Aurum Solis Magia-teurgia 01

September 20, 2017 | Author: AURUM SOLIS | Category: Wine, Hermeticism, Marsilio Ficino, Kabbalah, Physics
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Textos Sagrados

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A Questão do Vinho

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Magical Philosophy

MagiA & Teurgia www.magick-theurgy.com

Coração da Tradição Hermética

Selene

A Deusa Lunar

Abril/Maio/Junho 2011

Visitando as Divindades Os Hinos Sagrados

Qabalah &

Dogmatismo? EDIÇÃO 1

NATASHA DOULIEZ - PINTORA http://www.natasha-douliez.com

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Obra. De fato. Sempre. E duvido. Claro. Uma idéia paira. Inicialmente tênue, e então toma forma. Ela se agiganta e encanta, Eu penso que a mantenho, mas ela escapa. Ela está de volta. Fico excitada… Ela graceja e eu sorrio. Com o meu suave pincel, eu a acaricio e faço-a se render ao meu desejo. Ao suave e ágil toque Eu a lisonjeio novamente. Eu repouso-a na minha tela. Domada enfim, banhada em luz e envolta em sombra, é minha. Para sempre. Um mágico momento. Eu sonho que capturei o indescritível espírito da eternidade.

MAGIA & TEURGIA ‐ Abril/Maio/Junho 2011

M AGIA & T EURGIA

Abril/Maio/Junho 2011

ÍNDICE Artigos Visitando as Divindades 8 Harmonização com Selene por Sophie Watson, Roelof Weekhout & Patricia Bourin.

A Vida Epicurista 17 A Questão do Vinho por Roelof Weekhout

Tributo a Denning & Phillips 18 por Julien Larche

Qabalah & Dogmatismo? 20 por Jean-Louis De Biasi

Eclésia Ogdoádica 24 Missão PELO C.C.DA E.O.

Magical Philosophy 26 O Turíbulo por Patricia Bourin

Textos Sagrados 31 Corpus Hermeticum – Nova Tradução pela Eclésia Ogdoádica.

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SEÇÕES 5 6 7 15

Carta do Editor

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Harmonização Planetária Prefácio Aurum Solis, Luz da Tradição Ocidental, Os Três Pilares pela Ordo Aurum Solis

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Hinos Sagrados

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Traduções originais dos Hinos Sagrados da Tradição Ocidental. Nesta edição: Hino para as Moiras por Raul Moreira

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Símbolos da Grande Obra: O Corvo

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por Martin Beliard

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Ecos dos Ancestrais Apuleio – Mistérios de Ísis por Irene Craig

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Críticas Livros e filmes relacionados com Magia, Teurgia e as Tradições Ocidentais.

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“MAGIA & TEURGIA” APRECIA AS CORRESPONDÊNCIAS DOS LEITORES! Por favor envie suas correspondências e comentários para [email protected] As cartas podem ser resumidas e editadas para ficarem claras. Os editores reservam o direito de editar os materiais enviados.

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MAGIA & TEURGIA ‐ Abril/Maio/Junho 2011

CARTA DO EDITOR MAGIA & TEURGIA Editor-Chefe Jean-Louis de Biasi Editor-Executivo Patricia Bourin Editor Web Simon Tamenec Diretor de Arte Julien Larche Publicidade Lisa Veys Publicação no Brasil ÁGORA HERMÉTICA www.agorahermetica.com.br Traduzido de “MAGICK & THEURGY” Copyright © 2011 Jean-Louis de Biasi Publicado pela ACADEMIA PLATONICA P.O.Box 752371, Las Vegas, Nevada, 89126, USA www.magick-theurgy.com [email protected]

PARA CONTRIBUIÇÕES Todos os textos podem ser enviados no formato msword e pdf para: [email protected]

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oje, estamos vivendo em um momento muito especial na história. Várias guerras antigas que estão profundamente enraizadas na intolerância religiosa continuam a matar milhares de pessoas em todo o mundo em nome de Deus. É verdade que esta situação não é algo novo. No entanto, a persistência de tal comportamento, especialmente quando associada ao uso de armas modernas e de meios de comunicação de ponta, naturalmente intensifica as consequências para todos. Ao mesmo tempo, novas gerações de jovens homens e mulheres estão buscando mais liberdade e respeito. Iniciados do passado eram muito frequentemente atacados (e até mesmo assassinados) pela sua insistência no direito de exercer a liberdade de pensamento e por sua independência em relação aos dogmas do poder político das religiões. Os fundadores da Corrente de Ouro da Tradição Hermética Ogdoádica, que hoje é conhecida como Aurum Solis, desenvolveu uma tradição fundada em Hermópolis e Alexandria (Egito). Esta linhagem foi fundada há muito tempo e fornece ao buscador um caminho para a espiritualidade, bem como rituais e práticas que permitem que ele / ela iniciem a jornada sagrada: o retorno ao Divino. No entanto, como os Mestres fundadores ensinaram, esta ascensão espiritual só pode ser realizada com um bom equilíbrio entre uma obra moral interior e um ritual Teúrgico bem estruturado. Hoje, como no passado, estes dois aspectos podem, se devidamente apresentados e utilizados, ajudar cada Iniciado a se tornar um ser humano melhor, que fique ativamente envolvido no mundo, respeitando as crenças dos outros, contanto que não sejam crenças fundamentalistas. Ainda assim, é importante ressaltar aqui, que os hermetistas (tanto do passado quanto do presente) nunca se esqueceram de prestar atenção ao seus corpos. A união entre a alma e o corpo enfatiza o papel essencial da dimensão física do nosso ser. É por esta razão que os prazeres associado à busca do Bem e do Belo em tudo, sempre têm sido uma parte real e significativa deste caminho. Você não tem que rejeitar seu corpo físico a fim de atingir mais facilmente os planos superiores. Em vez disso, você tem que tomar consciência de seus desejos, e equilibrar os diferentes aspectos de seus corpos físico e energético, de modo que você seja capaz de se tornar um Iniciado. Aumentar a sua luz interior irá ajudá-lo a desfrutar da sua vida aqui e agora! Na Luz da Estrela Gloriosa, Jean-Louis DE BIASI Editor-Chefe 5

Harmonização Planetária

U

m dos períodos mais importantes da história da Tradição Hermética Ogdoádica, hoje chamada de Aurum Solis, se desenrolou em Florença, na Itália, durante os anos de 1438 e 1439. Vários eruditos gregos, entre eles o neoplatônico Georgius Gemistus Plethon (ou Pleto), viajaram para Florença e foram acolhidos lá durante o Concílio de Florença, o qual reuniu as Igrejas do Oriente e do Ocidente.. Esse grande filósofo, herdeiro da Academia Platônica, entrou em contato com Cosimo de Médici e transmitiu um conjunto de textos filosóficos e herméticos até então desconhecidos. Marsílio Ficino recebeu de Cosimo a ordem para traduzilos, começando pelos livros de Hermes. Um grupo foi constituído em torno desse empreendimento e colocado dentro da continuidade da antiga escola de Platão. Cosimo dôou para tanto a Villa Careggi, que tornou-se a sede dessa nova Academia Platônica. Todos os seguidores de Platão reuniam-se para "praticar a filosofia". Tratava-se antes de tudo de discussões filosóficas no espírito do « Banquete Platônico ». Mas longe de se limitar ao aspecto intelectual, a Tradição Hermética abrangia vários ritos e práticas de natureza teúrgica. A magia astrológica desenvolvida por Ficino baseava-se na tradição das assinaturas e na afirmação da Tábua de Esmeralda : " O que está embaixo é como o que está em cima, e o que está em cima é como o que está embaixo, para a realização dos milagres de uma coisa só." Utilisando esses ritos, os hinos, a música, as cores e o conjunto de correspondências decorrentes das leis da

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simpatia universal, os membros da Academia Platônica procuravam se elevar rumo ao mundo espiritual. Eles demonstraram que a felicidade é possível aqui embaixo, através da rearmonização dos planos interiores do indivíduo. O trabalho teúrgico implica em três aspectos: - uma postura moral de pureza interior, de fraternidade e de amor ; - uma formação filosófica, expressão de uma mente (espírito) religiosa ou Religio Mentis; - um trabalho ritualístico e estético fundamentado na astrologia. É nesse aspecto do antigos ensinamentos que se inspiram os ritos do presente trabalho. O Cosmos é regido por um padrão ordenado e por um estado original de equilíbrio harmonioso. Os planetas, que se movem nas esferas celestiais, participam desse padrão harmonioso. A cada um deles é atribuído um caráter específico, ligado a uma Divindade correspondente. Desenvolvida progressivamente pelos iniciados que estudaram as origens da humanidade, a Astrologia, em sua dimensão iniciática, tornou-se a fonte de um importante sistema de correspondências que demonstra um liame essencial entre tudo o que existe no universo. Cada planeta, cada signo, corresponde a um completo conjunto de símbolos, tais como: um som, uma cor, um perfume, etc. Essas correspondências (associações) abrangem arquétipos de caráter psicológico. Assim, o universo do qual fazemos parte não consiste de astros frios, estrelas mortas, mas de poderosos arquétipos Divinos agindo sobre nós por suas posições no Cosmos e por seus deslocamentos. (Continua na pág. 43) MAGIA & TEURGIA ‐ Abril/Maio/Junho 2011

PREFÁCIO por Carl Llewellyn Weschcke

dução de alimentos, da carência de água, fontes de energia seguras e limpas, e a eficiência e a criatividade na produção e comunicação. E a nova ciência traz a into-me honrado, e agradecido, por escrever compreensão não só do universo físico, mas cada vez o Prefácio para a primeira edição de "Magia mais dos níveis quânticos, onde os planos astrais e os & Teurgia", como publicação oficial da mais elevados se encontram e originam o plano físico. Aurum Solis. Hoje, estamos no limiar da civilização global - se é Eu sou grato porque a Aurum Solis está exercendo que podemos superar os desafios. tanto um papel público quanto estotérico nestes tempos tão difíceis de crescente conflito religioso e violência A Magia tem realmente um papel neste processo? patrocinada;com extremas alterações meteorológicas e Sim, enfaticamente que sim!A Magia é realmente a ciênclimáticas, e até mesmo com a própria Terra tremendo; cia da Vida Consciente. Magia não é apenas se vestir onde as funções econômicas e políticas estão em desor- com robes de estilo religioso, e realizar cerimónias dem e devem mudar - e, ainda, senão diretamente afe- aparentemente religiosas em ambientes enriquecidos tados, o público em geral parece interessado apenas em com cores e incensos. E Magia não é meramente o ato ser entretidos e apoiados pelos governos, sem receitas de lançar encantamentos para se obter amor, sorte e suficientes para continuar nesse caminho sem mudanças lucro. E Teurgia é a aplicação de fórmulas para evocar substanciais e invocar as energias e inteligências do não-físico para se manifestarem no mundo físico, sob a direção da E, no entanto, temos duas maravilhosas correntes mente consciente do mago. oferecendo atualmente a "salvação" – a nova ciência e tecnologia baseada na Física Quântica e a Magia renoAté então, nunca as oportunidades para o progresso vada, o lado ativo da Sabedoria Antiga - oferecendo humano foram tão grandes, e nunca os desafios para a compreensão e solução. Ciência e Magia sempre têm própria sobrevivência da humanidade e da civilização marchado de mãos dadas, apesar da aparência de con- foram tão grandes e tão imediatos. Nunca antes - fora flito que tem sua fonte na religião organizada que de mitos e lendas - as Ordens Mágicas têm estado em procura o controle sobre os homens e mulheres. tal posição para influenciar o resultado por meio do entendimento pessoal das forças de trabalho e de ação pesSempre que discutimos o papel das antigas ordens essoal para mudarmos a direção. É vital "espalhar a otéricas, é fundamental que entendamos o "sigilo". Hispalavra" através de nossas publicações e comunicações, toricamente, o sigilo muitas vezes tem sido necessário em versão impressa e on-line, através da educação em para proteger tanto a ciência quanto a magia da religião, grupo e individual, e através dos meios que são e a política de motivação religiosa, como pode ser facileconômicos e sociais. mente vista hoje como fundamentalismo sectário está novamente atacando a liberdade de pensamento e de A Aurum Solis pode ser o veículo para o Divino, para vida. Mas, hoje, não precisamos, e não devemos, nos es- operar no Homem e na Mulher como previsto desde o condermos. Devemos abertamente unir outra vez a Princípio, quando a Palavra foi verbalizada pela Magia e Ciência para derrotar a opressão religiosa e seu primeira vez para manifestar tudo o que É. n conseqüente terrorismo político. A nova ciência traz a Conheça os livros de Carl Llewellyn Weschcke em: compreensão tanto da causa e quanto da solução para a http://www.llewellyn.com/author.php?author_id=4861 terra e sua mudança climática, e as soluções para enfrentar as crises do crescimento populacional, da pro-

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VISITANDO AS DIVINDADES

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itos são uma ótima maneira de explorar, ainda que alegoricamente, as obras e as vidas das Divindades Imortais. Isto, naturalmente, é um conhecimento importante para os Magos, Astrólogos e Alquimistas, cujas artes são baseadas em simpatias e correspondências.

SELENE

A DEUSA LUNAR por Sophie Watson

Genealogias Embora muitas Deusas fossem associadas com os aspectos lunares na Grécia antiga, Selene, irmã de Hélios (Sol) e Eos (Aurora), sozinha, representava plenamente os tons prateados da Lua e seus deslocamentos noturnos. 8

Filha dos titãs Hiperion (luz) e Theia (éter), Selene teve muitos descendentes. Pandeia (orvalho), o Horai (as estações), e Mousaios, famoso discípulo de Orfeu, são dentre eles, os maisamplamente conhecidos. Eles foram gerados por Selene em suas uniões com Zeus,Helios, e, no caso de Mousaios, em associação com as Musas. Algumas fontes também a mencionam como a mãe do Leão de Neméia, um dos monstros contra os quais HérMAGIA & TEURGIA ‐ Abril/Maio/Junho 2011

lar? Por que, em cada caso, com Zeus, Hélios, e com as Musas? Para refletir sobre esses mitos, ou recontar as histórias com uma renovada inspiração, vai ajudálo a compreender o lugar de Selene no Cosmos, bem como em sua progressão espiritual.

Invocação

cules teve que lutar, de acordo com a história mítica dos Doze Trabalhos desse herói. Os mitos são uma ótima maneira de explorar, ainda que alegoricamente, as obras e as vidas das divindades imortais. Genealogias, ou seja, a origem e geração de Deuses e Deusas, ou, em alguns casos, heróis e criaturas míticas, muitas vezes nos permitem compreender as principais qualidades das Potênicas, relacionando umas com as outras. Isto, naturalmente, é um conhecimento importante para os Magos, Astrólogos e Alquimistas cujas artes são baseadas em simpatias e correspondências. Um breve estudo do Leão aparecerá em uma edição posterior desta revista, mas eu convido os leitores a mergulharem nos logoi (discursos) dos grandes poetas e a meditarem sobre as gerações de Pandeia, as estações, e dos Mousaios. Por que a Lua estaria relacionada com o orvalho, com os ciclos sazonais, e com a poesia oracuwww.magick‐theurgy.com

Selene, como Deusa da Lua, está naturalmente, relacionada com as influências espirituais e materiais dessa estrela, mas também, e mais amplamente, com a fertilidade; com os ritmos naturais; com a magia; com a profecia; e com as celebrações noturnas dos mistérios; com a feminilidade e a maternidade; e, como visto em sua estreita associação com Hécate e Ártemis, com a natureza selvagem e com os instintos. Selene deve, portanto, ser invocada em assuntos ligados a novos começos, fertilidade e partos, crescimento, em prol da harmonização dos ciclos biológicos e naturais em geral; e para nós mulheres, do ciclo menstrual em particular. A Deusa pode ser invocada para a clareza de visão (tanto exterior quanto interior), para o desenvolvimento de empatia e da sensualidade, do instinto e da intuição, para operações oraculares, especialmente aquelas que envolvem sonhos e pathworking, e para qualquer tipo de solicitação, ou meditação, que envolva a memória.

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Símbolos Você pode decorar o seu lararium (um altar tradicional para as divindades e os seus próprios ancestrais) de acordo com certos símbolos para invocar Selene. A lista é dada abaixo. Estes símbolos também podem ser usados ao se elaborar imagens talismãnicas, móveis, ou jóias para a Deusa. O ato de colocar esses desenhos em sua obra com base nesses símbolos específicos vai garantir contatos harmoniosos e propícios com a Lua. Eles podem ser utilizados como materiais (madeira, pedras e jóias, objetos mágicos), ou como imagens. As formas, padrões e cores de folhas, frutos, pedras e jóias devem inspirar suas criações: No reino vegetal: avelã, louro, todos os salgueiros, mamão, sementes de papoula, hissopo, centeio,todos os lírios , narcisos, agrião, chás verde (genmaicha e sencha), repolho e alfaces, todas as cabaças (melões, jerimum, pepinos e abóboras), banana, ameixas,todos os feijões, ervilhas e lentilhas, nozes e bagas em geral. No reino animal: Urso, cavalo, mula, boi, vaca, todos os porcos, cachorro, camelo, hiena, elefante, gato,coruja, corvo, gralha, bacurau, abutre, e da mitologia: Minotauro, touro alado,serpente com cabeça de carneiro, harpia, e hidra. No reino mineral: Prata, berilo, alexandrita, ortoclásio (tipo moonstone), cristal de rocha, pérolas, fluorite (espatoflúor), alabastro, hialita (variedade de opala). Outros símbolos são a Lua crescente, os chifres prateados, um véu prateado, a carruagem prateada puxada por cavalos brancos ou mulas, e uma tocha.

Oferendas e perfumes Ao se trabalhar com Selene, deve-se obter alguns dos símbolos do reino vegetal (citados acima) como ofertas de alimento. O leite é a melhor opção dentre todas as bebidas utilizadas em rituais e orações para a Deusa. A queima de perfumes deve, no entanto, preceder as ofertas ao se trabalhar com as divindades. Você pode utilizar um turíbulo ou caldeirões (réchaud) para essas ofertas de incenso. Você pode experimentar com os perfumes de algumas das plantas e sementes mencionados acima 10

Essa Estátua de Ártemis foi encontrada em Éfeso. Ártemis é muitas vezes associada com Selene, como a Deusa da Lua. Éfeso, localizado na moderna Turquia, foi o local onde o Grande Templo (uma das Grandes Maravilhas do Mundo) foi erguido.

(cuidado para distinguir entre raízes e folhas em suas notas), e também se deve familiarizar-se com os antiquíssimos perfumes associados com a Lua: cânfora, ilangue-ilangue, gálbano e óleo de jasmim são os meus favoritos, mas artemísia,raízes de íris (lírio-florentino), e gaultéria também pode ser muito útil em invocações. Com o tempo, o seu relacionamento com Selene vai se desenvolver, e isso vai lhe permitir reconhecer corretamente os perfumes associados com ela. Você então será capaz de explorar e descobrir novos perfumes relacionados com a Lua, e experimentar diferentes receitas de incenso de sua própria autoria. Símbolos, ofertas e perfumes estão aí para você descobrir o papel da Deusa na Natureza, assim como em dentro de você mesmo. Divirta-se experimentando estes aspectos, descobrindo a sua própria divindade. Que a Deusa esteja contigo! n MAGIA & TEURGIA ‐ Abril/Maio/Junho 2011

SELENE &

VINHOS por Roelof Weekhout

F

O E

primeiro aspecto para procurar no vinho para este planeta é a refrescância. Um vinho "suculento" com bastante acidez representa a compleição aguada e frio da lua. m segundo lugar, um vinho com muita expressão é apropriado para o planeta de sonhos e imaginação. Uvas expressivas como Sauvignon Blanc (Sauvignon branca), Riesling e Gewurztraminer vão lhe dar um aroma apropriado.

inalmente, a cor do vinho no copo deve ser brilhante, até mesmo cintilante, como a maioria dos vinhos jovens, pálidos, tendem a ser. Estes vinhos também têm muitas vezes a acidez que estamos procurando. Os Vinhos que se encaixam nestes três aspectos são: - Sauvignon blanc de Marlborough (Nova Zelândia) - Riesling das áreas mais frias da Nova Zelândia, Austrália, França e Alemanha - Um jovem Gewurztraminer da região de Alsácia (França) - Rueda com uma elevada percentagem de Verdejo (Norte da Espanha) - Chardonnay, bem seco, não envelhecido, de vinhas mais quentes (como Chablis na França) Certifique-se de que o vinho está devidamente refrigerado, mas não tão frio. Aprox. 46 ° F (8 ° C) é o ideal. n

Nota: o vinho pode ser usado como uma oferenda e para degustação durante a cerimônia, ou em outro momento do dia, quando você alemjar uma maneira divertida de estar em contato com esse poder divino. Lembre-se que beber pouco é bom e que o ponto principal não é ficar bêbado. Você tem que encontrar um bom equilíbrio e ser capaz de apreciar esta bebida. Então beba com cuidado. Se você não tiver a idade legal para beber álcool, use suco; ou neste caso, leite. Sob o ponto de vista ritualístico, a conexão será perfeita. www.magick‐theurgy.com

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HARMONIZAÇÃO COM SELENE por Patricia Bourin

Época: qualquer período do ano. Dia: Segunda-feira. Altar (Bomos): no Leste. Luzes: uma luminária ou uma vela violeta. Outros equipamentos: Você vai precisar de uma vela, para acender a vela do planeta a partir da chama do Bomos; incenso (se você optar por usar um); incensário (se você usar carvão vegetal); pano branco; a representação da Divindade (ou Divindades) – isso é opcional. Vestuário: Vestido com roupas confortáveis. Caso você utilize carvão vegetal, acenda-o fora e depois traga-o para dentro do local de trabalho. Fique de pé ao Oeste do Bomos, diante do Leste, com os braços relaxados, naturalmente aos lados. Acenda a Luminária sobre o Bomos.

Uma rara estátua de Selene está em exibição em Villa Getty, Santa Monica, CA.

1. ABERTURA

1o Pilar: Teurgia

Levante seus braços à sua frente de modo que as palmas das mãos fiquem voltadas para o céu. (Na sequência seguinte, você pode usar os gestos tradicionais específicos, enquanto você declama a respectiva passagem) Declame em Latim: A- Ave Lux Sanctissima B- Sol Vivens C- Custos Mundi D- In Corde Te Foveo E- Membris Circumamictis Gloria Tua.

Basta clicar no link acima para acessar os websites, ou utilizar o seu celular/TabletPC para scanear o código ao lado, caso você esteja lendo a versão impressa desta revista.

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http://goo.gl/vJzlP MAGIA & TEURGIA ‐ Abril/Maio/Junho 2011

[Tradução das palavras em Latim (não declame): A- Salve, Santíssima Luz! B- Sol Vivente; C- Guardião do Mundo; D- Eu te mantenho em meu coração; E- Meus braços circundam tua Glória].

2. CIRCULUS Estenda o seu braço direito horizontalmente, com o indicador apontando para frente. Mantendo o nível, gire no sentido horário, traçando um círculo de luz ao seu redor. Visualize este círculo como uma bruma, uma cortina de luz que envolve o teu templo e o isola do resto do mundo. Feche este círculo à sua frente e então relaxe seus braços nas laterais do seu corpo.

3. DEDICACIO SUB ROSA NIGRA

Ó Deusa soberana, escuta minha voz! Poderosa Selene traz tua luz neste local onde nos encontramos. Tu que corres pela noite e manifesta tua presença no ar que nos envolve, esteja presente entre nós! minha oferenda para vós neste dia. Dirija para mim vossa proteção e vosso poder, e com isso eu manifestarei vossa beleza e vossa glória eterna em minha vida.

Depois de alguns momentos de pausa, levante os braços com os cotovelos flexionados, de modo que os braços fiquem na sua frente em uma posição quase hoCaso você tenha um sino, toque-o algumas vezes. rizontal, girados ligeiramente para fora, os antebraços e as mãos ficam erguidas verticalmente, com as palmas Caso deseje, você pode agora se sentar (no chão ou das mãos para a frente (voltada para fora), então numa cadeira), feche os olhos e intensifique a luz viodeclame: leta. Visualize à sua frente a representação de Ártemis. Do portal da Terra ao portal do Fogo, Do portal do Ar ao portal da Água, Matenha a visualização. Em seguida, vibre Do centro do limbo de Poder ao limiar adamantino, com força o nome divino: « SELENE » que o santuário seja estabelecido aqui! http://goo.gl/LUXi5 Descanse a posição e relaxe seus braços. Intensifique a visualização da Divindade e imagine 4. HARMONIZAÇÃO COM SELENE, O DIVINO AR- que ela está de pé à sua frente. Entoe o hino específico para a divindade, criando um vínculo espiritual com ela: QUÉTIPO LUNAR. Ó Deusa soberana, escuta minha voz! Caso você tenha um sino, toque-o algumas vezes. Poderosa Selene traz tua luz neste local onde nos encontramos. Coloque um pouco de incenso sobre o carvão e Tu que corres pela noite e manifesta tua presença no declame: ar que nos envolve, esteja presente entre nós! Ó potentes Divindades, escutem a minha voz à meTu, jovem filha da noite, portadora da tocha, astro dida que ela se eleva até vós. magnífico, crescente e decrescente, ao mesmo tempo Voltem vosso olhar para mim, enquanto vos invoco. macho e fêmea, mãe do tempo; Que este perfume se eleve em vossa direção, como a Tu que clareia a noite com teu brilho prateado, dirige www.magick‐theurgy.com

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teu olhar sobre nós e sobre nossa obra. Esplêndido contentamento da noite, concede-nos tua graça e tua perfeição. Que teu curso celeste te guie agora a nós, ó jovem moça tão sábia. Vem, bem-aventurada, e seja-nos propícia, fazendo brilhar tuas três luzes sobre este novo iniciado. Sinta a Divina presence enquanto você respira profunda e regularmente. Caso você esteja sentado, levante-se e execute o movimento da Lua, sentindo o seu corpo enquanto você se move no espaço. http://goo.gl/G5kiZ Relaxe os seus braços e sinta a Divina alegria e a Divina energia que você recebe.

pura e santa, afim de que eu possa conhecer exatamente o deus incorruptível e o homem que sou. Que jamais um Gênio malévolo extenuando-me por males, me retenha indefinidamente cativo sob as ondas do esquecimento e me distancie dos Deuses! Que nunca uma expiação aterrorizante encarcere, nas prisões da vida, minha alma caída nas ondas geladas da geração, e que lá não quer errar por muito tempo! Vós, portanto, ó Deuses, soberanos da deslumbrante Sabedoria, atendei-me, e revelai àquele que se apressa na senda ascendente do retorno, os santos delírios e as iniciações que estão no coração das palavras sagradas!

7. CORPO DE LUZ 5. OFERENDAS Mantenha a visualização da Divindade. Levante as oferendas que você preparou antes da cerimônia (flores, alimentos, sucos, vinho, etc) para a Divindade, para a sua benção. Visualize a Divindade aceitando a sua oferenda. Quando sentir que é o momento adequado, recolha as oferendas e relaxe os braços. Coma ou beba parte da oferenda, enquanto você sente a comunhão interior com Selene. (Nota: Você não precisa ter tudo da lista na sua oferenda. Basta ofertar o que lhe parece mais adequado para o ritual que você está executando.)

Imagine que a dimensão do seu corpo cresce, cada vez maior, até a sua cabeça alcançar as estrelas. Abra seus braços ligeiramente, com as palmas das mãos voltadas para cima, e declame: Eu te invoco, ó Chama Secreta que habita no Sagrado e Luminoso silêncio! Que a Beleza, a Verdade e a Bondade se manifestem em mim! Que a Ordem se estabeleça sobre o Caos! Que Harmonia se expresse em mim e em todos os aspectos da minha vida!

Volte sua mente na direção do seu corpo físico, Quando sentir que é o momento propício, libere a viabaixo. sualização da Divindade.

8. ENCERRAMENTO 6. ASCENSÃO AO DIVINO Abra a sua mente para as outras esferas celestiais acima e abaixo de você. Sinta e imagine uma esfera de estrelas fixas no mais profundo azul acima de você, que está repleto de estrelas douradas cintilantes. Adicione incenso em honra a todas as divindades e pronuncia o hino para todos os Deuses de Proclo (hino principal da Eclésia Ogdoádica): Atendei-me, Ó Deuses, vós que segurais a barra do leme da Sabedoria Sagrada, e que, ao acender nas almas dos homens a chama do retorno, trazei-os de volta para junto dos Imortais, dando-lhes, pelas iniciações indizíveis dos hinos, o poder de se evadir da caverna obscura e de se purificar. Atendei-me, potências libertadoras. Concedei-me, pela inteligência dos livros divinos e ao dissipar a obscuridade que me envolve, uma luz 14

Cruze seus braços, o esquerdo sobre o direito. Imagine que o seu tamanho diminui até retornar à dimensão normal. Respire pacificamente. Abaixe a sua cabeça ligeiramente e declame: Que tudo que veio a ser realizado seja meu, agora e sempre! Fique em silêncio por alguns momentos, e diga: Konx Om pax! Caso você tenha um sino, toque-o algumas vezes. n

MAGIA & TEURGIA ‐ Abril/Maio/Junho 2011

OS TRÊS PILARES Os três pilares desta tradição são: a Teurgia, a Filosofia e o Epicurismo. Esses três pilares foramas bases da tradição neoplatônica em sua constituição, e são, até hoje, o corpo visível da Tradição Ogdoádica.

1o Pilar: Teurgia (Pilar Ritualístico) Teurgia é a parte fundamental da Aurum Solis. Conforme Jâmblico afirmou: “o alvo da Arte teúrgica é a purificação, liberação e salvação da alma através dos atos divinos dos ritos sagrados”. Esses ritos Teúrgicos inefáveis foram louvados por Proclo como: “um poder maior que toda a sabedoria humana, abrangendo as bênçãos de profecia e os poderes purificantes da Iniciação”. Consequentemente, essa ascensão ao divino aumentará seu poder psíquico, apesar de isso ser uma consequência e não um objetivo em si.

2o Pilar: Filosofia (Pilar Teórico) Filosofia é a parte teórica da Aurum Solis. Nossos ensinamentos não estão restritos aos escritos de filósofos, nossas lições têm a intenção de ensinar ao estudante todos os aspectos da Tradição Ocidental, incluindo: Cabalas Grega e Hebraica, Hermetismo, Teologia, línguas sagradas, Alquimia, Astrologia... Essas lições são sempre baseadas na aplicação prática desse trabalho. A leitura constante de filósofos da nossa Tradição revela, gradualmente, a verdadeira essência da Filosofia ao estudante, permitindo que ele se junte àqueles que amavam a Sabedoria e àqueles que foram capazes de ler e entender os Mistérios do mundo.

3o Pilar: Epicurismo (Pilar Físico) Todo trabalho Teúrgico e espiritual é baseado na premissa de “ser aqui e agora”, sem renunciar a nossos corpos. Consequentemente, nossa Tradição reconhece que a busca por Beleza, Harmonia e a habilidade de desfrutar de prazeres balanceados de nossa vida cotidiana são fundamentos da verdadeira estabilidade interior.

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HINOS SAGRADOS

Hino para as Moiras Os hinos órficos eram potentes textos utilizados para invocar e dialogar com as divindades. Hoje, esses hinos sagrados da Tradição Ocidental foram traduzidos de modo que você possa utilizá-los em sua vida mágicka!

Tradução portuguesa por Raul Moreira

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oiras eternas, filhas da obscura Noite, deusas do céu e da terra, escutem o chamado de minha prece;Vós que residis nos rios do lago celeste, lá onde uma água branca jorra da noite secreta, e corre nas profundezas da caverna rochosa, voai para a terra sem limites dos seres vivos, onde me encontro. Cobertas de púrpura, vós atravessais o plano dos mortos em vossa carruagem gloriosa, para avançarem rumo aos mortais, que como eu, vós atendeis com esperança. Exceto Zeus, nenhuma outra divindade habitando o santuário celestial onde residem os imortais, observa a vida como vós. Eu vos invoco: Átropos, Láquesis e Clotó! Escutem minha prece e sejam-me favoráveis, ó Deusas. Filhas de um pai ilustre, aéreas, invisíveis, inexoráveis, indestrutíveis, tudo o que vós dais a nós, vós podeis também retirar de nós. Moiras eternas, escutem minha prece e acolham minhas santas libações. Aproximem-se com benevolência do iniciado que sou e dissipem minhas penas, tecendo o melhor destino que eu possa manifestar e encarnar.

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Quando o celebrante elevou o cálice de vinho até os seus lábios, a expressão facial manifestou uma máscara temporária que parecia proteger contra maus espíritos e que também evocava Dionísio.

A QUESTÃO DO

(Terracota, datada em torno de 520 A.P., em Villa Getty, CA)

O VINHO O Vinho é um elemento integrante do banquete Platônico onde as questões filosóficas são suscitadas em alegres discussões. por Roelof Weekhout

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vinho tem um lugar proeminente na Tradição Ogdoádica. Seu uso ocupa uma posição central em vários dos nossos ritos, e é um elemento integrante do banquete Platônico onde as questões filosóficas são suscitadas em alegres discussões. Do ponto de vista epicurista, no entanto, o vinho é uma substância que pode “armar uma cilada”. Se - como um epicurista - o seu objetivo é apreciar a essência de uma taça de vinho, para usufruir plenamente da complexidade e da harmonia do vinho, sem beber a garrafa inteira, você vai se encontrar numa situação delicada. O vinho é uma vibrante essência sedutora... O estilo europeu de fazer vinho produz uma paleta muito complexa. Muito frequentemente, o segundo gole de uma taça de vinho será diferente do primeiro. Uma forma de atentar para isso é mantendo um gole de vinho em sua boca por um tempo,

2o Pilar: Epicurismo

degustando atentamente. Ele vai mudar de textura, primeiro liberando açúcares, depois ácidos, e finalmente, taninos (o amargo). Estes são frequentemente acompanhados por diversas e variadas sensações táteis da língua e bochechas. Os sabores detectado pelo nariz variarão também, primeiro revelando tons frutados, mas mudando lentamente para sabores mais terrosos como da madeira, da compostagem, do couro, de café e fumo nos vinhos tintos e cal, calcário, feldspato e sílex em vinhos brancos. Assim que o vinho é vertido numa taça, ele começa a mudar por causa da exposição ao oxigênio, e em muitos casos, devido à temperatura ambiente mais elevada. Esses processos influenciam no sabor, no aroma e na textura do vinho. Devido a esta natureza volátil, o vinho nos convida a prová-lo de novo para reviver a sensação e para avaliar como ele continua mudando e revelando novos aspectos de sua natureza. Se você fizer isso, o álcool começa lentamente a fazer o seu trabalho. Dois ou três goles são suficientes para se sentir os primeiros efeitos. Os vasos capilares do seu rosto vai se dilatar, e você começa a se sentir um pouco mais quente, e muitas vezes, a se sentir mais livre. O álcool remove algumas de suas inibições enquanto que aguça os seus sentidos, especialmente o sentido do olfato. Como resultado, a segunda taça de vinho realmente tem um gosto melhor do que a primeira, ou pelo menos parece ser mais expressiva. Neste ponto, o vinho te atrai para si, oferecendo mais de álcool em troca de mais experiências sensoriais ao mesmo tempo reduzindo a sua acuidade mental da realidade. Neste momento – especialmente quando você gosta do sabor do vinho - você vai começar a desenvolver uma ligação emocional com o líquido. "Uau, eu realmente adoro este vinho" é frequentemente ouvido nesse estágio. As sensações táteis e olfativas do vinho estão agora vinculadas às referências emocionais, tais como conforto, alegria, bem-estar, e até mesmo com o amor. Neste ponto, o melhor é realmente parar de beber. Se você continuar a mergulhar no álcool, os sentidos vão começar a amainar novamente, provocando a necessidade de mais vinho, de modo a experimentar as mesmas sensações incesantemente. Para a maioria das pessoas, porém, é muito difícil parar por aqui. Assim que você realmente começa a gostar do vinho, você precisa largá-lo. Para um epicurista de verdade, no entanto, isto é sempre um desafio. Da próxima vez que você levar a taça de vinho aos lábios lembre-se desse artigo e aproveite seu vinho ao máximo. Saboreie profundamente… apenas não vá tão fundo! n 18

TRIBUTO A

MELITA DENNING por Julien Larche

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elita Denning (Godfrey Vivian) e Osborne Phillips (Leon Barcynski) são autoridades internacionalmente reconhecidas no campo dos Mistérios Ocidentais, e são dois dos mais notáveis divulgadores da Tradição Ogdoádica, a da primeira escola Hermética cujas palavras-chave são o conhecimento e a regeneração, e cuja influência e obras são historicamente prescutáveis por vários séculos passados. Os autores receberam sua principal formação esotérica na Ordo Aurum Solis, uma sociedade mágicka que se manifestou em sua forma moderna em 1897 e que continua a existir e a trabalhar em prol do bem comum até os dias atuais.

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Melita Denning foi a primeira mulher Grã-Mestre da AS, de 1976 a 1987 e de 1988 a 1997 (23 de março), data de sua morte. Como Grã-Mestre, ela governou a Ordo Aurum Solis por 20 anos, o período mais longo que qualquer líder já governou na história da nossa organização moderna. Num determinado momento, Vivian passou cerca de seis anos viajando pelo Oriente Médio e pelo Mediterrâneo reunindo conhecimentos ocultos. Estes estudos, em última análise, a levaram a descobrir o trabalho da Aurum Solis durante a sua exploração de matérias similares. Ela estudou psicologia Junguiana com Buntie Wills, e foi também uma estudante do amigo de C.G. Jung: Toni Sussman. Ela era

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do Retorno para os buscadores. Honramos Melita Denning (Vivian Godfrey) e Osborne Phillips (Leon Barcynski) pela sua Grande Obra!

PROLÍFICOS E NOTÁVEIS AUTORES

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or volta de 1971, Denning e Phillips começaram a trabalhar com Carl Llewellyn Weschcke. Por volta de 1979 eles se mudaram para os Estados Unidos. Juntos, eles foram os autores de vários livros nos primórdios da Llewellyn Publications, dentre os quais está a apresentação formal da filosofia e prática da Ordem Aurum Solis sob o título: “The Magical Philosophy”.

Esta série de 5 livros em sua primeira edição levou à publicação progressiva da três grandes volumes que revelaram uma percepção muito profunda dentro da Tradição Ocidental. Pela primeira vez, Denning e Phillips relevaram a tradição Ogdoádica (Aurum Solis) para o público. Estes livros oficiais foram seguidos posteriormente pelo excepcional livro "Magia Planetária", amplamente reverenciado, e que será reeditado no verão também amiga, desde a adolescência, de Olivia Robert- de 2011, na mesma época do lançamento do próximo son, fundadora da Sociedade de Ísis, uma vez que eram livro de Jean-Louis De Biasi: “The Divine Arcana of mulheres jovens. Melita falava inglês, francês, italiano Aurum Solis” (Os Arcanos Divinos da Aurum Solis) e latim. http://goo.gl/AoDv1 n

OSBORNE PHILLIPS

Osborne Phillips foi o Grão-Mestre da Ordem de 1997 a 2003. Aos 16 anos, ele recebeu treinamento mágicko por parte de Ernest Page, que era tanto o Diretor da Ordo Sacri Verbi (que hoje está completamente integrada à Aurum Solis) e um notável astrólogo de Londres. Por algum tempo, no início dos anos 70, ele foi o líder da equipe de pesquisa psíquica da Aurum Solis. Leon foi aluno de U Maung Maung Ji, um professor de filosofias Orientais, que trabalhou com o SecretárioGeral das Nações Unidas, U Thant. Ele é um Membro da Associação Biográfica Internacional, Patrono Vitalício do Instituto Biográfico Americano, e membro honorário da Academia Anglo-Americana. Em 2003, ele transmitiu a plena autoridade da Tradição Ogdoádica Aurum Solis para Jean-Louis DE BIASI, consagrandoo ao mesmo tempo como Grão-Mestre vitalício (Veja a declaração):

Descubra os livros de Denning e Phillips em: http://goo.gl/lXxKB ou clique na tela abaixo.

http://goo.gl/kqEqE. Na história das tradições iniciáticas, constatamos que pessoas excepcionais sempre vêm à frente para ajudar a desvendar os Mistérios e para ajudar a abrir o Caminho www.magick‐theurgy.com

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A

Qabalah é geralmente mostrada como uma senda que deve ser utilizada para ajudá-lo a entender o mundo. O diagrama da Árvore da Vida oferece um padrão de ética e moralidade que auxilia você a achar os sinais e as orientações enquanto você viaja pela vida neste grande mundo. Apesar de valiosa, você logo descobrirá que a Qabalah não é a única resposta para as questões da vida. O dogma religioso, que é uma parte tão fundamental da Qabalah, é ausente das práticas de Alta Magia da Teurgia. O ritual e as práticas internas da Teurgia enfatizam a busca pessoal pelo Criador do Universo e nutre a vontade de estabelecer e manter uma relação íntima e pessoal com o Divino.

A QABALAH DO DOGMA AO HERMETISMO por Jean-Louis de Biasi

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O passo inicial na busca por um relacionamento com o Criador é fazer contato com as emanações do Divino que nossos iniciados ancestrais chamavam de “as Divindades”. Quando você usa as palavra hebraicas, gregas e egípcias de poder estritamente equivalentes, você será capaz de estabelecer esse contato sem as influências dogmáticas que se tornaram associadas à Qabalah. Quando você começa usando as palavras gregas e egípcias de poder (em vez de MAGIA & TEURGIA ‐ Abril/Maio/Junho 2011

Magical Philosophy”) de forma que você pudesse perceber quão essenciais esses ensinamentos são. Esses livros eram difíceis de achar até recentemente; felizmente, serão reimpressos. Em breve, apresentaremos seus aspectos mais importantes no site, a fim de ajudá-lo a entender os princípios que ensinam. Esses livros contêm ensinamentos esotéricos muito profundos. Ao passo que, algumas vezes, é difícil compreender as diferenças do entre os ensinamentos da Tradição Ogdoádica e os de algumas outras tradições mágicas (como a Golden Dawn), esses livros facilitarão a percepção dessa diferença. De fato, há enormes diferenças entre essas tradições. Conforme você também verá através dos meus vindouros livros da Llewellyn Publications, as diferenças nos ensinamentos de nossa Ordem são frequentemente revolucionários.

A árvore cabalística talvez seja o símbolo mais conhecido da Qabalah. Ela pode ser vista como a parte invisível de nossos corpos espirituais, e como um arquétipo útil em diversos rituais teúrgicos. considerar as hebraicas como uma obrigação), você, imediatamente, será capaz de sentir uma enorme diferença no poder que será capaz de invocar e usar. Você compreenderá que tem condições de, imediatamente, aproximar-se das suas origens Divinas. Essa é a Tradição Teúrgica Ogdoádica. Os Grão-Mestres anteriores de nossa Ordem publicaram uma apresentação muito completa e poderosa da Alta Magia que foi essencialmente focada na abordagem hebraica. Seria inestimável para você ler e assimilar os livros relativos à Aurum Solis por Denning e Phillips, principalmente “A Filosofia Mágica” (“The www.magick‐theurgy.com

É interessante notar que as formulações hebraica, latina, grega e egípcia dos rituais estão conectadas a energias muito distintas. Os efeitos não são exatamente os mesmos quando se altera a pronúncia do hebraico para o grego. Cada língua está conectada à história daquela cultura e, geralmente, a um momento específico. Além disso, os Poderes Divinos que cada língua invoca não são precisamente equivalentes. Para ilustrar essa questão, usarei um exemplo: cada tradição cria uma egrégora que existe nos planos invisíveis. Quando você usa palavras de poder, e/ou nomes de determinadas Divindades, você se conecta a um poder divino específico (mas uma conexão também será estabelecida entre você e a egrégora associada àquele poder). Por exemplo, quando você usa as palavras de poder da Qabalah Hebraica,também é conectado à egrégora dos antigos e contemporâneos Judeus Cabalistas, à sua história, às suas memórias, aos seus textos... Se você usar as palavras sagradas gregas, também será conectado à egrégora dos Mestres Hermetistas da Corrente Dourada, às suas práticas, aos deuses para os quais faziam preces, etc… A brilhante apresentação proporcionada por Denning e Phillips nos seus livros (da Lewellyn Publications) revelaram esse aspecto interno e enfatizaram a necessidade de aprender sobre essas tradições em profundidade, afim de ser capaz de fazer significativo progresso na compreensão e no uso das ferramentas das Tradições Hermetista e Ogdoádica. Em “Filosofia Mágica” (“Magical Philosophy”), você descobrirá uma rara a21

presentação das correspondências entre as palavras sagradas hebraicas, gregas e neoplatônicas. O livro intitulado “Magia Pla-netária” (Planetary Magick) foi ainda mais fundo nessa apresentação do Sistema Hermetista. Denning and Phillips forneceram para o leitor uma rara oportunidade de ter acesso a um profundo e potente entendimento destes aspectos do sistema Hermetista.

(como o Estado de Israel) e os Estados Unidos, que tem a estridente Águia (símbolo de Zeus)? A resposta deve ser um enfático “SIM”!

Durante os séculos XIX e XX, o aspecto lingüístico hebraico da Qabalah esteve em uso primário. Ao mesmo tempo, os inciados das Tradições Ogdoádica e Hermetista, nessas gerações, preparam a consciência dos Adeptos Hermetistas para que Entretanto, como eu disse ancontinuassem fazendo a Tradição teriormente, as egrégoras que Hermética avançar. Eles aprenestão associadas com as difederam a associar a si mesmos as rentes línguas que devem ser uegrégoras que estavam mais sadas nos rituais Hermetistas próximas das egrégoras originais. não são precisamente equivaÉ fácil entender por quê.É claro lentes. Além disso, certas egréhoje que as egrégoras relagoras são mais conectadas a cionadas a tradições monoteístas momentos históricos específicos é muito frequentemente usada dos países em que se origipor extremsitas religiosos. Essa naram. Para esclarecer isso, contribuição desequilibrada afeta deixe-me mostrar outro exemprofundamente a egrégora (e plo. aqueles que tentam usá-la em práticas ritualísticas). Mesmo Durante o período da forUma rara representação da Árque os praticantes não estejam mação e do nascimento dos Esvore da Vida Hermética e do posicientes desse problema, o uso tados Unidos, Benjamin cionamento tradicional das partes dessas vibrações e dessas visuaFranklin acreditava que o medo Cosmos. A história e uma exlizações produzirá um resultado lhor símbolo para o país seria o plicação completa serão apresenmuito diferente do de uma egréPeru selvagem. Seria difícil tadas no próximo livro “The gora mais pura, mais próxima da para os americanos imaginar Divine Arcana of Aurum Solis”, intenção original. Os radicais que hoje um símbolo que não fosse Llewellyn Publications, que será contribuem com a egrégora a Águia.O uso da Águia como o lançado no 3o trimestre de 2011. monoteísta também têm um símbolo primário da liberdade efeito deletério nos seus corpos americana é clara e radicalinvisíveis, causando desequilíbrio. Não é possível manmente distinto das imagens evocadas pelo Peru selter um equilíbrio saudável e associar-se às altas e lumivagem. Períodos históricos criam egrégoras culturais de nosas influências que você deve ter esperado se você se si próprios, e os símbolos ligados a esses períodos conectar à egrégora errada. É claro que pessoas que não devem ser entendidos para que sejam utilizados aprotêm habilidades psíquicas podem ter dificuldade em senpriadamente em práticas ritualísticas. Portanto, as egrétir e ver esses desequilíbrios e efeitos deletérios, mas os goras Herméticas que temos discutido necessitam ser efeitos danosos à sociedade são evidentes. As crises que compreendidas no contexto de sua língua, da egrégora vemos em nosso mundo cotidiano é uma ampla demonsà qual eram associadas e do perído em que se desentração disso. Em contraste, a Tradição Hermetista volveram. Tenha em mente que a Águia foi o principal mostra-nos o caminho da tolerância. O Hermetismo não símbolo de Zeus! Você acha que deve existir uma difepermite a superioridade de nenhuma religião ou tradição rença entre o caráter e a egrégora de uma nação que tem sobre outra. O extremismo é inexistente. Ainda mais que um candelabro (menorah) como seu símbolo primário 22

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isso, uma sociedade, como a norte-americana, que, explicitamente, exibe símbolos que são Hermetistas e pagãos demonstra esse princípio de tolerância e equilíbrio muito bem (veja o livro “Secrets and Practices of the Freemasons – Sacred Mysteries, Rituals and Symbols revealed”, por Jean-Louis de Biasi, da Llewellyn Publications). Pelo fato de a América adotaros princípios de liberdade religiosa e o direito de igualdade de todo ser humano, o uso desses potentes egrégoras será ainda mais efetivo e poderoso. Quando você começar essas práticas, sentirá o efeito muito rapidamente, depois de apenas algumas semanas. Ainda assim, devemos ser cautelosos.Eu não quero dizer que os ensinamentos e as práticas da Qabalah Hebraica deveriam ser banidos. Nossos Mestres usaram essa senda hebraica. É um importante passo na aprendizagem. É por isso que o 1º Grau da Aurum Solis é focado nesse sistema. Apenas lembre que a Qabalah Hebraica é usada como uma senda e apenas como uma senda (uma senda é algo que cobrimos com mistério e código para ajudarnos a revelar seus segredos). A senda em si não é, de forma alguma, uma Verdade absoluta. Na verdade, como se pode ver nos livros da “Filosofia Mágica” (“Magical Philosophy”), a Qabalah Hebraica é usada de acordo com os princípios Hermetistas. Lembre-se disso enquanto avança em seus estudos pelo caminho Hermetista. Isso tornará as transições entre os sistemas mais fáceis e co-locará o processo em perspectiva. No nosso site, você encontrará essa apresentação da Qabalah Hermetista. Nós fragmentamos a apresentação em seções que são projetadas para ensinar os princípios mais importantes de n o s s a O r d e m . Além disso, esses artigos foram redigidos por algumas das maiores autoridades da Ordem. Eles ajudarão você a entender www.magick‐theurgy.com

Acima, você pode ver representações cabalísticas de Christian Knorr von Rosenroth, que foi um Cabalista Cristão e um expert em idiomas orientais. À esquerda, você pode ver uma representação circular de Robert Fludd que ilustra o cosmos de acordo com a Tradição Hermética Ogdoádica.

por que é possível representar a Árvore Cabalística de várias formas. Também auxiliarão você a compreender a diferença entre a Árvore usada mais frequentemente e a Árvore Cabalística Hermetista usada em nossa Ordem. Conversaremos mais sobre isso na próxima parte de nossa apresentação. n J. L. de Biasi G.M. da O.A.S. 23

ECLÉSIA OGDOÁDICA M ISSÃO

pelo C.C. da Eclésia Ogdoádica

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a época da Renascença italiana, um filósofo religioso bizantino chamado Gemisto Pletão (Gemiste Pléthon) dirigiu-se para Florença (Itália) e lá transmitiu os diferentes aspectos da tradição hermetista. Ele era herdeiro da antiga religião (pré-cristã) e das tradições místicas mediterrâneas. Pletão escreveu um livro intitulado "O Livro das Leis" no qual ele fornece informações sobre os rituais, as tradições e os ensinamentos filosóficos associados aos antigos Mistérios. Alguns de seus livros foram queimados pela Inquisição Católica. .Felizmente, ele transmitiu sua autoridade e seus conhecimentos aos líderes da nova MAGIA & TEURGIA ‐ Abril/Maio/Junho 2011

OBJETIVOS PRINCIPAIS da “ECLÉSIA OGDOÁDICA” - Propiciar um sentido de reverência e respeito ao culto dedicado às Divindades Imortais e aos Mistérios Sagrados correlacionados. - Ajudar cada indivíduo a desenvolver a sua capacidade de tolerância com relação aos outros, em cada instante de sua vida. - Promover e praticar os ideais da Religião Hermetista (conhecida sob o nome de Eclésia Ogdoádica) através dos cultos, dos serviços sociais, da educação e do ensino. - Esforçar-se para enriquecer a espiritualidade da humanidade através da assimilação dos valores contidos nas Santas Escrituras Hermetistas, e aplicá-los na vida cotidiana. - Estabelecer e manter centros públicos com o objetivo de praticar atividades como: praticar os serviços religiosos Hermetistas, aspectos sociais, educativos, culturais e literários, e apresentar atividades artísticas relacionadas com os objetivos mencionados acima. - Ensinar e organizar pesquisas nas Santas Escrituras Hermetistas, que são: o Corpus Hermeticum (Corpus de Hermes, incluíndo o Asclépio, e os Fragmentos de Estobeu) e os Oráculos Caldeus. Todos esses documentos são apresentados numa tradução validada pela E.O. (à medida que pesquisas arqueológicas e de eruditos descobrirem mais textos antigos pertinentes, mais textos da Tradição Hermética podem ser adicionados ao CorAcademia Platônica colo- pus principal.) cada sob a proteção de - Construir, organizar e manter templos locais (locais Cosme de Médici. de culto), tais como definidos em suas Leis e RegulaGraças a essa transmissão, mentos, nos diferentes países onde a Eclésia Ogdoádica a sucessão religiosa e espiri- estiver representada. tual ficou salva. A Eclésia - Realizar serviços e cerimônias religiosas públicas Ogdoádica da Aurum Solis é (casamento; culto; consagração de estátuas; benção e a herdeira dessa antiga tradição, assim como sua proteção do lar; etc.) manifestação pública, e con- Desenvolver, promover e ensinar o respeito por tinua a oferecer um serviço todos os homens e mulheres sem distinção étnica, de público dessa potente e an- cor, de crença, de posição social, de orientação sexual tiquíssima Tradição. ou deficiência física. n Mais informações: http://www.ecclesiaogdoadica.org www.magick‐theurgy.com

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O TYMIATHERION TURÍBULOS Todas as tradições espirituais e iniciáticas estão usando incenso em seus rituais; e consequentemente, turíbulos. Este artefato parece tão antigo quanto os seres humanos que começaram a adorar poderes invisíveis. As Tradições Iniciáticas Ocidentais têm utilizado extensivamente incensários e incenso.

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m alguns casos, como nas ordens ocultistas européias do século 18 (em grupos mágickos com os Elu-Cohens), o incenso foi utilizado em grande quantidade para criar uma atmosfera específica que propiciasse as manifestações mágicas. O objetivo não era cultuar, mas ajudar o mago em ações específicas. Ao mesmo tempo, as igrejas muitas vezes utilizavam incenso em suas cerimônias diferentes.

por Patricia Bourin

No entanto, temos que lembrar que incensários e incenso foram utilizados em todos os rituais originais da antiguidade. Como herdeiro da Tradição Hermética Ogdoádica, a Aurum Solis continuou a fornecer ensinamentos específicos sobre os artefatos, os diferentes perfumes, incensos, ervas e seu uso nos rituais. É importante entender que essas informações são originais, e que geralmente não são muito conhecidas em grupos mágickos mais populares. Esta Tradição Hermética provém dos Mistérios e dos rituais greco-romanos. Como MelitaDenning & Osborne

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Phillips esclareceram na série Aurum Solis chamada "Magical Philosophy": "Dois tipos de incensário são usados pela Aurum Solis: o thymiaterion ou recipiente vertical (semelhante ao rechaud); e o turíbulo [um incensário suspenso por correntes]". Esta introdução mostra as raízes desta tradição e eu vou seguir as indicações fornecidas neste livro para nos aprofundarmos nos detalhes desses interessantes artefatos.

maga, que nasceu como um bárbaro. Uma cidade na Líbia fora chamada Thymiaterion, talvez porque a forma da cidade parecia com a de um incensário. No Império Romano, a palavra Thymiaterion tornou-se Turibulum, vindo de Tus e da palavra Acerra. Pessoas carregando turíbulos estavam presentes nas procissões religiosas. Uma constelação celeste recebeu como metáfora o nome de turibulum.

Eu vou apresentar esse estudo em três partes: 1 - os in- Os incensários de nossos ancestrais foram deliberadacensários; 2 - o uso dos incensários; 3 - Incensos, per- mente fabricados em diversas formas, como podemos fumes e sua utilização em rituais. perceber observando os artefatos que remontam à Antiguidade, e exibidos por inúmeros museus ao redor do omo Denning e Phillips informaram, a mundo. Baixos-relevos, gravuras em edifícios antigos, palavra mais frequentemente utilizada pelos pinturas em copos, etc. todos exibem diferentes tipos de gregos para denominar os recipientes nos incensários. quais incenso e perfumes eram queimados como oferenda aos deuses é Thymiaterion (ou Tu- No entanto, essa evidência traz à tona um ponto impormiatherion). Esta palavra vem do verbo Tumian, que tante, o qual torna uma idéia equivocada, e que se tornou significa incensar. No entanto, os gregos usavam outras comum nos tempos modernos, a de nos dias atuais palavras relacionadas de tempos em tempos, tais como acreditarmos que incensários Libanotis (palavra para um recipiente que era muitas foram uma invenção Cristã; vezes usado para manter o incenso; incenso = Libanos) porém, os incensários eram tão e a palavra eskaris, que é o nome de um artefato geralbem conhecidos na antiguidade mente no formato de um pequeno santuário ou fogão. O quanto hoje em dia. Os cristãos Thymiaterion era feito de terracota, metal e alguns eram não foram os primeiros a usar feitos inteiramente de prata ou de bronze, e em seguida, caixinhas penduradas por uma peprateados. Cada peça era uma obra de arte. Eles foram quena corrente ou cordão e elevadas em frente dos cuidadosamente mantidos no tesouro dos Templos Gre- altares, a fim perfumarem o ar. O uso deste tipo de ingos, em Atenas, Pireu, Delfos, Epidauro, Esmirna, etc. censário nos tempos antigos está bem registrado, e O invenmuito antes da introdução do incenso no mundo Ocitário de dental. Delos lista Taças foram descobertas em Tróia (Grécia) com furos os turíbuem suas alças. Parece muito provável que estas taças eslos deditivessem penduradas, amarrando alguma coisa através cado a desses furos, e sendo usados como incensários. Outros A p o l o artefatos como este foram encontrados em toda a Itália. v á r i a s Por exemplo, os artefatos constituídos por duas tampas vezes. Um hemisférica que podiam ser unidas para formar uma esdos turíbufera, foram encontradas em vários locais, incluindo a los que era Etruria no noroeste da Itália. Este artefato em particular frequentetem uma ampla haste (base) m e n t e com um orifício circular na m e n parte superior e ganchos nas cionado na laterais, onde uma corrente de lista, foi metal foi inserida, através do dado aos qual o ornamento podia ser Deuses por suspenso. alguém chamado Parece óbvio que este artefato Boulofoi feito para conter perfumes.

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Parece que eles se originaram no Extremo Oriente. Este tipo de artefato continuou a ser utilizado durante toda a história. Há pinturas de Pompéia com uma representação de um turíbulo que parece ser muito similar ao incensários em uso nos tempos modernos. O Museu de Nápoles tem em exposição um incensário circular com uma tampa móvel ligada a uma corrente que permite levantá-la da mesma forma que os incensários modernos (similares aos das capelas e assim por diante).

África. Alguns membros da África enviaram para o Grão-Mestre da Aurum Solis um desses incensário. (Veja a foto, na vertical em frente a Demeter) Outros incensários feitos durante o período romano têm a forma de edifícios reais que não existem mais hoje

Do Oriente, veio uma outra forma antiga de incensário, que era muito diferente, em aparência, do Tumiateria ou turibula. Estes incensários são freqüentemente encontradas nos vestígios arqueológicos do antigo Egito, Assíria, Chipre, etc. Na Grécia, esta pequena caixa usada para conter incenso foi moldada em várias formas estranhas, como você pode ver na última página. Na Grécia antiga, encontramos também alguns incensários com uma forma mais regular. Na época do Parthenon, em Atenas, o Thymiaterion foi moldado na forma de um cilindro de base circular. A tampa era cônica, com furos. O perfume era queimado no vaso e a fumaça perfumada era liberada através dos furos na tampa. Este artefato se parece mais com um castiçal do que com um incensário. A única diferença entre um castiçal e este incensário parece ser a tampa com furos. Por esta razão (em algumas das traduções dos escritos sobre estes objetos), tem havido alguma confusão entre os castiçais e os incensários (vide figura abaixo). Mais tarde na Grécia, o tumiateria e a turibula foram modificados e passaram a ter designs mais complicados, assim como o design dos castiçais evoluiu. No auge dessa evolução no design dos turíbulos, encontramos incensários elaborados em terracota que têm dois andares. A tampa é usada como uma cobertura. A parte superior continha as ervas usadas para perfumar a fumaça. As duas partes foram separadas por uma partição com um furo central, permitindo a chama (que queimava na parte inferior) alcançar as ervas e criar a fumaça perfumada. Este tipo de incensário é usado ainda hoje em algumas partes da 28

Este turíbulo em terracota é utilizado ainda hoje em algumas partes da África, e em vários rituais Ocidentais.

É fácil confundir cálices e incensários.

(destruídos há muito tempo). Outros ainda têm uma forma que é muito similar a cálices. É muito À esquerda, difícil saber se eles eram cálices ou incensários. Eles foram outro incenchamados de Kothos. Outros insário em tercensários, denominados kernoi ou racota é kerchnoi, eram feitos de terracota exibido. (com furos) e foram utilizados nos Mistérios de Elêusis (os rituais realizados em Elêusis, Grécia). É muito difícil saber se eles foram usados para queimar ervas e incenso, ou como suporte MAGIA & TEURGIA ‐ Abril/Maio/Junho 2011

para velas. No entanto, também encontramos copos metálicos (bronze), apoiados sobre três pernas e utilizados como incensários. O carvão vegetal era colocado no copo e o incenso era colocado no carvão em brasa. Como você pode ver, os incensários Gregos e Romanos são muito semelhantes aos usados hoje nas Tradições Iniciáticas Ocidentais, como a Aurum Solis. É claro que a antiguidade não nos informa como usar esses incensários cerimonialmente. Felizmente, os iniciados da Corrente Dourada preservaram este conhecimento, de modo que possamos utilizar o incenso apropriadamente em nossos rituais, sem os erros inerentes aos erros de tradução inerente a muitas outras ordens ao redor do mundo.

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omo você pode ler no volume 3 da obra Magical Philosophy, Llewellyn Publications: Aqueles que trabalham de acordo com o sistema A.S. estão submetidos às seguintes regras quanto ao uso do incenso (apenas os pontos-chaves são dados). O emprego de incenso é permitido: 1. Como um meio de direcionar a mente para uma modalidade em particular. Este é o único uso do incenso, que é invariavelmente válido em qualquer trabalho, seja qual for. O Thymiaterion tem que ser usado. A estabilidade deste turíbulo é usado como a base da mente estável focada em uma modalidade. Alguns grãos de incenso são usados no início da obra. Nas próximas edições dessa revista, o processo invisível será explicados. 2. Como uma purificação simbólica, geralmente associada à lustração (limpeza simbólica). Uma questão preparatória: limpeza e purificação da matéria, tanto dos utensílios quanto dos pretendentes. Assim como a limpeza do corredor e a purificação de um templo não consagrados, de modo prévio ao trabalho. O turíbulo tem que ser usado. A purificação expressa a utilização de uma energia em movimento. Como a água, estes fluxos de energia têm que se expandir no local, e o movimento regular do www.magick‐theurgy.com

Turíbulo permite ao Mago segui-los e incrementá-los. 3. Como um adjuvante ao causar o movimento dentro da Luz. Como um meio de sintonizar o ambiente. Da mesma forma, atos ritualísticos específicos, tais como o incensamento da matéria, dos utensílios, etc., em um estágio crucial em um trabalho, como um mínimo auxílio para a modificação de substância. O Thymiaterion ou o turíbulo pode ser usado. Dependendo da ação e do ritual, ambos turíbulos podem ser usados. O ensino oral indica qual deve ser usado de acordo com a parte do ritual. 4. Para auxiliar a plena materialização de um Espírito evocado. Essa é uma exceção à regra quanto ao uso moderado do incenso: reconhece-se que quantidades consideráveis podem ser necessários para alcançar o objetivo. O Thymiaterion tem que ser usado. Esta situação é muito rara, pois está restrita a iniciados avançados. No entanto, é bom saber que neste caso a forma do incensário é essencial. 5. Como um ato de adoração. Uma mera oferta aos deuses. E também, a oferta de incenso, sob a forma sacramental, para uma deidade presente. O Thymiaterion ou o turíbulo pode ser usado . Enfatizamos o uso do plural para falar sobre os "Deuses" no presente texto. Como você verá mais adiante, a questão do incenso associado a "Deus" é diferente. No entanto, neste caso o uso de um incenso específico é útil. Eu posso salientar novamente que neste caso a forma do incensário é significativa. As formas têm poderes específicas e geram um determinado tipo de energia. Elas podem estar mais conectadas à memória e ao amplo arquétipo do que ao próprio artefato. É por isso que cada divindade não pode aceitar todas as oferendas prove29

Uma maravilhosa pintura de Alma Tadema, mostrando uma preparação ritualística durante o período Romano. incenso somente como um instrumento de consagração será um uso mágico, e não teúrgico. O processo envolverá somente poderes externos, sem relação com o eu interior do Mago. É por isso que o incenso não é permitido. 2. Como um equivalente da unção, em quaisquer circunstâncias: por exemplo, o incensamento de utensílios efetivamente carregados, etc., no ápice das cerimônias de consagração. Aqui novamente o incenso não pode ser o fim em si mesmo. 3. Ambulação de aspersão e incensamento com a intenção de limpeza e purificação de um templo consagrado. É uma crença estranha em alguns grupos que, mesmo um templo consagrado tem que ser purificado sempre. No entanto, na tradição teúrgica, um templo consagrado foi, durante a cerimônia, tema de uma modificação especial do seu corpo invisível. Depois disso, um templo consagrado se tornou "sagrado", o que significa "separado do mundo material." Esta é a razão pela qual não há necessidade de purificar o lugar regularmente.

nientes de qualquer recipiente. Estamos falando de teurgia, e símbolos são mais do que representações materiais. Eles são elos, pontes entre o visível e o invisível. Seria difícil invocar ou adorar Hermes com um incensário Cristão, por exemplo. O emprego de incenso não é permitido: 1. Como uma forma de consagração por si só. O incenso é um elemento ritualístico, uma ferramenta, mas não o objetivo em si mesmo. Nos rituais teúrgicos, o mago trabalha simultaneamente, e com plena consciência, nos dois planos: visível e invisível. A consagração é o resultado de todo um processo. O uso do 30

4. Como uma tentativa de reforço das defesas astrais. Teremos oportunidade de voltar a falar sobre essa noção de defesas astrais. Hoje você pode se lembrar que a melhor defesa astral é a elevação do eu interior em direção ao divino, e conseqüentemente, aumentando a luz dos corpos invisíveis. Neste caso, o mal não pode agir sobre nós . 5. Como um ato de adoração a algo inferior aos seres divinos . A Tradição Hermética e Teúrgica não adora outros seres além das divindades imortais, ou o Divino em si. Na próxima edição da revista, terei a oportunidade de esclarecer sobre o uso dos incensários e do incense de acordo com a Tradição Ogdoádica, com trechos do “Magical Philosophy”. n MAGIA & TEURGIA ‐ Abril/Maio/Junho 2011

AS SANTAS ESCRITURAS HERMÉTICAS

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hermetismo remonta a um passado bem remoto. A Tradição Hermética Ogdoádica, que conhecemos hoje como « Aurum Solis », perpetua ensinamentos e ritos que remontam à Suméria e ao Egito antigo, especialmente no local sagrado de Hermópolis. Esta tradição foi recebida e conservada pelos Mestres da Corrente de Ouro. As Santas Escrituras Herméticas são constituídas por vários livros. O primeiro, e o mais importante, é chamado de Corpus Hermeticum (Corpus de Hermes). De acordo com alguns ensinamentos muito sagrados, antigos e secretos desta Tradição, estes textos provavelmente foram escritos em Alexandria, por volta do primeiro século de nossa era. Foi nesse mesmo momento que os mesmos iniciados (aqueles que registraram os ensinamentos em texto a fim de preservar o conhecimento) desenvolveram a alquimia, a astrologia e a filosofia neoplatônica. Jâmblico, um dos Mestres teurgos de nossa Tradição (entre os séculos III e IV) e Proclo (no século V) utilizavam esses textos como sua escritura principal. Ao longo dos últimos séculos, os escribas e tradutores adicionaram várias partes que não faziam parte dos documentos originais, introduzindo numerosos erros (às vezes intencionalmente) e mudando o significado das sentenças que são fundamentais para a sua compreensão. Nos tempos modernos os escribas e tradutores eram muitas vezes eruditos acadêmicos, que fizeram um enorme trabalho de modernização destes materiais sagrados, mas muitas vezes eles fizeram isso com quase nenhum entendimento da tradição espiritual, e sem reconhecer as partes incorretas, mantendo-as. Por muitos anos, a Ordem Aurum Solis e a Eclésia Ogdoádica têm utilizado esses textos em seu trabalho privado. Mas como iniciados, os Grandes Oficiais trabalharam extensivamente nestes textos, a fim de manterem o significado esotérico, filosófico e religioso originais. Esta tradução será útil para qualquer um que esteja ávido para conhecer o coração da Tradição Ocidental. Ela será progressivamente publicada nesta revista. www.magick‐theurgy.com

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LIVRO UM POIMANDRES 1 Um dia, enquanto eu estava mergulhado em meus pensamentos, refletindo sobre a natureza dos seres, eu senti um torpor invadir meu corpo, como se eu mergulhasse num sono profundo, abatido por uma refeição pesada ou por uma grande fadiga. Mas estranhamente meu espírito se elevava pouco a pouco, pairando acima de mim, nas alturas sutis. Foi lá que eu vi um ser gigantesco, de uma estatura impossível de mensurar. Ele se aproximou englobando a imensidão do espaço. Sua voz ressoou nitidamente em meu espírito, dizendo: « O que tu buscas? O que tu desejas conhecer? » 2 Eu respondi sem hesitação: « Mas tu, quem és? » - Eu sou Poimandres, ele respondeu; o Nôus, o Soberano absoluto de todas as coisas. Eu estou contigo a todo instante, e eu sei o que tu buscas, mesmo que nem sempre tu possas denominar. 3 – Oh! Eu busco conhecer os seres, a natureza de Deus; eu aspiro conhecer o Universo com todas as forças de minha alma! - Teu desejo é justo. Mantenha-o em ti, e eu te ensinarei os mistérios de todas as coisas. 4 Com essas palavras, ele mudou de aspecto repentinamente. Seu ser por inteiro tornouse uma viva e intensa luz que me banhou num arrebatamento e com uma alegria que jamais tinha conhecido até então. Eu não via limite para esta presença insondável, e meu coração se abria a todo instante com o benefício, amando sem restrição, unindo-me com todas as fibras de minha alma ao que eu percebia e sentia. Porém distante, abaixo de mim, percebi um movimento sinuoso. Uma ondulação tenebrosa e assustadora se deslizava próximo ao local onde me encontrava. Ela avançava, parecia uma sombria serpente que se enrolava em espirais num silêncio ameaçador. Pouco a pouco, a obscuridade tornou-se menos intensa, enquanto que o ar se carregava com uma crescente umidade. Subindo até mim, nuvens de vapor começaram a emanar como braços imensos e articulados, cujos movimentos geravam silvos estranhos. O mundo que até então era silencioso, se animava, gritos inarticulados pareciam jorrar do Fogo que preenchia o ar. 5 A luz tornou-se mais intensa e um sopro vibrante jorrou. Este som que eu não compreendi, fez vibrar meus tímpanos e desceu para se misturar com aquela estranha natureza em formação. No instante em que ele alcançou a obscuridade carregada de umidade, um fogo magnífico, brilhante, quase irreal, se lançou para as regiões maravilhosas onde eu me encontrava. As chamas se elevavam e rodopiavam conduzidas pelo vento e pelo ar. Essa intensa e maravilhosa dança era um verdadeiro encantamento celeste. Abaixo, a água e a terra estavam tão intimamente misturadas uma na outra, que era impossível distingui-los em seus movimentos.

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6 E então ressou novamente a voz de Poimandres: « Tu compreendes o significado do que tu vês ? » - Não, eu disse. - A luz que tu contemplas é a minha, a do Nôus, eu que existia bem antes que a obscuridade se manifestasse, e bem antes que umidade se revelasse nela. Quanto ao sopro, aquela palavra luminosa no silêncio; ele jorrou do meu coração; ele é o filho de Deus. - Eu mal compreendo essa linguagem... - Procura ver o que te a dizer o teu próprio ser. O Verbo, o Logos, ao mesmo tempo filho e luz, é a faculdade de ver e de entender. Deus, o Pai, é o teu Nôus. Essas duas naturezas jamais ficam separadas, e a tua vida depende dessa união. - Eu te agradeço, ó Poimandres. Eu senti que a sua atenção se concentrava em mim, que uma força intensa surgia no ar que me circundava, e ele disse : « Fixa teu olhar no cerne da luz, e que nasça em ti a compreensão a qual tu aspiras. » 7 A tensão que senti aumentou de intensidade e todas as partes do meu ser começaram a tremer. Pareceu-me que a parte em mim que ele tinha denominado Nôus se harmonizada com o cerne da luz que eu contemplava. Eu passei a ver uma luz constituída plenamente por múltiplas Potências se expandir até formar um mundo sem limites. Mas esse fogo potente era mantido por uma força ainda maior que o sustentava solidamente, dando-lhe sua estrutura, sua estabilidade. Completamente imerso na visão dessas Potências luminosas, eu ouvi novamente a sua voz ressoar : « Tu viste a forma arquetípica, o princípio primordial que existe antes mesmo do início do que não tem fim. » - Mas, eu disse, de onde surgiram os elementos da natureza? - Da Vontade de Deus, que contemplando a beleza do mundo arquetípico, ideal, modelou as almas segundo sua própria natureza. Continuará na próxima edição...

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SÍMBOLOS

DA

GRANDE OBRA

O CORVO por Martin Béliard

Corvos são frequentes nas mitologias mundiais. Na Tradição Hermética, as aves escuras estão relacionados com Hermes e Apolo. Um estudo no simbolismo rapidamente revela como o corvo é também parte de uma linguagem hermética sobre a Regeneração da Alma.

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s animais aparecem em grande número na mitologia Grega. De acordo com poetas gregos, escultores, historiadores e filósofos que expressaram e refletiram sobre seus mitos e histórias, sabemos que a carruagem de Afrodite era puxada por cisnes, Hécate era a regente dos cachorros e cães de caça; Poseidon, o mestre dos cavalos; e Zeus, o grande metamorfo, foi associado com a águia, o touro, a serpente, etc .... Conforme vários estudos comparativos de mitologia demonstram, essas relações simbólicas entre animais e divindades estão longe MAGIA & TEURGIA ‐ Abril/Maio/Junho 2011

de serem arbitrárias; elas falam através de formas pro- e atirou em sua amante. fundamente enraizadas de relacionamento humano com Coronis, abatida, lentamente arrancou a flecha do seu a natureza e com a divindade. coração, e enquanto estava morrendo, ela disse para o Para se aproximar dos Deuses e das Deusas, pode-se Deus que ele deveria ter esperado o seu filho nascer usar oferendas e perfumes, mas imagens e símbolos antes de se vingar da ofensa. Cheio de mágoas e armágicos também são úteis e frutíferos para se explorar rependimentos por seu amor, Apolo tentou todo tipo de maneiras de se invocar divindades e se conectar com cura e todos os segredos divinos que ele sabia para trazêelas. Símbolos de animais podem ser utilizados para la de volta à vida, mas foi em vão. Enquanto o corpo da esse mesmo fim, como representações em talismãs, es- princesa queimava numa pira em seu reino, Apolo finaltatuetas consagradas e projeções mentais. Além disso, mente conseguiu salvar o fruto de sua união, a criança estes símbolos não só permitem uma eficaz aproxi- ainda por nascer, seria conhecido como Asclépio, o mação com uma divindade, mas também constituem Deus da medicina. uma linguagem hermética mais ampla que descreve de Apolo levou o filho para o sábio Quíron. Ele então forma viva a dinâmica da Regeneração da Alma. olhou para o Corvo, e como puniçãopor seu zelo excessivo, tornou negra a sua plumagem branca.

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as antigas mitologias em todo o mundo, o corvo é portador de muitas qualidades importantes. Na tradição Grega e Romana foi essencialmente um símbolo de comunicação entre os mundos, mas também, como você verá a seguir, da escuridão que expressa os primeiros passos da Grande Obra. Píndaro e Ovídio escreveram sobre o corvo. Píndaro foi um poeta grego do século 5 da Era Comum, devotado a Apolo. Ovídio, um poeta romano do século 1 da Era O corvo aparece em cultos Mitraicos, nos Comum, é um dos maiores autores da quais ele foi associado com Hermes. « Korax », história Ocidental, e suas obras permaneceram poou « corvo », era a primeira das sete iniciações pulares e influentes na cultura européia desde a AnMitraicas, e estava relacionada com Mercúrio. tiguidade até o Renascimento. Píndaro e Ovídio narraram o mito do corvo através da estória de uitos elementos simbólicos aparecem Coronis. O primeiro o faz em seus Odes Píticos; e o seneste breve mito. Mantendo nossos gundo, em suas Metamorfoses. olhos no corvo, sabemos que ele foi Os dois relatos do mito são bastante similares. O para Ovídio Phoebeia ales, ou “a ave corvo foi outrora sagrado para Apolo, seu mestre. Nestes de Apolo”. Além disso, o corvo era um mensageiro, e tempos, de acordo com os poetas, as penas da ave eram um pássaro branco que se tornou preto. Esta última carde uma brilhante cor branco-neve. Coronis, uma acterística é proveitosa se considerada diante da morte princesa da Tessália, era amante de Apolo. O corvo teve e cremação de Coronis, e do nascimento de Asclépio. um vislumbre dela sendo infiel ao Deus, deitando-se Quanto a estes elementos, também devemos acrescom outro homem. Querendo servir Apolo bem, e demonstrar a sua lealdade, o pássaro voou de volta para centar que o corvo aparece em cultos Mitraicos, nos contar para o seu mestre. Apolo, após ouvir o corvo, en- quais ele foi associado com Hermes. « Korax », ou « trou numa fúria incomum. Irritado com Coronis, ele pôs corvo », era a primeiro das sete iniciações Mitraicas, e a sua lira e a coroa de louros de lado, armou o seu arco, estava relacionada com Mercúrio. Esta é a razão pela

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qual, nos dias atuais, a Eclésia Ogdoádica honra Hermes último é exatamente o pássaro que o jovem está tencom a imagem de um corvo no chão de seus templos. tando alcançar. As aves em geral, e especialmente aqueles de plumagem escura, eram frequentemente usadas para representar as almas dos mortais na poesia e na arte da Grécia antiga. Após a morte, pensava-se que o Hermes C t ô n i c o atrairia a alma com o seu b a s t ã o sagrado. A alma teria a forma de um pássaro escuro, e seguiria Hermes no Hades, e no além. O

Na linguagem alquímica, dizse que o corvo aparece no cadinho do alquimista como uma lama, mas secretamente rica, uma substância escura. O aparecimento desta substância confirma o sucesso da primeira etapa da Grande Obra: o processo de calcinação. Este primeiro passo é a putrefação da prima materia, ou o tema do trabalho, por um recorrente e constante fogo. Ele transforma a matéria de volta para uma terra escura, tão rica como o solo negro do Egito; do qual, como mencionado nos Hinos Órficos, Apolo veio. corvo, assim como o deus veloz e volátil, permitia a passagem entre os mundos. O corvo aparece em uma gravação interessante de um texto alquímico do século 16, Aureum Vellus, de Trismosin . É apresentada ao leitor a imagem de um jovem escalando uma escada para alcançar um pássaro escondido em uma árvore. O que é notável é que há muitos pássaros brancos na árvore, e um negro, um corvo. Este 36

Por que o alquimista que procura pela pedra, ou pela panacéia, prefere o pássaro preto aos brancos? Na minha opinião, nas estórias de Píndaro e de Ovídio, o corvo torna-se preto como um testemunho da morte de Coronis, assim como do nascimento de Asclépio. Na tradição alquímica, proveniente da literatura clássica, o corvo é o sinal da Magnum Opus, e mais precisamente, a confirmação de se estar no caminho do retorno. O corvo é, em outras palavras, o signo de Hermes como o mestre da magia e seus cognatos. Na Grécia antiga, o Temenos era o espaço de um santuário, onde as divindades eram honradas. Nas Casas da Aurum Solis, este é o nome que damos ao espaço sagrado onde os ritos (1ª e 2ª moradas) da Ordem são realizados. No chão, ao Oriente deste espaço, encontram-se três degraus. O primeiro, ao nível do chão, é preto; o segundo, branco; e o terceiro e último, vermelho. Tenha isso em mente ao refletir sobre o simbolismo mágico e hermético do corvo, e também, do processo de regeneraçãoespiritual como um todo. Na linguagem alquímica, diz-se que o corvo aparece no cadinho do alquimista como uma lama, mas secretamente rica, uma substância escura. O aparecimento desta substância confirma o sucesso da primeira etapa da Grande Obra: o processo de calcinação. Este primeiro passo é a putrefação da prima materia, ou o tema do trabalho, por um recorrente e constante fogo. Ele transforma a matéria de volta para uma terra escura, tão rica como o solo negro do Egito; do qual, como mencionado nos Hinos Órficos, Apolo veio. Como indicado na Tabula Smaragdina, o poder do Primeiro Pai, ou Nôus, está perfeito quando propriamente convertida em terra. E além do mais, ela resulta na separação de dois princípios espirituais a partir desta escuridão inicial: o Mercúrio e o Enxofre. Os quais algumas vezes são representados por um unicórnio, e um alce (ou leão), e são ditos como sendo feminino e masculino. Esta separação ocorre em um mesmo cadinho (o próprio ser), o que significa que ambos princípios estão MAGIA & TEURGIA ‐ Abril/Maio/Junho 2011

em uma contínua relação íntima e dinâmica durante toda a produção do remédio universal (panacéia). O caminho para o adeptado é a harmonização adequada desses princípios, e a realização da sua própria divindade. O corvo, como a criação desta substância inicial, escura e enlameado, é às vezes chamada de "adubo", uma idéia que se assemelha, de certa forma, com as primeiras linhas do Poimandres quando, despertado pelo Nous, vê-se um imenso ser de luz produzindo uma substância escura onde os elementos são, lenta e progressivamente, harmonizados. A Meditação sobre estas passagens, seja em relação ao simbolismo alquímico ou não, é sempre proveitosa para os teurgos. Voltando ao Aureum Vellus, por que o aspirante aos mistérios procura por um pássaro preto em vez dos brancos? Bem, basta pedir o corvo. Hermes não é apenas o Deus dos segredos que sela e esconde, ele também é o mensageiro dos discursos sagrados, e a chave volátil para os nossos trabalhos. Meditemos sobre esses processos. Não precisamos conhecer antecipadamente o destino, ou a estrada à frente, para refletir sobre o nosso trabalho. Iniciados do passado deixaram pistas no Caminho do Retorno, lá repousam o significado de ‘Tradição’, e de símbolos. n

AS 7 KAMEAS

ameas, ou Quadrados Mágickos, têm sido um das mais importantes ferramentas da Tradição Ocidental, desde a época da Idade Média. Geralmente elas eram escritas em pergaminhos, porém esta não é a melhor forma para utilizar em rituais. De fato, as letras Hebraicas têm um poder extremamente intenso, e o seu preciso design é muito importante para gerar um resultado real e substancial. Apesar de haver um efeito real gerado pela ação das formas por si só, denominado “o poder da Forma”, este tipo de energia édefinida pela espessura das diferentes letras das kameas. sses quadrados mágickos, denominados também como Kameas, estão embasados neste princípio, utilizam simultaneamente o próprio poder das letras, o poder da combinação das letras, assim como o poder do quadrado por inteiro, e a manifestação em três dimensões. Existem sete Kameas tradicionais. As Kameas Planetárias estão associadas com as Sephiroth Yesod, Netsah, Hod, Tiphéreth, Gébourah, Chesed, Binah. iferentes rituais utilizam os poderes das Kameas, e as invocações inscritas nelas. Existem também meditações especiais que podem nos ajudar a aprendermos a nos conectarmos com os diferentes Sephiroth, planetas e planos divinos.

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As 7 Kameas (Quadrados Mágickos), 1 para cada planeta, estão gravadas em ouro.

Elas estão disponíveis em Hebraico ou Grego em: http://goo.gl/5KjXj

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‘No século 2 da Era Comum surgiu um cômico romance iniciático intitulado As Metamorfoses. Sua história é a de um homem transformado num asno que acabaria por se tornar um sacerdote de Ísis. Esta novela é uma grande janela para os Mistérios Isíacos da Antiguidade.’

bém, desde cedo exaltaram Ísis, e ela muitas vezes foi associada com Deméter e Perséfone em Elêusis. Mais tarde, seu culto foi estabelecido no Império Romano, onde seus templos rapidamente se espalharam por Roma e Gália. Lutetia, onde fica atualmente Paris, era o recanto de um de seus grandes locais de culto fora do Egito.

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sis é a antiga Deusa Egípcia da magia, da lua, e feminilidade. Inúmeras imagens coloridas da Deusa adornam a maioria dos templos egípcios. Além disso, sabemos sobre ela através de dois mitos registrados em papiros que datam dos séculos 12 e 13 antes da Era Comum : o envenenamento e a cura de Rá, e a regeneração de Osíris. Estas são histórias bem conhecidas que podemos encontrar na maioria dos livros sobre mitologia. Na primeira, Ísis ludibria o seu pai Rá para revelá-la o seu nome mais secreto. Na segunda, Ísis, juntamente com Néftis, opera a regeneração de Osíris que tinha sido morto por Seth. Em ambas as histórias ela aparece como uma das mais belas, mais sábias,e mais poderosas Magas dentre as divindades Egípcias. Popular, e de grande importância para as tradições egípcias, seus mistérios eram celebrados em templos por todo o país. Durante séculos, suas bênçãos e iniciações foram procuradas por Magos; e ela era invocada, juntamente com Thoth e Hórus, em encantos e orações de cura egípcias para homens e mulheres. Os gregos tam38

Louvada por cerca de dois milênios em torno do Mar Mediterrâneo, a Deusa deixou a sua marca no mundo ocidental. Iniciados Modernos Iniciados têm maneiras particulares de invocar Ísis, celebrar seus mistérios, e de serem tocado por suas bênçãos. Arqueólogos classicistas, no entanto, precisam de fontes para aprofundar os seus estudos dos cultos de Ísis na Antiguidade. Uma dos mais ricos relatos que eles têm sobre o assunto é a obra As Metamorfoses de Apuleio de Madaurus. Trechos desse maravilhoso o romance romano são encontradas abaixo, e eu espero despertar o entusiasmo do leitor para o trabalho espiritual com a Rainha dos Céus. Apuleio foi um Platonista da metade do século 2 da Numídia, África do Norte. Ele escreveu muitos textos e comentários sobre a filosofia de Platão, e sobe a religião antiga. As Metamorfoses, também conhecido como O Asno de Ouro, é o seu trabalho mais famoso, e o única romance latino que chegou a sobreviver à antiguidade em sua totalidade. A obra conta a história das extravagantes aventuras de Lucius, um aristocrata transforMAGIA & TEURGIA ‐ Abril/Maio/Junho 2011

ApuleiO & OS MISTÉRIOS de Ísis por Irene Craig

mado em um Asno por sua amante. Tecida em muitos outros contos narrados pelo protagonista, e principalmente cómico, As Metamorfoses também pode ser lido como uma jornada espiritual do herói durante suas aventuras; e a sua jornada para se tornar humano novamente, levá-o a buscar as bênçãos, e os conselhos, da Rainha dos Céus. Tendo sido visitado inúmeras vezes por Ísis em sonhos, sua jornada espiritual termina quando ele se tornar um sacerdote da Deusa. O trecho abaixo foi extraído do livro 11 de As Metamorfoses. O texto principal provém do Projeto Gutenberg, um recurso on-line muito útil para o estudo da tradição clássica. A atual versão foi ligeiramente modificada para se adequar às sutilezas modernas.

As Metamorfoses Em uma noite o Grande Sacerdote apareceu-me em sonho, apresentando seu colo cheio de tesouros. Surpreso, perguntei o que significava. Ele respondeu que ele foi enviado para mim desde o país de Tessália, e que um servo meu chamado Candidus havia chegado também. Quando acordei, pensei comigo mesmo sobre o que esta visão queria dizer, considerando que eu nunca tive nenhum funcionário chamado por esse nome, mas qualquer que fosse o significado, na verdade eu achava que isso era um presságio de ganho e uma oportunidade próspera. Enquanto eu estava assim impressionado, eu fui até o templo, e fiquei lá até a abertura dos portões, www.magick‐theurgy.com

então eu entrei e comecei a rezar diante da face da Deusa (Ísis). O Sacerdote preparou e arrumou as coisas divinas de cada Altar, e retirou a fonte e o vaso sagrado com a súplica solene. Então eles começaram a cantar os louvores da manhã. Aos poucos, eis que chegou o meu servo que eu havia deixado no país quando Photis por erro me transformou num Asno. Ele trouxe com ele o meu cavalo, recuperado por ele através de certos sinais e símbolos que eu tinha em minhas costas. Então eu percebi a interpretação do meu sonho, por que razão que ao lado da promessa de ganho, o meu cavalo branco foi restaurado para mim, que era representado pelo argumento de Candidus, meu servo. Feito isso, retirei-me para o serviço da Deusa na esperança de maiores benefícios, considerando que eu tinha recebido um sinal e um símbolo, por meio dos quais a minha coragem aumentava mais e mais a cada dia para usufruir das ordens e dos sacramentos do templo. Eu, muitas vezes, conversava com o Sacerdote, desejando bastante que ele me desse a Iniciação da religião. No entanto, ele que era um homem sério protelou minha afeição dia após dia, com conforto e melhor esperança, como os pais costumam refrear os desejos de seus filhos. Dizendo que o dia em que qualquer um deve ser admitido em sua ordem é nomeado pela Deusa; o Sacerdote, que deve ministrar o seu culto é escolhido por sua providência, e as despesas necessárias das cerimônias são atribuídas por seu mandamento. O Sacer39

dote, assim, desejou que eu atentasse com uma paciência admirável, e que eu deveria tomar cuidado também tanto com a excessiva precipitação, como com a excessiva negligência, considerando que havia o igual perigo de: caso eu fosse chamado, me atrasar; ou não, de ser precipitado. Além disso, ele disse que não havia ninguém em sua companhia com uma mente tão desesperada, ou tão imprudente e audaciosa, para empreender algo sem o consentimento da Deusa. O sacerdote considerou que estava sob o poder dela tanto condenar quanto salvar todas as pessoas. No entanto, se alguém estivesse a ponto de morrer, e no caminho para a condenação, fosse capaz de receber os segredos da Deusa, estaria em seu poder, pela divina providência, redimi-lo para o caminho da saúde, como que por um certo tipo de regeneração. Finalmente, ele disse que eu deveria atender o preceito celeste, embora era evidente e claro que a Deusa já tinha dignado-me em me chamar e me nomear para o seu ministério. Eu também tinha que me abster da profana e ilegal carne ilegal, da mesma forma que os Sacerdotes que já tinham sido recebidos, a fim de que eu pudesse chegar mais apto e puro para o conhecimento dos segredos da Iniciação. Então fui obediente a essas orientações, e atencioso para com o sossego manso e a provável taciturnidade, e servir diariamente no templo. No final, a salutar doçura da Deusa não fez nada para me desapontar, pois na noite em que ela apareceu para mim em uma visão, mostrando que havia chegado o dia que eu tinha desejado por tanto tempo; ela me disse quais disposição e encargos eu deveria ocupar, e como que ela tinha designado o seu Sacerdote principal, Mitras, para ser ministro comigo em seu culto. Quando eu ouvi esses mandamentos divinos, eu me alegrei bastante e me levantei de madrugada para falar com o grande Sacerdote, o qual, por sorte, vi saindo de sua câmara. Saudei-o, e pensei comigo mesmo em perguntar e pedir o seu conselho com vigorosa coragem; mas assim que 40

ele percebeu a minha presença, ele começou dizendo: “Ó Lucius agora que eu conheço bem a tua arte bemaventurada e abençoada, a qual a divina Deusa acata com tão grande misericórdia, por que estás atrasado? Eis o dia que tu desejaste, no qual tu deverás receber por minhas mãos a Iniciação, e conhecer os mais puros se-

Uma sequência da celebração de Ísis durante o período Romano em Pompéia, Itália. Pintura no Museu de Nápoles gredos dos Deuses”. O ancião então me pegou pela mão e levou-me até a porta do Templo Maior, onde na primeira entrada, ele fez uma solene celebração. Após finalizar os louvores matinais, ele trouxe livros que estavam no local secreto do templo. Eles foram em parte escritos com caracteres desconhecidos, e parcialmente pintados com figuras de animais declarando brevemente cada sentença, com as cabeças e as caudas, numa disposição circular. Os livros eram estranhos e impossíveis de serem lidos por pessoas profanas. Lá, ele interpretou para mim tais coisas, visto que eram necessárias e úteis para a preparação da minha Iniciação. Continuará nas próximas edições… MAGIA & TEURGIA ‐ Abril/Maio/Junho 2011

CRÍTICAS LITERÁRIAS por Martin Béliard metismo e Cabala, e também se embasam em décadas de experiência na prática da magia. A façanha de De Biasi é fazer a Maçonaria ganhar vida para o leitor não familiarizado com o caráter profundamente mágico de suas práticas. Ao longo de todo o livro, e especialmente nos capítulos 6-8, o autor traduz em rituais, os elementos do seu estudo sobre os símbolos da Maçonaria. Através desses potentes ritos, e também, pelos princípios mágicos explicados por De Biasi ao longo de todo o livro, Segredos e Práticas dos Francomaçons será uma leitura proveitosa para todos aqueles que estão interessados em Hermetismo, Magia, Cabala e Maçonaria. DE BIASI, Jean-Louis. Secrets and Practices of the Freemasons : Sacred Mysteries, Rituals, and Symbols Revealed. Woodbury, Minnesota: Llewellyn Publications, 2010. xix + 292 pp. $19.95. http://goo.gl/lN46T Secrets and Practices of the Freemasons é um estudo completo da história e das práticas do Ofício. O autor, Jean-Louis de Biasi, é um Mestre Maçom há muito tempo Iniciado nos Mistérios. Através de análises precisas das potências expressas na arquitetura da Maçonaria, e em seus símbolos e rituais, de Biasi discorre sobre a história, as práticas e a filosofia oculta da Maçonaria em uma obra única. Com uma ênfase em ensinamentos práticos, ele apresenta ao leitor as chaves para compreender os símbolos da Maçonaria, os quais estão associados com específicas técnicas mágicas para a própria elevação espiritual do praticante. Este livro também é interessante pelo seu foco em símbolos encontrados na arquitetura esotérica de Washington DC. O leitor irá se deliciar neste aspecto da investigação de Biasi. O Monumento de Washington, do Capitólio, do Mall, o Monumento de Lincoln, a Casa do Templo, e muitos outros elementos da paisagem arquitetônica de Washington DC são analisados sob uma perspectiva esotérica. Estas análises se reportam a uma riqueza de material histórico e filosófico, tais como o Platonismo, a filosofia Pitagórica, o Mitraísmo, o Herwww.magick‐theurgy.com

Vídeos do livro: http://goo.gl/31dHx

Fritz Graf é mais conhecido nos círculos acadêmicos. Um historiador bem estabelecido, especializado em epigrafia clássica, sua obra foca na história da religião e magia Gregas. Inicialmente escrito pelas Les Belles Lettres em 1994 sob o título Idéologie et Pratique de la Magie dans l’Antiquité Gréco-Romaine (Ideologia e Prática da Magia na Antiguidade Greco-Romana), o título Magia no Mundo Antigo foi traduzido para o Inglês pela primeira vez em 1997. Mais amplo no escopo do que a maioria das outras publicações de Graf, ele esboça uma imagem mais ampla da Magia na Antiguidade ao redor do Mar Mediterrâneo. 41

Além de ser muito bem escrito, duas coisas tornam este livro um objeto de pesquisa muito interessante, cuja leitura vale a pena: (1) a sua abordagem da história da magia; e (2) a amplitude das fontes com as quais o autor interage. Em Magia no Mundo Antigo, as fronteiras entre magia e religião ficam obscuras. Diferente de estilos mais antigos de erudição, essa obra permite que a magia passe das franjas das culturas antigas para o coração de práticas religiosas diárias, em alguns casos. Isto, naturalmente, não significa que a magia desaparece. Pelo contrário, isso mostra como ela permea as sociedades Grego, Romana, Egípcia. Graf demonstra esse fenômeno cultural, interagindo com várias representações de magia e magos, filosofias ocultistas e crenças da época, o uso de defixios, ou tabuletas de maldição, assim como documentos escritos e fragmentos de papiros sobre ritos de iniciação. Eu convido os praticantes de magia para lerem Magia no Mundo Antigo, bem como livros similares de história da autoria de Graf e de outros historiadores contemporâneos. Os ocultistas devem procurar estar cientes da ampla variedade de material histórico - epígrafes, papiros, sítios arqueológicos, traduções - que temos acesso. A história é uma ferramenta valiosa para magos modernos. Não se esqueça do parentesco que temos com o passado. Assim como os gestos do homem das cavernas desenhando cavalos nas paredes de Lascaux podem ser comparados com os gestos de pintores modernos grafitando numa tela; é da mesma forma para as nossas palavras, símbolos e gestos que nos conectam aos magos, aos adeptos, e às pessoas astutas das épocas mais antigas. n

Hipátia de Alexandria é a primeira mulher conhecida por seu papel na transmissão da Tradição. O que é ainda mais notável é que ela foi iniciada nos Mistérios Hermetistas e foi a líder da escola platônica de Alexandria no ano 400 antes de nossa era. Leia mais e assista ao trailer em:http://goo.gl/QPEpg

Uma gravação das chaves enoquianas pronunciadas de acordo com os ensinos da Ordo Aurum Solis. Você conhecerá as chaves entoadas no método cantus instans, e algumas no método cantus vocans. Outras ainda são declamadas na musicalidade original, e algumas palavras sagradas enoquianas são vibradas com cantos harmoniosos. Esse CD foi gravados há 15 anos atrás numa Casa oficial da Ordem por um Grande Oficial da Aurum Solis. Você pode adquirir esse CD em:http://goo.gl/8aTCV

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M MAGIA AGICK &&TEURGIA THEURGY ‐ Abril/Maio/Junho ‐ April/May/June 2011

(Continuação da pág. 6)

- estabelecermos um elo entre os arquétipos celestes exteriores e as potências internas de nossa psique;

Perceba, é literalmente verdadeiro: " o que está embaixo é como o que está em cima ". Logo, nosso ser é - restaurarmos o equilíbrio interior utilizando um rium verdadeiro cosmos em miniatura. Somos constituí- tual definido com componentes específicos (estética, dos por várias influênmúsica, etc.). cias e aspectos, tanto A presente coletânea de artigos psicológicos quanto vifornece uma versão dos Sete rituais bratórios. Alguns, mais Planetários baseados nas potências armarcianos, destacam-se quetípicas helenísticas. As potências pela intensa energia, pela dos planetas são representadas nestes força, pela coragem e ritos pelas Divindades da mitologia pela cólera; enquanto grega: Apolo, Ártemis, Ares, Hermes, outros, mais jupiterianos, Zeus, Afrodite e Cronos. Elas são persão reconhecíveis pela sonalidades poderosas, capazes de justiça e às vezes pelo agir profundamente sobre o nosso ser. orgulho. Assim, somos ocultamente constituídos Cada personalidade (Deusas e por esses astros ou Deuses) corresponde a um planeta e a potências internas. O seu um dia da semana, como mostra a equilíbrio harmonioso tabela abaixo: estabelece em nós a Domingo: Planeta: Sol - Símbolo: b saúde, a serenidade e a - Divindade: Hélios. paz. É fácil constatar que essa alegria do coração, e Segunda: Planeta: Lua - Símbolo: k essa saúde do corpo nem Divindade: Selene. sempre são uma realiTerça: Planeta: Marte - Símbolo: h dade. Infelizmente, o deDivindade: Ares. sequilíbrio, a angústia e Quarta: Planeta: Mercúrio - Símbolo: as doenças estão bastante Representação do Cosmos se- j - Divindade: Hermes. presentes no cotidiano de nossas vidas humanas. gundo a tradição clássica, os 4 e- Quinta: Planeta: Júpiter - Símbolo: F e as 7 esferas - Divindade: Zeus. Entretanto, a correção e lementos

o equilíbrio dessas insta- planetárias. De Robert Fludd. Sexta: Planeta: Vênus - Símbolo: m bilidades, requer um en- Divindade : Afrodite. tendimento de nossa verdadeira natureza. Os aspectos interiores de nosso caráter (dos quais somos constituí- Sábado - Planeta: Saturno - Símbolo: G - Divindade: dos) estão intimamente ligados à ordem do Cosmos por Cronos. A realização regular desses ritos lhe ajudará a inteiro. A Astrologia torna-se dessa maneira o meio de compreendermos as potências que compõe nossa per- adquirir uma maior compreensão das potências que lhe sonalidade. A magia celestial nos possibilita agir, afim influenciam inconscientemente. Você sentirá progresside recriarmos a harmonia que perdemos no processo vamente um maior equilíbrio em sua vida, e uma atenuação de todas as suas angústias face à sua e-xistência. dessa existência.  Mas não pense que tudo isso ocorrerá espontaneamente, Assim, ritos baseados nesses conhecimentos foram como que por um milagre. A prática destes ritos de harestabelecidos desde a mais alta antigüidade. Os princí- monização agirá como gotas d'água caindo regularmente pios são simples: sobre uma rocha dura - e acabando por quebrá-la. Desse - recriarmos o Cosmos num cenário ritualístico, u- modo, cada prática se acrescerá às outras para deixar sua marca em você, trazendo-lhe novamente ao centro do sando símbolos e assinaturas; cosmos, ao centro do seu ser. www.magick‐theurgy.com

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