APOSTILA CULTURA DO ALGODÃO

November 25, 2018 | Author: freithionfg | Category: Cotton, Plough, Agriculture, Industries, Seed
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APOSTILA CULTURA DO ALGODÃO PROF. FRANCISCO JOSÉ DE FREITAS

 APRESENTAÇÃO Esta apostila é parte integrante da Disciplina de Culturas Anuais do Curso de Técnico Em Agropecuária e tem como objetivo mostrar os principais aspectos técnicos da produção de Algodão, visando subsidiar o Aluno em alternativas necessárias à sua tomada de decisão como futuro Profissional da área. INTRODUÇÃO ORIGEM, HISTÓRICO E IMPORTÂNCIA ECONÔMICA O algodoeiro já era conhecido 8 mil anos A. C. e tecidos de algodão eram encontrados na Índia 3 mil anos A. C. A Índia é tida como centro de origem do algodoeiro, apesar de outras espécies originadas em outras regiões (múmias íncas eram envolvidas em algodão). O algodoeiro americano teria tido sua origem no México e no Peru. Peru. Foi constatado o cultivo dessa planta pelos indígenas (que transformavam o algodão em fios e tecidos) na época do descobrimento do Brasil .  Atualmente cerca de 81 países cultivam o algodoeiro, economicamente, liderados pela China, E.U.A. Índia, Índia, entre outros. Por sua g rande rande resistência à seca constitui -se em uma das poucas opções opções para cultivo em regiões regiões semi -áridas (fixa o homem ao campo, gera emprego e renda no meio rural e meio urbano ). É atividade de grande importância social e econômica. No Brasil, desde o período em que o país era colônia de Portugal (1500 a 1822), a cultura do algodoeiro vem sendo explorada comercialmente. No Século XVIII, ainda no período colonial, o Maranhão se destacou como um grande fornecedor de fibras para as fiações inglesas que dominavam o mercado mundial de tecidos. No Maranhão a cultura se estendeu e a produção se organizou no semi-árido semi-árido do Nordeste, tornando os Estados da Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte grandes produtores, onde eram cultivados principalmente o algodão arbóreo, especialmente o mocó na região climática do Seridó do RN e da PB. Foi o algodão que fixou o homem no semi-árido semi -árido nordestino e proveu essa região de uma riqueza singular durante quase todo o Século XX (TAKEYA, 1985). Durante toda a história do Brasil o algodão se fez presente como uma cultura de exportação, tendo piques de retomadas de crescimento sempre que havia probl emas na produção norte-

americana, como durante sua Guerra de Independência, sua Guerra de Secessão e durante as grandes Guerras Mundiais (MENDONÇA, 1973; TAKEYA, 1985). Somente a partir de 1890, com o crescimento e consolidação da Indústria têxtil no Brasil, é que a produção nacional se torna firme e crescente, com o algodão assumindo a condição de principal cultura agrícola dos estados nordestinos (TAKEYA, 1985), produzindo de 10% a 20% de excedentes para exportação e tornando o Brasil um dos principais produtores e exportadores do mundo (BELTRÃO, 1996). O Brasil chegou a ter 3,5 milhões de hectares de algodão plantados na safra 1973/1974, sendo a maior parte cultivada com algodão arbóreo. Dadas as dificuldades ecológicas em que a cultura era cultivada e a falta de adoção de tecnologias apropriadas, a produtividade se situava em torno de 150 kg/ha de algodão em caroço, muito baixa e sem competitividade. Destaque-se que mesmo na safra 1973/1974, o algodão herbáceo, com maior produtividade, já ocupava uma área de 1.723,2 mil hectares, produzindo 844,5 kg/ha de algodão em caroço, com produção total de 522,5 mil toneladas de al godão em pluma (IBGE, 1974). No Nordeste, o algodão herbáceo foi cultivado em 809,1 mil hectares na safra 1973/1974, ocasião em que a Bahia contribuiu com 36,9% da área plantada, especialmente na zona produtora da região de Guanambi (IBGE, 1974). Essa produção era feita em moldes tradicionais, no âmbito da agricultura familiar, baseada em pequena escala de produção e baixo padrão tecnológico. Mesmo sendo baixo o padrão tecnológico, o cultivo do algodoeiro no Nordeste sempre teve papel de grande relevância, tanto como cultura de reconhecida adaptabilidade às condições edafoclimáticas da região, como fator fixador de mão-de-obra, gerador de emprego e de matéria prima indispensável ao desenvolvimento regional e nacional.  Apesar da importância econômica e social, nas duas últimas décadas, observou-se um declínio drástico na atividade algodoeira nordestina. Diversos problemas concorreram para inviabilizar a produção algodoeira no Nordeste, sobressaindo-se a incapacidade de convivência com o bicudo ( Anthonomus grandis Boheman), preços subsidiados no mercado internacional, a abertura do mercado brasileiro (o governo facilitou a importação de fibras subsidiadas do exterior) e as atrativas condições de financiamento externo do produto. Com o desmantelamento da cadeia produtiva do algodão no Nordeste, o Brasil passou da condição de um dos maiores exportadores de algodão para a de maior importador. Diante deste cenário, a partir de meados dos anos 90 passou-se a observar mudanças drásticas na cotonicultura brasileira, como o deslocamento dos plantios das tradicionais áreas de cultivo em agricultura familiar da região Nordeste, Sudeste e Sul para as áreas dos cerrados brasileiros do Centro-Oeste e Oeste do estado da Bahia e o uso de novas práticas culturais. O cultivo do algodão nos cerrados brasileiros passou a ser uma atividade de elevado nível tecnológico, explorado em grandes módulos de produção. Com a ocupação dessa nova fronteira agrícola para o cultivo do algodão, houve uma grande recuperação da cotonicultura nacional. Atualmente, os cerrados brasil eiros, especialmente da região Centro-Oeste e do Oeste do Estado da Bahia, contribuem com mais de 85% do algodão produzido no país. A Região Centro-Oeste e o Oeste da Bahia têm se consolidado como locais de produção tecnificada, moderna e empresarial o que confere ao algodão brasileiro qualidade superior ou equivalente aos melhores algodões do mundo.  Apesar dos esforços para recuperar a produção do algodão herbáceo no semi-árido nordestino, na safra 2004/2005 a área colhida e a produção foi de apenas 75 mil hectares e 71 mil toneladas de algodão em caroço (um rendimento médio de aproximadamente 950 kg/ha).

Por outro lado, a indústria têxtil, tem se deslocado para o Nordeste. O Nordeste detêm o segundo maior parque industrial têxtil do Brasil, o qual passou a consumir, a partir de 1997, mais de 300 mil toneladas anuais de pluma, especialmente no Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. Na América Latina, apenas o México tem capacidade instalada maior do que a existente no Nordeste do Brasil, a qual vem sendo ampliada com a transferência de novas plantas industriais para essa região em razão do bai xo preço da mão-de-obra local. Em Campina Grande, PB, está localizada a maior fiadora do mundo, pertencente ao grupo Coteminas, empresa que vem investindo fortemente também no Rio Grande do Norte, Minas Gerais e outros estados. A pluma consumida nessa indústria (mais de 23 mil t só no Rio Grande o Norte) é quase toda proveniente do Oeste da Bahia e de outras regiões brasileiras. Vale ressaltar que o transporte dessa matéria-prima até à indústria tem enfrentado transtornos devido às más condições das estradas, às longas distâncias percorridas e ao elevado custo do transporte rodoviário no Brasil. Os industriais brasileiros já se conscientizaram de que uma indústria têxtil forte, com crescimento sustentado, capaz de se manter competitiva em nível mundial e garantir a entrega das encomendas no mercado, precisa de uma base de produção local para não ficar sujeita aos transtornos e incertezas de um adequado fornecimento de pluma oriunda do exterior. Portanto, é do interesse da indústria a produção local do algodoeiro, aproveitando-se de vantagens como a proximidade dos plantios e o baixo custo do transporte, dentre outras. O algodoeiro é a mais tradicional das culturas do semi-árido nordestino, havendo na região crescentes estoques de conhecimentos e tecnologias desenvolvidas para o seu cultivo. Existe também uma grande quantidade de produtores tradicionais da cultura que podem ser  motivados com políticas sérias para revitalização da produção. É hora, pois, de se adotarem medidas em conjunto com vistas ao fortalecimento de todos os elos da cadeia produtiva do algodão no Nordeste e, nesse contexto, devem os agricultores se organizarem em defesa de seus direitos, e os governantes adotarem mecanismos de incentivo e apoio à produção. Finalmente, cumpre destacar a importancia dos empregos gerados pelo cultivo do algodão herbáceo no âmbito da agricultura familiar. Com base em coficientes técnicos dos sistemas de produção de algodão herbáceo, praticados no semi-árido nordestino, estimou-se que a cada 3 hectares plantados é ofertado um emprego direto. Em 2005, no semi-árido nordestino, o cultivo do algodão herbáceo alcançou uma área de plantio de aproximadamente 75mil hectares, resultando na ocupação direta de 25 mil trabalhadores. POSIÇÃO ATUAL DA CULTURA DO ALGODÃO NO BRASIL

 A área cultivada com a cultura do algodão no País totalizou 1,09 milhão de hectares, superior em 27,2% (232,5 mil hectares) à da safra anterior, incremento motivado pelos baixos preços da soja e do milho na fase de implantação, ocasionando a migração para a cultura da fibra.  As regiões Centro-Oeste e Nordeste participam com 93% da produção do País, com destaques para os estados de Mato Grosso e Bahia, principais produtores nacionais, onde a área foi acrescida em 50% e 19% respectivamente. Já nos estados de São Paulo e Paraná, o algodão cedeu espaço para a cana -de-açúcar. Posição atual Cultura do Algodão  A produção brasileira de algodão em caroço deverá atingir 3,75 milhões de toneladas, volume 37,6% superior ao registrado na safra 2005/06. Dessa quantidade, 38,9% (1,46 milhão de toneladas) será de pluma e 61,1% (2,29 milhões de toneladas) de caroço. 5 O Oeste da Bahia, líder na produção do Estado, as condições climáticas favoreceram a cultura em todo o seu ciclo. Posição atual Cultura do Algodão Em termos de Brasil, a pesquisa está indicando que após a colheita, a produtiv idade média será de 3.443 kg/ha contra 3.181 kg/ha obtidos na temporada passada.

 A nova safra recorde gerará um estoque final de 443 mil toneladas apesar do aumento considerável das exportações brasileiras que deverão chegar ao patamar de 470 mil toneladas. Do algodoeiro quase tudo é aproveitado notadamente o caroço (65% do peso da produção) e a fibra, (35% do peso da produção). O caroço (semente) é rico em óleo (18-25%) e contém 20-25% de proteína bruta; O óleo extraído da semente é refinado e destinado à alimentação humana e fabricação de margarina e sabões. Os restos de cultura ± caule, folhas maçãs, capulhos  ± são utilizados na alimentação de animais em geral. O bagaço (farelo ou torta), sub produto da extraçã o do óleo, é destinado a alimentação animal (bovinos, aves, suínos) devido ao seu alto valor protéico (4045% de proteína bruta). A fibra, principal produto do algodoeiro, tem mais de 400 aplicações industriais, entre as quais: confecção de fios para te celagem (tecidos variados), algodão hidrófilo para enfermagem,  confecção de feltro de cobertores,  de estofamentos,  obtenção de celulose, entre outros. .  

Hoje 90% do comércio é de fibras tamanho médio.  A semente, utilizada para multiplicar a planta, deve apresentar um mínimo de 65% de germinação e mínimo de 96% de pureza. O peso de 100 sementes varia de 10 a 14g . MORFOLOGIA DA PLANTA Caule O algodoeiro é uma planta ereta, anual ou perene. A raiz principal cônica, pivotante, profunda, e com pequeno número de raízes secundárias grossas e superficiais. O caule herbáceo ou lenhoso, tem altura variável e é dotado de ramos vegetativos (4 a 5 intraxilares, na parte de baixo), e ramos frutíferos (extraxilares, na parte superior).  As folhas são pecioladas, geralmente cordiformes, de consistência coriácea ou não e inteiras ou recortadas (3 a 9 lóbulos).  As flores são hermafroditas, axilares, isoladas ou não, cor creme nas recém -abertas (que passa a rósea e purpúreo) com ou sem mancha purpúrea na base interna. Ellas se abrem a cada 3 -6 dias entre 9-10 horas da manhã. Os frutos (chamados "maçãs" quando verdes e "capulhos" pós abertura) são capsulas de deiscência (abertura) longitudinal, com 3 a 5 lojas cada uma, encerrando 6 a 10 sementes.  As sementes são revestidas de pêlos mais ou menos longos, de cor variável, (creme, branco, avermelhado, azul ou verde) que são fibras (os de maior comprimento) e linter  (os de menor comprimento e não são retirados pela máquina beneficiadora ± o Mocó não mostra linter). Fibra/Fio de Algodão: Fecundada a flor do algodoeiro a fibra de algodão desenvolve -se na epiderme (parede mais externa) da semente. Cada fibra é formada por uma célula simples dessa epiderme que se alonga (1mm./dia) até o seu tamanho final ( segundo a cultivar e as condições edafoclimáticas). Cada semente (G. hirsutum) pode conter de 7.000g. a 15.000 fibras individuais. O crescimento pode variar de 50 a 75 dias (da fecundação à abertura das maçãs). Da sua superfície à parte mais interna a fibr a pode conter cêras,

gomas, óleos, cutícula, celulose, proteínas, glicose, ácidos málico, cítrico, outros. Para produzir o fio de algodão a fibra deve apresentar comprimento necessário, uniformidade, resistência, finura, pureza (limpeza). Comprimento: fibras inferiores (abaixo de 22mm.), fibras curtas (22-28mm.), fibras médias (28-34mm.), e fibras longas (acima de 34mm.). O G. hirsutum produz fibras médias e curtas e o G. barbadense fibras médias e longas.

Crescimento, Desenvolvimento Ecofisiologia e manejo da cultura Taxonomia Família Malvaceae Gênero Gossypium (possui 39 espécies) Espécies cultivadas - diplóides - (algodoeiro do Velho Mundo) Gossypium arboreum (Índia, Paquistão, China, Tailândia) Gossypium lerbaceum (alguma área apenas na Índia) Representam 4% da área mundial. Espécies cultivadas - tetraplóides - (algodoeiro do Novo Mundo) Gossypium barbadense (algodão egípcio, Pima) fibra longa de alta qualidade. É cultivado no Egito, Sudão, Peru, EUA, Europa Oriental. 5% da área mundial. Gossypium hirsutum Cultivado em todos os países produtores. 90% da área mundial. Ecofisiologia e manejo do algodoeiro Introdução: Durante a maior parte do ciclo da planta do algodão o crescimento vegetativo e o reprodutivo ( aparecimento das gemas produtivas, florescimento, crescimento e maturação dos frutos ) ocorrem ao mesmo tempo. Os eventos precisam ocorrer de modo balanceado, devido a forte competição interna pelos carboidratos da fotossíntese, para que se atinja uma boa produção final. Exemplo de desequil íbrio: Excessiva queda de estruturas reprodutivas ocasiona um crescimento vegetativo exagerado o que aumenta o auto sombreamento que causa maior queda de estruturas reprodutivas.  A temperatura influencia fortemente o crescimento e o desenvolvimento da pl anta, tendo sido determinada a exigência em temperaturas para cada fase (OOSTERHUIS, 1992).  Apesar de ocorrerem concomitantemente pode -se dividir o ciclo (para fins de manejo e didático) nas seguintes fases: a) Semeadura emergência b) Emergência ao apare cimento do 1° botão floral c) do 1° botão floral ao aparecimento da 1ª flor  d) da 1ª flor ao 1° capulho (abertura) e) 1° capulho à colheita

Semeadura - Emergência Objetivo a atingir : Estabelecer um estande adequado no mínimo tempo possível. Cuidados no manejo: Usar sementes de boa qualidade; Semear na época indicada (com temperatura e umidade adequadas); Uniformidade na profundidade das sementes.

 A semente é ovalada, um tanto ponteaguda, de coloração castanho escuro . Possui um tegumento que envolve o embrião e dois cotilédones dobrados. A epiderme do tegumento é coberta com as fibras. O embrião possui a radícula, o hipocótilo e um pequeno epicótilo. As sementes atingem seu tamanho máximo cerca de 3 semanas após a fertilização, mas não ficam maduras antes da abertura das maçãs (capulhos).   A velocidade de emergência depende fundamentalmente da temperatura, normalmente de 5 a 10 dias. Embebição da semente : se o solo não estiver muito seco, a temperatura tem maior  efeito na velocidade de embebição que a própria água. Pode provocar  desuniformidade na emergência (devido ao diferente vigor das sementes). Emissão da radícula: também depende muito da temperatura. Independente da umidade o tempo diminui com o aumento da tempe ratura sendo mais rápido a 32°C. Crescimento do hipocótilo : também depende da temperatura mas sofre influência muito grande da umidade do solo. Ex: a ±10 bar e semeado a 5 cm de profundidade não haverá emergência (comprimento máximo do hipocótilo = 3,0 cm) .Temperaturas médias < 21 °C ou > 34 °C não ocorre emergência da planta. Sementes mais vigorosas vencem o stress e o estande fica desuniforme.

Emergência ao 1° botão floral Objetivo a atingir : Estabelecer um bom sistema radicular e plantas vigorosas. Cuidados no manejo: Semear na época indicada (com temperatura e umidade adequadas); Uniformidade na profundidade das sementes; Boa correção e fertilização do solo; Evitar camadas compactadas.  A fase pode durar de 27 a 38 dias (conf. temp.). Parte aérea cres ce lentamente mas a raíz cresce vigorosamente. Após a 3ª semana após a emergência o crescimento fica muito sensível à variação da temp. Temp. diurna ótima = 30°C; Temp. noturna ótima = 22°C. A raíz pivotante atinge 25 cm ou mais na abertura dos cotilédones . Nessa fase a raíz cresce 1,2 a 5 cm/dia. Qdo a parte aérea atige 35 cm de altura a raíz atinge 90 cm de profundidade. Numerosas raízes laterais aparecem, mas relativamente superficiais.  A raíz cresce até a planta atingir a altura máxima e os frutos começ arem a se formar.  A relação parte aérea/raíz é igual a 0,35 aos 12 dias após semeadura e cai para 0,15 aos 80 dias. Desenvolvem-se nós e entrenós, podendo haver início do crescimento de 1 ou mais ramos vegetativos. A planta possui 2 tipos de ramos , Reprod utivos e Vegetativos. Em cada nó se desenvolve um ramo reprodutivo (muitos ramos vegetativos não são desejados). Os primeiros 4 a 5 nós da haste principal são vegetativos e suas folhas têm curta duração. O 1º botão floral deve aparecer entre o 5º e 6º nó.

1° botão floral à 1ª flor  Objetivo a atingir. Obter uma planta com maior número possível de nós, providenciando espaço para que haja florescimento e produção. Cuidados no manejo:   As mesmas das fases anteriores além de:Bom acompanhamento do desenvolvimento; Bom controle de pragas iniciais. Nesta fase acentua-se o crescimento em altura e a acumulação de MS pala planta que entra na fase linear de crescimento. A fase leva de 25 a 35 dias (conf. Temp.). Com uma temp. média de 22ºC a 25ºC a planta inicia a produção de 1 novo ramo simpodial (frutífero) na haste principal a cada 3 dias. Quando surge a 1ª flor as

plantas devem ter de 14 a 16 nós na haste principal, acima do nó cotiledonar. Estima se que a cada 3 dias deve aparec er um botão floral em ramos sucessivos, e a cada 6 dias deve aparecer um botão floral no mesmo ramo. (varia em função da posição na planta e da temp.). Nesta fase o crescimento vegetativo é fundamental para gerar um grande número de posições frutíferas. Po r ocasião da primeira flor branca, uma planta com bom potencial de produção deve ter de 9 ±10 nós acima dela. Exigência de água passa de menos de 1 mm/dia para quase 4 mm/dia. Falta de água: planta menor do que deveria, menos posições para flores e maçãs. Seca: planta estaciona o desenvolvimento, mas se recupera se não for longa.

1ª flor ao 1° capulho Objetivo a atingir : Fixação do maior número possível de maçãs. Cuidados no manejo: Maximizar o controle de pragas e doenças; Acompanhamento da queda de estruturas reprodutivas e do crescimento da planta em altura. Diversos eventos ocorrem com grande intensidade na planta. Competição entre crescimento vegetativo e reprodutivo se acentua. Planta continua a crescer  linearmente. É atingida a altura máxima e a m áxima interseção de luz (fechamento da copa). Nesta fase uma folha tem vida média de 65 dias. O pico da fotossíntese ocorre 20 dias após a abertura das folhas. A máxima fotossíntese da folha ocorre quando o fruto está no início de seu desenvolvimento, o qu e pode limitar o fluxo de carboidratos para o fruto, principalmente quando existe mais de 1 fruto por ramo. Isto explica porque os frutos na primeira posição do ramo são mais desenvolvidos que os demais.   A necessidade de água passa de 4 mm para mais de 8 m m/dia. (acompanha o desenvolvimento da área foliar ) No total precisa de 700 mm em todo o ciclo. No Brasil quanto mais água = mais nuvens = menos luz = acaba não permitindo altas produtividades. Nesse caso a falta de luz é mais limitante que a própria dispo nibilidade de água. QUEDA

DAS ESTRUTURAS REPRODUTIVAS: A queda ou abcissão de botões florais, e de maçãs jovens é fenômeno natural no algodão ( condições adversas: tempo nublado, temp. muito alta ou baixa, def. Nutrientes, crescimento vegetativo, acentuam a queda ). Até 60% de queda é normal. A queda é regulada pelo balanço entre

açucares no tecido e teor de etileno. Qualquer fator que resulte em queda da fotossíntese, ou aumento no gasto metabólico, resultará em queda de estruturas reprodutivas. A planta é muito sensível à falta de luminosidade. A altura máxima da planta não deve ultrapassar 1,5 vezes o espaçamento da cultura (evitar o autosombreamento excessivo) Altas temperaturas abalam o equilíbrio entre o crescimento vegetativo e o crescimento reproduti vo, em favor do vegetativo. Plantas muito vigorosas, com rápido crescimento podem significar plantas pouco produtivas.Temperaturas acima de 30ºC diminuem a fotossíntese e aumentam a fotorespiração o que diminui a fotossíntese líquida. Nesta fase algumas ma çãs já estão na maturação. Na segunda metade da fase, qualquer estresse que diminua a fotossíntese, além do prejuízo da queda causa aumento na % de fibras imaturas.

1° capulho à colheita Objetivo a atingir : Consolidar a produção; Preparar uma colheita rá pida e limpa. Cuidados no manejo:   Acompanhamento da maturação das maçãs; Aplicação de maturadores e/ou desfolhantes.

  A fase final começa com a abertura do 1º capulho e termina com a aplicação de desfolhantes e/ou maturadores. Dura de 4 a 6 semanas, depen dendo da produtividade, do suprimento de água, nutrientes e da temperatura. A maturação das maçãs depende fundamentalmente da temperatura. Temperaturas de 30ºC = 40 dias para maçãs maduras. Temperaturas de 26ºC = 50 dias para maçãs maduras. Temperaturas de 23ºC = 60 dias para maçãs maduras. Temperaturas mais baixas favorecem a formação de maçãs mais pesadas.   A atividade do sistema radicular está em declínio. A fotossíntese é diminuída. O principal processo na planta é a translocação. Estre sse causa prejuízo na qualidade da fibra. Baixas temperaturas poderão resultar em muitas fibras imaturas e má abertura dos capulhos. A exigência em água cai rapidamente. O ideal após a abertura dos capulhos é não chover mais, para preservar a qualidade das fibras. O microclima muito úmido apodrece os capulhos e maçãs da parte inferior da planta, justamente as mais desenvolvidas.

Fibras Cada fibra tem origem de uma extensão de uma única célula da epiderme. Já são visíveis como uma protuberância das células epidermais, desde a antese. A fibra possui 2 fases de desenvolvimento: Elongação e Engrossamento. Atingem o comprimento máximo aos 25 dias após fertilização, com uma taxa de crescimento máxima aos 10-15 dias. O engrossamento começa aos 16 dias e continua até que a maçã esteja madura, e ocorre por deposição sucessiva de camadas de celulose de maneira espiralada ao redor do miolo da fibra. O grau de engrossamento e o ângulo da espiral afeta a resistencia e maturidade das fibras. Com a abertura das maçãs a fibra ainda é uma célula viva, mas se desidrata rápidamente ficando trançada. Além das fibras longas a maiorias das cultivares comerciais (menos a G. barbadense ) possuem fibras muito curtas, brancas ou coloridas, tipo uma penugem na semente, chamada de ³linter´.   A qualidade da fibra passa pelos fatores: Comprimento; Maturidade; Resistência e Finura. A qualidade é fator genético da cultivar, mas sofre influencia das condições do clima e do manejo. Ex: As maçãs que maturam no final do ciclo, quando as temperaturas são mais baixas, requerem um período maior para se desenvolver e normalmente produzem menos fibras e de baixa qualidade.

Escala de desenvolvimento da cultura O algodoeiro, por ser uma planta de crescimento indeterminado, possui uma das mais complexas morfologias entre as plantas cultivadas. Ademais, as diversas cultivares de algodoeiro apresentam diferentes ciclos, ou seja, podem ser precoces ou tardias (algumas fecham seu ciclo produtivo em 130 dias, enquanto outras podem fazê -lo em mais de 170 dias). Essas características impossibilitavam a confecção de uma escala única para todas as condições de plantio ao redor do mundo. Uma escala de desenvolvimento do algodoeiro foi gerada no IAPAR. A Escala do Algodão. começa a ser difundida junto às universida des e aos órgãos de assistência técnica e de extensão rural, para utilização no manejo da cultura, sem custo para o produtor. O trabalho tem o mérito de unificar e universalizar a linguagem para identificação de cada uma das fases do algodoeiro.

DESCRIÇÃO DA ESCALA DO ALGODÃO Os estádios de crescimento e desenvolvimento serão caracterizados basicamente em função de suas fases fenológicas, ou seja: vegetativa (V), formação de botões florais (B), abertura da flor (F) e abertura do capulho (C). No período vegetativo, entre a emergência da plântula e até que a primeira folha verdadeira tenha 2,5 cm de comprimento, o estádio será V0. A partir do limite anterior  e até que a segunda folha verdadeira tenha 2,5 cm de comprimento, o estádio será V1. Sucessivamente, aplicando o mesmo critério, a planta avançará para os estádios V2, V3, V4, V5, etc. Nesta fase, considera -se folha verdadeira expandida quando o seu comprimento for maior que 2,5 cm. No início da fase reprodutiva, ou seja, quando o primeiro botão floral estiver visível, o estádio passa a ser B1 Quando o primeiro botão floral do terceiro ramo reprodutivo estiver visível, a planta estará no estádio B3. Neste momento, estará sendo formado, também, o segundo botão floral no primeiro ramo frutífero. Sucessiva mente, à medida que o primeiro botão floral de um novo ramo frutífero estiver visível, o estádio passará a ser Bn. A indicação B não será mais utilizada a partir do momento em que o primeiro botão floral do primeiro ramo frutífero transformar -se em flor. A partir de então, o estádio de desenvolvimento passará a ser F1 . O estádio de desenvolvimento será F3 na abertura da primeira flor do terceiro ramo frutífero. Nota-se nessa fase, também, a abertura da flor na segunda estrutura do primeiro ramo frutífero. Sucessivamente, à medida que ocorrer a abertura da primeira flor do ramo frutífero de número n, o estádio passará a ser F Quando a primeira bola do primeiro ramo transformar -se em capulho o estádio de desenvolvimento passará a ser C1. Sucessivamente, o estádio será Cn à medida que ocorrer a abertura da primeira bola do ramo frutífero de número n. Em certas ocasiões, antes da abertura do primeiro capulho, pode ocorrer um curto período em que flores abertas não sejam observadas. Em tais casos, o estádio de desenvolvimento deve ser  caracterizado como FC, que significa o pe ríodo entre a última flor (F) e o primeiro capulho (C). Para a determinação do estádio de desenvolvimento predominante das plantas de um experimento, sugere-se que sejam observadas no mínimo 20 plantas, tomadas ao acaso e distantes entre si. No caso de u ma lavoura, usar o mesmo procedimento para cada hectare de área plantada. Assim, a definição final do estádio de desenvolvimento da população de plantas será dada por aquele estádio que ocorreu com a maior  freqüência na amostragem.

Implantação da lavoura Clima : O algodoeiro é uma planta de clima tropical; algumas cultivares podem desenvolver-se em regiões de temperatura amena. A planta também se desenvolve em regiões semi-áridas. Água : Exige umidade no solo para germinação da semente, para o início d o desenvolvimento e para o período que vai da formação dos primeiros botões florais ao início da abertura dos frutos (35 a 120 dias do ciclo de vida); O déficit hídrico e o excesso de umidade no período compreendido entre 60 e 100 dias após a emergência (DAE), podem induzir a queda das estruturas frutíferas e comprometer a produção, pois aproximadamente, 80% das estruturas responsáveis pela produção do algodoeiro

são emitidas neste período. Encharcamento do solo, em qualquer fase da planta, provoca avermelhamento, perda de frutos e redução da produção. Clima: Insolação (luminosidade) é importante para a planta na maior parte do ciclo (150 a 180 dias). Muito calor + muita luminosidade + regular umidade no solo são imprescindíveis para desenvolvimento / produ ção do algodoeiro. Chuvas: precipitações anuais entre 500 mm e 1500 mm distribuídas ao longo do ciclo; a partir de 130 dias deve existir tempo relativamente seco para abertura dos frutos e boa qualidade do algodão. Tempertura:  A média mensal de temperatu ra deve estar acima de 20ºC e abaixo de 30ºC (25ºC como um possível ótimo) umidade relativa do ar em 70% e insolação em 2.500 horas luz/ano (em torno de 6,5 horas/dia como mínimo). Solos: Devem ser profundos (2m ou acima) porosos, bem drenados, textura mé dia, ricos em elementos minerais e pH entre 5,5 e 6,5. O terreno deve apresentar  declividade abaixo de 10% e não deve estar acima de 1.500m de altitude. Deve -se evitar plantios em terrenos arenosos (por fácil erosão, por baixa retenção de água e nutrientes), em solos recém desmatados, nos sujeitos a encharcamento, e naqueles com lençol de água superficial. A planta do algodoeiro é extremamente exigente em oxigênio no solo o que reforça a necessidade de solos profundos e porosos para o seu cultivo. Nutrição da Planta : Nitrogênio: (N): é aquele que o algodoeiro retira em maior proporção do solo. Promove o desenvolvimento da planta, inclusive na floração, no comprimento/resistência da fibra. Sua deficiência é mostrada por pequeno número de folhas na planta, amarelamento (clorose) notadamente de folhas velhas, plantas com porte reduzido. Fósforo (P 2O5): concentra-se nas folhas e frutos principalmente; é responsável por boa polinização, por frutificação, maturação e abertura dos frutos e formação/crescimento de raízes. Sua deficiência atrasa o desenvolvimento, reduz frutificação, folhas escuras, fibras com baixa qualidade e manchas ferruginosas nos bordos da folha. Potássio (K 2O): o potássio participa direta ou indiretamente na fotossíntese e respiração, no transporte de alimentos na planta. Aumenta tamanho das maçãs, peso do capulho e das sementes e promove qualidade das fibras do algodão. Clorose entre as nervuras das folhas do "baixeiro" (que evolui a bronzeamento) é sinal de deficiência de potássio. Cálcio (CaO): bastante exigido pelo algodoeiro; é importante para a utilização do N pela planta, para crescimento e germinação da semente. Murchamento de folhas com curvatura e colapso dos pecíolos mostram a deficiência de cálcio. Magnésio (MgO): é pouco exigid o pela planta; sua deficiência é mostrada por  amarelecimento entre as nervuras que evolui para vermelho púrpura (folhas mais velhas), o que indica deficiência de magnésio. Enxofre (S): é requerido continuadamente pelo algodoeiro; é importante para aparecimento/desenvolvimento dos botões florais. Como micronutrientes importantes destacam -se: boro (para flor, frutos), manganês (folhas do ponteiro), zinco (folhas novas), molibdênio, ferro, cloro, cobre. Calagem (correção do solo): Caso haja necessidade de u so de calcário aplicar  metade da dose antes da aração e a segunda metade antes da 1ª gradagem. Se o teor de magnésio estiver acima de 1,0 meq./100cm 3 não há necessidade de usar  calcários magnesianos ou dolomíticos. Adubação: O nitrogênio deve ser fornecid o ao algodoeiro na ocasião do plantio e fracionado (2-3 vezes) em cobertura até 40 dias após emergência. A planta requer  mais o fósforo entre 30 e 50 dias, o potássio entre 30 e 50 dias e em torno de 90 dias, o magnésio a partir de 35 dias, o enxofre em to rno de 50 dias e 80 dias após a emergência. A adubação deve seguir as recomendações da análise de solos; Ela é feita no plantio e em coberturas ± (1/3 dos 25 aos 30 dias e 2/3 aos 45 dias pós

emergência). A adubação de base deve ser colocada a 5cm. de profundidade e ao lado da semente; a adubação de cobertura é aplicada a uma distância de 15 a 25cm. da planta e incorporada ao solo (cultivador). 4,5  10 Kg/ha de bórax, 20-24 Kg/ha de sulfato de zinco aplicados ao sulco de plantio devem suprir as necessidades do algodoeiro em boro e zinco ao longo do ciclo. O superfosfato simples e sulfato de amônio ou potássio suprem as necessidades de enxofre.

Cultivo do Algodoeiro Herbáceo O algodoeiro deve ser cultivado como parte de um programa sistemático de rotação de culturas, em glebas apropriadas para lavouras anuais, visando obter rendimentos elevados com um mínimo de agressão ao meio ambiente. Preparo do Solo:   A eliminação dos restos de cultura do algodoeiro deve ser feita o mais cedo possível após a safra (arranquio e destruição com arado/grade, enxadeco arrancador ou roçadeira) para, antes de tudo, reduzir a incidência de pragas na cultura seguinte. Palhada de outras lavouras deve m ser deixadas sobre o solo na entre safra. Deve-se evitar ao máximo o uso da grade aradora pesada na movimentação do solo; deve-se optar pelo uso inicial da grade leve (para triturar ervas/restos de cultura) e seguido de aração (preferentemente com arado de aiveca). Essa ação visa conservar  o solo, permitir maior infiltração de água no solo e facilitar o controle de ervas daninhas. Uma ou duas gradagens podem se seguir ( a 2ª próximo ao plantio). Semeadura :   A semeadura do algodoeiro no cerrado está relac ionada ao grau de incidência de pragas, doenças e a possibilidade de colheita em período seco. Geralmente, as melhores épocas de plantio coincidem com o início do período chuvoso. Para algodoeiro cultivado em regime de sequeiro, recomenda -se que a época de plantio não se prolongue além de um mês. A falta de uniformidade poderá acarretar problemas com pragas, particularmente com lagarta rosada, bicudo e percevejos, com reflexos no rendimento. Semeadura- época: Para a região de cerrado,( Bahia, Goiás e Minas Gerais) o plantio no mês de novembro tem dado melhores resultados. Nos chapadões de Goiás esta época pode ser ampliada até final de dezembro, a exemplo do vizinho Estado do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul onde a melhor época de semeadura tem sido durante o mês de dezembro. No método de plantio manual usa -se enxada e plantadeiras manuais (tico -tico ou matraca); o espaçamento de plantio é 80cm entre fileiras e 20cm entre covas com colocação de 4-5 sementes/cova a 5cm de profundidade. O espaçamento adequado é aquele em que as folhas das plantas devem cobrir toda a superfície entre fileira na época do máximo florescimento, sem haver entrelaçamentos entre elas. Como regra prática, sugere -se como espaçamento ideal, aquele correspondente a 2/3 da altura das pla ntas. Os componentes de produção como número de capulhos por planta, peso de capulho e peso de 100 sementes, têm os seus valores reduzidos com o aumento da população de plantas.   A produção do algodão em caroço é mais influenciada pelo espaçamento entre fileiras e as características tecnológicas da fibra, pela densidade. Há tendência de redução do espaçamento entre fileiras e aumento da densidade de plantas. Mas, os resultados mostram que, nem sempre a produtividade é maior com uma alta população. Semeadura mecanizada: Espaçamento de 80cm entre fileiras. A semeadora deve deixar cair 15 a 25 sementes por metro de linha de plantio, a uma profundidade de 5 a 6cm.   A relação entre a produção de algodão e a população de plantas depende das condições edafoclimáticas nas quais a cultura se desenvolve. Assim, embora a redução do espaçamento entre fileiras possa reduzir os custos de produção sem

alterar  significativamente a produção de fibra, a qualidade desta pode ser sensivelmente deteriorada. Para as condições do cerrado de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, considerando-se as cultivares atualmente em uso, a população de plantas deve estar entre 80.000 a 120.000 plantas/ha. O espaçamento entre fileiras deve ser de 0,80 a 0,90, com 8 a 12 plantas/m.2

Rotação de Culturas: Tendo em vista o controle da erosão, a diminuição da compactação do solo, o controle de pragas entre outras, sugere -se uma rotação de cultura composta de leguminosa ± algodão ± milho ou feijão ± algodão ± milho. Tratos Culturais: Desbate (raleamento): O raleamento (diminuição do número de plantas no algodoal) deve ser realizado aos 20 -30 dias após emergência ou quando as plantas atingirem 15 -20cm de altura; a operação a ser realizada com solo úmido, deve deixar 2 plantas vigorosas por cova ou 10 pla ntas por metro de linha de plantio. Isto torna o espaçamento 80cm x 10cm, o que proporciona população de 125 mil plantas por hectare. Controle de plantas daninhas: A lavoura do algodoeiro não deve sofrer concorrência de invasoras notadamente nos primeiros 60 dias após a emergência (período crítico de competição existe dos 15 aos 56 dias de vida). O controle cultural pode ser feito pelo uso de sementes sem impurezas, época certa de plantio, número de plantas por  hectare, preparo adequado de solo, rotação de culturas, outros.O controle mecânico ± capina ± é feito manualmente com enxada (homem) ou cultivador (tração animal ou tratorizada), tendo -se o cuidado de não se cultivar a mais de 3cm. de profundidade no solo. O controle químico ± capina química ± é feita através de herbicidas. A aplicação do herbicida pode ser feita antes do plantio (em pré -plantio ou PPI), antes da emergência (em pré-emergência ou PRE) e após a emergência do algodoeiro (em pós-plantio ou POS); nos dois primeiros casos o solo deve estar úmido. Apesar da aplicação do herbicida o controle de invasoras pode requerer complementação com capina mecânica. Reguladores de Crescimento/Desfolhantes/Maturadores: Fim de ciclo, plantas acima de 1,5m de altura, algodoal bem fechado dificulta uma série de ações na cultura (colheita mecanizada, controle de pragas) além de determinar sombreamento das partes mais baixas da planta, apodrecimento de maçãs, entre outras. Para evitar tais problemas recomenda-se a aplicação de reguladores de crescimento ± tais como cloreto de chlormequat e cloreto de mepiquat, na dose de 0,5 a 1,0l./hectare ± quando o algodoeiro, na floração (50 a 70 dias), ultrapassar a 1,0m de altura com 8 a 10 flores abrindo por 10m de linha de fileira. Os desfolhantes podem ser específicos ( produzem queda da folha antes dela secar) e herbicidas (causam morte da folha que permanece ligada à planta). Os desfolhantes etephon, dimethipin thidiazuron, outros devem ser aplicados quando 60 a 70% dos capulhos já estiverem abertos e sua ação dá -se em 8 a 15 dias. A desfolha apressa a maturação do fruto e abertura dos capulhos o que facilita a colheita, dá -lhe maior  rendimento com produto mais limpo e facilita o controle de pragas.Plantas que foram desfolhadas devem ser colhidas de imediato. Em grandes áreas o desfolhante é aplicado de modo escalonado. O dessecante (glifosate, paraquat) provoca o secamento da folha sem sua queda, o que resulta em produtos colhidos com alto grau de impureza. Os maturadores (etephon + cyclanilide) devem ser aplicados quan do 90% dos capulhos estiverem abertos. O alvo único é o fruto, acelerando sua maturação e abertura. A mistura maturadora pode conter entre 720 a 1200g. de ethephon + 90 a 150g. de cyclanilide.

Cultivares

 As principais características exigidas pelos produt ores de algodoeiro, para uma cultivar  a ser utilizada nos cerrados são: produtividade elevada (200 a 300 arrobas/ha); alto rendimento de fibras (38 a 41%); ciclo normal a longo (150 a 180 dias de ciclo); características tecnológicas modernas medidas em HVI (high volume instrument) incluindo: finura de 3,9 a 4,2 I.M ; resistência acima de 28 gf/tex ; maturidade acima de 82% ; teor de fibras curtas inferior a 7% ; comprimento de fibras acima de 28,5 mm ; número de neps na fibra inferior a 250 ; fiabilidade ac ima de 2.200 ; alongamento em torno de 7% . As características extrínsecas devem ser correspondentes aos tipos 4,5 a 6,0 com refletância (Rd) acima de 70% e grau de amarelecimento (+b) menor que 10,0 e com índice de caramelização ou açúcar inferior a 0,40% . São exigidas também: resistência múltipla às principais doenças causadas por vírus (doença azul , vermelhão e mosaico comum), bactérias (bacteriose ou mancha angular), fungos (ramulose, mancha branca, causada por ramulária areola, pintas pretas causadas por Alternaria ou stemphylium, fusariose, verticilose, cercosporiose, antarcnose, tombamento, podridão das maçãs) e nematóides das galhas e reniforme. A resistência a pragas sugadoras e transmissoras de viroses como pulgões e mosca branca é altamente desejável.   As cultivares devem apresentar boas respostas a aplicação de insumos modernos, incluindo fertilizantes químicos, inseticidas, herbicidas, fungicidas, reguladores de crescimento e desfolhantes. É exigida boa adaptação a colheita mecanizada, devendo as plantas apresentarem a inserção do primeiro ramo frutífero acima de 20 cm do solo; porte ereto, mesmo quando fixarem todo seu potencial produtivo; capulhos bem aderidos as cápsulas e que não caiam mesmo após fortes chuvas e ventos. Devem ser tolerantes aos veranicos prolongados, que ocorrem normalmente nos cerrados de Goiás, Bahia, Maranhão e Piauí; devendo apresentar sistema radicular vigoroso e profundo; possuírem alta capacidade de fixação de capulhos nas plantas, inclusive até nos ponteiros; e suportarem espaçamentos estreitos e altas densidades de plantas/metro linear de sulco. CULTIVARES INDICADAS PELOS OBTENTORES/MANTENEDORES(2007/07) Ciclo Precoce : EMBRAPA - BRS Araçá; EPAMIG- EPAMIG PRECOCE 1(Região de Guanambi); Ciclo Médio: BAYER- Sicala 40; COODETEC - CD 406, CD 407, CD 408; D&PL- NuOPAL, Delta Opal, Delta Penta, Sure Grow 821; EMBRAPA- BRS Rubi, BRS Safira, BRS Verde, BRS 187, BRS 200, BRS 201; EPAMIG - EPMG Redenção; SYNGENTA- Makina; Ciclo Tardio: BAYER - FiberMax 977, FM 993; EMBRAPA -BRS Camaçari, BRS Acácia, BRS Aroeira, BRS Cedro, BRS Ipê, BRS Jatobá,BRS Sucupira, CNPA ITA 90; D&PL- Acala 90, DP 90 B; COODETEC- CD 409; SYNGENTA - Fabrika, INTASP 41368.

Pragas do algodoeiro   As pragas constituem-se um dos fatores limitantes para sua exploração, caso não sejam tomadas medidas eficientes de controle. Dentre as pragas que atacam o algodão cultivado no cerrado, destacam -se As brocas (E utinobothrus brasiliensis e Conotrachellus denieri ),. lagarta rosca ( Agrotis spp.), os pulgões ( A  phis gossypii  e

persicae), tripes (Frankliniella spp. ) o percevejo de renda ( Gargaphia torresi ), o curuquerê ( Alabama argillacea ) o bicudo ( Anthonomus grandis ) a lagarta-das-maçãs (Heliothis virescens ) as lagartas do gênero Spodoptera (S.frugiperda e S. eridania ) a lagarta rosada ( Pectinophora gossypiella ) os ácaros ( Tetranychus urticae e Polyphagotarsonemus latus ), os percevejos (Horcias nobilellus e Dysdercus spp.) a mosca branca ( Bemisia tabaci ). M yzus

Sistema de Manejo Integrado de Pragas ± MIP

Para o controle de pragas a Embrapa preconiza o uso do MIP, o qual é constituído de várias estratégias de controle. Todavia o sucesso no emprego dessas estratégias dependem da utilização de métodos de amostragens, para determinação dos níveis de controle das pragas e da ação dos inimigos naturais, visando otimizar o emprego de inseticidas. Amostragem de pragas: Geralmente, as amostragens deverão ser feitas em intervalo de cinco dias, tomando -se aleatoriamente 100 plantas em talhões com até 100 ha, área homogênea, através do caminhamento em ziguezague, dentro da cultura de tal maneira que se observem plantas que estejam bem distribuídas na cultura. Para amostrar o curuquerê em cada planta deve -se examinar a terceira folha, contada a No caso do bicudo, deve-se observar um botão floral de tamanho médio, tomado aleatoriamente, na metade superior da planta, a fim de se verificar a presença ou não de orifícios de oviposição e \ou alimentação. As amostragens visando o bicudo, deverão ser feitas a partir do sur gimento dos primeiros botões florais até o aparecimento do primeiro capulho na cultura. Estratégias de controle: O manejo integrado de pragas tem como base fundamental a integração de várias estratégias de controle de pragas, tais como: manipulação de cultivar, controle cultural (plantio, conservação do solo e adubação, densidade de plantio, catação de botões florais e maçãs caídas no solo, destruição dos restos de cultura e rotação de cultura), controle climático, controle biológico, controle químico. Manipulação de cultivar e plantio Sugere-se a utilização de cultivares produtivas de algodão de ciclo curto resistentes a virose e uniformidade da época de plantio, sempre que possível, em áreas e períodos comprovadamente com menor incidência de pragas, vis ando quebrar a sincronia entre a fonte alimentar da praga e sua ocorrência, além de possibilitar a antecipação da colheita e, conseqüentemente, a destruição precoce dos restos de cultura. Conservação do solo e adubação: A utilização correta do solo, basea da em recomendações técnicas de preparo e adubação, constitui -se em ferramenta indispensável para manutenção da sua fertilidade e estrutura, contribuindo diretamente para a formação de plantas vigorosas e, portanto, menos vulneráveis ao ataque de pragas. Densidade de plantio :A densidade de plantio deverá ser constituída de tal maneira que se evite o adensamento excessivo da cultura, facilitando a penetração dos raios solares e o deslocamento de gotas da calda do inseticida até o alvo biológico. Controle climático : Nas regiões brasileiras cujas condições edafoclimáticas são caracterizadas por  insolação excessiva, tem exercido um papel preponderante na redução populacional de pragas. A insolação aumenta a taxa de evaporação da água presente no solo e nos insetos, funcionando como fator limitante para a sua sobrevivência, principalmente da broca e do bicudo. Controle Biológico Sugere-se efetuar, uma vez por semana, liberações inundativas de 100.000 ovos parasitados/ha, pela vespinha Trichogramma pretiosum no momento do aparecimento na lavoura de lepidópteros -praga, como: curuquerê, lagartas do gênero Spodoptera spp., lagarta rosada e lagarta -das-maçãs. A liberação deverá ser feita com 15 cartões

de 2 pol2 contendo ovos parasitados distribuídos em 15 pontos equidistantes entre si por ha. Outra alternativa é efetuar pulverizações com o inseticida microbiológico a base de Bacillus thuringiensis , na dosagem comercial de 8-16 e 16-32 g.i.a./ha, respectivamente, quando o curuquerê e a lagarta -das-maçãs atingirem o nível de controle. Deve-se ter bastante atenção para a presença de predadores (joaninhas, sirfídeos, bicho-lixeiro e aranhas) e parasitóides (vespinha: Lysiphlebus testaceipes ) do pulgão na lavoura, obedecendo ao nível de ação desses inimigos naturais Controle Químico O controle químico das principais pragas do algodoeiro somente deverá ser efetuado quando necessário, ou seja, quando a praga atingir o nível de controle (Tabela 1). Até o aparecimento das primeiras maçãs firmes (cerca de 70 dias), não devem ser  utilizados inseticidas piretróides. A escolha dos inseticidas químicos deverá levar em consideração a eficácia, a seletividade, a toxicidade, o poder residual, o período de carência, o método de aplicação, a formulação e o preço. Destruição dos restos de cultura Imediatamente após a colheita, deve -se proceder à destruição dos restos de cultura, tais como: raízes, caules, botões florais, flores, maçãs, carimãs e capulhos não colhidos, respectivamente, através do arranquio e/ou coleta, para destruição e incorporação no solo. A destruição dos restos de cultura no final da safra visa quebrar  o ciclo biológico das pragas, através da eliminação dos sítios de proteção, alimentação e reprodução. Rotação de cultura O cultivo alternado do algodoeiro com outras culturas, em sucessões repetidas, adotando-se uma seqüência definida, além de contribuir para a redução de pragas específicas associadas a uma delas, concorre favoravelmente para a melhoria das condições físicas e químicas do solo. MIP O MIP baseia-se em amostragens periódicas na cultura. Assim, o cotonicultor poderá decidir qual a estratégia correta que deverá ser aplicada para o controle de determinada praga. O cotonicultor deve aprender a tolerar a presenç a de insetos na sua lavoura, enquanto esses não atingirem o nível de controle. Lavouras de algodão de diferentes idades, em uma mesma região, favorecem a sobrevivência e o surgimento precoce de pragas, aumentando o custo de produção. A destruição de restos de cultura na lavoura algodoeira é obrigatória por lei e seu descumprimento é crime. Para o agricultor, a utilização do MIP resultará em economia nos custos de produção, melhoria na sua qualidade de vida, garantia de que esta atividade agrícola permanecerá viável economicamente por muito tempo, enquanto para a sociedade a garantia de preservação da biodiversidade, dos mananciais hídricos (lençóis, poços, açudes e rios) e à certeza da redução de resíduos nos subprodutos do algodão.

Doenças do Algodoeiro Principais doenças do algodoeiro no cerrado. Tombamento, Ramulose, Mancha angular, Mancha branca ou mancha de ramulária, Manchas de alternária e estefilium, Murcha de fusarium, Doença Azul. Tombamento: É uma doença bastante comum e de ocorrência generaliza da em todas as áreas produtoras de algodão do cerrado, sobretudo aquelas onde são verificados maiores índices pluviométricos, podendo causar sérios prejuízos ao estabelecimento da cultura, em função, principalmente, dos efeitos sobre a redução do estande. Os sintomas de tombamento podem ser observados logo após a emergência das

plântulas, nas folhas cotiledonares e primárias, as quais apresentam lesões irregulares de coloração pardo-escura. Estas lesões também podem ser observadas no caule da plântula, na mesma face de inserção da folha e imediatamente abaixo do coleto. Essas lesões, ao circundarem todo o caule, induzem o tombamento e morte da plântula. Entre os patógenos causadores de tombamento podem -se destacar os fungos dos gêneros Colletotrichum , Fusarium, Pythium e Rhizoctonia, sendo este último o mais importante. O controle da doença é feito por meio do tratamento de sementes. Ramulose; Doença causada pelo fungo Colletotrichum gossypii  var. cephalosporioides é caracterizada por ocasionar encurtamento dos internódios e superbrotamento da região apical, dando aspecto de vassoura aos ramos terminais. É uma das mais importantes doenças do algodoeiro, particularmente no cerrado. Alta pluviosidade e fertilidade do solo, temperaturas entre 25º e 30ºC e umidad e relativa do ar acima de 80% favorecem a ação do fungo. O controle é realizado através do uso de cultivares resistentes: as principais recomendadas pela Embrapa são: BRS Aroeira e BRS Sucupira. Mancha angular:   A mancha angular é causada pela bactéria  X anthomonas axonopodis pv. malvacearum e caracteriza-se por apresentar manchas foliares de formato anguloso, delimitadas pelas nervuras. As manchas, de início oleosas adquirem posteriormente, aspecto necrótico e apresentam coloração marrom ou parda-escura. As lesões também podem se localizar ao longo das nervuras principais, formando uma zona necrótica adjacente a estas; nos caules e ramos podem ser  observadas lesões deprimidas, escuras e alongadas, podendo atingir vários centímetros de comprimento no sentido longitudinal, enquanto nas maçãs, lesões circulares inicialmente encharcadas de coloração verde escuro, são formadas na parede do carpelo e posteriormente se tornam escuras e causam a podridão das maçãs. O controle desta doença é feito unicamente com o uso de cultivares resistentes. O controle químico com o uso de antibióticos é de elevado custo e de eficiência duvidosa. As principais cultivares recomendadas para controle são: BRS  Aroeira, BRS Ipê e BRS Sucupira. Mancha branca ou mancha de ramulária: Causada pelo fungo Ramularia areola , caracteriza-se por apresentar manchas esbranquiçadas, de formato anguloso em ambas as superfícies foliares; sob condições de alta umidade e ambientes sombreados, sobretudo no terço inferior da planta pode afetar o algod oeiro ainda precoce e ocasionar queda de folhas. Lesões com as mesmas características daquelas ocasionadas nas folhas, podem ocorrer nas brácteas; não é comum sobre plântulas, em especial nos cotilédones, porém quando ocorrem, os cotilédones se tornam cloróticos e avermelhados e há queda de folhas. Não existem cultivares resistentes, porém existem algumas tolerantes tais como a BRS Sucupira, BRS Ipê e BRS Aroeira. A Cultivar BRS Antares é altamente suscetível. O controle químico em cultivares suscetíveis deve se iniciar a partir dos 40 dias após a emergência utilizando-se os fungicidas recomendados.

Manchas de alternária e estefilium : Causadas pelos fungos  Alternaria sp e Stemphylium solani . Caracterizam-se por apresentar manchas necróticas circulares no início, evoluindo para manchas irregulares no caso de S solani  e circulares com anéis concêntricos quando ocasionadas por   Alternaria sp. São cíclicas, não obedecendo um padrão lógico de ocorrência a cada ano. As cultivares da Embrapa recomendadas para o cerrado apresentam resistência a estas doenças. O controle químico pode ser  feito utilizando-se fungicidas estanhados. Murcha de fusarium: Doença causada pelo fungo Fusarium oxysporum f. sp. vasinfectum . Os sintomas caracterizam-se pela murcha das folhas e ramos. Muitas plantas jovens podem morrer em poucos dias após os primeiros sintomas externos

serem observados, comuns quando as plantas encontram -se com, aproximadamente seis semanas de idade. Algumas plantas afetadas podem sobreviver à doença emitindo novas brotações próximas ao solo mas, em geral, os ramos originados a partir desses novos brotos não são produtivos. As plantas mortas perdem todas as suas folhas e as pequenas brotações caem, permanecendo apenas o caule enegrecido. A maioria das plantas que não morrem, sofrem severa redução de crescimento. Os sintomas internos caracterizam -se pela descoloração dos feixes vasculares os quais sofrem bloqueio impedindo a livre circulação de água e seiva bruta para a parte aérea, induzindo a murcha. A murcha de f usarium é ainda mais severa quando ocorre associada com nematóides, especialmente os do gênero M eloidogyne, Rotylenchus e Pratylenchus formando o que se convencionou chamar  de complexo fusarium-nematóide. O controle desta doença é feito somente através de cultivares resistentes. A Embrapa recomenda o plantio da BRS Aroeira nas áreas de cerrado, sobretudo de Goiás, onde a murcha de fusarium tem ocorrido. Doença Azul: É uma doença de natureza virótica cujo agente causal ainda não foi descrito, caracteriza-se por induzir o encurtamento dos entrenós, o que acarreta redução do porte das plantas. As folhas apresentam palidez das nervuras, curvatura das bordas para baixo e rugosidade. A doença tem como vetor o pulgão  A phis gossypii . Os sintomas desenvolvem-se ente nove e 28 dias após a inoculação. O controle da doença é feito com cultivares resistentes e com o controle do vetor através da pulverização com inseticidas. As principais cultivares resistentes são: BRS Aroeira e BRS Sucupira. As cultivares BRS Ipê e CNPA Ita 90 apresentam suscetibilidade a esta virose.

COLHEITA Por exigir atenção constante ao longo do seu desenvolvimento (mão -de-obra e capital) maiores cuidados com o algodoeiro devem ser alocados à colheita e armazenamento. Como a destinação principal do algodão é a indústria têxtil a qualidade da fibra é de fundamental importância e também depende da colheita.  A qualidade final da semente e da fibra do algodoeiro depende da tecnologia de pré colheita, colheita e pós -colheita. Os métodos empregados na s duas últimas fases são fundamentais para a qualidade; deles também depende o tempo de armazenamento, importante fator no que se refere à comercialização do produto.  A ocorrência de sujeira ± notadamente fios de sisal, ráfia, náilon e plásticos, penas de aves (já no armazenamento) - contamina o algodão, deprecia sua qualidade e induz mau conceito junto a consumidores. O algodão deve ser colhido em sacos de algodão; no ato da colheita separar o algodão mais limpo do produto sujo. A colheita, iniciada em até 130 dias de ciclo, pode ser manual ou mecânica. Colheita manual: Própria para algodoais em áreas pequenas com exploração quase familiar. Deve-se evitar o que se chama "rapa" isto é, colheita misturando o algodão baixeiro com o algodão do ponteiro da pla nta o que produz tipos 6 e 7 (inferiores). Um apanhador (colhedor) pode colher 3 a 6 arrobas/dia. A colheita deve ser iniciada quando 60% dos capulhos estiverem abertos. Deve -se conscientizar os apanhadores acerca da importância da colheita. A medida que o algodão é colhido deve ser  entregue à usinas de beneficiamento (evita -se riscos de incêndio, fermentação, contaminação). Existem alguns cuidados que devem ser observados na colheita manual tais como:  ±iniciar a colheita quando 60% dos capulhos estiverem abertos, realizando quantas colheitas forem viáveis;  ±evitar colher capulhos com carimãs, plantas daninhas, maçãs verdes e outros produtos estranhos;

 ±não

usar sacaria e amarrações de plásticos, juta e sisal, dentre outros, para evitar  contaminação por materiais como polipropileno.

Na colheita manual, se bem conduzida, o produto pode atingir os tipos 4 e 4/5 (de ótima qualidade), que não exige muita pré -limpeza nem limpeza após o beneficiamento e alcança melhor cotação no mercado. Colheita mecânica: ( Colhedeiras do tipo Picker de 2 a 5 fileiras). De alto rendimento é de menor custo que a manual; em lavouras bem conduzidas tecnicamente e com bom rendimento um equipamento colhedor pode colher de 3 a 5h a/dia de trabalho (colhendo 2 filas). O algodão colhido (tipo 5) passa a tipo 4. Para a colheita mecânica a declividade do terreno deve estar abaixo de 8%, não devem existir obstáculos no terreno, tocos, pedras, buracos, ser adequada a cultivar, população de plantas, controle de ervas, entre outros. O teor de umidade de 7 a 12% (colher em horas quentes do dia) , operadores capacitados, a cultura deve estar no limpo, desfolhada e uniforme. Perdas admitidas em até 10%. Velocidade de trabalho em 3,5 km/h. Rendimentos variam de 1.500kg a 2.500kg/ha em condições de sequeiro;Em trabalhos experimentais já se conseguiu 4.500kg/ha (Bahia) em condição de lavouras irrigadas. Caso haja necessidade de armazenamento antes da comercialização o local deve estar seco, ventilado, limpo, protegido da umidade e do fogo. Pontos importantes para se obter o máximo desempenho da colheitadeira:  ±Preparar e nivelar bem o terreno, que deve ser, de preferência, plano - não excedendo a 8% de declividade - isento de pedras, tocos e sulc os de erosão.  ±Realizar a semeadura, de preferência em fileiras retas, proporcionando densidade uniforme entre 10 a 12 plantas por metro linear;a semeadora adubadeira a ser  utilizada deverá ter o mesmo número de unidades colhedoras da máquina ou número múltiplo.  ± A cultivar deve ser de estrutura compacta, com tamanho homogêneo de plantas e de ciclo relativamente precoce, para proporcionar maturação uniforme por ocasião da colheita.  ±  A adubação deve ser equilibrada, de acordo com as necessidades do solo e da planta, com vistas a se obter ótimos desenvolvimento, maturação do cultivo e produtividade.  ±O controle de ervas daninhas deverá ser cuidadoso e eficiente, em função das dificuldades que elas impõem ao bom desempenho das colheitadeiras, além de depreciar a qualidade da fibra.  ± A aplicação de reguladores de crescimento é fundamental para se obter a altura ideal das plantas que favorecerá o bom desempenho das colheitadeiras, esta altura pode variar entre 1,0 m e 1,30 m; entretanto, como o algodão tem há bito de crescimento indeterminado, deve haver equilíbrio entre o crescimento (vegetativo e reprodutivo) e o seu desenvolvimento, que é de natureza seqüencial. Beneficiamento do algodão O beneficiamento do algodão é feito nas Algodoeiras, é a etapa prév ia para a sua industrialização e consiste na separação da fibra das sementes por processos mecânicos, com mínima depreciação das qualidades intrínsecas da fibra e a obtenção de um bom tipo de algodão, de maneira a atender às exigências da indústria têxtil e de fiação. O processo se inicia com a pesagem do fardão que, posteriormente, passa por um equipamento denominado vulgarmente de Piranha ou Ricardão, que tem a função de desmanchá-lo através de eixos batedores de pinos que abrem, desempelotam e limpam parte do algodão, conduzindo-o a uma esteira que o levará à sucção de alimentação da usina.

Em outras algodoeiras que não dispõe de desmanchadores, o processo de alimentação é realizado por meio de tubos telescópio que atuam sobre os fardões ou gaiolas promovendo alimentação da usina de beneficiamento via sucção. Em algodoeiras equipadas com aferidores eletrônicos é possível determinar a umidade do algodão e proceder a secagem ou umidificação conforme o caso, para melhorar as operações de limpeza e descaroç amento, garantindo melhor qualidade final da fibra. O processo de separação da fibra da semente é realizado por descaroçadores de serras circulares que são apresentados em diferentes modelos, número de serras, capacidade de trabalho e fabricantes.  Através de processos eletrônicos é possível regular o peso médio dos fardos a serem compactados e amarrados ao final do processo além da retirada automática de amostras para analise no HVI (high volume instruments).

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