domésticos;

des de investimento

incluin-

como unidade

intracomunitária

por riqueza

a incorporação

cunstância

de mecanis-

a incorporação,

lugar, o incentivo

é de seis a oito

tes. Os Pathan do sul tornam-se rio. Essa transformação

claramente

lugar, a presença

doméstico

de competição

domésticos

chineses

sistema

são agricultores

Por sua vez, o caso dos movimentos

comum

realizada por homens

para o seu líder. Essas vantagens

ao papel do grupo de gestão

o status a mu-

os homens

para o grupo

bem como

da unidade

pelo líder de

assumir

de grupos

do rígido

ram para o Kohistão

e principal-

da pessoa

para com os ancestrais,

pelas vantagens

va, às técnicas

A mu-

Ocasionalmente,

implernentar

etc.: em segundo

nho ótimo

individual

para essa forma de assimilação

por pagamento

relacionadas

apresenta

10% de não594).

juntos

através

nesses arranjos.

aí a idéia de obrigações

incorporação,

e as disenvolvendo

1967a:

que acarreta

étnico é também

do casamento

contrapartes

(Kandre

yao, a adoção,

dança de pertencimento

rituais,

alta, com

de maneira

envolvendo

e a assimilação

de diversas

Esse grupo, no entanto,

ocorre

doméstico

ligadas

A identidade

idiomas

extremamente

dança de pertencimento um grupo

e acéfalas,

yaos a cada geração

com crianças,

clara, ao passo que a co-

poliétnicos.

em complexos

uma taxa de incorporação

mente

é muito

são autóctones

a domínios

OS GRUPOS ÉTNICOS E SU,\S FRONTEIRAS

BARTH

vessam

fronteiras

que induzem étnicas

um fluxo de pessoas

afetam

necessariamente

demográfico

en tre os respectivos

grupos.

contribuem

para

desse

completamente

a estabilidade

diferente.

riam de ser sensíveis

que atra-

o equilíbrio

Saber se esses processos equilíbrio

Para que isso aconteça,

de forma homeostática

é uma

questão

esses processos

a mudanças

BA Gunnar "Economic determinants in ethnic processes". Em: F. (ed.)LKJIHGFEDCBA E l b n i e g r o u p s a n d b o u n d a r i t s . Op. cito

9

H M

L A N D ,

te-

no grau de

B A R T H

45 '

•.. ------1

OS GRUPOS ÉTNICOS E SUAS FRONTEIRAS

FR.EDR.'" BARTH

pressão

sobre

os nichos

ecológicos.

esse o caso. A assimilação a taxa de crescimento

i

grupos,

I

tância,

I

de não-yaos

e expansão

não parece

parece aumentar

ser

ainda mais

dos Yao às expensas

contribuindo

para o processo

que vem ocasionando

sidade étnica e cultural lação de pathans

I

sensibilidade

I

ao mesmo

de progressivo

à pressão

populacional

acarreta

da diver-

indubiravelrnente

nas regiões

um desequilíbrio

i

tribos

Baluch vêm se espalhando

zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA maior pressão populacional

dos Pathan,

em função

em direção

I,\

J "

,

pos do Kohistão,

por sua vez, alivia a pressão

da

pelos gru-

região dos Pathan ao mesmo geográfica. outros

tempo

Já a nomadização

lugares

que mantém

dos Fur reforça

estão se tornando

sedentários.

n ã o está correlacionada ção, todavia,LKJIHGFEDCBA

Fur: uma vez que a nornadização zas. essa taxa possivelmente i

I

são populacional

populacional

à pressão

depende

que em

instabilidade

danças bastante

inovação tecnológica i.i

de alguns desses processos

limitadas

podem

dos

da prestambém

a

ao longo dos últimos

surgiram

novas oportunidades

reduzirão

em muito ou mesmo reverterão

de investimento,

que mu-

dramáticos:

com a

dez anos, o pro-

cesso de nomadização.

r-'·

Assim,

; identidade

ainda

que os processos

sejam importantes

casos de interdependência zem àestabilidade

étnica,

ern ter;:C;-~-'g~'~;;s que, sendo longos

períodos

interdependência brio demográfico.

de tempo, é estreita,

que induzem

para a compreensão

populacional.

à mudança da maioria

eles não necessariamente Pode-se,

no entanto,

as relações

étnicas

e particularmente

46

de dos

condu-

argumentar

estáveis

durante

nos casos em que a

é provável que haja um razoável

A análise dos diferentes

dicotomizados

fatores

envolvidos

equilínesse

exemplos

mudar

a grupos

domésticos

em função

específicas

relativas

No caso da adoção imaturos,

de circuns-

à sua posição

levam a mudanças

de iden-

de componentes

e incorporação

de indivíduos

por grupos

domésticos cultural

preensível:

neste caso, cada pessoa incorporada

no padrão

yao de relações

Não se pode argumentar integração

e expectativas.

cultural

adotar

também

partes

étnico,

Na verdade.

as outras

diretamente

a falsidade

grupo étnico

Pathan

lógicas. tificação

Com isso, um pequeno como critério assumir

pertencimento

a uma tribo

kohistani,

obrigações

e mesmo

baluchi

as práticas

ecológica

necessariamente

que caracterizam

o grupo

1967)

mostra

já que as fronteiras

de unidades de identidade

políticas ou adotar

de

políticas

de adaptação

assim continuar

47

exemplos

da identidade.

políticas

grupo pathan, usando

fundamental

perfeitamente pecuárias

os limites

imersa

(Ferdinand.

desse argumento,

cruzam

é com-

implicasse

e formas

o caso dos Pathan

completa

de uma regra universal

ou seus padrões e da economia

iso-

é totalmente totais

que faria com que assumir

na esfera da subsistência

de

já estabeleci-

Já nos outros

mudanças

que isso decorra

a um dado grupo

étnicos

ao número

não fica tão claro por que ocorrem

de

políticas

Mas isso ainda não expli-

tais mudanças

(a não ser quanto

de

de local

e formas

e políticas porque

geralmente

próprias

que provavelmente

momentaneamente

podem

dos. como no caso dos Yao, a assimilação

de rique-

e mostra

ter resultados

na horricultura

ca completamente

deixei de lado

vários

de lealdades

e em meio ao grtl.po assimilador.

sobre

entre os Fur. O caso dos Fur demonstra

inerente

econômicas

original

grupos

de subsistência,

de fronteiras

étnicos,

Examinamos

e pequenos

ou de pertencimento tâncias

da manutenção

entre grupos

importante,

de padrão

lados.

o aumento

muito

indivíduos

cada grupo).

as terras

a respeito

e dos fluxos de pessoas

A taxa de assimila-

I

!

precedente

étnicas

c u ltu r a is

tidade étnica. sem que essa troca de pessoal afete os grupos

estável a fronteira

da acumulação

decresce conforme

sobre a

os Baggara,

Na discussão

mas

apesar

nessa região. A assimilação

d a s fr o n t e i r a s

moradia,

do qual as

ao norte.

A p e r s is tê n c ia

como

\ í

da análise das relações interétnicas

na região.

uma

i

,I

é uma parte importante

uma questão

região. Já o grau de assimi-

por tribos baluchi apresenta

tempo

predomínio

uma firme redução

em uma grande

equilíbrio

de outros

e pode ser visto como um fator. ainda que de menor impor-

da etnia chinesa,

I

Normalmente

do

e eco-

a auto-iden-

étnica,

poderia

correspondentes práticas

ao

agrícolas

a identificar-se

como

e

r-REI)RI~ llARTH

pathans.

Do mesmo

modo, poder-se-ia

entre os Fur levasse ao surgimenco semelhante

OS GRUPOS ~TNICOS F. SUAS FRONTEIRAS

aos Baggara quanto

tinto destes quanto

a outras

esperar

que a nornadização

de um setor nômade

ao modo

de subsistência,

características

culturais

que há circunstâncias

entre eles,

sível. Meu argumento

e ao seu rótu-

é isso o que aconteceu

os efeitos organizadores explorar

os fatores

e canalizadores

causadores

meiro as explicações dade nos exemplos

dessa diferença, atribuídas

apresentados

acima.

que alguém

mentares

e anárquicas

as. ou melhor, do julgamento avaliação.

Os principais

de acordo

espaços

com os padrões

para exibir as virtudes

pitalidade.

Quem

mora em uma aldeia no Kohistão competir

cliente

não tem o direito

uma identidade

em termos

de padrões

antecipadamente por assumir

participante valorativos

a um fracasso

uma identidade

com a mesma performance

pathan,

kohistani

bastante

inconcluso. examinar

a condenar-se

portamento

optar

textos

alcançar

só importam

O que importa

com guem se interage

não esclarece, porém,

de acordo

e conjuntos

e a

de pa-

II

os fatores de manutenção discute

com os padrões entre vantagens

mais geral todos

em questão.

fur e mostra

temos que

que afetam

o com-

dados que derivam de con-

diferenciados,

ocorrendo

variações

si-

fatores.

do indivíduo

como um significativo

que desse permanece

a outros,

os fatores

Apresentaremos

muito

em diversos

como a vida nôma-

e desvantagens

Para gue esse caso seja comparável de maneira

A relação

Assim, nesse

são inerentes

no caso dos Fur. Haaland

etnográficos

multâneas

elevada em termos

de identidade

étnicos.

as identidades

e r e c u r s o s m a te r ia is

é tn ic a

Essa argumentação

por ser melhor

poderá

natural

ecológica. A

para um dado indivíduo.LKJIHGFEDCBA

Id e n tid a d e

ponco de vista o balanço

caso os incentivos

com os recursos

contraste

entre o Oriente

produtivos Médio

aparece e a regiãoBA

à

das circunstâncias.

É claro que diferentes performances. conjunto

e também

dos

física, coisa que raramente

dos outros

disponíveis

de é avaliada

equivale

dessa me-

abertas para cada um. Deve

ao ambiente

drões alternativos

no

então relevantes.

mudança

\~

inade-

lugar. a performance

se trata de grupos

da performance

de se expressar

das escalas de valores que tornam-se para a mudança

:é a qualidade

de fronteira

Mas se a pessoa

Os dois componentes

à sobrevivência

quando

e o

ou baluchi,

uma posição

limitações

,entra em questão

nem mesmo

da competição

muito

são

de hos-

pathan nessas circunstân-

completo.

ecológica e a adequação

vizinhas;

das regiões

10.

são, em primeiro

com

em circuns-

comparativamente

lugar, as alternativas

I :guem se é comparado,

de

tem um padrão

em hospitalidade

pelos Pathan

cias, ou seja, declarar-se

e, em segundo

se colocarem

seg-

pathan

para a demonstração

com os servos conquistados tribal. Manter

e a se-

aceitos

desses padrões

pois o compromisso

ficar claro gue não se trata aqui de um apelo à adaptação

de suas ações prévi-

e as oportunidades

conselho

outros

com esses atos em função

tribal

de um líder baluchi

pri-

quada em termos

de identi-

das sociedades

o conselho

de vida que não permite

dida relativa de sucesso

a influência

no contexto

com

étnicas não são mantidas

não será sustentado

a perforrnance

Para

viabilidade

que se obtém

dos mesmos,

que tornam

étnicas.

examinaremos

dessa região, dependem

do respeito

tâncias

valorativos

ver

às mudanças

dos Pathan,

pode obter,

situações

padrões

podemos

das distinções

específicas

No caso das áreas fronteiriças gurança

em muitas

Mas nos casos em que isso Ilão acontece,

é que as identidades

"!quando esses ~i.mites são ultrapassados, determinados

Evidentemente

ser realizada

relativo sucesso, e limites para além dos quais esse sucesso é impos-

mas dis-

lo étnico. históricas.

em que tal identidade.pode

circunstâncias

favorecem

diferentes

Uma v~?: que a iden tidade étnica está associada

culturalmenteespecffico

de padrões

48

valorativos,

a um

segue-se

Estou preocupado aqui apenas com o fracasso individual em manter a identidade, o que é conseguido pela maioria dos membros. e não com as questões mais amplas da vitalidade e da anomia culturais. I I I

t l

HAALAND,

Gunnar "Economic determinancs

49

in ethnic processes". Op. cit,

OS GRUPOS f,TNICOS [ SUAS FRONTEIRAS

FREDRIK BARTH

de Darfur.

No Oriente

Médio,

rados como propriedade vado, seja de caráter de uma transação arrendamento;

definida

mesmo

quando

de acordo

proprietário

social

há conquista,

os direitos

que se

Em Darfur, Sudanês,

absolutos

a terra,

e transferíveis.

sobre pastagens entre

possam

algumas

outros

têm nenhuma gens ocorre

automaticamente

Os mecanismos são portanto

bastante

fundamentais esse conjunto étnicas sobre

desde

simples:

pratica

isso traz como resultado de características

os meios de produção

vem outras

atividades

não é necessariamente

Médio,

através

da pessoa; afetada,

tem acesso

e não de

encontramos o cultivo

em regime

de servidão.

entações

os nômades,

de uma maneira

nesse

caso,

para a diversifi-

Médio

citadinos

a um mesmo grupo étnico; a persistência

os camponeses

e os

são vistos

sobre redo sistema.

de tais sistemas

pois compartilham

de estratificação

de grupos

hierárquico todavia,

sistemas,

que

são

certas orifa-

hieráquicos.

como mais seletos

dos sistemas

fazendo

sempre

diferenciado

étnicos.

não implica

Leach (1967)

entre

as classes.

não há estratos baseia-se

e àqueles

quaisquer

de maneira

51

Em muitos deli-

simplesmente

em

de um nível centrado

que são vistos

gradativa,

de estratificação

por

claramente

àqueles

que

como

mais

que sejam as diferenças

social de grupos

ar-

é mais fundamental

que são como nós", em oposição

rais, elas se apresentam maioria

grupos

participantes

étnicos

casos a estrarificação

tipo de organização

da terra, com

existem

de escalas e no reconhecimento

Nesses

da área pathan,

que as classes sociais distinguem-se

de estratificação,

a

mais gerais, pode-se

e que essa caraterística

em Ego, de "pessoas vulgares.

os grupos

um sis-

gerais, com base nas quais podem

a existência

convincentemente

uma noção

partes

e

e têm acesso

no controle

Em termos

um sistema

subculturas

diferentes

estratificados

especial,

em termos

Em contrapartida,

nesses

de desigualdade

da terra e outros

dos grupos

e escalas valorativas

necessariamente

nichos

por um controle

por todos

as culturas

zer julgamentos

mitados:

étnica,

poliétnicos

caracterizam-se

integradas

os meios de produção

uma relação

baseada

de senhores

os grupos

sobre

já em certas

na posição

todo um estilo de vida, e

a identidade

independente; uma estratificação

do que o ordenamento

que não envol-

de certas combinações

os Fur e os Baggara não compõem

os Pathan

uma certa modalidade

o que abre caminho

50

eles de forma

surge

pois ocupam

aos meios

obter controle

tem controle

Portanto

tema estratificado,

em Darfur

nas denominações

à inviabilidade

grupo

diferentes

cação. Assim, no Oriente podem pertencer

estratificação.

sistemas

de transações

por outro

forma,

O acesso às pasta-

pode-se

étnico

Dessa

de fronteira

está subsumido

fur e baggara. Já no Oriente

um grupo

gumenta

uma pessoa

porque

Onde

mais sutis e especí-

é tn ic o s e e s tr a tijic a ç ã »

e mo-

que se exerça a atividade

básicos de manutenção

G rupos

Ainda que gru-

se misturam

de mecanismos

e papéis.

valorizados

e áreas a cada ano, e

e absoluta.

de status

cursos

em ser baggara.

de produção

de subsistência;

rotas

usar, normalmente definida

criação animal, redundando

semelhante

de maneiraLKJIHGFEDCBA a d h o c , evitar o acesso de

vezes tentar,

prerrogativa

tribos.

depende

dizer que os sistemas

na comunidade,

não são alocados

diferentes

a usar as mesmas

às áreas que querem

Médio,

não envolve direitos

étnica furo De modo

nopolizados,

tendam

para a

O acesso aos meios de produ-

entre os Baggara, direitos pos e tribos

o

étnicas

ficos, ligados principalmente

utilizados

da coentre

do Oriente

a posse

lado, outras

tão importante

apenas da inclusão

na identidade

nem mesmo

prevalecem A distinção

das comunidades

ção em uma aldeia fur depende ou seja, da inclusão

por outro

é alocada para os membros

não pode ser feita nesse caso porque separáveis,

através ou um

que trabalha

da maioria

pri-

uma compra

com suas necessidades.

e aquele

seja de caráter

como

e limitados.

A terra para cultivo

munidade

das fronteiras

são conside-

Uma pessoa pode obtê-Ia

e restrita,

em boa parte do Cinturão

convenções.

estrutura

e transferível,

corporado.

específica

obtêm. são padronizados bem como

os meios de produção

étnicos.

cultu-

sem que surja algum Em segundo

permite

lugar, a

ou implica

uma

OS GRUI'OS liTNICOS E SUAS ~RON"EIRAS

FRF.DRIK BARTH

mobilidade

de acordo

hierarquia:

um fracasso

moderado

ção da identidade

ilustrado

dos Galla no contexto ma social em que grupos Estado.

No entanto

um amhara, identidade

étnicos

nem a expulsão

a perforrnance

dos papéis

pois a atribui-

critérios

de um sistede acordentro

não transforma

do

o sistema

de sistema

na performance

rebaixamento hierárquico s a n s c r i t i za fã o

poliétnico

incorpora

étnicos:

levam a uma expulsão novos

d o s p o vo s tr ib a is :

grupos

a aceitação

sua posição na hierarquia

a única mudança

de valores necessária

apareceria

étnicos

como

As fronteiras fracassos

pelaLKJIHGFEDCBA

de manutenção

entre castas e em diferentes

de castas esclareceria

precedente

anômala

da identidade

por uma pessoa.

tenham

o controle

variações

regionais

étnica como status:

Se esses

passar

i

KNUTSSON,

E th n ie g r o u p s

Karl Eric "Dichotomization a n d b o u n d a r u s . Op, cito

and integration". Em: F. BARTH (ed.)

Em oposição à classificação presumida em encontros sociais fortuitospenso em uma pessoa em seu contexto social normal. no qual os outros possuem quantidade considerável de informações prévias sobre ela, e não nas possibilidades propiciadas ocasionalmente para mascarar a própria identidade diante de estranhos. 1I

52

de recursos.

guanto

recursos

são obtidos

sem nenhuma

cia de sistemas

poliétnicos

ocorre

estatais, cistas;

de acordo

estratificados

canalizem

sistemas

bem demarcadas

os esforços

à identidade

dos atores

discrevias gue

do sistema

essas pessoas o contrário:

implica,

como

A.

a solução

é

mais ou não mais A persistên-

portanto,

uma distribuição étnicas:

modernos,

nos padrões

inca-

dos siste-

a integridade

em direções

53

de

da pessoa

Na maioria

com as categorias

como no caso de alguns diferenças

por

I e 2, por exemplo.

'sença de fatores que gerem e mantenham sos diferenciada,

necessite

pois alguns As tornam-se

os As não podem

os papéis

necessariamente

papéis

ou perdidos

para manter

que todos

por exemplo.

é que toda

I, 2 e 3. Se há

ser um A, e se eles são busca-

é deixar de considerar étnica

esquernático,

com um padrão

os papéis esperados.

a solução

a reconhecer

desses

referência

será falsificada,

que man-

étnicos

os papéis

a isso, a premissa

do fato de uma pessoa

isso ocorre

De modo

de acordo

em um

especiais

de grupos

desempenhar

Mas no caso da identidade

não

processos

que o desempenho

mas estratificados,

, assumirão, u

dos atores

pazes de desempenhar

geral um

a atribuição!'

A possa

a menos

também

a ser pai mes-

se inter-relacionam

são necessários

que estão distribuídos

quando

traz à tona uma característica

étnicos

básica da organização

do grupo

dos ou evitados

do sistema

a pessoa continua

atribuídas

o filho com alimentos.

diferencial

como A, a premissa

em diferentes

-

os grupos

estratificado,

independern

envolvidos

suprir

quando

sistema

pante.

muitas de suas características.

A discussão

possuídos

de pureza e poluição

de fronteiras

a pessoa

para a performance

aos recursos

das escalas básicas de valores para que um desses povos se

contrastantemente, necessários

da performance

recursos

rituais é

requer tais recur-

sem referência

se realiza,

em uma casta indiana. Creio que uma análise dos diferen-

tes processos

a identidade

adequado

não dependem

concordância

pelo qual o sistema é demonstrado

para realizar

em

em outros

de parentesco,

pessoa

da casta, e não a um

enquanto

ou seja, o desempenho

no sistema

uma premissa

indivi-

mas baseia-se

de seu papel; já as posições

Assim,

em perda da

estratificado.

por critérios

para uma casta inferior. O processo

que definem transforme

de castas indiano

específico,

e ao compromisso,

no status,

necessários

mo. que não consiga

um galla em

redunda

à origem

que ocupa o cargo recebe os recursos

a respeito

são estratificados

de algum recurso

sos. No caso de um cargo burocrático,

mais restriti-

ou de incapacidade

como fora-da-lei

a

galla.

um caso especial

tanto

relativos

sistemas

etfope ". Trata-se

inteiros

de privilégio

entre as castas são definidas

relações

em outros

chegar ao governo

Dessa perspectiva,

duais

critérios

pela análise de Knutsson

da sociedade

do com suas posições

trans-

Por sua vez, os grupos

para esse tipo de entrada,

étnica baseia-se

vos. Isso é claramente

do controle

que definem

no setor "B" da hierarquia

l i ,

não têm abertura

depende

de avaliação

e assim por diante. em "CBA

forma a pessoa étnicos

com as escalas

a prede recur-

controles

plurais

de avaliação,

distintas,

e rague

como nos

FRF.DRJ~ BARTH

sistemas

que incluem

tinções

culturais

política

ou econômica

ocupações

que gerem

r

JIHGFEDCBA

consideradas

diferenças

i

poluidoras;

marcantes

ou nas habilidades

OS GRUPOS ÉTNICOS b SUAS FRONTEIRAS

real. ou o conceitual

ou dis-

sistências

na organização

(a "estrutura")

dos e empregando

individuais.

os individuais

A

Apesar desses processos. rísticas

simultâneas

padas em termos conectadas

um rótulo

estatísticos.

mostrando

po e outros.

poucas.

nas identidades

muitas

lugares para conhecer"

eram

mo registrar

que as pessoas

assim.grupos

gorias em termos endente

pathans.

pessoas

que as variações

de tentarmos

tendem

de alguns

com

descobrir

dos processos

regiões

quais

e que

marcantes

O que é surpre-

do mundo

nas quais

enas

mas o fato de Não se trata

de uma tipologia.

são os processos

se

em tais cate-

que se posicionam

a se agrupar.

° aperfeiçoamento

étnicas

bastante

dessa maneira.

efetivamente

é legíti-

de comportamento

objetivo.

de

Em vez de

tipológico.

a se encaixar

atores

explica-

em que as

categóricas?

formas

a se distinguir

tendem

nos preocuparmos

casos

de fato usam rotulações

e de algumas

não tendem

baluchi

Nesses

de seu comportamento

tre essas categorias

quan-

nôma-

do esquematismo

inteiros

não é a existência

de origem

de seções tribais

com as quais determinadas

agrupam;

nesses

em acampamentos

de fato há. em muitas partes do mundo. diferenças de acordo

pois

a certos

e das dicotomias

ante o fracasso

que produzem

dicotomização

abordagem

que tem sido adotada

do material

etnográfico

na antropologia

I.

zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

dos padrões

neira de elucidá-los. r a s.

tentamos

construir

interconexão

as pessoas

contemplação.

ral. estou

preocupa,40,

basicamente

dos dois ma-

.

.

e não a

A; indicar

a cone-

da diversidade

em mostrar

cultu-

como. dependendo

de categori~s

e de orienta-

c:)Utras tendem

ser falsificadas

pela experiência.

eoutras

ainda são impossíveis

. serem realizadas

nas interações.

As fronteiras

étnicas só podem

gir e persistir ausentes indivíduos 'manter

na primeira

nas outras.

situação.

Havendo

e as categorias

dicotomias

. oripados

étnicas

porque

simples

do tato e de sanções.

e reforçar

lutam

nos encontros

codificações

nos casos em que as categorizações

mente

inadequadas sentido

mais adequadas -

. .!!l.as porque

55

obje-

definições

de

de encontrarem

para a experiência. se mostram

e nã9._~p'enas porque

objetivo

estere-

através da percepção

além da dificuldade

ocorre

variação

por manter

dos

possível

os diferenciais

sociais.

outras

de

ou estar

torna-se

apesar da considerável

os atores

seletiva.

em algum

a se dissolver

a

erner-

entre as experiências

que eles empreg~m.

de comportamento.

tiva. Isso ocorre

tendendo

e s s e fe e d b a c k

de

que é para o

e que é a \!.nteração.

constelações

mas

é a

na antro-

a ~elhor

Acredito

acab~m por realizar-a si próprias':

ções valorativas

não

um nível mais básico

e a manutenção

de

tal

mais férteis

e comportamento.

das circunstância· s.~~'êrtas

importante

e o confronto

a análise enfocando

étnicos

'de seu

ao modo como essas duas

que as afeta significativamente.

os rótulos

o modelo

agregado

O s g r u p o s é t n i c o s t s u a s fr o n t e i deSRQPONMLKJIHGFEDCBA

têm ".E~tegorias.

xão entre

da-

e a desvi-

viável distinguir

não é necessariamente

trabalhos

entre status

.r

agir"que

Nos

a normas

social do padrão

justamente

totais

dos

reais. estatisticamente

a dicorornização

como sistemas

nas con-

ou conceitual

as duas coisas. Mas os problemas

se interconectam;

então

e de fato é bastante

convencionais

em que se opõe o ideal ao

54 I

!

pragmático.

social dizem respeito

aspectos I'

ideal

noção vaga referente

situação

agrupamento. Outra

coisas

ao gru-

foi levado

são tão difusas, o que resta

de fronteira

desesperar-se

por exemplo.

ouvi membros

efetivas

manutenção

próprias

uma questão

os Fur que moram

rem que eles na verdade

'pologia

nos casos em que há mudanças

é tanto

Haaland,

confundir

e

entre mem-

isso cria ambigüidades.

étnico

atual.

des". e eu próprio

das características

Especialmente

casos o pertencimento

distinções

Assim. haverá variações

alguma

para dar conta

comportamento

agru-

interdependenres

da parte

que um povo tem de seu sistema

várias caracte-

se apresentam

sem se tornarem

das pessoas.

to de identidade

subsume

que sem dúvida nenhuma

de forma absoluta.

bros. alguns

étnico

concentrando-se

É claro que é perfeitamente

observados.

q u e s tã o d a va r ia ç ã o

ao empírico.

A revisão só grosseira-

sãonão-verdadeiras

agir em termo~

dessas

FR~(}RI~ BAATH

categorias

não traz

-a-tor torna

essa categorização

furs aldeões dente

nenhuma

e baggaras

de que aqueles com aldeões os aldeões comuns

falam

no domínio Assim,

é mantida

apesar da presença

fur e têm conexões

não pode

se recusarem

ser mantida

em uma situação

da terra e deixam

a maioria

básicos,

eram rejeitados

mesmo

dade permanente

de

e trabalhadores

que a posição

volvidos

complexidade

na qual estes

étnicos

os Pathan

ao

mente

atribuída

de

servos Impona.

no sentido

p á r ia s

Em alguns

e a s c a r a c te r ís tic a s

sistemas

sociais.

ainda que nenhum relações

aspecto

interétnicas.

sociedades

com minorias.

e a análise

dos casos, essas situações externos.

ram a partir

do contexto

contraste

cultural

tema social

Uma forma

Nestes,

residem

da situação

organizacional

referidos

nas como

das minorias

interétnicas,

surgiram

en-

Penso que, na

culturais

tornando-se

extrema

Esses grupos

de minoria,

as suas características, são ativamente

os recebe por causa de comportamentos condenados.

identidade

de di-

rejeitados

dos grupos

pela população

ou características

ainda que na prática

algu-

se mostrem

cultural-

identidade

pode

em alguns

casos servir

de um pária em sua competição que os párias

os estigmas simulando

tentam

Muitas

bom

aos interesses

na sociedade

conhecimento

párias).

de vida, ainda

individuais Nos casos em

mais abrangente,

da cultura

reduz-se

separando-se

de minoria

da população

da interação:

modo

vezes essa

nor-

da população

à questão

de como evitar

da comunidade

pária e

origem.

situações

das as situações

freqüenfacilmente

(mas muitas

com outros

ingressar

de incapacidade. outra

diacríticos

forte-

e por isso essa sobre-comunicação

já têm

com um sis-

a

como grupos

que os exclui. Os párias

a base para um determinado inseguro,

com isso, o problema

e que ilustra

é a situação

fornece

receptora;

relevante

Apesar des-

pá ria são mantidas

sua identidade

malmente

um

en-

ter desenvolvido

um grupo

,

a fazer uso de sinais

para anunciar

da que altamente

por parte

da posição

receptora

são forçados

de even-

local; ao contrário.

os ciganos'

um grupo

não surgi-

como resultado

passa a se conjugar

preestabelecido,

lado a lado. baseie-se

exceto

delimitando

pela população

perceptíveis

para a vida local.

mas mas não todas

claramente

d a p e r i fe r i a

da estrutura

as diferenças

preestabelecido

também

versas maneiras

étnicos

especial das relações

tos históricos

párias.

os grupos fundamental

Esses casos são normalmente

volve uma variante maioria

o r g a n i za c i o n a i s

normais

de interação.

4

e ao

uma incapaci-

que nos levaria a considerá-los

pleno,

As fronteiras mente

majoritária

os status

não parecem

pouco

estrangeiro.

temente M in o r ia s ,

interna

da situação

tabus

Sua identidade

representava

de assumir

esses grupos

etc., exem-

em muito

da população

imperativo,

definições

barreiras,

abrangente.

que resultava

com pessoas

que os impedia

os ciganos

como não respeitavam

da situação

como status

em outras

sas enormes

humanos,

pela sociedade

uma definição

tempo,

E SU'S FRONTEIMS

das características:

as transações

constrangidos

com o respeito

plificarn

impunha

de dejetos

social em que

ou a obtenção

de terra pathan

os coletores

espaço para a interação

com os Baggara, como a com-

entre donos

a tratá-los

evio fato

cavalo,

de parentesco

facilita

de áreas para acampamento

Já a dicotomia

a propriedade

se dariam

entre

fur nas vizinhanças:

com eles; simplesmente

que normalmente

em que o

a dicotomia

fur de algum lugar não muda a situação interagem

não-pathan obtêm

relevante.

de nômades

nômades

pra de leite, a alocação esterco.

recompensa

nômades

de um acampamento

OS GRUPOS ÜNICOS

receptora.

minoritárias

no sistema

têm um traço dessa rejeição Mas a característica

está na organização

social total,

todos

ativa

geral de to-

das atividades

os setores

e

de atividadeSRQPONMLKJIHGFEDCBA

que

que são úteis

de

I . O comportamento condenado gue confere uma posição de pária aos ciganos é composto, mas baseia-se sobretudo na sua vida errante. originalmente em alguma maneira específica. Nos últimos séculos. os grupos de párias contraste com os laços de servidão na Europa. e depois em sua flagrante violação na Europa. como os carrascos. os negociantes de carne e couro deUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA da ~tica purit~na da responsabilidade, do trabalho ~rduo e da moralida~-

56

57

OS GRUPOS ÉTNICOS E SUAS FRONTEIRAS

FREDRII; BARTH

estão

organizados

do grupo ~

I ':, i:

l u

'1

,i'

P

!. ,,I

""

I.: ' I

de acordo

majoritário.

relevante

somente

minoritária

com status

enquanto

o sistema

em alguns setores

Há, portanto,

organizacionais:

do campo

organizado

entre os membros

de diferentes

e status

do grupo

identidade

como membro

agir. ainda

que possa

para assumir análise lapões

status

muito

dominante

da minoria

operativos.

a interação

dentro

implicar

base para o

uma incapacidade oferece uma

encontrada

entre

os

Em outro

grupos

sentido.

contudo.

pode-se

desse tipo as características

componentes

não ocorre.

"bastidores"

em que as características

termos

da cultura

A atual

. étnicos,

situação externas

com suficiente

turas, mantinham te simbiórica,

dos

constituem

que são estigmatizantes implicitamente

são perfeitamente

sofrendo

e do seu domínio Nas

regiões

recentes.

em

conhecimento

mútuo

à sociedade norueguesa,

do sistema drasticamente.

nacional,

das respectivas

de

identidades.

cul-

e parcialmenCom a cres-

que trouxe a periferia

inadequado

como cidadãos

da língua

e cultura

com um programa

étnico

(ver Eidheim

conseguiram

na região dos lapões do litoral

bastante

reduzida

tivamente trações

~l1adequada

abriu baseado

(ver Eidheim e convenções

cada vez maior de setores

1966), enquanto

no sistema

político

na

1967), mas eles não

de seus status

em um número

que

norue-

essa situação

no ideal do pluralismo

torna-se

no-

ainda

de sua localização

de Finmark.

1969). Para esses lapões, arelevâncra

não

em que se pudesse

espaço para lapões inovadores.

seguidores

atrás

sua performance

mais abrangente

rela-

ocasiona

frus-

e crises de identidade.

C o n ta to

e m uda nça

c u ltu r a is

Trata-se

de um proc.esso

que nas atuais condições

norte

,Omais~P-2~J_a,l1t.~.é ;renças

culturais

[maneira

a dependência

industrial

reconhecer

entre

simples

com

.~tni~as. em termos

dos estudos A melhor

....... , -

dos produtos

por todas

os grupos

étnicos

uma redução

do mundo.

reduçãodasdife-

não se correlaciona

na relevância

de

das identidades

ou com uma ruptura

de fronteiras.

muito

e instituições

as partes

que uma drástica

organizacionais

cessos de manutenção parte

se espalha

tornou-se

Isto fica demonstrado

dos proem boa

de caso.

maneira

de analisar

essa interconexão

é o exame dos

da mudança

cultural

agentes

do norte da Noruega

tornou-

p~~a eles, e quais são as implicações

organizacionais

esc'Olhas que eles venham

Os_ª,g~I1J~.s, nesse caso, são o~

do sistema

58

de

o contexto

limitada

a velocidade

A população

se cada vez mais dependente

em função

local em que dois grupos

uma relação relativamente

em função

e

levava em conta

livres em sua participação,

interioranas

ge'iie-rãrízia-õ,-~~~forme

transformar-

surgiu

Anteriormente.

era a situação

de atividades

e até uma década

no sistema

de uma dupla deficiência

'da spciedade dos lapões

lugar

a or-

mais amplo:_l?ss'e

recent~mentenão étnica,

passou

da vida em que

esses setores

baseada em suas respectivas

cente integração aumentou

podem

de minoria

mais importante

para dentro

nos setores

Para a minoria.

dominante

contrastantes

de transação.

circunstância interação

dizer que em um sistema

culturais

estão localizadas

a articulação

se em objetos

ruegueses

de suas vidas (ver Eidheim

do litoral.

poliétnico

nenhum

do sistema

participarSRQPONMLKJIHGFEDCBA c o m o la p ~ Por outro lado. os lapões

guesas.

de Eidheim

tal como

havia praticamente

periferia

na qual a

muito

a identidade

do norte

da realização

na esfera

..P -2~.s.ua ..v ezvaté

da complernendas

no sentido

de benefícios

em sua estrutura

da moldura

e majoritário,

O trabalho

clara dessa situação,

da minoria.

não dá nenhuma

grau

na cul-

estão fora

étnicos,

não provém

ela ocorre

em algum

si~e~~

mais valorizados

grupos

étnicas;

crescentemente

sem oferecer

entre valores e fa-

vários grupos

ganizar-se

da população

e pelas categorias

conterem

é

da obtenção

valorizados

uma disparidade

pela cultura

das identidades

instituições

também

os objetivos

Apesar de esses sistemas

taridade

da minoria

de atividade.

uma base para ação nos demais setores.

cilidades

de status

~}'c.l;l_ social. dos noruegueses

mais ampla.

para os membros

para as relações entre os membros

e apenas

tura rninoritária.

abertos

UTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

institucional

da sociedade

de mudança:

quais estratégias a realizar?

59

se abrem e s.ão!I1I~~~~~.an_tes das diferentes

FREDRII;

il!.~,!~(cluos

que

tricamente,

c().stu~am

BARTH

ser chamados,

de novas elites: aquelas

industrializados,

industrializadas,

um

tanto

etnocen-

p.essoas que, nos grupos

têm maior contato

das sociedades

OS GRUPOS ÉTNICOS E SUAS FRONTEIRAS

ticas do regime ecológico

menos

tTt~em tal sistema.

com os bens e as organizações

bem como maior dependência

-con~rados

dos

e detalhes

Muitos

exemplos

desses fatores

registrar

aqui algumas-

.... ...

-",,,_

mesmos.

Em sua b~:~apor

amplos,

visando

obter

entre as seguintes dade e o grupo porando-se tempo seu

estratégias

cultural

que tentam

aceitar

nos setores

naqueles

novas posições

setores

to aos novos

objetivos

sucesso

fonte

de diversificação

um' grupo

étnico

__abrangente, F .N T IO A D I:

em mudança.

não dependem

começassem

sua categorização

como

circunstâncias

Em contrapart ida, é igual-

os Pathan

pathan

se referem

específicos,

étnicas

de acor-

como sinais diacríticos,

aos quais as pessoas

até as regras de herança.

seria modificado cas rendadas

i:

se tornam

étnicos

que as dicotomias

nais, de modo

li

i

culturais

de identidade

JUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA lo de vestirnenta

'J,

culturais

A

étnica.

organização

critérios

8ARTH

de senhores

as identidades maneira vão",

não há nenhuma vergonha o fracasso

Nos

diante

de

identidade bilidades

anfitriões.

não enfatizam

adotam

panjabis,

distritos

identidade

completo

na realização

pathan

ou habitantes

disponível,

da autonomia

dos requisitos

e, conseqüentemente,

organizativas

da mesma

da identidade

91

mínimos

e "se

de cidades

de Swat e de Peshwar,

contrastiva

Quando

essas identidades

e

nos quais

a derrota

não podem ser evitadas dessa maneira. Nestes

var a uma reinterpretação pathan

disponíveis

esses infelizes baluchis,

de persa.

cidadãos

de terras e de grandes

alternativas

a autonomia,

tornando-se

falantes

vassalos,

e a

casos, porém,

política'

parece le-

para sustentar

a uma mudança étnica pathan.

nas possi-

a

FREDRIK BAATH

Com isso, somos cunstâncias

levados ao problema

as características

são mantidas,

e quando

elas mudam.

público

e das sanções

das. Mas muitas

positivas

perdem

suas

deixam

Procurei os atores

mudar

evitar os custos tidade

do fracasso;

alternativa

identidade

acontece. seções

estão

associadas

pública

à identidade

pathan?

é vantajoso

associados

conseqüentemente,

ao status.

baluchi

Em alguns

uma identidade

por seus senhores

baluchi.

fato está em jogo nesse caso é um tipo de identidade

baluchi

os senhores tempo

vos dos pathans foram pashto

regozijam-se

explicam

anteriormente

derrotados

e desalojados,

ter servos

cem sua identidade. m u ito s

mudam

sua identidade

sua identidade identidade

adversas. apesar

alternativa

étnica,

que lhes permite Somente

agarrar-se

quando

do seu fracasso disponível-

muitos -

como

condições,

e apenas nessas condições.

ciais dos

Pathan

Esse sistema pouco

um padrão

podem

produtivas.

demográfico,

o território

para noroeste,

teira étnica relativamente a urbanização

tanto

para o norte, ao mesmo

estável. Diante

e as novas formas

de modo da cultura

que se pode pathan

quando

assume.

pathan

quan-

uns poucos

em

manter não

é comum

um excedente áreas.

e mais recen-

no leste e no sul,

das atuais mudanças,

há e

93

a situação

uma transformação

como da relevância

que

a ela mesmo

tempo,

e em áreas

por outras

nordeste

de administração. esperar

não reconhe-

escolhem

condições,

a espalhar-se

"pathan"

apenas

isso em conta.

de anarquia

populacional em grande escala através de uma fron-

um movimento

mudou,

gerando

a uma dada

e as formas so-

levando-se

nessas

passaram pathan

permitia

A distribuição

em condições

Ao produzir,

os Pathan

pathan

ser entendidas

teve mais sucesso

ou as

de vida viável em determinadas

da língua

seu caráter

ou onde o fracasso

92

constituir

da po-

básico

a ser modificadas.

da identidade

população

eram os ser-

servos

pathans

e quando

A versão tradicional

começam

pathan, mas ao

Os senhores

mantém

da identidade

com o grosso

é que o conteúdo

por vergonha:

de falantes

e os outros

isso não

pathan,

e esse grupo

Esses

con-

como ocorre

de algumas

dominantes.

Assim, a identidade

estão em uma posição circunstâncias

de uma

custos,

de Peshawar,

Mas o que de

na verdade,

não são de fato seus descendentes.

não têm acesso aos foros pathan,

do

por

que essas pessoas,

em maiores

no distrito

temente

para

a fim de

casos,

pathan

pulação

estendendo

onde há uma iden-

o caso dos servos

que sustentam

um

Essas

eSRQPONMLKJIHGFEDCBA nenhum a mudança nas características

por sua vez é confirmada

mesmo

com

pela opinião

das situações

aos quais

Há, por exemplo,

tribais

pathans

caso

normais?

ao alcance, o efeito é um fluxo de pessoas

para outra

vencionalmente

nesse

e vivem de acordo

que na maioria

os rótulos

são tais, que

ao dos pathans

não implica

sociais

emprega-

de status,

A IDENTIDADE AATHAN E SUA MANUTENÇÃO

características

normais

do consenso

as circunstâncias

deixam de ser associadas

indicar

sociais

efetivamente

em uma categoria

de ser consideradas

étnica

são os controles

ou negativas

em relação

ou essas características

e em que cir-

a identidade

em geral, através

características

que é discrepante

pessoas

é efetuada

quando

incluídas

com

Os processos

de status

o que acontece

pessoas

pathans, estilo

as definições

de como

associadas

através dos quais a continuidade que mantêm

UTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

organizacional

com total radical

que ela

Processos étnicos na fronteira

entre osedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA P a tb a n e os B a lu c b i' zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXW

Os estudos

lingüísticos

esclarecem

processos

realizados históricos

ticas, o papel do contágio, lingüísticos,

trutura

dos empréstimos

bem como os processos

da linguagem. temárica,

na região fronte ir iça indo-iraniana de fluxo e refluxo

Em suas muitas

Georg Morgenstierne social nesses processos.

das áreas lingüís-

e dos vários estratos

de gênese no desenvolvimento

contribuições

para o estudo

fez referências

à importância

da es-

mais antigo,

ele co-

Em um trabalho

dessa

menta que" o sistema tribal dos Baluchi e Brahuis, que favorece, contrariamente

àquele dos Pathan, a assimilação

racialmente

distintos,

danças lingüísticas Parece-me Morgenstierne contraste

como

pathan-baluchi

a freqüentes

clãs baluchi

e brahuis"

(1932:

prestado

ao professor

tributo

demonstrar

a validade

bem como a relevância do mesmo

de tendências '. Sintetizando,

mu-

um

por um não-lingüista,

que ele estabeleceu,

o entendimento expansão

levou sem dúvida nenhuma

em muitos

adequado,

pela tribo de elementos

observadas pretendo

na fronteira demonstrar

8-9). desse para

lingüística

que a recente

para o norte da língua baluchi, às expensas da língua pashto

na região montanhosa precisamente

a oeste da cordilheira

das diferenças

estruturais

de Suleiman,

entre os sistemas

ses dois povos aos quais se refere Morgenstierne

depende

tribais des-

.

• Do original:"Erhnic processeson the Parhan-Baluch boundary ". Em: Redard, G. (ed), Wiesbaclen, 1963.RQPONMLKJIHGFEDCBA

L n d o - I r a n ic a .

I A discussão baseia-se principalmente em material coletado durante trabalho de campo em An tropologia Social entre os Pathan em 1954 (Barch 195 9a t b) e em 1960, e entre os Marri pelo falecido Robert N. Perhson (MS) em 1955. Outras fontes, quando usadas, estão citadas no texto.

FREt)RI~

Em primeiro tidade

tribal

serve para ilustrar

não aquele que (apenas) tanto, o pertencimento

pasheo"2. Nessas

fa la

em alguns

áreas tribais,

fluência lingüística.

outros

sistemas

tribais

início algumas

Ao con-

des lingüísticas

políticas

e dependem

de constante

comunicação

rior. No caso das tribos pathan, essas estruturas acéfalas, cons tituídas hierarquicamente independentemente mentos

-

gurados

por conselhos

de linhagem

de seu nível, os interesses

e, a longo prazo, sua sobrevivência

-

têm forma nicação

baluchi,

centralizada

através

torna-se

de líderes

possível

estrangeiras;

bilíngües.

rio: são pastores pamentos

em escalão.

nas minorias

na qual as aldeias e os acampamentos

sua sobrevivência, ção além daquela

dependem que transmite

também

nibilidade

de pastagens

soas e acampamentos. baluchi

de outra

Essa segunda

línguas

de outras

rede está formalizada

que membros

da mesma

como na opinião nado

pes-

proprieda-

demográficas natural

diferença

deta-

da população. por esses gru-

em função

da migração

censos que fiz de porta em maior entre os Pathan,

em razão de seu meio ambiente

de terceiros,

com a melhor

alguma

na insti-

tribo

rebanhos,

à agressividade

mais favorável.

militar,

a reputação

dos Pathan é maior que a dos Baluchi, tanto em sua estimativa

po-

da dispo-

I

um excedente populacional,

contemporânea

no que diz respeito

I

do sul para o

de invasão das planícies

Mas os pequenos

I

, I

maior de capital entre os

de irrigação,

produzem

relativamente

melhoram

que há uma taxa de fertilidade

como seria esperado Finalmente,

aqui (Marril

são consideravelmente

Na ausência de informações

dispersão

em busca de trabalho. porta sugerem

global em

em muito os Baluchi;

são também

ecológicas

estruturas

evidencia a história

pos e sua grande

de

rede de comunicaa respeito

as condições

(em moradias,

conforme

para

sobre as decisões

informações

I !

entre tribos

demográfica

Pathan

Os Pathan

Sem dúvida as duas populações

do sul da

Assim,

fa-

lhadas, é difícil avaliar as taxas de crescimento

esse,

tanto seus acam-

disperses.

-

des móveis e armas).

inóspito;

e de água e dos movimentos

do h ã l: sempre

Pathan

um nicho precá-

informações

líticas, uma rede pela qual circulem

que falam

Na verdade muitos

que enfocamos

norte, o que se reflete em uma acumulação

estratificadas;

nas tribos

de

com Panni/Tarin/Kakar/Luni/Zarkun/Powindah),

que os dos Baluchi.

mais prósperos

do idioma.

ocupam

são muito

maiores

e seg-

"para cima" é feita através

em um ambiente

seus segmentos

vale para a zona de contato

ordenados

como

das tribos discutir

os Pathan superam

conselhos,

só podem ser asse-

de grupos

territórios,

de densidade

Nesses

por canais de comu-

lingüísticas

desses grupos

isso também

em termos

(jir g a s ),

Em um sistema

Os Baluchi, no entanto, nômades

como

composta

o encapsulamento

como

Pérsia, a comunicação líderes

e estrutura

mais evidentes.

Bugti em contato

por sua vez, são socialmente

e expansão

às expensas dos Pathan, é conveniente

e mesmo

seus respectivos

em seu inte-

através do debate, que requer o uso habilidoso

As tribos

agregado,

comunida-

de indivíduos

à tribo implica

lingüística.

as causas do crescimento

possibilidades

Dito

parecem favorecer os Pathan. Em primeiro lugar, em termos de número

são essencialmente

de acordo com sua abrangência.

determinada.

tores de inegável relevância numa situação de competição

do Oriente

tribais constituem

feitas com uma entonação

a uma comunidade

Para investigar que falam baluchi

no en-

ÉTNICOS NA FRONTEIRA ENTRE PATI-IANSE IlAWCI-IIS

modo, em ambos os casos o pertencimento

o pertencimento

correlação

(por exemplo, sobre o sul da Pérsia, cf Barth 196 I: 13 O-ss.),

no caso em foco as estruturas

tuição

de outro

pashto, mencionado

a ausência de qualquer

à tribo pressupõe

do que ocorre

Médio

Um provérbio

entre esses aspectos: " É pathan aquele queedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA a g e como pashto,

necessária

trário

trocas de informação

lugar, é preciso estabelecer qual a relação entre iden-

e étnica e língua.

com freqüência,

PROCESSOS

BAI\TI-I

mútua

ainda que isso possa estar mais relacio-

qualidade

das armas dos Pathan

no valor atribuído

à coragem

do que com

ir!

I'i zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQ

e à luta pelas duas

"~ !"I

culturas.

se en-

11

contram,

há cumprimentos

formais através de frases estereotipadas

e

Assim, várias razões levariam à expectativa longo

2

baluchi.

N. do T. Cf. nota 2, P: 72.

da fronteira

fosse

sobretudo

Nas regiões montanhosas

de que a pressão

da área pathan

que, na prática,

sobre

ao

~

'i II

a área

até recentemente

l 96

97 _

___________________

-

:1

J

FREORIK BARTH

não estavam sob controle que essas pressões expansão.

de nenhum

governo externo,

se rr.arufestassem

Não há dúvidas

quanto

de conquistas tamente

e sucessões

essa anarquia

ticas estruturais se tornaram

locais

à anarquia

tribais

Guerras

mente

fazem com que inúmeras

textos

rerriroriais

e sociais:

pessoas

nessas

sobreviventes

de fragmentação e grupos

em comunidades mento

viáveis. Nessas

assimilar Nesse

e baluchi,

bases culturais

derivam

honra

para então mostrar I. O princípio em outro:

estão investidos

linha masculina. implicar

políticos

nos homens e direitos,

esboçar

homem dentro de sua linhagem dência agnática. 2. Ter uma posição

quanto

~ BALUCHIS

de sangue pode eliminar pequenos,

menino

baluchi

é repreendido

e implica sua honra

por ser b e g h a ir a t -

sua família

-

hospitalidade,

patronagem

plexo com evidentes A organização realizados,

como

implicações

do conselho

sangue mantêm-se

o

nele

da tribo envolve o b r ig a -

de sua posição: -

seus hóspedes,

e aqueles

clientes

( h a m s a ya h ) .

física formam

que teAssim, um com-

políticas. baseia-se nesses princípios,

no que diz respeito às finalidades

vés do mecanismo

batem

sem honra.

e dependência

tribal pathan

com

maneira,

meninos

seus protegidos

sua proteção

a lutar

e, da mesma

outros

a honra de um membro

legalmente,

procurado

Deixar de vingar-

aprendem

( izza t)

para com aqueles que dependem

nham

não

uma perda de honra e de posipathan

que não revida quando

3. Finalmente, ções

essa mancha.

os meninos

seus pares para defender

Uma provocação

e só a pena de talião ou

( jir g a ) .

que são

políticas e jurídicas,

atra-

Pode-se dizer que o modelo

separáveis, que em virtude

em paz uns com os outros

indepen-

de terem o mesmo

e podem se unir como

arribas

dela derivam. tanto

sobre as terras

e são transmitidos jamais é possível a posição

amplos

em um caso apenas pela inferior obtê-Íos

política

na tribo implica ter um patrimônio

98

a honra de uma pessoa,

dentes, com interesses às

possa atrade um

e de sua tribo é fixada por descen-

das ameaças

P,\THANS

grupo corporado através de decisões tomadas em comum, com base na deedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA igualdade. Conforme a noção de "sangue comum" (que inclui apenas essa base comum, parentes patrilineares) estende-se, definem-se círculos cada vez mais

e os direitos

através do pai. Portanto

ENTRE

compartilhados

Ainda q:.Ie ter uma mãe de status

que deve ser defendido

a organização

a diferença

é seguido

p a tr ilin e a r id a d «

a perda de status

vés dela, somente

entre

princípios

FRONTEIRA

para o sistema como um todo é o grupo de irmãos: homens

marcantes

como ambos os sistemas os direitos

de

potenciais.

e o b r ig a ç ã o . Tentarei de

formal

cada uma delas. Basicamente, dos

desses

menos das taxas de fertili-

apesar de ser pequena

que sustentam

tribais

p a tr iiin c a r id a d e ,

tribais

há contrastes

que

as taxas de cresci-

de sua organização

esses membros

aspecto,

tribal pathan as formas

dependerão

do que da capacidade

e organizar

gru-

social e de inclusão

circunstâncias,

a vingança

de seus con-

Resulta

mancha

ção. Desde

uma vasta reserva humana

em busca de identidade

de tais comunidades

dade natural

quanto

e mobilidade

de rapina.

respondida

se é aceitar a desigualdade,

são produzidos

N,\

aos quais a pessoa se põe em pé de igualdade.

foi jus-

inevitavel-

se desgarrem

tTNICOS

história

em fuga, famílias e comunidades

processos pessoas

nessa

dos povos em competição

situações

suas posses, bem como núcleos

e

em que as caracterís-

e saques freqüentes

perderam -

1904). Contudo

que criou uma situação

fundamentais.

pos dissidentes,

que prevalecia

em uma complexa

(Dames

das organizações

seria provável

através de lutas, conquistas

(cf Bruce 1900) e que resultou

região

PROCESSOS

feitas por aqueles

de h o n r a , em relação

de "irmandade"

temporal

por meio de genealogias

cada vez maior, criando uma hierarquia

gens que se unem com base em uma descendência desses segmentos

se torna um grupo corporado,

de um conselho que reúne os membros lho, sentam-se

juntos

com profundidade

de segmentos comum.

Cada um

assumindo

a forma

masculinos

vivos; nesse conse-

como agnatos com direitos

iguais. Disso tam-

bém decorre que o direito de falar no menor conselho direito

de falar em todos os conselhos

situem

dentro da série de segmentos

Outra seu aspecto

importante territorial.

e linha-

característica Os grupos

99

local implica o

de ordem mais elevada que se unidos. do sistema

tribal

e seus segmentos

pathan

têm direito

é o a

FREDRII: BARTI-I

RQPONMLKJIHGFEDCBA PROCESSOS

diferentes

ÉTNICOS NA FRONTEIRA ENTRE PATI-IANS E BALUCHIS

tipos de terra comum.

so à terra agricultável

e às pastagens

Isso faz com que as unidades dades territoriais,

ro, LU

do ancestral

de igualdade

ca a importância mentos

de descendência

da honra,

do conselho.

tam a necessidade

de retaliação

tribo

qüentemente. membros pathan

é perigoso

do conselho

têm grande

sa de interesses

mesmo Isso por-

permaneça:

e agir como membro

e afirmar

sua igualdade.

para conseguir

interessadas

finais

pressionar

sua concordância.

da

Conse-

é difícil chegar a decisões

para as partes

capacidade

acarre-

de sangue,

que a mancha

do conselho

sua honra

indi-

uma vez que atos

de conselho

ou a vingança

para esses conselhos

como também

táticas

não pode permitir

defender

do conselho

com uma força superior.

só pode participar

se puder

segmento.

(2), para os procedi-

em

dos companheiros

isso leva ao confronto

uni-

a receber

que, por sua vez,

daquele

mencionada

a honra

uma pessoa

nomes

comum

Isso tem implicações

que a pessoa insultada

tendam

entre os membros

que comprometam quando

sejam também

e distritos

tribal que as habita,

derivam

A dimensão

1(.0

em virtude de seu status agnático.

e que as localidades

o nome do segmento geralmente

Desse modo, as pessoas têm aces-

os

As tribos

de agir decididamente

tanto na defe-

e de curto. prazo,

como na defesa

compartilhados

LU

o

de valores básicos

IX) (.O

conseguem

seguir estratégias

do quanto

a compromissos

. Quando

a honra

que causa desonra cidade de defender então

" em parte

descender

da tribo pathan

que afirmam

nome, e os Bijarani são considerados

predominantemente

pathan.

Entre

que mais cresceu

nos últimos

ados geralmente

em dados

antigos

dos textos

e de má qualidade)

como tendo pouca importância,

praticamente

autônomo

eI\1 relação

é

(base-

mas hoje seu líder

no processo

os seus membros

Esse rápido

crescimento

A incorpo-

de crescimento

A expressão"

por base sobretudo

a assimilação,

são territorial.

O crescimento

gressivamente

vantagens

últimos fronteiras

bos pathan

tram

militares

A presença

ao longo

da fronteira

entre essas tribos

Mekhtar

para os Marri,

criou

números

tentam

gião montanhosa aspectos

dissolver rumo

cada vez maiores

no território

fazendo

Mesmo

pathan,

ao norte bastante

assimilados

pela organização

crescimento

populacional

subjacentes

de triao nor-

nas atuais conde marris

indo

pene-

até Loralai

complexos

é portanto

e

tribal baluchi.

e ex-

e conseqüente tribal

à expansão

esclarece

expansão alguns

lingüística

são

Não se trata de simples dos Baluchi. Uma dos fatores

e

ser caracterizados

c u ltu r a

como

termos Como

e da integração:

instituições

discrepantes,

a adequação

dentro

dessa conexão,

de modo

antiquados,

a maioria

em formas

celebram

as abstrações

supostamente nas formas.

torna-se

imprecisão padrões

ainda

ideais

como explicação.

marcada

pela ambivalência:

valores

e

Hoje em dia, a afirmação passíveis

diversas;

do estrutude abstração.

nesta linguagem,

o que é verdadeiramente por

fazer

incorrer

a (uma desses

falácia de construir

descrição

entre

a um dado

de premissas,

simultaneamente

e às bases

para a recorrente

dos, conceitos a conexão

O uso que costumamos mais equivocado

de referir-se observáveis

apreendem

que dei-

dos costumes

lógicos

superficialmente

tam-

pelos questionáveis

geral. é feita com a linguagem

com sua ênfase em padrões

incrustados

portas

de uma comunidade.

Mas

na antropologia,

em suas várias acepções,

do holismo

experiências

deste

que deixa

insustentáveis.

regularmente

s o c ie d a d e

pressupostos

na profunda

soma

padrões, de maneira

Por fim, nossa avaliação

do termo total abrindo

as

equívoca

da cultura

por um lado, nós a vemos

de)

como

a

está algo

funda-

observada. *

Do original: "The analysis of culture in complex

IV, 1989. 106

que usamos

c u ltu r a

posições

e s o c ie d a d e estão marcados

c u lt~ tr a

um dos

étnica, através dos quais os Pathan

termos grau

e retoma

importantes.

na re-

de incorporação

importantes

no título

uma expressão

antropológicos,

ralismo,

adminis-

baluchi,

que aparece

xam de lado questões

importante

da área lingüística

complexas"

lugar e estilo de vida e o compart ilhamento

mas não conseguem.

clusão ao longo da fronteira

da organização

das

da língua

um cerco que as autoridades

a oeste da cadeia de Suleiman,

de processos

bém podem

e Tarin

disperses

outros

não em menor

dos

modificação

e dos remanescentes antigo.

sociedades

pode parecer um pouco antiquada,

diversos

pro-

e ao longo

de fragmentos

e consideravelmente

ao norte,

A expansão

mentais

política

tendo

na expan-

sugere que esse fluxo em direção

com seus rebanhos

análise

marri,

também

por estes, com a conseqüente

mais pacíficas,

trativas

sem subdivisão

lingüísticas.

te é consistente dições,

expressou-se

trabalho

de lado questões

da tribo

cem anos, partes das terras dos Panni, Luni, Zarkun

foram conquistadas

wanechi

falem baluchi.

populacional

c o m p le xa s ' nas sociedadesedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

é

dessa seção tribal que os outros marri se referem a ela como "pathan", ainda que todos

A análise da cultura

menciona

ao líder bijarani.

foi tão predominante

que tem de origem

a seção powadhi

A maioria

essa subseção

ração de pathans

como

os Bijarani,

tempos.

constitu-

s o c ie c ie s " ,E th n o s ,

vol. 54: IIl-

FR m R J~

zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

A ANÁLISE DA CUL1'URA NAS SOCIEDADES COMPLEXAS

BAATH

imensamente intrincado, com enorme quantidade de detalhes que o

cadeza, mesmo quando dão as boas-vindas a turistas desajeitados.

etnógrafo competente deve demonstrar ter apreendido; por outro, há

Grupos de crianças vestidas em seus imaculados uniformes escola-

um ideal de ousadia para abstrair e revelar a essência subjacente a eles.

res passam de bicicleta. Turmas de trabalhadores

Não tentarei melhorar essa situação acrescentando

mais uma

contribuição à problemática história das definições e redefinições c u l t u r a e s o c i ,d a d , na antropologia. Em vez disso, creio ser verbais deedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

colhem arroz nos

campos vizinhos, formadas com base em regras tradicionais de cooperação e contrato, mas colhendo variedades modernas de alta produtividade,

cultivadas com irrigação artificial e uso intensivo de

mais útil trabalhar substantivamente, explorando o grau e os tipos de conexão verificados no domínio da cultura em várias condições

fertilizantes, em um sistema que depende da água que vem de reservatórios recentemente reformados e que suprem velhos canais de

de sociedade. O papel que escolho para essa tarefa não é o de uma elegante erudição acadêmica, mas sim o do garoto que, no conto de

irrigação. À tarde, em geral observa-se uma fila de mulheres levando

H. C. Andersen, observa as roupas do Imperador. A teoria e os con-

cissão rumo a um dos inumeráveis templos dedicados à irrigação

ceitos antropológicos

disperses pela área rural, nos quais realiza-se um complexo culto

devem ser testados na análise da vida tal como

ela ocorre .ern um determinado

lugar do mundo. Qualquer

lugar

pode servir como provocação para desafiar e criticar a teoria antropológica. Usarei aqui a ilha de Bali, uma sociedade verdadeiramente complexa, para fazê-Io. J B a li

l a p r â xis

oferendas elaboradas e coloridas sobre suas cabeças, em solene pro-

de acordo com antigos costumes e calendários. Essa diversidade desconexa (ao menos aparentemente) de atividades e a mistura do novo com o velho, formando um cenário cultural sincrético,

são características

desconfortáveis

com as quais

o antropólogo irá se defrontar em quase todo lugar. Somos treinados a suprimir os sinais de incoerência e de multiculturalismo en-

a n tr o p o ló g ic a

Devemos tentar olhar para nosso objeto de estudo sem que nossa

contrados,

visão seja excessivamente

da modernização,

determinada

pelas convenções antropo-

lógicas herdadas. Descendo de um ônibus no norte de Bali, vê-se um fervilhar incoerente de atividades na zona densamente habitada entre as altas' montanhas e o mar circundante. Veículos modernos trafegam em alta velocidade. Os passageiros e transeuntes,

alguns

usando sarongues, outros jeans, associam-se com rara graça e deli-

tomando-os

seja um conglomerado resultante de acréscimos diversificados, como nos lembrava Linton em sua ótima observação a respeito do que era necessário para ser cem por cento americano nos anos 193 O (Linton 1936: 326-7). Profundamente condicionados a rejeitar a abordagem, há muito desacreditada, estilo" colcha de retalhos" dos fenôobedientemente

108

decorrentes

apesar de sabermos que não há cultura que não

menos de difusão I Este relato baseia-se em trabalho de campo realizado por Unni Wikan e por mim durante cerca de I I meses cada um, desde dezembro de 1983, parte do tempo juntos e parte separados. Eu a agradeço pelo estímulo para a realização do presente trabalho, por seus importantes in s ig h ts para a análise aqui apresentada, bem como por sua permissão para usar livremente seus dados de campo. A pesquisa foi apoiada pelo Norwegian Research Council for Science and the Humanities (NAVF) e pelo Instituttet for Sammenlignende Kulturforskning. Na lndonésia, a pesquisa foi apoiada pela Academia de Ciências da lndonésia (LIPI). e contou com a orientação do professor Ngurah Bagus.

como aspectos não-essenciais

e crescimento

cultural,

nós ainda insistimos

em encarar tais evidências como ameaças ao nos-

so objeto e às nossas premissas.

Em' vez de tentarmos

fazer com

que nossas teorias dêem conta do que efetivamente encontramos, somos levados a escolher algum padrão claro e delimitado em meio a esse cenário confuso e a aplicar nossa engenhosidade para salvar o holismo (funcionalista) por meio da construção de isomorfismos e inversões (estruturalistas) desse padrão escolhido ao acaso, como se ele codificasse um encadeamento mais profundo.

109

FREDRJI:

Posso

facilmente

contrado

imaginar

no norte

um artigo mulher

de Bali e brevemente

:: sagrado:profano

sobre

possível

:: cabeça:corpo,

as oferendas

a sacralidade

portam

cargas,

sultantes

da cremação,

homem,

e talvez como

de seu corpo,

enquanto exceto

para o mar sobre

uma mulher

como

que, através

nhum

periódicos

interessantes argumento

observados,

dos os aspectos

problemáticos

silenciosamente

do mundo

o pressuposto

lógica generalizada,

dessa coerência.

os axiomas

R e fo r m u la n d o

bobagens

que,

não trazem

ne-

Há uma crescente

reação moderna Clifford

de James

.

.

evrtar to-

apresenta

a extensão

Michel

do grupo

uma co-

e a natureza

em sua totalidade

caráter de fato

de maneira

necessidade

sobre o caráter dialógico precisamos

fenômenos

com

tendo

de mais e mais literatura indefinível

das conversações é encontrar que

nos

unificado

da verdade

os modelos

deparamos

110

culturais,

veis. Esse consentimento,

de fato torna-se

a

habitados

de sím-

plausível?

essa perspecti-

literatura

programática

cultural

e sobre

o

O que

mais adequados no sentido

aos de

expressiva duz-se

um pressuposto

observados nados,

Refletindo

de maneira

continuar de forma e t a i.

259).

não explicitado

essencial,

eficaz

tanto

inevitá-

está incrustado

em

os símbolos, chamam

de

a humanidade

em diante,

as decorrências

um "estudo

(1984:

nas construções

indica,

de

é com-

materiais

as categorias,

Wuthnow

como

da vida social"

de modo

mas desse ponto

Quais

por eles revisada, seja realizada

as pessoas

para entender

O que devemos

de cultura?

bem

e

seres humanos.

Até aí não há problemas,

in s ig h t

contudo,

O que os antropólogos

pelos

um refle-

com o resultado

por causas

fundamental

mos avançar com cuidado.

de um determina-

de todas

a linguagem,

e t a l.

agem e reagem de acordo

ao que tudo

e as instituições.

Wuthnow

pessoas,

sustentadas

quanto

como

É possível mostrar

impregnando-o

A realidade

consentimento

porque

no campo.

e trabalhar

construções.

de construções

definição

absoluta

do etnógrafo

do mundo,

intelectuais

é meramente

um de nós, necessariamente

com sua percepção

podem

de Peter Berger, Mary

do que os membros Essas

(Clifford

definitiva"

estabelecido

que muito

pressupostos.

os mundos

Nas jogar

das "controvérsias"

como um "corpus

interpretados

1986: 19). Contudo,

va, não temos

precisamos

exemplo,

xo de seus próprios

pelo mútuo

o ris-

das pessoas

e J ürgen Habermas).

representações coletivas: que herdamos.edcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

esse escolasticismo.

Marcus,

no caldeirão

ela não pode ser representada bolos e significados

versando

Foucault

(por

naturais

c u ltu r a

contra

construídas

como dados

posta

os fenô-

ousadas

tradições

as realidades

consideram

suas próprias

relatos de campo des-

sobre cultura

e George

correndo

de diversas

que consideram

como elas funcio-RQPONMLKJIHGFEDCBA como qualquer

n o s s o c o n c e ito d e c u ltu r a

palavras

ousar, mesmo

essas afirmativas

na convergência

culturalmente

os rituais

& Marcus

para produzir

contemporâneas

Douglas,

divindade

primei-

O

sobre

1984, em que há uma revisão das perspectivas

consigam

de que a cultura

Por mais que se multipliquem,

se tipo deixam intocados

cultura

isto é, precisamos

por meio

que

e falsificáveis

sendo

que nos cerca; reafirmam

sem explorar

positivas

baixas

como

nada. Observem

fazer referência

Para isto, acredito

s o c ie d a d e .

de um

se bem feitas, essencialmente .

COMPLEXAS

ingênuos.

ser encontrados

re-

SOCIEDADES

a cabeça

estão cheios dessas pequenas

e não mudam

e

c u ltu r a

Ingredientes

trans-

NAS

das partes

um bebê, encarado

nam: servem como mero para que seus autores

erência

como

de forma razoável

Nossos

lJA CULTURA

sobre a esfera à qual se pretende

co de sermos

reencarnada. embora

menos

os homens as cinzas

ANÁLISE

ro passo é fazer afirmativas

carregar

e, por isso, apenas

seus ombros,

levadas

possam

teorizar

de palavras

:: homem:

para depois mostrar

sagradas,

sobre

traz ao mundo

:: alto:baixo

mais baixas,

de suas cabeças

seculares,

en-

descrito acima, produziria

montanha:mar

que as mulheres,

suas cabeças

protegem

A

algum colega que, ante esse cenário

sobre a oposição

isso torna

BARTI-l

culturais

11 I

necessárias

desse

a contestar

na velha

fiel o sentido

geral da

propõem

que a análise

da dimensão

simbólica/

Com isso, todavia, de que todos simbólicas

intro-

os padrões

estão de algum modo

às funções

precisa-

relacio-

e expressivas

da

FREORI~

BARTH

;j

RQPONMLKJIHGFEDCBA

A ANÁUSE DA CULTURA NAS SOCIEI"'DES

COMPLEXAS

tj . í

cultura. A cultura pode ser representada como variável independen-

Não seria, porém, mais útil desenvolver um método para questio-

te e princípio motor, e perpetuada a herança dos pressupostos do holismo e do essencialismo dentro dos universos fechados de dife-

nar e mapear o alcance dos encadeamentos

rentes culturas. A afirmação de que a realidade é culturalmente

em um contexto de pequena escala e densa sociabilidade? I Seja como for. o que vi em Bali certamente não dá essa impres-

resolve verdadeiramente

construída

não

a questão de como e de onde surgem os

local, mostrando

que esses encadeamentos

são de lógica e encadeamento

presentes

na cultura

são um artefato da vida

generalizados. A vida no norte de Bali

padrões culturais. Desprender esses padrões de uma pressuposta correspondência a uma realidade objetiva e não-cultural não signi-

impressiona

fica dizer que todos os padrões culturais são autônomos

se uma aura ou um estilo que aos poucos torna-se familiar apesar

priedade

da cultura

axiomaticamente

como

tal; nem tampouco

ou pro-

implica

supor

a existência de múltiplas culturas locais discretas

pela extraordinária

domínio simbólico/expressivo

riqueza e grau de elaboração no e não por seu caráter unitário. Intui-

de permanecer evasivo; e a vida ali também tem uma multiplicidade, uma inconsistência

e um grau de contestação

que dificultam imen-

e internamente integradas. Ao contrário. acredito que assumir a tese da construção cultural da realidade aumenta a necessidade de ex-

samente qualquer tentativa de caracterização crítica. Evidentemen-

oedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA g r a u de padronização na esfera da cultura e

cisa, e rotular como "complexa" a situação ainda é uma caracteriza-

plorar empiricamente a

d ive r s id a d e

de fontes desses padrões. Mais especificamente.

que há espaço para argumentar tais podem ser o resultado

que padrões culturais

de processos

nem funcional. nem estruturalmente

s o c ia is

creio

fundamen-

específicos, e que

tais padrões são essenciais para

te, apresento apenas intuições formuladas de maneira muito impreção grosseira.Creio,

no entanto, que essas intuições devem ser sufi-

cientes para forçar-nos

a descartar

um vocabulário

que celebre a

harmonia, a adequação e a unidade, bem como qualquer análise que pressuponha

a integração e a consistência

lógica. Precisamos

de-

as operações simbólicas e expressivas da cultura. Reflitamos, por exemplo. sobre o forte senso de coerência e ordem generalizada

senvolver outros modelos que permitam apreender de modo mais

que surge durante a imersão de um pesquisador em uma comunidade primitiva, algo que intuitivamente tornou plausíveis os dogmas funcionalisras teoricamente falhos de Malinowski". Será que esse

negue tudo aquilo aparentemente inadequado. Os modelos sistêrnicos e o holisrno, no sentido de sua ambição de abranger toda uma gama de fenômenos e construir um relato englobante.

senso expõe as raízes do significado e da força que a cultura possui? No raciocínio antropológico convencional, somos levados a

devem continuar

torná-lo como evidência de uma consistência

direto e preciso as características

observadas, sem um filtro que

a nos propor desafios, mas neles não devemos

buscar moldes daquilo que esperamos ou gostaríamos de encontrar.

lógica generalizada

que se impõe e perrneia todos os aspectos do significado e da ação. a ser reconst ituída como as regras de transformação de um código lingüístico

ou a articulação entre as peças de um quebra-cabeças.

2 Neste sentido. o próprio Malinowski admitiu ter idealizado a descrição da vida nas Trobriand ao retratá-Ia sem as influências européias que. na verdade. já a haviam "transformado em grau considerável" (Malinowski, 1935 :480).

112

! Sem que chegasse a desenvolver essas implicações. dei um primeiro passo nessa direção em minha análise dos símbolos e significados em rituais dos Baktarnan, da Nova Guiné (Barth 1975). Nela. tento mostrar que os idiomas rituais dos Bakrarnan baseiam-se em codificação analógica, acarretando fontes de significado que não demandam que se pressuponha urna estrutura digital de contrastes mínimos ou de domínios delimitados. de modo a tornar possível

demonstrar

os efeitos do processo social sobre a estrutura

II3

do código.

l

I, ~j

ri

~

FREDRJK BARni

~ l zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA 11 1

Qual a melhor

maneira,

desacreditados daquilo

então, de superar

e conseguir

perceber

-

os _resíduos

e articular

de esquemas

as características

que é observado?

da tradicional

uma cuidadosa

e não vejo motivos

tarefa naturalista e meticulosa

para tentar fazê-Io

da antropologia

descrição

de constituir

de uma ampla

É aí que devemos buscar nossos procedimentos

dos. ainda

que no presente

Permitam,

todavia,

senciais

artigo

não possa

que eu apresente

do tipo de descrição

rizados

apresentá-Ias

alguns

que proponho,

em ação".

fragmentos

a fim de indicar

e esboços as linhas

es-

tradição

bali-hinduísta. e diversificada,

sofia e mitologia dança, música,

ritual

teatro

ção têm sido feitas Lansing. mática.

Uma das principais

de uma religião

e culto,

se mostrará

A religião lhoso

forma

sujeita

modelos

de Bali é a

ancestrais tervêm

de deuses,

mortos

do com padrões

decisiva

lendas,

arte, arquitetura,

cada vez maior,

que inclui,

Belo, Bateson

& Mead,

Geerrz,

no entanto,

permanece

dificuldades

decorre

teatro,

dessa tradi-

quando

válidos de fenômenos

seus

criado

fundadores

grande próximo

ponto

agricultor

da grande

variação

complexos

com a caracte-

deusa grupos

em

que

Há ainda

do arroz

familiares

de descendência variedade

manifestações

da no grande

N. do T. No original, B a l H i n d u i s m . Optamos pela tradução literal, em vez de "hinduísmo balinês", por interpretarmos que o autor pretende, com o uso de urna expressão composta, destacar a especificidade do hinduísmo praticado em Bali.

cantos,

sacrifício"

templo

e da destruição

localizado criativas

altares

na beira coletivos

os ancestrais;

através

da oração

um intrincado

de

a dife-

da criação do uni-

a ilha. Todos

são conciliados

dos para

além

em homenagem

de tudo, também

da dança e sobretudo

e cada

a adorável

altares

central

e o

ao lado de

de irrigação

para perpetuar

que domina

a uma

da água, desde

até simples

e altares

da

crema-

vezes

as forças

Há também

1977),

de

um templo

muitas

as sociedades

de templos

(cf. Ramseyer

se

É acima

que não foram

de templos

se cultuarn

da divindade,

da procissão,

têm

em algum

de Shiva, divindade

pico vulcânico

ses, ou aspectos

e in-

de Bali, quase

em cada casa e templos

onde

verso, da mutabilidade,

moral.

todas

contribuem

e da fertilidade.

altares

sociais

os

vezes de acor-

No norte

se celebram

seqüências

nos quais

maravi-

no qual

e os humanos

repetidas

participam,

do canal de irrigação

de arroz,

uma grande rentes

4 N. do E. No artigo, o autor indica a esse respeito os seguintes textos: Barrh, .19.93; Wikan, 1987, 1988, e sido

em cer-

d e s a ) onde o deus da aldeia e os

quase

todas

individualmente

caminhos,

do culto.

(P u r a

da aldeia, de cultos

de origem

cada campo

os deuses

por um cosmos

através

e quase

ao mar

regeneradoras.

proble-

é noto-

que

místicas,

do qual as almas daqueles

distância

muito

se depara

particular,

das relações

e renascem

são cultuados:

em torno

Boon e

de Bali. A antropologia

metodológicos

fun-

e evoca um mundo

e forças

nos eventos,

condicionados

um mundo

dos permanecem;

mo-

como

locais e ausente

ativamente

e as almas transmigram

morte,

através de ensinamentos

instirucional

constrói espíritos

participam

de maneira

fundem,

tradição

da filo-

de identificar

a variações

bali-hinduísta

repleto

espetacularmen-

etc. Várias descrições

características

frágil em termos

no norte

que cult iva uma antiga

em uma literatura

Sua interpretação,

tarefa de abstrair

Trata-se

de sombras

Covarrubias,

local das instituições riamente

simbólica-expressiva

índicas, manifestada

rais e metafísicos,

outros,

alguma

toda aldeia tem o seu templo

A mais destacada

entre

e necessária

local. Com isso, cada uma das

cai na armadilha

tos casos.

tudo B a li- b ín d u ís m o ?

te prolífica

mencionadas

em seguida

gama de da-

de descoberta,

de minha argumentação.edcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

da religião

por esse tipo de variabilidade

descrições damental

Não vejo como escapar -

ANÁUSJ, l)A CULfURA NAS SOCIEDADES COMPLEXAS

A

manifestaesses deuda arte, dos

e da "arte do

código

simbólico

5

114

que lança mão de flores, figuras çadas, frutas,

doces e outros

feitas com folhas de coqueiro

alimentos.

1 15

tran-

A ANÁLISE DA CULTURA NAS SOCIEDADES COMPLEXAS

FREDRIK BAIlTH

Já se fizeram, tes tentativas expressiva 1973).

de mostrar

e a estrutura

Contudo,

teremos dade

com grande

a coerência

parcial

na antropologia,

entre

essa estera

social (por exemplo,

se nos prendermos

apenas uma projeção

encantada,

influência

assim

estritamente

um tanto

como

Bateson

quase

brilhansimbólico-

1949;

uma representação

facção

dessa reali-

demasiadamente

mais importantes a maior

parte

nega o interesse

a filosofia

pela riqueza

essas atividades

sacerdote

nista.

Ou a pequena

uma variedade

educar

suas crianças;

gem a seus deuses aumentar

refletem

e ancestrais;

-

de troca de produtos e expressivas ramificadas

inúmeros

oportunidades turismo.

alternativos

do bali-hinduísmo.

e os lucros

têm profundas da sociedade.

cultivadas

condições

objetivas

as pessoas

se vêem diante

uma construção

obtidos

brotam

comércio,

todas

as histórias

cultural,

construções.

por meio

Vários

os quais

a partir

de processos dessas

da inserção

a pa-

do norte,

da identificação afetando

essas condições

de fatos sobre

a

para justificar

independentes

mas que em si próprios

Somente

em uma matriz

que levou Singaraja grande

Dadas

que

as

objetivas,

tentam

elaborar

não são produtos de nossa

mais ampla torna-se

análise possível,

construções.

e São

na agricultura,

em resposta

da sociedade.

para nós, a compreensão

apare-

a u to r id a d e s

não parece plausível

e

visto puramente

e

ralistas

e interpretativistas

dições

do bali-hinduísmo

e manter

a novas

construção

M u ita s

Também

e tecnologias

desses empreendimentos

116

causas e conexões

essas

E um de

para as vidas dos balineses

ser compreendidos

se não

de Singaraja,

da universidade.

só podem

cultural

simbólicas

subsidiário

e

de Java. por

dependentes.

a transformação

significativos

geradas

da cidade

produtoras

nexo entre

e avali-

de plantas

em quase

exis-

central"

de algum

e não por prioridades

em ramos como transporte, profunda

essas pesso-

de plástico

em 48 horas

da sociedade

por

para a

as lagoas na região costeira

suficienteme~te

de um campus

a ter acesso

empreendimento

eles morreriam

de aldeias

terciários,

este era ex-comu-

que passou

portanto,

dessas

as estruturas

e interconexão

e

por considera-

com as construções

empreendimentos

drões altamente

valores

Essas atividades

para

a produtividade

A inserção

ce de maneira

-

de

porque

uma

de desalojar

de peixes em saquinhos

profundas"

uma população

de

social

-

é o papel de "lugar

serve a uma região

instalação

em homena-

das tecnologias

atividades

dos respectivos

de mão-de-obra,

das ou consistentes

pequenos

moldadas

das "estruturas

sustentar

por bens:

aldeia litorânea

para repovoar

trinta

de hotéis de luxo

com a intenção

a sede de um grande

por caminhão

o caso

que passou

à sua aldeia natal quando

do templo

de alevinos

soltos -

seus resultados

do mundo

sua posição

por exemplo,

que

de consumo;

suntuosas

de melhorar

a respeito,

novas variedades

para melhorar

de objetos

claramente

Uma e

cada vez melhor;

Em busca desses objetivos,

conseqüências

introduzidas

a importância

de fazer celebrações

da disponibilidade

ações derivadas

do bali-hinduísmo,

um desejo generalizado

cada vez maior

sua auto-estima.

ções pragmáticas

explícita

e despreza

as se erygajam em atividades tentes,

para a vida balinesa, bens materiais

de milhões

fossem

por exemplo,

na construção

lá situadas

encarregado

ao se tornar

transporte

que por

de Bali não está voltada

e vestir a si e à sua família

desejo de alimentar obter

social no norte

observa-se

mas sim para a busca de alimentos,

Contrariando

material,

questão,

que sejam o culto e a religião

da atividade

para o ritual, renda.

essa última

terras

outro

coleta

P r e o c u p a § õ e s m a te r ia is

inicialmente

como carpinteiro

lhe ofereceu

estrada

Abordando

Consideremos,

de uma aldeia nas montanhas

no sul de Bati e que só retomou

da sociedade.edcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

das estruturas

as comunidades.

anos trabalhando

Geertz

a essas análises,

monocromática

todas

do velho sacerdote

que o bali-hinduísmo

como um sistema

o tipo de consistência

marcadas de vida e em RQPONMLKJIHGFEDCBA

por conflitos

e coerência

tentam

como

lI?

possa

que as análises

tão corajosamente

parecem-me internos,

em si mesmo,

simbólico/expressivo,

ter

estrutu-

impor. As tra-

não só demasiadamente excessivamente

vivas para

zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA D,\ CULTUR.i\ N.\S SOCIEDADES COMlllEXAS

A r\NÁLlSI~

FREDRU: BARTH

que isso seja verdade.

Basta observar

existentes

sustentando

na tradição e à organização

liturgia

a diversidade

posições

sacerdotal

nuscritos anos

sânscritos

:foi mantida

de linguagem

sacralizados

escrita.

manuscritos,

coerente

como prop~iedade

ou uma congregação sagrada.

e suplementada

Esses

ser abordado

como

ções e apenas nos momentos

Muitos

dos de zelar por esses manuscritos por seus poderes

qu;e nunca

número

a liturgia, poder

manuscritos,

imensamente incorporam brâmanes

lias de todas as outras para aconselhamento norte

e ora-

manifestam

quando

en-

grupos

o seu rebanho,

rituais

ancestrais

respeitadas o próprio

também

e altamente

realizam

de Bali, no entanto,

de boas coleções

de que jamais um brâmane pois eles usam

algumas

antigos,

realizou

seus próprios

se ligam pessoalmente

118

da população

do

delas possuidoras

que se orgulham

qualquer

sacerdotes

grau,

ligação com esse tipo de

nenbum a

inteiras,

de documentos

Esses

do fato

tipo de rito na aldeia,

comuns

para cuidar

dos

de jogos platas

ancestrais

espiritual os assuntos

Ainda

e tenham da vida para

um estilo um tanto podem

mortos,

limita-

ter acesso aos

que espontaneamente

profissionais;

esses ancestrais

têm grancom rela-

culturais,

pessoais

deuses

e práticos.

falam aos balineses das linhas

ou em afirmativas

oraculares

misteriosas,

plena, quando os médiuns

templo

dos mortos

truição,

fazendo

repreendeu

equipe

durante

Durga,

do templo rituais

chorando

recebia

demandadas.

119

ordens

nas omo-

mas sim por meio as grandes

o princípio

seu alto sacerdote

prostrou-se,

não através

formadas

Eu estava presente

uso do corpo de um camponês

até que o sacerdote compensações

descem

dos templos.

quando

severamente

a

e moral sobre seus descendentes,

da leitura

nias e possuem

oca-

ou que são chamados

de adivinhação,

de sua presença

to toda

assumem

das

nesses próprios

à interpretação

de seus descendentes,

6. Por fim, os próprios

o mais alto

em maior ou menor

Cerca da metade

não tem

e há comunidades

ção a todos

que eles preparam.

do templo. por sacerdotes

respeitados

com que as pessoas

falar por meio de médiuns

sagradas;

os ritos das crises de vida para famí-

e a eles recorrem,

a possessão

de autoridade

durante

que se

para o grau de senioridade. muito

elei-

mortos.

reproduzindo-os,

Shiva, que transmite

castas, cujos membros espiritual.

Não só nasci-

sionam

deuses,

selecionados

quanto

inevitavelmente

do em razão da facilidade

de seus

de médiuns

sejam

e influência

são de casta

hereditários,

pelos próprios são formadas

atenção

também

uma autorida-

que têm sob sua guarda

são brâmanes.

como

autoridade

mais

e institucionalizado

por direitos

de descendência,

com considerável

que

de casta

de templos

centralizado

mais numerosas

que esses sacerdotes grande

a lê-los.

sistema

ou escolhidos

e dos grupos

não podem

são tão divinos

das aldeias.

dos sacerdotes

por meio da possessão

4. As fileiras

pois

de divindades

eles são selecionados

tos pela congregação

famílias

a serviço

os fundadores

a maioria

Além disso, há o incon-

de que os brâmanes

nas aldeias,

pôr-se

e não há nenhum

de formação;

ele deve

tão atemorizados

oferece

comum

estrutural

5. Há os próprios

superior,

endogâ:nicos,

a eles como discípulos

sacerdote;

familiar

que são encarrega-

e para as atividades

e a mais alta bênção à água sagrada

sacerdotes

é reve-

incenso

apropriados,

daqueles

de textos

em posição

desses

dos de casamentos são pessoas

que funcio-

uma linhagem

3. Assim,

sido

em seu' papel de sacerdotes.

2. Os sacerdotes o maior

baixa, tais como

têm

em suas vidas se atreveram

para os ensmamenros

responsáveis,

de mil

impossível

se mostram

Cada um desses vári~s fragmentos de última

ao longo porém,

a água sagrada.

nos templos

não lhes é possível

com oferendas,

ritualmente

tão pode ser lido ou [cantado.

impedimento

de ma-

ler esse tipo de texto:

urna divindade,

veniente

ser sacerdotes

e incorporaedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA s a kti, a potência

templo,

Não se pode simplesmente

à

de Shiva e preparar

herança

e crítica. Cada manuscrito

de uma pessoa,

lde algum

com relação

instituídas:

mapeada

de tal rrianeira que se tornou

nem como uma literatura renciado

-opostas

diferentemente

I. Uma grande e apenas parcialmente

templos

de autoridades

cósmico comum,

e toda

cerimôem um da des-

apareceu

e

a congregação,

histericamente, para fazer

enquan-

correndo

as

FREDRIK IlARTH

Abordar

essa áspera cacofonia

pectativa

de que suas mensagens

qualquer

que seja o sentido

rístico

de vozes autorizadas e ensinamentos

de um antropólogo

bastante

bre os outros, localidades

toda a afirmação

dogmático. parciais,

campos;

de coerência,

Não afirmo

salvo quando

nhece

da cultura

o Islã reivindica

duvidar

da realidade mente

de

balinesa

cuja coerência

torna-se

ainda

não apenas

é questionável,

entre muitas

outras

básica para qualquer

maior

quando

é ele próprio

como

também

existentes

ampliar

balineses,

expressiva

através

os dois comum,

de

da enxur-

a construção

do qual cultural

campos

efetiva-

e nela são capazes

complexas.edcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

de maneiras

apenas

nela, são conhecidas

uma

do norte

de

não reconhecem

as castas,

áreas centrais;

base a senioridade

dos deuses

(a possessão

é esperada;

prever quais deuses

virão e o que eles dirão),

em meio às brumas

da noite,

um chamado

ção. Eram três horas da madrugada, mava os crentes

não se pode

repentinamente feito

a outra

e o almuadem

ouvi,

congrega-

muçulmano

cha-

para a oração.

também

das estritamente

sob possessão.

dem se misturar

M o d e r n is m o

Os muçulmanos

correspondern

a cerca de 1 0 % da população

de Bali. Eles vivem espalhados

ção ou, ocasionalmente,

em bairros

ao bali-hinduísmo

em meio ao resto e aldeias separadas.

quanto

possível,

com igual profundidade

na vida cotidiana

sua definição

no sistema

de pessoa,

rança,

no calendário

culto,

na moral idade e na cosmologia. participam

e na percepção de uma sociedade

uns aos outros

no trabalho

12.0

Sua religião

todavia

penetra

dos que a ela aderem:

de nominação, da história

do

da popula-

na

nas leis de hetanto

quanto

no

Durante

Nosso

falava balinês,

G O LKAR;

para os jovens

Ainda assim, esses balineses

meio do crescente

comum

apenas professor

mais ampla,

e no lazer, fazendo

mistu-

amizades

requisitada

ou por satambém

também

indonésio, aprendia

educacional patrono

na rede formada

121

de campo,

em Singaraja,

poe

residi-

e ali constatamuito

influente.

árabe e inglês; para alarchinês.

da organização

como também

e influente

no entanto,

Ele atuava politica-

política

de baixa classe média

sistema

importante

e são governa-

mais ampla com hindus

da realidade,

gar ainda mais suas fronteiras, regional

mas tem por

a~deias),

de trabalho

e sua família

construção

no comitê

das

o c id e n ta l

mos uma quarta

mente

tradicionais

por isso.;

mais longo

mos com um professor

por exem-

(um elemento

outras

na sociedade

que optarem

período

anfitrião

casadas

Seus membros,

d e in s p ir a ç ã o

nosso

os reinos

de

mas não

comuni.dades

com a escala de ~enioridade

livremente

sempre

Essas

social é diversificada

de muitas

de acordo

número

denominações,

"aborígenes".

e rejeitaram

entre pessoas

na constituição

cerdotisas

-

Um certo

na região montanhosa

por diversas

sua organização

muçulmanos,

I s lã

principalmente

plo, Bali Aga ou Bali Mula

visita de

vam o caminho

mais a diversidade.

um conglo-

prepara-

em que os címbalos

ainda

espalhadas,

é apenas

na cultura

Podemos aldeias

e o incenso

rando-se

a ortodoxia

Apesar

a dimensão

sobre

em uma sociedade

se reco-

a dramática

no exato momento

também

completa

e de se comunicar

Durga,

é tão oposta

que satura

dos muçulmanos

Bali. Assim, na mesma noite em que presenciei

norte

mistos.

e do fundamentalismo

hegemonia

se encontram

de interagir

desafiando

tiver sido devidamente

como premissa

que o bali-hinduísmo

das tradições

e de simbolismo

da vida dos bali-hinduístas

uns so-

e mesmo casamentos

B a li A g a

A força dessa proposição

merado

rada de imagens

espe-

demonstrada. análise

essas categorias

os lados e realizando

que o

graus nas diferentes

e que devemos

que atravessam ambos

seria caracte-

que interferem

em diferentes

diferentes

com a ex-

algum; apenas que devemos

de padrões

e se estabelecem

e nos

A ANÁLISE DA CULTURA NAS SOCIEDADES COMPLEXAS

sejam coerentes,

que se dê a essa palavra,

que é dito e feito não siga padrão rar uma multiplicidade

RQPONMLKJIHGFEDCBA

o

que ascendiam

por

ele se tornara

não

indonésio, e mediador. pela

de Suharto,

elite

Era uma pessoa dos

modernos

-liRQPONMLKJIHGFEDCBA

I

FREDRII: B,\Rl'li

A ANÁI.lSE DA CULTURA N,\S SOCIEDADES COMPLEXAS

I1

'I

II1

administradores

e burocratas.

do de acordo :1

I~II

e com o maciço

filhas foram sistematicamente e ao casamentos,

mesmo

mundo

estruturava-se

sobretu-

e o sistema

educacio-

a administração afluxo

transrnit idos pelos meios

noivado :11

com a política,

nal modernos, mentos

Seu mundo

de informações

de modo

em gl,le se juntarão

Seus

filhos

e

bem como conduzidos

a permitir

a milhares

gue

e conheci-

de comunicação.

educados,

meio

que transitem

de outros

da destilação se consiga

reconhecer

de quaisquer

nas expressões

As pessoas

participam

de universos

ou menos

discrepantes;

constróem

ao

e simultâneos,

.no

que fazem

cujas reali-

e generalização

nos quais

institucionalizadas.

de discurso mundos

se movimentam.

da realidade

regularidades

não surge

múltiplos,

mais

diferentes,

parciais

A construção

cultural

de uma

única

fonte

e não é

monolítica.edcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

1

I

I

dades são construídas

por essas mesmas

forças.

1

li i

A n a tu r e za F e itic e ir o s e fe itiç a r ia

Havia rumores ticeiro. !i

Nossa

de que esse professor

Se era, participava

balineses

-

de acordo relações

com premissas sociais,

higiene

feiticeiros

-

bastante

magIas para o amor, a morte,

que induzem

ou combatem

da fachada social de uma etiqueta

que codifica

cívicas coletivas,

a amizade,

a virtude

outros

as pessoas,

cedimentos as e

e para fazer chover, e poderosa,

re-

por trás

prosseguir,

destacados.

quena

cena da minha

participava

Optei,

ativamente

mostrando

no entanto,

última

visita

versamos

sobre

a análise

algumas

línguas

destacar

já deve estar

que respeite

de Sumbawa. bastante

e o respeito

Oriente

(Wikan

Médio,

esses fenômenos

outros

ou alguma

elementos,

amigos,

de sua família

e de sua al-

122

homogeneizada

nenhuma

mantém

entre as pes-

invocando

estru-

fácil pode

reduzir

e unitária

por

junros

de características do tempo, diferentes suposição

os elemenros

nal, é exatamente

correntes

dinâmicas

básicas

tradição

semelhantes.

de diferentes

mostre

de certos

possam sobre

de cada tradição tentando

que tendem

a Tal

culturais

não

o que exatamente coexistente

d e s c o b r ir -

-

critério

ao longo

afi-

nem expechomólogas

ser constituídas

O principal

um cerro grau de coerência

123

e

características

Elas podem

maneiras.

elemenros

misturar-se.

de tradições

predefinida

tativa algul1la de que todas elas tenham produzir-se

de cor-

que na vida das populações

correntes

isso que estamos

áreas do

em termos

coexistentes

ainda

mapear

sua natureza

1983; 1984), cada

(Barth

ernpírica

Como

e necessárias

em algumas

pensar

de

na cultu-

a conseguir

cultural

culturais

várias dessas

envolvendo

de

honesta

e regionais

modelo

que gostaria

do que acontece

a uma "Cultura"

locais

ao longo

plausíveis.

seus limites,

esclarecedor

uma agregação

conjuntos

persistir

implica

questão

truque

formando

de

uma abordagem

considerei de tradições

uma delas exibindo

havia pouco,

evidente:

interpretação

que

Nessa visita, con-

A singela

outra

talvez

com uma pe-

( s tr e a m s )

à construção

causais

de modo

o pluralismo

a um de nossos

de Bali sugere que nenhum

profundas

estar presentes,

e sua força? Ao analisar

que ele fizera,

o que se pode constatar

soas no norte turas

elas parecem

pro-

de uma

do que acontece

às interconexões

ideais como as obri-

sou norueguês.

fonêmica

mais ou menos

ad hoc

cético em relação à coerência

ra, sem deixar de estar atento quando

desenvolver

na imposição

mas que não se limitem

cuidadosamente

por concluir

da vida religiosa

deia, e que era tão balinês quanro

"holista",

a es-

a interdependência

Precisamos

gue não redundem

interpretações"

permanecer

que se propõem

deve ser explorar

em tais conglomerados.

falsa ontologia

rentes

Seria possível

complexas

seu alcance e identificar

1987). menos

mais geral como antropólogos

de descoberta

múltiplas"

equilíbrio

essa construção

tarefa

tudar as sociedades dos elementos

e espirituais.

ocultas,

doenças,

imensamente

fei-

consrruído

materiais

subjacente

gações

sobre

isocial que inclui paixões

uma corrente

tantos

diferente.

diferentes

e as forças

um poderoso

como

completamente

a causalidade

mentais,

presenta

integralmente

de um mundo

Com uma metafísica

era também

d a c o e r ê n c ia e m q u e s tã o

e

e re-

é que cada do tempo,

e

l

zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA IlARTH

F R E D R I~

A ANÁLISE

f'" .,

DA CULTURA NAS SOCIEDADES COMPLEXAS

~l possa

ser reconhecida

outras

nos vários contextos

em diferentes

comunidades

bali-hinduísrno,

educação

e da política

na feitiçaria

-

grações

Islã, aldeias

megalíticas

anos atestam de acordo

bém é plausível feitiçaria

pensar

forma

às crenças

sudeste

asiático.

O hinduísmo

tes culturais

elas

xuriantes

do bali-hinduísmo

Talvez tenha havido uma onda de mi-

mologias

diferentes

na Índia

históricas

em feitiçaria

ao sudeste

e Nirvana.

trouxe

asiático,

a igualdade

da submissão morfizado

entre

diferentes

vindos

modernas

de educação,

essas correntes

afluem

elementos

de um deus não antropodo Corão

que foram

dos partidos

e do Último

e uma perspectiva instituídos

políticos,

processos

Hobart

e do Estado.

para o que hoje é a complexa

Todas cultura

de Bali.

se passou

de

bali-hinduístas

afir-

sujeitas

continuamen-

mudando:

(são os princípi-

são manifestações).

estão em contínua

a transformarem-se

Nesses

transformação

e

em seus opostos

(cf.

1986aeb) sentidos

das aparências;

percebem

é

ilu s ã o ;

é difícil distin-

é como uma peça de tea-

a realidade

tro de sombras. uma coisa é

3. Frequentemente,

Assim, há uma rede de identidades muito

diferentes

4. Há harmonia e o microcosmo,

buana

cado com a pessoa bios cósmicos maus

atos

como manifestações

a lit,

sendo

explicita-

agung,

identifi-

Assim,

os distúr-

que atingem resultar

buana

geralmente

individual.

podem

outra.

do mesmo.

este último

em doenças

por alguém

entidades

entre o macrocosmo,

ou a consciência

refletem-se

feitos

que conecta

e ressonância

de alguma

m a n ife s ta ç ã o

a pessoa,

em distúrbios

e os cós-

micos.

e s tr u tu r a

m a i s p r o fu n d a

Para uma análise antropológica, aderido

e episte-

de um contexto

sendo,dissolvido e Ishwara

5. Em parte pelo motivo A busca de um a

c o n tin u a m e n te

do ser, as entidades

guir a verdade

mente

nas formas

os pensadores

sustentado,

2. O que os nossos

Promuito

lu-

é difícil rastrear

se ela for abstraída

que é, está

sendo

particularmente

a lei através

em premissas

deuses,

não seria suficiente

impulsos

como

essa história

e mostrar

o fa to

uns aos outros.

Espera-se

que sejamos capazes de desmontar

124

de certos

descrever

terem

se

estão

ancestrais,

moldado balho

espíritos

continuamente pela

m a g ia ,

e pelas causas

agindo pela

assinalado e ogros

são poderosos

ao nosso

v ir tu d e

e pelo

físicas.

125

acima, e em parte redor, m a l,

tanto

porque

e caprichosos

o mundo quanto

material

~ 11 :1

:1 'iI ,

social.

I. Tudo aquilo

à Indonésia

pregando

de

das imagens

das nossas, e conseqüentemente

sua existência

os dos quais Brahma, Vishnu

Ele

O conjunto

parece basear-se

te surgindo,

à civili-

em si mesmas

um procedimento

de fazer isso no caso do bali-

frustrantes.

do

casta,

externa.

As tentativas

em

alcançando como

o Islã chegou

um currículo

juntas

asiático,

culturais

constitui

mam que:

na

no resto

a individualização

diante

finita e imutável

do Ocidente,

centrada

como corren-

de mudança,

os homens,

feta. Mais tarde, apareceram

e sociedade

e ventos

práxis

das formas

Pelo que pude depreender,

Tam-

semelhante

de uma nova fonte

.pessoal e voluntária

e a verdade

sociais

um novo componente

a partir

uma nova consciência

universal,

Quando

XII e XIII, adicionou-se

1983).

surgiram

divindade,

zação do sudeste

Lansing

encontradas

e o budismo

mil

e compreender

organizadas

histórico,

VII e VIII, trazendo

nos séculos

sociais

de aproximadamente

1954;

cultural

e chegaram

Todas

semelhantemente

(Goris

centrada

as organizações

Java e Bali nos séculos sofrimento

sociais

essas características.

se originem

um substrato

aspectos

cuidadoso

da sua lógica abrangente mostraram-se

das relações

que a visão das relações

muitos

da

em busca hinduísmo

de aldeias

com a senioridade

reali-

1 e mostraredcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA p o r q u e ela é coerente. j,.

e da sociedade

adequado?

fontes

a existência

da cultura

descoberta

das quais

Bali Aga. De todo modo,

na descrição

Bali Aga, o setor moderno

e a construção

histórica.

\;1

a matriz

Será que o estudo

que introduzi

parece apresentar

têm uma dimensão

com

e regiões.

Cada uma das cinco rubricas zada -

em que coexiste

e é

pelo tra-

;! ;i

r-R E D R J ~

Mas se acompanhamos ções, corno reverter urna cosmologia junto

os sábios bali-hinduístas

o processo

completa

sua totalidade,

universais,

indeterminados

dem gerar. Como entender, desejo budista ancestrais

mortos;

nasce em seu próprio

de descendência;

grupo

as "almas"

de diversos

pode reencarnar

das questões

que predefine

ló g ic o s

sempre

re-

a crença de que uma enquanto

um

ainda que

de uma formulação

a serem pesquisadas,

subjacentes

aos padrões

do mundo

(Winner

L ~

dências. Devemos

de que

os padrões

perguntar

cada padrão específico, aí. A ausência formação

específicos

q u e tip o

um tipo de

à busca

gerais são evi-

encontramos

em

justamente

antes, é a tendência

de uma ordem parcial que precisa ser explicada, esclarecendo

quais as causas eficientes

tradição

a

pelos

fundamentalismo

gregação

s o c io lo g ia

Assim. tomando

devemos

d o c o n h e c im e n to

abordar

construída.

cialmente

as formas

correntes

que identificarmos.

cada uma delas como universo de discurso. e: (i) caracterizar

126

ocasionando

fusões.

Além disso.

básica diferente.

no qual todos compartilhado

O

os estudos e finito.

ja-

baixa em uma con-

Isso é uma afirmação

socioló-

a defesa de uma sociologia

que mostre

ao apresentar

em um mundo

temos que tentar

como as tradições

os processos

que as

em que a realidade mostrar

é cul-

como se geram so-

da cultura.

ecos dessa perspectiva

suas explorações

como

os proces-

se misturam.

onde Durga

amplo.

são constituídas.

geram. Assim. se vivemos turalmente

identificar

siga uma dinâmica

em sentido

para ser

lógico fechado

e mesmo

lógica; representa

da antropologia

compartilhados

na estrutura

no trabalho

urbana

de Hannerz,

em termos

de geração

em de

1980:287). Ele se pergun-

(Hannerz

social da cidade,

isso acontece:

no salão. no

café. em uma gangue de rua. em um grupo

de culto, em um departa-

mento

essas questões

universitário?

Devemos

explorar

dos il1 s ig h ts que elas podem

produzir:

deixa no produto

o fato de ser criação

cultural,

rua ou de um departamento sistemático,

essas questões as formas

da meditação

sim pela identificação

as várias

distorções

local e fala a seus membros.

não através Uma

essas correntes

em um mundo

gica, e não puramente

ta onde,

também

do Corão, um texto

surgir

e

desco-

em aberto.

um sistema

do Islã, por exemplo.

em torno

ela se produz

ao fazê-Io.

deixando

Devemos

quais

como (iii)

como e em que grau os seus con-

a formar

pode ser que cada corrente

brir e mapear

específicas em jogo.

empírica,

chegam

por vezes interferências.

mais poderia

(ii) mostrar

suas fronteiras;

de conhecimento.

gravitam

N.\S SOCIEDADES COMPLEXAS

que haja coerência.

de maneira

ideativos

significados

É melhor nos

e p o r q u e essa forma se desenvolveu

de ordem não requer explicação;

teúdos

Encontrei

que descobri-

que observamos

de consistência

solucionado

e suas partes

inade-

1986: I 5); abstrair princípios da cultura.

brir o que permite

do conhecimento

aberto dos processos s o c ia is . A atividade social é uma atividade contínua

perguntarmos

li

de

nossos in s ig h ts no campo mais amplo e

a procurarmos

Ij

li

o

diferente?

não é a melhor maneira de explicar as formas ~ zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

II

que morre

e limita nossa visão. restringindo-a

e princípios

mos. Aconselho de produção

!'

e deificação

em vários descendentes.

desse tipo. que decorrem

quada e improdutiva formulação

do bali-hinduísmo:

mais destacados;

e como mantém

sos sociais

gastar rios de tinta (como de fato se faz!) tentando

decifrar problemas

de premissas

que po-

da reencarna-

ancestrais,

a vida de cada um deles seja completamente Poderíamos

em ex-

doedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA ka r m a p a h a la , ou seja, o justa retride que a pessoa

mesmo ancestral

opções

da realidade

a celebração

buição dos atos; a suposição

,'1' II

I

eles oferecem

afirmações

o Nirvana;

o princípio

criança pode conter

~ .,

como se fossem um con-

por exemplo, uma "teoria"

de alcançar

reproduz,

a partir ,desses princípios

em termos

ção que consiga incluir as seguintes

seus padrões

em suas abstra-

real no qual eles vivem? Em

simultaneamente

de princípios

cesso, e tornam-se

e recriar

e o mundo

e aplicados

unitário

A ANÁLISE DA CULTURA

BARTH

de suas conseqüências, modo

que diferença

universitário? nos oferecem

significativas a respeito

de processos

em busca

faz, que marcas

de uma gangue

Se aplicadas um método

de coerência de formas

para descona cultura

de operar. Desse modo, devemos

127

-

e configurações.

sociais e pela observação

isto é. pela elaboração

de

de modo

de modelos

e

empírica do seu

ser capazes de identificar

as

FREDRI~

partes

envolvidas

nos discursos

cesso do mundo

infinito

BARTH

que se dão, e

e sem sentido

e seritido" (Weber

rem significado

RQPONMLKJIHGFEDCBA do pro-

têm validade

os quais elas confe-

ou instituição

segmento

"O

sobre

A ANÁLISE DA CULTURA

privilegiada,

conversação" R e c o n c e p t u a l i za n d o

Para conceptualizar samos

eliminar

~onveniências

a cultura

de nosso equívocas

tiva de usar o conceito demanda junto

de noções

I. O

um observador, cultural

Weber.

ao contrário

t

riências,

Para descobrir de boa parte

não pode

relato

sistemáticas

e padrões estão

(sempre

de

de expe-

como

o

sistematicamente

-

a

lingüís-

ou seja, aque-

têm para os atos e relações

e essencialmente)

dos atores

mas sim em sua

não pode

p o s ic io n a d o s .

Ne-

se

o diálogo

ao diálogo

entre

os

-

da criatividade

combinadas

rém, constituem rei esboçar

algum

nem mesmo

para o estudo

é uma

ao nosso

modelo

da experiência

como

bem como

da luta dos ato-

de afirmativas

originais, chegam

nos seus contextos

verbais polêmi-

com certa consistência,

bastante

de Bali. Nesse

que, além de

a ser particularmente

e trabalhadas

nas páginas

função e efeito

por indivíduos,

conjunto

alguns dos principais

( ( O s ig n ific a d o

incorporar

como resultado

um instrumento do norte

objetivo.

nos reflexos

do mundo.

de um simples de modo

pelos estrutu-

arraigada

equacionando

de eventos

res para vencer a resistência

cas; quando

assumida

uma visão dinâmica

da interpretação

convencionais

A posição

Precisamos

material

produtivo

sentido,

e estimulante

para concluir,

temas que investigo

potenta-

nesse estudo,

precedentes.

l' e la § ã o ... ) }

atores" especial,

N. do T. No original: "Segment of rhe infinite and meaningless world process on which they confer meaning and significance".

128

ainda

sempreedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA s e d is ta n c ia m das

e ainda profundamente

da cultura

Essa afirmativa 6

sobre

do jogo entre a causalidade

individuais. -

ser sustentada.

de produção

e que já ilustrei

a "voz dos próprios

atenção

e

pes-

dos relatos.

egocêntrico

e conseqüentemente

dos antropólogos

não serem

do que propunham

da cultura

social,

Trata-se

saber para ser membro

mais recentes,

e posicionada

pouca

são o resultado

uma visão dinâmica

compartilhada

de referência

in te n ç õ e s

contingente

suas experiências

vidas e as de outras

reflexivos

excessivamente dando

1922), através

nativos.

4. Eventos

resultado

ator(a).

i d is tr ib u iv a ;

em suas formas,

apresentar

conosco,

nativos

mentais

de l1ào-compartilhamento.

que pretenda

dos

ral-funcionalistas

contemporâ-

particular

desse/dessa

de quadros

mais significativas

como

ligar um fragmento

ser elucidada

através

talvez não estejam

3. Os atores

antropológico

e, ao contrário

de modo

e a interação

dos outros,

Assim, não pode ser definida

sociedade;

las que mais conseqüências

nhum

no mundo

como o que você precisa

de um informante,

ticas. As estruturas

c u ltu r a

e

em uma expressão

à constelação a

ou signo

a natureza

concentram

próprios

requer o ato de conferi-lo,

e orientações

os etnometodólogos,

distribuição

complexas com o con-

precisamos

à população,

de uma determinada

-

em sociedades que contrasta

significados

ator(a)

que enfatizem

A tenta-

de cultura:

do método

e não por outros.

fazia Goodenough,

das pessoas

absurdos.

ímpeto da "longa

(Malinowski

suas próprias

antropológicos

do antropólo-

o principal

e compartilham

~elhor

de relação, grupo

uma construção

constituem

interpretam

entender

COMVLEXAS

modelo

das comunidades

soas. Os trabalhos

inadequadas,

entre uma configuração

a Geertz,

conhecimentos

2. Em relação

partir

a respeito r e la § à o

um determinado

por alguns

crítica

de asserções

Criar significado

neo, de Lévi-Strauss cultura

tácitos

e não alguma coisa sacramentada

particular.

sugere

de maneira

i uma

dentro

conseguem

desse tipo, preci-

várias conotações

e pressupostos

herdadas

s ig n ific a d o

como um produto

conceito

um novo conjunto

de posição

da qual as pessoas

a c u ltu r a

pois qualquer

será necessariamente

go. As diferenças

1947).

NAS SOCIEDADF.S

não pressupõe

qualquer

mas serve para guiar nossos

direcionando

nosso

olhar

do significado

procedimentos

para a ligação

129

teoria entre

em

de descoberta.

qualquer

meio

de

FREDRIK BARTI-I

expressão

e a pessoa que usa ou responde

sária para que se possa elucidar A busca consciente numa

sociedade

bolos

e expressões

conectados forças

A ANÁLISE DA CULTURA NAS SOCIEDADES COMPLEXAS

o significado

dessas ligações complexa,

de modo

torna-se

ções privadas

e de simbolismos

e ocultas,

acabar sendo vítimas apenas

externo,

uma extrapolação,

das decorrências

Isso pode facilmente podem

então

não refletem

dos e comunicados atenção

como

No norte campo, manos

pessoas

descobri

dos de pai-de-x, quisa naquele de pessoa

empregava-se

avô-de-x,

balineses

uns aos outros ros abstratos seus

série

Geertz

de padrões a noção

e anônimos "eus"

Tentei discretamente

às dos bali-

e conduta

interpreta

através

espe-

em Bali"

a tecnonímia

como

dos quais

estereotipados, encontros

singulares

os

companhei-

próximos

entre

íntimos,

a memória

efeito

para se dirigir

dessa prática

plo, todos do-nos, tor"

de maneira

de que a prática

e positiva,

orientação o oposto cussão:

dessas

completas

superiores,

corretamente

sugerir essa interpretação

ao pequeno

pistas

plausível

de pessoas

fazendo

chamanou "dire-

Voltando

de nome públicas

um significado ao contexto,

seguro

quando

se presta à intenção

3

I

um

distantes

dessa prática,

de Geertz,

à práxis,

I

torna

o que

empregada,

de fora, são de modo

à afirmativa

razoavelmente

o argumento

com que seja mais difícil

Mas o "significado"

de vista externo.

relativas

o

por exem-

de "professor"

mudanças

do que sugere a interpretação estar

evento de títulos

esses títulos:

na relação social na qual é efetivamente

só se pode

a

para evocar, entre

de faculdade

como razoavelmente

que revela para nós, pessoas

na tempo-

as pes-

em que os obtemos.

essas biografias.

ela expressa

que

de maneira

se imaginamos,

aprovadora

opacas as biografias

apreender

daquilo

e estereotipadas individual

que conseguiram

companheiros

generalizada

e genealogicamente

o oposto

desse importante

inteligível

des-

que o empregam

com o uso generalizado

a pessoas

do momento

Depois,

vêem tal costume

e também

antigos

Eu ainda aceitaria

tanto

também

compartilhada

torna-se

os nossos

a partir

conjunta.

anônimas

ocorre

Mais tarde, usar

para aqueles

do outro,

mo-

feliz e criar um sentimen-

uma realização

a vaidade

da vida. Algo semelhante

um ponto os

Longe de tornar

esse

nasce o

que naquele

importância.

do norte

de enfatizar

a atiçar

e inseridos

130RQPONMLKJIHGFEDCBA

pessoal,

da relembrança

Seu significado

eles empregam

que ele revela são, portanto,

descreve.

amigos

de pes-

social e a noção

na obra de Geertz,

culturais

que evitam ( s e lw s )

muçul-

a ser chama-

e compará-Ias

tempo

de

de pessoaedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA ( p tr s o n h o o d ) e representam

como contemporâneos

respectivos

ralidade.

"Pessoa,

Nesse trabalho,

Geertz lisonjear,

o

ou seja, os

Meu plano

a organização

em seu trabalho uma

passam

modo.

soas, trata-se

dê mais

do trabalho

grande

que os bali-hinduístas

desse mesmo e as orientações

que

pensa-

de balineses

e assim por diante.

era estudar

cialmente

constróem

formais.

cobri

através

a mos-

pais e avós quando

esse evento

tem para essas pessoas

em uma segura

são. Passaram

do que sugerira,

os orgulhosos

destacando

to de camaradagem

em Bali. A incom-

transformou-se

esse nome servirá para evocar esse tempo

ao

Considerar

a tecnonímia,

os primogênitos,

entre os muçulmanos

um dentre

mento

públicos

do sul tal como representados

balineses

filho,

sofisticadas;

e osso.

que na comunidade

nascem

momento

1966).

primeiro

de vista

e os significados

isso logo no início

hinduístas (Geertz

construções

de carne

e às

e profundos,

equivocadas,

ao contrário

que

de motiva-

dos costumes

como,

para lisonjear

generalizado,

muito

trar-me costume

e à práxis.

onde eu trabalhava

pais e avós, quando

sím-

camadas,

faz com que o pesquisador

de Bati, percebi

quando

de explicar como as coisas realmente

de um ponto

aparentes

formando

uma relação

ao contexto

a partir

a compreensão

entre

tentativa

na investigação

levar a interpretações

ser combinadas,

estas, porém, significado

lógicas

em particular

aos grupos

reprimidos

que tinha como interlocutores

inicial deles rapidamente

os antropólogos

de um curto-circuito

de pessoas

preensão

inúmeros

às pessoas,

Sem essa injunção,

círculo

culturais.

com múltiplas

nada transparente de emaranhar-se

realizarem

essencial,

requintados,

têm saudável relutância podem

dos objetos

na qual são produzidos

culturais

que os produzem.

a esse meio, etapa neces-

e a geral

feita a partir inicial

de

dessa dis-

de ter entendido muita

atenção

comunicativa

às e à

FRWRI~

interpretação;

BARTI-I

só isso nos permite

RQPONMLKJIHGFEDCBA

entrar

experimentalmente

A ANALISE DA CUI;ruRA

no

e le s constroem." queedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

mundo

Nas palavras O ponto

em separado

escala de grandeza

de Unni Wikan:

seria necessária

de partida para qualquer análise das crenças sobre a

joritária

pessoa ... deve ser o uso que o próprio ator faz dessa construção para interpretar eventos e aspectos do seif e das outras pessoas [...]. Por mais eloqüente e sofisticada que seja a análise sobre tempo. pessoa e conduta

consultados

em Bali. ela terá pouco valor como

auspicioso

(I 987: 343).

essa perspectiva.

te e detalhada a partir

crítica da interpretação

da lógica atribuída

monografia princípio

metodológico

(1987) de certas

(Wikan,

para realizar

balinesa

uma forconstruída

instituições.

no prelo),

Em uma

ela usa esse mesmo

uma análise abrangente

das emoções

(p e r so n h o o d ),

desenvolveu

da cultura

à forma

mais abrangente

ção de pessoa norte

Wikan

e das relações

da no-

sociais

no

onários trabalho

homens

e mulheres.

tos da cidade,

Para produzir

o "texto

minada

envolvendo foram

JJ

cultural"

o quanto

cerimônia

Nirvana,

essa metáfora

de cremação

na posição

mobilizados,

des, e com concepções

(emprego

é inadequada)

bali-hinduísta,

de amigos

essa expressão

profundamente

de uma deter-

na qual acabamos

e participantes.

cada um com diferentes

apenas

vários

interesses

divergentes

agentes

e capacida-

através desses ritos, ou seja. sobre o significado

mesmos.

médiuns

de ancestrais

( b a lia n

m a tu u n a l1 )

dos foram

132

imerso

antropomórficas,

e em assegurar

para pôr nos altares

Enorme

quantidade

providenciada da cidade

(enquanto

( tu ka d b a n ttl1 )

do trabalho

bairro,

A pessoa

e do e faci-

da família,

em conjurar

as

para suas representações ancestrais

purificadas

e

dos mais variados situada

em outro

antropomórficas que recebeu

tipos

foi

bairro

das almas

a encomenda

das

os materiais

foi subernpreitada

do povo no bairro em que se situava a casa de oferendas

aliás, cujos moradores

zões políticas

a pessoa

era de uma família brâmane, mas a maior parte

de cortar, trançar e montar

com mulheres -

as representações

pela família).

O alto

da família.

de oferendas

por uma casa de oferenclas

feitas

os ri-

do Karma

estar mais preocupados

pessoas

para

dos mor-

fosse empregado.

da alma com sua fonte. Os sacerdotes pareciam

divinizadas

tarefas

templo

de dissolver

para que elas voltassem

aparato

conduziram

na filosofia

abstrato

em contrapartida,

oferendas Uma discussão mais aprcfundada dessas 'luescões é apresentada em Barth (1993); partes da minha perspectiva foram desenvolvidas com relação a dados de outras regiões em Barth (1983) e, especialmente. em Barth (1987). Uma análise sobre Bali bastante comparível com o raciocínio aqui apresentado pode ser encontrada em Wikan (1987; no prelo).

brâmane

de

do bairro,

o grande

do grande

almas dos mortos

eram

7

estava

e buscava o objetivo

litar a reunificação

sobre o que estava

sendo realizado Dois

nos

sacerdote

dos cidadãos

da família,

e

Os funci-

das obrigações

listas de diferentes

O alto sacerdote

mais

com um sistema

e organizaram

e mais três sacerdotes

contudo,

realiexage-

o momento

com seus registros

estabelecendo

que

social o

conspícuo

que o consultaram.

e do desempenho

coletivo,

sacerdote, ( ~ c u ltu r a é d is tr io u tiva

àqueles

as datas e mobilizaram

de trabalho

tiveram

recompensa

do rito, de acordo

do bairro,

comunitário

aprovaram

como

determinou

usa da )

inacessíveis

municipais

que

a facção ma-

o que viram como ostentação

( b a lia n

tos, sem que nenhum

de Bali.

para destacar

reprovaram

para a realização

uma cosmologia

confirmaram

em herança para pagá-

do valor do consumo

por alguns,

Um astrólogo

ser a

que eles relutantemente

dos imóveis recebidos

reconhecimento,

rada).

Usando

de modo

obtiveram

na esfera dos conceitos dentro da qual ocorre a experiência, sem d efa to i

(essas consultas

qual deveria

maior do que desejava

Ia; com isso, evidentemente,

entrada para a compreensão da cultura balinesa, se mantida apenas txp tr iin c ia

da cerimônia

da família,

zado, mas outros

nos dar uma noção de o q u te s s a

para saber do falecido

uma cerimônia

vender cerca da metade

\.

NAS SOCIEDADES COMPLEXAS

com os membros

praticamente

não falavam

da família responsável

133

por ra-

pela cremação

i

.~ J

FREDRIK BARTH

e com os moradores

do bairro

rém, não importava fícios mal-feitos

muito,

recaem sobre aqueles

em uma aldeia distante,

que regem

as dimensões

da torre

os fios elétricos

ticularmente os participantes

certamente orquestra

Ramayana

o ritual,

feito em um recinto

e mais

inimigos

de gamelão

teatro

outros

descendentes agentes:

de marionetes preparativos

suas obrigações

dependem

todos

vingativos.

Palhaços e para

para a perforrnance

foram

buscados

totalmente

aos aspectos apoio

d ije r w te s

um ou outro

do

mais relevantes,

comunitário,

dos membros

aspecto

assim

evoca idéias,

luto, quanto

para crianças

são o produto

Para a comunidade

também

todos

crianças.

dinheiro espiritual

A conseqüência

tanto

Juntos,

criam

resultado

temporária

da agregação

diferenciadamente

distributivo

Contraste-se

culturais

pessoas

do

foi, afinal, apenas

Isso decorre

de uma cultura

rumo

construções

de maneira a outras

e distribuições

em uma comunidade a relação espiritual

co, deveria ser dominado oferece

guru

e

por todos,

tem a ensinar,

religião

professores

135

muçulma-

islâmico

do estudo,

e

e a auto-

o que seu primeiro podem

sair

Esse conhecimento de islã em Lombok leva a uma carreira

no conselho

instância,

é úni-

devem freqüen-

e ambiciosos

em Meca. Esse caminho

da aldeia e, em última

diferentes.

a moralidade

dominando

ao pertencimento

gerando

para uma pessoa.

é acessível através

talentosos

com os grandes

e professor,

( M a jlis u la m a )

os jovens

Essa

básica não é com os ances-

em busca de mais conhecimento.

Java, e especialmente estudioso

culturais

todas as crianças

já estiverem

na tradição

diferente.

de balineses

a única base válida para a sociedade,

para o mundo

na tra-

trajetórias,

de que o conhecimento

ridade cívica. Conseqüentemente, quando

o

que encontra-se reproduz,

com aquela encontrada

estruturada

as pessoas

das premissas

pode ser obtido

habili-

o que é visto

padrões,

não é apenas

é algo que também

essa dinâmica

por exemplo,

tar um guru;

esses ma-

toca a cada uma das pessoas.

como um todo, essa cremação

134

do bali-

é apresentada

com diferentes

varia imensamente.

como a mensagem

um

para os que participam

Assim,

coletivo

entre as pes-

da cultura.

balineses,

impulsiona

do

os vivos e a

as diferenças

o produto

distribuída:

outros.

a p a r tir

transformou

irá reproduzir Assim,

eram ainda

e in s ig h ts , isto é, sua compe-

de conhecimentos -

da

em razão da

que surge

que efetivamente

trais mas com o guru, aquele que ensina a

no qual uma vasta gama e imagens

é que o precipitado

própria

e

que foi levada

a cerimônia

de seu pai, os significados

pessoal

dez adultos

de sua mãe, ou para o sacerdote

soas, e não reduzi-Ias.

tradição

eles não realizavam

cremados

duas vezes durante

disso

dição, o caráter

-

e foram

Para a órfã de nove anos,

a experiência

sua bagagem

(era a quinta

anos,

na pira

nos em que trabalhei,

diversos

em geral. Mas não apenas

de diferentes

como

e a maneira

como

mitos

de materiais

e adultos,

para a população

e idéias,

há sessenta

que desmaiou

presença

eventos,

devem ser mobiliza-

cultural.

bali-hinduísra,

Uma rica variedade

os

da família no que diz respeito

da competência

coletivas

portanto,

de uma vasta gama de outros

festival caracteristicamente

e ensinada

jogar

e trabalhoso

e de um marco fundamentais

e quatro

família

nos mais

no bairro,edcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA s e m e lh a n te s aos membros

de representações hinduísmo.

tratava-se

tência cultural

já que entre

para com os mortos,

os seus vizinhos

dos para oferecer especialistas,

dades

par-

o arroz

para entretenimento

aquele ano). Para a família que fazia a celebração,

dos muçulmanos

da família quanto

ouvido,

para manter

no bairro

evento -

cuida-

que conhecia

de envenenamento,

haveria

pois

lugares.

Para realizar

teriais

da procissão,

de energia elétrica. O pre-

do bairro,

por feitiços

para a procissão,

diversos

do caminho

bem os ritos e magias necessários

acompanhar

para

NAS SOCIEDAOES COMPLEXAS

cremação

uma cremação

de construí-Ia.

Sua

festivo

de um desafio

trinta

estava a cargo de uma mulher

livre de contaminação

foi

nas regras esotéricas

e a maneira

com o departamento

vigiado,

os erros, e não de cremação

um episódio durante

por sacri-

pelo desejo da família de evitar ter

ao longo

paro do arroz para as festas dosamente

A torre

A ANÁLISE DA CUcrURA

Isso, po-

ocasionados

especializada

foi determinada

sairia caro arranjá-lo

essa família.

que fizeram

as oferendas.

construída

altura, contudo,

.fl:

onde residia

pois os desastres

sobre a família que comprou

de cortar

RQPONMLKJIHGFEDCBA

e de

de governo

caso se tenha sucesso,

A

FREDRIK BARTH

de imã na mesquita.

à posição os meninos

saem durante

é adequado

na pirâmide

râmide

foi alcançado

Maxfuz,

Na aldeia que estudei,

alguns

dos estudos. pelo

que perarnbulam

pelas escolas

pregando

para seus rebanhos;

aplicando

o Shariah

formar

a mensagem

vontade

do único

Assim,

os juristas

da aldeia,

Haji

da distribuição

na literatura

e do

e seus alunos,

das aldeias

isso contribui

para trans-

tradições

passo

culturais

complexas.

do conhecimento

que pode

esclarecer

complexo

afirma-

melhor

contrastantes,

Observar

de que maneira

e gera construções

segunda

a perceber

profundamente

que mencionei.

mostra

em um mundo

da minha

maneira,

a to r e s

Seria

e s tã o p o s íc io n a d o s

estender

esboços

demais

sobrepõem,

bem

respectivas

atentamente

a

ela anima a vida social

implicitamente

molda e limita

Essa constatação

ajudam

a fazer no estudo

terceira

afirmativa

entrada

para a análise que pretendo

a liberdade Não

em termos

há como

minha encontrar

que nos dirá o que tudo nhuma

sentença

e dos conceitos

aquilo

que nos torne específicos

que cada uma

de

(e dificuldade)

nos autoriza

negar a construção

apenas de deixar claras a necessidade

ela oferece

desenvolver;

própria

análise

o verdadeiro realmente cativos

que são adorados

de

oferece o desafio do meu objeto informante,

significa;

da cultura

a porta

e de

aquele

e não há ne-

que descrevemos e usados

em uma

feitas

em um quadro

no qual você e eu também Em minha que permite

a escrever

entrar

trata-se

esses mundos

análise

cada pessoa

temos

pela reunião,

culturais,

bem como

e a primazia

por pessoas

de carne

e legitimidade

espee osso;

de alocar

que nós construímos,

um lugar.

o conceito

de posicionarnento

de correntes

poderia

é também

levar. Poderia

em virtude

nessa pessoa, de partes em função

Fazer

nesses mundos

de referência

está "posicicnada"

formado

e que

sobre outras

escapar de um beco sem saída que eu mesmo

ao qual o meu modelo

esse

uma vez que se trata

social da realidade

da tarefa de conseguir

do norte de Bali. Pode ser útil, que a

visualizar. A tare-

vidas na nossa língua e como antropologia.

que são construções

das perspectivas

de suas

suas vidas.

também

cíficos,

sentido,

136

através

se ligam e se

sem que o saibam,

dessas

gerais algumas

abre. Em certo

de construir

a ilustrar

descobertas

indicar

estudo.

isso não implica continuar

as várias

contudo,

e outras

De alguma

isso se dá, e mapear

fazê-Ia,

habitam

da soci-

qu~ o agregado

consegue

como

É importante

que as pessoas

a ser

que elas

a totalidade

das pessoas

maior

ainda é mostrar

de um mundo

e reprodução

limitados

práxis gera, mas que ninguém

maior que surge.

como

Essas constatações,

que nos atingem.

um mundo

Isso leva a uma sociologia

... !J

este ensaio

horizontes

fa do antropólogo mundo

não

que vivemos nossas vidas com uma

e das forças

produzindo

o fato

a primazia

aos eventos

que não abrangem

a produção

e heterogêneo.

substantivos

afirmações

os vários

a re-

ao contrário,

diminui

constróem,

que elas obtêm.

a reconhecer

das instituições

desconstrutivistas

da antropologia

alguma

que as pessoas

e um horizonte

às verdadei-

as visões são parciais

para a epistemologia

forçam-nos

quanto

programas

e que todas

Isso de forma

da antropologia

que faz com que ela se torne

No meu entender,

e às experiências

consciência

culturas "Ü s

empírica.

dada às realidades

edade, a perspectiva

é distributiva,

da cultura

têm tais implicações

porém, à

equivocado

para os modernos

antropológica.

ocasionam,

do Islã: a submissão

é um julgamento dessa circunstância

de que há posicionamentos

ciência

os imãs

e os conselhos

à escrita:

uma justificativa

em Meca

muçulmana;

na prática

dessas duas tradições

como das outras

culturais

ras implicações

Deus.

ao desenvolver

distribuição

Tudo

Mas isso não quer dizer que a prática

se reduz

os gurus

da Indonésia

do Corão

tiva, de que a cultura produção

entre

aos conflitos.

comunidade.

mais alto dessa pifilho

é criada a partir

de Itens culturais:

todos

o imã da aldeia natal. As-

e tornar-se

muçulmana

resultante

quase

até o nível que lhes

de lei Shafi no Masjid-e-Haram

por três anos, antes de voltar

fluxo

O ponto

mais importante

que foi professor

sim, a congregação

anos e sobem

ANÁLISE DA CULTURA NAS SOCIEDADES COMPLEXAS

de um padrão de diversas

de suas experiências

137

produzi

o e

dizer que singular correntes

particulares.edcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFED

f'REDRlh

Para construir separamos

a dinâmica

certos

tras pessoas. a maneira

interna

aspectos

formando

pessoas

complexas

de cada uma dessas

da pessoa

e os ligamos

organizações

pela qual as partes

e tradições

conrinua

a ser

a partes

nós desmontamos

e de relacionar

de juntar

as pessoas

A noção

sentido namento ímpeto

de modelos

As diferenças permite

entre

apreender

meus

para formas (dentro

na-se interessante

de vários processos

essenciais

conversação

e seu horizonte

e reflexão.

afirmo

fornecer

os principais

me são impostas esteja ligado

recursos

por pessoas

em função

para desenvolver

de influência,

comportamentos,

interferência

em sociedades

capaz forças

que

corrente.

antropológico.

frutíferos e

sentido

sente A d is ju n ç ã o

Afirmei

e n tr e o s s ig n ific a d o s

também

resultados"

que muitas

e também

que essa afirmativa concepções Ela torna

como possível

e precisão.

Além

macro-fenômenos das próprias

p r e te n d id o s

oferece

uma maneira

"êrnico x ético" a realização disso,

nossa

sem desrespeitar

pessoas envolvidas.

de escapar

de descrições

aumenta

de

e

ensaio

tentou

empíricas

capacidade precisamos

campo.

passos

Creio de

para". com

e realidades de concei tos

139

coerente,

teorias

demais

sem verificar

suas

empreendimento ou defensável

premissas,

descartar

com clareza de lidar



do vasto

e devem buscar abrangência dar alguns

não

O que afirmo

e limitados,

do nosso

pro-

Também

completa.

que se mostraram

reformar,

igualmente

uma antropologia

setores

são a

ser planejadas

não creio ser saudável

partes

realizada

devam

e questões.

estreitos

dos

do impasse modelos

as interpretações

Certamente

138

são diferentes

dadas aos eventos.

e "modelos

temas

e a s c o n s e q ü ê n c ia s

vezes "as intenções

das interpretações

em outras

em

a reconstrução

levantados.

de maneira construir

de conhecimento

e heterogêneas.edcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA vem ser incessantes

complexas

de maneira

setor da antropologia

de reconstruir,

o trabalho

sua consciência

aqui formuladas

antropológicas

em outros

Também

mais claramente

os temas

ou abordá-Ios

car a um pequeno instrumentos

dos processos

e revisão de concepções

contribuir

esses

espero

pressupostos

Uma análise substantiva

de todos

de tentarmos

e fraquezas

de outros

que as asserções

com objetivos

e merca-

geral.

as análises

de abordar

construídas

às quais eu

em outra

modelos

é a importância

pode

as interpretações

de autoridade

participação

para abrangê-Ios

sobre

Além disso,

deve ser útil para

antropológica

que todas

tor-

especial.

e compartilhamos

para desafiar em posição

de minha

Talvez haja aí ferramentas generalizados

moldamos

em mudança.

para a análise

dos

ela, contu-

visualizar

discussões

sobre trabalho

e ecologia.

derivados

com essas diretrizes

da teoria

nossas

fazem para reformular

chave para que possamos funda

do, só se torna acessível através de um esforço comunicativo

seja possível

que os balineses

COlTl isso, não afirmo

o principal

dos eventos

novas percepções;

crítica

im-

são diferentes

sua interpretação

e pode me oferecer

passo no sociais

constituem

de interação,

que desse modo

criativo

demografia

esses resíduos

meio a um mundo

que a idéia de posicio-

provavelmente

de certos limites),

A experiência

sobre a cultura,

integrar

com as discussões

política,

de

o que

de acordo

as pessoas

Uma vez que sua experiência

e significados

dos, dinâmica

que, ao remover

e que as impulsionam.

da construção

símbolos

NAS SOCIEDADES COMPLEXAS

que nos permitam

em

tradições

Assim. essa noção pode nos ajudar a dar um primeiro portantes.

mas

novamente

às múltiplas

e vocabulários

de ou-

incrustadas

fundamental.

oferece uma maneira

correntes,

englobantes;

estão diferentemente

"posicionamento"

que elas adotam

A ANÁLISE DA CULTURA

BARTH

apli-

concepções

ou

sem base ou in-

Nossos

esforços

no

e construir

teorias

de-

e consistência.

nessa direção.

O pre-

o guru

e o iniciador:

transações de conhecimento e moldagem da cultura 1

no sudeste da Ásia e na Melanésia·

IzyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA Em suaedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA H u x le y M e m o r ia l L e c tu r e proferida há trinta Firth

(1959)

conhecido

observou

sobretudo

antropólogo.

eu afirmaria

a antropologia

que ele propõe

social contemporânea.

estabelecido

o paradigma por

experimental

Darwin,

com base em sua intuição, imaginação

criativa,

gico que herdara

passo

passou

imóveis

e incompleto, adotado então.

à tarefa de reorganizar

homenagem nessa direção

ção de fenômenos

culturais

para

de Huxley

um quadro

re-

de referências e ordenados, porém

essa visão com rigor

dinâmi-

intelectual

a ele se hoje conseguíssemos

e

sobretudo

o conhecimento

à luz do novo a ainda não comprovado

Seria uma justa pequeno

Tendo

mais ampla,

A genialidade

de abandonar

é

e não como

intelectual

um ideal e um desafio

com base em conhecimentos

co, sustentado

Henry Huxley

como zoólogo,

de uma tradição

em sua disposição

em adotar

que Thomas

por seu trabalho

Em termos

no entanto, sidiu

com razão

anos, Raymond

e

bioló-

paradigma. dar um

à nossa concepe sociais.RQPONMLKJIHGFEDCBA no que diz respeito

* Do original: "The guru and rhe conjurer: transacrions in knowledge and the shaping of culture in Southeast Asia and Melanesia",Man. vol. 25. n. 4, 1990. 1 Gostaria de agradecer os úteis comentários e sugestões de uma versão preliminar deste artigo feitos por Arjun Appadurai, Roger Keesing. Renato Rosaldo, Buck Schieffelin, Marilyn Strathcrn e, como sempre, minha mulher UnniWikan.

o GURU

FREDRII; BAR"!"H

fazê-lo por meio da comparação

Tentarei

regiões etnográficas: começar norte

o sudeste

de maneira

concreta,

de Bali e o interior

campo

da Ásia e a Melanésia. apresentando

da Nova

em ambas as regiões,

entre

dados

Guiné,

de Wallace adotada

pelos zoólogos

Permitam-me

ou ao mapeamento

geológico

o Escudo

em pesquisa

aprofundado

obtidos

para depois

duas grandes

de duas áreas, o

construir

minha

de

análise

a

in s ig h ts que tais dados podem oferecer. dosedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

partir

de ter ido à Nova Guiné,

Fui a Bali depois perceber

o contraste

neolíticas

da Nova

que nos ensinaram Guiné,

letrada, caracterizada pela presença está localizada

pela adoção

camente

cultural

bastante

Contudo, dia tropical

observando

subjacente

pessoal

é governada

pessoal

culto

de características com

indianos

que aparecem

Desde

regionais

inter-

que depenum

o bem-estar

com a fraca conexão

possibilidade

de perder-se

desse

sistemáticas.

então

estereótipos

desta.

passam

que possamos desenvolva

começar

sínteses

dinâmico

os processos

de distribuição

necessário

ou para

realizar

método todo

para estabelecer tipo

Não temos nada equivalente

142

e do

Guiné

compartilham

e culturais

de pesquisas

muitas

social

que o va-

intuição

idéias

de

e impulsos

como demonstrá-lo>

E se isso

são tão diferentes? próximos,

que nos permita

Quais

constrói

for-

formular

ou seja, uma perspectiva

parte

das noções

a esclarecer

teórico

essas

que nos

uma ampla gama de temas

por meio de um quadro

que ajudam

presentes

ú n ic o .

O qua-

de uma sociologia

o modo

isso em uma "antropologia culturais

do

pelo qual as idéias

pelo meio social em que se desenvolvem.

dições da criatividade

para

e com isso adquirir

e elementos

uma ampla gama de organizações

Assim,

essa situação,

que estão por trás de uma história

conseqüente,

que defendo

transformar

da Nova

tão diferentes?

e relacionar

disciplina

à idéia de linhaRQPONMLKJIHGFEDCBA reprodução

dos simples

uma antropologia

de uma plataforma

de maneira

dro teórico

melhorar

estiver correta,

sociais

abordar

as formas

em termos

por que aparentemente

Precisamos

todavia,

defen-

essas com-

para dar conta de uma humanidade

de idéias, imagens

são moldadas

culturais

de estruturas

No caso em foco, se minha

e culturais

como porta

intelectuais

contextual

que faz com que pos-

e históricas,

mas sociais

tais como a idéia

de traços

como propostas

por exemplo

Inadvertidamente,

a construir

que, a partir

em nossa

míope,

Como

regionais

semelhantes correto,

questões

animal,

social está corretamen-

a ser enquadradas

riável e em transformação?

permita

identificar

apenas em termos

e parciais.

Isso não é o bastante.

culturais

a geografia

evocados pelos nomes dos lugares: Bati, interior

conhecimento

para

e culturas

que seja capaz de lidar com materiais

ficou sem qualquer tipo

abstratas

patentemente

e conceitos

ou a idéia da moleira

foram demolidas

sáveis, a antropologia comparações

Bali como

espiritual.

que as teorias

difusionismo

demasiadamente

estiver de

e realizam

assegurar

aqui e ali na Nova Guiné,

de ciclos ou eras da história a comunicação

pessoas

próximos

preocupadas imagens

a presença

cuja moralidade

visando

agrícola, de certas

e sentir

um

queimando

que permite

em um localismo

lugares

Guiné.

para abordar

A ênfase sobre o conhecimento

samos comparar

caráter

e fisi-

durante

do bambu

da feitiçaria;

aos antepassados

também

próximas

melanésias:

povo

de seus ancestrais

entre corpo e alma e a conseqüente Lembrei-me

Bali

das civili-

O ik u m tn (

de cremação

da Nova Guiné,

pelo temor

e a fertilidade

de cereais e

Evidentemente,

te baseada - resulta

parações

INICIADOR

- sobre a qual a antropologia

que Bali e a Nova

em Bali, o crepitar

e animístico,

dem profundamente

civilização

da Melanésia.

uma cerimônia

abafado

animado

pude

das selvas

de que fala Kroeber. Algo como umalinha

semelhantes

mundo

elaborado

e cortes.

leste do grande

me fez lembrar

uma corrente

a uma grande

separa Bali, a leste, das regiões

muito

subitamente

saindo

do arado, pelo cultivo

templos

na extremidade

zações do Velho Mundo, de Wallace

havia chegado

de mercados,

e rapidamente

a esperar:

Caledoniano.

o

E

Precisamos,

do conhecimento" heteróclitos

e com

sociais, para poder retratar

as con-

dos que cultivam

o conhecimento,

bem como

que daí decorrem. quando

recentemente

e criatividade

tentei

culturais

14~

analisar

os processos

de

em uma região da Nova Guiné

\'

fREDltll;

(Barth

1987),

enfatÍzei

para essas tradições, sobre as interações te abordei

a importâncra

do segredo

assim como os efeitos entre iniciadores

as formas

básica adotada

culturais

com o menor

que. partindo qüências pessoas

número

desse princípio,

e aos conteúdos

Ali Akbar, um mestre

derivar

assumida

uma visão muito balinês muçulmano.

dos conhecimentos

Estamos. lidades

portanto, de gerenciar

o sacerdote iniciador,

religiosos.

diante

na interação da Nova Guiné

as verdades

dos noviços,

tarefa do guru. As implicações

e xp o r

que morrera

de guru era representado

jovem, estudar

em Lombok,

Por fim, ensinou

a lei Shafi

três anos. antes de retomar natal. "Ele estava sempre ele visse ou escutasse deia. ele imediatamente mundo

depois

inteligíveis

Em vez de discutir as, estabelecerei inicialmente

quan-

São papéis

constitui

a

tema

Partindo

ensinando".

em Meca.

Masjid-i-Haram

alguma

de premissas como mandas

e conceitos

completamente

conhecimento. instruir, mentes

períodos nas quais

de novi-

bastante

prolífica.

a partir

quanto

o fe r e c ê - I o

enquanto

o iniciador,

papéis

à forma

I

ao de-

com o

deve explicar,

com isso, contribui

para incutir

elementos

guarda

implicam de lidar

continuamente:

e de seu público

Já o iniciador

:

de conjuntos

O guru alcança sua realização

de seus respectivos distintas

contrastantes.

nas

de uma tradição

tesouros

secretos

até o dia

durante

os aldeões.

coisa errada

paulatino

em uma ampla região geográfica,

144

noviços.

que não necessariamente

culturalmente

saber e exemplificar;

"Se

na al-

".Evidentemente,

de co-

contribuindo

"guru"

é, etimológica

mas está amplamente

presente

em Bali desenvolveu

uma variante

hinduístas.

e o acúmulo

longos

encenadas,

papéis desses dois status

O guru deve

de seus pupilos

dizia". Assim, as atividades

e viagens,

entre

que que

básico entre dois tipos ideais". Enfocarei

o conhecimento,

As injunções

dava ouvidos ao que guru Maxfuz estudo

e iniciar

ou para um punhado

coexistentes.

tal ao reproduzir

de modo

obtidos

o contraste

sociais construídos

explicava e instruía ... Todo

nhecimentos

ainda

as variações e formas mistas ou intermediári-

os respectivos

parava. ensinava,

do guru envolvem

está abso-

o imã de sua aldeia

contaram-me

fazendo

de

fora, quando

em Java, e finalmente

no próprio

o

Haji Maxfuz,

chegada.

públicos

- mesmo

- para uma congregação

um

de sua aldeia.

de Bali, Maxfuz

rituais

imanenres

de

ços espantados.

protegê-lo. moradores

para casa e tornar-se

alguém

de revelações

são o principal

por seu professor

no norte

oscilam

e breves frenesis

como

mesmo

essa essência

cerca de 15 anos antes de minha

sua aldeia em uma encosta

do conhecimento,

social. Enquanto

essenciais,

desse contraste

deste artigo. daí seu título. Para o guru Ali Akbar e os outros paradigma

Em seu manejo

os mistérios

palavras, trata-se

onde as pessoas

de recolhimento tornam

de

não os ensinam,

o guru

duas moda-

tenta.

tradicional.

excepcionais

para coordenar

um grupo

Esse discurso

os empreguem

a alguém".

opostos,

na Nova Guiné

comuns.

desse modo

por meio de um trabalho

dessas

no mais pro-

e n s in a

Em outras

como educador.

conhecimentos

de padrões

Seguem-se e de formar

ativa e intencional

ausente

possuem

as premissas

mesmo

de mistérios

do se trata da iniciação

e permanente

quando

se você o

de dois princípios

de seu público

o c u lta r

sistemático

culturais.

o conhecimento

do culto

ele é oculto

lutamente

o público

em potencial.

cultural

tanto

intelectual.

e instruir

reprodução

Intul

E O INICIi\LJOH.

para a formação

parece

possível.

explicou-me

de ensinar

discípu los, sucessores

A idéia

GURU

de um cosrnopolitisrno

as tarefas

uma série de conse-

diferente,

e le adotadas. Segundo ele, "só há mérito, poredcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

fundo

tem

pela criatividade

de suas tradições

Em Bali. encontrei

quando

de pessoas

poderia

à direção

relacionadas

nessa interação.

aumenta

quanto

e conseqüentemen-

dessa região da Nova Guiné

ser a de que o valor do conhecimento

por meio desse processo

e do misténo

que tal orientação

e noviços,

produzidas

pelos habitantes

e compartilhado

o

BARTI~

realizei

algum

maioria

A forma

parte

características

é representativa trabalho

básicas

e gerais

tradições

e culturalmente,

um conceito

da ÁSIa. A peguena

distintiva,

altamente na comunidade

de c.1mpo no norte da figura

minoria

indiano,

muçulmana

instirucionalizacia,

de toda a região ou mesmo

gue foi desenvolvida

de meu

das grandes

no sudeste

da maioria muçulmana

de Bali ilustra,

fundamental

asiáticas.

145RQPONMLKJIHGFEDCBA

do mestre.

gue de baliem gue

conrudo, presente

na

o GURU

FREDRIJ; B"RTH

de clímax em que deve criar uma performance, ona a transformação

um drama que ocasi-

Barth 1975:

para

performance los não sejam

Esse contraste

permaneçam

em razão de suas conseqüências

formativas.

Cada um desses papéis impulsiona

uma gama de atores

existem

no sentido

de realizar

e de levar em consi-

produzir

deração

coisas

acumulativos tradições não

ações bastante

bastante

distintas.

da performance mostrar

Observe-se

uma estrutura.

de identificar

dades funcionais

maneiras

alternativas

daqueles

que assumem

Em primeiro são compostos

lugar, o iniciador.

gião da comunidade, cultura.

uma idéia do poder Nova

Guiné.

experiência cretos,

conhecimento

sagrado

sobre

segredos

de símbolos

operações

ocultas

com os noviços

e ritos

secretos

para alcançar

146

seu público pulos

da

contrário termina

permanente

o mais emocionanespera-se

e educar, de modo pessoal

com o iniciador,

disso,

transmitir

e dinâ-

sejam afetados

e depois

e realiza de suas

desejados

de sua performance

as diferentes

mentos,

afirmações

que pode

mente,

(ver

tais pressões

gue tornar

mais poderosa

a) em função

apenas

b) ao revitalizar recursos, rindo

tomando-os

competência

enquanto

tem o que ensi-

faz, em distintos

Além mo-

Se um guru

de conhecimentos

se exaure,

aos intelectuais

com o iniciador,

m a ssa

de conhecimentos

esse conhecimento

Certa-

acadêmicos. o guru conse-

emprestados

que domina;

com o acréscimo

de colegas próximos

de outros ou adqui-

em novos setores; inventando

formas mais elaboradas,

ou refinamentos;

d) através do parcelamento pequenas

não ficar sem ter o

sua performance: da

c) por meio da criatividade, sofisticações

uma

sua mensa-

parecer, coerentes.

familiares

do que ocorre

Ao

a tarefa do guru

pelos seus rivais ou discípulos.

parecem

Diferentemente

manter

não é tão importante.

ou se seu estoque

ofuscado

com o

que seus discí-

com sucesso

que o guru

devem ser, ou pelo menos

ele é rapidamente

deles que

e duradoura.

entre revelação e ocultamento,

um guru só se sustenta

nar. A elegância

que consiga

do guru no relacionamento

esclarecer

assim que ele consegue

que transmitir:

de conheci-

concretos

os resultados

sagrada,

aos iniciantes,

com ele em uma relação

do que ocorre

oscilação

con-

a eles. Para isso, revela antes

é instruir,

aprendam

espera-se

que

de que ali

pelos ritos em si, e não pelo que lhes foi trans-

entra em contradição,

é pôr em ação esse

a fazer com que os noviços

Quanto

dos símbo-

a sensação

Do iniciador

uma

já é suficiente

a reforçar

de performance

possível.

sejam transformados

para cada etapa do proces-

explicá-lo

sessões

complexa

esse corpo

por sua força, e não simplesmente algumas

dar

de símbolos

de conhecimento

da manipulação

tentei

evocar uma sutil

que realiza. Sua tarefa, contudo,

através

da

de conhecimento

eles conseguem

deve ter domínio

de modo

essencial

1987),

por meio da manipulação

uma tradição

e da reli-

dos povos Ok do interior

e saber quais os itens indicados

so de iniciação

do ritual

1975;

um exemplar

te e evocativo

para os iniciantes, de modo

importantes.

transmitir

de encenar

que os significados

gem. Por isso, antes de mais nada é fundamental

de uma iniciação

da tradição

masculinas

do segredo,

de mistério;

mica. O iniciador mentos

e da sofisticação

Através

construir

Os elementos

(Barth

intelectuais

diferentes.

e atos fundamentais

anteriores

nas iniciações

sim-

distintas, através

os esforços

ou seja, o conhecimento

Em trabalhos

transmitida

que direcionam

esses dois papéis muito

por objetos

trata-se

de lidar com as necessi-

basicamente

transmitidos enigmáticos,

segredos

deve ser capaz

Mesmo

mitido do conteúdo do rito. argumentaçãoedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA Em contrapartida, a tarefa nativos "refle-

que minha

cultural. O que tento trazer à tona são

da reprodução das pressões

os efeitos

Nem tampouco

as fo n te s de duas economias informacionais da identificação

demonstrar

a maneira pela qual os conceitos

tem" ou "representam" plesmente

Espero

desses diferentes papéis sobre as próprias

que são transmitidas.

pretende

diferentes

os noviços,

hipnotizante.

11 deve ser enfatizado

INICIADOR

capo 3 - I O e 24). Mais do que simplesmente

conhecimentos

dos noviços.

o

E

porções e tornando

do conhecimento,

distribuindo-o

em

mais longo e lento o curso dos estudos;

147

FRWR'~ BART'-'

e) por fim, também mistificação, cerimonial

não são estranhas

de complicação e elaborada,

los, e para excluir

e reforçar

não são novidade,

assim

como

os tipos

e discutiram

onal é controlado

afirma nâmica

riqueza,

o exercício,

para fenômenos

das

chegar ao cerne da questão instituições

infelizmente

que permanecem

muito

simplificado marginais

levar adiante

do guru, a fim de mostrar que suas atividades

de conhecimento

podem

que ele pratica.

os efeitos ter sobre

Para visualizar

148

melhor

conhecimento

entender

é individualizado:

em futuras

para

e n v o lv e n d o

a dievitan-

bastante

tradição essas con-

ocasiões

a cooperação

mento apropriado do iniciador.

Trata-se daquele

pessoas

ensinado

e integração

no caso da gramática nos direitos

abstraídos

do funcionamento

pelos antropólogos

entre

co. O conhecimento

ensinado

em função

de seu esforço,

premissas

explícitas

suas afirmativas

são relevantes

tivas, e não em relação pelos

gurus

à

falada.

pelo guru

e conscientes

Não há dúvida

Não é

o conhecino caso

e torna-se

bastante

diferente

ou dos padrões

imbu-

em uma comunidade, do sistema

produzidas

de parentes"logicamente" de aplicar

por eles próprios:

em relação a o u tr a s afirma-

sobretudo

o conhecimento

que promove

149

e com-

e de conversação.

torna-se

está livre para transformar-se

escolast icismo.

reproduzir

e de seus críticos,

ação. Assim,

o

e do uso, por exem-

parentes

sob a forma

integrado

isso,

que subjazem RQPONMLKJIHGFEDCBA à prática,

implícitas

de uma língua

e deveres

de-

verbal que

pelo guru é trabalhado

de coerência

e

de maneira

como ocorre

de um tipo

das estruturas

Com

com outros.

de explicação

na

por que

ou feito

que detêm

no processo

plo, a coerência tidos

de comunicação

para que se possa recriá-Io,

que surge a partir

de

e o dis-

lugar

disponível

integrado

lo g ic a m tn te

m a n e ir a s

palavras

como informação recuperar,

de outras

2. O conhecimento

de

sua participação

e lembrar.

torna-se

partilhar necessária

por

modos

descontextualizados,

levar consigo,

transformadores a própria

ação: ele só precisa

dois

diferentes

em determinado

inrernalizar,

de criar nomes

desse modelo

terminada

dessa

predominantemente

os ensinamentos,

se pode

inexplicados.

as implicações

Ao contrário,

ter estado

os efeitos

Esses

duas

do guru são radicalmente

não precisa

Quais

com as da ocidentais.

vêem, por que lá estão,

sobre

lI! Permitam-me

de ações.

porque

de cada pessoa,

contudo,

e expressões,

cultivam

são transformados

eles conhecem

reflexões

cultu-

e identificar

comum,

Os noviços

das ciências

iniciadores?

na memória

pré-requisito

tr a n s a ç õ e s

dos

inevitavelmente

são objeto cípulo

de conhecimento

com as performances

singular

aos di-

precondição

Meu argumento,

a sociologia

incrustadas,

o papel

profissi-

referem-se

ou como

com

a aten-

nas diferentes

grupo,

o

de sociolo-

ao chamarem

poder,

ações efetivas.

que gera tais concepções,

do assim

modernos

o conhecimento

diretamente

permite

e de Merton

Essas questões

a um determinado

para empreender

o c o n h e c im e n to

de Weber

pelas quais o conhecimento

de conceber

que enfocar

enfatizaram

passo adiante

e sancionado.

propriedade,

pertencimento técnico

maneiras

ou aplicaram relacionados

pesquisadores

comparados

iniciação:

em ter-

'N'CI.\DOR

para sua audiência.

d e v e ja la r

não-verbais,

conhecer.

o

essa tradição

verbalização, articulação

à tona por ele.

instituição

bem como os estudos

ção para as diversas

como

de

gerais evidente-

semelhantes

os problemas

Outros

e profissões,

muito

dados

como

Por sua vez, as análises

modos

antes

contrastarei

E

e não com a visão idealizada

1. O guru

um tanto

servem

que são trazidas

discutiram

gia da ciência, deram importante

ras:

pelo iniciador;

de conexão

sua institucionalização,

ferentes

ou honoríficos.

têm propósito

em termos

do sacerdócio

de carisma

vocação

técnicos

seqüências, Melanésia,

mas sim oedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA tip o de modelo que proponho.

da religião

mos das funções

da escrita.

de uma linguagem

a relação entre ele e seus discípu-

que descrevi

mente

conceito

feitas

de

os que não fazem parte desse círculo.

Os fenômenos

Os estudiosos

termos

essas estratégias

das mistificações

mais nada para ampliar

ao guru as estratégias

e de inrerposição

com muitos

No caso do guru, porém, diferente

o GURU

gerenciado

no mais extraordinário e cultiva

a produção

F R W R I.

de formas

e expressões

pode ser percebido imagens

culturais

Nova Guiné,

culturais

a partir

extremamente

do contraste

produzidas

mesmo

o

8ARTH

sofisticadas.

entre

a imensa

em Bali e aquelas

nos mais importantes

Isso

massa

encontradas

centros

culturais

racionalistas.

na

encoraja-se

des-

te país. 3. Parece-me

plausível

também

sobre alunos

culiares

e intensas

projeto

do guru, e serão incentivados

ção com seu próprio cepção

Isso

envolve

moldam

sua própria

o controle

pensamentos

e atos,

positivo;

orientados

para que se alcance uma vida feliz e socialmente 1989).

cebida

como

independente

gurus.

Chamou-me

de qualquer

a atenção,

e parece-me

de que o discurso

Talvez seja necessário

roguem

a praticar

moral

também

feiticeiros

um discípulo

leigo percebem

forre do co-

há também que assegu-

que a superio-

da melhor

maneira

uma questão

pos-

existen-

Muito

freqüentemente,

a solução

adotada

para a relação

entre

manos pétua

balineses

efetivamente

falam em termos

com o pai, o guru e Deus,

tornando

pai-filho

conselheiros hinduístas fundos

essas três figuras

Os bali-hinduístas

para se referirem

e com os vários

tipos

mere-

usam a lin-

à relação com os sa-

de sábios,

curandeiros,

e mestres aos quais se pode aplicar o termo guru.l Os balitambém

só devem

mais velhos, sos, exceto

de uma dívida per-

acreditam

que conhecimentos

ser cultivados

por pessoas

e que os estudos se autorizados,

Isso é muito'

conveniente

religiosos

podendo para

sistemáticos

facilmente

os gurus

religiosos

normais

pois

pro-

quando



são perigo-

levar à insanidade. reforça

sua posição

Em pri-

muçulmanos,

arquetípicos:

o co-

e a praga que eles porventura

é tão perigosa

e devastadora

quanto

seu filho. Tanto os gurus quanto

esses poderes

de seu conhecimento,

150

a realidade

guru e discípulo toma como modelo a relação entre pai e filho. Os muçul-

brâmanes

não

maneiras

a

para cada guru.

da relação

mais rico

algo a ensinar,

será sempre

guagem

Não

com

e a elaboração

outras

estabilizar

cerdotes

Guiné.

ideais iluministas.

que, entre os balineses

Como

de autoridade

ne-

demonstrar

com base em algo mais duradouro

dessa

das gerações. na Nova

sempre

de procurar

com os

que o fato de ser um guru

lhes dá um poder místico

como o lado escuro

para que se tenha no sentido

que permita

o acúmulo

tipo de respeito.

e reproduzidos

é incomparavelmente

apenas os puros lembrar

aquela rogada por uma mãe contra o público

nhecimento,

sível uma posição

não é a regra;

Não há tampouco

modo que há para os gurus

de buscar

um impulso

cial irritante

não são puramente

confrontando-o

do mesmo

como um precipitado

ao longo

que conheci

enfatizar

são considerados contra

de um conhecimento

cedoras

a compatibilidade

entendê-Ia

dos gurus

em Bali do que nas comunidades

os gurus

respon-

particular

exemplificados

plausível

da prática de ensinamento ':íRQPONMLKJIHGFEDCBA

nhecimento

de algo considerado

relação

contudo,

com os conhecimentos

lugar, devemos

de

É uma prática que todos devem realizar, con-

sável (Wikan

leva ninguém

falsidade

dos

por ideais

necessário

meiro

trata-se

empírica

no sentido

cons-

e a moldagem

e de pensamento

há dúvida

de uma orientação

motivação

deedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA n g a b t ktn tb , "guiar o senti-

equilíbrio

pelos gurus,

cessidade

rem sua posição

que

e a sofisticação.

do

dos

IN IC IA D O R

o uso da lâmina de Occam

o rebuscamento

Além disso, do mesmo

uma preocupa-

à imagem

Certamente,

o

aspectos

observada.

fazem parte

moldado

envolva

ridade de conhecimento.

com o que chamam

impulsos,

concepção

I

exigente,

também

E

pe-

assim como um ideal, ou con-

como os balineses

mento-pensamento".

,I

bastante

daquele.

ciência de acordo

próprios

Estes

a desenvolver

aprimoramento,

Wikan investigou

'1

e discípulos.

de si, permanentemente

ensinamentos

I

que haja pressões

de seu saber

de

GURU

como um aspecto embora

isolado,

o lado ortodoxo

) Os bali-hinduístas buscam orientação e aconselhamento espirituais com uma gama bem mais ampla de pessoas e posições sociais do 'lue os balineses muçulmanos. O conceito de guru no vernáculo, todavia. também é amplamente usado entre eles para designar a o conjunto de condições concorrentes relativas ao mestre/mentor que detém conhecimentos superiores. e com o qual se estabelece uma relação de seguidor. discípulo ou dependente intelectual.

I 5I

FRWRII;

por retardar

a ascensão daqueles

o GURü

IIARTH

que lhes sucedem.

tido de regular

o acesso ao conhecimento

da necessidade

de autorização

são concornitantes ensino

nos dados

ciei recentemente

tornando-os

pesquisas

Também

importância

imperativos. encontro

"direitos

de legitimidade

em que se dá grande

que atualmente

no sen-

por meio da imposição

e de várias formas

a situações

e à aprendizagem,

evidente

Esforços

Isso

no Butão,

ao

é muito onde

de campo.

IVRQPONMLKJIHGFEDCBA o

Butão

budistas

é um país totalmente definem

um projeto

com base na relação filosofia,

da iluminação tendo -

entre

o objetivo

como mestre

ao longo

altamente

os lamas seniores gura os méritos autorização zagem,

e as diretivas

e que devem

ensinamento

como

de conhecimentos ordenamento monastério: mitem

conhecimento nhagem"

aos monges,

o aprendiz

que o transmitiram,

e afirmar

a limitação

o

sagraEsse de cada

estes repe-

que por sua vez transA cada segmento

deve decorar

e recitar

para legitimar

e a necessidade

a fim de melhorar a "linhagem"

a origem

pular todas as gerações

questão.

Há também

associada

e místicos

mais recentes,

ao Tibete,

a cada capítulo

dos textos

de

a "li-

a posse des-

"mestre

conhecida,

-

da redescoberta,

dos antigos

trazendo

o budismo

sábios

que levou o budismo

e que era, ele próprio,

então existente

para o Tibete

sinal daquele tântrico

-

templos

e o Butão.

vasto corpo

encontrado

e estudiosos

ligam discípulos

-

o

por mim em Swat

em estado precário

a mestres,

-

trans-

Em Swar, não há hoje mais

de conhecimentos

em seu início; nessa mesma

e sábios muçulmanos

nos

uma reencar-

que foi o bu-

região, encontrei

guns anosedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA o u tr a s genealogias espirituais, que me foram pelos santos

em para

que veio do vale de Swat no século oitavo,

apenas sob a forma de antigos

dismo

por

parece ter sido uma pessoa que existiu histori-

Padmasambhava,

nenhum

é

do guru em

Buda. Para minha alegria, esse guru Rimpoche

camente:

plantando-o

uma

e ao Butão, vindo de um lugar conhecido

como Uddiyana,

precioso"

que

encurtadas,

existência

tratando

até o

permite

reencarnação

é um certo guru Rirnpoche,

ao Sikkim

textos clássicos

e a

deste conhecimento

até a primeira

extensa mitologia

mas sim

o ensinamento

da reencarnação

até alguma

a

do conhecimento.

de 2.500 anos sejam drasticamente

possível santos

de facilitar

a origem

daque-

No Butão,

ou a titulação,

a transmissão

a doutrina

isso ocorre

diferentes

na Melanésia.

de mestres

deve retraçar

Buda. Felizmente,

nação do Senhor

de transmissão

superiores,

a monge.

sua autenticidade.

152

Assim,

escritos

de ensinamento

aos professores

a

para a aprendi-

para seus discípulos.

às rotinas

para os aspirantes

que recebe,

não é sobre

todas as tradições

apenas oferecer

de estudos.

em textos

hierarquizado

individuais

os ensinamentos

de mestres

se conhecimento

cada etapa

um processo

o abade ensina

ênfase

de "direi-

que percebem

lagos e cavernas. No Butão, a fonte que de fato tem autoridade

que asse-

só eles podem

ainda que baseado

de gurus

a mensagem

o w a n g , poder/benção

que abrem o caminho

do

são muito

paralelas

do conhecimento

de elaboração

No caso em foco, porém,

no qual as premissas

e o os

com freqüência

e útil para os mestres,

precária.

vez que, rastreando

instrtucional

das autorizações:

do estudo;

está incorporado

tem e explicam

por meio

que essa dimensão

em situações

explícita

com a propriedade

encontrados

las encontradas

essas linhagens

no Butão, esse

para a salvação,

conceder

anteceder

religioso,

dos, é regulado

praticado

de controle

lu n g

como

em um contexto

próprio

Bodhisatvas

está preso a uma firme regulação

podem

com essa

maior.

individualizado

decorrentes

é bem-recebida

Idealmente,

reencarnações,

Buda e os outros

e exemplo

levada a cabo por um sistema

Parece-me

tos autorais"

aprendizagem,

e a cosmologia

De acordo

de inúmeras

mahayana/tibetano

e da meditação,

do conhecimento

na Melanésia.

fundamentalmente

e discípulo.

o Senhor

supremo

No monasticismo estudo

-

a filosofia

de cada um deve ser a busca incessante

e da libertação

o guru definitivo

caminho

guru

autorais"

sobre a autenticação

budista;

de vida estruturado

pessoal

aqui parece haver analogia

sua posição

ini-

E O INICIADOR

que lá estão; são genealogias

há al-

repassadas que também

mas chegam a o u tr a s fontes: os estudiosos

de Bukhara, de Samarcanda

153

e do Iraque.

i

F R W R I~

Há nisso mento

tudo

inteiras

B A R T I- I

zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

uma lição empolgante:

e extremamente

tradições

complexas

parecem

de conheci-

ser transporta-

das por uma única pessoa. Não se trata apenas do exemplo Rimpoche:

em outros

momentos

da história,

outros

Naropa, que partiu da Índia, ou os peregrinos para o interior

da China

& Richardson

Snelgrove

-

realizaram

1968).

que apenas os ensinamentos de conhecimento portáveis. punhado outras

Só assim de gurus

o budismo tais como

raízes sociais

tântrico

dado nessa forma verbalizada

pôde

por um

Como

ter desaparecido

de Swat, onde se formara.

pelas quais

esses complexos

dos por gurus Himalaia, Central

envolvidas

solitários:

de Ituri,

dizer que distâncias movimentações dessa ordem. mento

O iniciador

só é transportado

sem

que

cionais. minação

Assim

Isso não quer

conquistas

documentação

154

os mesmos

meios -

das montanhas

alcançando

de Bali em que encontrei

Para reforçar

essa explicação,

ticas-chave

destacadas

etnográficas

dos gurus

em minhas

legado).

e também dos gurus

inicialmente

pressupor

que o conhecimento

algum

modo

inerentemente

por meio de ícones. rença quanto

imputação

à capacidade

sânscritos.

no sudeste gurus,

popula-

Hoje, outra

investigar

superior

que a disse-

disseminação

hindu

Ela levou a

as conseqüências

pólogo.

transações, É provável

tentarei

Tentarei

precaver-

no sentido

expor

de

seja de

codificado

como

e expandir-se

essa dife-

afetou

as dis-

Para fazer isso de maneira comparativa

sistemática

da Ásia e na Melanésia. enfocar

das A fim

dessas

transações

as relações

entre

e especialistas dinâmica

do fundamentalismo

de pene-

e em expansão

mais conspícuas

dessa mesma

para as que per-

poder

ao conhecimento

regiões.

em seu papel de sacerdotes

Em vez disso, dessas

aspecto.

de proliferar

locali-

a dinâmica

tamanho

tão-somente

em grandes

descrições

regiões

de valor simplista,

da Ásia, seria importante variante

pequenas

verbalizado

Pretendo

que as caracterís-

grandes

tenham

o segundo

qualquer

asiático,

a civilização

uma norte

em duas pequenas

nas respectivas

me contra

de investigar

para urna

a

basicamente

aldeia na encosta

duas

no sudeste

1952,

usando

demonstrar

de conhecimento

movimentos

quanto

depois, sábios

essa tradição.

e dos iniciadores

dades são de fato ubíquas

Abordarei

preciso

transações

a impressio-

uma perfor-

v

uma análise

ou

região,

a pequena

culturais

vizinhos,

presenciar

à mesma tradição de gurus realizaram nessa mesma

seria necessária

no sudeste

(cf. Gonda

essa região com palavras e conceitos

semelhante

tribuições

ainda mais decisivo

desse

pertencentes

adequada,

inteiras.

hindu

ou grandes do norte

muçulmanos

e seu conheci-

a chave para explicar

como ou de modo

na África

de idéias para

em Bali, tão distante

culturais

imediatamente

da civilização

do latim na Europa

impressionante permeou

histórica

houvesse

e a floresta

conseqüências

de populações

pode oferecer

nante penetração

o Alto

e uma multiplicidade

Ramayana

disseminação

tração cultural.

Ashanti

está preso ao seu contexto, para os grupos

hindu

transporta-

mas onde não havia gurus, as

não tiveram

de movimentos

Esse modelo

foram

IN IC IA D O R

do local em que ele foi escrito. Meio milênio

mite que as atividades

como essas não tenham sido percorridas

de indivíduos

como resultado

culturais

e Dar es Salaam.

pré-colonial ou nas ilhas da Melanésia,

do épico

Noruega

E O

de forma que hoje é possível

das regiões

àquela existente entre a Nova Guiné

Nuer

mance

GURU

as religiões

quais faço generalizações;

ou, na África, entre o território

ou entre o território

pôde

vivo, mil anos após

de Swat para o Butão, atravessando

a distância é semelhante e Vanuatu

tântrico

e o tamanho

sistemas

em

havia sido mol-

o budismo

para o Butão, onde permanece as distâncias

ser levado

e ser enxertado

ser transportado Notem-se

contudo,

que esses corpos e trans-

Oriental.

e ensinada,

(cf.

individualizados

Padmasambhava,

no Himalaia

qU,e rumaram

implica,

permitem

encapsulados,

como

semelhantes

Meu argumento

dos gurus

se tornem

chineses

proezas

a medicina,

o arquipélago,

do guru

sábios -

filosofia,

o

os

em leis, e os reis.

básica pode ser vista na

islâmico.

trabalhar

mais facilmente

com formas

que elas exponham

155

mais modestas

observadasedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA in v iv o pelo antrocom clareza

as premissas

FREDRI~

fundamentais

do processo

antes, mas um exemplo na aldeia muçulmana

cultural.

bastante

pais. Isso estabelece por outro

na-se mestre

discípulo, hindus

e este expressa

do norte

troca

curandeiros,

feiticeiros

sua submissão

sacerdotes, Mais minha

sobretudo

porque

forma

m a dr a ssa

Dahlan árabes

espremidos e lt

era capaz

árabe, e realmente

ali ... Mas depois não apenas

inteiros,

Haji Maxfuz

era excelente,

com que sua influência

novas

na comunidade. Nessa concepção influência

realmente

idéias vindas

e podia

cheia: ensinava

de locais

de instituições

e diversificadas

deste Asiático

continental,

regiões

e concepções

guestão

o procura-

de origem

a in-

de Bali e do que e do Su-

e exuberante

de transformar

o corpo

os resultados viram como

A posição

como

diferentes

formas

de prestação

e os resíduos posição

-

social -

especialmente têm valores

social são manti-

adequadas

gue os ocidentais

da poluição

é antes

das substâncias

que envolve transgue receber, e

são diferencialmente como

valorizadas.

essência

da substância

as substâncias

os que vêm de pessoas mínimos.

157

uma

que fluem

com seu código.

em uma sintaxe

não-geradoras,

são

em que estão

Dar é mais valorizado

tem valor máximo

incorpora

a esses códigos

e se estas forem

em conformidade

de valores.

ação e substância,

a identidade

mera evitação

social é expressa

as substâncias

de (ver

de pessoa enfatizam

as substâncias

do gerenciamento

e trocas

O conhecimento

de

ubíquas

clássicos

na sociedade

serão bons. Aquilo

formações

geradora;

de pessoa

fluxo de substâncias,

a respeito

entre

e as ações conjugadas

"para cima" ou "para baixo"

Nesse

com clareza

ocidental

exibe uma desorientadora

156

erroneamente

se disseminaram

reconhecer

da Indonésia

ao seu código,

e n s in a r

era bom, mas

Todos

diana. A Índia. ainda mais do que a parte hinduísta as vastas

de

Tanto

das análises

o que esses autores

hindus

cognitiva

Cada tipo

como capazes

incorporadas.

para

resumidamente

eles, os conceitos

característico,

dos pelo mesmo

textos

institu-

1977).

de uma dualidade

pensadas

se aproximam

assim e regiões;

relações

hindus

apresentar

lei e natureza.

de comunidades

de determinadas

as idéias hindus

a

entre

do conhecimento,

base nos

Segundo

in e xis tin c ia

às suas categoas características

que abordam

nos relatam.

um código

oitenta

voltou

mas também

distantes

eu era

na plata-

haver sessenta,

superior".

em

traduzi-Ios

e sua renda crescessem.

de guru, podemos

generalizada

quando

bem. O imã Dahlan

vam, fazendo processo,

ocorrido

que o guru Maxfuz

de traduzir,

fazia isso muita

exemplo

1974.

viva, poestrutural-

e, em seguida,

a adequá-lo

informacional

com

Permitam-me

taxonomia

e da transmissão

Inden e outros,

& lnden

na rotina

Busco apreender

meus interesses

e hierarquia

Marriott

e de comunidades.

era famoso

estava sempre

pessoa

Essas transa-

ter como

"Haji

Marriott,

gurus,

que essas mesmas pessoas possam

sob seu celeiro de arroz ... Costumava

alunos casa,

Sua

ídas. Nesse

a, quais-

sabia os textos

para o balinês.

de

uma

e

de Narayan

essa diversidade

de modo

a estrutura

sadhus

de histórias,

no trabalho

de organizar

economia

sentido,

e contadores

retratado

formais.

gerais do gerenciamento

sobre as relações entre

faquires

pensamento

como a resultante

INICIADOR

construir

e grupos

os

individuais.

a um pequeno

nosso

o

cair inadvertidamente

tentando

rias de status

ao seu

paralelas

uma vez, recorro

esforço

por ele. Entre

de presentesestabelecidas

babajis,

evitar

não se trata de buscar

e respeito

imãs, de congregações

Em nosso

devemos

limitando

nas roças

( b a r ka t)

rém,

funcionalista,

que as duas partes

de, mas freqüentemente

aldeia muçulmana:

criança

gratuitamente

ete. e seus clientes

quer papéis institucionais

(I 989).

pelos

e seus pais, por

o guru dá uma bênção

e doação

ções são independentes

livremente

Sempre

n u /u n g in .

de Bali, há ênfase semelhante

voluntárias

um foi vividamente

A criança

e trabalhar

como

se encontram,

dos quais

al-

~

tipos de guru, desde pandits,

de Bali. Nessa

mais tarde. O guru tor-

da criança.

dos mais diversos

pode ser observado

P O d l ser suque, todavia,edcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

tipo, surgido

a dar presentes

profusão

vari-

até swamis,

no norte

um laço permanente

do mesmo

do guru, algo conhecido dessa relação

desenvolvido

muitas

sannyasis

a um guru escolhido

e pai-confessor

sua vez, passam

São encontradas

em que trabalhei

deia, cada criança vincula-se

perado

o GURU

BARTH

De forma

misturadas de baixa

mais conspícua

FREDRI,

no caso das castas ocupacionais de conduta"

representam

o GURU E o INICIADOR

BARTH

na Índia,

posições

os respectivos"

transacionais

Em sua dimensão

códigos

e modos

apropri-

tram-se

Esse mesmo

esquema

filosófico

de guru que apresentei

está claramente

em meu modelo.

faz a coisa certa e melhora

sua posição

aquilo que é mais precioso

-

os que estão em posição vez, ganham

mérito

como atividades

o guru -

com cereais, trabalho de troca visando

"teoria"

moralmente

por sua

adequadas

analogias

melanésias refletir

se refere

à concepção

Me!anésia.

Nesta,

mas

para pessoas

Há, porém,

as relações

tes, e a diferenciação

é percebido

tas, contrastando

contraste

sociais

de posições

e

e poder a

no que

perda de status.

melanésias

por meio de injunções

o

orientação. macional

Há reconhecimento

cada vez ordenadas

(5chieffelin

e

1980).

básicas.

deste

A posição

b in d ) ,

• Como observou Raheja (1988). pode haver certos perigos inerentes à r m p ! ã o de presentes vindos "de baixo". Não precisamos. contudo. preocuparmo-nos com essa questão no contexto de nossa discussão.

memória sobre

pois

trabalho:

dos gurus.

As-

mas não podem

ser

o aforisma

dentro

encapsuladas

Contudo. a alternativa

tendo

economia

preso

infor-

de qualquer

es-

valorativas

manutenção

"para baixo" a um duplo

de não realizar

na essa

do conhecimento pela

em

de que

Assumindo

em uma

obtida

acaba-se

o b je to s

e "grudem"

com as premissas ser

e a

de

na expectativa

retornem

e reprodução

deve

registrado

e trans-

melanésias

são oferecidos

e não por sua doação

anti-social:

de "au-

o reconhecimento

seu status,

se engaja

em contradição social

na posição

caracteristicamente

aumentando

no não estabelecimento

o avarento

abstra-

as ações de outros",

procrastinada,

a pessoa

de segredos,

vés do ensinamento. ( d o u b lt

acaba incrus-

as premissas

Esses objetos

em que a transmissão

ocultamento

modo

tão ou mais valorizados,

todavia,

an-

característicos.

derivados

valorizados.

tão dolorosamente

resultaria

158

com os objetivos

social na Melanésia

que os oferecera,

ma-

do dom

os atos de outros

verbalizadas,

do seguinte

pessoa

estão baseados.

da realidade

resumir

Isso leva à divisão distin-

características

que "influenciam

abstratas,

objetos,

para cima e

da comunicação

criam relações,

que são seus produtos

outros

são simbolicamente

cultural

e de pessoas

vista apenas uma reciprocidade

para

das economias

os gurus estão eminentemente

tores de regras"

posição

às transações

por suas relações (Strathern 1988: 3 24).

estabelecidos

Além disso, valor

fluxo de conversões

Não se trata apenas de economia.

dos parâmetros

supremamente

em esferas de troca relativamente hindus

melanésios

b a ixo

que converte

conceitual

de regras: eles apenas influenciam

de acordo

e nesse

estética

da

de uma

relação e não se torna objeto de representação

Podemos

diferen-

a articulação

(1988: 223 -ss.), o resultado

na armadilha

ao fato de que

mais valorizados.

com o perpétuo

uma construção

materiais,

têm valores

com os enigmas

mas apenas sua aplicação

ta: não há as exegeses e doutrinações

portáveis,

concen-

mais do que em meras normas preocupados

Srrathern

O conteúdo

Em conrrapartida,

compartilhadas

sociais é imanente

objetos

para baixo em que os sistemas

incorporam

na Melanésia.

são paradigmaricamente

contudo,

troca de objetos

melanésias

maior de que as trocas

pureza

fundamental

pela troca de objetos

como uma dolorosa

das economias

corporais, de idéias

Os objetos,

e possuem

de qualquer

entre essas idéias hindus

o substrato

e sustentadas

detêm

constitui-se

sim. os iniciadores

de relaçõesedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA s o c ia is no mundo hindu e na

são igualitárias.

resultado

substantivas de substâncias

que me referi de início.

estabelecidas

tecipado

os melanésios

1980). Não há, todavia,

enfaciza

tado na própria

e respeito,

da restituição

(Weiner

Como

e coletiva,

ou seja, estão

da reprodução,

teriais.

para

o equilíbrio,

reprodução

autores

fato que pode

alguns

conhecimento

social mais baixa. Essas pessoas,

ao retribuirem

e prestações

Há algumas

sentido

Assim,

na

posição."

as concepções -

presente

social ao dar gratuitamente

o verdadeiro

não como itens em um processo naquela

no problema

de reciprocidade,

ados de ser. concepção

mais profunda

transação relação.

e atra-

vínculo alguma

Isso traz à

nas Ilhas 5010mon por Oliver (1955) "ele defuma

159

espinafre".

Não

tem

FHDRI~

nenhum

bem durável,

na prateleira al homem grande

o GURU

I\ARTH

apenas folhas verdes; não as troca, e as deixa

sobre o fogo, onde se cobrem dos restos.

homem

Na Melanésia,

que conhece

de fuligem;

segredos

diferentes,

é o proverbi-

a única opção possível é o ato de sacrifício,

da Melanésia

para o ou seja,

pressões

culturais

em sua relação

com eles,

por meio de transações

envolvendo

valores ainda maiores,

pode rea-

originalmente

lizar os conhecimentos

valorizados

sem incorrer

com os ancestrais.

Permitam-me

reapresentar

- O guru é concebido

Apenas

esquematicamente

de tal maneira

na conversão

a argumentação:

outros

resultam

porém.

e le va a posição social daquele que dá. é vista como algo queedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

- Seu produto descontextualizada - Com recíprocas

resulta

O iniciador desencorajaas -

benefícios

grande

mas de conhecimento

boram

co-

culturais

dessas

valorizado

nhecimento

que foi deixado

conrextualizadamente, - Disso

ele possui

em troca

transmitir

sob sua guarda.

que sua relação

como laço fraco. efêmero também

à abstração

limitada

Como articulação

resultado

só pode

de benefícios

e pressões.

parecer

delo reconstituindo

su-

nado elemento

o co-

e ele só pode

fazê-lo

com os noviços

os intelectuais

160

elas são que elatarefa

de

à construção

de formas a tarefa

de

particu-

principal

é a

que geram características

contrastantes

de pontos

particulares.

as caraterísticas identificar

regional

grandes

regiões,

de conhecer

do sudeste

asiático

de e

seu trânsito distintos.

e posterior

explicar siderando

busquei

Considero

identificar mais

características ou unidade

que se desenvolvem

as pressões

as origens

correntes

de modo

prevalecente

em termos

e induções

161

impostas

nas

e maneiras

Além disso,

,do modelo,

cul-

segmen-

presentes

mais característico

de premissas.

de

tentar

das variantes

assim como os tipos de conhecimento

essas características

seria uma

tais como massa relativa,

das principais

contu-

interessante

mais gerais e difundidas

mo-

transfi-

Meu objetivo,

a pardesejo

ou seja, con-

aos intelectuais

I

I

de um determi-

tampouco

histórica;

culturais

que perperelativa-

conforme

deste

reconstrução

ração

bem como

apresentação

uma análise cuja maior realização

formular

é

minha

de transformação

esses dois mundos

tir de cada conjunto

nativos

um pro-

do, não foi desenvolver

permanece

a "significado",

concluir

o processo

cultural

entre

turais: de conhecimento

adequado

ser

de massa.

desses conjuntos

apenas palpável,

Por isso, nossa

contrastantes

é

através

intelectuais,

em cada área. Em vez disso,

VI

traços

e transporrabilidade,

em termos

bastante

diversificado

que

e de-

a Ásia e a Melanésia

não pode mais se limitar

do conjunto

em cada área ou região.

e reproduzir

tua. ainda que possa ser forte no que diz respeito fraca quanto

sinópcico

do

vieram

de itens culturais

de conhecimento.

convergentes

e temporário. que a forma

tipos

de onde

que empregam

de diferentes

for-

como ação ritual.

decorre

- Decorre

pode

pelos esforços

as ex-

características

não são, portanto,

das dinâmicas

guração

iniciador

entre

em um sentido

áreas culturais

lares existentes

Poderia

mortos,

o contraste

so-

a elas associados.

vive em um ambiente

que

nas formas

que haja passagem

muito

a moldar

não importando

identificação

valorizados.

saúde e fertilidade. como

diferentes

tendem

e idéias particulares

passada:

agora,

um quadro

"para baixo":

com ancestrais

- Apenas

mente

produzidas

intensas,

oferecendo

e elaboração

ao contrário,

O conhecimento

premos:

menos

multiplicação

melanêsio,

relações

discípulos.

e de produtos

conversões

transacionado

estabelece

numerosos

isso,

mesmo

de trajetórias

em suas respectivas

atividades,

desse divisor. As áreas culturais

comparar

contudo,

com

e recebendo

- Disso

essa atividade,

de conhecimento.

esse produto,

Com

duto da história

são p a la v r a s , uma forma altamente

característico

e estáveis

nhecimento

de valor "para baixo";

diversos

e da Melanésia, as imagens

reproduzido,

que todas suas trocas com

na direção

muito

respectivamente

asiático

senvolvem.

em perdas.

efeitos

Por meio de inúmeras

sudeste

uma transação

são impulsionados

gerando

ciedades.

Q

E O INICIADOR

que

RQPONMLKJIHGFEDCBA

F R W R I~

estão situados

nessas posições

BARTH

zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

transacionais

mos de sua relação com o conhecimento texto, não há necessariamente

contr astantes

que possuem.

isomorfismo

Nesse

vivem de acordo

com os padrões

devem, contudo, pectivas.

ser capazes

que descrevo;

realizar uma etnografia

cepção que os atores

têm de suas motivações,

dos, sem no entanto

imputar

nativas,

onipotência

Pretendo

res das conseqüências

inesperadas

estou preocupado

acumulacivos

de atividades

em função gadas a

da percepção aspectos

o u tr o s

Portanto, lugares

que adquiriram, resultado

de uma tradição

conspícuo

tem em sua criatividade para prepararem-se na realização

ou ser conscientes conhecimento

não se impressionem fato.

Outras

seu estoque lidar

realização construir pessoas

muito

preocupações,

estão

engajadas.

a empreender

buscam

as tradições

conhecimentos

religioso

em

e intelectual

isso, porém,

que adota-

são capazes

Desse

modo,

de descre-

marginais

Para nós, na qualidade

de

ção oposta,

ou o valor desse

A teoria

de conso-

impulsionâ-los contribuem

mente, à

para

em que essas

de antropólogos

perceber esses efeitos cumulativos

cendo a multiplicidade

recente

devem

163

de aquisição

de

ao meu ver correta-

que caracterizam é particularmente

cada visão

"verdade"

nos compelir

formas

como "totalidades",

(1989)

e que nenhuma

e de

de con-

afastou-se,

que

in s ig h ts

básicos

e como iniciadores.

dades em que vivemos. Rosaldo

Esses

do conhecimento

como gurus

e multivocalidade

posicionada,

do conheci-

e idéias a par-

das culturas

ele enfatiza

se

essas conexões.

de conhecimento

a esse

respeito:

in-

entretanto,

e dinâmicos

os modos

de determinadas

antropológica

da representação

exem-

de ir na dire-

a produção

que surgem

e o

Keesing

teoricamente Creio,

traçar

a p a r tir

no

de poder, eu gostaria

poder. nesse caso, respectivamente,

de aumentar

capazes

mostrando

tir das práticas

tempo

de uma sociologia

decodificar

cepção e assim revelar estruturas

talvez

históricos.

mais determinados

sua investigação

buscando

a

oferece os melhores

na qual procuramos

para proceder

se

antropológicas,

e processos

ao mesmo

Keesing usa a perspectiva

a que

agregadas

o nível micro,

contextualizadas.

chegar a modelos a direção

sua distribuição,

conceber

a sê-lo,

a necessidade para

mento

mais convincentes

chegam

que podemos Enquanto

integradas,

e etnograficamente

revertermos

será um

das observações

é

e restri-

nos padrões

ser integrados

possivelmente

decisivo

bem como suas

e nas conseqüências

podem

a maioria

plos dessas análises

os atores,

ser observadas

resultantes

da cul-

que os modelos

creio que o elemento

nível macro das formas institucionais

formadas

de seu conhecimento

de conhecimento

162

esses atos.

qual são realizadas li-

a fama, sem ter em vista a

são suficientes

que podem os atos

(I 987 e outros trabalhos)

para tornarem-se

e interessante

conformam

e

ou vantagens

com a importância

de atos cujas conseqüências e transformar

sociais, é importante

são levados

quando

com essa perspectiva

e interacionaisque

conseqüências,

par-

inadvertidos

Eles não precisam

tais como

de guru,

dos ato-

análise

que fazem para uma tradição

mesmo

de conhecimentos

a identidade

as motivações

e para tornarem-se

da contribuição

emergente;

da perspectiva

e da sociedade

afetam

antropoló-

00 mesmo modo, eles inves-

de seu papel de mestres.

de acordo

a partir

da cultura

nas teorias

ções culturais

correntes

e na sistematização

melhor,

que surgem

atenção

ou seja, as possibilidades

regional;

de sua atividade.

nossa

o foco sobre as causas eficientes,

de um interesse

bem como para alcançar

homogeneização

centrar

ver e explicar. Metodologicamente,

atividades.

que os gurus

em função

produzidos

da cultura.

sobretudo

mos, nas características

de uma compreensão

e significa-

qUe têm de necessidades

argumento

distantes

da dinâmica

tura e da sociedade

interesses essas pers-

passo no sentido

para que sejamos

hegemônica

com os efeitos

das mesmas

generalizante Devemos

crítica da per-

de seus atos. Nesta

que os atores

de dar um pequeno

regional,

conceitos

distinguir

sobretudo

e que

e a forma da tradição

ou validade

à moda de algumas

gicas contemporâneas. ticular,

meus

de dar conta e de abranger

Assim, é importante

às representações

daqueles

o conteúdo

capazes

con-

entre meus interesses

osedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA in s ig h ts que busco e os objetivos ou conhecimentos

sobre

em ter-

o G U R U E o IN IC IA D O R

as realieloqüente

é necessariamente

final pode

a redesenhar

reconhe-

ser encontrada.

as representações

FREORI'

que fazemos

da cultura

contentaria, plas

vozes".

Minha

conclusão,

nossos

terminadas

formas

modelo

texto

de modo

e conexões

em outros

da política,

podemos

centrar

processos

que terão

determinados

contextos.

de produzir

modelos sobre

forças além dos gurus

mentação outros

agindo

no Sudeste

que me obrigue fatores

e amplamente

assumido

bém há correntes mitidos tanto,

em um ambiente mentar

asiático.

Ousaria

argumentar

cupins,

sistematizando,

que sempre

trabalharão

e o argu-

verbalizando

levando

vos efeitos

moldadas

dos iniciadores.

transações

de conhecimento

ser produtivo. investigar

tradi-

por

Não

abordei

as conseqüências

Em termos deixemos

com a Melanésia,

entre-

nossos

e realizadas

e sobre como au-

que claramente

favorece

tropos.

O estruturalismo

ser diferentes;

de sua ação surgirão: -

a resultados

como

construindo, fortemente

bretudo

N. do E. Cf. neste volume o texto "A análise da cultura

pensar

determinados temos

muito e le

marginais,

de maneira

a aprender

minha

contentei-me

em

reivindicação em imagens

é que estrutu-

como uma necessidade

descritos

permanentemente.

Devería-

atividades

mais imaginativa formadores

direcionadas cumulativas,

em termos

e gerativos.

nas sociedades

165

para e so-

de modelos

Para isso. ainda

com H uxley e com os gigantes

se apoiou.

ló -

que os fenômenos

transformações

complexas". p. 107-39.

164

caso pode

incrus-

de processos,

de processos

au-

leva à busca de um padrão

eles mudam

metáforas

um foco, mudanças

nesse

aqui;

das

dessa

mudar

perfeitamente

mos empregar

e a conseqüente

devemos

contudo

poderiam

ausentes

tão estreita

-o equivocadamente

sabemos

as culturas

os parâmerros

que está mais na moda:

tado, representando g ic a ,

asiático,

do guru moldam

as condições

essa questão

de nos basear de maneira

rais. Em uma linguagem

conrrastante

dessa ausência.

mais gerais e abstratos,

trans-

são mantidas

Além de especificar

de

dos respecti-

No sudeste

por sua ausência

estão

históri-

regionais

na Melanésia

que definem

em

e na Melanésia

histórico

o modelo

enquanto

os gurus

que

situação

e padrões

do tempo.

exis-

a fim de conse-

pela distribuição

que seguem

na cultura,

profundamente

investigar

processos ou cruzados

asiático

um reflexo

ao longo

de pensadores

porém,

que tam-

papéis

difundidos

sência,

a

é gerado

hegemonia

ombros S

desses

as formas no sudeste

e é também

esotérico

e se multiplicarão -

dois papéis,

que esses

que o papel de guru for assu-

os efeitos

neste trabalho

foram

e lhe dá força formativa.

que por poucos,

os gurus

reconhecer

que apontei

aspectos

há ou tras

entre

do conhecimento

desses

outros

contraditórios

básica de uma determinada

contraste

Qual-

região, todavia, evi-

e de suas conseqüências,

distribuição

as atividades

uma

a sociedade

de conhecimento

valor nas transações

dos gurus

com base

que um ideal forte

de idéias sobre o conhecimento

o seu próprio

de

os vários

ser parcialmente

a dinâmica

ca. O principal

Em

impor

não diminui,

devemos

Em contraste

guir captar

tem o

do guru terá sobre aquela

da Ásia essas correntes

a modalidade mido, mesmo

de moldar

Isso

Na verdade,

secretas e corpos

no sudeste no sudeste

e causalidade

nem o impacto

da figura

ção de conhecimento.

acima

a negar esse fato ou a afirmar

que aponto.

de seus impulsos

e não há nada em minha

não são importantes.

força das conexões

termos

na identificação

Evidentemente.

no sentido

Isso nos submergir

cerrada, sem tentar

Asiático;

que podem

de que fazem parte.

de uma determinada

teria que identificar

tentes,

in d e p e n d e n te m e n te talvezedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

de conexão

a totalidade.

dentemente

E o INICIADOR

e na sociedade

quer análise mais completa

em um con-

que delineei

na cultura

de-

ou do parentesco.

esforços

relativamente

falsa "completude"

específicas

efeitos,

A perspectiva

em uma argumentação

conhecimento

nossos

determinados

devemos buscar

e novos lugares.

da economia

vez disso,

dos referidos

é que

que possamos

culturais

não me

vaga a "múlti-

holístico que nos levava a sempre

de características

mais amplo

potencial

Além disso,

ao contrário,

conceitos

do paradigma

nosso

e de suas variações.'

como fazem alguns, com uma referência

reconfigurar liberta

o GURU

BARTH

sobre cujos

'qzyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

!

I

i

;~

Por um maior naturalismo nazyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZY conceptua liza çã o das socieda des'

A distinção, conexos

hoje comum

na antropologia

social. entre os conceitos

de socieda de e cultura foi formulada

de modo

especialmente

claro por Firtb: Se [...] entendermos a sociedade como um conjunto organizado de indivíduos com um determinado modo de vida, então cultura será esse modo de vida. Se encararmos a sociedade como um agregado de relações sociais, então cultura será o conteúdo dessas relações. Sociedade enfatiza o componente humano, o agregado de pessoas e as relações entre elas (Firth 1951:27).

Trinta

anos depois,

Leach ainda escreveria

que:

Na prática, 'uma sociedade' é uma unidade política de algum tipo, definida territorialmente. [ ... ] De modo geral. as fronteiras entre essas unidades são vagas. Determinam-se por conveniência operacional mais do que em função de argumentos racionais. São, contudo, objetivas. Os membros de 'uma sociedade', em determinado momento do tempo, são especificável de indivíduos que podem ser um conjunto encontrados juntos em uma dada região do mapa e que têm algum tipo de interesse comum (Leach 1982: 41).

Leach, como muitos muitos

problemas

de culturas,

outros

relativos

antropólogos

ao conceito

contemporâneos,

de cultura,

mas suas reservas em relação ao conceito



e especialmente de sociedade,

• Do original: "Towards greater naturalism in concepcualizing societies". Em: A. KUPER. Cona ptua li~tlg socitties. London/New York: Rourledge, 1992.

FREDRIK BAATH

e sociedades, cessidade

não são tão fortes,

e dizem

de evitar uma comparação

pequena

escala e grandes

situadas

sobretudo

à sociedade

relativas cientistas

sociais.

Tilly de que deveríamos' separado 1984:17);

conceituais

ao passo

sido resolvidas

descartar

com mais sucesso,

por

exemplo,

a sugestão

entidades

ou ainda o desejo manifestado que ele sente

dessa ciência

é conceptualizado

como

modelo

algo (Tilly

por Wallerstein

de 'des-

A antropologia namentos dizer

social

de maneira

e repartido

dominante

um pouco

que o mapa que retrata

separáveis

e internamente

simplificada

(Wallerstein

despreocupada.

coerentes

de identificar

e também

tema mundial.

essa desaprovação

conceito

comparativas.

a continuidade

ser considerado socia l, e espera-se

que essa observação

a

e

operações

de dizer sistema

sirva para contornar

de sociedade.

como

distorção

minhas

atenções

setores

e interesses,

e simplismos

de apreender

a um agregado uma relação

é a noçãode

de relações

sociais.

de in teração

social.

as minhas

relações

lugares

por uma

em seus respectivos

e agências

públicos

e os diversos

com inten-

o que resta do

as distorções

com os quais não tenho

qual-

o meu comportamento.

des-

social. mas que moldam

de os funcionários ordem

tentar descobrir

Em nossa sociedade.

são mantidas de atores

que o uso infe-

em nosso discurso

que gostaria

social entende-se

e as dos outros

em tex-

são parte de seu conteúdo.

pode se resumir

multiplicidade

selecionar

dos erros e confusões

se expurgamos

essa idéia não se sustenta.

quer contato

provocador

introduz

que normalmente

Se por relação

nossa prática,

apenas como uma maneira abreviada

o Estado-nação

humana organizada.

Em seu lugar. podemos

que sociedade

dizer que o termo socieda de deve

Além disso, é comum

exemplos

1. A primeira

bastante

de nossas

entre processos

de socieda de

de sociedade

mais patentes

de todas as regiões locais em um sis-

não impede

simplista

insinuam

e desnecessariamente

liz do conceito ções teóricas.

em 'sociedades'

Parece, todavia. que não modificamos

e sutilmente

Concepçôes equivoca da s

1988).

algum nível regional específico como uma

a inserção

uma separação

de toda sociabilidade

tos antropológicos

Já é lugar-comum

é uma representação

implícito

Seria cansativo

a esses questio-

repartido

e exógenos,

a aplicação de um pressu-

nível, sempre que isso pareça conveniente;

que justificam

o objeto

do campo das relações sociais. Com isso, reconhece-se

arbitrariedade sociedade

pela qual

responde

o mundo

quase sempre um acabamento

permitem

que por sua vez possibilita

de

englobantes'

à maneira

em relação

guagem e de conceptualização

endógenos

pensar'zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA (unthink) a ciência social como um todo por causa do desconforto

DAS SOCIEDADES

Esses infelizes hábitos de lin-

são hábitos

do que entre outros

NA CONCf.PTUAUZAÇ.i.O

tipo de todo mais amplo e abrangente.

posto holista em qualquer

que aquelas

a idéia de sociedade

como

de

bem ordenado,

nossas dificuldades

lembrar,

e de sociedades

sociedades

complexas.

entre os antropólogos

Podemo,s

à ne-

sobretudo

entre

do lado cultural,

já teriam

talvez seja mais comum

respeito

ingênua

sociedades

A idéia de que nessa antinomia estão

POR UM MAIOR NHURAI.ISMO

até os órgãos do governo. e portanto

encarregados

da lei e da

Por exemplo,

os focos de

de minhas

atividades.

são

as dificul-

moldados, entre outras coisas. por cadeias de intelectuais e interque ainda permanecem.yxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA É preciso, porém, obserlocutores públicos de várias partes do mundo que não podem ser o termo é efetivamente usado, ou seja, qual modelo ele rastreados com precisão; e minhas opções. as premissas das minhas

dades conceptuais var como

evoca. O projeto samento

comparativo

antropológico

de' continuará

a ser usado para constituir

mais do que isso, o conceito esta belecer

estudo.

está tão firmemente

um quadro

enraizado

que, apesar dos protestos. de sociedade

de referência

(tra me)

como se eles necessariamente

r68

unidades englobante

de comparação; funciona

para os nossos

tivessem

no pen-

o termo 'sociedapara

objetos

de fazer parte

de

desse

opiniões

e decisões,

bem como a própria

produção

lações sociais são geradas por tecnologias ais desconhecidas. va e forças

amenizadas

de mercado.

por processos

e manipuladas de agregado

169

coleti-

de comunicação

é possível

de relações

re-

industri-

de negociação

por meios

de massa. Nem com excessiva boa vontade mação de gue o conceito

das minhas

e preocupações

aceitar a afir-

sociais

consegue

'IyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA ,I

FRWRn;

dar conta dessas complexas terísticas

conexões.

dos atos e relações sociais

processos

que podem,

do constituídos

também

gado de instituições

informais

ao lado da conformidade

entre aquilo quese

velhas difi-

ao lado das fore outras

lidar de maneira

tenham

aborígene

consistente,

DAS SOCIEDADES

sem que esse conselho

lugar no mundo

que essa população

ou essa empresa

afetada

reconhece,

e

vice-versa. Além disso, as interseções entre os círculos de pertencimento mundo

lizadas do que o moderno 'sociedade' variações

afora são mais antigas e mais genera-

sistema mundial.

Sobretudo

só é útil se nos ajudar a identificar, na organização

o conceito

diferenciar

5. A 'sociedade'

da vida, o que não acontece

todos

não pode ser abstraída

os atos sociais

Assim,

estão

não faz sentido

inseridos

separar

quando

de seu contexto

em um contexto

"sociedade"

de

e comparar

tudo reúne em um único Leviatã com o qual é impossível

dis-

social e as intrusões

do que seria o não -social

urna população

e de conexão existentes corno o agre-

às normas,

supõe ser o verdadeiramente

e empíricas

corno sen-

sociais.

e, com isso, ressucista

difícil

de

Essa visão limita a realida-

as relações

com as quais é muito

adicionais

relações

carac-

através

ser representados

de uma população.

para reintroduzir

mais, os desvios

não se reproduzem

não pode ser representada

de social à sua forma norrnativa culdades

POR UM MAIOR NATURALISMO NA CONCEPTUAUZAÇÃO

Além disso, as formas

eles próprios,

por essas mesmas

2. A sociedade

tinções

I~ARTH

ele

lidar. material: ecológico.

e "meio-ambiente"

e

ou o anui-social.

depois mostrar corno a primeira afeta segundo ou está a ele adaptadefenderzyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA qua lquer representação da da. Ainda que o agregado dos comportamentos sociais tenha efeisociedade que a retrate corno um todo composto de partes. Provaveltos significativos sobre o meio ambiente, e na verdade esteja contimente nenhuma hierarquia que situe as partes dentro do todo condo dentro deste, as decisões sociais tornadas em todos os níveis es3. Na verdade,

segue abranger

é impossível

a totalidade

ção que seja. Certamente corno paradigmático divíduos

da organização

são tornados

II

IIf

atravessam

Se tomarmos

os status sociais corno unidades

postas,

se combinam

!'I

ais. As complexidades

fi í!

as fronteiras

das em totalidades unitárias minologia

recíprocas

bem delimitadas,

veremos

estruturas

corporados,

e na composição

da organização

entre parte e totalidade,

mínimas,

formando

nos grupos

região designada. sobre-

das pessoas soci-

Muitas

decisões

de urna corporação

tornadas empresarial

afetadas

ser tratados das formas

de eventos

e instituições

6. Finalmente,

o conceito

de "sociedade"

"cultura"

-

corno sistemas

mas também

separados

serve para homogeneizar

cepção do social. Sabemos,

os valores e as próprias

tação entre pessoas que mantêm A idéia de urna perfeita

social é interpretado,

o moderno

no mundo

sistema

são assimétricas

em urna sala fechada por um conselho podem ter efeitos sobre a situação

de

um dado evento. Temos poucos ça entre as interpretações mantêm

assim corno o de a nossa con-

realidades

são focos de contessocial estável entre si.

e comunicação

mútua,

de sociedade,

que cos-

não pode ser

comportamento

e nada indica que exista uma situ-

ação em que duas pessoas coincidam com a afir-

-

da vida social. Todo

construído,

à

que não apenas os interesses,

em nossa definição

corno paradigmática

no que diz respeito

urna interação

compreensão

não

sociais.

e substancializar

contudo,

são signi-

o social e o ecológico

podem

tuma estar embutida

existentes

por elas. Assim.

e suas formas

análise

tornada

em hierarquias

que o esquema tis mo de nossa ter-

170

ficativamente

a essas variáveis ecológicas

nem ordenadas

é urna única sociedade,

das conexões

tão conectadas

social não podem ser aprisiona-

nos convida a construir.

mação de que o mundo e indiretas:

que

nos conjuntos

4. Também não é possível escapar dessas dificuldades mundial.

os in-

via de regra conclui-

de qualquer

regularmente

corno, por exemplo,

de status das interações

~.i

social em geral. Quando

cujos limites esses status

não pode ser tornado

a grupos de diversos níveis e escalas, e a grupos

~l (i

social de qua lquer popula-

corno partes elementares,

se que eles pertencem r

da organização

esse tipo de modelo

plenamente

dados a respeito

construídas

na interpretação

de

do grau de diferen-

por indivíduos

ou grupos

que

interação regular entre si. Na verdade, uma relação social pres-

supõe apenas um certo grau de convergência sageiras entre os indivíduos

em interação

171

a respeito de teorias pas-

(cf Rorty 1989; Wikan s.d.).

POR UM MAIOR NATURAUSMO

FREDRIJ; BARTH

Creio que esses seis equívocos

fica justificada

sobre nossa descrição

a imposição

da organização

ção; a noção de que certos processos compartilhadas

cessos são exógenos mudança

de acordo

ao contato

com os materiais para sistemas

dtsordenados, porém,

terrirorial,

à

da antropologia

e interpretável.

Deixando

epistemológica,

de um

costumamos

chamar

caracterizados

conceptualizar

nossa análise, precisamos conceitos

creio ser necessário pela ausência

e descrever

sistemas

rever

a respei-

reconhecer

de 'sociedades'

são

de fechamento. desordenados

que

sistemas Como, e abertos?

direções: direção

da a çã o socia l

lugar, precisamos

fundamentos,

atualizando

partir

dos insights

teóricos

estabelecer

nossa visão da estrutura obtidos

revisão precisa estar atenta sobretudo tural da realidade: cional e interpretado

um novo conjunto

nos últimos à questão

o fato de que o comportamento em termos de concepções

de

da ação social a

A intenção relação

é o objetivo

a um objetivo

confundi-lo

as conexões

da pessoa

a questão

dos atos em duas e para frente,

em

quanto

mais restrita

instrumentais, mostram

de expressar

da busca inteligente

nesse sentido

mais restrito,

a condição

um estado

e instrumental

dos atos em direção afirmações

valores e conhecimentos.

é um evento,

tem para o ator essas propriedades

tempo ou seja,

do ator. Rastreando

às suas raízes, encontramos

identitãrias,

dessa intenção

e expressivos,

e a posição

em

se deve a inten-

fim. Em geral, os atos são ao mesmo

a orientação,

imediato

o ato. Não

da racionalidade:

necessidade

em função

de um determinado

que age, a orientação

da qual surgiu

ção pode surgir tanto da urgente

duto

um momento

à sua intenção,

a partir

com a questão

de espírito,

humano

culturais

é inten-

particulares,

diagnóstico

da intenção

evento,

e também

evento

é percebido

outro

172

identificar

e

porém

planos O pro-

um evento

que

de ato.

Seguindo na outra direção, o evento decorrente pode ser vinte anos.yxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCB I Essa retransformado em ato pela interpretação, ou seja, através de um da construção cul-

A formulação clássica de Talcott Parsons (1937) dominou o pensamento até aproximadamente 1970, e ainda parece sobreviver na idéia gue os antropólogos fazem da sociedade. A inovação teórica gue oferece uma nova perspectiva pode ser identificada com os trabalhos de Berger e Luckrnan (1966) e Geertz (1973). I

podemos

por

de crenças

de ser intencional

à sua interpretação.

e estratégias,

Em primeiro

de lado

para trás, em direção

as ligações A estr utur a

específicos

organiza-

do Estado-nação.

investi das em nossos

com conjuntos

aos dados ao significado

o seu significado

Um evento é um ato em virtude

sociais

Sobretudo,

O segundo,

do comportamento,

conscientes,

uma

eventos e a tos. O pri-

do comportamento,

do positivismo.

e interpretado

para pessoas

que estabeleça

de experiências.

social, precisamos

Para aprimorar

externo

Portanto,

com esse insight.

relevante

de nível mais alto que o das relações

definidoras

to desses sistemas. que

cultural,

ou incontesre.

do comportamento:

ao aspecto

e mensuráveis

intencional

pro-

alguma coisa, pois não há dúvida de que, para

tomadas separadamente.

aquilo

outros

e a noção de que o contexto com o modelo

objetivos

essas falácias, o que sobra então da 'sociedade'?

É preciso reconstituir

as propriedades

objetivo

DAS SOCIEDADES

é usar um vocabulário

entre dois aspectos

meiro refere-se

a essas unida-

enquanto

e devem ser relacionados

Se descartarmos

distinção

em termos de caracterís-

internamente,

e à modernização;

da politicamente

trabalhar

ou seja, ele não é transparente, Uma possibilidade

social de sua popula-

para a vida social humana é sempre uma unidade

modelo

falá-

de um formato

são endógenos

des isoladas e que devem ser compreendidos ticas culturais

das principais

descreveremos a ação social de acordo a noção de que ao se chamar dezyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA socitda dt uma deter-

cias que percebo:

minada região do mundo, holista

são as fontes

NA CONCEPTUAUZAÇÃO

e como

um conjunto

um julgamento

feito

por aquele

que observa

o

de sua eficácia e efeito. Assim,

como algo que traz informações

uma fonte

de conseqüências.

considerável

de conhecimentos

a uma interpretação. também

do ator

Na verdade,

pode adotar essa perspectiva

173

a respeito

O outro

pode acionar

para conseguir

uma vez realizado de observador

o do

chegar

o ato, o ator

e (r e) interpretar

r:REIlRI~ BARTH

o ato, revendo então sua concepção ato ou o que realmente podem

voltar,

sobre o que era realmente

aconteceu.

tempos

depois,

POR. UM MAIOR. NATURALISMO NA CONCEPTUAlIUÇÃO

E tanto

aquele

o ator como

a essa mesma

questão

pela reinterpretação

o outro

podemos

e construir

nos surpreender

capacidade

de refletir

insights a respeito do ato, escrevendo e reescrevendo a histónovoszyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

ação

ria. O precipicado" da interpretação

cognoscíveis

periência

e, sinteticamente,

conhecimentos planos

e valores,

e objetivos

dos atos na pessoa

em um plano

que por sua vez podem

futuros,

é a sua ex-

mais distanciado,

seus

retroagir

bem como sobre futuras

sobre

interpretações

dem

ser feitas

que as interpretações

ao mesmo

de conhecimentos

informações

adicionais, conseqüências

discursiva

compreensão,

observadores

ocorrer

diferentes.

referidas

de reflexão

uma convergência

e valores, levando também

e podem

dentro

moldadas,

fornecida

com a intenção

com as interpretações

O evento-enquanto-ato

sua vez, podem

conseqüências

ou talvez em contradição ter importantes

de oportunidades

efeitos

dos atores

cias adicionais

podem

Conforme

e dos outros.

intenções

observado,

e

e sobre a

Suas conseqüa res-

essas conseqüên-

e tornadas

acessíveis

e interocasiões

reproduzir

implicando

a necessidade

dos atos do outro.

inclusive quando

vez que toda interação

se opõem. está inserida

mais amplas: pode-se formular

em uma rápida que cada

particularmente

subseqüentes,

de interpretações

e suas estratégias

de inreração,

por simesmo

oferece informações

dos passos

tende a haver certa convergência

e que portanto entre as partes en-

seus interesses

Finalmente,

se man-

cabe enfatizar em redes sociais

(embedded)

a regra de que todo ato social envolve

ao menos três partes - eu, você e eles - no que diz respeito tanto interpretação

consistente

como às suas conseqüências que essa explanação da experiência

com os testemunhos

com toda a literatura

a estrutura

dos incidentes

implicações

profundas

gados, para

formados a 'sociedade',

da ação social

aspectos e que é

não só no cam-

sociais,

ainda que não seja com-

antropológica.

Mas se de fato for essa

da ação social, isso necessariamente

dessa

tem

em níveis mais agre-

da vida social e, em última

A respeito

particularmente

capta de nós,

contemporâneos

para os tipos de sistema

no decurso

à sua

objetivas.

de vida da maioria

po da ficção como no das ciências patível

sua'

de uma grande agilidade na inter-

Parece evidente

passo nessa cadeia de interações

enfatizaria

possibilidade

instância,

explicativa,

eu

o seguinte:

I, Ela não estabelece por definição N. do T. No sentido químico: substância dissolvida que se separa do líquido dissolvence e nele se suspende ou que se deposita.

como

sucessão,

significativos

por

transcender

a

são

elas não

criam

pretação

outra

que

de intenções

também

podem seguir-se uns aos outros

Parece-me

objetivas

por considerações

às vezes ser apreendidas

sem-

como

os atos e as respostas

e inter-

e decorrências,

sobre o ambiente

ências sociais de modo algum são esgotadas peito de suas interpretações.

com as -

Essas conseqüências

por dois

permanece

um ato terá normalmente dos atores.

a

palavras,

conhecidas:

como em outras modalidades

volvidas nessas seqüências,

do ator, e que dadas

tanto

e temos

de conseqüências

de um quadro

nós

e seus conhecimentos.

Tanto na conversação

têm distintos

pretado

interpretações

de

por um observador

podem

todos

que acontece

efetivamente

pretações

-

com isso. Em outras

e cadeias

se tornar

culturalmente

e por outros

daquilo

e de aprender

eventos

úteis para a interpretação

a um apri-

e maleável. Além disso, o evento pretendido

para além das -

de

às reações ao

pre contestável como

e

do ator ante a realidade.

ato pode não coincidir também

e também

Esses processos

entre os participantes,

conhecimentos

conversas

diante

apenas são significativas

po-

pode haver trans-

culturais,

avaliações

do mesmo.

É evidente que a interpretação isto pode

interações,

e de esquemas

da orientação

determinado

nas

e reinterpretações

Em tais ocasiões,

inclusive

promovem,

moramento

tempo,

junto a terceiros.

ato e outras

situação

gera

compreensão notar

rememorações missão

social

em que as pessoas

de atos. Devemos

feita pelos atores

DI\5 SOCIEDADES

um elo entre o social e a repe-

1

174

tição, as normas

eas

idéias compartilhadas,

175

tomados

como

moldes

POR UM MAIOR NATURALISMO NA CONCEPTUAUV.ÇÃO

FREORI~ BAATH

para os atos e pré-requisitos delineia processos vergência,

de interação

de modo

uma propriedade

para a ação social. Ao contrário,

que os padrões

emergente.

não como uma estrutura 2. Ela apreende de que ele permite

um grau de desordem o surgimento

os outros

Ela permite podem

lares e lançar mão de diferentes podem

viver juntas,

dos. Abre-se

espaço

preestabelecidas,

tir de sua experiência.

o caráter

assumem,

com relação

à forma resultante?

bastante

cuidadosas.

Restam,

grau de ordem, visões

determinantes,

que as pessoas

sobrepostas, daqueles

que fazem parte de relações qualquer

convergência

do compartilhamento a uma descrição denado

maior

de concorda-

ção manteria

dos tipos de relação

o problema

e não consegueria

regularmente

relatado

minhas.

palavras,

desor-

essa explana-

social excessivamente

explicar

e

chegaríamos

e do tipo de agregado

nas monografias

Diria, entretanto,

da unidade

Aparentemente

da organização

determinado

no sentido

Em outras

da vida social que eu propus.

pouco

o grau de sistematicidade antropológicas,

inclusive

as

que isso é parte de sua força.

AzyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA necessida de de procedimentos de descoberta

ser o

grau de padronização

sociais variam tão profundamente, que os caracteriza

relevância que esses padrões

idéia contra-intuitiva

forma é necessariamente

os atos permane-

pode ser reescrito. recorrentemente ser previsto de sistema

deduções

dúvidas

nas

de redes sociais

e uma capacidade

sociais estáveis

inexorável

da cultura.

ação social pressupondo

poucas

quanto

rem no que diz respeitoyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA à interpretação dos atos, sem haver no entanto

efetivamente

desenvolver

a presença

que se cruzam,

um baixo

as noções empirista-

e dos conceitos.

os tipos

prever

tanto no presente

têm do passado,

com fronteiras

Os sistemas

o que poderia

seria possível

um fluxo permanente

variável que os eventos

Para simular porém,

nesses

a par-

atores participam

emergir, é necessário

base apenas

pelas pessoas

da história':

com essas características,

social que podem

um paradigma

social pode

e seu significado

que múltiplos

construídos.

de transcender

o que é uma importante

Se supusermos em interações

ou seja,

pela qual eles são interpreta-

marcadamente

nas visões contemporâneas

situ-

particu-

entre as conseqüên-

do conhecimento

presente

contestáveis

que pessoas

experiências

de conhecimento

passados

durá-

de interpretação,

pressupor

O consenso

fator mais forte na moldagem

no sentido

eles constróem

diferentemente

para a possibilidade

realista em relação ao acúmulo

cem sempre

perceber

a conexão

e a maneira

sem no entanto

4. Ela destaca

conforme

esquemas

mas em mundos

dos eventos

no sistema,

acumular

3. Ela sugere que é problemática cias objetivas

como

como um resultado,

de incongruências

e terceiros,

diferentes

sejam vistos

o sistema

à qual a ação deve se conformar.

preexistente

dos eventos.

adas em posições

gerar certo grau de con-

verificados

Encaro

perceber

veis entre os atores, os significados

que podem

ela

DAS SOCIEDADES

teóricas

de que, com

sistemas cessos

em relação à forma e

que uma ampla explanação com determinada

dependam

com o que sabemos

mente. O que precisamos,

da

ordem

e

Em vez disso, devemos esperar que

para definir

que os padrões

o que esses sistemas

em relação ao

como os que são encontrados

particulares

Isso seria consistente va, que mostra

descobrir Cf Wallerstein: "O passado é reformulado e revisado com tanta freqüência e com tanta rapidez que às vezes parece quase evanescente" (1988:531); e Colson: "encontramos pessoas que revisavam suas memórias conforme ajustavam suas idéias sobre qual deve ser o ordenamento de sua sociedade para que se adeqüe à sua experiência dos compromissos envolvidos na vida cotidiana"

suspeita.

da vida social humana

históricos

quanto

uma sociedade

tão desordenados

agregados

assumem,

tanto

nos níveis

de circunstâncias suas formas da história

específicas.

cultural

e formas variam e emergem

portanto,

objeti-

continua-

não é uma teoria dedutiva

serão, mas procedimentos

e pro-

exploratórios

sobre para

o que eles são: que grau de forma e de ordem eles mostram

em cada situação

específica

enfocada.

Isso precisa

ser descoberto

e

I

(1984:

descrito,

não definido

o moldaram. nir parâmetros

6).

176

e pressuposto,

to deve ser especificado Através

de maneira

e cada sistema com seu contexque revele as contingências

desse procedimento,

possíveis

para análises

177

podemos comparativas

esperar

que defi-

de sistemas

FREDRIK

sociais agregados

apropriado

j !

I

sociedades

a partir

e circunscrever

bem delimitadas.

da qual é possível

prejulgar

quais

um projeto

descobrir

desordenados,

de cima, mas a partir

unidades

xeiques

através singular-

e muito

é recomendável

dos atores sociais,

significativos

começar

identificando

central

dos últimos "Seguindo

as ligações

entre

atividades,

por Grõnhaug trocas,

consistiu

relações

e com isso delinear ca mpos de atividades

correlacionados,

Assim, ele foi capaz de trazer à tona as surpreendentes existentes campos

entre as maneiras nessa formação

cessos pelos quais grupos go do tempo,

materiais

tribuição

nos diferentes

mas serviam basicamente

e os pro-

se mantinham

como ponto

no entanto,

ao lon-

de parada para

uma 'sociedade'

Esse caso é diretamente de descoberta

de Sohar

e as regiões

canal de irrigação

de quarenta

diferentes

unidade

de grande escala, unindo

ecológica

agregavam usuários

um total de cem mil habitantes, (pessoas

que estão de passagem,

gumas estações do ano, senhores na burocracia

de administradores

conjunto

de interesses

contudo,

levou a mudanças

Em um outro los de duzentos

e distinto

comuns

discrepante

bem como vários outros

respectivamente.

nômades

do sistema e diferenciados.

pastores

devotos

178

em al-

e uma peque-

de irrigação)

em um

A seca de 1970-7 I,

em muitas

campo de atividades,

a trezentos

uma

grupos

uma linha de aldeias que

de terras absenteístas

significativas

definia

dessas relações.

havia pequenos

que se reuniam

círcu-

em torno

de

alguns

Cada campo mostrando nenhuma

ser selecionado

comparável

desses

uma discaractebase a par-

de modo

(Barth étnicos

1983).

e

a definir

apenas estabelecendo

de forma

contrastes

e regiões

em tribos

a cinco

recíproca

e

Sind e Gujarat, costumes

-

e intrigante,

outros

sem exibir uma articulação

lógica.

separados

de Sohar

e discrepantes

comerciais

e os funcionários

se alinham

pertence

cada qual com ampla

têm diferentes

e classes sociais

para as cidades

e para Bombaim

étnicos

proce-

uma área com cerca de

na Arábia, Irã, Baluquistão,

estratos

bém de círculos

Utilizando

eu mapeei a cidade

A população

e lingüísticos,

Esses grupos

Os complexos

a outros.

em Oman,

altas circundantes,

deles invertendo-os

Beduínos

agregado,

das

e preocupa-

e força de organização

semelhantes

distribuição

res se voltam

nos anos de

ou alguma escala organizacional

pudesse

dimentos

vinte mil habitantes

de extensão

ao

englobante.

um fluxo de famílias de meeiros que passavam por ali. Um antiquíssimo quilômetros

de tarefas

não descobriu

tir da qual algum desses campos

em relação a esses dife-

aldeias nucleadas

escala, padrão

territorial

apenas

uma ligação entre as atividades

e um conjunto

como um sistema

Grõnhaug,

abrangência

as conexões

ca mpos, na sua terminologia.

territorial,

há mais de

se consolidara

e mapeando

estabeleceu

coerência

Mas

anos.

de Herat

-

de adminis-

e econômica.

funcionavam

do Afeganistão

duzentos

na região

rísticas.

conectadas.

eram organizadas

eram constituídos

rentes campos. As pequenas

adquiria

discrepâncias

pelas quais as atividades

social específica

em buscar

e fatores

e de uma elite política

servia

e econô-

ao Estado através das atividades

os volteios"

ções principais adotado

a cidade de Herat

a cidade e os canais de irrigação

Afeganistão

de descoberta. O procedimento

de

e depois

uma região administrativa

enquanto

197 I -72, Grõnhaug

desse procedimento

de habitantes,

e definia

de comerciantes

pessoas

admirável

de culminância,

tradores,

(1972). A análise de Grônhaug (I978) sobre a região de Herat, no é um exemplo

em ciclos regulares

deixavam o local. No centro de uma grande área geográfi-

longo

suas ativida-

passavam,

geralmente

dois mil anos, o Estado

não a partir

(jollow tb: loops), no dizer de Bateson des e redes - seguir os volteioszyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

ocidental,

esses grupos

anos, por fases de proselitismo,

mica ligada intimamente

em uma posição

e focos

carismáticos;

DAS SOClWADES

15 a trinta

como mercado

o que está em jogo e evitar padrões

UM MAIOR NATURALISMO N,' CONCEPTUALlZAÇÃO

ca com cerca de um milhão

não se pode

relevantes

Para situar-se

são os parâmetros,

nesses sistemas

-

inicial desse tipo de exploração,

saber como identificar menos

são produzidos

de processos

para a antropologia.

Em um estágio

!

POR zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

e teorias sobre os conjuntos

dos quais esses sistemas mente

BARTH

públicos

-

tam-

os mercado-

de toda a região do Golfo para a capital Muscat,

com territórios

179

participam

nas montanhas

os e na

,f

FREDRIK BARTH

POR UM MAIOR NATURAUSMO

Região Vazia, os trabalhadores migrantes viajam para o Kuwait, Qatar e Abu Dhabi e os pescadores se voltam quase exclusivamente para zonas e setores do mar aí localizado e para os leilões de peixe na praia. As afiliações religiosas das congregações de culto locais dividem a população em outro conjunto de quatro identidades: sunni, xiita, ibadhi e hindu; apenas esta última coincide com um dos outros agrupamentos mencionados. Tudo considerado, a ausência de qualquer" sociedade" única, totalizada e englobante e o entrecruzamento

de conexões em

NA CONCEPTUAUZAÇÃO

DAS SOCIEDADES

A desordem decorrente do pluralismo étnico, religioso, social, classista e cultural existente em Sohar vai bem mais além do que aquilo que pode ser recuperado como ambigüidades de interesse, de relevância e de identidade, que poderiam ser resolvidas através de negociação. Além disso, a questionável relevância de boa parte dos resíduos ideológicos para as condições de vida reconhecidas e objetivas daqueles que deles se apropriam me impressiona: que sentido fazem os sinais emitidos em Teerã para a situação de vida de uma viúva xiita em Sohar? De que

múltiplas direções por toda uma ampla região se mostra ainda mais marcante do que na região de Herat. . A vida entremeada das comunidades religiosas existentes em Sohar

modo os conflitos do início do califado que levaram ao cisma entre

é outro aspecto dessa condição multicentrada e intersecional, tendo os membros de uma contato com os membros de todas as outras no trabalho, no lazer e como concidadãos. Essas partes em interação, po-

perplexidades que podem confundir suas vidas. Mas são essas, respectivamente, as idéias que eles adotam, em termos das quais vivem uns

rém, sustentam diferentes dogmas, cosmologias, corpos de leis e posições a respeito de moralidade, cultura e política, posições que, além do mais, estão continuamente em fluxo. Essas premissas e posições são desenvolvidas e articuladas em distantes e diferentes centros metropo-

Sunni e lbadhi podem iluminar a condição atual de um jovem ibadhi? Essas questões não surgem de interesses locais das pessoas e geram

com os outros e tentam dar sentido às suas vidas. O resultado é certamente algum tipo de sistema (no sentido de que os Soharis se conhecem e interagem) e deve ser possível descrevê-Ío. Mas deve ser um

litanos, como Meca, Cairo, Teerã, Qom e Nizwa, no Oman, por pessoas presas a vidas e problemas diferentes daqueles dos Sohari. Os vários éditos e pronunciamentos oriundos desses lugares, no entanto, possuem forte autoridade teológica, moral e social entre os respectivos setores da população da cidade. Com isso, importante dose de desor-

sistema desordenado, muito diferente do que se propõe na definição didática de "sociedade"; um sistema no qual a convergência surge através de muitos outros processos que não a negociação. Precisamos identificar esses processos e criar um modelo de seus parârnetros e resultados, e de acordo com isso redefinir toda a nossa maneira de pensar a "sociedade". Esses são problemas e questões de grande alcance, com profundas e amplas repercussões para

dem é continuamente injetada e realimentada na pequena cidade de Sohar. Será razoável esperar que a população da cidade tenha a capaci-

o tipo de teoria que a antropologia precisa para suas tarefas. A lição se torna ainda mais clara se refletirmos sobre como a sociedade

dade de processar essas idéias e as múltiplas outras que surgem dentro e fora dela, de modo a criar a integração, a ordem e a unidade que aparecem na definição convencional de sociedade? Quais seriam as características das instituições e processos que teriam o poder de realizar tais proezas de construção de sociedade?

surge ao longo do tempo - por exemplo, sobre o que aconteceu em Herat desde que Grõnhaug fez seus primeiros estudos e análises (cf. Grõnhaug s/d). Em função de conflitos sociais e ideológicos

O fraco conceito dezyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA negocia fã o, freqüentemente introduzido para sugerir o modo pelo qual se lida com os encontros interpessoais, não consegue dar conta desse desafio. Negocia fã o sugere um certo grau de conflito de interesses dentro de um quadro de compreensão compartilhada.

180

entre os membros de uma pequena elite e de uma maciça interferência externa, houve um golpe em Cabul, logo seguido por outro, e depois pela invasão soviética. Esses eventos levaram a uma perda da legitimidade das autoridades centrais e das autoridades provinciais em Herat, ainda que a população da cidade tivesse tido pouca participação nos acontecimentos e nos conflitos de interesses que levaram aos eventos.

181

FREDRI~

POR UM MAIOR NATURAUSMO

BARTH

UtzyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA Em 198o, Herat tornou-se um dos primeiros locais em que houve ~j lutas de resistência em grande escala (Klass 1987). Desde então, ',1/yxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA cerca de um terço da população houve uma mudança '(:~!

dantes

\

procurou

refúgio em outros

dos padrões

mujahid

emergiram

como os principais

em facções diferentes

rios países (Arábia Saudita,

Irã, Paquistão,

Não são simplesmente mas sim respostas

mudanças

tra o governo,

desenvolverem

fugirem

e criarem

Esses resultados provavelmente

através

de interações

ambíguas todos

e relações

Herat,

ao longo

acintosa:

e forjando

organizando

uma for-

a significados,

como

continuidades

também

-

a valores,

a longo prazo, cooperação.

a

significados

organizações,

semelhantes, a partir

de que em efêmeros,

instituições,

coordenados

ou igualmente

de outras

regiões do mundo

em situações

e primevas?

pela antropologia

munidades,

e portanto

para

humanas,

Argumentaria,

contrariamente,

e que muitas

tradicional

da realidade

cas que supostamente

explorasse,

uma sociedade.

em dar conta

J82

Um modelo

de uma situação

que

em que

de evidências

da sociedade,

retratasse acessíveis

sobre

locais que,

ainda recriam em grande

difundido

que a tornou

nossa compreensão comunidades.

às conclusões generalizado.

183

antropológi-

um artefato

em sua pesquisa

de modo

das

a sociedade

da vida nas pequenas e chegasse

ainda

mais tardios na maioria

que o constructo

vezes perverteu

que o antropólogo

origi-

de sociabilidade?

local é, ele próprio,

antropológica

para tais co-

das comunidades

fundamentais

mitindo

identificam

e defensável

a desenvolvimentos

o Cemtinscha J ten

co da comunidade

aque-

de sociedade

com relação às condições

Será que ainda não encontramos,

essas condições

enrijecida

como em circuns-

da antropologia:

e para as formas elementares

sentação

tão completamente

é adequado

que talvez não aplicável diretamente

ficção

com as quais estou

Será que o modelo

apropriado

criar certo grau de ordem na vida social; ou seja, todas as característifracassa

"tradicionais"

podem

modernas.

preconizado

medida

dos

que eles fos-

problemáticos

O que dizer então dos dados prediletos

populações

específicas

mas isso não justificaria

ou

poderiam

para uma teoria social geral. Além disso,

análogos

tanto

claramente

esses três argumentos

apesar das forças exógenas que as pressionam. e

em relação não apenas

e esforços

dados

irrelevantes

e mais complexos?

de 1970, sua

não resta dúvida

com relação a certas características

dados que foram discutidos,

do Oriente

à guerra moderna

vinculadas

ser sustentados

nais da humanidade

para a com-

desses anos, houve não apenas padrões

importantes

de colapso

sociedades

Sem dúvida todos

les das áreas primitivas

em nada os eventos

certos padrões,

esses anos. Contudo

ou de situações

tâncias

as

de certas

não é ate-

que acabo de dis-

à modernização.

estraexperi-

que herdamos

que os fenômenos

apenas

ser obtidos

usar esse modelo

a partir

ele não ilumina

e que exibiram

como também estratégias

entre

de sociedade

se argumenta

são característicos

familiarizado.

em 1972. e é ainda menos útil para representar

torna-se

cutir

foram

para interpretar

nos anos 198o. Mas se tentarmos

sociais que ocorreram durante

e

como siste-

parecia ter pouco a contribuir

não pode ser man-

básico de uma teoria geral.

sobre o conceito

quando

sem declarados

provisórias.

para dar conta dos vinte anos que decorreram

conexões

lugares,

lutando

englobante

de Herat

em novos

e inovadoras

noções

existente

inadequação

de

sem prece-

ser descritos

de uma sociedade

ma de vida compartilhada situação

dramáticas

política

e os atos uns dos outros,

e constantemente

O modelo preensão

sobre a população,

com baixo grau de ordem;

nhos ou com velhos conhecidos, novas circunstâncias

podem

nuada Médio

a mudanças

redes e atividades

mas emergentes,

mental

or-

por vá-

EUA).

uma organização

assim por diante. gerados

patrocinadas

impostas

das pessoas

A pressão

As pessoaszyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA dera m uma resposta ao se levantarem con-

circunstâncias. dentes,

ativas

são alterados

A .estrutura da s comunida des loca is

no Irã, e os comanlíderes políticos,

e indefinidas,

tido como fundamento

normais

DAS SOCIEDADES

lugares,

de uso da terra, surgiram

novas rotas de entrada de víveres e de mercadorias ganizados

! !

drástica

alguns de seus parâmetros

NA CONCEPTUAUZAÇÃO

de campo

da

e reprenão per-

percebesse,

necessárias

a partir

POR UM MAIOR NATURALISMO NA CONCEPTUAUZAÇAo

FRF.DRI~ BARTH

De fato, acredito desenvolvimento formato

ser possível

do "método

para o trabalho

quanto

tradicionais

metodologia

sobre

sociedades

de trabalho

Co que poderia

pante

serviu como conceito

dos de campo

baseada

por outros

comunidades

diante

que supostamente

coletados

ele antes da-

mo gênero nossos

tribais

teóricas

exibem as características

caracterizam

a" sociedade"?

que ofereceram

da antropologia? integradas

o Será

e holísticas

1964) ajuda muito a bloquear

Firth

esses estereótipos

a presença de variáveis de posicionamento,

conflitantes

e da diversidade

ção em uma comunidade

tão pequena

e isolada quanto

Não há dúvida que o pertencimento grupo

pequeno

rativo

tem efeitos

das relações

e muitas

sobre as condições

ções excepcionais paradigma

interdependente

de interaçâo,

deve ser estudado

de pequena

são questões

que podem

que existe a possibilidade veis que representam

sobre o caráter

produzir

ser estudadas

e estudados;

novos il1sights de grande

Essas questões

de processos

que podem

por sua vez, tais estudos importância

184

mútuas

em urna comunidade

de elucidá-Ias.

os efeitos

das interpretações

para a teoria

podem

local e

são variá-

durante

surgem,

como

O que dizer

e convenções

da cultura

das comunidades

essa independência

primi-

e esse poder intelec-

e as conseqüências

Quais

do biculturalismo

são os efeitos

social, e que grau de pluralismo

da exogamia

local

e dinamismo

Em

dados sobre o que possivelmente

em torno

dessas

questões

cultu-

primeiro

lugar,

não

há dúvida

que

razões para isso.

nossa

compreensão

tão pouco

sutil e nossos

não conseguem

distinguir

o que, dada a nossa ignorância

cultura

tribais,

aparece como meras nuanças.

sejam freqüentemente

sua combinação impressão

lugar, a antropologia

de que eles cobrem de nações

tão grosseiros

tudo

foi empreendida recém-emancipadas.

185

em situações

nossos

por meio de

conseguimos

o que deveriam.

é que

da vida e

Talvez também

tão ralos que somente

em um relato homogeneizador

produzir

contexto

dados

para

ter se contentado

freqüentemente

materiais

são enor-

e usar esses dados parecem

Tõnnies (1940). Vejo três possíveis

ser iden-

social básica.

O que

percebemos

implicações?

às crenças

teoria social, os antropólogos

em reafirmar o

esse conhecimento informantes.

e o que isso revela sobre a conexão entre crença

tradicionais?

mes variações

creio que o grau de

de fun-

mas a principal

essas diferenças

em alguns membros

Em vez de acumular

e relações sociais, o grau de compartilhamento

e a maior ou menor adequação

quanto

propósitos

as diferenças

ral isso engendra?

e coope-

e não como

Como

cultu-

entre pessoas de um mes-

e quais suas outras

ceticismo

sobre a interação a um

como efeito dessas condi-

escala e isolamento,

a interação,

em contextos

de conhecimentos

da vida social! Mais especificamente,

ordem nas interações

tificados

vezes altamente

elas afetam

de campo?

tual impressionantes,

possível.

para outros

os melhores

de interesse

e ação social? Qual a freqüência

e de orienta-

e duradouro

sociais e sobre o compartilhamento

e valores. Isso, porém,

da cultura

comum

e usados Conhecemos

tem sido a de traduzir

tivas? Como se desenvolvem

simplificados

das diferenças

e geração que todos nós certamente

trabalhos

nós final-

mas esses dados foram

da perícia e de saberes secretos,

tribal que encontramos

de interpretações

de valores, de conhecimento

finalidades

sobre como encontrar

do profundo

Uma leitura cuidado-

corpu« do trabalho de Firth sobre os Tikopia (ver especialmente sa dozyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

e mostra

comunidades,

dizer das mar cantes diferenças

de grupos

duas décadas,

obter algum conhecimento

na disciplina

em conselhos

tão pouca atenção no tra-

das últimas

nas pequenas

com outras

preocupação

de um

de desconfortáveis.

Ao longo

ções especializadas,

partici-

meios),

têm recebido

que não os que estou sugerindo.

o contrárioyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA Cá. Arensberg 1961).

básico para as construções

que essas comunidades

rais de gênero

de aprovei-

na observação

etnográfico?

mente conseguimos

uma valiosa

de salvar a simplicidade

de sociedade

que indicavam

E aquelas paradigma

de campo

balho

como

dessa mesma

escala,

Por que essas questões

o

ocidental,

como urna maneira em grande

desesperada

inadequado

na civilizações

era um sintoma

ter sido feito

tentativa

de comunidades"

tanto

Em vez de se apresentar

tar, na pesquisa

que, na antropologia,

de estudo

de campo

nas civilizações

insistência.

mostrar

s>

DAS SOCIF.DADF.S

dar a

Em segundo

coloniais

Essa circunstância

ou no talvez

FREDRI~ BARTH

tenha sido usada, sem ingenuidade, indesejáveis:

para criar latas de lixo para dados

todas as ligações para além das comunidades

deriam ser ignoradas como distorções de pureza e homogeneidade medo da destruição

culturais.

e analíticas

Por trás disso, porém,

de um modelo simplificado

a perda da inocência, e o assustador

aumento

sistemas

"'1'

com sutileza suficiente samos proceder

de "sociedade",

para registrar

com mais precisão,

e abertos,

em uma cultura

as diferenças melhores

individuais,

métodos

estão ao nosso alcance e podem

ses para um terreno O caminho que o nosso

de "sociedade"

e instituições

das pessoas,

precisamos

ações e de resultados

e uma confi-

teoria

narnentos

levar nossas análi-

indicado.

sociais tal como se manifestam pensar

na sociedade

como

um objeto

como

vozes simplesmente

quer apresentação

d'a sociedade

como um conjunto

das interações,

que nos permita das propriedades fluxo

generalizado

herdado perpetuará

estabelecer

adotar

entidade

a mistificação

de nossos

qual-

entre

Percebendo as pessoas

uma perspectiva resultantes,

que são geradas

delimitada

de

de idéias com-

O uso contínuo

locais como parres exemplares

caso con-

invalida

dos processos

desordenadas

que daí decorre. como

diferem

precisamos

um modelo

sistêmicas

de sociedade

comunidades

e intenções

de

os posicio-

em ação por uma dada população.

que as idéias, considerações que parricipam

nas ações

no corpo

Reconhecer

e as múltiplas

análises

o contexto

ossificado

social 'em desenvolvimento.

postas

Se quisermos

seja útil para nossas

sociais

partilhadas,

de tentar

de ações. e não como uma coisa -

ele permanecerá

nossa

preci-

mais firme.

das relações

trário,

e de Embora

a antropologia

livros didáticos

e do

do modelo

e ordenada

de tal entidade

dados e a trivialização

e de apenas

seja quase invariavelmente

como uma disciplina

te como os antropólogos teóricas

sociais

têm pouca simpatia

rativas

a s'eguir está claramente

conceito

análise dos dados a ntropolôgicos'

estranha

zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA ança mais justificada do que de costume. As recompensas fazê-Io, contudo,

com

de tarefas etnográficas

desordenados

fazer uma leitura da ação e da interpretação 'I

vejo o

Metodologias comparativas na

Para ser capaz de dizer algo sobre ozyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

que isso implicaria.

gra u de ordem, de caracterizar

I~

locais po-

e diluições de um estado primevo

formais,

comparação opostas

na antropologia

se opõem,

temente,

tem havido

metodológicos trabalho,

pouco

comuns

discuto

compa-

a enfocar

para a questão as posições

das afirmativas

tentam

em rela-

na antropologia.

voltadas

os fundamentos

senciais que a análise comparativa

operações

comparativo'

tendem

e raramente

filiações

o grau de concordância

explicitamente

nos

é impressionan-

de diferentes

por suas respectivas

ser o 'método

e críticas

ou a rejeitar

os quais

e culturais

e como é pequeno

ção ao que deveria As discussões

caracterizada

comparativa,

esclarecer

da

teóricas

dos colegas

as questões

es-

em si mesma levanta. Conseqüen-

avanço

na formulação

para operações

o uso da comparação

de parâmetros

comparativas. em minhas

No presente

análises

dos da-

dos de campo da região de Ok, na Nova Guiné,

e de Bali, e faço uma

reflexão

cruciais

sobre

metodologia

as questões

comparativa,

tos da contemporânea A zoologia

notadamente

e a anatomia

para o método

modelos

derivados foram

considero

no uso

da

à luz dos desenvolvimen-

teoria da cultura.

modelos nunca

que

macroscópica

comparativo

desses primeiros

analisados,

forneceram

na antropologia. exercícios

talvez ainda estejam

os primeiros Creio

comparativos, presentes

que e que

em nossa

de nos-

sos resultados. • Do original: "Compara tive methodologies in rhe analysis of anthropological data". Conferência pronunciada na Washington Universiry, Se. Louis, em [O de setembro de [995, Inédita.

[86

FREDRII; B,\RTH

disciplina.

afetando

a maneira como realizamos

No estudo da anatomia

comparada,

tificação

equivalentes,

de estruturas

nismos diferentes

os 'olhos'

dois organismos

-

padrão que se impõe formas

em diferentes

de um mesmo organismo.

possam

Duas circunstâncias tomia

comparada,

rações

de comparação

i) a possibilidade parados

objetos

empíricos,

e contrastados;

operações

(dissecação)

Esses princípios da em apenas anatômicos

mos; na operação tivamente buscado

mesmo

e posto

que as primeiras

ções de museu

de 'cultura

diam ser colocadas

e atlas organis-

o objeto

efe-

se necessário,

ser

que é dissecado. comparações

etnográficas

o mais fielmente

material'

possível:

de duas regiões

procu-

duas cole-

diferentes

po-

em uma mesa, uma ao lado da outra, e compara-

das. item por item, característica nas comparações

as

é realiza-

de outros

que pode,

comfísico).

com mapas

tais mapas substituem

e contrastado,

essas condições

então

descobertas,

entre

a dissecação

da dissecação

ao lado do objeto

Lembremos

quando

as correlações

os

que realizamos

Nesse caso, trata-se

por característica.

Isso não acontece

na antropologia

social e cultural.

quase sempre de comparar

188

duas ou mais descrições.

Contudo

de conceptualização,

Portanto

ções pode produzir

correlações

nenhuma

Nesse

maior

de repetição

de que os objetos sujeitos

métodos

a exame durante

operação

apenas suas descrições

ou até mesmo

Devemos,

então,

empíricos

que investigamos,

secundários

aproximar

em

são mui-

compartilhadas dessas

fic-

sem quase

desta, mas do fato

nossas

e

de comparação.

Uma

que estudamos,

mas

representações

apresenta nossas

estão presentes

operações

em vez de aplicá-Ias

dessas

sérios problemas. dos objetos

a esses materiais

e terciários.

Em segundo a operação

tentar

os objetos

comparativo

equi-

in telectuais

em relação à anato-

a serem comparados

a própria

nosso método

parece-me

não de uma possibilidade

comparativas

comparar

descrições,

ou eliminariam

estatística

o contraste

vez que não podemos

da-

mais fracas

fortes, mas empiricamente

das operações empíricos

e teorias

resultando

geral-

que quaisquer

normalmente

a manipulação

sentido,

é marcante,

no proces-

casos buscando

e os erros

ao contrário,

pois refletem

validade.

e representadas

essa defesa do método

em uma disciplina.

mia comparada

subseqüentemente

mas não que gerariam

são aleatórios;

bem as

de etnografias

teriam o efeito de tornar

essas correlações.

to consistentes,

exemplificar

a partir

de múltiplos

vocada:

geral raramente

baseados

tem sido argumentado

da ana-

ou órgãos

(um corpo

estatísticas,

os erros

comparativos

Uma vez que esses arquivos

para a comparação

as ope-

sobre

inerente

do objeto

comparado

a partir

comparativa,

comparado

ravam imitar

e ii) a correspondência

um cadáver,

elaborados

comparativa

são usados

de compana antro-

parecem

ao serem reinterpretadas e codificação.

falhas teóri-

comparativas

e por vezes questionável,

neles contidos

em laboratório:

ou seja, os cadáveres

se mantêm

transformadas

de relatos

que essas comparações

foram construídos

dos incorretos

são, realiza-

de cadáveres

da operação

e a natureza

desigual

correlações

o estudo

ser, e arquetipicarnente

de realização

de validade

e contrastadas.

caracterizam

e comparação

ou

comparações

que são o objeto

explicitamente

mal, e os trabalhos

Os HRAF

/\NTROl'OLÓGICOS

as limitações,

às descrições

Resources Area F iles (HRAF)

nos Huma n

mente

fazemos

transcender

das análises desse

DOS DADOS

É duvidoso

ou seja, ficções.

sofrem

e as

em que as

do fato de que na anatomia

podem

pologia

NA ANÁLISE

descritos:

cas e erros incorporados

dificuldades.

Assim, a compa-

abrangente

comparadas

particulares

decorrentes

das através da dissecação próprios

uma categoria

ser incluídas,

diferentes

de

..,S

em algum momento

so de compilação comozyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA va ria ntes de um

de duas formas

o que implica construir

duas formas

segmentada

possam

COMPt\RATIV

objetos

antropológicos,

ração. Muitas

em

para uma semelhança

por exemplo, uma estrutura

ração envolve a identificação mesmo,

circulatório'

que ela assume em dois organismos

segmentos

para iden-

de função -

ou 'o sistema

ou apontam

é a iden-

de dois orga-

Os critérios

ou na similaridade

por exemplo, os 'membros', diferentes

fundamental

ou seja, as partes

baseiam-se

e não os próprios

nossas comparações.

a operação

que possam ser comparadas.

tificar essa equivalência

diferentes

Mr::TODOLOGIAS

lugar, como já observei,

de dissecação

empregada

189

há compatibilidade

na anatomia

comparada

entre e a

FRWR'~ B,\RT'-'

constituição

dos organismos

um dos grandes

desafios

logia é assegurar nossos

objetos

biológicos

para o método

de comparação

nossas

muito

operações

questionável

de traços,

,

'

.1\ :

,11

I,l:

o procedimento

que

entre esses traços.

o quadro

ontológicos

crucial

teórico

o mais importante

e da antropologia mitado

! t

pouco

problemática

a construção

fi

sempre

tI

construção

I,!

li i'i' (I

'l

t.l 1\ i

I: t, I'

antropológica

Devemos,

tornou-se,

que reifiquem

itens unitários

deliin-

e mesmo

as

e se caracterizam

evitar

de maneira

e comparação.

questionável

no discurso

tanto

quanto

(as descrições

deixaria



a partir

das

teórico contemporâneo. possível

o

de dados de cam-

escaparemos

Permitam-me

inicialmente

da Nova Guiné,

De fato,

de algumas

de equivalências,

descrições.

método compa ra tivo

e do fato de

tornar

mais con-

por meio da discussão

e depois

a partir

das

de meus

de meu material

a plica do a os da dos dos Ba kta ma n

Durante

meu principal

Guiné,

em 1968, dediquei

período

de trabalho

minha atenção

dos Baktaman,

Baktaman

foram o foco da principal

também

que aquelas

composta

primevas

então

na Nova

sobretudo

de 183 membros. descrição

1975). Seu mundo

(Barth

183 pessoas e o território

mo nas condições

de campo

e meu tempo

única comunidade

para comparação. os antropólogos

sem unidades

sem a possibilidade

comparativas

válidas? Já é mais do que tempo contemporânea

de realizar

e análise que

que elas reivindicavam,

existentes.

à Os

era mais amplo Minha

190

tornará

social e cultural;

evidente

sua impor-

consideravelmente

envolvia várias diferenças

culturais

para os próprios

ta tanto

quanto

espiritual

tringi

ra-

Assim, a rede de relações

ciais significativas seu mundo

uma

cuidadosamente

estendia-se

operações

de empreender

na antropologia

que por lá passaram.

viáveis de

que nos force a reconceptualizar

o papel da comparação

tantes cipei

as conceptua-

das) cultura s e socieda des como

crítica

que repensá-Ia

comparar

fiz posteriormente

"I

acredito

também

para o estabelecimento

só podermos

em distinguir

feitas entre tais unidades.

tra ns-cuhura is

essa distinção,

mas creio que não pode-

que consiste

a um conjunto

interna s

envolvem

do

mes-

participação

dezyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA uma socieda de ou uma cultura em sua vida e em suas atividades levou-me a visitar outras comunia utilidade de tal tipo de dades vizinhas, além de ter me posto em contato com alguuns visi-

e portanto

dicalmente

etnográficos,

o esquernatismo

cretas essas observações

antropológicas

Não

sobre Bali.

macroscópica

os organismos

para dissecação

comparação, teórica

entre materiais

dados de campo

suas possibili-

que os constitui

de fato, bastante

e separados

Isso, porém,

e análises antropológicas.

mais incômoda;

críticas encontradas portanto,

dificuldades à

às restri-

e o caráter

ser separados

chamada

foi uma unidade

persistentes lizações

como objetos

abandonando

atomizados

da anatomia

Na anatomia,

material.

comparações

mos mais sustentar po e as comparações

para trazer

mais auto-evidentes,

do corpo e os órgãos podem

das descrições

entre a análise das formas

de uma diferença

com a constituição

os objetos

por uma substancialidade

,\

é a existência

comparados.

representam

drasti-

e os pressupostos sobre

tância na constituição

subseqüentes.

comparativas

relacionada

dos' objetos'

dividuais partes

comparativas

teó-

parece-me

estar atentos

COMPARATIVAS NA AN'\USE DOS DADOS ANTROPOLÓGICOS

há dúvida de que todas as nossas análises os

as descrições

estatística

impõem

entre as operações

restringirão

em agrupamentos

de referência

Finalmente,

na antropo-

de subdividir

Precisamos

que

Enquanto

Por exemplo,

de uma dada descrição

dades de uso para análises

Creio

as premissas

essas descrições

comparativas.

e então fazer testes de correlação

tona ligações ções

comparativo semelhante.

forem descrições,

,~ zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA interprerativistas ou estruturalistas 1"11

que ela estuda.

uma compatibilidade

ricas sobre as quais se baseiam camente

MnODOLOGlA5

(e sim para alargar

o foco de minha

tradicional

do estudo

do a interessar-me institucionais

material.

atenção

por

situadas

eram parte da construção

para além da comunidade, e de circunstâncias Baktaman,

participação

em função

e relacionar-me de seu mundo.

191

nele),

dos limites com

de vis-

os limites

pessoas

de

não res-

do formato

de uma' comunidade',

além dos limites

e

físicas e so-

de um ponto

Sem transgredir

minha

antropológico

de que parti-

passane formas

físicos dos Baktaman,

que

r=REDRI~ BARTH

Fui mais longe: em minhas construí pectos

um conjunto tornou-se

MnODOI.OGIAS

reflexões

consideravelmente

do e tentado

participar

informações

surgidas

em outros dizer

até os limites eu também

lugares

daquela

multicêntrica.

região da mesma maneira

rava conhecer

a comunidade

Baktaman.

uma área um pouco

diversidade,

para além dos limites

das permanentes circunstâncias

deficiências

forços na exploração expedições

desse campo de diversidade:

bacias dos rios Fly e Strickland, mento

sobre

mundo

conhecido

-

comunidades

pelos Baktaman.

ainda que grosseiros,

tos -

serviram

geograficamente superficiais,

de campo

não me permitiram junto

-

habitantes.

preliminar,

transculturais de lugares

do

coletar

porém,

meu objetivo

descrição

fosse

ou seja,

básico não era o de

dos rituais

Baktaman.

a observar

e descrever

com mais precisão

de variação

local e a

ajudaram-me

as particularidades

O fato de saber Baktaman

um mapea-

da diversidade

dessas dimensões

entre os rituais

O foco era enten-

No entanto

incompleto)

Baktaman.

de outras

alguma

e os rituais

das

coisa sobre

e as reflexões

rente nos primeiros,

ou sobre o que neles havia sido diferente

que poderia

diferente

entre um conapenas um

uma estratégia

de

ao longo de meu trabalho

em

que isso permitia tornar-se

conceptualizar dadeiro

as formas

fundamentação formar observar

existentes

um tanto

e aguçar

minha

e documentar

fazer sobre o que poderia em breve, ajudaram-me

valor dessa perspectiva

entre os Baktaman.

a respeito

ser difee o

a perceber

e

Qual o ver-

da variação, que tem uma

fraca? Em primeiro descrição

as

de povos vizinhos,

escrito

com

em

para analisar

'representativa'

de algumas

diferenças

de descrições

ou interconectadas.

(reconhecidamente

rituais

a descri-

à covariação,

tendem

construção formas

para facilitar

e incomple-

que eu vira ou ou-

eu adotava

que havia sido desenvolvida

das

esses dados

ou dos quais eu encontrara

Ao contrário,

der os significados

à cons-

progressivamente

da bacia dos rios Fly e Strickland.

mento

I).

para mim? Certamente

tratavam-se

vira falar apenas brevemente, pesquisa

197

fazer comparações

de 'sociedades'

ou alguns

artigo

comunidades

transformadas

por sua vez, abre caminho

os Baktaman,

duas

distantes

pouco confiáveis

(Barth

Qual o valor desse material

bastante

e

Através desse

da variação: a dife-

Um conjunto

características

fazer com que a minha

conheci-

Os dados que consegui

para um primeiro

base nessa pesquisa

algum

dimensões,

ser interdependentes

Entre

levando

de dimensões de va ria fã o

forma observada.

e es-

do território

obter

dessas

1959).

analítica

ser conceptualmente

de variabilidade,

determinadas

podem

de

fatos

acompanhei

considerável

e consegui

co-

tempo

termos

de Swat (Barth a utilidade

podem

de um conjunto

ção de qualquer como

Apesar

dos

optei por investir

parte

que procu-

unidade.

do meu conhecimento

que atravessaram

co-

como um campo

de uma única

locais dos Bakraman,

em um campo

de uma

perceber

e a diversidade

trução

Isso possibilitou-me

maior, tomando-a

rença

ou dos Pathan,

consegui

interpretava

Vale dizer, tentei

lugares naquela

1953)

processo,

de seu mun-

região,

nhecer outros nhecer

(Barth

as-

mais amplo que o deles. Além

de sua construção,

que se poderia

aos poucos

locais, que em certos

de, por assim dizer, tê-Ias acompanhado

maneira

particulares,

de conhecimentos

COMP,'RATIVAS NA ANÁLISE DOS DADOS ANTROPOLÓGICOS

e análise

mais detalhadamente

lugar, serviu para indas formas

que pude

entre os Baktaman

em

1968. Em segundo lugar, serviu para me dar pistas e propiciar inde maior escala, qual seja,zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA busca r a diversida de. Em ocasituições sobre quais eram as características mais importantes e funões anteriores de trabalho de campo, havia pensado inicialmente damentais dessas formas entre eles, e quais eram apenas caracteríssociedades que

o objetivo

representatividade: ralização região

dessa

idiossincrática

era lidar

como assegurar

ou projeção a partir

estratégia imprudente

de algo ou singular

que

com

o problema

a não ocorrência sobre

talvez de uma

outras

fosse

uma

determinada

da

de uma gene-

comunidades

da

característica aldeia

curda

ticas triviais tuito

e insignificantes,

ou a um momento

ticas que parecessem

associadas

a um evento histórico

no fluxo de variações

ser compartilhadas

diferenças

que se correlacionassem

terísticas,

ou que parecessem

livres. As caracterís-

mais amplamente,

com diferenças

ser consideradas

for-

em outras importantes

ou as caracpelos 111'

192

193

FREDRI~

Baktarnan.

eu tenderia

contrariamente,

a considerá-Ias

eu tenderia

MnODOLOGIAS

BARTH

como parte do primeiro

a deixá-Ias

de lado, classificando-as

pesquisador

po: como as várias performances diferiam

o faz durante

por diferentes terpretações

pessoas?

participara

participantes

na condição

diferença

e relatos

dos Baktarnan

baktaman

e não sobre 1975).

e detalhado

as iniciações

Mas a metodologia

IzyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA parei cada relato de L f! '1

~ ~

~I [tI. ~:1 ~!

:V

:r :i

interpretações dera a iniciação;

realizadas

covariações

qual a posição

rituais,

compreensão

das iniciações outros

ou grande contínua

e se

no presente

e

o que eu sabia e sua von-

desse informante. que essas com-

perspectiva

1987).

dentro

trata-se

em muitos

nos atores

ou entre

elas.

para uma in-

a nenhuma

de variação

centrada

ern decisões apresentados

que servem

de símbolos e lugares

que assume

(1987:31-7);

que afetam

estabelecer

um conjunto a) variações

semelhantes b) variações

das leituras metafóricas

,t

195

sua

apresentadas

para descrever:

e

uma

comparativas

explicitamente

e o grau de abstração

posição

dos trabalhos

e nos parâmetros

de dimensões

representadas

dizer se esse

de uma metodologia

de variação

tal como a abordagem

in the ma kil1g permitiram-me

contextos

desenvolvidas

de sociedades

em Cosmologies nas conotações

vez como Frazer

Não saberia

não se vincula

:1

194

as bases para compa-

pela primeira

ação. No meu modo de ver, as operações

especificidade

entre, ou ieja, entre

sua força e utilidade.

ainda que se trate de um método

centrada

as pró-

comparativo.

exemplificada

neste Simpósio,

1992),

arbitrá-

feitas em várias partes da região

importante;

comparativo

em particular,

estratégias

rentes

das comparações

perder

a natureza

e o caráter

(Barth

forneceu-me

faz uso de um campo

de caráter

paraçõeszyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA interna s não podem mais ser, do ponto de vista IÍleto4okSgko, como diferentes

de comparações

Esse método teórica

tempo

1986)

e

baktamans)

Se reconhecemos

sociedades

(Barth

in the ma king

que simplesmente vestigação

existen-

(183

em 1982, subseqüentemente

em Cambridge

lugares

(Barth

não importando

que eles pertencem

Lecture

que não considero

igual: com-

designado,

apresentadas

trata

;~.

1

feitas entre

de Ok, na Nova Guiné, em Cosmologies

o relato

qual o grau de conheci-

ainda mais incisivamente

para as comparações

seja pequeno

rações mais amplas entre iniciações

questão

o grau de confiabilidade

(que pode-

prias idéias de dentro e entre parecem

as características

a iniciação;

entre

de com-

método

(Ingold,

Mais tarde essa constatação

entre as formas

bem como

distinções

não pode

chamadas

e outro

de Swat).

na cultura

Trabalhan-

feitas entre objetos

(geralmente

pertencer

e entre

de cultura,

para as comparações

(500 mil pathans, da variação

diferentes?).

ao qual consideramos

estudo

quais as diferenças

(quão

casos e vozes de um grupo

dos Baktaman.

em si permanece

um relato verdadeiro;

Hoje, eu argumentaria

ao qual eles consideram

nesse estu-

social do informante,

e percepção

e as in-

ou relato

em que lugar e há quanto

que indicasse

feitos

entre

de que distância?)

ou sociedades)

que o grupo designado

ANTROPOLÓGICOS

concepção

e mais contrastivos

entre culturas

diferentes

perforrnances

elaborar

sistemáticas

em que havia ocorrido

tade de fornecer-me

eu tentava

inst itucionais de uma moderna

Quais

ou entre os de duas ou-

nesses

comparativa

por exemplo,

sobre essa pessoa mento,

possível

dos elementos

de cada contexto; no momento

porque

(a partir

ríamos chamar de análise detalhada)

não veJo

entre uma performance

modo a evidenciar

tes entre eles, e busquei

parações

em que eu

aí envolvida,

de diferentes

comunidade,

foram diferentes

contextos

rio das nossas

Os usos que fiz dessas comparações

mais perceptivo

r

e aquelas

e os de uma outra

do específico

entre os relatos

de noviço, e quais as diferenças

entre as comparações

tras comunidades.

ocasiões

sobre as iniciações

esses relatos e aquilo que eu observara? Com relação à operação comparativa qualquer

diferentes

mais distantes

de cam-

de iniciação?

sobre as mesmas

Quais as diferenças

de outros

o trabalho

entre os relatos feitos por

momentoS

entre os relatos

não tão próximas

haver um mitod» compa ra tivo

'in-

rituais que observei entre os Baktaman

sobre os diferentes

eram as diferenças

mesmo

realizava comparações

entre si? Quais eram as diferenças

diversas pessoas

na

situações

do com os termos

segunda categoria. Ao mesmo tempo, eu constantemente ternas', como qualquer

caso;

COMPARATIVAS NA ANÁLISE DOS DAnos

em difequantc utilizadas



FREDRH,llARTH

COMPARATlVAS

METODOLOGJAS

pelos participantes

(ibid.:

38-45)

uma visão do tempo

e da história

; c) variações

(ibid.: 46- 54). Tornou-se

vel, então, testar

uma construção

mo de mudança

(ibid.: 24- 3O), tendo

variações

descritas.

na elaboração

teórica

Essa construção,

do processo

ela é introduzida

cação do modo

e não outras,

Assim, a operação e mais restrita

comparativa

do que normalmente

conduta

como expli-

perceber

em Bali", de Geertz

o texto

(1966/1973),

mais

único

"Pessoa,

parecera-me

tempo

aceitar e

inspirador

muita

tradicionais

da existência

de balineses

que esses muçulmanos análise comparativa acontece

quando

do mudam

pelos balineses tamente)

de algumas comunidades

muçulmanos ofereciam

os balineses

assumem

se tornam

descntas

a estrutura

de tempo

aos modos

islâmicos;

ou seja, quan-

as formas e adotando

quando

lunares muçulmanos;

e história

inerente

à etiqueta.

(supos-

trocam

seus

e quando

inicialmente descobri

gurus,

meu trabalho

escolhido

de campo,

muçulmana

modo

para realizar

que é muito

que havia diversidade:

196

descrever

importante

em

reconhecer

minho

para esse tipo de teoria. ser usado

como

campo

de diversi-

da Nova

das dimensões explicativas

das formas

Guiné,

a

de variasobre os Acredito

modo

a partir

específicas

que uma teoria

de uma descrição

ao campo de variação

Como

uma provocação',

197

e dis-

que esses insights não surgem

não surge espontaneamente

a pesquisa

de

o posicionamento

e que as geravam.

entre elas, do mesmo atenção

tipos

sociais na qual eles estão

hipóteses

a partir de uma destilação

Dedicar

os vários

nesse complexo

a essas variações,

dos fósseis.

pode

um

após longa

que acumulam

e comparar

e a identificação

formas

no norte de Bali existia

e cren-

social das comunidades entre

que no caso do material

que eu e Unni Wikan de campo,

de aldeia;

de variação,

produzido

e feiticeiros,

por si mesmas

subjacentes

simplesmente evolução

e

leis costu-

seu uso. Não foi fácil campo

as diferenças

'comuns'

da diversidade

da pessoa e tanto

alternando

e as organizações

pessoas

ção não produziram

os

realizado

muçulmanos

de conhecimentos

da organização

especialistas

Por fim, tento

Do mesmo

processos

graus

entre si, com os quais até mesmo

ele. O resultado,

também

conhecimento,

descrição

hindus,

esse tumultuado

às variações

das diferentes dade cultural.

usadas

ao Islã? Quais

à construção

tribuem situados.

entre

para cada comunidade

manejar,

abertos

Destaco

gama de diferenças

prosseguia

como fora da comunidade

rapidamente

deixando

o que

de conduta?

Conforme havíamos

muçulmanos,

por Geertz,

balineses por calendários

efeitos disso no que diz respeito

dentro

muito precisa e interessante:

os Ahrneds e Mohammeds

calendários

de realizar uma

poderia

lutar contra

atenção

intelectuais,

no norte de Bali. Pareceu-me

de nominação,

hinduístas

Além

aparentemente

uma oportunidade

convencional

seu sistema

hinduístas.

exaspera-

Ba lir us« wor lds (Barth 1993). Nesta, dou foi a monografiazyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

gestação, de aldeia.

entre os balineses

comunida-

de Bali pareciam

conceptuais

distintos

de braços

em diversas

e leigos; entre as diferentes

de referência

vez de tentar

calendários

disso, soubera

e tradicionalismo;

indivíduo

apenas dados específi-

entre urbano e rural; entre diferentes

vezes específicas

entre quadros dessas análises.

com o tempo,

sobre a região de Ok. Os con-

no norte

diversificados:

muitas

em sua descrição da coerência entre sistemas de status e de norrunação, e regras de conduta

interessantes

ças profundamente

de uma análise compara-

moldes:

comparáveis

Bali Agas; entre especialistas

todas as implicações

,\NTROPOLÓGICOS

que eu poderia,

des, tal como havia feito no estudo

meiras,

DADOS

por exemplo,

de iniciação

de modernidade

de campo em Bali em 1983, ainda

nos seguintes

que eu enfocasse, rituais

doramente

mais abrangente

de diferenças

DOS

como um amplo campo de variação. Nesse caso, seria pouco

cos sobre trastes

foram geradas.

tempo

Na época, tinha em vista algo mais próximo tiva convencional

das va-

se esperaria.

comecei minha pesquisa

não tinha conseguido

delimitar

com o ma ter ia l sobr e Ba li

Oper a ções compa r a tiva s Quando

é ao mesmo

uma multiplicidade conveniente

o arco das

não é derivada

riações de forma que foram descritas; em que essas formas,

possí-

ou mecanis-

como parârnetro porém,

de

NA ANÁLlSF.

digo em Ba linm que incentiva

e da da das

abre ca-

wor lds,

a busca

isso de

"'zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA FRE[)RI~

teorias;

além disso, uma gama claramente

ajuda bastante

a demonstrar

que a mera descrição teorras. Assim.

a falsidade

da variação

MIiTODOLOGIAS

descrita

de certas teorias.

formal

ao passo

não é capaz de produzir

de uma diversidade

de formas

como

de qualquer

teoria a respeito

mecanismos

demande

de processos

que aborde

dessa gama de formas, tais teorias.

Inicialmente. dos fenômenos estarnos

sugeriria

ainda que a operação

que é preciso

no caso das modernas

usados

por seus praticantes

especificamente

acima apresentada.

DOS OAOOS ANTROPOLÓGICOS

tes tópicos

descritiva

o que são os objetos

preocupados?

A diversidade

no norte de Bali, e que. conforme era consideravelmente

com a

rentes formas

de conhecimento

como

sugere a listagem

tumultuada,

parecia sem-

em constante

mudança.

círculos

de balineses,

na qual pude comparar

o edifí-

Um enfoque de diferen-

proporcionou

e caracterizar

uma vez mais. havia operações identificar

os parâmetros

dife-

e contestações

resolvidas

dentro

comparativas

relativos

de conhecimento,

discrepantes

variáveis)

e

e de sua produção.

nas transações

afirmações

(em graus

e com isso moldam

eram julgadas em Bali. a respeito

abrangente

comunicação

pragmáticos

das afirmações

de validade com os quais as diferentes

e pelos diferentes

Nesse ponto.

com os

campos.

sempre

sobre os critérios

jogo. Eu precisava

determinam.

ha rd scientes, os critérios

uma categoria

sobre a ontologia

de conhecimento

para julgar a validade

em seus respectivos

formas de conhecimento

nos voltar em busca

refletir

da produção

mesmo

semelhante

que estão ocorrendo?

que são investigados:

qual me confrontei

os possíveis

Mas para onde podemos

de idéias sobre os processos

quais

institucionais

cio do conhecimento,

um

campo de variação não induz por si mesma a produção geradores

contextos

de variabilidade

declarações a ordenação

COMPAR,\TIVAS NA "NÁUS~

11,IR1H

ao poder

através eram

em e à

do modo

trabalhadas

de cada círculo

e

e tradição.

Partindo de busca mais convencional. weberiana, das fontes de auconhecimento que as pessoas emem relação aozyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA toridade que sustentavam as posições de status encontradas nas pregavam em suas ações sobre o mundo e nas interpretações que dele diferentes tradições institucionalizadas (sacerdotes. brâmanes, imãs, faziam. Mas o conhecimento como modalidade da cultura, por sua médiuns. feiticeiros. estudiosos, professores. líderes de aldeia. esvez. é moldado por processos de reprodução e de fluxo: é ensinado. pecialistas rituais. mães etc.). comecei a me perguntar quais eram os aprendido. emprestado e criado. Pode se presumir que os processos critérios específicos e restritivos de validade aplicados dentro e entre geradores de variação no norte de Bali sejam precisamente aqueles os círculos de especialistas e participantes. que usavam e produziatravés dos quais o conhecimento da população é mantido. ou seja. am os diferentes corpos de conhecimento. As descrições das desitransmitido. reproduzido e modificado. gualdades. convenções e procedimentos através dos quais era O passo seguinte foi observar os eventos de reprodução e fluxo estabelecida a validade nos diferentes círculos de participantes, por em sua diversidade local: descrevê-los com grau suficiente de sua vez, sugeriram modelos para compreender a reprodução, o fludetalhamento para que me fosse possível compará-I os e contrastáxo e a amplitude de variação do conhecimento gerado por cada uma los, e também estabelecer as dimensões de variabilidade adequadas dessas tradições. para caracterizar as diferenças entre eles. Uma vez que em princípio O passo seguinte foi examinar não apenas o pertencimento os problemas enfrentados por toda e qualquer tradição de conhecicruzado e a posição das pessoas em uma mulciplicidade de círculos mento devem ser homólogos, voltei-me para - comparei - os tracom diferentes graus de restrição à entrada, como também as relabalhos de sociologia da ciência. em busca de idéias a respeito de como

pre envolver diferenças

essas outras formas de conhecimento O trabalho

Vida de la bora tório.

ta de maneira

convincente

são produzidas

de Latour e Woolgar que as diversas

198

(1979).

estruturas.

ções e transações

e reproduzidas.

com o público

argumen-

convenções

e

de especialistas mais amplo,

uma chave para a sustentação

autorizados

pois esses aspectos desse complexo

199

com seus clientes pareciam e mutável

e

oferecer campo

de

I I

I

FREl)RI~

diversidade

cultural

BARTH

em termos da população

como um todo, toman-

do a região em sua integralidade. Todavia, em certo sentido, zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA vários passos sucessivos método

comparativo

são parte de uma outra

faz parte sem sustentá-Ia

esses

história,

da qual o

de maneira

indepen-

dente. Outra vez, vê-se que as operações

comparativas

ralizadas, e talvez também mais restritas,

do que tendemos

Entrevista"

são mais genea imaginar. Lask: Gostaria de saber um pouco sobre sua vida para entender

o luga r

da compa ra çã o

por que você escolheu a antropologia:

como método a ntropológico

onde você nasceu, a

história de sua família ...

Argumento turais

que o modelo

usado

para conceptualizar

excessiva

freqüência,

tras disciplinas, mentais

pelos antropólogos

o método

e não alcança o verdadeiro

tropologia.

comparativo

em um esquema

e que não dá conta

e exemplarmente

comparativos

desse autor

sobre a comparação

nha opinião,

em vez de tentar

casos,

realizadas

mente possível

independentemente, comparações

isso, conseguimos sas descrições descrições método

comparar

escapar

das formas

sociais

ção à diversidade ativamente

de diversidade

e à variação

conseqüentemente,

que estudamos.

de perspectivas as análises

teóricas,

quando Meus

aqui, durante

Na mi-

de dois ou mais

de reificar

ao dar grande

aten-

[colegial],

naquela

através de pesquisa que cruzam

as dimensões

da nosssa

própria

As análises resultantes comparativos

de cam-

um campo

de variação descrição

podem

e, dos

em vigor. Chigaco

em Chicago

foi passada convi-

e, como eu terminara de ingressar

na univer-

em 1946 e a lei dos GI

era uma universidade

de estudantes

maduros,

especiI

acabara

maravilhosa,

adultos,

muitos

com deles

de classe social mais baixa, que sabiam que sua única chance

de acesso à educação

era aquela. Era um grupo

estimulante.

meu interesse dos. Decidi meu interesse

Fiquei

lá durante

com muita vitalida-

três anos. Meu interesse

curso que jamais terminei.

era pelo campo mais amplo da evolução entrar

no departamento

pela evolução

humana.

de antropologia Ali, recebi

Nessa área, dos vertebraem razão de

uma formação

úteis para

. Entrevista realizada por Tomke Lask com Fredrik Banh, em seu escritório no Museu Etnográfico em Oslo, no dia 26 de novembro de 1995. , N. do T. G ovemment educação superior.

200

para casa,

ser utili-

a partir de uma ampla gama

e talvez sejam particularmente

processuais.

voltamos

tinha um lugar maravilhoso,

época. Estávamos

uma nova geração vindos

nos Esta-

da qual me lembro

tive a oportunidade

de entrar

para os

passados

a guerra. Após a guerra, meu pai foi novamente

Foi o que fiz. Chicago

nosum

D. C. Em seguida,

o Cymna sium sidade. almente

assim alcançar

de onde

um mês, e aí fomos

visitante

Com apenas

na Alemanha,

anos foram

dado para ser professor

inicial foi por paleontologia,

a estabelecer

eu tinha

primeiros

obtidos

as dimensões

zadas em ou~ros trabalhos

Unidos.

ou, mais do que isso, ao buscá-Ias

meios. Essas comparações

ajudam-nos

1954).

e de comparar

e penetrante

Estados

de, muito

nos dados primários

po ou por outros

fenômenos

mais versátil

mos da Alemanha

de modo que a infância

a discussão

Meu pai era professor nasci

Stipendia t [bolsista]. Aparentemente, saímeu pai era, na época, umzyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

na Noruega,

usar o mais ativa-

Podemos

acadêmica. Na verdade,

ou Socia l orga ni~tjon

gêmeos

e culturais

em um família

e de bioquímica.

em Washington

descrições

dos problemas

Cresci

dos Unidos,

na análise de cada caso específico.

em vez de dados primários. comparativo

mais

Barth: geologia

tais como

(Eggan

devemos

na an-

aos estudos

ver também

controlada

de ou-

mais funda-

na literatura,

(1952),

O) -

(195

com

da comparação

inclusive

Witchcra ft in four a frica n sotietits, de Nadel of the Western pueblo de Eggan

copiado

das dificuldades potencial

e cul-

baseia-se,

inadequado,

Essa crítica pode ser dirigida

explicitamente

sociais

lssu«.

Lei que facultava aos ex-cornbarentes

o acesso à

FREDRIR BARTH

bastante

abrangente,

e rapidamente

à cultura

longo prazo, me dedicaria

ENTREVISTA

cheguei

à conclusão

de que, a

sociais, e não à das

das ciências

ciências físicas.

Ao mesmo

tempo,

porém,

nido pelo sufixo

"ista",

Lask: Gostaria de saber mais sobre as pessoas, sobre os

nar uma determinada

professores que foram importantes para sua formação e para

bois.

a visão que você passou a ter da antropologia.

Barth:

Em certo

sentido,

meu pai teve influência

também gostava de fazer mapeamentos eu era menino, maneira

me levava junto.

leve e ao mesmo

pela interpretação

geológicos

Isso acabou

tempo profunda,

científica

do ambiente

profunda,

pois

criando

em mim, de

um interesse

mais amplo

físico. Acho que foi aí que

não cheguei

a me ligar a nenhuma

de ter um mentor. em função

pessoas

do que ele escrevia.

Fui para Londres

um ano. Lá, porém,

bou se tornando

algo como meu mentor.

conhecido.

Quando

Schoo/ o] Economics] . Fiquei

telectual

uma bolsa de doutorado onde ele trabalhava, Costumo trabalho

e me tornei

principal

orientação

entendê-lo. procurado

Nunca lugares

reunir em termos

mais tarde,

Barth:

Se quisermos

de ver o mundo,

que possa

logia. Muitos

dos

Noruega

tempo

e grande

distinta

das grandes

toda população

quando

tia por essa variedade. periência

experiência

é sobretudo

fui moldado

ver o mundo

que pudesse

estudar,

e daí uso tudo

o

mais Minha

de campo.

de grandes

nações

Então, é mais ou menos Por outro

de diversidade

cultural

a esse respeito

para uma direção

curiosi-

Para mim, isso rena

modos

de

anticolonialista,

européias.

uma

uma identidade

Na nossa

cultural

ideologia,

de criar sua própria que surja uma simpa-

lado, contudo,

na Noruega,

tem sido tão limitada

e a opinião

culturais

e outros

e temos

esperado

pela antropo-

diferenças

uma motivação da Europa,

deveria ter a liberdade

identidade.

tive muita

interesse

sobre o mundo

tenhamos

com sua força inconsegui

pesquisas

a ausência

na periferia

diante

um grande

curiosidade

vida. Talvez também

... Sempre

gostam

Hoje, há uma nova geração de antro-

e também

desenvolvem

vez que estamos

uma teoria

pública

a ex-

que há mui-

muda facilmente

crítica.

Lask: Quando você começou a estudar antropologia,

havia

algo semelhante a isso na Noruega?

e tentar

aplicar. Tenho que consigo

algo sobre esses lugares.

Lask: Certamente temos mais liberdade quando não temos uma teoria em mente. Mantemos nossascabeças mais livres ...

202

na Noruega,

Leach quem aca-

relação com meus professores.

de teoria para esclarecer

na frente

acho que os noruegueses

eles são exploradores

a fim de estudar

[Londol1

especular,

dade sobre lugares diferentes.

ta ingenuidade

tem sido prioritariamente busquei

Firth

seu aluno.

que minha

é de fato pôr a carroça

Noruega não é um país de tradição ou história colonialistas, ao

flete ao mesmo

fui para Cambridge,

e sinto que em certo sentido

por isso do que pela minha

no sentido

ele estava na LSE

impressionado

Assim,

mas

Na época, Leach era mui-

do governo da Noruega,

dizer, todavia,

de campo,

foi Edmund

cheguei,

muito

e sua originalidade.

interessantes,

pela figura de Raymond

com ele durante to pouco

muito

delas em particular,

Eu me interessei

e que estou lá para obter dados para ilumiteoria,

se normalmente antropologia tem a ver com colonialismo, e a

pólogos havia diversas

que sou algo que pode ser defi-

menos nos tempos modernos?

no verão, e quando

começou. Em Chicago,

imaginar

Lask: Por que um norueguês se interessaria por antropologia,

bemzyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA ha rd science, que preferia o laboratório,

apesar de ser um geólogo

tudo

Barth:yxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA É óbvio achar que alguém possa não ter nada em mente ...

Barth:

Praticamente

infeliz, quando

voltei da América

dido antropologia, uma pequena polgante Resultado:

nada. Lembro-me e um amigo

entrevista

campo

comigo.

de estudos,

um professor

de ter criado

todo entusiasmado meu que estudava

um incidente por ter aprenjornalismo

Falei sobre a existência

que não estava presente

de anatomia

203

fez

desse em-

na Noruega.

que se considerava

antro-

I

FREIlRIK BARHI

EI'ITREV1STA

pólogo ficou bastante indignado que eu tivesse dito que não tízyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA nhamos

antropologia

na Noruega

fundador

da antropologia

Barth: Em um sentido de gente, todos mesmo

interesse.

original.

Por razões

se desenvolveu

muito

Por volta de 1960-1, mento mado

estamos. Tínhamos

daqui,

de fundar

vez. Antes,

e estava

associado

pouquíssima

tradição

foi com o departamento

de antropologia

a este

não

não me sobrava

museu

de trabalho

era cha-

líticas

em que

um campo

de campo,

É verdade.

recebido

Isso

e

social em Bergen que tudo

uma certa formação

nesses lugares

na América

que buscava minha

Uma vez que tinha

e depois na Inglaterra,

inspiração

e onde estabeleci

ções com meus colegas. Além disso, sentia forte convicção antropologia

deveria ser uma disciplina

nal, e que um dos trabalhos senvolver

um grupo

aulas durante

de antropólogos

com colegas

de outros

construí

uma rede internacional

países

busca de crítica e inspiração.

e para qualquer

204

dei

cultivar

de modo

consideravelmente outro

rela-

para deAssim,

ou para os Estados

francês

línguas

bastante.

norueguesa

para o trabalho

para aprender

político

no Iraque.

acontecia.

arqueológica,

trabalho

mas continuei

de plataforma

para as minhas

estrutural-funcionalista

idéias.

para os atores. mais próxima

tece entre as pessoas.

Na verdade.

abordagem

estruturalista

um pouco

do pensamento

e uma

para entender

o que

e o sistema

se tornou

uma

à an-

Eu me opunha

e desejava uma teoria do que realmente

eu me opunha,

digamos

em geral. e isso acabou antropológico

de

e dramático.

de Weber

britânica.

po-

Tratava-se

a ação humana

desta ação. O trabalho

como

por questões

complexo

era entender

e mais a de campo,

Fui para lá por acaso,

não teria sido adequada

Meu interesse derivado

volátil,



mais uma língua.

na região tribal do Curdistão.

bastante

pois

aconassim, à

me distanciando

francês.

de que a

no Sudão, e tentei

de relações

ir para a Inglaterra

era contribuir

que visitei,

era

internacio-

não-ocidentais.

um ano em Khartoum,

relações

pla. Costumava

verdadeiramente

a serem feitos

tempo

e de dominação

tropologia

em diversos lugares do mundo ... natural.

pesou

Com minha origem outras

em uma expedição

visão estruturalista

espécie

como professor em muitos lugares,

foi bastante

de idioma

foi no Curdistão,

mais orientada Barth:

para você

Houve também uma opção teórica. Meu primeiro

político

em muitas universidades

muito

como osteologista.

um departa-

formalmente.

Lask: Mas você trabalhou

que a diferença de aprender

antropólogo

a de Oslo.

o que fazíamos

sucesso

antropológico

por lá e fiz antropologia social. Eu me interessei a denominaçãozyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

e acho que foi aí que usamos

de etnografia

começou

a oportunidade

Lévi-Strauss fazia bastante Não teria sido interessante

falava inglês fluentemente.

o papel de

a antropologia

universidade

Claro

necessidade

para esse núcleo

em certo sentido

acadêmicas,

na principal

Barth:

do

de passar por uma forma-

de pares, assumi

socia l pela primeira

internacio-

ou foi apenas a barreira lingüística que impediu esse contato?

sim. Havia um punhado

voltei, pude repassá-Ia

surgiu

em Bergen,

a ntropologia

histórico,

tipicamente

em um contexto

ter tido mais contato com o pensamento

social na Noruega?

Mas tive oportunidade e, quando

Nesse grupo

professor.

com seu estruturalismo.

mais ou menos da minha idade, compartilhando

ção sistemática

a antropologia

Lask: Na mesma época,

atual da antropologia

De outro modo. você se considera

puramente

para discutir

nal abrangente.

..

Lask: Você atribui o desenvolvimento na Noruega a seu trabalho?

quisessem

Unidos

que amem

lugar em que me

Lask: Nos Estados Unidos, você mantinha

contato

com Erving

Goffman? Barth:

Exato!

Conheci

Goffman

quando

eu era estudante

cago, numa época em que ele ainda era desconhecido. soa de grande

talento

e permanecemos

amigos

em Chi-

Era uma pes-

até a sua morte.

Lask: Por que você decidiu estudar os Pathan? Por que você não optou

pela antropologia

urbana

para' fazer etnografia

nessa

região? A Escola de Chicago tem considerável tradição nessa área! 205

WrREVISTA

I'REDRIK SARTl-1

Barth:

De fato,

porém

estava em busca

noVOS lugares ainda não descritos. cia séria de trabalho antes

de campo

em um pequeno

espécie de experiência ecologia

e política.

Observei

privada. então

Estávamos

em 1950 e, em termos

nada tinha

sido feito entre

branco.

Surgiu

lhar com os curdos, dio chamou

bastante

o mapa etnográfico de antropologia e a Índia.

da política

a minha atenção.

mo: em que lugar poderia campo? Obviamente,

era ideal. Lá vivia uma população

o mundo,

mas politicamente em Oslo o grande

as línguas

autônoma. especialista

indo-iranianas,

Morgenstierne. facilidade

Com

com línguas

nesse

da província em contato

do com

Além disso, por sorte, na língua

pashto

e posteriormente

tÍ-

afegã e em todas

e filólogo durante

professor

um ano. Tinha

pude verificar

seu uso na-

maravilhosa,

que me dei-

quela região tribal. Foi uma oportunidade xou muito

Mé-

a mim mes-

meus estudos tribal

o lingüista

ele, estudei

em

e traba-

no Oriente

noroeste

Paquistão nhamos

Médio

Então perguntei

a região na fronteira

da época.

Era um espaço

tribal

de fato aprofundar

por

social moderna,

de ir para o Oriente

e a dinâmica

Foi uma

Acabei me interessando

o Sudão

a oportunidade

em alguns

desde a infância.

feliz.

Guiné.

humana

região geográfica

para suas pesquisas de campo?

por esta

Gostei

decidi

muito

desafios

quais trabalhava.

Ir do deserto

interessante.

Nesse

e em algumas

partes

Jamais

quis deixar de lado qualquer

agora

é tarde

demais!

parte

A vida é uma só, demasiado

possível

fazer tudo ... Acabei me apaixonando

Oriente

Médio,

e trabalhando

em diversos

me a idéia de que não deveria me tornar [echar-me em um campo particular. gares. Trahalhei

no Sudão,

curta

mas

e não é

profundamente

pelo

lugares por lá. Ocorreuum especialista

tempo

regional,

de vida

ecológicos

com os

tropical

ampliar

sempre foi realizado

por tantos antropólogos?

ser estudado

lá?

Barth:

Bom, a decisão

lher. Tínhamos

parecia

um

meu objeto

de

na Ásia, na Oceania

no Cairo,

foi basicamente

e decidimos

não nossas

O que havia ainda por

de Unni Wikan,

nos casado e trabalhávamos

análises;

fazer nosso seríamos

juntos.

trabalho

minha

de campo juntos,

independentes

algumas

noções.

Em seguida,

áreas no território Guiné. rindo:

Então

surgiu

Bakhtaman

fomos

nesse sentido.

de revisitar

e em suas proximidades, momento,

mas A es-

e eu tinha

uma oportunidade

para lá. Nesse

mu-

Ela trabalhava

colha inicial foi Oman, pois ela falava árabe fluentemente

Unni

na Nova

me disse sor-

"VejazyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA só, fiz trabalho de campo em três lugares: nas favelas

do Cairo,

na escaldante tropicais

costa

do Golfo

da Nova Guiné,

Realmente,

no contexto

parecia

da literatura

preendentes,

e pensamos

quisa de campo haviam seguido. lugar se esgota

Árabe em Oman,

aldeias muçulmanas

sobre Bali, eram muito

que havia ali possibilidade

em Bali sem seguir o caminho Podemos

retirar

uma infinidade

de problemas

em que lecionava

em

certo modo, o desafio

agraque, sur-

de fazer pes-

que todos

os outros

desse fato a lição de que nenhum

em razão da presença

lu-

a Bali como

que era um lugar muito

essas pequenas

difí-

um lugar mais

fazer sentido ... Fomos

antropológica

e agora

onde a vida é realmente

vez, que tal escolhermos

para dar uma olhada. Diziam

outros

Tentei então buscar

ao mesmo

206

do mundo,

formas

da África.

dável, e então descobrimos

Barth:

para a floresta

sido estudado

turistas,

Sul?

além de me defrontar

os parâmetros tentei

e ir para a

Lask: Por que você resolveu ir para Bali, um lugar que já tinha

agradável?!"

você, por exemplo, pensou em ir para a América do

completamente,

ver diferentes

sentido,

escudo, porém meu trabalho

cil para nós. Da próxima

Em algum

pude

profundamente

desafio

mudar

desta iniciativa:

teóricos,

e alterar

nas florestas

Lask: Foi coincidência ou você optou conscientemente momento,

Nova

em seguida,

com novos

trabalhara

de treinamento

que conhecia

prática

experiên-

tenha sido no Curdistão, inicial

Khartoum;

procurando

Embora minha primeira

projeto

vales no leste da Noruega,

de aventura,

de outros

e questões

de participar

207

antropólogos.

a serem

levantadas.

de um debate quando

Há De

já há uma

FREDRI~ BARTH

certa

quantidade

quanto

de trabalhos

o de ir para algum

ampliou

minhas

fazer trabalho

foi bastante,

peito de nossa intrusão. logo estrangeiro,

descrito.

Portanto,

de campo

isso

antropológico.

Bagus, especialista bastante

sentir

que os especialistas

Permanece

a sensação

deveriam

em

De modo geral, tolerantes

a res-

de ser um antropó-

manter

território

distância.

por esses sentimentos,

Eu mesmo

mas jamais

em Bali estivessem

e de

cheguei

excessivamente

a

con-

li seu livro Ba /inese wor lds, o plural presente me chamou a atenção.

por exemplo, em "caráter balinês"

dos balineses.

familiarizada

acontece Ficamos

é completamente

diferente

cobrimos sentes

Meu trabalho

nas descrições.

descobertas

ferentes

maneiras,

a partir

sobre

em jogo: a dinâmica

em nosso

de que muitas trabalho

empíricas,

pareceu-nos porém

nos concentramos

208

tanto

para arribas.

coisas que des-

estavam

Bali, mas não recebiam

de fato pre-

a devida atenção

que estávamos

fazendo

Unni como eu, de di-

nas implicações

teóricas.

essa violência

teórico

e tentar

em relaAssim,

básico de meu trabalho

encontrar

empíricas

maneiras

de cons-

que não as distorçam

homogêneas.

Lask: Quando

li seu livro, sua análise me lembrou a teoria do

caos proposta

pelas ciências naturais, que pensavam A teoria

lidar com

em que tudo estaria perfeitamente

do caos mostrou

que há pequenas

variações, e que um sistema realmente

Talvez haja uma analogia, das ciências

naturais

e as enormes

estável e

em lugar algum. um paralelo

sobre

com as descobertas

a imporcância

conseqüências

da desordem

que isso pode ter. Apa-

Lask: Gostaria de tocar em outro ponto que me interessa

do que

misturou

e a criar desenvol-

por uma ampla variação.

de situações

de torná-Ias

nos sistemas

com você

teórica geral que desenvolvemos

Nesse sentido,

algumas

truir modelos

as variações,

a variação importante

que não cometa

acho que de algum modo o impulso

no sentido

trás

é

que nos in-

rentemente, há aí umzyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA insight que deveríamos apreciar e levar em conta em nosso campo.

mas

do que li em seu

em Bali provavelmente

com a verificação

empiricamente

na literatura

caracterizada

maneira

há duas questões

em Bali e a dimensão surpresos

ção à vida humana,

no campo

nessa região,

com a literatura,

livro. Clifford Geertz, por exemplo, não concordaria

a antropologia.

teórica

Barth:

muitos estereótipos

para

em meu

O estruturalismo

e da cultura

É extremamente

regular não pode ser encontrado

em relação a alguns fatos descritos. Na verdade,

a deixar

ver uma perspectiva

lI1teresses,

da variação.

da sociedade

no modelo.

diferenças,

Quando se fala,

Não sou especialista

nem estou suficientemente

no

como se houvesse

apenas um. Para mim, você desconstruía

Barth:

constantemente

zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDC em meus

a importância

de representação

organizado.

parece ocorrer o contrário,

como se ele fosse algo bem determinado,

o que conheço

de continuidade

sistemas muito regulares,

título imediatamente

a respeito

de enfatizar

tem sido mostrar

conosco.

Lask: Quando

desejo centiva

indonésio

receptivo.

na área têm sido muito

antropólogos

certa simpatia

foi um tipo

um modo

bem o fato de você

a idéia de que você tem seu próprio

tenho

mim,

homogeneidade

Ngurah

diria que os especialistas

trariados

jamais

ser tão grande

de campo lá?

balineses,

que os demais

lugar

pode

em Bali receberam

Bem, o professor

assuntos

importantes

idéias sobre o trabalho

Lask: Os especialistas

Barth:

ENTREVISTA

Para

especial:

sistemas

de educação

formal

de

e histórias

nacionais. Para você, qual é o papel da educação na construção da identidade era muito trabalhou

de um povo? Tive a impressão importante

para

de que isso não com quem

em Bafi. Elas têm sua própria identidade,

forte do que a identidade tenta implantar, certa?

conscientes

de serem

você

que é mais

nacional ou balinesa que o Estado

por exemplo,

Barth: Acho que sim. Cercamente crescem

as pessoas

por meio da educação.

a geração cidadãos

209

Estou

mais nova de balineses

da Indonésia,

e isso tem

')~

i't ",'zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA "

':l

~J

FREDRIK

Co'frRrNIS'I'A

BARTH

f 'r

relação

com a educação

que pude

averiguar,

pública,

com o sistema

ele está presente

dúvida alguma é muito poderoso

prévia de trabalho

que não haviam sido alcançadas Queria cimento

educacionais

generalizar

minha

e da aprendizagem

mas estatais contrados

modernos, no grupo

é muito

interessante,

conhecimento

cas, como também

e o sistema

um sistema

bém reproduzidos.

seja com os sisteporventura

Nesse

de educação

preocupação

de muitas

de

públi-

marcadamente

características

desviantes.

interessante,

com muitos

segmentação

no que diz respeito

Percebo

um padrão

tipos

de coletividade

Na ver-

versus sociedade,

apresentando

diver-

mais complexo,

rico e

reproduzindo

ao conhecimento

uma

quanto

de vida social em que essas coletividadiferentes

graus

de comunalidade. Lask: Trabalhar dessa maneira é uma opção complicada, pois

com a participação

pú-

a Cultura, e sim correntes de cultura, como você diz. De que

uma integração

modo podemos definir os limites dessas subculturas, como

ritual

determinamos onde uma cultura termina e outra começa? Há

religiosa.

mais informais,

a

papéis e compartilham

em diferentes

a noção de cultura torna-se bastante relativizada. Não há mais

culturais

a

um vasto campo organizado

tam-

zonas de transição? Há uma cultura entre outras duas, ou entre

Ba lituse wor/ds. AparenteemzyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA correntes de cultura, que realiza essa ligação? respeito simultaneamente à mesma Barth: Gostaria de abordar essa questão com a seguinte

são esses

empiricamente?

Como a sociedade pode se manter unida? Em uma sociedade

temporânea

fenômenos

Meu argumento de representar

tão diversificada, não haveria fortes tendências para o surgi-

"aqui estou eu, um Ocidental,

mento de processos de separação?

sando-se

Sim, de fato essa é uma maneira

de expor o problema.

vez nós, como antropólogos,

ainda pensemos

termos

E então encontramos

têm idéias diferentes,

tanto

ignoram

da diversidade.

e de pessoas

e do hege-

des se deparam

ção: como

juntas.

tempo,

do tipo indivíduo

monolírica

sas condutas

Lask: Como podemos encontrar ligações entre essesaspectos?

soas vivendo

da educação

há um sistema

e que, ao mesmo

dade, não se trata de uma questão

as representa-

havia

população.

de estrutura

da cultura,

Espe-

Por isso, o plural

mente todas essas coisas diziam

Barth:

para explodir

que sempre

importante

delas próprias.

Além disso,

para algo como

sistemas

Bali

tipos

de escolas

muçulmanas.

en-

sentido,

não só diversos

em toda aquela tradição

os outros

e

da sociedade,

nem de uma sociedade

indonésio

islâmico

co:1tribuindo

e dos jovens todos

coletiva

sistemas

pois lá encontrei

e sua enorme

E também

natureza

com que trabalhávamos.

a maioria

das crianças

fôra em áreas marginais, estatal

contribua

que pressupõem

realmente

pelo Estado.

seja com outros

nas comunidades

blica na vida ritual,

pensamento,

teoria, chegar a uma visão do conhe-

auto-consciente hindu

ções mais monolíticas

a outras

como no interior

ro que esse tipo de análise

mônico

que fosse compatível

tradicional

e sem

de conhecimento,

Isso era novo para mim, já

por esse tipo de atividade

geridos

tradições

Pelo

não elimina

ainda hoje e diz respeito

de conhecimento.

que a minha experiência pelos sistemas

em toda a Indonésia,

em Bali. Isso, porém,

o que já estava lá, que permanece idéias, outras tradições

educacional.

e ordem.

demasiadamente

É óbvio que elas são diferentes mas o fato de viverem juntas

sidade de se relacionarem.

Isso pode ocorrer

210

tanto

Talem

todas essas pesentre si e que

mente

então

questione

diferentes.

permanecer

implica a neces-

blema. usamos

Devemos

a diferença,

maneira

com o Outro",

fazendo

ser reflexivos,

tão dominante sobre

para descobri-Io,

211

con-

que afirma: pas-

Isso inadvertidacom que não se

de que se trata do encontro

nos perguntar

a nós mesmos

antropológica

dessa dualidade.

Precisamos

em uma posição

nos defrontamos

àquela

encontrando-me

a visão estabelecida

posições

entre diferentes

a pesquisa

à representação

acaba por dramatizar

com os quais é contrário

indaga-

de duas

mas não devemos

na construção

do pro-

o que está lá, sabendo Além disso,

devemos

que ter

r-RfiURI~ BARTH

EN"rRF.VlSTA

em mente que nossa experiência de estrangeiro entre eles não é tão

Do mesmo modo, deveríamos pensar a cultura em termos de pro-

importante quanto a diversidade existente entre eles. Ela já existe antes de nossa chegada, continua durante nossa permanência e prosseguirá existindo depois de nossa partida. Gostaria também de registrar a variedade existente entre aqueles que são reificados como Outro. Conseqüentemente, o proble-

cessos que ocorrem em uma população, sem nos preocuparmos tanto com a descrição do que seja sua distribuição. O passo seguinte será perguntar: "como esses processos se distribuem?"; isso, porém, é uma questão empírica, pois eles não se definem em termos de uma cultura ou região. Precisamos investigar e verificar como se

ma é conseguir conceptualizações que facilitem nossa compreensão desse fenômeno complexo. Não nego que o conceito de cultu-

dá sua distribuição. Descobriremos que certos tipos de coletividade social, certas formas de participação no conhecimento e na culra pode ser usado para designar uma variedadezyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA muito ampla de fenôtura têm distribuição muito diversificada. Observei isso de maneira menos. Acho, contudo, que a idéia de que há culturas, de que há mais clara no trabalho de campo que eu e Unni fizemos em Oman, unidades e subunidades bem delimitadas, distorce demais as coina cidade de Sohar, que tinha uma população de vinte mil habitansas, e surge de modo não questionado a partir de nossa própria sensação pessoal de deixar para trás um mundo e encontrar outro. Se você é balinês, você se vê como balinês. Há identidade, mas também enorme diversidade do que é ou não compartilhado no interior

tes, e para a qual convergiam muitos tipos de mundos regionais. Se você olha para o mundo de um mercador de Sohar, por exemplo, lá está o mundo marítimo do Golfo Árabe e do norte do Oceano Índico. Se você conhece um beduíno em Sohar, vê que seu mundo do que essa identidade abrange.yxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA É muito grande e rica a diversidade abrange essa mesma região costeira e o deserto. Se você olha para o de compartilhamentos que atravessam as fronteiras de Bati, passanmundo de um cristão que fala árabe, seu mundo é o mundo da do para [ava, para o mundo muçulmano e certamente para a Indonésia como identidade. Não podemos simplesmente delinear unidades como estamos acostumados a fazer na antropologia, chamando populações ou regiões do mundo de culturas. Isso não se deve à modernização e aos meios de comunicação atuais e a outras coisas desse tipo. Para mim, essa sempre foi uma falsa maneira de apresen~ tar os fatos. Recorro a uma imagem das ciências naturais que ajuda a explicá-Ío: se você conversar com os geógrafos a respeito do clima, verá que eles não definem clima separando uma região do mundo e depois caracterizando-a. Eles realizam medições em certos locais, e sabem perfeitamente que a temperatura, a precipitação, as estações e tudo mais variam de modo contínuo no mundo inteiro. Isso não impede a caracterização do clima de uma determinada região, mas isso não é feito em termos de fronteiras. Você o caracteriza em termos de algum tipo de registro de certas características em

língua árabe. Se você olha para o mundo de uma pessoa que fala Baluch (20% da população), obviamente seu mundo está ali e também no Baluquistão. Presumivelmente, as conexões se diversificam em todas as direções, indicando a participação em amplas redes cuja distribuição não coincide. Então, se quero tomar Sohar como ponto de partida e construir uma sociedade, tenho de recortar todas essas redes e dizer: "isso é Sohar ", ou então tentar incluir todos os tipos de coisa e todas as direções imagináveis, o que explode a idéia de cultura local. lask: Nos termos de uma análise de campos, tal como proposta por Bourdieu, teríamos: você pertence a vários campos e para descobrir quem você é, onde está, e qual o seu objetivo, devese adotar uma visão tridimensional.

É isto?

um, dois, cinco ou dez lugares. Sua concepção de clima não é construída a partir de suas idéias a respeito dos limites da região.

Barth: Exato! Muitos trabalhos em antropologia social tentaram abordar esse problema porque ele sempre surge e você se vê forçado a construi-lo de alguma maneira. A maneira mais simples e arrumada

212

2 [3

~ FREDRJ~ BARTII

para pensar a esse respeito

zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

é construir

uma hierarquia.

Então, diz-

&RI~ BARTH

se baseia

no tipo

inclusive

em nossas publicações

de discurso

nos meios de comunicação so comum"

ENTRE\~STA

que encontramos profissionais,

a esse respeito,

Lask: Mas você não acha que pode haver certo isolamento

mas principalmente

de massa; a outra

das pessoas

nas publicações,

tenta perceber

e também

Noruega

e acho que minhas

outros

serem motivadas nenhum

noruegueses

mais politicamente

problema

uma sociedade

em que a liderança

transparentes.

Podemos

com quatro

nós os conhecemos;

opiniões.

eleitoral, cidadãos

mas também comuns

poderosos

cos. Na Noruega,

estamos

sobre

e de participar

o governo,

Do nosso

ponto

em Bruxelas

mas o melhor

terei ouvido

te de aceitá-Ias. processos

políticos.

hoje, estamos soas podem

"Fizemos

democráti-

vida de Estado.

me engajar

Em contrapartida,

em uma situação participar

tudo

que acontecem

como

e tenho

participante

na sociedade

nas políticas

da nação. Isso é algo muito

desde

políticos

que seremos tuições

mais empurrados

políticas

altamente

Lask: As questões construção,

unificada.

Talvez possamos seremos

por não pertencermos

centralizadas

levantadas

secretas.

países europeus

de

Barth:

Por sermos

somos

bastante

uma pequena

realistas

quanto

comunidade

formulam.

lingüística,

uma língua nacional

milhões de pessoas, bem como uma literatura própria.

em ativida-

Não acho que isso automaticamente

em razão da integração

a uma unidade

Acho que parte do medo dos noruegueses

política

se relacionava

maior.

com isso.

isso não estava em jogo, em parte porque

de campo em sociedades de uma estrutura grupos

acho que

a esse tipo de coisa. Ao longo dos

cem anos, vimos que é possível manter

com quatro

secretos,

pelo inglês etc.,

as mesmas que os noruegueses

Lask: Um pouco

de diversos

é perfeitamente

estatal maior. Então,

Temo sobretudo fechados

plurais

o controle

de pessoas

como diz Notas para

possível mantêessa questão

hegemônico

que tomam

tinha

tipos. Se as pode

por grupos

todas as decisões.

uma definição

de

cultura, de T. S. Eliot. É um livro muito atual, como se tivesse sido escrito para os dias de hoje, ainda que sua primeira edição

220

de

a essas insti-

e relativamente

em outros

em-

não há evidência

que as línguas serão substituídas

não são, portanto,

ser solucionada.

e

peso. Não

que haverá perda das identidades nacionais dentro dessa grande

Ia dentro

que

não teriam

fora. De todo modo,

pessoas dão valor a uma identidade,

pes-

das

ainda assim sería-

visão acerca dos problemas

uma Europa

permanecendo

experiência

valioso

e nossos

dentro,

para cá e para lá, mas aparentemente

Para mim, todavia,

norueguesa

públicas,

ter mais impacto

não

nesses

pois muitas

perante

para

simplesmen-

fora das arenas em que muitas

de que sua própria

não teria impacto purrados

pois so-

do fato de eles não defenderemzyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHG minha s preocupa-

apenas

se perderia

de lá para cá, e

e estamos

para as negociações,

Mas se estivéssemos

de e uma vida cultural

e inacessí-

foi isso". Eu, porém,

se trata

últimos

se nos jun-

o que pudemos

muito privilegiada,

e influir

estas permaneçam nos limites não gostaria de perdê-Io.

políticos

Elas são secretas

Não posso

'Os

Isso significa

processos

indo e vindo

que conseguimos

as negociações.

o processo

lugar são invisíveis

ficariam

dizendo:

às

norueguesa.

políticos.

de uma complexa

outro

foram

de ter certo grau de controle

Os processos

ou em qualquer

e até

a uma rede

durante

de vista, isso é algo que perderíamos

retomariam

negociar,

parentes,

da sociedade

conscientes

veis para nós. Os políticos depois

não apenas

e diversificados

à União Européia.

tássemos

estão fazendo

e em que são acessíveis

com os líderes

que há múltiplos,

é

um problema

mos uma nação pequena, ções, mas também

são muito

Eles estão presos

no dia-a-dia

dialogam

de habitantes,

são conhecidos,

Posso alcançá-Ias

Não vejo

políticos

ver o que os políticos

de

de um Estado

milhões

e os processos

em que suas ações são visíveis

nossas

no sentido

à construção

colegas de escola, e assim por diante. pública

Há certamente

coisas são decididas.

idéias são próximas

do que culturalmente.

sério com relação

mas a Noruega,

ponto

próprias

que assim fizeram,

multicultural,

certo

Barth:

mos um país pequeno

Votei contra

da

em relação ao resto da Europa?

o ..sen-

o que nós mes-

mos pensamos.

às de muitos

zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFED

221

ENTREVISTA

FREDRIK B,lIt'l'I-1

tenha quase cinqüenta anos. Eliot acredita que se uma pequena

Barth:

De acordo.

comunidade ou país perde seu papel dentro de uma construção

ignoram

Mesmo

completamente

as pessoas

sérias

e bem intencionadas

esse aspecto.

maior, como por exemplo uma Europa federal unificada, não

Lask: Há aqui imigrantes

terá muita chance de sobrevivência. Depois de certo tempo,

pessoas que têm problemas políticos em seus países, e talvez

ela perde sua cultura específica e, com isso, a diversidade

alguns refugiados econômicos também, não sei. Embora isto

que não são de países europeus,



presente na construção maior diminui.zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA ainda não seja um problema, como a sociedade norueguesa

Barth:

De fato.

Obviamente, posição

privilegiada. como

Tenho

opiniões.

tipo

sobre distribuição

de pessoas.

mos consultados

dramático

mais acesso e mais capacidade

de arti-

lapões, convivem agora com pessoasque estão fora do contexto

faz com que o governo

de fundos

de pesquisa,

de elaboração

Israel e Palestina.

por acaso se tornou estava preocupado canais

de comunicação,

ministro

do exterior:

gine isso na União

para so-

e do procescomum

Européia!

poderia

pegar

Que tipo de partido

a ação individual?

É inconcebível.

poderia

e

tinha acesso

tomar uma iniciativa?"

você pode fazer!"

de vista, porque

então Ima-

o telefone

difícil.

e

e veja o que

dar esse espaço para

Falarei mais ou menos a partir desse um insight importante.

norueguesa, nosso

isso é uma experiência

próprio

a um mundo

Sem nova e

nacionalismo

assim como o senso

vinte anos, viver aqui não significa

Há uma diversidade

crescente,

fortuita

de vários

em função

realmente eventos

culturalmente

imigração

paquistaneses.

de trabalhadores

mais "ser como nós".

global, cuja composição

políticos.

Oslo, surge uma sociedade

Especialmente

liberal. Ela começou

é em

com a

que se estabeleceram

aqui

e estão na sua segunda e mesmo no início de sua terceira geração. Em seguida,

navios noruegueses

recolheram

estavam em barcos. A embaixada políticos

chilenos

podiam

permanecer mais próximas das pessoaspara Ihes dar a sensação

esse estranho

de que elas podem realmente participar. De fato, porém, tudo

alguns

grupos

estão

se passa em níveis mais altos e seus representantes

mesmo

tempo

ainda faltam continentes

padrão

de seleção, presentes

A política norueguesa esquecem dos níveis mais baixos, que zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA dever ia m constituir a respeito,

tentando

refugiados

norueguesa

Lask: As políticas européias têm esse problema. Elas deveriam

222

pequeno

poderoso,

mos não só eles, como também

Europa.

dessa questão

de viver aqui, de ser como nós. E agora, ao longo

que os refugiados

se

na discussão

eu o considero

Tínhamos

em oposição

dos últimos

se engajou

a esse respeito.

de ser norueguês,

que

árabes,

para o nosso

ligar para uma pessoa e obter apoio oficial: "Vá adiante

mais

Unni

dois anos e tem algumas idéias fortes e, acredi-

dúvida, para a população construído

"Você me permite Quem

ponto muito

Por ser norueguês, e pôde dizer

ou seja,

um papel ativo

e alguns

mulher

to, importantes

o exemplo

Ele era uma pessoa

com a situação.

a certos

Minha

ao longo dos últimos

chamados

de Larson

israelenses

nacional e europeu.

Barth:

recorra

de políticas,

Possivelmente

amigo de alguns

de

mas também

e desempenhamos

políticas.

que tenho sobre isso é a história

so de paz entre

precisam

O país é tão pequeno

É claro que nós somos

nessas tarefas

das escolhas

políticas

de trabalho.

para comissões

envolvidos

tem reagido a isso? Isto parece ser uma experiência nova. As

forma.

minorias nacionais que sempre viveram na Noruega, como os

de especialização

a todo

de outra

estou em

Assim, as autoridades

decidir

na articulação

pôr as coisas

ativo em um país pequeno,

eu e meus colegas

que a necessidade

somos

porém,

como acadêmico

cular minhas gente

Deixe-me,

refugiados

iranianos

e curdos.

223



constelação

em que

consideráveis,

mas ao

inteiros

nessa diversidade ...

tem sido cada vez mais restritiva

fechar as fronteiras

que

se abrigar, e nós abriga-

essa estranha em números

vietnamitas

era um lugar liberal em

a esse

para grandes massas de pessoas,

;!', FREDRI~ BARTH

ENTREVISTA

~

f

iI'

mas as autoridades

têm algumas

obrigações

em relação aos refugia-

imensamente

t~ "

dos políticos. Assim, temos agora um grande número de bósnios ... zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA Além disso, bastante

a sociedade

comprometida

dificuldades

tem se sentido

com o bem-estar

ao nosso sistema

é o surgimento estão

tendo

sendo

erodido

mesma solidariedade tão. O conjunto

de que o nosso

de instituições

mais desfavorecidos,

de que

sistema

para ajudar

funciona

muito

problemas

se emaranham,

e infelizmente

benefícios

sentimento.

Então,

ros idealistas aqueles

de outro, surgiu "temos

solutamente

que precisamos

esse problema.

vemos

permanente

tentar

encontrar

entre

maneiras

aqueles

que, reunindo-as

encontrar

Da maneira

uma maneira

como

está,

Lask: Como as minorias

re-

melhor

de re-

produzimos

uma

as coisas, ver quais os processos

melhores

e

todos

ninguém. Em resumo,

de-

em jogo, e

de lidar com isso. tradicionais

reagem

a

esses recém-chegados? Barth:

Não há qualquer não se comparam

havia uma minoria receram,

entre si. Nossas

de fala finlandesa,

foram assimilados.

e visível são os lapões, dizer que uma política

Não estou envolvido

Já fiz trabalhos criação

minorias

estão no norte;

mas eles praticamente

Com isso, a única minoria

cujo problema progressista 224

essas cate-

é outro.

desapa-

permanente

Acho que é justo

e bem-intencionada

melhorou

para um mesmo problema

e do

para seu próprio trabalho

em propostas

interdisciplinares

de planos

uma pesquisa

do bastante. no campo logos,

mais amplo

tas coisas

do as tarefas

acadêmicos

e efetivamente

Em trabalhos

antropó-

conforme

quando

pura,

não parece

entre as disciplinas

ligados a propostas

De acordo

mais com colegas envolvido

de desenvolvimento,

225

resolvesegregan-

as confrontações.

está diretamente

como

fazer isso

real. Em vez disso, na prática, evitando

cer-

padrões

mas se tentarmos

você acaba se engajando

para

formação

tornamo-nos

e de pesquisa

de comunicação

experiência, disciplinas

de nossa

isto é, pressupomos

a outras,

mun-

me marca-

Pode-se dizer que isso apenas mostra

modificação

mos esses problemas com minha

sociais,

para a a que

necessários

séria tenham

políticos,

escapar dessa situação,

de seminários

surgir nenhuma

das ciências

cegos em relação

característicos.

seria importante

de outras

e investimento da qualidade

ou cientistas

e somos

para os problemas

interdisciplinar

Independentemente

sociólogos

em países do terceiro

pode ser transferida

você se refere, ainda que o tempo desenvolver

de interdisciplinaridade.

como parte de uma equipe

de desenvolvimento

do. Essa experiência

através reação visível. De certa forma,

que pode

todas, talvez surja algo mais interessante

pensou em estudos interdisciplinares

bastante

da Noruega

para mostrar

que uma única resposta a partir de uma s6 disciplina. Você já

Barth:

res-

e Unni argumentou

sobre

abordagens

de campo?

que são pu-

que acabar com isso e mandá-Ios

e isso não beneficia

reavaliar

com crescente

interdisciplinares

Tentei aplicá-los para obter diferentes

haver soluções muito diferentes

racis-

a ver os riscos e falhas do sistema

É um debate muito interessante,

de volta".

subclasse

um debate

e que se recusam

que dizem:

solver

conceder

de fronteiras

diferentes!

em relação a um mesmo problema,

palavras,

ta e anti-cultural;

Sim, realmente

etnicidade?

a

tem havido uma certa ati-

pois isso é considerado

às quais não é um

qualidades

Lask: O que você acha dos estudos

está

os norue-

de um lado, não dizer nada de crítico

gorias

Barth:

mal para be-

tude de "deixa como está para ver, como fica". Em outras

em relação

foi esse o

étnicas ...

outsiders culturais em situação semelhante. Todos esses oszyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

neficiar

às novas minorias,

e até certo ponto

Lask: É possível que haja diferentes

Isso é um lado da ques-

planejadas

todavia,

adequado.

dessa minoria,

atual

que o usam e que talvez não tenham

que nós mostramos".

aplicado

modelo

fo-

O problema demais,

modelo

em

e refugiados

de bem-estar.

aos benefícios,

por pessoas

e

que estão

da idéia de que "há estrangeiros

acesso

responsável

daqueles

em nosso país, ou seja, os imigrantes

ram incorporados

gueses

norueguesa

a situação

na ação.

não se pode

FREDRIK BARTH

ENTREVISTA

encarar as coisas como uma simples discordância há problemas recomenda~

reais em relação aos quais temos

e precisarei

que é necessário trabalho

levã-los

interdisciplinar

engajamento realmente

feito, perceberei

argumentar

efetivamente.

aspectos

até convencer

em conta.

pois

de minimamente

uma linha de ação, ou até engajarmo-nos

Como algo será efetivamente portantes

intelectual,

muito

im-

meus colegas de

Se pudermos

planejar

de modo que ele nos comprometa

de compromisso,

esmiuçar

os problemas

pública

para a questão

terá um meio para que, como antropóloga, a acordos acadêmicos, haverá pessoas

realmente

afetadas

discutir

nos e então

até o fim, pois

hoje? Para você, a

tem força para fazer algo em relação aos

antropólogos demoram para fazer alguma coisa. Realizam um estudo e nunca há feedbackem relação ao trabalho, ao mesmo tempo que há pessoastomando decisões sobre o lugar em que

Barth: Sim, somos marginais antropólogos,

em relação ao mundo somos

reclamamos

entusiasmados

em vários sencom nossa dis-

que isso é uma pena e que é preci-

so fazer alguma coisa. Devo admitir,

contudo,

tos olho ao meu redor, vejo meus colegas

que nesses momene penso:

são essas as

pessoas que deveriam poder impor regras, ter autoridade dir qualquer engajamento

para deci-

coisa? Tenho lá minhas dúvidas ... Assim, estou dividido

a esse respeito,

de que abdicariam

relacionados

de muitas

com o sistema

Aqui na Noruega,

insights, maneiras

No cenário optaram

por

em razão da natuacho que eles têm a

coisas para poder

assumir

na academia favo-

ideais. Ainda assim, há limites

administrativo

acadêmico

desde o início "reivindicamos

americano.

um engajamento

maior na ação, e acho que isso foi muito saudável para o desenvolvimento

da antropologia

dizer que tenhamos

social norueguesa.

sido incorporados

Isso, todavia, não quer

a ponto

líticas para, por exemplo, a cooperação portanto,

é a de que os antropólogos

de formarmos

internacional

Minha posição geral,

devem reivindicar

mais auto-

ocupar posições

possam

Para consegui-Io,

ter peso na definição

sam perceber

que suas próprias

das e aprimoradas, nhecendo

de políticas.

competências

e que precisam

com um programa

ideal dizendo

em que preci-

devem ser modifica-

ser politicamente

que não podem simplesmente

po-

para o desen-

ridade prática do que têm feito, tentando

realistas,

reco-

fazer tábula rasa e chegar

"é pegar ou largar".

Barth: Sim, mas nunca devemos sições morais porque

ou disciplinares

é necessário

entrar

incluir na negociação

nossas po-

básicas. É difícil manter

essa linha

no discurso

melhorar

de pensar,

a antropologia.

relevantes

226

reco-

queira ser refém

de algo que desaprova. Lask: Deve ser uma colaboração entre iguais e não com alguém que gostaria de nos usar como instrumento.

Barth: Sim, mas você sabe como a administração do Estado funciotemoszyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA na. Eles não são iguais em relação a ninguém. Ninguém é igual a imensamente eles. São eles os poderosos.

Certamente

que seriam

e simultaneamente

nhecer que você não manda, mesmo que ninguém

mas minha posição básica é que só a partir de nosso podemos

na ação.

Lask: É preciso negociar.

o estudo foi feito ...

ciplina e certamente

americanas,

Além disso, ocupar posições

problemas do mundo? Sempre tenho a impressão de que os

Como

e sem poder. Parcialmente

e da administração

por isso.yxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA volvimento. A relação tem sido problemática.

pensa das realizações da antropologia

tidos.

periféricos

reza da política

nesse sentido.

os antropólogos

de seus protestos

Lask: Bem, duas últimas questões. Uma mais geral: o que você

antropologia

permanecer

nacionais

por exemplo,

rece a formulação

possa, em vez de chegar as questões

diferenças

americano,

responsabilidades.

Acho que é por aí. Crie de políticas,

acadêmico

com o

do multiculturalismo

que chegará à recomendação

países europeus

Vejo importantes

maior dos antropólogos

sensação

e chegar a algum tipo

acordo ou entendimento.

uma comissão

por um engajamento

nosso

na ação, teremos um impulso a partir do qual torna-se

necessário

reforçados

227

FREORI~

Lask:

o

tempo

Simplesmente

é outro

BARTH

yxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

problema

não é possível se tornar

na antropologia. instantaneamente

Referência s bibliográ fica s

especialista em alguma coisa. Você precisa de pelo menos três meses para ter um zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA insighta respeito de algum problema.

Barth: Mas você só precisa de cinco minutos para 'articular uma posição, um argumento, e nós deveríamos nos dispor a fazer isso mais vezes. Deveríamos fazer uma crítica comparável à argumenta-

ANDERSON,Benedict (1983). na tiona lism,

ção de um promotor

em vez de ficar sempre dizendo: "Preciso de

um ano no campo, dois para escrever e depois lhe digo o que acho". Caricaturo um pouco! Acho, porém, que parte da resposta a esse problema é estar preparado de antemão. Deveríamos pensar mais em termos da relevância política e da aplicabilidade das coisas, bem antes de sermos indagados por alguém. Desse modo, no momento em que a questão nos for feita, teremos competência para responder. Vejo uma falha na formação dos antropólogos, pois nela isso quase sempre é ignorado. Como conseqüência, a impotência de uma geração se reproduz na próxima. Lask: Então, ainda temos muito por fazer na antropologia.

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as pesquisas

consideram

rio. a cultura fronteiras meiro

fronteira r

da

pelo estudo

não resulta

da etnicidade,

da cultura.

Ao contrá-

ou seja, é delimitada deve concentrar-se,

por

em pri-

da persistência

étnicas.

de uma análise ecoló-

O privilégio

uso sistemático

estão na base de uma reorientação porém,

pouco a pouco

das culturas.

do estabelecimento.

e o conseqüente

dos sobre a etnicidade

na antropologia

social

(Martiniello

N. do E. Ver nora 2, p. 8.

e do nacionalismo?

ou da

da noção

fundamental

a obra de Barth pode contribuir

para a ciência política da etnicidade

1

se afastou

do conteúdo

Por isso, a pesquisa

das fronteiras

Como,

Certos

e substancialistas

é resultado

gica da etnicidade

etnicidade.

primordialistas

às teorias

Barth, a etnicidade

étnicas.

por ele em 1969, sis-

lugar, na análise

mudança

sobre

à coletânea

crítica pertinente,

exclusivo

Segundo

a

um ponto de ruptura

e publicada

antropológicas

É ver-

I

brasileira

Sua introdução

Graças a Barth, a antropologia

do interesse

238

quanto

este texto como a primeira

e coerente

etnicidade.

autor a fim

de língua francesa?

anglo-saxônica,

obra de Fredrik Barth via de regra é considerada

(no prelo). "Beyond the words: the power of resonance",

WINNER, L. (1986).

desse prolífero

para um público tanto

pela obra de Fredrik

de uma colega antropóloga,

reunir textos significativos

syndrome>". o

se interessaria

do projeto

de

nos estu1995).

concretamente Inspirando-se

FREDRIK

particularmente

nos trabalhos

Barth, em vez de privilegiar as interações cessos

sociais

étnicos

BARTH

POSr-ÁCIO

interacionistas

de Erving

os constrangimentos

entre

atores

interpessoais.

individuais

Goffman,

elo entre

estruturais,

enfoca

na análise

de pro-

Mas as estruturas

à identidade

com relação

exemplo, tempo

categoria deixado

central

da ciência

de lado, como

relativamente

recente

co, insistindo

na importância

grupal

da etnicidade,

ciação

determinada

ciência política membros

étnica?

A reificação realidade

não representam

ele próprio

de diferentes

pos e o Estado.

vista parece tão pouco

reconheceu

muito

ator

em artigo

exclusivamente

ao poder

-

conceito

vezes visível na situação étnicos

ou entre alguns

político,

pode ser de interesse

da ciência

cente. Tendo se tornado

política

desses gru-

combinados

disciplina

independente

anos 1950 e o início dos anos 1960 -

era reconhecida nova ciência A ciência étnicas Nessa

como

inicialmente

política

a partir ocasião,

novo grupo Como

namento

começa

raciais

e

Aliás, ocorreu

no qual durante

o mesmo

muito

tempo

no contexto

das sociedades

tão, que ainda haja muito

ciências

da atualidade explicar

raça e etnicidade,

a cometer

a ciência

para o discurso como

política

político

científico,

trouxe

os processos

de associação

analisa

dos atores as múltiplas

e os grupos

étnicos

políticos. relações

e raciais, ela

a compreensão

do

da etnicidade, Torna-se

análise do sistema

mas até

como as cate-

dois erros que impedem

240

política

convincente

o comportamento

a ciência

o sistema

sociais,

de maneira

assim

determinam

Por quê? Quando

um

visando
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