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September 16, 2017 | Author: scmarcel | Category: Industrial Revolution, Sociology, Capitalism, Karl Marx, Bourgeoisie
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Introdução: O presente trabalho tem como proposta desenvolver uma reflexão) sobre a ótica do texto: cinco notas a propósito da “questão social” escrito por José Paulo Neto. Para construção desta reflexão, faz-se necessário entender a questão social a partir de um breve histórico de seu surgimento, a fim de contribuir para o entendimento do artigo: cristalização da pobreza, no qual trabalhadores informais “flanelinhas” estão inseridos no tema dos cinco elementos que compõe a questão social e suas expressões. O surgimento da Questão Social teve início com a industrialização no século XVIII com a Revolução Industrial, tem como principal característica: o pauperismo. A pobreza crescia a medida do aumento da produção de riqueza. Desdobramentos sócio-políticos, igual “vítimas do destino”, questões ideológicas. Tal idéia de “Naturalização” faz a manutenção da ordem burguesa. Antes, do sec. XVIII existia o capitalismo mercantilista feudal, a questão deles era a posse de terra. A expressão Capital X Trabalho só surge com a Revolução Industrial. Após a Revolução Industrial, as pessoas saíram dos campos, da lavoura, e foram para as cidades. Esta ocupação não se deu de forma organizada, faltava infra-estrutura, saneamento básico, etc. As mulheres e crianças foram para as indústrias, sendo as mais exploradas pelo sistema capitalista. O industrial burguês explora o trabalhador, os artesões passam a ser explorados, são mudanças concretas, que modificam a maneira de vida. Trabalhadores revoltam-se contra as máquinas, porque passam a ter apreensão de sua condição de explorados. Manifestação de mudanças cultural. A falta de emprego, a pobreza emergente, o pauperismo. Uma única questão social com várias expressões. Era uma nova dinâmica da pobreza, pois já se generalizava. Pela primeira vez a pobreza crescia na razão direta em que aumentava a capacidade social de produzir riquezas. Essa sociedade se revela capaz de produzir bens e serviços, mas não tinham acesso efetivo para os mesmos bens e serviços, pois se viam despossuídos das condições materiais de vida. Esses trabalhadores só tinham sua força de trabalho, pois deixaram seus bens para traz: seus campos, lavouras, em busca de melhores condições de vida. Ocorriam outros problemas na cidade, as estruturas não acompanhavam a desenvoltura, surgindo os cortiços. As famílias tinham muitos filhos, quanto mais força de trabalho para vender, mais era a chance de sobrevivência. A história nos prova que o valor do indivíduo depende do lugar onde se encontra. No Brasil, o acesso a bens e serviços essenciais, públicos e até mesmo privados é tão diferencial e contrastante, que uma grande maioria dos brasileiros acaba privada de bens, serviços e benefícios. A sociedade é constituída por diferenças formadas pela ordem das carências acumuladas no correr dos anos atravessando as dimensões da vida social, sendo que os movimentos sociais sempre tiveram destaque dentro do contexto histórico.

É fato conhecido que a questão social tem a ver com a emergência das classes operárias e seu ingresso no cenário político, por meio das lutas desencadeadas em prol dos direitos pertinentes ao trabalho, exigindo seu reconhecimento como classe, dando origem a uma ampla esfera de direitos sociais públicos. Portanto, é exatamente o legado de direitos conquistados nos últimos séculos, que hoje está sendo desmontado nos governos de orientação neoliberal, em uma nítida regressão da cidadania que tende a ser reduzida às suas dimensões civis e política, erodindo a cidadania social. Isto é, transfere-se para distintos segmentos da sociedade civil significativa parcela da prestação de serviços sociais, afetando diretamente o espaço ocupacional de várias categorias, viso que, de um lado, tem-se a transferência de responsabilidades governamentais para organizações da sociedade civil de interesse público e outro, uma crescente mercantilização do atendimento às necessidades sociais. Segundo Iamamoto (2001), este deslocamento das ações governamentais públicas para o setor privado ocorre em detrimento das lutas e conquistas sociais e políticas extensivas a todos. Segundo José Paulo Neto, a compreensão está para além do conflito capital x trabalho é preciso considerar dentro de um período histórico suas particularidades culturais, que entrelaçam elementos de relações de classes, geracionais, de gênero e de etnia constituídos em formações sociais específicas para entender a caracterização das novas expressões da questão social.

1ª nota O uso da expressão “questão social”, inicia-se na terceira década, século XIX : responde ao pauperismo, causado pelo impacto da revolução industrial; Para os observadores da época, pauperismo era tratado como um fenômeno novo, sem precedentes na história anterior conhecida. Registrado pela primeira vez na história: o crescimento da pobreza ocorre na razão direta do aumento da capacidade social de se produzir riqueza. A pobreza crescia na razão direta que aumentava a capacidade social de produzir riquezas.

Despossuídos das condições materiais de vida, de que dispunham anteriormente, a sociedade burguesa e a pobreza estava ligada a um quadro geral de escassez ( determinado pelo nível de desenvolvimento das forças produtivas materiais e sociais. É com o pauperismo, que surge a questão social, que é o desdobramento sócio-político. Os pauperizados estavam na condição de vítimas do destino, como Comte considerava grande virtude cívica. No século XIX na 1ª década os pauperizados não se conformaram com a situação que estavam passando, começaram fazerem protestos com violência. Foi daí que a ordem burguesa designou a Questão Social. .

2ª nota Entre os pensadores laicos, as manifestações imediatas da questão social: forte desigualdade, desemprego, fome doença, penúria, desamparo, são vistos como desdobramento da sociedade moderna, que podem no máximo ser objeto de intervenção política, limitada com suporte cientifico, capaz de amenizar e reduzir esse impasse, reduzir com ideário reformista como de Durkeim: É a vontade de Deus. Remetem-nos a carta Encíclica de Leão XII de 1891, vertentes conservadoras. Esses pensamentos conservadores da questão social é sua naturalização, é convertida em objeto de ação moralizadora ( com intuito de preservar a propriedade privada) dos meios de produção. Em 1848 Revolução divisor de águas, de um lado encerrando o clico progressista da ação de classe da burguesia impedem, os intelectuais a ela vinculados (enquanto seus representantes ideológicos) . Onde irá implicar na interdição da compreensão das relações entre o desenvolvimento do capitalismo e a pauperização, posto como caráter de urgência, a manutenção e a defesa da ordem burguesa “Questão Social” perde paulatinamente sua estrutura histórica e passa ser naturalizada, como foi acima citado, tanto no pensamento conservador laico quanto no confessional. Esses pensadores laicos, as manifestações da questão social, (forte desigualdade, desemprego, fome, penúria desamparo,) eram vistos como desdobramento da sociedade moderna, características ineliminável de toda e qualquer ordem social. Mas neste mesmo ano, também reflexos nas expressões ideais- culturais e teóricas, ideologia do campo burguês. Também feriu as bases da cultura política que estava assentado o movimento dos trabalhadores. Pensamentos antagônicos dos interesses sociais das classes, acarretando a dissolução do ideário formulado pelo utopismo. Dai revela-se com clareza o conjunto problemático, “questão social”.

Em 1948 também ocorreu a passagem em nível histórico universal, do proletariado da classe em si a classe para si. Os trabalhadores acenderam no seu processo de luta, consciência política de que a questão social está necessariamente colada à sociedade burguesa: somente o desaparecimento desta, conduz ao desaparecimento da outra. Nesses termos, a questão social, tal como a entendemos, é a expressão das desigualdades sociais produzidas e reproduzidas na dinâmica contraditória das relações sociais.

3ª Nota A organização da classe trabalhadora na contemporaneidade está enfraquecida, fragilizada, viabilizando a garantia de um maior controle dos detentores do capital, fazendo uma desordem no sistema, fortalecendo a dinâmica de acumulação do capital. Consciência política não é o mesmo de compreensão teórica. O movimento dos trabalhadores tardou alguns anos para encontrar instrumentos teóricos e metodológicos para apreender a gênese, a constituição e os processos de reprodução da “ Questão Social”. No período de 1848 Karl Marx, lançou o 1ºCaptítulo do livro O’Capital, justamente com eclosão da classe trabalhadora, com sua unificação como classe. Ele explica neste volume a razão teórica da causalidade da questão social. Somente depois de um conhecimento profundo sobre o processo de produção, que Marx pode explicar com precisão a dinâmica da questão social e um complexo problemático irredutível da manifestação do pauperismo. Marx em sua análise da “Lei geral da acumulação do capital”, em seu livro de 1867, revela a anatomia da questão social. E diz que o desenvolvimento capitalista produz compulsoriamente a questão social. Diferentes estágios capitalistas produzem diferentes manifestações da “questão social”, esta não é uma sequela adjetiva ou transitória do regime capitalista. A questão social é constitutiva do desenvolvimento do Capital. Marx em seu livro N’O Capital revela que a questão social esta fundamenta na relação capital/trabalho - a exploração não remete à determinante molecular da Q.S., ela implica nos pontos históricos, políticos, sociais e culturais. Nas sociedades anteriores à ordem burguesa, as desigualdades, as privações decorriam de uma escassez, que o baixo nível de desenvolvimento das forças produtivas não podia suprir (eram um componente ideal que legitimava as desigualdades, as privações). Mas na ordem burguesa constituída, decorrem de uma escassez produzida socialmente. Escassez que resulta da contradição entre as forças

produtivas (crescentes socializadas e as relações de produção que garantem a apropriação privada do excedente), ou seja a mais valia e a decisão privada da sua destinação. A questão social, nesta perspectiva teórica- analítica, não tem a ver com o desdobramento de problemas sociais da ordem burguesa. Tem a ver exclusivamente com a sociabilidade erguida sob o comando do capital.

4ª Nota Após a 2ª Guerra Mundial, processo de reconstrução especialmente da Europa Ocidental, formam três décadas de glória, nos anos de 1960 a 1970, anos dourados, sem crises periódicas, o regime Capitalista viveu um grande crescimento. A Constituição Welfare State (Estado de Bem Estar). Marx continuava em assinalar nas melhorias das massas trabalhadoras, não alterava a essência exploradora do capitalismo, continuando revelar intensos processos de pauperização. Na entrada de 60 houve redução de taxas de lucro, e também um condicionamento para classe operária. O Capitalismo responde a uma ofensiva política. O trato sindical com Margareth Tatcher e Ronald Reagan, fundamento da natureza ideológica e econômica. A restauração do capital, a conjunção “Globalização” e Neoliberalismo, correspondem ao não compromisso social. Tudo que é solido permanente, se desmancha no ar, pois se instauram o rompimento com a regulação política, direcionada pela “Mão Invisível do Mercado”, reformas do Estado, fragilizando a esfera pública. O seu esforço para romper com qualquer regulação política, extra-mercado. Estado mínimo, a fragilidade no compromisso social. Erodiu-se o andamento do Welfare State, foi implantado o capitalismo globalizado, transnacional e pós-fordista. Essa década foi marcada, também, por alterações consistentes na concepção de Estado e de seu papel regulador. As políticas keynesianas e desenvolvimentistas, que sustentaram o que chamou-se “anos dourados” do capitalismo, passaram a serem responsabilizadas pela inflação e por boa parte das dificuldades existentes no campo políticoeconômico, vivenciadas na década de 70, que se estenderam para a década seguinte. A ideia de um excessivo gasto público, principalmente no que diz respeito aos gastos sociais, tomou força e colocou na ordem do dia as discussões relativas de promover políticas de equilíbrio fiscal, privatização e abertura econômica. Essa seria a forma de aumentar a competitividade e devolver aos mercados o seu dinamismo, bem como de ditar regras e trazer de volta a eficiência. A redução do Estado, associadas a medidas com a flexibilização das leis trabalhistas, tornamse, supostamente, um imperativo para sair da crise do capital vivenciada na década de 70.

Durante esse período, com a redução significativa do poder dos sindicatos e as dificuldades cada vez maiores a serem enfrentadas, houve aumento considerável de desemprego, a precarização do trabalho e a fragmentação das classes trabalhadoras, ocasionando o aumento do trabalho terceirizado, subcontratos temporários, parciais e todas as suas variações. Marx considera criador de um paradigma em crise “Nova pobreza”, os excluídos... Uma solidariedade naturalmente transclassista e com inteira abstração dos novos dispositivos de exploração. A classe trabalhadora vem sofrendo todos esses impactos na economia do país, refletindo diretamente na capacidade de gerar empregos, que possa dar garantia e estabilidade ao trabalhador, motivo pelo qual se gera um grande número de desempregados.

5ª Nota Não existe nova Questão Social, porém novas expressões da questão social. O que devemos investigar nas manifestações “tradicionais” da questão social, e a emergência de novas expressões que tem haver com a supressão da ordem do capital, onde cada novo estágio de seu desenvolvimento instaura-se novas expressões sócias humanas diferenciadas e mais intensificação da exploração, que é a sua razão de ser. O capital X Trabalho, essa base não muda, passa existir novos elementos, vale lembrar a lei da acumulação do capital, e os sistemas de mediações. O caráter univermundializado, objetiva-se particularmente na cultura, geopolíticas e nacionais. Precisamos de mediações que expliquem a questão social, a manifestação do poder público com suas políticas públicas voltadas para o trabalhador, o cidadão de direito, que direta ou indiretamente paga impostos. A questão social e suas manifestações já conhecidas em suas expressões novas é preciso considerar as particularidades históricas culturais e nacionais. Diante deste exposto chegamos a um paradoxo, de que adianta um mundo globalizado, pós moderno, que acessamos através dos meios de comunicação atual, internet, telefonia móvel, televisão digital e mais, cria um universo de informações imediatas, prontas, impedindo o ser humano de construir reflexões pautadas em uma análise crítica do real e do concreto. Quando houver esta conscientização dos governantes que são eleitos, por votos diretos, pela população, de estarem fazendo mover a máquina do Estado em prol do trabalhador, criando projetos políticos que vem ao encontro desses trabalhadores que foram marginalizados, que se tornaram invisíveis aos olhos do poder público. Vamos contribuir para uma construção de um país mais justo, e estaremos ajudando reescrever nossa democracia, estaremos redemocratizando. Somente a poderemos dizer “Brasil” um país para todos.

Introdução: O presente trabalho tem como proposta desenvolver uma reflexão) sobre a ótica do texto: cinco notas a propósito da “questão social” escrito por José Paulo Neto. Para construção desta reflexão, faz-se necessário entender a questão social a partir de um breve histórico de seu surgimento, a fim de contribuir para o entendimento do artigo: cristalização da pobreza, no qual trabalhadores informais “flanelinhas” estão inseridos no tema dos cinco elementos que compõe a questão social e suas expressões. O surgimento da Questão Social teve início com a industrialização no século XVIII com a Revolução Industrial, tem como principal característica: o pauperismo. A pobreza crescia a medida do aumento da produção de riqueza. Desdobramentos sócio-políticos, igual “vítimas do destino”, questões ideológicas. Tal idéia de “Naturalização” faz a manutenção da ordem burguesa. Antes, do sec. XVIII existia o capitalismo mercantilista feudal, a questão deles era a posse de terra. A expressão Capital X Trabalho só surge com a Revolução Industrial. Após a Revolução Industrial, as pessoas saíram dos campos, da lavoura, e foram para as cidades. Esta ocupação não se deu de forma organizada, faltava infra-estrutura, saneamento básico, etc. As mulheres e crianças foram para as indústrias, sendo as mais exploradas pelo sistema capitalista. O industrial burguês explora o trabalhador, os artesões passam a ser explorados, são mudanças concretas, que modificam a maneira de vida. Trabalhadores revoltam-se contra as máquinas, porque passam a ter apreensão de sua condição de explorados. Manifestação de mudanças cultural. A falta de emprego, a pobreza emergente, o pauperismo. Uma única questão social com várias expressões. Era uma nova dinâmica da pobreza, pois já se generalizava. Pela primeira vez a pobreza crescia na razão direta em que aumentava a capacidade social de produzir riquezas. Essa sociedade se revela capaz de produzir bens e serviços, mas não tinham acesso efetivo para os mesmos bens e serviços, pois se viam despossuídos das condições materiais de vida. Esses trabalhadores só tinham sua força de trabalho, pois deixaram seus bens para traz: seus campos, lavouras, em busca de melhores condições de vida. Ocorriam outros problemas na cidade, as estruturas não acompanhavam a desenvoltura, surgindo os cortiços. As famílias tinham muitos filhos, quanto mais força de trabalho para vender, mais era a chance de sobrevivência. A história nos prova que o valor do indivíduo depende do lugar onde se encontra. No Brasil, o acesso a bens e serviços essenciais, públicos e até mesmo privados é tão diferencial e

contrastante, que uma grande maioria dos brasileiros acaba privada de bens, serviços e benefícios. A sociedade é constituída por diferenças formadas pela ordem das carências acumuladas no correr dos anos atravessando as dimensões da vida social, sendo que os movimentos sociais sempre tiveram destaque dentro do contexto histórico. É fato conhecido que a questão social tem a ver com a emergência das classes operárias e seu ingresso no cenário político, por meio das lutas desencadeadas em prol dos direitos pertinentes ao trabalho, exigindo seu reconhecimento como classe, dando origem a uma ampla esfera de direitos sociais públicos. Portanto, é exatamente o legado de direitos conquistados nos últimos séculos, que hoje está sendo desmontado nos governos de orientação neoliberal, em uma nítida regressão da cidadania que tende a ser reduzida às suas dimensões civis e política, erodindo a cidadania social. Isto é, transfere-se para distintos segmentos da sociedade civil significativa parcela da prestação de serviços sociais, afetando diretamente o espaço ocupacional de várias categorias, viso que, de um lado, tem-se a transferência de responsabilidades governamentais para organizações da sociedade civil de interesse público e outro, uma crescente mercantilização do atendimento às necessidades sociais. Segundo Iamamoto (2001), este deslocamento das ações governamentais públicas para o setor privado ocorre em detrimento das lutas e conquistas sociais e políticas extensivas a todos. Segundo José Paulo Neto, a compreensão está para além do conflito capital x trabalho é preciso considerar dentro de um período histórico suas particularidades culturais, que entrelaçam elementos de relações de classes, geracionais, de gênero e de etnia constituídos em formações sociais específicas para entender a caracterização das novas expressões da questão social.

1ª nota O uso da expressão “questão social”, inicia-se na terceira década, século XIX : responde ao pauperismo, causado pelo impacto da revolução industrial; Para os observadores da época, pauperismo era tratado como um fenômeno novo, sem precedentes na história anterior

conhecida. Registrado pela primeira vez na história: o crescimento da pobreza ocorre na razão direta do aumento da capacidade social de se produzir riqueza. A pobreza crescia na razão direta que aumentava a capacidade social de produzir riquezas. Despossuídos das condições materiais de vida, de que dispunham anteriormente, a sociedade burguesa e a pobreza estava ligada a um quadro geral de escassez ( determinado pelo nível de desenvolvimento das forças produtivas materiais e sociais. É com o pauperismo, que surge a questão social, que é o desdobramento sócio-político. Os pauperizados estavam na condição de vítimas do destino, como Comte considerava grande virtude cívica. No século XIX na 1ª década os pauperizados não se conformaram com a situação que estavam passando, começaram fazerem protestos com violência. Foi daí que a ordem burguesa designou a Questão Social. .

2ª nota Entre os pensadores laicos, as manifestações imediatas da questão social: forte desigualdade, desemprego, fome doença, penúria, desamparo, são vistos como desdobramento da sociedade moderna, que podem no máximo ser objeto de intervenção política, limitada com suporte cientifico, capaz de amenizar e reduzir esse impasse, reduzir com ideário reformista como de Durkeim: É a vontade de Deus. Remetem-nos a carta Encíclica de Leão XII de 1891, vertentes conservadoras. Esses pensamentos conservadores da questão social é sua naturalização, é convertida em objeto de ação moralizadora ( com intuito de preservar a propriedade privada) dos meios de produção. Em 1848 Revolução divisor de águas, de um lado encerrando o clico progressista da ação de classe da burguesia impedem, os intelectuais a ela vinculados (enquanto seus representantes ideológicos) . Onde irá implicar na interdição da compreensão das relações entre o desenvolvimento do capitalismo e a pauperização, posto como caráter de urgência, a manutenção e a defesa da ordem burguesa “Questão Social” perde paulatinamente sua estrutura histórica e passa ser naturalizada, como foi acima citado, tanto no pensamento conservador laico quanto no confessional. Esses pensadores laicos, as manifestações da questão social, (forte desigualdade, desemprego, fome, penúria desamparo,) eram vistos como desdobramento da sociedade moderna, características ineliminável de toda e qualquer ordem social. Mas neste mesmo ano, também reflexos nas expressões ideais- culturais e teóricas, ideologia do campo burguês. Também

feriu as bases da cultura política que estava assentado o movimento dos trabalhadores. Pensamentos antagônicos dos interesses sociais das classes, acarretando a dissolução do ideário formulado pelo utopismo. Dai revela-se com clareza o conjunto problemático, “questão social”. Em 1948 também ocorreu a passagem em nível histórico universal, do proletariado da classe em si a classe para si. Os trabalhadores acenderam no seu processo de luta, consciência política de que a questão social está necessariamente colada à sociedade burguesa: somente o desaparecimento desta, conduz ao desaparecimento da outra. Nesses termos, a questão social, tal como a entendemos, é a expressão das desigualdades sociais produzidas e reproduzidas na dinâmica contraditória das relações sociais.

3ª Nota A organização da classe trabalhadora na contemporaneidade está enfraquecida, fragilizada, viabilizando a garantia de um maior controle dos detentores do capital, fazendo uma desordem no sistema, fortalecendo a dinâmica de acumulação do capital. Consciência política não é o mesmo de compreensão teórica. O movimento dos trabalhadores tardou alguns anos para encontrar instrumentos teóricos e metodológicos para apreender a gênese, a constituição e os processos de reprodução da “ Questão Social”. No período de 1848 Karl Marx, lançou o 1ºCaptítulo do livro O’Capital, justamente com eclosão da classe trabalhadora, com sua unificação como classe. Ele explica neste volume a razão teórica da causalidade da questão social. Somente depois de um conhecimento profundo sobre o processo de produção, que Marx pode explicar com precisão a dinâmica da questão social e um complexo problemático irredutível da manifestação do pauperismo. Marx em sua análise da “Lei geral da acumulação do capital”, em seu livro de 1867, revela a anatomia da questão social. E diz que o desenvolvimento capitalista produz compulsoriamente a questão social. Diferentes estágios capitalistas produzem diferentes manifestações da “questão social”, esta não é uma sequela adjetiva ou transitória do regime capitalista. A questão social é constitutiva do desenvolvimento do Capital. Marx em seu livro N’O Capital revela que a questão social esta fundamenta na relação capital/trabalho - a exploração não remete à determinante molecular da Q.S., ela implica nos pontos históricos, políticos, sociais e culturais.

Nas sociedades anteriores à ordem burguesa, as desigualdades, as privações decorriam de uma escassez, que o baixo nível de desenvolvimento das forças produtivas não podia suprir (eram um componente ideal que legitimava as desigualdades, as privações). Mas na ordem burguesa constituída, decorrem de uma escassez produzida socialmente. Escassez que resulta da contradição entre as forças produtivas (crescentes socializadas e as relações de produção que garantem a apropriação privada do excedente), ou seja a mais valia e a decisão privada da sua destinação. A questão social, nesta perspectiva teórica- analítica, não tem a ver com o desdobramento de problemas sociais da ordem burguesa. Tem a ver exclusivamente com a sociabilidade erguida sob o comando do capital.

4ª Nota Após a 2ª Guerra Mundial, processo de reconstrução especialmente da Europa Ocidental, formam três décadas de glória, nos anos de 1960 a 1970, anos dourados, sem crises periódicas, o regime Capitalista viveu um grande crescimento. A Constituição Welfare State (Estado de Bem Estar). Marx continuava em assinalar nas melhorias das massas trabalhadoras, não alterava a essência exploradora do capitalismo, continuando revelar intensos processos de pauperização. Na entrada de 60 houve redução de taxas de lucro, e também um condicionamento para classe operária. O Capitalismo responde a uma ofensiva política. O trato sindical com Margareth Tatcher e Ronald Reagan, fundamento da natureza ideológica e econômica. A restauração do capital, a conjunção “Globalização” e Neoliberalismo, correspondem ao não compromisso social. Tudo que é solido permanente, se desmancha no ar, pois se instauram o rompimento com a regulação política, direcionada pela “Mão Invisível do Mercado”, reformas do Estado, fragilizando a esfera pública. O seu esforço para romper com qualquer regulação política, extra-mercado. Estado mínimo, a fragilidade no compromisso social. Erodiu-se o andamento do Welfare State, foi implantado o capitalismo globalizado, transnacional e pós-fordista. Essa década foi marcada, também, por alterações consistentes na concepção de Estado e de seu papel regulador. As políticas keynesianas e desenvolvimentistas, que sustentaram o que chamou-se “anos dourados” do capitalismo, passaram a serem responsabilizadas pela inflação e por boa parte das dificuldades existentes no campo políticoeconômico, vivenciadas na década de 70, que se estenderam para a década seguinte. A ideia de um excessivo gasto público, principalmente no que diz respeito aos gastos sociais, tomou força e colocou na ordem do dia as discussões relativas de promover políticas de equilíbrio fiscal, privatização e abertura econômica. Essa seria a forma de aumentar a

competitividade e devolver aos mercados o seu dinamismo, bem como de ditar regras e trazer de volta a eficiência. A redução do Estado, associadas a medidas com a flexibilização das leis trabalhistas, tornamse, supostamente, um imperativo para sair da crise do capital vivenciada na década de 70. Durante esse período, com a redução significativa do poder dos sindicatos e as dificuldades cada vez maiores a serem enfrentadas, houve aumento considerável de desemprego, a precarização do trabalho e a fragmentação das classes trabalhadoras, ocasionando o aumento do trabalho terceirizado, subcontratos temporários, parciais e todas as suas variações. Marx considera criador de um paradigma em crise “Nova pobreza”, os excluídos... Uma solidariedade naturalmente transclassista e com inteira abstração dos novos dispositivos de exploração. A classe trabalhadora vem sofrendo todos esses impactos na economia do país, refletindo diretamente na capacidade de gerar empregos, que possa dar garantia e estabilidade ao trabalhador, motivo pelo qual se gera um grande número de desempregados.

5ª Nota Não existe nova Questão Social, porém novas expressões da questão social. O que devemos investigar nas manifestações “tradicionais” da questão social, e a emergência de novas expressões que tem haver com a supressão da ordem do capital, onde cada novo estágio de seu desenvolvimento instaura-se novas expressões sócias humanas diferenciadas e mais intensificação da exploração, que é a sua razão de ser. O capital X Trabalho, essa base não muda, passa existir novos elementos, vale lembrar a lei da acumulação do capital, e os sistemas de mediações. O caráter univermundializado, objetiva-se particularmente na cultura, geopolíticas e nacionais. Precisamos de mediações que expliquem a questão social, a manifestação do poder público com suas políticas públicas voltadas para o trabalhador, o cidadão de direito, que direta ou indiretamente paga impostos. A questão social e suas manifestações já conhecidas em suas expressões novas é preciso considerar as particularidades históricas culturais e nacionais. Diante deste exposto chegamos a um paradoxo, de que adianta um mundo globalizado, pós moderno, que acessamos através dos meios de comunicação atual, internet, telefonia móvel, televisão digital e mais, cria um universo de informações imediatas, prontas, impedindo o ser humano de construir reflexões pautadas em uma análise crítica do real e do concreto. Quando houver esta conscientização dos governantes que são eleitos, por votos diretos, pela população, de estarem fazendo mover a máquina do Estado em prol do trabalhador, criando projetos políticos que vem ao encontro desses trabalhadores que foram marginalizados, que se tornaram invisíveis aos olhos do poder público. Vamos contribuir para uma construção de um país mais justo, e estaremos ajudando reescrever nossa democracia, estaremos redemocratizando. Somente a poderemos dizer “Brasil” um país para todos.

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